Agora é aos 10%

Ainda no outro dia escrevia que não percebia muito bem como se podia qualificar o nosso Ministro das Finanças como um excelente economista.

Previsões falhadas (sucessivamente) desde 2005, orçamentação que quase parece de dedo no ar a avaliar a velocidade do vento e uma notável incapacidade de controlar aquilo que lhe compete (a execução orçamental) não fazem dele exactamente um profissional de alto gabarito. Em escalões mais baixos da força laboral seriam o suficiente para despedimento por justa causa por manifesta inadaptação ao posto de trabalho.

Mas, a juntar à manifesta incapacidade profissional vem agora a incapacidade de se controlar a dizer disparates.

Impor um limite de 7% nos juros da dívida para pedir a intervenção do FMI é não só duma curteza de vistas fantástica como um valente tiro no pé (por esta hora o homem tem uns pés que metem dó...).

Eu pessoalmente acho que ele previu uma descida dos juros da divida e quis-se armar em bom. Mas a experiência já lhe devia ter ensinado que ele se enganou em tudo o que previu que os mercados fizessem e que estatisticamente não devia acertar o prognóstico seguinte. No entanto, o conhecimento de estatística que ele tem ou, parece ter, tem mais a ver com a forma de esconder números de porcaria debaixo de percentagens incompreensíveis e na maior parte das vezes simplesmente falsas.

Mas mais uma vez a falta de controlo sobre o que diz manifestou-se. E disse. E disse m***.

É um dos tais casos em que ele tinha ganho muitíssimo se tivesse ficado calado e nós também. Agora temos de gramar, além do seu desvario verbal, todos os desvarios de todos os pundits e de todos os aspirantes a jornalistas debater se ele devia ou não devia ter feito aquilo e se, por artes mágicas, não terá o "mercado", por pirraça, feitos subir os juros só pra chatear....

Nem a propósito

Ainda ontem escrevia que que iríamos ter eleições no 2º trimestre de 2011.
Amigo João Proença, deixe de copiar este blog se faz favor. Ao menos uma vez na vida tenha ideias próprias.

Gosto também da forma como acha que se deve resolver o problema do país - Proença defendeu a adopção de políticas que “combatam a pobreza e o desemprego” e apontou o congelamento de pensões como “algo totalmente injustificado”. 

Francamente nunca me lembraria de propor medidas tão concretas e palpáveis. Mas quanto a ideias... nem um pio. Na bela tradição portuguesa de dizer aos outros para fazerem, é sempre bom isentarmo-nos da responsabilidade de avançar com ideias.

Existem inúmeras formas de fazer isto. Uma delas seria criar um regime de redução de IRC (como se faz com os bancos) para empresas que criassem postos de trabalho. Dessa forma aumentariam as contribuições sociais por via dos pagamentos à Segurança Social e retirando provavelmente gente da dependência do subsidio de desemprego, que é uma forma de retirar dinheiro à Segurança Social.

Essas pessoas passariam a descontar IRS e a consumir pagando impostos indirectos (IVA, ISP etc etc).

Levando este modelo a um limite poderia isentar-se um investidor estrangeiro de impostos por um período de tempo para atrair investimento estrangeiro e aumentar exportações. Nada que os brasileiros não estejam a propor.

Olhando para ideias como estas, mesmo num estado cru e pouco depurado poder-se-ia chegar a um modelo viável a atractivo para o investimento e de criação de riqueza. O que se perdia? Nada creio eu. Não fazendo nada é que se perde muito. Perde-se investimento, riqueza do país e competências desperdiçadas em gente que se arrasta pelo desemprego sem um futuro à vista.

Mas estes tacanhos preferem não ter empresas do que tê-las a criar emprego e gerar riqueza, ainda que tivessem de abrir mão de algum IRS ou um pagamento por conta.

