7 de Janeiro de 2011... à tarde

Esta foi a conversa entre Manuel Alegre e Duarte Cordeiro, o seu director de campanha, na tarde de dia 7 de Janeiro

- Manuel, estamos metidos em sarilhos!
- Porquê? O problema intestinal não é assim tão grave e não tem esse tipo de manifestações.


- Não é isso pá! è a história da publicidade do BPP e os malditos 1500 euros.
- Ah, isso não se compara aos 150 mil do Cavaco. O problema dele é 100 vezes maior.


- Oh pá, ouve-me com atenção: A malta não aprecia este tipo de "descobertas". Sobretudo quando dás um nó cego a tentar explicar-te. Ainda fizeste pior

- Ora essa. Safo-me disso como me safei de tudo até agora. Só precisamos de encontrar uma boa história. Tenho passado a vida a dizer uma coisa e a fazer outra e mesmo assim ainda conseguir passar por um exemplo de integridade nas últimas eleições


- Então arranja lá uma desculpa para esta...
- Fazemos assim: Eu continuo a dizer que não percebo nada de dinheiro. Que não lhe toco porque ele é sujo.


- Pois, mas isso não te safa. É que tu, meu estúpido, passaste recibo verde pelos 1500 Euros e declaraste esse valor em IRS!!! Ou seja, tu assumiste por inteiro que tinhas recebido o dinheiro.


- Pois, mas devolvi!. Eu passei um cheque...
- Mas passaste um cheque a quem?


- À BBDO.
- Oh burro!! Quem te pagou foi o BPP! Quem te deu a declaração foi o BPP. Tinhas era que passar o cheque ao BPP


- Pois, mas eu não percebo nada de finanças. A minha secretária é que trata disso.
- Por falar da tua secretária, acho melhor largares essa. Passas a vida a dizer que és modesto e ter uma secretária não joga com isso. Quanto é que lhe pagas?


- Pago? Que raio de conversa é essa? Então eu pago à secretária? Porquê?
- Porra! Porque ela trabalha para ti! Tens de lhe pagar não?


- Oh pá, não me lixes! O que é isso de trabalhar? E ainda por cima para mim. Sê lá mais específico.
- Pronto (suspirando). As pessoas recebem um salário por fazer um trabalho. Exercem uma actividade durante um certo número de horas por dia, para um empresa ou para uma pessoa, e essa empresa ou pessoa paga-lhes em troca do trabalho.


- (boquiaberto) Então, estás a dizer-me que era suposto eu pagar à secretária? Alguém o deve fazer. Eu não. Já te disse que não percebo nada de finanças.


(Duarte Cordeiro estarrecido e em silêncio durante alguns minutos)
- Também consta que te mandaram umas provas do anúncio para ver se concordavas com o layout a publicar.
- Eu não vi nada disso. Podemos sempre dizer que foi a secretária.


- Bolas, mas quem é a secretária? Não pode ser a culpada de tudo
- Claro que pode. Ela podia estar a fazer isso porque eu não lhe pagava (sorri apercebendo-se do potencial da ideia)


- E o IRS? Foi ela que fez também não?
- Não. Isso fui eu. Eu gosto de pagar impostos de forma solidária por rendimentos que não tenho. É a minha veia altruísta. Eu sou um poeta caneco!!! Eu faço coisas desconexas. Tenho de manter uma pose de intelectual.


- E a história de suspenderes o anúncio porque na assembleia te lembraram que não podias fazer publicidade? Disseste ontem que ninguém te tinha dito nada. Caramba!!! Quanto mais falas mais te enterras. Isso para quem acha que tem o dom da palavra é uma bela cagada, deixa-me que te diga
- Pois, essa é bera. Não estou a ver como meto a secretária nisso...


- Pois é... Foste à caça e foste caçado. Como um patinho. E ainda por cima sujas-te pelo preço de um estojo para uma Purdey, porra!!!

- Olha, fazemos assim: Dizemos que eu paguei o IRS daqueles 1500 Euros porque gosto de contribuir. Que passei o cheque e a secretária ficou com ele. Que as provas do anúncio foram aprovadas por ela e que quando me disseram da assembleia, imediatamente mandei retirar o anúncio.


