Estamos quase a ir votar

E eu tenho um duelo interior a decorrer.

Cavaco Silva, o homem que aceitou dinheiro da comunidade Europeia em troca da destruição do sector primário em Portugal, clama agora por um Ministério do Mar. Apela aos agricultores que nos dêem alguma auto suficiência alimentar.

Curioso como em 20 anos se defende uma coisa e o seu contrário. Como se ajuda a criar um país de terciário e se pede agora a produção de bens transaccionáveis tendo sido em grande medida o obreiro da destruição do sector primário e secundário da economia.
Criou um país que viveu de acrescentar uma margem aos que os outros faziam de forma consciente e planeada.
Disse que a construção civil era a principal indústria do país (pelo seu efeito multiplicador) quando o efeito multiplicador foi aniquilado com a concorrência de países com uma produção com muito melhor preço e design.
Adoptou uma posição de subserviência ao aceitar reduções de quotas pesqueiras e agrícolas.

Apesar de nos ter dado um forte sector financeiro, também nos deu a noção de que isso era a única coisa que interessava. Isso era importante para financiar as casas que todos os portugueses precisavam de comprar.
Essa loucura imobiliária destruiu os centros das cidades descaracterizou a paisagem e deixou as câmaras municipais (curtas de vistas) a esfregar as mãos de contentes com as contribuições. Mas agora vêm-se a braços com a desertificação dos centros, das casas devolutas e degradadas e ajudou ainda mais a destruir o mercado do arrendamento.
E depois em tom grave e sério adverte as pessoas para os problemas do sobre endividamento das famílias e do próprio país?

Será que quero um presidente com uma memória mais curta que a minha?
Será que a presidência é sequer relevante?

Poderia ser. Se não tivéssemos um presidente que se sentisse tão superior e apartidário ao ponto de ter medo de tomar decisões de acordo com a sua consciência. Ao menos Sampaio ajudou o partido pondo fora um governo que visto hoje era infinitamente menos incompetente que os de Sócrates. Ao menos Sampaio não se apoquentou com as criticas. E na verdade não as houve em grande volume.

Cavaco, imóvel, exercendo uma magistratura de influência (ou lá o raio que é aquilo que ele faz) nada faz. Nem sequer influência. Sócrates está-se literalmente nas tintas para ele. O PS com a sua maioria absoluta fez gato sapato de princípios éticos e do estado de direito como quis. Cavaco discursava. Mandava recados, diziam os comentadores. Diria eu que isso é um comportamento típico dos cobardes. E cobardia em assumir as suas responsabilidades foi o que Cavaco demonstrou até à exaustão.

Como sugestão para Cavaco deixaria uma ideia - vá com os seus recados e discursos para o raio que o parta. Actue, porra!

Alegre não se encontra.  Não sabe se é de esquerda se é um burguês diletante. Não sabe como há-de explicar o apoio entusiástico a quem o derrotou nas eleições para o partido e o seu apoio acéfalo a todas as tropelias que o PS fez com a maioria absoluta.
É este Alegre que fala do Estado Social? Só se for Social para "ele". É que os pagadores de impostos com o fruto do seu trabalho já há muito tempo que sabem que não há estado Social.
Na cabeça de polpa de Alegre alguém que ganhe mais de 1500 Euros por mês já não deve ter direito a nada que o Estado Social tenha para dar. Ele TEM de acreditar nisto. Afinal sempre votou alinhado com o conceito de "rico" que o manipulador de marionetes socialistas tem.
Agora veste a capa de protector dos desfavorecidos, enche-se de prosa de Coimbra e vai travar o combate pela democracia. A democracia que o sustentou durante 36 anos e que deixou de existir para os cidadãos que o elegem numa lista de um circulo eleitoral qualquer.
Poderia quase pensar que Alegre tem Alzheimer.  Esquece-se. De quem é, de quem foi, do que fez e até de que dinheiro recebeu e para quê.
Não passa dum mistificador com arremedos de revolucionário. Produto de uma época passada.

