Facebook - Praga ou benção?

Devo confessar que sinto muito pouco apelo pelo Facebook.

Criei uma conta e comecei a procurar amigos. De facto encontrei alguns que já não contactava há algum tempo. Mas na maior parte dos casos os que ficaram na lista estavam a meros metros de mim.

Aquilo pareceu-me um bocado escusado. Na verdade preciso pouco de saber do que é que eles gostam ou não gostam. Os amigos mais próximos vejo-os pessoalmente e já sei do que gostam ou não. E se não souber, no decurso duma conversa fico a saber.

A dada altura comecei a achar que estava a ser demasiado indiscreto. Não por culpa minha mas porque devido à falta de configuração de segurança da maior parte dos intervenientes eu acabava por saber aquilo que não me fazia falta nenhuma saber.

Nem todos são experts em configurar o facebook e na maior parte dos casos a "Wall" estava cheia de inutilidades e de coisas que se calhar eles não deviam ter anunciado de megafone a toda a gente.

Rapidamente me fartei. Ter uma aplicação que me diz tudo o que se passa com os meus amigos é um bocado disparatado. Na maior parte dos casos são detalhes que nada acrescentam ao meu conhecimento das pessoas e é espaço cerebral que podia muito bem ser usado em coisas bem mais úteis.

Mas a verdade é que o facebook se tornou numa doença. Há gente a cuidar das quintas virtuais quando não consegue manter uma simples planta viva. Perdem horas por dia nos seus empregos a "cuscar" a vida que os outros lhes esfregam na cara.
Combinam coisas pelo Facebook, num mundo que tem os SMS, os telemóveis e 173 variedades de chats.

Mas serve realmente para quê? Para pouco. Para pormos na mão de quem não fazemos ideia quem é, a nossa  informação pessoal a ponto de isso poder causar transtornos sérios.
A "empresa" é conhecida pela sua falta de respeito para com os dados pessoais dos membros. A mega integração com o Facebook pode permitir que um site participante tenha acesso ao telefone e morada de quem o aceite (e sabemos que a maior parte do pessoal nem lê a mensagem no écran).

O criador do Facebook não concebe a ideia de que as pessoas possam ter informação do foro privado. Como é que com este tipo de atitude se pode esperar que a informação privada dos outros seja respeitada?

Só que, por acaso, Zuckerberg não deixa de ter alguma razão. Se nós queremos que a nossa informação seja privada vamos "espetar" com ela no site mais público da história? Ficamos expostos a um ror de coisas. A primeira das quais a nossa incapacidade de configurar o que mostramos e a quem.

Alguém dizia no outro dia que temos de aceitar que a geração pre teen de hoje possa vir a estabelecer relações com pessoas que nunca vai conhecer. E isso são relações? Os rádio amadores de outrora tinham mais interacção. Pelo menos recebiam um postal a confirmar o contacto (sim, postal.... uma coisa em papel cartonado que se mandava pelo correio para qualquer parte do mundo).

Do vazio das conversas por SMS passámos ao vazio das relações no Facebook. Não estamos muito longe do filme Surrogates em que os humanos já só interagem através de robots perfeitos e sempre jovens. O problema é que por detrás do robot pode estar uma coisa bem diferente. É um bocado triste pensar que nos remetemos ao espaço privado para nos tornarmos mais públicos que nunca. Irónico.

Percebo agora porque há gente que não possa passar sem a Internet mais que umas horas por dia. Entretanto as relações pessoais desvanecem-se completamente.

Talvez seja eu que me entusiasmo com dificuldade. Que não perceba como alguém pode comprar um telemóvel e pagar por um serviço que permita saber aos amigos em que sitio do país ou da cidade estou.
Talvez seja eu que ache intolerável que perguntem porque ainda não aceitei o pedido de amizade.

Não quero fazer vaticínios acerca do Facebook. Fiz um acerca do Second Life - que era uma treta alienante e que iria desaparecer deixando os criadores cheios de massa. Acertei em cheio.
O Facebook vai chegar a um ponto em que não tem para onde ir. Perde  a vantagem do hype da massificação e a dada altura alguém vai perceber que o mais jovem milionário do mundo vale pela informação de 500 milhões de pessoas que lhe disseram tudo acerca de si. Informação essa que ele pode vender por uma pipa de massa. E quando o fizer (e vai fazendo...) o Facebook acaba num estrondo épico.