- É. Mas falta a história de teres afirmado que ninguém te tinha dito nada na assembleia...
- Pois, mas eu sou poeta. A minha forma de falar é muito elaborada e as pessoas percebem-me mal. Não te esqueças que vivemos num país onde os jovens não percebem sequer o que lêem. 
Exploramos essa via. Dizemos que não entenderam nada do que eu disse.


- Pronto. Está bem. Tu és o candidato. Tu saberás como te safar. Quando a gastroenterite passar voltamos à carga.
- OK. Mas o médico disse-me que pode não ser uma gastroenterite. Parece ser um problema auto imune


- Hum???
- Aparentemente o meu sistema imunitário está "revoltado" com tudo isto e resolveu actuar.

- E isso pode acontecer? Nunca tinha ouvido falar..

- Nem eu. Mas o médico disse que às vezes acontece em situações de stress extremo. Parece que o sistema imunitário entrou em parafuso e resolveu atacar a maior doença que encontrou - Eu.


- Bolas!!! E não se pode fazer nada?
- Não muito. Aparentemente o meu sistema imunitário está de tal forma determinado a acabar comigo que é muito difícil parar o ataque. É quase poético!! O meu corpo vê-me como a maior ameaça à minha pessoa. Incrível não é?
- Nem por isso. Agora que falas nisso sou forçado a concordar com o teu sistema imunitário. O teu problema não é exterior, é interior. Estanho é só ter acordado agora.


- Estranho não é? Logo agora que estava quase a ser alguém respeitado é que eu me lembrei de acabar "comigo".

E a novela continua

A seguir à triste figura que Alegre e Louçã fizeram ontem, tivemos hoje João Soares a dar o seu pequenino contributo para a novela Acções SLN.

E se Louçã e Alegre já foram sujinhos quanto baste, Soares desceu hoje a um nível ainda mais extraordinário.

Esclarecido que ficou o assunto das mais valias, pela apresentação de exemplos de accionistas que venderam mais alto do que Cavaco Silva, e explicada a razão de ser Oliveira e Costa a despachar os pedidos de venda (direito de opção da SLN na compra das acções), já muito pouco faltaria para explorar.

Soares levou o assunto a um novo patamar.
Já não põe em causa nada disto (seria estúpido persistir...) mas questiona agora se na COMPRA as acções terão sido pagas por Cavaco Silva ou se terão sido uma oferta. E diz isto como se estivesse a descobrir o ângulo que ainda ninguém tinha visto. Seria difícil ver, porque cabecinhas suezes e desprezíveis como a de João Soares não se encontram por aí em abundância.
Já tinha visto Soares adoptar posições de uma desonestidade intelectual notável, mas agora desce a um ponto inominável.
À falta do brilhantismo intelectual do pai, do qual não passa duma mera sombra, envereda pela insinuação rasteira sob a forma de pergunta. E fica com aquele sorriso pateta de quem espera para ver se a coisa colou ou se vai enfrentar um tijolo no focinho como forma de resposta.

O problema é que à frente dele tinha Paula Teixeira da Cruz, jurista, sabedora da matéria e muito pouco disposta a engolir desaforos de ignorantes.

Sobre o código das Sociedades Comerciais dissertou um par de disparates. Atitude pouco sensata como se veio a demonstrar momentos depois ao ser cilindrado pelo saber de Paula Teixeira da Cruz que a cada afirmação patética de João Soares sorria na antecipação do massacre.
Pois João Soares não sabia do direito de opção nem sabia exactamente do que estava a falar. Como qualquer pateta especialista em generalidades esqueceu-se de que estava sentado à sua frente. Rapidamente quis desviar o assunto sem grande sucesso. Ao entrar em areias movediças o melhor é tentar a retirada.

Parece que nos últimos tempos o que o PS tem para nos dar é apenas um conjunto de personalidades incompetentes, demagógicas e absolutamente gastas.
Tentar fazer isto com Cavaco Silva é duma imprudência atroz. O homem é sério. Não arrisca nada. Segue as regras todas.
A falta de arrojo dele e de chispa são precisamente a razão pela qual ele é sério. Não lhe vão apanhar fotos com umas tipas peladas, ou vê-lo misturado em negociatas obscuras com sobas africanos, nem nada que se pareça.
Ainda por cima era um individuo respeitador e amigo dos empregados do pai. O homem é sério porra!!
É como tentar colar acusações à Madre Teresa de Calcutá!!!