E mesmo que não tivesse defeito nenhum, só o facto de se aliar ao inenarrável Louçã já seria razão suficiente para nem sequer o considerar. Infelizmente esse não é o único defeito que tem. Ainda há memória e gente como Alegre é especialmente repugnante. A sede de ribalta, o ego e a incapacidade de perceber a falta de coerência que mostra, são razões mais que sobradas para nunca ser uma escolha.

O Sr. do PCP ainda está algures em Estalingrado e cantar a Internacional. É a única conclusão a que posso chegar quando o ouço dizer que é o candidato em melhores condições para disputar a  segunda volta com Cavaco.... (???)
Este está tão louco como os generais que achavam que cargas de infantaria a pé nas planicies de França durante a 1ª Guerra iriam assegurar a vitória.
Em 1º lugar sr. Lopes, não vai haver segunda volta. Em 2º lugar sr. Lopes a sua candidatura decrépita vai ter uma votação que não chega aos 2 digitos. Diga não à drogas. Não lhe estão a fazer bem nenhum.

Defensor Moura nem parece ser relevante no Norte onde foi presidente de Câmara. Com a história do "dou-lhe dois dias para se explicar" parece claramente dar-se mais importância do que o povo português lhe dá. E agora pergunto eu: E se Cavaco se estiver a c**** para si como tudo parece indicar? O que faz? Vai a casa dele e bate-lhe? Tenha juizo homem! Saia da reforma e volte a exercer como médico e tente não matar ninguém. Do ponto de vista de ideais políticos até eu tenho mais coerência do que você e não sou político profissional. Nem político sou.

Tenho de confessar que Nobre é o único que me merece o reconhecimento de ser um Homem. Sempre primou pela sua entrega aos outros. Sempre foi perseverante e sempre atingiu objectivos quase impossíveis. Infelizmente não tem o dom da palavra nem está habituado às tricas palacianas e às formalidades da política. Mas ainda assim não posso deixar de lhe reconhecer aquilo que nenhum dos outros tem - Espírito de serviço e capacidade de sacrifício. É o único em quem ponderaria votar.

Claro que os comentadores têm analisado todo este processo eleitoral exaustivamente.
Desde as platinas trabalhadas das Purdeys até à gravitas de cavaco (esta é de um comentador que ouvi na TSF que em dois dias usou a mesma palavra em latim para dar mais peso à sua enorme sapiência e gravtitas comunicacional. Para ele gostaria de deixar esta frase - ne supra crepidam sutor iudicaret ) até a um Marcelo que ainda acredita que a politica é matemática com as suas relações causa efeito de um rigor estonteante e que falham quase sempre (mas se não falham é porque são verdades de La Palisse ou porque ele depois dá o spin contrário à coisa).
Não é por acaso que como líder partidário Marcelo foi uma nulidade. Talvez se pusesse com os seus excessos analíticos a tentar perceber um partido que apenas queria poder e dinheiro (e quanto mais melhor).

Toda esta campanha é fastidiosa, vazia e inútil. Todos estes comentaristas sobressaem pelo comentário bacoco, inútil e tão desviado da realidade e do fundamental como os próprios candidatos.

Com este cenário como é que eu escolho um? O menos mau?

Facebook - Praga ou benção?

Devo confessar que sinto muito pouco apelo pelo Facebook.

Criei uma conta e comecei a procurar amigos. De facto encontrei alguns que já não contactava há algum tempo. Mas na maior parte dos casos os que ficaram na lista estavam a meros metros de mim.

Aquilo pareceu-me um bocado escusado. Na verdade preciso pouco de saber do que é que eles gostam ou não gostam. Os amigos mais próximos vejo-os pessoalmente e já sei do que gostam ou não. E se não souber, no decurso duma conversa fico a saber.

A dada altura comecei a achar que estava a ser demasiado indiscreto. Não por culpa minha mas porque devido à falta de configuração de segurança da maior parte dos intervenientes eu acabava por saber aquilo que não me fazia falta nenhuma saber.

