A cloaca rosa

Tive ontem o desprazer de ver na Sic Notícias o Eixo do Mal.
E nunca pensei dizer isto mas apenas o comentarista pro BE não me causou náuseas.

No topo da náusea está sem dúvida a Clara Ferreira Alves. Abrangendo todas as gradações desde o idiota ao ignóbil, percebemos que a única razão que a leva a não suspeitar de Sócrates em todo este imbróglio é que - Sócrates seria um imbecil de fizesse as coisas assim. Logo, como Sócrates não é um imbecil , não foi ele.
Fico fascinado com este exercício de lógica, tanto mais que existem fortes hipóteses de Sócrates ser apenas um esperto que é uma versão especial de um inteligente mas que tem a tendência de pensar só no seu benefício.

Mais adiante a Sra. CFA diz que ninguém lhes respondia a uma série de perguntas. Assumo que se esteja a referir à Procuradoria ou a alguma polícia de investigação. Já que ela parece não saber e como pode acontecer que ela leia isto eu explico-lhe:

  1. Ninguém lhe pode responder, porque o mais provável é que as respostas que pediu não possam ser reveladas sem por em risco a investigação
  2. Se pudessem ser respondidas, não estou bem a perceber quem ela julga que é para achar que tem direito a essas respostas vindas duma entidade oficial.
  3. Sendo jornalista (e segundo a própria, muito boa) faça o trabalho que lhe compete e vá procurar as respostas
Portugal vive há dezenas de anos sob este manto de corrupção e favorecimento, e que me conste a Sra. CFA como jornalista nunca contribuiu para deslindar ou apura a verdade em nenhum dos incontáveis casos que existem por esse país fora. Como tal, devia resumir-se à sua insignificância profissional uma vez que os colegas que hoje investigam e noticiam são bem mais habilitados do que ela para merecerem o título de Jornalista.

Mas ela considera-se muito mais que jornalista. Ela é uma pessoa culta, bolas!!! E é tão culta e com uma capacidade tão grande de equidistância do poder que tanto lambe o rabo à direita como à esquerda, ou simplificando, a qualquer um que lhe possa fazer um favor. Santana que a pôs num lugar simpático na Casa Fernando Pessoa e de quem ela diz hoje as coisas mais incríveis, e agora Sócrates, vá-se lá saber porquê.

A CFA até chega ao ponto de dizer que os emails não existem, como se lhe fosse reconhecido algum conhecimento em questões deste tipo. Mais um exemplo de como qualquer indivíduo se permite opinar sobre coisas que desconhece como seja por exemplo a investigação das questões relativas a "criminalidade informática".

Quanto aos outros dois artistas (um carequinha e um outro cabeludo) não há muito a dizer. São talvez dois dos melhores exemplos de como jornalistas medíocres podem chegar a lugares de ribalta e de comentadores pagos num canal de cabo.
É extraordinário ouvir o carequinha dizer que corremos o risco de que este país seja governado por magistrados não eleitos e não o vermos minimamente preocupado com a possibilidade de sermos governados por corruptos eleitos.
De cada vez que a justiça mete a mão em situações suspeitas levadas a cabo por detentores de cargos políticos acontece sempre isto.
E já que falamos de legitimidade democrática pela via eleitoral, como é que raio se coloca um asno opinativo num canal de televisão, pagando-lhe ainda por cima, a opinar sobre a competência, sobre a legitimidade democrática ou sobre outro assunto qualquer.
A ver bem as coisas os que pagam a subscrição destes canais por cabo estão indirectamente a pagar a avençazinha do rapaz e não foram consultados para ter tão insigne imbecil em sua casa todas as semanas.
Quando ouço estes tipos dizer este tipo de coisas e ainda por cima a armarem-se em cultos e vividos, talvez não fosse mau lembrar-lhes que o sistema eleitoral dos DA's e Juizes nos Estados Unidos já levou a que inocentes fossem parar ao corredor da morte só porque eles precisam de números de condenações para a campanha eleitoral seguinte. Campanhas essas que normalmente têm de ser financiadas. Ora então comecem lá a imaginar as consequências...
Mas não espero de uma personagem assim que consiga deduzir sem ajuda que as coisas possam estar relacionadas. O mais certo é que o cabelo dele, dotado de vontade própria, tenha decidido abandonar tão má companhia.
Ele prefere, portanto, políticos eleitos que se calhar deviam estar presos do que juízes (e vá de generalizar) que não o foram.