Ele tem tanto de sério como de pouco interventivo. Ele prefere a estabilidade mortal à mudança regeneradora. Prefere a tradição à novidade. Prefere as regras à contestação das mesmas.
Ele foi talvez o maior aliado de Sócrates nestes anos em que o país precisava de se ver livre dos governos mais incompetentes da história de Portugal. Foi menos critico de Sócrates do que Alegre. Ele é secretamente o preferido de Sócrates porque ele sabe que com a falta de arrojo de Cavaco não vai acordar um dia e enfrentar-se com a surpresa da dissolução da AR.

Estas personagens socialistas (Soares, Alegre, Barroso e outros que tais) de cada vez que tentam explorar um filão esgotado respingam-se completamente de porcaria (como se não bastasse aquela em que chafurdam há anos).

A juntar à camisola lançada ontem pela campanha de Alegre e vista em Louçã, à saída da SIC hoje à noite  João Soares foi visto com um novo modelo.

Até agora  João Soares era apenas conhecido por outra t-shirt de enorme sucesso criada pelo PS para as eleições que lhes deram a maioria absoluta. Era, juntamente com Silva Pereira, Vital Moreira e Teixeira dos Santos um dos early adopters do modelo, que convenhamos, é muito adequado à forma como ele tem passeado pela política nacional.



As réplicas

Eu já calculava que Alegre não parasse. E que tivesse ajuda do demagogo-mor Francisco Louçã.
Depois de revelado o pedido de Cavaco Silva e da filha para a venda das acções que detinham, despachado pelo próprio Presidente do Conselho de Administração da SLN, seria de supor que a coisa ficasse por aqui.

Mas não.

Como um bom demagogo não se preocupa nada com o facto de a verdade interferir com a sua interpretação dos acontecimentos, vejo hoje Manuel Alegre dizer que o simples facto de as acções terem sido vendidas a 2.40€ é só por si um acto de favorecimento e de participação na gestão danosa do BPN.
Como se não bastasse, Louçã apresenta um contrato de venda das acções da SLN de um outro pequeno accionista em que os ganhos são de apenas 5%.
Claro que a venda foi realizada mais tarde mas, na cabeça de Louçã que como sabemos é um economista de mão cheia, isso ainda deveria significar porventura ganhos maiores. Sendo assim não era possível o ganho de 140% de Cavaco Silva e da filha.

Isto é típico de quem tem uma mão cheia de nada. Primeiro atira-se com o simples facto de ele ter tido acções. Depois de sabidas as datas de aquisição e venda e esgotado o potencial de associação a 2008 e à descoberta da falcatruas, parte-se para os ganhos. Agora o facto de o assunto ter sido tratado por Oliveira e Costa associa-se automaticamente com um acto de gestão danosa e a colaboração com a mesma.

Isto tem reminiscências dos processos estalinistas e das purgas da revolução cultural. Não há defesa possível. A cada explicação cava-se mais fundo nas assumpções de culpa e nas especulações de envolvimento.
Da ala extrema esquerda o "papa" virtuoso que nomeia a mãe para assessora do grupo parlamentar do BE (é verdade, também existe nepotismo na extrema esquerda e não é pouco) avança com uma tese bastante inconsistente de que o valor a que foram vendidas as acções teria sido inflacionado artificialmente por Oliveira e Costa.

Mas ao que parece houve acções re-compradas pela SLN a valores mais altos em 2003 (2.61). Vejam lá de quem eram as acções para saber quem mais beneficiou de favorecimento e participou na gestão danosa do BPN.
Em suma, uma trapalhada. Já escrevia ontem que tinha sido boa ideia a campanha de Alegre ter verificado uns factos antes de partir para a insinuação e acusação difamatória. Mas não o fez e agora ele e Louçã fazem aquilo que sabem fazer melhor - figura de parvos.
Na verdade há novas t-shirts na campanha de Alegre. A primeira foi vista em Louçã