Nem todos são experts em configurar o facebook e na maior parte dos casos a "Wall" estava cheia de inutilidades e de coisas que se calhar eles não deviam ter anunciado de megafone a toda a gente.

Rapidamente me fartei. Ter uma aplicação que me diz tudo o que se passa com os meus amigos é um bocado disparatado. Na maior parte dos casos são detalhes que nada acrescentam ao meu conhecimento das pessoas e é espaço cerebral que podia muito bem ser usado em coisas bem mais úteis.

Mas a verdade é que o facebook se tornou numa doença. Há gente a cuidar das quintas virtuais quando não consegue manter uma simples planta viva. Perdem horas por dia nos seus empregos a "cuscar" a vida que os outros lhes esfregam na cara.
Combinam coisas pelo Facebook, num mundo que tem os SMS, os telemóveis e 173 variedades de chats.

Mas serve realmente para quê? Para pouco. Para pormos na mão de quem não fazemos ideia quem é, a nossa  informação pessoal a ponto de isso poder causar transtornos sérios.
A "empresa" é conhecida pela sua falta de respeito para com os dados pessoais dos membros. A mega integração com o Facebook pode permitir que um site participante tenha acesso ao telefone e morada de quem o aceite (e sabemos que a maior parte do pessoal nem lê a mensagem no écran).

O criador do Facebook não concebe a ideia de que as pessoas possam ter informação do foro privado. Como é que com este tipo de atitude se pode esperar que a informação privada dos outros seja respeitada?

Só que, por acaso, Zuckerberg não deixa de ter alguma razão. Se nós queremos que a nossa informação seja privada vamos "espetar" com ela no site mais público da história? Ficamos expostos a um ror de coisas. A primeira das quais a nossa incapacidade de configurar o que mostramos e a quem.

Alguém dizia no outro dia que temos de aceitar que a geração pre teen de hoje possa vir a estabelecer relações com pessoas que nunca vai conhecer. E isso são relações? Os rádio amadores de outrora tinham mais interacção. Pelo menos recebiam um postal a confirmar o contacto (sim, postal.... uma coisa em papel cartonado que se mandava pelo correio para qualquer parte do mundo).

Do vazio das conversas por SMS passámos ao vazio das relações no Facebook. Não estamos muito longe do filme Surrogates em que os humanos já só interagem através de robots perfeitos e sempre jovens. O problema é que por detrás do robot pode estar uma coisa bem diferente. É um bocado triste pensar que nos remetemos ao espaço privado para nos tornarmos mais públicos que nunca. Irónico.

Percebo agora porque há gente que não possa passar sem a Internet mais que umas horas por dia. Entretanto as relações pessoais desvanecem-se completamente.

Talvez seja eu que me entusiasmo com dificuldade. Que não perceba como alguém pode comprar um telemóvel e pagar por um serviço que permita saber aos amigos em que sitio do país ou da cidade estou.
Talvez seja eu que ache intolerável que perguntem porque ainda não aceitei o pedido de amizade.

Não quero fazer vaticínios acerca do Facebook. Fiz um acerca do Second Life - que era uma treta alienante e que iria desaparecer deixando os criadores cheios de massa. Acertei em cheio.
O Facebook vai chegar a um ponto em que não tem para onde ir. Perde  a vantagem do hype da massificação e a dada altura alguém vai perceber que o mais jovem milionário do mundo vale pela informação de 500 milhões de pessoas que lhe disseram tudo acerca de si. Informação essa que ele pode vender por uma pipa de massa. E quando o fizer (e vai fazendo...) o Facebook acaba num estrondo épico.

Não se preocupem sequer em desactivar a vossa conta. A informação continuará nos servidores e pronta a ser reactivada com um simples login. As coisas mais embaraçosas ou as mais irrelevantes lá ficarão em formato digital para quem as queira retirar (não o público, bem entendido).

Como diria alguém que conheci em pessoa - Knock yourselves out till you understand how stupid it is to do it.