Então vejamos

Processo Casa Pia

Escutas de Ferro Rodrigues - Insinuação de que a PGR estaria a ser usada pelo PSD para saber segredos políticos.
Envelope 9 - Ao aparecer o número do PR na lista fornecida pela PT, já se questionava a possibilidade de ter de ser um magistrado "especial de corrida" a dar a aprovação para escutas de pessoas de tão elevado gabarito.
Ainda na réplica das escutas - A não presença de um magistrado poderia levar a que membros da PJ pudessem manipular as escutas.

Caso Freeport
Marinho Pinto denuncia a utilização de mandatos de busca em branco. Este Mussolini delirante nem sabe que por causa do estatuto dos Advogados e em cumprimento do mesmo, esteve presente um magistrado nas buscas efectuadas pela PJ e que obviamente o mandato não estava em branco. Na verdade o dito escritório de advogados emitiu um comunicado no sentido de estar a colaborar na totalidade e nunca referiu tal enormidade.

Desta vez também não foi excepção. Os patetas do Eixo do Mal exigem que isto de investigue depressa. Talvez fosse melhor estabelecer um prazo. Para aí 15 dias. Se ao fim de 15 dias não se soubesse nada de novo, declarava-se o Sócrates (e os outros suspeitos) inocente e seguíamos com a nossa miserável vidinha. Acham bem?

Em que país acham estes cretinos que as investigações criminais (criminalidade económica) têm prazo para estar terminadas? E se for necessário esperar até recolher indícios que façam avançar a investigação?

É que há uma coisa que é clara. Não há arguidos. Mas há suspeitos. Para se passar de suspeito a acusado e arguido é preciso recolher indícios suficientes para justificar uma acusação.
Uma coisa é a forma como a justiça tem de agir à luz da lei e outra bem diferente é a forma como estas pessoas são vistas pelo comum mortal que pode muito bem ignorar totalmente (e ignora) as questões legais subjacentes a um processo crime.

A teia de coincidências e pecadillos de que está rodeada toda esta história não é diferente de milhares de outras por esse país fora. O azar desta vez foi que mexeram nos bolsos de uma companhia inglesa que "enganou" a empresa americana que a comprou. E aí pia muito mais fino. Essa empresa não está disposta a assumir perdas de valores desta monta ainda por cima usados para comprar alegados favores num país estrangeiro.
Imaginem a vergonha de ter as autoridades inglesas a exigir o interrogatório dos intervenientes neste caso. O que diz a justiça portuguesa? Não?

O que me espanta especialmente é ver este quarteto de jornalistas medíocres que vive do sangue e do esquartejamento público de tudo e de todos, aparecer agora a disparar em todas as direcções por causa de um suposto segredo de justiça. Eles, os maiores beneficiários e que seguramente não dizem que não a informações deste tipo, aparecem todos virtuosos a desancar estas supostas fugas de informação.

É absolutamente revoltante ver tantos ter este tipo de posições. Eu nunca poria as mãos no fogo pelas pessoas mais próximas de mim. A não ser a família directa que posso eu saber de alguém que vejo uma vez por semana? Sei lá eu o que essas pessoas podem fazer quando eu não estou por perto.

Como raio pode tanta gente por-se a defender alguém que está enredado numa teia tão grande de coincidências e inconsistências apenas por uma questão de fé? Isto agora é uma questão de fé? Ou como dizia a CFA, ele não fez porque tinha de ser um imbecil para fazer. E se for mesmo? E se habituado a uma vida toda destes favores e "jeitos" (parece que a lista é longa e vai desde a licenciatura duvidosa até às assinaturas de favor ou a celeridade invulgar de aprovações de projectos em Câmara) tivesse continuado quando foi subindo na vida?
Afinal não é este o modo de os partidos recolherem verbas à margem da legalidade?
O Isaltino Morais não foi Ministro das Cidades depois de ter andado a oferecer umas massas ao sobrinho taxista?

Então agora baseamos a decisão de culpado/inocente no facto de acharmos que um individuo não pode ser tão imbecil assim? E baseados neste tipo de pressupostos apontamos o dedo a quem investiga acusando-os de fazer parte de uma campanha difamatória?
Eu não posso acreditar que possa haver jornalistas tão imbecis assim. Como tal só posso achar que são mal intencionados e intelectualmente desonestos.
Ou se calhar são mesmo imbecis...