É por isso que quando vejo economistas brilhantes a falar na televisão que não são capazes de apresentar uma ideia concreta, quiçá por medo de não terem lido uma coisa qualquer num manual de economia que corrobore a sua opinião, fico verdadeiramente assustado quanto à qualidade das cabeças que temos. Incapazes de pensar fora dos moldes habituais, incapazes de criarem ideias novas. Em suma incapazes. Bons para a cátedra, inúteis para o mundo real.

E já que falamos de inutilidade podemos então meter estes lideres sindicais e partidários no mesmo saco. A esquerda quer carga fiscal nos "abutres" (até eles voarem para outro lado) e acha que magicamente o dinheiro cresce nas árvores e que paga subsídios, salários de sindicalistas que nunca põem os pés nas empresas onde trabalham, aumentos substanciais todos os anos etc etc.

A direita... bem a direita não existe. Quando aquilo que chamamos direita chega ao poder deixa sempre ficar o garrote que a chamada esquerda criou sobre todos nós e ainda o aperta um bocadinho mais. É sempre a descer. E será assim, até ficar em Portugal só aquela gente sem formação, competência ou audácia para mudar de país.

A responsabilidade ... essa palavra vã

Rapidamente percebi, sobretudo quando comecei a trabalhar que esse vago conceito da responsabilidade, era apenas levado a sérios por alguns.

A maior parte dos nossos colegas nunca são culpados de nada. Nunca são responsáveis de nada. Vivemos isso no trabalho todos os dias. Desde as miseráveis chefias aos mais baixos escalões da cadeia alimentar, quando chega a hora de apurar responsabilidades, nunca as têm.

Quanto mais alto se sobre na cadeia de poder empresarial mais irresponsáveis são as chefias. Há sempre um subordinado qualquer a sacrificar para disfarçar a falta de carisma, liderança ou mesmo boas ideias. E quando não se têm ideias... contratam-se consultores estratégicos. Assim se der para o torto culpam-se os consultores estratégicos.

Na política isso é levado a um extremo impensável. Arruína-se um país, delapidam-se milhões das contribuições dos cidadãos e não há responsabilidade.
Gastam-se milhões em estudos e assessorias e consultadorias apenas para afastar a responsabilidade de um ministro ignorante, fraco e indeciso. Estamos a falar de gente que disfarça a sua falta de tomates com meia dúzia de consultores. Ainda vai aparecer um termo novo chamado ball enablers....

Um qualquer ministro incompetente e com ânsias mediáticas assina despachos de milhões e "não é responsável". A única responsabilidade é paga pelo voto.
Isto é realmente o que se tem passado todos estes anos de desgoverno desde o 25 de Abril.

Mas eis que Passos Coelho lança para o ar a questão da imputabilidade civil e penal da gestão danosa de um país. Figura essa que já existe no nosso direito e pode ser aplicada a quem arruine uma empresa por fazer os que estes indivíduos fizeram com milhares delas.

Saltam a terreiro os apaniguados do regime apavorados com a perspectiva. Agora tudo o que se diga perturba os mercados. Os mercados que vêm desde há muitos anos o rumo suicida da Economia deste país nas mãos de deslumbrados cleptómanos.

Passos Coelho só dá voz ao que pensa a maioria dos Portugueses correndo risco de que lhe chamem populista. Aliás esse epíteto é frequentemente usado com Paulo Portas de cada vez que ele dá voz aquelas verdades que são de La Palisse para qualquer cidadão trabalhador contribuinte mas que são um anátema para toda esta casta de inúteis que vive no Estado e do Estado desde que ganhou um pelo de barba na cara.
Curiosamente a esquerda não é apelidada de populista quando vem a terreiro com ideias e propostas em tudo semelhantes. Ainda estou para perceber porque é que o populismo está desviado para a direita e a esquerda não enferma desse mal.