Não se preocupem sequer em desactivar a vossa conta. A informação continuará nos servidores e pronta a ser reactivada com um simples login. As coisas mais embaraçosas ou as mais irrelevantes lá ficarão em formato digital para quem as queira retirar (não o público, bem entendido).

Como diria alguém que conheci em pessoa - Knock yourselves out till you understand how stupid it is to do it.

Fiquem com este video fantástico de gozo com o Twitter (outro dos pináculos do imediatismo inconsequente)


A triste história

de Carlos Castro e Renato Seabra...

Decorrida uma semana da tempestade mediática que se seguiu à morte violenta de Carlos Castro, depois de toda a poeira assentar chegou o momento de eu escrever alguma coisa acerca do tema.

Fazer comentários a "quente" é uma péssima ideia. Traz à tona tudo de mau e preconceituoso que se possa ser a julgar pelos comentários abundantes nos vários jornais on line.
Acho cada vez mais que os jornais têm uma sarjeta on line onde todos descarregam a porcaria que trazem dentro de si. Porcaria essa que nunca se atreveriam a mostrar publicamente ligada ao seu nome. Só que a coberto do anonimato tudo é permitido.

Choca-me especialmente a intolerância com que alguns vêm a relação desigual em termos de poder e de idade entre os dois intervenientes do caso, mas achem de alguma forma natural quando isso se passa com pares heterossexuais. Salvaguardando as devidas distâncias não passa de mais um caso de um adulto "maduro" com tendências lúbricas negando (ou não) o facto de que a outra parte possa estar com ele apenas para obter aquilo que doutra forma não conseguiria. Neste caso projecção mediática.

Quer num cenário quer noutro o que se dá em troca é sexo. Sabe-se lá com que repugnância ele é dado, mas muitas das vezes é essa a moeda de troca. Neste caso não há certezas. Tenho para mim que o crime derivou precisamente da repugnância que o elemento mais jovem sentiu ou por ter dado sexo em troca ou pela perspectiva de ter de o dar. Os detalhes do crime apontam para um motivação sexual bem evidente que só pode estar relacionada com isso.

Não me espanta que RS alimentasse essa fantasia na cabeça de alguém que era manifestamente alienado no que diz respeito à percepção dos sentimentos dos outros em relação à sua pessoa. Em entrevistas de Carlos Castro foi bem patente a percepção totalmente distorcida de que todos os homens se apaixonavam por ele. Até na tropa o pobre homem partia corações por todo o lado.
Faz lembrar aqueles tolos que passam a vida a ver sinais (inexistentes) de que as miúdas estão todas desesperadas por eles (o que tu queres sei eu.... lembram-se?)
A simples ideia de que um jovem bem parecido com atributos suficientes para ser modelo se aproximasse da triste figura que era Carlos Castro por causa duma paixão é simplesmente caricata. Se ele fosse homossexual seria bem mais fácil vê-lo associado a alguém mais jovem e mais bem parecido. O problema é que se calhar uma pessoa com esse perfil não tem o peso que CC tinha na "sociedade".

Seja como for o affaire acabou muito mal. Com um crime hediondo com requintes de psicopatia.
Mas os efeitos secundários não ficaram aquém da explosão inicial.
Desde uma clivagem entre comentaristas anti homossexuais e homossexuais ao aproveitamento quase nojento de gente que o detestava, houve de tudo.
E terminou com o deitar das cinzas de Carlos Castro numa grelha de ventilação do Metro em Times Square.
É difícil pensar num fim mais indigno. Deitar as cinzas de quem adorava Nova Yorque numa grelha que dá para o "submundo" apesar das proibições.
Muito pouca dignidade em tudo isto sem dúvida nenhuma.
Comparável à forma como CC fez carreira a "comentar" a vida dos outros. Chamar a isto jornalismo é por a chancela de "qualidade" numa das actividades mais desprezíveis que se pode exercer num jornal ou numa publicação qualquer.
O jornalismo que agora o classifica de "jornalista" desceu ao nível dele. À sarjeta. Em vez que má língua acerca de quem foi a uma festa mal vestido criaram um peep show à volta da morte de um escritor de má língua. Parabéns senhores jornalistas. Se faltava alguma coisa para sabermos até que ponto o jornalismo desceu neste país, esta é a prova final.