A campanha de Alegre anda à volta disto. A cada dia que passa tenta cobrir com mais lama o candidato que lhe faz mais frente e esquece-se do fundamental. A cada dia que passa demonstra mais a falta de superioridade e de sentido de estado que um Presidente deve ter. Coadjuvado pela criatura mais pomposa e assertiva que a extrema esquerda alguma vez pariu o retrato é de fazer cair a cal das paredes. O incapaz ajudado pelo cego. Só que o incapaz e o cego são manipuladores e mentirosos compulsivos.
Mas melhor ainda, Alegre vê-se enredado na sua própria teia. Um textozito de duvidosa qualidade literária sobre armas de caça de luxo (Purdey) é usado pelo BPP numa campanha publicitária e paga com um cheque de 1500 Euros que ele mandou devolver. Isto foi de manhã.

À tarde sabe-se que afinal foi feito um depósito em conta nesse valor e que Alegre passou um cheque pela sua própria mão que mandou a secretária devolver à BBDO.

Duas coisas estranhas:
Não é normal mandar entregar cheques em mão. Estas coisas fazem-se pelo correio. É no mínimo bizarro transformar a secretária num moço de recados e fazê-la ir entregar o cheque em mão.
Ah é verdade... não é normal um modesto deputado ter uma secretária... Ou é?
Não é normal não saber se o cheque foi descontado. A saída de 1500 euros duma conta bancária para um cidadão que vive do seu magro salário de deputado deve fazer uma mossa que se note. A julgar pelo desnorte no controle da sua conta bancária, aposto que Alegre também não sabe quanto paga à secretária ou sequer se lhe paga.

Resta saber se a declaração que o banco passou para efeitos de IRS terá sido entregue com a declaração desse ano.

Ora raciocinem comigo.
Se ele não incluiu essa declaração porque não teve esse rendimento (ele pensava à data que o tinha devolvido, logo não ia entregar um declaração de um rendimento que não teve) e de facto o cheque não foi descontado, Alegre mentiu ao fisco ocultando 1500 Euros de rendimentos.

Mas o mais curioso é que ao participar numa campanha publicitária violou o estatuto de incompatibilidades dos deputados que não podem fazer publicidade paga ou gratuita. Aqui ele diz que a assembleia nunca lhe disse nada. E eu respondo que a assembleia é talvez o maior antro de parasitas do país e está certamente bem fornecida de vigaristas. Ou já ninguém se lembra da recepção a Paulo Pedroso por parte dos mui nobres deputados que até mobilia partiram?
O facto de eles não terem dito nada pode significar que são completamente incompetentes em fazer a aplicação das normas que aprovam ou, muito pior, sabem e não fazem nada. Hoje coço-te as costas amanhã coças-me tu as minhas...

Mas o que eu realmente gostei de saber é o desejo francamente burguês de ter não uma, mas duas Purdeys.
A arma de caça feita à mão e à medida que pode custar tanto como um automóvel. Um par? Não lhe chegava uma?
Como é que Louçã reagirá a isto?
Saber que o seu candidato anseia por armas de caça (que matam os bichinhos que de certeza Louçã ama) e logo as armas escolhidas pela realeza (que Louçã abomina).
E se no texto Alegre diz que o salário de deputado não chega para uma Purdey, como é que não dá pela diferença de 1500 Euros na sua conta bancária? E que salário paga ele à pobre secretária que manda ir entregar cheques em mão à BBDO? Terá sido para poupar na franquia da carta?
Pois é... o poço da virtude não é mais que um poço de outra coisa. Um poço daquilo que ele tenta atirar para cima dos outros...

As acções da SLN

Cavaco teve 105.378 acções da SLN

Cavaco Silva obteve em 2003 mais-valias de 147 500 euros com a venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que tinha comprado em 2001.
A sua filha, que também era accionista, vendeu as acções na mesma altura, obtendo ganhos de 209 400 euros.
O Presidente da República, questionado uma vez mais pelo Expresso, recusou confirmar esta sua antiga ligação accionista ao grupo SLN. Cavaco Silva foi um entre os 400 pequenos accionistas com que o grupo SLN contava em 2003.

O chefe do Estado remeteu o Expresso para um comunicado que fez sair em Novembro do ano passado, em que rejeitava quaisquer ligações ao BPN (controlado pela SLN). 