Infelizmente receio que uma coisa dessas nunca aconteça mas seria um dia em cheio ver um Teixeira dos Santos a culpar o 1º Ministro por muitas das orientações dementes que deve ter recebido e que foi forçado a adoptar. O que sinceramente não diz muito da espinha dorsal do emérito economista.

E este fenómeno de ele ser um bom economista deixa-me fascinado...
O homem não acerta uma previsão desde 2005, acha que os mercados vão fazer o contrário do que realmente fazem, acha que a economia não se deprime com excesso de carga fiscal e assume que as exportações crescem out of the blue. Aparentemente é uma bela m*** de economista. Só acertou que as importações vão baixar. Mas depois de retirar centenas de euros de rendimento mensal às famílias não é preciso ser nenhum Einstein para fazer essa previsão.
Ele até pode nem ser mau economista, mas é sobretudo um capacho dum engenheiro de faz de conta que em vez de se aconselhar deve ordenar do alto da sua ignorante arrogância pensando que é omnisciente. Um esperto a vida toda, vivendo de esquemas e jogadas lambendo um cu aqui e um cu acolá que exige agora que lhe lambam o dele.... e eles lambem.


Desde 2005 passámos de duma dívida liquida de 70% do PIB para 110%. As parcerias publico-privadas enchem os bolsos de empresas que mais tarde irão receber esta escumalha nos seus quadros da mesma forma já tristemente celebrizada por Jorge Coelho, Ferreira do Amaral, Armando Vara, Fernando Gomes etc etc


Estes individuos não vão para o poder porque acreditam em prestar um serviço público ao país. Acreditam em que o público lhes preste um serviço (ou vários) sob a forma da mais abjecta vassalagem de uns ou sob a forma de compensação pecuniária na maior parte das vezes.
Que ninguém chore o magro salário dos ministros porque em despesas de "representação" estafam eles muito mais do que nós podemos imaginar. E essa informação eles não revelam ainda que sejam obrigados por lei a fazê-lo. Em resposta a um pedido recente nesse sentido responderam que consideravam o pedido ABUSIVO e sem fundamento.

Os partidos de esquerda que poderiam de alguma forma ser o contraponto de todo este disparate resumem-se a propor utopias.

Manter subsidios e ajudas sem o Estado a poder suportar e obviamente aliviando a carga fiscal dos trabalhadores (resta saber se para eles um trabalhador é um coitado que trabalha 8 horas em troca do salário minimo ou um quadro superior que verga 10 ou 12 em troca de 3000).
Taxar os bancos (como se os bancos não transferissem toda essa carga para os clientes).
Taxar as transacções financeiras (como se isso não fizesse com que os investidores estrangeiros não se pirassem para um mercado com taxas mais baixas).


Ainda não conseguiram perceber que a economia nacionalizada e o nivelamento igualitário por baixo deu péssimos resultados em todos os países do Bloco de Leste. A USSR caiu estrondosamente e passou anos de miséria a tentar reconstruir uma economia caduca, ultrapassada e ficticia.

Em suma, propõem soluções já falhadas para um problema que não é "bem" aquele em que vivemos negando-se a perceber que numa situação destas não se pode discutir o que nos trouxe aqui ao apresentar as soluções, mas sim apresentar as soluções a partir do ponto em que estamos.
Discutir o que nos trouxe cá acho muito bem, mas para já proponham medidas em face do ponto em que estamos e não do ponto em que poderíamos estar.

Não passam de soluções casuísticas sem sequer fazer uma simulação de causa/efeito. Nisso em nada diferem dos que lá estão. A cada medida que tomam ficam sempre surpreendidos com os efeitos colaterais. 

Por isso se tornam irrelevantes, panfletários e caducos. Quanto à honestidade também estamos servidos. Não há autarquia da CDU onde um qualquer fulano não se aproveita da situação com a mesma desonestidade de outro qualquer. Pessoas são pessoas e quando estão com a mão por cima da caixa do dinheiro muito poucos resistem. Portanto não se armem em virtuosos porque podres em casa todos têm.