Fiquem com este video fantástico de gozo com o Twitter (outro dos pináculos do imediatismo inconsequente)


A triste história

de Carlos Castro e Renato Seabra...

Decorrida uma semana da tempestade mediática que se seguiu à morte violenta de Carlos Castro, depois de toda a poeira assentar chegou o momento de eu escrever alguma coisa acerca do tema.

Fazer comentários a "quente" é uma péssima ideia. Traz à tona tudo de mau e preconceituoso que se possa ser a julgar pelos comentários abundantes nos vários jornais on line.
Acho cada vez mais que os jornais têm uma sarjeta on line onde todos descarregam a porcaria que trazem dentro de si. Porcaria essa que nunca se atreveriam a mostrar publicamente ligada ao seu nome. Só que a coberto do anonimato tudo é permitido.

Choca-me especialmente a intolerância com que alguns vêm a relação desigual em termos de poder e de idade entre os dois intervenientes do caso, mas achem de alguma forma natural quando isso se passa com pares heterossexuais. Salvaguardando as devidas distâncias não passa de mais um caso de um adulto "maduro" com tendências lúbricas negando (ou não) o facto de que a outra parte possa estar com ele apenas para obter aquilo que doutra forma não conseguiria. Neste caso projecção mediática.

Quer num cenário quer noutro o que se dá em troca é sexo. Sabe-se lá com que repugnância ele é dado, mas muitas das vezes é essa a moeda de troca. Neste caso não há certezas. Tenho para mim que o crime derivou precisamente da repugnância que o elemento mais jovem sentiu ou por ter dado sexo em troca ou pela perspectiva de ter de o dar. Os detalhes do crime apontam para um motivação sexual bem evidente que só pode estar relacionada com isso.

Não me espanta que RS alimentasse essa fantasia na cabeça de alguém que era manifestamente alienado no que diz respeito à percepção dos sentimentos dos outros em relação à sua pessoa. Em entrevistas de Carlos Castro foi bem patente a percepção totalmente distorcida de que todos os homens se apaixonavam por ele. Até na tropa o pobre homem partia corações por todo o lado.
Faz lembrar aqueles tolos que passam a vida a ver sinais (inexistentes) de que as miúdas estão todas desesperadas por eles (o que tu queres sei eu.... lembram-se?)
A simples ideia de que um jovem bem parecido com atributos suficientes para ser modelo se aproximasse da triste figura que era Carlos Castro por causa duma paixão é simplesmente caricata. Se ele fosse homossexual seria bem mais fácil vê-lo associado a alguém mais jovem e mais bem parecido. O problema é que se calhar uma pessoa com esse perfil não tem o peso que CC tinha na "sociedade".

Seja como for o affaire acabou muito mal. Com um crime hediondo com requintes de psicopatia.
Mas os efeitos secundários não ficaram aquém da explosão inicial.
Desde uma clivagem entre comentaristas anti homossexuais e homossexuais ao aproveitamento quase nojento de gente que o detestava, houve de tudo.
E terminou com o deitar das cinzas de Carlos Castro numa grelha de ventilação do Metro em Times Square.
É difícil pensar num fim mais indigno. Deitar as cinzas de quem adorava Nova Yorque numa grelha que dá para o "submundo" apesar das proibições.
Muito pouca dignidade em tudo isto sem dúvida nenhuma.
Comparável à forma como CC fez carreira a "comentar" a vida dos outros. Chamar a isto jornalismo é por a chancela de "qualidade" numa das actividades mais desprezíveis que se pode exercer num jornal ou numa publicação qualquer.
O jornalismo que agora o classifica de "jornalista" desceu ao nível dele. À sarjeta. Em vez que má língua acerca de quem foi a uma festa mal vestido criaram um peep show à volta da morte de um escritor de má língua. Parabéns senhores jornalistas. Se faltava alguma coisa para sabermos até que ponto o jornalismo desceu neste país, esta é a prova final.