Esta era  a notícia de capa do Expresso em 30 de Maio de 2009.
Ou seja, numa altura em que Cavaco Silva não tinha qualquer cargo político (só foi presidente a partir de 22 de Janeiro de 2006) um dos seus investimentos deu um rendimento de 140% num espaço de dois anos.
Quanto ao rendimento não me parece nada de extraordinário, na medida em que este tipo de ganhos num altura de folia bolsista eram relativamente normais. Mesmo o facto de o capital da SLN não estar ainda cotado em bolsa não causa grande estranheza. Na verdade o artigo refere que havia mais 400 pequenos accionistas que suponho terão tido ganhos similares.
À data, presumo que algumas das trapaças levadas a cabo por aqueles que conhecemos bem, já deveriam estar a acontecer no banco, mas é um bocado forçado assumir que os 400 pequenos accionistas teriam conhecimento disso. Cavaco Silva estaria numa melhor posição de o saber, dada a sua proximidade com alguns dos membros de topo da SLN e do BPN, mas não se pode tirar a conclusão de que se poderia saber o sabia de facto.
Não me estranha que ele tenha tido acesso à aquisição das acções pela proximidade com essas pessoas (é mais fácil sendo amigos do que sendo desconhecidos) nem me estranha o nível de ganho que obteve. A titulo de exemplo as acções da Google subiram de 199 USD no principio de 2005 e estavam a 505 no principio de 2007. Hoje estão a 608 USD.

Na minha opinião ele teve acesso à compra pela proximidade com o top management e vendeu 2 anos depois realizando os ganhos simpáticos que tinha conseguido. Eu faria o mesmo se as tivesse.

O que é bizarro é que se faça agora uma campanha à volta do facto de uma pessoa, que não tinha responsabilidades políticas à data, ter tido ganhos com acções de uma empresa que detinha o BPN que se veio a comprovar em 2008 que estava encharcado de má divida e tinha sido um antro de gestão danosa. Como se sentirão os accionistas dos Lehman Brothers ao saber que pactuaram com um executivo ganancioso e cleptómano que levou o banco à falência?
Mas eu esperava que ao menos pessoas como Manual Alegre fossem bem aconselhadas e assessoradas e não falassem de "ouvido". Pelo menos houvesse alguém que fosse à Net para saber que os ganhos eram da ordem dos 140% (se comprou a 1€ e vendeu a 2.40€, isso dá na minha matemática 140% e não 40% como disse Manuel Alegre). Seria também honesto que Alegre dissesse que as acções tinham sido transaccionadas 3 anos antes de Cavaco ser Presidente e que não as vendeu quando se aproximava o fim iminente do BPN.

Não sou um simpatizante de CS e acho que do ponto de vista da sua actuação ele tem muito mais por onde se lhe pegue. Acredito que ele seja honesto mas também sei que ele não se "move". Fica-se pelos discursos e pela tentativa de mobilização do "povo" em que falha redondamente porque ele próprio não parece nada mobilizado. É estático é inerte e sanciona as maiores tropelias deste governo em nome da suposta estabilidade que nos vai matando.

Dito isto não o defendo por ser um simpatizante ou um votante. Digo isto porque me enoja ver candidatos conscientes de que o lugar quase não tem poderes a prometer coisas que não podem cumprir. Porque vejo candidatos a deitar abaixo em vez de dizerem claramente o que fariam. Votariam contra o estatuto dos Açores? Votariam no casamento Gay? Na lei do divórcio? O que fariam de diferente? Nestes três casos sei que todos eles fariam o mesmo.

Alegre tem demonstrado um grau de demagogia e desonestidade nesta campanha muito acima da anterior. Pavoneou-se durante uns tempos como o "dono" de 1 milhão de votos. Usou isso para "fingir" que era um espírito livre e independente aproximando-se do BE enquanto estava na AR com um assento dado pelas listas do PS. Quanto a ética e moralidade estamos conversados. Quanto a armar-se em pavão idem.
Zangadinho pelo apoio do PS ao geriátrico Mário Soares resolveu que era um livre pensador... mas votando alinhado com as tropelias do 1º governo de Sócrates. E viva a coerência.