Mas tenho que reconhecer que nunca o despudor foi tão longe como com esta gente do PS. Nunca foi tão evidente o sentimento de impunidade e a noção de que são donos do Estado.

O Futuro próximo

Temos pela nossa frente 6 meses de roubalheira desatada. Porquê?
Porque eles sabem que lhes restam 6 meses e porque sabem que quanto mais destruido deixarem isto para quem vier a seguir, mais dividendos políticos podem retirar disso.
Vamos assistir ao caos da execução orçamental do 1º trimestre. Depois disso o governo irá cair, seja por dissolução da AR por parte do imóvel Cavaco Silva, seja por uma moção de censura da oposição. No 2º trimestre de 2011 teremos eleições. A execução orçamental por essa altura terá derrapado o suficiente para levarmos com outro pacote de medidas de austeridade desta vez aplicadas pelo novo governo.
A velha frase do "isto está pior do que pensávamos" já foi usada por Sócrates e apoiada por Constâncio, um dos mais brilhantes incompetentes economistas do nosso país. Cego como uma toupeira, surdo como uma pedra mas suficientemente bom para ser promovido.

Quero ter a esperança de que há gente decente no PSD que possa ajudar a resolver este descalabro. Manuela Ferreira Leite era um dessas pessoas, mas este país não gosta de "velhas". Prefere vigaristas bem parecidos que saibam mentir bem. E nesse particular convenhamos que a lista de mentirosos compulsivos que este governo apresenta está bem acima da média.

Assiste-se já ao afiar das facas no PS. João Soares, António José Seguro etc etc. Até Vitor Ramalho numa destas noites falava em código para Angelo Correia deixando entender que havia "gente" no PS pronta a "tomar" o lugar deste pinóquio caído em desgraça que dá pelo nome de Sócrates. Até este, um dos sabujos de estimação de quem tínhamos de aturar a verborreia inconsequente no Frente a Frente da Sic Noticias.
João Soares agora virou um critico, ele que ia sempre fazer o seu espectáculo de defesa de Sócrates aos mesmo Frente a Frente (isto nos intervalos de estar a vir e estar a ir para um sitio qualquer no estrangeiro) e obviamente sem os típicos "maniqueísmos politico-partidários"  com que ele gosta tanto de acusar os interlocutores.
Se isto é o melhor que o PS tem para nos dar, arre bolas, fechem-nos todos na sede reguem aquela porcaria com gasolina puxem-lhe o fogo e vendam o terreno para um condomínio de luxo.
Ideologicamente são uns zeros, visão estratégica de futuro só têm uma - chegar ao poder e mantê-lo.
Todas as grandes figuras do saber que lhe estão associadas são de se lhe tirar o chapéu: Sócrates, Teixeira dos Santos, Constâncio, Jorge Coelho, Rui Pereira, Guterres, Mariano Gago, José de Magalhães (comunista reciclado), Elisa Ferreira, Maria de Belém, qualquer coisa Canavilhas, Ana Jorge, Valter Lemos, Maria de Lurdes Rodrigues, Santos Silva, Mário Lino. Alberto Costa, Alberto Martins etc etc. A lista é interminável

Nem com muito esforço conseguiríamos pensar na elite dum partido ou um governo com gente deste nível. Só com muitos anos de depurada escolha é que se conseguia chagar aqui. Levou exactamente 35 anos e esta foi a bela merda com que nos presentearam.

Desculpem a linguagem mais crua deste comentário mas é para afastar a raiva de me sentir completamente impotente.
Vote o que votar vou levar com porcaria. E com a ajuda dum povo alienado com bola, novelas, subsidios e a perspectiva de umas férias de 5 dias em Cuba iremos conseguir transformar Portugal numa Albânia da UE em que vamos andar vestidos com roupa de feira e circular em carros decrépitos enquanto olhamos para os fatinhos de 30.000 dólares do chefe do clã e sonhamos com o dia em que algum deles decida dar-nos a mão arranjando um lugarzinho de contínuo no Ministério.
Vamos voltar ao tempo das benesses régias. Vamos ter uma cleptocracia Africana bem na pontinha da Europa. O meu bem haja

E cá chegámos

Ao fundo...