Quanto a Renato Seabra, como homicida que tudo aponta que seja, que cumpra a pena de prisão que lhe compete. Seja ela numa penitenciária ou num hospital psiquiátrico.
Quanto às gentes de Cantanhede que dão as mãos por um homicida, gostaria de saber o que pensariam se:
A vitima não fosse um homossexual
Se a vitima fosse uma pessoa de Cantanhede

Esta dualidade na solidariedade é triste. Um filho da terra que mata e mutila uma pessoa não é digno de solidariedade. É digno de defesa em julgamento, de todos os direitos que se dão a um arguido, mas nada mais.
Gentes de Cantanhede,
Se fazeis uma linha de mãos dadas por um homicida confesso, como podeis bradar contra os corruptos, os ladrões, os violadores e contra todos os outros criminosos?

Sr. Ministro da Justiça
Faça as novas prisões em Cantanhede. Este é um povo claramente apostado na reabilitação dos piores criminosos. Faça lá a prisão mais segura do país e ponha lá todos os homicidas e psicopatas que estão encarcerados. Acredito do fundo do coração que Cantanhede vai apreciar. Pelo menos há 400 tolos que vão adorar.

7 de Janeiro de 2011... à tarde

Esta foi a conversa entre Manuel Alegre e Duarte Cordeiro, o seu director de campanha, na tarde de dia 7 de Janeiro

- Manuel, estamos metidos em sarilhos!
- Porquê? O problema intestinal não é assim tão grave e não tem esse tipo de manifestações.


- Não é isso pá! è a história da publicidade do BPP e os malditos 1500 euros.
- Ah, isso não se compara aos 150 mil do Cavaco. O problema dele é 100 vezes maior.


- Oh pá, ouve-me com atenção: A malta não aprecia este tipo de "descobertas". Sobretudo quando dás um nó cego a tentar explicar-te. Ainda fizeste pior

- Ora essa. Safo-me disso como me safei de tudo até agora. Só precisamos de encontrar uma boa história. Tenho passado a vida a dizer uma coisa e a fazer outra e mesmo assim ainda conseguir passar por um exemplo de integridade nas últimas eleições


- Então arranja lá uma desculpa para esta...
- Fazemos assim: Eu continuo a dizer que não percebo nada de dinheiro. Que não lhe toco porque ele é sujo.


- Pois, mas isso não te safa. É que tu, meu estúpido, passaste recibo verde pelos 1500 Euros e declaraste esse valor em IRS!!! Ou seja, tu assumiste por inteiro que tinhas recebido o dinheiro.


- Pois, mas devolvi!. Eu passei um cheque...
- Mas passaste um cheque a quem?


- À BBDO.
- Oh burro!! Quem te pagou foi o BPP! Quem te deu a declaração foi o BPP. Tinhas era que passar o cheque ao BPP


- Pois, mas eu não percebo nada de finanças. A minha secretária é que trata disso.
- Por falar da tua secretária, acho melhor largares essa. Passas a vida a dizer que és modesto e ter uma secretária não joga com isso. Quanto é que lhe pagas?


- Pago? Que raio de conversa é essa? Então eu pago à secretária? Porquê?
- Porra! Porque ela trabalha para ti! Tens de lhe pagar não?


- Oh pá, não me lixes! O que é isso de trabalhar? E ainda por cima para mim. Sê lá mais específico.
- Pronto (suspirando). As pessoas recebem um salário por fazer um trabalho. Exercem uma actividade durante um certo número de horas por dia, para um empresa ou para uma pessoa, e essa empresa ou pessoa paga-lhes em troca do trabalho.


- (boquiaberto) Então, estás a dizer-me que era suposto eu pagar à secretária? Alguém o deve fazer. Eu não. Já te disse que não percebo nada de finanças.


(Duarte Cordeiro estarrecido e em silêncio durante alguns minutos)
- Também consta que te mandaram umas provas do anúncio para ver se concordavas com o layout a publicar.
- Eu não vi nada disso. Podemos sempre dizer que foi a secretária.


- Bolas, mas quem é a secretária? Não pode ser a culpada de tudo
- Claro que pode. Ela podia estar a fazer isso porque eu não lhe pagava (sorri apercebendo-se do potencial da ideia)


- E o IRS? Foi ela que fez também não?
- Não. Isso fui eu. Eu gosto de pagar impostos de forma solidária por rendimentos que não tenho. É a minha veia altruísta. Eu sou um poeta caneco!!! Eu faço coisas desconexas. Tenho de manter uma pose de intelectual.