Afirma-se agora pela negativa. Joga com o lançamento de suspeitas e insinuações (ainda por cima mal informado) sabendo como o povão adora juntar uns pontinhos na história para a tornar ainda mais escabrosa.
Joga realmente com a baixa politica. Por outro lado proclama a politica como uma actividade nobre. Talvez fosse se ele não estivesse envolvido. São pessoas como ele desesperadas por poder que são capazes de pedir apoio a dois partidos que não poderiam estar mais distantes que fazem com que as pessoas olhem para os políticos como uma corja de "vendidos" em troca de um lugar ao sol. São atitudes destas de mercenário político (vulgo vira-casacas) que fazem com que os votantes generalizem estes comportamentos a todos os que servem o Estado.

A carreira de Alegre nunca foi brilhante. Sempre viveu do Estado nos últimos 30 e tal anos. Nunca fez nada de substancial pelo país ou pela democracia a não ser dizer que gosta dela. Tenta viver do que lhe sobra de combate ao antigo regime.
Os outros dois candidatos (O sr. de Viana e o sr. do PCP) embarcam timidamente nesta onda das acções da SLN mas sem o entusiasmo quase alienado de Alegre. Não tarda estará a pedir as contas de electricidade de Belém para provar que Cavaco contribuiu com umas quantas toneladas de CO2 na atmosfera.

Alegre parece não passar de mais um pateta. E um pateta perigoso, porque não hesita recorrer à difamação e à insinuação para destruir os adversários à falta de argumentos políticos para o fazer (e tinha tantos). Com isto, representa quase tudo o que de sujo a política tem.

Está a fazer  uma incrível figura de parvo, mal informado e a jogar com as armas mais baixas possíveis.
Ele é o seu maior inimigo. A isto se chama perder sem qualquer classe. Vou gostar de ver se ele chega ao milhão de votos de há 5 anos. Pode ser que lhe esvaziem o balão e ele apareça nas listas do BE nas legislativas de Maio/Junho 2011.

SUCH - Somos Uma Corja de (des) Honestos

SUCH.
O que é isto?

É uma entidade que supostamente deveria permitir poupar custos no sector da saúde através da centralização de serviços para todas as entidades do Ministério da Saúde:
Gestão de Instalações e Equipamentos
Gestão de Roupa, Limpeza e Resíduos Hospitalares
Gestão Alimentar especializada

É a velha receita das sinergias. Faz-se uma empresa que fornece serviços às empresas do "grupo".
Até aqui tudo bem, se bem que as tentativas das sinergias resultam quase sempre num conjunto de quadros superiores razoavelmente bem pagos que atiram com as poupanças pelo cano abaixo apenas para sustentar a massa salarial acrescida.

O estranho é que aqui estamos a falar do Estado.
E não deixa de ser estranho que havendo já uma entidade oficial que tutela todos os organismos do ministério (o próprio ministério...)  se tenha de criar uma outra que trata apenas de 3 áreas comuns.
Claro que esta entidade foi rapidamente dotada de quadros gestores, directores comerciais etc etc.
Uma frota de automóveis de prestigio e bónus.

Uma forma simpática de fugir à regras da função pública. Nada dos inconvenientes mas com todas as vantagens.

E esta entidade não só conseguiu a proeza de não poupar nada, mas ela própria conseguiu abrir um buraco financeiro à conta das suas despesas de funcionamento.

O curioso é que se dão prémios por cobrança de dividas, sendo os devedores organismos do estado a pagar a outro organismo do estado.
Basicamente a divida não foi paga na totalidade, porque uma parte dela foi "oferecida" sob a forma de prémio a alguém.

Dão-se prémios de "trabalhador do ano" (12,5 mil euros) a um dos directores comerciais” que já tinha sido premiado.

Só isto é um prémio adicional de 1000 Euros/mês em cima do que já recebe de salário e dos outros prémios.

E já agora deixem-me perguntar... O que faz um director comercial duma "espécie de central de compras de serviços" do próprio estado? Tenta convencer os administradores dos hospitais a "comprar" uma coisa que deviam ser obrigados pelo Ministério a fazer?
Se não são obrigados (no sentido de poupar custos) então para que serve esta porcaria que dá pelo nome de SUCH?

Este organismo conseguiu a proeza de gastar mais de 20 milhões em estudos de consultoras que pretendiam provar o bom que era esta centralização e os ganhos que ela significaria. A pena é que nem os estudos foram postos em prática nem a poupança se verificou, sendo este valor (20+ milhões) 4 vezes superior ao resultado negativo do SUCH.