Triste estarmos a assistir ao desbaratar da pouca esperança que tínhamos e do ainda menos dinheiro.
Agora o (des)Governo entretém-se em responsabilizar o PSD (a oposição que não tem qualquer poder executivo) de não viabilizar o Orçamento e arrastar o país para o abismo.

4 anos de pura propaganda em que tudo se anunciou e nada se fez. Prepararam os lugares, inventaram outros e começaram a meter boys em todo o lado como se não houvesse amanhã. Se não iam fazer nada também não fazia mal. Inventaram-se Institutos, Fundações, assessorias, consultorias, outsourcings.

Agora não resta quase nada. Mas estes incompetentes que ainda juntam ao rol de "qualidades" a desonestidade intelectual querem agora fazer o derrame cair para cima da oposição. É difícil imaginar um cenário pior.

O sr. grisalho quer um acordo sem dizer o que está no OGE. Um cheque em branco, tal como o foram o PEC e a questão dos chips de matricula. Um acordo de cavalheiros é rapidamente violado por gente que nada tem de cavalheiro.
Não passam de uma corja de abutres para quem vale tudo para se perpetuarem no poder.
E sabem o que é mais triste? É que mesmo sabendo o saco cheio de porcaria que tínhamos na frente, voltamos a pegar nele e a colocá-lo no poder.

E agora pagamos. E não pagamos para endireitar o país. Pagamos para disfarçar o desperdício louco que este país tem visto nos últimos 15 anos.
Começou com o desvario de Guterres e Cravinho de bater o redorde de KM's de auto estrada de Ferreira do Amaral e veio acabar com os planos tecnológicos, os contratos de concessão leoninos (de tal forma vergonhosos que são retirados para não serem pulverizados por pareceres do Tribunal de Contas), a politização da justiça fazendo subir os apaniguados para lugares dourados etc etc.

Tenho vergonha por ter a mesma nacionalidade que os homúnculos que governam este país.
Tenho raiva de sozinho não conseguir fazer nada.
Tenho medo que um dia isto expluda e paguem mais os inocentes que os culpados.
Tenho uma tristeza enorme por ver que durante a minha vida adulta passei 35 anos com a esperança de viver num país próspero e acabar por viver na cloaca da Europa.
Tenho vontade de emigrar.
Tenho vontade de chorar...

Sim, não, talvez...

As SCUTS... as belas SCUTS que ajudaram a transformar um país com zonas remotas num dos países com mais Km's de auto estrada da Europa.

Lá pelos idos anos 80, ir de Lisboa ao Porto era toda uma façanha. A A1 acabava uns quilómetros à saída de Lisboa para ser reencontrada e meros quilómetros do Porto.
Não havia muito mais auto estrada do que isto.
Aparece Cavaco Silva e uma "batelada de massa" da comunidade Europeia destinada a eliminar as carências dos países periféricos.
Esses governos lançam obras de construção de auto estradas como se não houvesse amanhã.

Quando Cravinho aparece como Ministro das obras públicas (com Guterres) afirma no parlamento que o governo a que ele pertencia ia lançar ainda mais Km's de auto estradas do que os governos que o tinham antecedido. Ia ser de arrasar.
E elas desataram a aparecer.

Mas apareceu um conceito novo que se ia tornar perfeito quer do ponto de vista eleitoral quer para os concessionários que iriam passar a receber do Estado as chamadas indemnizações compensatórias. O modelo foi esticado até à exaustão.
Era quase perfeito porque como o Estado já não tinha fundos para obras desse calibre,  passava aos privados a responsabilidade da construção ficando depois a pagar milhões de Euros (contos na altura) todos os anos para compensar os concessionários da não cobrança de portagens. Garantindo ainda por cima níveis mínimos de tráfego.

