É nisto que somos bons


Ontem, domingo, vinha de regresso a casa depois de uma sessão de compras de material para Educação Visual na Fernandes do Colombo, quando ouço um spot acerca da nossa equipa de Paralímpicos e do qual só me ficou a ultima frase.

É nisto que somos bons

Enquanto estacionava o carro, pensava na frase e como acontece tantas vezes, a repetição só acentuava o ridículo por detrás de um spot assim.
Finalmente disse para a minha mulher - "É nisto que somos bons? O que raio tinha na cabeça o tipo que fez o slogan?"
Ela disse-me que tinha ficado algo chocada ao ver a frase num outdoor e que eu não era o único chocado com aquilo.

Eu ainda posso conceber que um qualquer publicitário mentecapto se saia com um slogan assim, mas esperava que a cadeia de aprovação duma coisa destas barrasse tal estupidez a meio caminho.
Mas não. Vai até ao fim. Tal como o Allgarve (um estrondoso sucesso) ou como outros disparates que temos visto ao longo do tempo.
É como se o filtro que apanhava estas porcarias tivesse sido tirado e agora passa tudo.

É preciso ser bastante insensível e até meio parvo (pronto, completamente parvo...) para se sair com um slogan assim.

É como se alguém dissesse - "Pronto, somos uma treta nos atletas normais, no futebol e em tudo o resto. É nisto que somos bons".
Ou seja é como se tivéssemos descoberto a nossa vocação. Ser bons na deficiência.

Inacreditável que isto se passe num país em que o seu Governo num afã de poupar dinheiro (poupar para quem?) retira milhões em ajudas na Educação Especial. Que desate a misturar crianças com necessidades educativas especiais com outras sem problemas, automaticamente excluindo-as. Um país que faz os portadores de deficiência perder benefícios fiscais, que sobrecarrega os pais de crianças deficientes pela sua inqualificável actuação.

Como é possível que depois de tudo isto, se venha para a rua com um slogan a raiar o ofensivo, como se fosse este o nosso destino?
Somos bons naquilo que mais descuidamos, obviamente e apenas porque essas pessoas são muito menos deficientes do que os incompetentes que nos regem.

Como ninguém, souberam como ultrapassar as dificuldades ao contrário de muitos que há 30 e tal anos são completamente incapazes de ultrapassar as dificuldades deste país condenado a ser um país de 3ª categoria.

Um bem haja para eles, e por favor alguém pregue uma chapada no cretino que inventou tal slogan.

O dinheiro dos meus impostos

É mais ou menos recorrente ouvirmos o argumento "ando eu a pagar os meus impostos para isto..." vindo das mais insuspeitas proveniências.
Ainda hoje ouvi de manhã o Forum TSF acerca do ensino superior, onde um ouvinte do Porto fazia a seguinte dissertação:

  1. Os filhos dos ricos fazem o ensino básico e secundário em colégios privados
  2. Os filhos dos pobres fazem o ensino básico e secundário no ensino público
  3. Os filhos dos ricos fazem a universidade em universidades públicas
  4. Os filhos dos pobres fazem a universidade em universidades privadas
Conclusão:
Os pobres andam a pagar o ensino universitário dos filhos dos ricos.

Se não fosse tão incrivelmente enviesado este raciocínio tinha até uma certa piada e poderia certamente ser demonstrativo de alguma desordem do foro neurológico, mas se calhar é interessante perder um bocadinho a dissecar o "cadáver".

Partindo destas premissas fica claro que os ricos andam a pagar o ensino dos seus filhos no privado e no público ao mesmo tempo durante todo o básico e secundário. Chegados ao ensino universitário, e tendo notas para entrar eles continuam a pagar com os seus impostos (porventura ainda maiores) o ensino dos seus filhos, mais os quase 1.000€ de propinas anuais.
O mesmo se passa com os filhos dos pobres mas de forma inversa. Só que estes só pagam privado nos últimos 3 ou 4 anos da sua formação e se calhar porque não tiveram notas para entrar para a Universidade pública.

Segundo este ouvinte o ensino basico e secundário públicos eram maus e não dava para ter boas notas para entrar depois na BOA universidade - a pública.