A CFA, uma presunçosa com ar de ameixa já bastante passada, dá-se uns ares de importância muito acima da média.
Para ela são todos uns medíocres e uns limitados intelectualmente.
Juizes, políticos (os que ela não gosta), académicos, colegas de profissão, TODOS.
Ela que fez um curso de direito e acabou como jornalista estagiária pela mão de uma pessoa que me é próxima. Para quem odeia nepotismo é interessante arranjar esse trabalho por favor. Claro que hoje negaria isto até ficar roxa porque detesta nepotismo, seguramente.
Às tantas deve ter-se convencido de que era alguma coisa de notável.
O que fez de notável na vida é algo que me escapa totalmente (a mim a muito mais gente). Limita-se a desancar muitos e a babar-se com outros.
Vive no seu próprio mundo rodeada de gente que se bajula mutuamente e se deleita em troçar de todos os outros. Ela é talvez o exemplo mais perfeito da mediocridade muito típica de alguma da gente que pulula no mundo da cultura
Um dia passou a achar a blogosfera um antro de incultos que nem deviam ter opinião (porque incultos), desempregados e gente pouco aconselhável. E saiu e bateu com a porta.
Infelizmente temos de a gramar com a sua contribuição neste programinha abjecto e na revista do Expresso. Bolas... Tanto lugar para gente culta fora do país e ela aqui a perder-se...

O carequinha é um espectáculo. Não sei bem se ele é parvo de nascença ou se aquilo é cultivado e fruto de trabalho afincado. Não sei se ele é um liberal ou se desconhece o conceito de empatia.

Nunca o tinha visto na minha vida e um belo dia entra-me pela casa dentro neste Eixo do Mal.
Mais ou menos como é típico nos jornalistas parece saber muito pouco de tudo mas fala com uma desenvoltura de se lhe tirar o chapéu. Um verdadeiro especialista em generalidades.
Mas o tipo é burro como um saco de martelos. E como um bom idiota faz sempre falta até já aparece no noticiário a comentar "coisas". Porque não? Um pozinho de arroz para a careca não brilhar demais e aí está ele debitando prosa. E fala ele do país dos incapazes. Espelho precisa-se.

O cabeludo ainda é mais estranho. É estranho, pronto. O tipo tem problemas sérios. Acha-se engraçadíssimo, amua quando não o deixam falar, tem umas tiradas a raiar a esquizofrenia e no fim espremido, espremido ... não sai nada. Nada. Nem mostra esperteza nem inteligência nem "bagagem". Parece viver da piada fácil e da crítica fútil.
Na verdade vive de mandar abaixo terceiros. E no fim de contas não passa dum energúmeno desrespeitoso para quem está abaixo e um lambe botas para quem está acima. Um verdadeiro português sem dúvida nenhuma.

Se me dessem a escolher um destes 3 para pregar um chapadão, confesso que ficaria hesitante. Se calhar tentava negociar 3 chapadas "mais pequenas". Ou 3 pontapés. Mas tinha mesmo que dar aos 3, porque acho de uma injustiça gritante que nestes 3 haja um que fique de fora.

O "moderador" sorri ao contrário. Parece ser também um personagem notável. Em vez de os extremos da boca virarem para cima quando sorri, viram para baixo. Há algo de errado naquilo. Não é natural. É um bocado sinistro. É como olharmos para o espelho enquanto estamos a fazer o pino. Desconcerta. Dá quase a sensação que há ali um problema genético.

É incrível que o único que parece ter cérebro daquele grupo seja... o bloquista.

Tragam de volta o Manuel Serrão e o Miguel Esteves Cardoso, pela vossa saúde!!!

A solução para a criminalidade

Não é novidade para ninguém que a criminalidade tem aumentado nestes últimos tempos.
Passou do furto mais ou menos banal a uma actuação constante de gangs em assaltos a bombas de gasolina, caixas multibanco, agências bancárias e mais recentemente roubos de grande envergadura a carrinhas de transporte de valores.

Claro que os media ainda dão uma sensação de maior caos, ao passarem notícias constantes em prime time deste tipo de acontecimentos.
Será que o destaque dado corresponde à importância e à estatística? O governo encarregar-se-à de manipular a estatística, mas a verdade é que foram roubadas caixas Multibanco de dois tribunais durante este Verão, coisa nunca vista, juntamente com um número elevadíssimo de ocorrências deste tipo.