Quanto a Renato Seabra, como homicida que tudo aponta que seja, que cumpra a pena de prisão que lhe compete. Seja ela numa penitenciária ou num hospital psiquiátrico.
Quanto às gentes de Cantanhede que dão as mãos por um homicida, gostaria de saber o que pensariam se:
A vitima não fosse um homossexual
Se a vitima fosse uma pessoa de Cantanhede

Esta dualidade na solidariedade é triste. Um filho da terra que mata e mutila uma pessoa não é digno de solidariedade. É digno de defesa em julgamento, de todos os direitos que se dão a um arguido, mas nada mais.
Gentes de Cantanhede,
Se fazeis uma linha de mãos dadas por um homicida confesso, como podeis bradar contra os corruptos, os ladrões, os violadores e contra todos os outros criminosos?

Sr. Ministro da Justiça
Faça as novas prisões em Cantanhede. Este é um povo claramente apostado na reabilitação dos piores criminosos. Faça lá a prisão mais segura do país e ponha lá todos os homicidas e psicopatas que estão encarcerados. Acredito do fundo do coração que Cantanhede vai apreciar. Pelo menos há 400 tolos que vão adorar.

7 de Janeiro de 2011... à tarde

Esta foi a conversa entre Manuel Alegre e Duarte Cordeiro, o seu director de campanha, na tarde de dia 7 de Janeiro

- Manuel, estamos metidos em sarilhos!
- Porquê? O problema intestinal não é assim tão grave e não tem esse tipo de manifestações.


- Não é isso pá! è a história da publicidade do BPP e os malditos 1500 euros.
- Ah, isso não se compara aos 150 mil do Cavaco. O problema dele é 100 vezes maior.


- Oh pá, ouve-me com atenção: A malta não aprecia este tipo de "descobertas". Sobretudo quando dás um nó cego a tentar explicar-te. Ainda fizeste pior

- Ora essa. Safo-me disso como me safei de tudo até agora. Só precisamos de encontrar uma boa história. Tenho passado a vida a dizer uma coisa e a fazer outra e mesmo assim ainda conseguir passar por um exemplo de integridade nas últimas eleições


- Então arranja lá uma desculpa para esta...
- Fazemos assim: Eu continuo a dizer que não percebo nada de dinheiro. Que não lhe toco porque ele é sujo.


- Pois, mas isso não te safa. É que tu, meu estúpido, passaste recibo verde pelos 1500 Euros e declaraste esse valor em IRS!!! Ou seja, tu assumiste por inteiro que tinhas recebido o dinheiro.


- Pois, mas devolvi!. Eu passei um cheque...
- Mas passaste um cheque a quem?


- À BBDO.
- Oh burro!! Quem te pagou foi o BPP! Quem te deu a declaração foi o BPP. Tinhas era que passar o cheque ao BPP


- Pois, mas eu não percebo nada de finanças. A minha secretária é que trata disso.
- Por falar da tua secretária, acho melhor largares essa. Passas a vida a dizer que és modesto e ter uma secretária não joga com isso. Quanto é que lhe pagas?


- Pago? Que raio de conversa é essa? Então eu pago à secretária? Porquê?
- Porra! Porque ela trabalha para ti! Tens de lhe pagar não?


- Oh pá, não me lixes! O que é isso de trabalhar? E ainda por cima para mim. Sê lá mais específico.
- Pronto (suspirando). As pessoas recebem um salário por fazer um trabalho. Exercem uma actividade durante um certo número de horas por dia, para um empresa ou para uma pessoa, e essa empresa ou pessoa paga-lhes em troca do trabalho.


- (boquiaberto) Então, estás a dizer-me que era suposto eu pagar à secretária? Alguém o deve fazer. Eu não. Já te disse que não percebo nada de finanças.


(Duarte Cordeiro estarrecido e em silêncio durante alguns minutos)
- Também consta que te mandaram umas provas do anúncio para ver se concordavas com o layout a publicar.
- Eu não vi nada disso. Podemos sempre dizer que foi a secretária.