Concluía dizendo que eram os trabalhadores a sustentar a educação dos filhos dos ricos.
O que se pode dizer a um individuo assim, com esta capacidade de raciocínio e de argumentação?
Como é que um individuo destes pode votar da mesma forma que alguém informado e com uma estrutura de raciocínio coerente?

Isto é revelador da forma inacreditável como muitos olham para aquilo que é o seu dever de pagar impostos, ignorando que muitos pagam ainda mais impostos do que eles. Mesmo podendo ter um salário elevado, a administração fiscal encarrega-se de ir buscar uma linda fatia do mesmo, repondo assim de alguma forma a tal solidariedade fiscal.
De tal forma é que esse dinheiro sustenta o Rendimento de Inserção, todos os custos do Estado, o desperdício em todas as instituições públicas, institutos etc.

É inacreditável que possa haver gente que pensa desta forma. E nem se lembre que neste país quem paga TUDO é a classe média.
Os pobres nem podem ter os filhos a estudar durante 15 ou 20 anos, e os ricos (os verdadeiramente) nem os põem a estudar cá. A classe média, alta e baixa, sustenta tudo isto e é o maior contribuinte do Estado português.
E é esta classe média que está em sérias dificuldades. Que se vê na situação de não poder passar férias, ou de ver o seu carro degradar-se Km após Km porque custa deveras a sustentar e a trocar por um melhor.
É esta classe média, que se vê alvo fácil da rapina fiscal, e que no fim ainda está na mira da imbecilidade crescente de ouvintes como este.

E isto teve o apogeu fantástico com a representação Olímpica em Pequim. Dois jornais revelaram que os nossos atletas teriam recebido ao longo dos 4 anos 14 milhões de Euros em preparação dos Jogos.
Como fogo em palha (bem seca) o argumento dos resultados espalhou-se pelas mentes de gente que nem imaginaríamos. A relação dinheiro <-> medalhas ouvia-se em todo o lado.
Esquecia esta gente, que a maior parte dos atletas olímpicos têm uma profissão normal e que com grande esforço e dedicação treinam muitas vezes com péssimas condições para conseguir realizar o seu sonho.
Ao contrário dos nossos futebolistas PROFISSIONAIS que não fazem outra coisa na vida.
Futebolistas esses que nunca conseguiram resultados de nota para este país e que também da parte do Estado recebem nas suas participações na Selecção. Ou já se esqueceram da "greve" do caso Saltillo?
Se eu estivesse na situação destes atletas que foram retratados pelos media como preguiçosos, escarnecidos e caluniados, não poria nunca mais os pés num evento com as cores Nacionais. Venha um asno qualquer que tem este ponto de vista tentar fazer os mínimos para estar presente nos Jogos.

Bela situação a que se chegou. Um país que funciona a inveja. Acho que sem saber descobrimos A energia alternativa

Onde é que eu assino para mudar de país?

A lixeira crescente

Estou absolutamente farto da forma como os media se têm arvorado numa espécie de poder alternativo ao normal funcionamento de um estado de direito.
Tem sido crescente a constante emissão de opinião por parte de jornalistas (e refiro-me obviamente à televisão) que não conseguem disfarçar uma simpatia politica ou mesmo uma tendenciosa forma de pensar.

Nos últimos dias (semanas) o tema recorrente tem sido a Segurança.
Anda tudo num corropio porque agora o cidadão anónimo e honesto pode muito bem sair para trabalhar e não voltar mais a casa, vitima de um bando de carjackers a caminho de roubar mais uma ourivesaria ou bomba de gasolina.

O que é incrível é que os sinais estavam escarrapachados à frente as suas caras desde há mais de um ano, enquanto estavam entretidos a ouvir embevecidos a diatribe do mediático Marinho Pinto acerca da forma prepotente e arbitrária com que os magistrados mandavam inocentes para a prisão.
Um individuo que disse que não sabe como um juiz pode dormir descansado depois de mandar gente para a prisão. Curiosamente ele parece dormir descansado depois de livrar criminosos da prisão, mas não é isso que está em causa.
Individuo este, que vem agora, e contra corrente, dizer que o CPP está óptimo e ainda é cedo para fazer balanços (ao fim de um ano em que houve um pico de criminalidade raramente visto).