O pessoal agradeceu. Nas zonas urbanas do litoral nomeadamente Lisboa e Porto a "coroa urbana" estendeu-se para dezenas de quilómetros que agora eram servidos por excelentes estradas sem portagem. E as pessoas habituaram-se a isso.

A dada altura lá perceberam que sem portagens a coisa iria azedar seriamente e resolveram cobrar algumas tendo sido a CREL a primeira vítima.


Mas num país falido em que as indemnizações compensatórias custam fortemente ao Estado, o modelo das SCUTS começa a cair aos bocados.
O Governo precisa de cobrar alguma coisa por essas vias. Mas decide fazê-lo duma forma completamente canhestra e com uma precipitação de bradar aos céus.

Quando a CREL começou a ser paga, foram realizadas obras para criar as portagens. Era preciso alargar a via, colocar as cabines e para isso era preciso investimento.
O mesmo deveria ser feito para todas as SCUTS que passassem a ter portagem, só que este Governo achou a forma ideal de não precisar de fazer nada disto.
"metem-se uns leitores a la Via Verde, obriga-se o pessoal todo a comprar um chip de identificação por decreto lei e nem de cabines de portagem precisamos".

E toma das decisões mais parvas e mais susceptíveis de gerar um sério problema. Maior do que já alguma vez teve -  Faz isto só para SCUT's a Norte.
É muito difícil explicar porque é que a carga incide apenas nesta zona, deixando para outras zonas do país o mesmo modelo sem custos.
Claro está que em muitos casos não há alternativas. No Algarve a N125 não é uma alternativa viável à Via do Infante ou no caso da A23 em que a própria auto estrada se sobrepôs ao traçado da nacional não deixando alternativa a muito boa gente.
Uma percentagem importante do total de Km's de SCUT's está em vias no interior, em zonas deprimidas economicamente e normalmente pobres. Mas numa altura destas todos vão dizer que são pobres e falar de equidade. Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Esta decisão não foi explicada de forma sensata e lógica. Nem seria possível esperar num momento como este que as populações das zonas onde passasse a haver portagens aceitassem isto de bom grado. Sobretudo quando se sentem descriminados em relação a outras zonas do país.
Em vez de ter dado ouvidos a muita gente que dizia há anos que o modelo tinha de ser repensado e tê-lo feito com tempo e com ponderação, decide agora numa situação de pânico atirar com a carga apenas para uma zona do país.
Idiotice total. Não é mais que uma demonstração do total desnorte em que este Governo se encontra.

Não me choca que quem use uma auto estrada pague por isso. O que não se pode fazer é cobrar quando as alternativas não existem ou foram deixadas ao abandono de tal forma que não podem suportar o trânsito que terá de passar por elas.
Muitas dessas estradas "alternativas" foram deixadas muito simplesmente a apodrecer.

No pânico de ver a medida rejeitada na AR por toda a oposição, o PS vem apelar ao bom senso e à negociação com o PSD para de alguma forma viabilizar esta medida.
Já ontem o PSD tinha desafiado o Governo a dizer se o pagamento das SCUT's ia ser alargado a todas. É que estando toda a gente habituada às aldrabices deste 1º Ministro, já sabe que o que ele diz hoje não é verdade amanhã.
O governo está de cabeça perdida. Apresenta agora uma proposta para isentar os residentes de pagar mas alargando as portagens a todas as SCUT's. Só não se percebe é como vão ser pagas. O chip desaparece? Se for com chip, vamos vendê-los a Espanha para os nuestros hermanos que dêem umas voltas por cá?

O desnorte é tanto que nada disto é firme ou concreto. Não passa de um patinhar num lamaçal que o próprio Governo criou. Espero sinceramente que se afunde de vez.