Mas, ontem à noite, no Frente a Frente da SIC Noticias a solução foi encontrada por António José Seguro.
Quase me engasguei com a demonstração de lucidez e pragmatismo do comentador, e fico seriamente tentado a pensar que se isto é o melhor que a política tem para nos dar, estamos perdidos.
No decurso da conversa, que mais uma vez passou pela segurança ficaram-me algumas frases notáveis, e que definem bem a sumidade que temos o prazer de ver na televisão.
Quando interpelado sobre a omissão do 1º Ministro no debate na Assembleia disse mais ou menos isto.

"O 1º Ministro falou de segurança. Reafirmou a sua confiança nas forças de segurança"
Isto é de facto extraordinário. Depois das tentativas (e algumas conseguidas) de manietar a independência do MP nas investigações criminais, quer funcionalizando o MP quer pondo a polícia de investigação criminal sob a tutela do executivo, e depois da aprovação dum CPP que limitou a aplicação de medidas de coação que retirassem criminosos da rua, o 1º ministro diz agora às Forças de Segurança - "Força, acreditamos em vocês!!!" Bravo. Mais um problema resolvido.

Mas foi falando destas banalidades até que rematou com uma pérola.

Há uns anos atrás os índices de criminalidade em Nova Iorque eram elevadíssimos. Em poucos anos (ainda assim uns bons 10 anos) e na altura em que Rudolph Guilliani era mayor, iniciou-se um processo que deu como resultado uma drástica redução da criminalidade, fazendo com que NY passasse a ser uma das cidades mais seguras dos EUA.
A par da contratação de efectivos, e dum apertado policiamento de proximidade (a prevenção é melhor que a reacção) a polícia de NY conseguiu conter fenómenos de criminalidade lendários na cidade. A adopção da política de tolerância zero para com criminalidade menor, foram segundo ele (mayor) a explicação para um decréscimo acentuado da criminalidade.
Claro que há quem discorde e atribua a descida a outros fenómenos, mas a verdade é que houve uma certa coincidência entre a acção e a reacção. Se foi um acaso, foi um acaso feliz.

Mas António José Seguro, disse que a queda de criminalidade se devia a um acordo com os media. Para cada notícia de um crime, os media passavam depois 3 acerca das coisas que a policia teria feito bem.
Foi mais ou menos esta a mensagem, e eu fiquei a pensar se AJS pensa que nós somos mentecaptos, ou se cometeu um deslize e revelou a forma superficial e ligeira com que os políticos vêm as coisas que são um problema. Resolve-se com os media.
Se a televisão disser que está tudo bem, então está tudo bem. A manipulação das cabeças e a propaganda no seu melhor.
O que é mesmo preocupante é que numa elevadíssima proporção, é isso que acontece quando é preciso resolver um problema. Anuncia-se a resolução do problema, e os envolvidos continuam a tê-lo. Mas quem vê televisão acha que ficou resolvido.

Fiquei pasmado. Nunca pensei que nas mais "altas esferas" houvesse gente com ideias tão simplistas.
O que me parece é que estes indivíduos já nem acham que precisam de disfarçar. Estão de tal forma habituados a fazer passar qualquer porcaria, que aos poucos foram achando que nem havia necessidade de falar para gente inteligente. Afinal se a maioria é estúpida bem podem aceitar o prejuízo de perder o respeito dos mais inteligentes. Vai daí falam para estúpidos porque esses sozinhos já dão para a maioria absoluta.

A solução para os problemas passa de uma certa forma por ter um certo controlo na forma como a informação é veiculada. Uma agência de informação (ou várias) é obviamente fundamental neste processo.
Não é exactamente censura, é mais manipulação da informação de forma absolutamente despudorada.

Mas, até podemos aceitar que entre os políticos não há melhor e temos de viver com isto. O que já me choca é que entre os jornalistas a coisa parece ser pior.
Então não é que depois desta tirada, a jornalista de serviço não pergunta nada. Nada!
Será que foi apanhada de surpresa, ou que tal como AJS não faz a mínima ideia do que está a falar?
A questão é que AJS sabe do que está a falar e sabe que nem o público nem o jornalista vão perceber ou sequer tentar rebater estas parvoíces.
Ele sabe que basta ser isto e estar bem relacionado para ter acesso aos corredores do poder.

Na verdade, o povo que vota é meio tolo e há-de sempre ser meio tolo.
Os espertos sempre se podem ir aproveitando da situação.
Viva a Democracia...

The Sleeper Has Awakened

Em 2 dias, o nosso Ministro da Economia passou de capitalista resignado a intervencionista militante.