Há um ano atrás foi feita uma reforma ao CPP (Código de Processo Penal) e que tinha como grandes pontos de alteração, as limitações à aplicação da pena de prisão preventiva como medida de coacção e mais umas quantas alterações na sua duração máxima. Ao mesmo tempo e mais ou menos à medida de uns quantos pedófilos com preferência pelas mesmas vitimas, a figura de vários crimes repetidos com a mesma vitima passaram a ser um crime continuado, com uma moldura penal substancialmente inferior ao cumulo juridico dos vários crimes separados.

Não era preciso ser especialmente inteligente para perceber até que ponto esta "piquena" alteração era feita à medida de gente a contas com a justiça. Obviamente que as alterações ao regime da prisão preventiva também visam proteger algum "camarada" caído em desgraça.

O que era também óbvio é que muita gente iria sair para a rua como resultado destas alterações. E assim foi nos meses seguintes à entrada em vigor da nova lei, que entrou em Setembro de 2007.
Uma enorme quantidade de presos preventivos e de presos a cumprir pena sairam para a rua. Já reabilitados foram todos inscrever-se no Centro de Emprego mais próximo.
Oops. Se calhar não foram... Se calhar à falta de meios de subsistência e num país que alegremente não pode prender gente assim, continuaram as actividades criminosas que já os tinham posto atrás das grades.

Os partidos envolvidos nesta linda porcaria (pacto para a Justiça) estavam totalmente conscientes dos efeitos colaterais de tal medida (estariam? Ou será apenas gente completamente irresponsável desfasada da realidade Nacional?) e assim PS e PSD aprovaram esta reforma, tendo o PSD apenas referido a precipitação da sua entrada em vigor.

Alerta para o PSD:
Fazer pactos para a justiça, economia ou outra coisa qualquer em que uma das partes tem maioria na assembleia legislativa é uma BURRICE. No fim, e muito ao jeito do diálogo deste PS, é votado e aprovado aquilo que a maioria quiser, deixando o PSD hipotecado e co-responsável de TUDO o que viu ser aprovado mesmo que estivesse contra.
O PSD perde toda a legitimidade para voltar atrás naquilo em que esteve envolvido. Ou perderia se houvesse espinha dorsal na política. Coisa que não existe. Mas, seja como for, desde que medidas destas sejam revogadas seja por que razão for, já serve...

Claro que neste clima de brandura para com o criminoso, olha-se agora o Estado como uma entidade capaz de violar os mais fundamentais direitos do cidadão.
E claro está, que o nosso caro Paulo Pedroso colocou uma acção contra o Estado por prisão preventiva ilegal.
E ganhou.
O Estado foi condenado a pagar mais ou menos 100.000 Euros de indemnização por prisão ilegal.
O que é verdadeiramente curioso é que ninguém tenha a coragem de analisar a sentença que lhe conferiu esta indemnização para perceber se não é ela também um erro grosseiro. Aparentemente e pela reacção do MP, deve ser uma bela peça jurídica.
Claro que nenhum dos outros condenados e libertados que tivesse interposto acção semelhante teria um resultado tão bom a seu favor, a não ser talvez Carlos Cruz.

Claro que, alguém como Ferro Rodrigues que disse as mais incríveis barbaridades acerca do caso (interceptado em escutas telefónicas), como por exemplo "estou a cagar-me para o segredo de justiça" ou revelando as tentativas de condicionamento dos magistrados do MP encarregues do caso, só poderia estar contente com tal decisão.
Pouco importa se as escutas eram legais ou ilegais.
Uma coisa pode não ser admissível em Tribunal mas o facto é que foi dita pelas pessoas em causa num determinado contexto e isso nem os próprios têm a falta de vergonha de negar.
O que é triste é pensar até que ponto indivíduos como estes vão gerindo as nossas vidas, o nosso dinheiro e tomando as decisões estratégicas para este país. Ou melhor dizendo, a falta de decisões estratégicas.

Tudo é feito de forma casuística, em resposta a uma descida de popularidade ou no sentido de dar "um jeito" a um amigo de longa data que tem "uma empresa".

No meio disto tudo aparecem depois os idiotas úteis. Esperançados em benesses eventuais e capazes de ser ainda mais desavergonhados que os "patrões".