- E a história de suspenderes o anúncio porque na assembleia te lembraram que não podias fazer publicidade? Disseste ontem que ninguém te tinha dito nada. Caramba!!! Quanto mais falas mais te enterras. Isso para quem acha que tem o dom da palavra é uma bela cagada, deixa-me que te diga
- Pois, essa é bera. Não estou a ver como meto a secretária nisso...


- Pois é... Foste à caça e foste caçado. Como um patinho. E ainda por cima sujas-te pelo preço de um estojo para uma Purdey, porra!!!

- Olha, fazemos assim: Dizemos que eu paguei o IRS daqueles 1500 Euros porque gosto de contribuir. Que passei o cheque e a secretária ficou com ele. Que as provas do anúncio foram aprovadas por ela e que quando me disseram da assembleia, imediatamente mandei retirar o anúncio.


- É. Mas falta a história de teres afirmado que ninguém te tinha dito nada na assembleia...
- Pois, mas eu sou poeta. A minha forma de falar é muito elaborada e as pessoas percebem-me mal. Não te esqueças que vivemos num país onde os jovens não percebem sequer o que lêem. 
Exploramos essa via. Dizemos que não entenderam nada do que eu disse.


- Pronto. Está bem. Tu és o candidato. Tu saberás como te safar. Quando a gastroenterite passar voltamos à carga.
- OK. Mas o médico disse-me que pode não ser uma gastroenterite. Parece ser um problema auto imune


- Hum???
- Aparentemente o meu sistema imunitário está "revoltado" com tudo isto e resolveu actuar.

- E isso pode acontecer? Nunca tinha ouvido falar..

- Nem eu. Mas o médico disse que às vezes acontece em situações de stress extremo. Parece que o sistema imunitário entrou em parafuso e resolveu atacar a maior doença que encontrou - Eu.


- Bolas!!! E não se pode fazer nada?
- Não muito. Aparentemente o meu sistema imunitário está de tal forma determinado a acabar comigo que é muito difícil parar o ataque. É quase poético!! O meu corpo vê-me como a maior ameaça à minha pessoa. Incrível não é?
- Nem por isso. Agora que falas nisso sou forçado a concordar com o teu sistema imunitário. O teu problema não é exterior, é interior. Estanho é só ter acordado agora.


- Estranho não é? Logo agora que estava quase a ser alguém respeitado é que eu me lembrei de acabar "comigo".

E a novela continua

A seguir à triste figura que Alegre e Louçã fizeram ontem, tivemos hoje João Soares a dar o seu pequenino contributo para a novela Acções SLN.

E se Louçã e Alegre já foram sujinhos quanto baste, Soares desceu hoje a um nível ainda mais extraordinário.

Esclarecido que ficou o assunto das mais valias, pela apresentação de exemplos de accionistas que venderam mais alto do que Cavaco Silva, e explicada a razão de ser Oliveira e Costa a despachar os pedidos de venda (direito de opção da SLN na compra das acções), já muito pouco faltaria para explorar.

Soares levou o assunto a um novo patamar.
Já não põe em causa nada disto (seria estúpido persistir...) mas questiona agora se na COMPRA as acções terão sido pagas por Cavaco Silva ou se terão sido uma oferta. E diz isto como se estivesse a descobrir o ângulo que ainda ninguém tinha visto. Seria difícil ver, porque cabecinhas suezes e desprezíveis como a de João Soares não se encontram por aí em abundância.
Já tinha visto Soares adoptar posições de uma desonestidade intelectual notável, mas agora desce a um ponto inominável.
À falta do brilhantismo intelectual do pai, do qual não passa duma mera sombra, envereda pela insinuação rasteira sob a forma de pergunta. E fica com aquele sorriso pateta de quem espera para ver se a coisa colou ou se vai enfrentar um tijolo no focinho como forma de resposta.

O problema é que à frente dele tinha Paula Teixeira da Cruz, jurista, sabedora da matéria e muito pouco disposta a engolir desaforos de ignorantes.