As declarações do presidente da Galp no dia 16, dizendo que o dólar se tinha valorizado ao mesmo tempo que o petróleo tinha baixado, insinuando que o custo em € teria ficado igual, foram prontamente destruídas com um simples cálculo que muita gente fez.

Ontem, à tarde a AdC informou que ia investigar a fundo a questão. Claro está, que depois da fantochada que foi a investigação da possível cartelização na subida de preços já ninguém acredita na competência ou mesmo na isenção desta entidade reguladora.

Eis senão quando, acordo hoje com o rádio a passar declarações quase caceteiras do ministro, ameaçando intervir se este problema não se resolve.

Mais uma vez, um problema que nunca devia ter acontecido, é notado apenas quando o público começa a fazer um sério barulho que pode afectar o resultado eleitoral.
A imagem de um governo e de um Estado completamente hipotecado aos interesses das grandes empresas, dificilmente se desligará deste Governo.

A falta de credibilidade dos políticos leva muita gente a pensar (e com certeza a acertar em cheio) que é apenas uma fachada e não uma atitude firme.
Coisa que em este governo nem nenhum anterior teve para com as grandes empresas.
E normalmente com vantagens importantes após o fim das carreiras políticas, quando estes "reformados" ingressam nos conselhos de Administração das grandes Empresas Portuguesas.

Mais um exemplo do Estado Português no seu pior (notem que ponho estado e não governo, porque estou seguro que seria EXACTAMENTE igual com qualquer partido com hipóteses de formar governo).

Como um estado liberal se isenta de fazer a única coisa que tem de fazer - Regular

Barril de petróleo “Brent” abaixo dos 90 dólares

Fiz umas continhas simples no sentido de tentar perceber quanto é que o Estado e a GALP (mais o seu negócio monopolista de refinação) metem ao bolso por cada litro que o bom do português mete no carro.

Ontem o presidente da GALP, dizia que os ajustes não são automáticos e levam algum tempo a acontecer

Abaixo temos a cotação do Brent ao longo de um período de 200 dias. Podemos ver que os picos aconteceram em Julho. Aliás por esta altura e desde o principio do ano, a GALP e as suas clientes de refinados já tinham aumentado o preço dos combustíveis 17 vezes.
Fomos para férias e toda a gente se esteve marimbando para o preço do Crude. Mas foi precisamente aí que ele mandou um tombo de respeito.

Os receios não confirmados de que os furacões iriam destruir as refinarias do Golfo do México por exemplo foi um dos factores que ajudou a baixar o preço enquanto estávamos a ver moçoilas em Bikini (ou moçoilos de tanga, porque sei que pode haver leitoras deste blog ;) ). Os índices de reservas de refinados nos EUA fez também com que baixasse o preço do crude.



Ao mesmo tempo assistiu-se a uma ligeira valorização do dólar face ao Euro.
Mas em vez de olhar para gráficos façamos as contas




No dia 15 de Julho (um dos picos do preço do crude e a data em que os profetas da desgraça falavam e petróleo a 200 dólares antes do fim do ano) o crude chegou aos 147.



15-Jul

Euro 1,5916

Brent 147






Hoje

Dolar 1,4181
-11%
Brent 91,62
-37.6%
Diferença


-26.6%
Gasóleo (Repsol - Julho)
1,393
1,022

Se compararmos com valores de hoje, em que o brent está a 91.62 e o dólar a 1.418, veremos que o dólar valorizou 11% em relação ao Euro mas que o Brent desceu 37.6%. Isto deixa-nos com um diferencial de 26.6% entre a valorização de um e a queda de preço do outro.
Se aplicássemos directo este ganho, teríamos o litro do Gasóleo a 1.022 Euro.

Eu não sei que contas faz a Galp (ou melhor, sei...) mas a verdade é que o regulador que deveria saber COMO É FORMADO o preço dos combustíveis já devia estar em cima do refinador com tudo o que tivesse. E não está.

E porque é que não está? Porque o Estado assim arrecada ISP, e IVA. e a GALP se calhar não se vão esquecer de um membro do governo para o próximo conselho de administração.
Ou mais aterrador ainda (e esta ideia assaltou-me agora mesmo) .... é o Fernando Gomes que faz as contas. E aí, meus amigos, não há salvação

Depois da vergonhosa investigação acerca da cartelização na subida, precisam ainda de mais indícios quando se mantém sintonia na descida? E essa descida está muito longe daquilo que foi a real desvalorização do preço do barril de crude.
Se calhar o melhor é telefonar para a Galp e perguntar se há cartelização outra vez, ou se as margens aumentaram.
Decerto terão uma resposta honesta da parte deles.