Deixei de acreditar completamente na informação que nos chega. Os media, sobretudo os áudio visuais regem-se por critérios de imediatismo e uma procura incessante de pseudo escândalos.
Não há uma reportagem de fundo, de investigação. Nada. Aridez total.
Temos apensa especialistas em generalidades a dissertar acerca da forma como as coisas deviam ser feitas. Temos "fazedores" de opinião acéfalos a debater quem esteve melhor num debate.
"Fulano de tal esteve melhor porque deu a ideia que sabe do que está a falar"
"Fulano esteve pior porque a escolha do fato não foi feliz e na verdade as pessoas já estão fartas do discurso do está tudo mal" ou ainda "Dou 10 valores a Sicrano porque devia ter pensado que Beltrano podia ter feito algo que ele devia ter feito e não fez"

E é assim que vamos vivendo. No meio desta modorra estupidificante, condicionados por jornalistas de meia tigela que fazem o que lhes mandam (e a dada altura acreditam que são bons e até passam a ter opinião sobre tudo) e por políticos espertalhocos que SABEM que basta anunciar uma porcaria qualquer para serem postos num pedestal. E porque sabem que nenhum jornalistazeco de meia tigela se vai preocupar em perceber se o anuncio corresponde à realidade e como tal nunca ninguém vai saber.

Um dia destes li uma peça acerca do Silêncio como estratégia de comunicação. O caso MFL e a sua dosagem homeopática de conversa era tema de debate. Claro que para os jornalistas é mau que ela não fale. Preferem de longe um incontinente verbal (tipo Marinho Pinto) do que alguém que fala apenas quando tem algo significativo para dizer.
Estamos tão habituados a políticos com verborreia, que até estranhamos alguém que fala apenas quando sabe o que diz e que o faz apenas quando acha que o deve fazer.

Creio que alguém deveria escrever uma peça acerca da imbecilidade como estratégia de comunicação.
Iria ter casos práticos a rodos. Começando peloGoverno (Agricultura, Economia, Administração Interna).
Feitas as contas o que preferem?
Ter um tipo que decorou as alíneas todas de todas as leis do país a debitar paleio inútil (Adm Interna), ter um incontinente verbal que se vangloria de salários baixos.... na China, ter um incompetente que está em negociações de redução de quotas de produção e em resposta à crise alimentar diz que os nossos agricultores devem plantar mais, ou alguém que está simplesmente ... calado?

Peçam a maioria absoluta outra vez, peçam...

O risco das maiorias absolutas é o facto de elas caírem nas mãos de gente sem princípios.
Sou contra as maiorias absolutas precisamente porque acho que o risco é maior que o benefício.
O benefício da suposta estabilidade é largamente superado pelo risco de a maioria se tornar uma ditadura de interesses e de transformar a democracia num sistema vazio e inútil.

Na verdade o que temos no presente é um partido que suporta o governo que se isentou de pensar. Limita-se a seguir o primeiro ministro e os seus tiques autoritários, funcionando apenas como um grupo de defensores do indefensável.
Deixou de ter ideologia, deixou de ter história. Não é mais que um lote de admiradores convictos do Sr. Sócrates (e ponho sr. porque os títulos académicos são para quem os mereceu).

Desde as alterações na Justiça que mais não parecem que uma vingança pelas afrontas no caso Casa Pia até à aprovação da nova lei eleitoral para o circulo da emigração, este governo com o beneplácito do PS tem vindo a eliminar todo o que lhe possa fazer frente. Algumas das coisas com a concordância do PSD que bem feitas as contas também pode aproveitar da impunidade dos políticos caso se veja metido nalgum escândalo.

É absolutamente chocante a incompetência total dos ministros da Economia, Administração Interna, Agricultura, Justiça, Ambiente (existe?), Cultura, Educação etc etc.

Na verdade é muito difícil encontrar um que tenha iniciado qualquer coisa de relevante e que a tenha sequer executado.
Anúncios há em barda. Anuncia-se e inaugura-se tudo. Até uma demolição se for caso disso.

O estado de graça desta gente prolongou-se por uns bons dois anos na comunicação social, e mesmo agora é com alguma timidez que se apontam alguns dos erros. Muito diferente da sanha destruidora que caracterizou os media com o Governo de Santana Lopes (que era uma perfeita desgraça mas que duvido seriamente que fosse tão mau como este)

Com este PS e a sua maioria na Assembleia atingimos o nível mas baixo de capacidade critica desde o 25 de Abril.
Alguns dos fundamentos da democracia são abalados e destruídos com uma desfaçatez inacreditável. E culpam-se sempre os outros.
A culpa foi dos professores, dos magistrados, dos funcionários públicos e que me lembre só os médicos é que têm passado mais ou menos incólumes no meio deste pulverizar de culpas.