Sobre o código das Sociedades Comerciais dissertou um par de disparates. Atitude pouco sensata como se veio a demonstrar momentos depois ao ser cilindrado pelo saber de Paula Teixeira da Cruz que a cada afirmação patética de João Soares sorria na antecipação do massacre.
Pois João Soares não sabia do direito de opção nem sabia exactamente do que estava a falar. Como qualquer pateta especialista em generalidades esqueceu-se de que estava sentado à sua frente. Rapidamente quis desviar o assunto sem grande sucesso. Ao entrar em areias movediças o melhor é tentar a retirada.

Parece que nos últimos tempos o que o PS tem para nos dar é apenas um conjunto de personalidades incompetentes, demagógicas e absolutamente gastas.
Tentar fazer isto com Cavaco Silva é duma imprudência atroz. O homem é sério. Não arrisca nada. Segue as regras todas.
A falta de arrojo dele e de chispa são precisamente a razão pela qual ele é sério. Não lhe vão apanhar fotos com umas tipas peladas, ou vê-lo misturado em negociatas obscuras com sobas africanos, nem nada que se pareça.
Ainda por cima era um individuo respeitador e amigo dos empregados do pai. O homem é sério porra!!
É como tentar colar acusações à Madre Teresa de Calcutá!!!

Ele tem tanto de sério como de pouco interventivo. Ele prefere a estabilidade mortal à mudança regeneradora. Prefere a tradição à novidade. Prefere as regras à contestação das mesmas.
Ele foi talvez o maior aliado de Sócrates nestes anos em que o país precisava de se ver livre dos governos mais incompetentes da história de Portugal. Foi menos critico de Sócrates do que Alegre. Ele é secretamente o preferido de Sócrates porque ele sabe que com a falta de arrojo de Cavaco não vai acordar um dia e enfrentar-se com a surpresa da dissolução da AR.

Estas personagens socialistas (Soares, Alegre, Barroso e outros que tais) de cada vez que tentam explorar um filão esgotado respingam-se completamente de porcaria (como se não bastasse aquela em que chafurdam há anos).

A juntar à camisola lançada ontem pela campanha de Alegre e vista em Louçã, à saída da SIC hoje à noite  João Soares foi visto com um novo modelo.

Até agora  João Soares era apenas conhecido por outra t-shirt de enorme sucesso criada pelo PS para as eleições que lhes deram a maioria absoluta. Era, juntamente com Silva Pereira, Vital Moreira e Teixeira dos Santos um dos early adopters do modelo, que convenhamos, é muito adequado à forma como ele tem passeado pela política nacional.



As réplicas

Eu já calculava que Alegre não parasse. E que tivesse ajuda do demagogo-mor Francisco Louçã.
Depois de revelado o pedido de Cavaco Silva e da filha para a venda das acções que detinham, despachado pelo próprio Presidente do Conselho de Administração da SLN, seria de supor que a coisa ficasse por aqui.

Mas não.

Como um bom demagogo não se preocupa nada com o facto de a verdade interferir com a sua interpretação dos acontecimentos, vejo hoje Manuel Alegre dizer que o simples facto de as acções terem sido vendidas a 2.40€ é só por si um acto de favorecimento e de participação na gestão danosa do BPN.
Como se não bastasse, Louçã apresenta um contrato de venda das acções da SLN de um outro pequeno accionista em que os ganhos são de apenas 5%.
Claro que a venda foi realizada mais tarde mas, na cabeça de Louçã que como sabemos é um economista de mão cheia, isso ainda deveria significar porventura ganhos maiores. Sendo assim não era possível o ganho de 140% de Cavaco Silva e da filha.

Isto é típico de quem tem uma mão cheia de nada. Primeiro atira-se com o simples facto de ele ter tido acções. Depois de sabidas as datas de aquisição e venda e esgotado o potencial de associação a 2008 e à descoberta da falcatruas, parte-se para os ganhos. Agora o facto de o assunto ter sido tratado por Oliveira e Costa associa-se automaticamente com um acto de gestão danosa e a colaboração com a mesma.

Isto tem reminiscências dos processos estalinistas e das purgas da revolução cultural. Não há defesa possível. A cada explicação cava-se mais fundo nas assumpções de culpa e nas especulações de envolvimento.
Da ala extrema esquerda o "papa" virtuoso que nomeia a mãe para assessora do grupo parlamentar do BE (é verdade, também existe nepotismo na extrema esquerda e não é pouco) avança com uma tese bastante inconsistente de que o valor a que foram vendidas as acções teria sido inflacionado artificialmente por Oliveira e Costa.