Ferreira de Oliveira sustentou que nem sempre a baixa do preço do crude se reflecte integralmente no preço dos combustíveis e que o inverso era igualmente verdadeiro. O líder da Galp adiantou ainda que a apreciação do dólar, contra o euro, estava a limitar, em parte, a descida do preço dos combustíveis vendidos ao público. (jornal Público 17.08.2008)

O que é que se pode chamar à Galp na pessoa do seu presidente? Mentiroso
O que é que se pode chamar à Entidade Reguladora? Incompetente
O que se pode chamar à comunicação social? Marionetas
O que é que se pode chamar ao povo português? Carneiros alienados

Os defensores do erário público

Médicos internos são assediados por empresas privadas de prestação de serviços ainda durante a formação

De vez em quando, infelizmente com demasiada frequência deparamo-nos com a estupidez nacional concentrada numa pessoa.
Ao ler esta notícia dei com o seguinte comentário:

Se os médicos querem ter direito a irem para o privado que vão estudar para o privado, paguem as repectivas propinas (caríssimas) e paguem do seu bolso os custos da associados à sua especialização!... Não usem o é o erário público quando lhes interessa (para obter benefícios) e depois quando se trata de tirar dividendos invoquem o direito de ser privados!... Se querem um sistema liberal selvagem então que seja para os direitos e deveres!

Fico cada vez mais triste em perceber que o miserável sistema de educação português veio produzindo ao longo dos anos uma horda de ignorantes e com sistemas de valores completamente distorcidos

Este individuo defende uma segregação no ensino dependendo do exercício da profissão se realizar no sector privado ou no sector público.
Claro que depois vem à baila a ideia de que são eles e ELES apenas que contribuem para os cofres do Estado.
Na verdade se a burrice pagasse imposto seriam seguramente eles a representar uma parte significativa da receita fiscal, mas infelizmente não é assim.

Um médico que precisa de 18.5 para entrar, que passa 6 anos a "marrar" e mais uns quanto a fazer a especialidade teria, segundo este indivíduo, de ficar permanentemente ligado ao sector público para pagar a sua formação. E como? Recebendo menos do que poderia receber no sector privado. Assim o diferencial de salário de toda uma vida, acabaria por pagar o FAVOR que o estado lhe fez em o deixar ser médico. O favor de o deixar entrar para o curso com apenas 18.5 e o favor de o obrigar a fazer uma formação de 20 anos ou mais para ser um profissional competente.

De facto eu nasci num país de idiotas. E não era assim quando eu era moço. Dantes as pessoas tinham vergonha de emitir opiniões que as fizessem passar por estúpidos. Mas agora parece que não.

O inacreditável disto é que todos os dias ouvimos perfeitas nulidades a apontar o que devia ser proibido e não devia, como se devia fazer isto ou aquilo sem fazerem a mais pálida ideia de como as coisas funcionam ou de como é complicado fazê-lo.

Não sou médico nem tenho ninguém na familia directa que o seja. Mas tenho amigos que fiz ao longo da vida e especialmente enquanto estudava e sei a diferença de dedicação e esforço que era necessário para que tivessem boas notas no curso. Para poderem aceder à especialidade que queriam. Vi-os fazer o internato e os bancos de urgência, vi-os fazer a especialidade e a dedicação necessária para isso.
E agora que estão nos 40 e tal, finalmente puderam ter alternativas válidas na medicina privada com substanciais ganhos de salário. Seria absolutamente inacreditável estar agora a dizer, e AGORA porque aparece uma notícia, que por se terem formado no ensino público nunca poderiam ir para o privado.
Depois de tudo o que tiveram de fazer para acabar o seu curso e ter uma carreira, tinham agora que limitar-se à escolha que os frustrados e os idiotas destes país pensaram em 5 minutos enquanto liam um artigo de jornal.

O que é realmente aterrador é que dentro de pouco tempo teremos uma esmagadora maioria de gente assim. Amarga com o que os outros têm, preferindo mandar os outros abaixo em vez de tentar subir.
E vão ser eles a gerir os destinos deste país.
Acham que é por acaso que não há um plano estratégico para este país?
Acham que é por acaso que os nossos governantes tomam estas decisões isoladas e sem perceber dos efeitos colaterais que possam causar?

O George Carlin estava forrado de razão...