O que continua a parecer-me quase surreal é que ainda haja gente que defende isto.
A maior parte fá-lo-à certamente por interesse pessoal ou por pura e simples burrice.
Não existe meio termo. Não pode existir meio termo.
A burrice não é mais que a consequência de vivermos num país em que se vota num partido da mesma forma que se é simpatizante de um clube de futebol.

Perguntem a um qualquer votante se leu o programa do partido em que vota. Perguntem-lhe em que é que se distingue o PS do PSD ou do PCP. Não sabem. Não lhe sabem responder.
Vão ainda mais longe e perguntem a um bloquista porque o é. Sem ser a defesa de causas "fracturantes" (adoro este termo) como o fumar charrinhos à vontade, casar com homossexuais ou andar a deitar milho transgénico ao chão, é pouco provável que obtenham uma resposta.

A definição de como um estado deve ser, quase nenhum sabe.
Devemos ser um estado liberal com o estado a assegurar coisas como a Justiça, Segurança, Saúde e Educação, ou devemos ser um estado socialista em que os sectores estratégicos da economia são estatizados?
Ou deverá ser uma simples alegria neo revolucionária em que todos fumamos charros e o Estado faz o que nós precisarmos quando precisarmos? E que tal um primeiro ministro que achava que a Albânia era o melhor país à superfície da terra?

É assustador pensar que poderíamos ter um país a ser governado por pessoas do BE em algumas pastas ministeriais. Não passam de "intelectuais" de extrema esquerda reciclados num Bloco após a constatação de que os grupelhos a que pertenciam tinham uma abrangência ao nível do bairro.

E esta grande massa que é do Centro e que de facto faz a diferença tem feito com que grupelhos como o BE ganhem importância. Na verdade, ao ponto de porem um burguês instalado e sem qualquer actuação de vida que o defina como de esquerda, a vereador da CML. Na verdade Sá Fernandes não é exactamente de esquerda. É apenas um chato do c.... e o Bloco adora chatos do c... a começar pelo seu camarada "igual aos outros" mas que é presidente.

Quanto a cultura política, não vão encontrar muita gente que saiba. Nem a vão encontrar em MILITANTES partidários.
Com um panorama assim, é perfeitamente viável que esta gente volte a votar neste embuste que dá pelo nome de Partido Socialista.

As avaliações "isentas"

É curioso observar a quantidade de portugueses que centram as suas críticas aos professores numa suposta recusa a ser avaliados.
Isto vem na sequência das campanhas muito bem sucedidas do Governo de fazer passar ideias que sustentem depois medidas restritivas e justificativas de penalizações de classes profissionais.
Isto já aconteceu com os Magistrados (lembram-se?) em que se deixou passar o "mal entendido" de que os mesmos teriam 3 meses de férias e não teriam de prestar contas a ninguém.
Obviamente que quem está por dentro do sistema sabe que nem uma coisa nem a outra são verdade e não o são há muitos anos.

Com os professores passa-se mais ou menos a mesma coisa.
Mas o que é curioso é que a maior parte dos que bradam pela avaliação não são certamente avaliados, nem fazem a mínima ideia do que pode significar um sistema "isento" como o que se pretende para uma classe profissional como esta.
Se, tal como eu passam por avaliações anuais e revisões semestrais de desempenho e continuam a defender esse sistema, então ou estão do lado dos que beneficiam ou andam distraídos.

Não me surpreende nada que estas avaliações sejam uma palhaçada pegada. Há quase 20 anos que vivo nesse sistema "de mérito" e apesar de não me poder queixar do ponto onde cheguei, sei até que ponto podem ser uma palhaçada. Apesar de não haver motivações politicas, existem episódios absolutamente ridículos e que desvirtuam totalmente a suposta qualidade e isenção das avaliações.