Mas ao que parece houve acções re-compradas pela SLN a valores mais altos em 2003 (2.61). Vejam lá de quem eram as acções para saber quem mais beneficiou de favorecimento e participou na gestão danosa do BPN.
Em suma, uma trapalhada. Já escrevia ontem que tinha sido boa ideia a campanha de Alegre ter verificado uns factos antes de partir para a insinuação e acusação difamatória. Mas não o fez e agora ele e Louçã fazem aquilo que sabem fazer melhor - figura de parvos.
Na verdade há novas t-shirts na campanha de Alegre. A primeira foi vista em Louçã


A campanha de Alegre anda à volta disto. A cada dia que passa tenta cobrir com mais lama o candidato que lhe faz mais frente e esquece-se do fundamental. A cada dia que passa demonstra mais a falta de superioridade e de sentido de estado que um Presidente deve ter. Coadjuvado pela criatura mais pomposa e assertiva que a extrema esquerda alguma vez pariu o retrato é de fazer cair a cal das paredes. O incapaz ajudado pelo cego. Só que o incapaz e o cego são manipuladores e mentirosos compulsivos.
Mas melhor ainda, Alegre vê-se enredado na sua própria teia. Um textozito de duvidosa qualidade literária sobre armas de caça de luxo (Purdey) é usado pelo BPP numa campanha publicitária e paga com um cheque de 1500 Euros que ele mandou devolver. Isto foi de manhã.

À tarde sabe-se que afinal foi feito um depósito em conta nesse valor e que Alegre passou um cheque pela sua própria mão que mandou a secretária devolver à BBDO.

Duas coisas estranhas:
Não é normal mandar entregar cheques em mão. Estas coisas fazem-se pelo correio. É no mínimo bizarro transformar a secretária num moço de recados e fazê-la ir entregar o cheque em mão.
Ah é verdade... não é normal um modesto deputado ter uma secretária... Ou é?
Não é normal não saber se o cheque foi descontado. A saída de 1500 euros duma conta bancária para um cidadão que vive do seu magro salário de deputado deve fazer uma mossa que se note. A julgar pelo desnorte no controle da sua conta bancária, aposto que Alegre também não sabe quanto paga à secretária ou sequer se lhe paga.

Resta saber se a declaração que o banco passou para efeitos de IRS terá sido entregue com a declaração desse ano.

Ora raciocinem comigo.
Se ele não incluiu essa declaração porque não teve esse rendimento (ele pensava à data que o tinha devolvido, logo não ia entregar um declaração de um rendimento que não teve) e de facto o cheque não foi descontado, Alegre mentiu ao fisco ocultando 1500 Euros de rendimentos.

Mas o mais curioso é que ao participar numa campanha publicitária violou o estatuto de incompatibilidades dos deputados que não podem fazer publicidade paga ou gratuita. Aqui ele diz que a assembleia nunca lhe disse nada. E eu respondo que a assembleia é talvez o maior antro de parasitas do país e está certamente bem fornecida de vigaristas. Ou já ninguém se lembra da recepção a Paulo Pedroso por parte dos mui nobres deputados que até mobilia partiram?
O facto de eles não terem dito nada pode significar que são completamente incompetentes em fazer a aplicação das normas que aprovam ou, muito pior, sabem e não fazem nada. Hoje coço-te as costas amanhã coças-me tu as minhas...

Mas o que eu realmente gostei de saber é o desejo francamente burguês de ter não uma, mas duas Purdeys.
A arma de caça feita à mão e à medida que pode custar tanto como um automóvel. Um par? Não lhe chegava uma?
Como é que Louçã reagirá a isto?
Saber que o seu candidato anseia por armas de caça (que matam os bichinhos que de certeza Louçã ama) e logo as armas escolhidas pela realeza (que Louçã abomina).
E se no texto Alegre diz que o salário de deputado não chega para uma Purdey, como é que não dá pela diferença de 1500 Euros na sua conta bancária? E que salário paga ele à pobre secretária que manda ir entregar cheques em mão à BBDO? Terá sido para poupar na franquia da carta?
Pois é... o poço da virtude não é mais que um poço de outra coisa. Um poço daquilo que ele tenta atirar para cima dos outros...