As viaturas deste organismo não são viaturas do Estado na verdadeira acepção da palavra. Não são uns carros que estejam à porta à espera de ser utilizados quando for preciso. São sim carros utilizados a titulo particular que geram despesas de oficinas, portagens impostos etc etc, mas que são pagas pelo Estado como se de uma empresa privada se tratasse.
A coisa pública passou a ser gerida como uma empresa. Só que não precisa de apresentar resultados positivos. E não precisa porque quando se metem num buraco, os accionistas (o contribuinte), sem saber, voltam a dar-lhes uma pipa de massa para eles brincarem às empresas durante mais um ou dois anos.

Estudos para isto? Com dados de quem? Do próprio Estado? Então contratam-se consultores que analisam dados que o próprio Estado tem para provar que podem poupar dinheiro se centralizarem certos serviços?
Roupas - Será que um Hospital não tem lavandaria nas suas instalações? Vai contratar serviços de lavandaria fora?
Como é que a coisa funciona? Levam a roupa suja de camionete para uma lavandaria central (que por limitações geográficas só pode servir um número reduzido de hospitais) e depois metem na camionete que volta a entregar no hospital?
Será que no Amadora Sintra, S. Francisco Xavier, Garcia de Orta, S. Maria etc etc não há lavandarias dotadas de equipamento para fazer isto? É preciso centralizar estas coisas acrescendo ao custo inerente ao tratamento da roupas o custo de transporte?
Se os hospitais até têm incineradoras para destruição de material biológico e material usado e potencialmente contaminado, porque raio se acrescenta a isto o custo de transporte deixando estas equipamentos a funcionar abaixo da sua capacidade?

Claro que é mesmo preciso pagar bem a uma consultora para provar que isto é rentável. A chatice é que a realidade não se compadece com estas aldrabices e lixa o esquema todo.
No entretanto as consultoras já embolsaram uns milhões e a ideia é um manancial de prejuízo. Mais uma vez estes gestores tentam arranjar nos consultores uma desculpa para fazer aquilo que é errado ou que justifique a existência destes organismos aberrantes e  esbanjadores. E isto é o estereotipo dos gestores incompetentes, sem travões no que diz respeito a gastos a brincar às empresas.
No sector privado também há gente assim, só que a fazer isto não dura um semestre. São normalmente convidados para outros "desafios"e nem sequer são responsáveis por um desbarato destes calibre. Tomara muitas empresas terem lucros ou sequer facturação igual ao que estes tipos conseguiram perder num ano. É que nem a jogar na roleta com altas apostas conseguiam fazer tão triste figura.

Que estes gestores são de um nível indescritível não restam dúvidas. São provavelmente a ralé da gestão. E acentuo a palavra ralé porque é o que esta gente é, apesar dos seus títulos pomposos e da sua conversa redonda aprendida à força de se tentar safar às responsabilidades.
Mesmo que venham com o choradinho de que as coisas não resultaram porque houve boicote e tal...
Pois se houve e perceberam a dada altura que não havia condições, saíam de cabeça erguida em vez de ficarem a parasitar num organismo que atropela de tal forma as regras básicas de gestão da coisa pública que deveriam ser todos julgados por gestão danosa.
Se eu fosse membro de um organismo que fosse cilindrado por pareceres do Tribunal de Contas da forma que este é, eu teria vergonha de sair à rua. Pena é que estas apreciações não tenham a correspondente investigação do MP no sentido de apurar ilícitos penais.

Este organismo foi pelo menos responsável pelo desbarato de mais de 20 milhões em estudos inúteis. Foi responsável por 4,4 milhões em 2008 e em cinco milhões em 2009 de resultados negativos. As poupanças na saúde estão à vista de todos, com a despesa a sair pelo telhado.

Só o facto de se tentar centralizar num organismo destes um conjunto de serviços que poderia muito bem ser gerido localmente ou , na melhor das hipóteses, gerido pelo próprio Ministério, diz bem da confiança que o Ministério tem na qualidade de gestão dos seus profissionais de administração hospitalar - nenhuma.
A outra hipótese é não confiar em nenhum (nem neste do SUCH) mas querer apenas arranjar uns lugares dourados a uns gestores de péssima qualidade da mesma cor partidária.