As quotas
Quando se entra numa empresa em que existem estas ditas avaliações (as virtudes do privado, lembram-se?) temos sempre uma conversinha em que alguém dos recursos humanos nos diz como tudo funciona bem, e como os nossos resultados de desempenho podem dar direito a uma carreira brilhante no mundo corporativo.
Mas a verdade é que nem todos podem ser bons. E como tal, antes de se constatar quantos são bons ou não (e isso só se veria no fim a harmonizar todas as avaliações) definem-se quotas para os vários níveis.
O que acontece é que quando se chega à hora de harmonizar as avaliações dadas por diversos chefes, a coisa acaba num debate sobre que chefe tem mais poder de colocar as suas pessoas nos níveis que pretende. Isto depende do "peso" do chefe, da simpatia do mesmo pelo avaliado etc etc.
Assim, ano após ano vi colegas a ter a sua classificação alterada para pior, porque um outro foi defendido melhor pela sua chefia porque esta tinha mais poder de pressão ou porque simplesmente estava nas boas graças de quem tinha a palavra final da classificação.
Como dizia o ditado, mais vale cair em graça do que ser engraçado.

Na verdade o sistema (e já estive em 3 empresas em que existe essa avaliação) depende muito pouco do desempenho mas sim da forma como se aldraba melhor ou pior.
Para vos dar um exemplo:
No inicio do ano estabelecem-se objectivos que depois serão revistos a meio do ano para alterar ou colocar novos objectivos. No fim do ano o avaliado dá a sua opinião e o chefe dá a opinião dele.

Pois já me aconteceu ser avaliado por objectivos que não tive no inicio do ano, "comentei" o meu desempenho no final do ano e tive a classificação sem nunca me ter passado nada pela frente e sem ter tido qualquer conversa com o responsável.
Quando sabemos que estas coisas afectam os aumentos e outros benefícios, a subida de nível ou a possibilidade de candidatura a uma carreira, está-se mesmo a ver o lindo sistema que é implementado.

O tempo perdido a preencher formulários de objectivos, a justificar o injustificável e a interminável sequência de wokflows e passos de aprovação para uma coisa que é na maior parte das vezes completamente inútil, é a antítese daquilo que se pretende - produtividade.

Produtividade essa que é numa percentagem elevadíssima responsabilidade dos "gestores" que em vez de se focarem no objectivo (fazer trabalho em quantidade e em qualidade) passam a vida a tentar proteger a sua posição, espalhando culpas deles e ficando com os sucessos de outros.

Pensava eu que as multinacionais americanas funcionavam bem fora de Portugal.
Mas descobri verdadeiros incompetentes com excelentes avaliações, que me entraram pela porta dentro, pelo que penso que o sistema não é mais que um reflexo de até que ponto é falível o ser humano. O que avalia e o que é avaliado.

Se isto é assim no sector privado (e vão 3 empresas com este sistema) imagino no sector público. Um sistema em que há os amigos e os da mesma cor partidária e a subversão do sistema por questões orçamentais etc etc. Em suma, uma verdadeira palhaçada.

Quando comecei a ouvir falar na avaliação de desempenho no funcionalismo público pensei imediatamente:
Ora aqui está um sistema (que não funciona no sector privado mas que se convencionou que funciona) que saiu de uma qualquer cabecinha que confunde estado com uma empresa e que não vai ser mais que uma forma de fazer bater certo o dinheiro disponível para os aumentos com aquilo que miraculosamente vão ser as classificações no fim de um ano.

O mais curioso é que esta treta neo liberal e "muito" capitalista vem das cabeças Socialistas que nos governam.
Isto segundo eles é uma reforma, ou pelo menos uma parte importante da mesma.
Só que no 1º ano a avaliação não dá direito nem a aumentos nem a progressão de carreiras (porque não há dinheiro) e no 2º vai ser uma outra coisa qualquer.

Vivendo num sistema assim, rapidamente vai haver gente que sabe o que precisa fazer para ter uma boa avaliação. Ser bom, não faz parte dessa estratégia. O que faz parte da estratégia é a forma de "dar a volta" ao sistema.
Pode ser pela cor partidária, pela simpatia pessoal, pelas relações de amizade (ou outras) extra laborais etc etc.

No fim vamos ficar com um sistema injusto, fácil de ludibriar e mais uma coisa a precisar de reforma de cada vez que houver um governo novo.


Mudar tudo para ficar tudo na mesma