Virem dizer que este organismo foi boicotado na sua acção o que impediu que as sinergias fossem aproveitadas é no mínimo totalmente desonesto.
Este organismo existe desde 1965 (a julgar pela história do organismo publicada no seu site) e é estranho que esta bandalheira seja apenas dos últimos 4 ou 5 anos. Os anos em que estes organismos foram tomados de assalto pela corja de incompetentes que infelizmente governa este país.

É extraordinário como esta gente movida por interesses pessoais indefensáveis consegue agarrar num principio de algum mérito e distorcer tudo a tal ponto que o torna num tumor de proporções épicas. São absolutamente incompetentes em tudo excepto numa coisa - na forma de se encherem rapidamente sem fazer nada.

Qualquer organismo que gaste 20 milhões em estudos e apresente em dois anos sucessivos resultados negativos de 4.4 e 5 milhões só pode ser gerida por débeis mentais. No entanto esses débeis mentais têm prémios de produtividade, carros de gama alta pagos, despesas de representação asseguradas como se fossem geradores de algum valor acrescentado. Eu diria que para evitar resultados negativos no ano de 2011, ponham-nos a todos na rua, fechem a porta e deitem fora a chave. Se estiverem quietos não geram passivo.
Este é o princípio básico de uma empresa privada que tem de apresentar resultados para sobreviver. Aparentemente o principio "empresarial" aplicado a estes organismos só o é pela metade. A metade que tira do erário público quando há prejuízo.

Isto é o que está no site  da dita entidade.
Só pode ser gozo, perante os belíssimo resultado de 3 anos (sim porque em 2010 também devem ter dado uma "facada" de respeito no erário público). 
As lindas frases que constam deste "mission statement" são típicas deste tipo de entidades. Mas a parte que eu gosto mesmo é a declaração de que são uma entidade privada sem fim lucrativos (claramente). Mas se são privados então deverão entrar com o pedido de insolvência já em 2011, ou não?

Apresentação
O Serviço de Utilização Comum dos Hospitais é uma associação privada sem fins lucrativos.
A nossa actuação está claramente orientada para o cumprimento da missão estratégica de contribuir para a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde e para a transferência de mais-valias para os nossos Associados.
Assumimos a posição de parceiro dedicado, especializado e criador de soluções que satisfaçam necessidades comuns e específicas de cada um dos nossos Associados e Clientes, através de estruturas e equipas de natureza partilhada.
Consideramos a redução de custos e a eficiência como os factores dinamizadores da relação com os nossos Associados. A busca da excelência do serviço a clientes, a realização dos colaboradores e a satisfação dos utentes são eixos fundamentais que movem, diariamente, os profissionais do SUCH.
Somos o parceiro de confiança.
Somos pela Qualidade
Apostamos no profissionalismo e na excelência, através do desenvolvimento contínuo de novas competências e metodologias de trabalho para, de forma consistente e continuada, melhorar os processos e a qualidade dos nossos serviços.
Orientados pelo princípio da melhoria contínua da satisfação das expectativas dos nossos Associados e Clientes , apostamos no aperfeiçoamento profissional de todos os nossos colaboradores e a uniformização, inovação e desenvolvimento de boas práticas.
Actualmente, temos o Sistema de Gestão da Qualidade certificado pela Associação Portuguesa de Certificação (APCER) e pela International Certification Network (IQNet) nas seguintes áreas de actuação:

  • Manutenção de Instalações e Equipamentos Hospitalares
  • Tratamento de Roupa Hospitalar
  • Gestão de Resíduos Hospitalares
  • Projectos de Obras (Engenharia e Arquitectura)
  • As cozinhas do Hospital de São Teotónio em Viseu e Hospital de São João no Porto, Hospital Rovisco Pais na Tocha e Hospital do Litoral Alentejano em Santiago do Cacém - da recepção ao empratamento;
  • Limpeza Hospitalar
  • Segurança e Controlo Técnico
A Certificação de Qualidade é para nós um projecto dinâmico, que prossegue actualmente os objectivos da Certificação Ambiental e a Certificação de Segurança Alimentar.