- Bolas, mas quem é a secretária? Não pode ser a culpada de tudo
- Claro que pode. Ela podia estar a fazer isso porque eu não lhe pagava (sorri apercebendo-se do potencial da ideia)


- E o IRS? Foi ela que fez também não?
- Não. Isso fui eu. Eu gosto de pagar impostos de forma solidária por rendimentos que não tenho. É a minha veia altruísta. Eu sou um poeta caneco!!! Eu faço coisas desconexas. Tenho de manter uma pose de intelectual.


- E a história de suspenderes o anúncio porque na assembleia te lembraram que não podias fazer publicidade? Disseste ontem que ninguém te tinha dito nada. Caramba!!! Quanto mais falas mais te enterras. Isso para quem acha que tem o dom da palavra é uma bela cagada, deixa-me que te diga
- Pois, essa é bera. Não estou a ver como meto a secretária nisso...


- Pois é... Foste à caça e foste caçado. Como um patinho. E ainda por cima sujas-te pelo preço de um estojo para uma Purdey, porra!!!

- Olha, fazemos assim: Dizemos que eu paguei o IRS daqueles 1500 Euros porque gosto de contribuir. Que passei o cheque e a secretária ficou com ele. Que as provas do anúncio foram aprovadas por ela e que quando me disseram da assembleia, imediatamente mandei retirar o anúncio.


- É. Mas falta a história de teres afirmado que ninguém te tinha dito nada na assembleia...
- Pois, mas eu sou poeta. A minha forma de falar é muito elaborada e as pessoas percebem-me mal. Não te esqueças que vivemos num país onde os jovens não percebem sequer o que lêem. 
Exploramos essa via. Dizemos que não entenderam nada do que eu disse.


- Pronto. Está bem. Tu és o candidato. Tu saberás como te safar. Quando a gastroenterite passar voltamos à carga.
- OK. Mas o médico disse-me que pode não ser uma gastroenterite. Parece ser um problema auto imune


- Hum???
- Aparentemente o meu sistema imunitário está "revoltado" com tudo isto e resolveu actuar.

- E isso pode acontecer? Nunca tinha ouvido falar..

- Nem eu. Mas o médico disse que às vezes acontece em situações de stress extremo. Parece que o sistema imunitário entrou em parafuso e resolveu atacar a maior doença que encontrou - Eu.


- Bolas!!! E não se pode fazer nada?
- Não muito. Aparentemente o meu sistema imunitário está de tal forma determinado a acabar comigo que é muito difícil parar o ataque. É quase poético!! O meu corpo vê-me como a maior ameaça à minha pessoa. Incrível não é?
- Nem por isso. Agora que falas nisso sou forçado a concordar com o teu sistema imunitário. O teu problema não é exterior, é interior. Estanho é só ter acordado agora.


- Estranho não é? Logo agora que estava quase a ser alguém respeitado é que eu me lembrei de acabar "comigo".

E a novela continua

A seguir à triste figura que Alegre e Louçã fizeram ontem, tivemos hoje João Soares a dar o seu pequenino contributo para a novela Acções SLN.

E se Louçã e Alegre já foram sujinhos quanto baste, Soares desceu hoje a um nível ainda mais extraordinário.

Esclarecido que ficou o assunto das mais valias, pela apresentação de exemplos de accionistas que venderam mais alto do que Cavaco Silva, e explicada a razão de ser Oliveira e Costa a despachar os pedidos de venda (direito de opção da SLN na compra das acções), já muito pouco faltaria para explorar.

Soares levou o assunto a um novo patamar.
Já não põe em causa nada disto (seria estúpido persistir...) mas questiona agora se na COMPRA as acções terão sido pagas por Cavaco Silva ou se terão sido uma oferta. E diz isto como se estivesse a descobrir o ângulo que ainda ninguém tinha visto. Seria difícil ver, porque cabecinhas suezes e desprezíveis como a de João Soares não se encontram por aí em abundância.
Já tinha visto Soares adoptar posições de uma desonestidade intelectual notável, mas agora desce a um ponto inominável.
À falta do brilhantismo intelectual do pai, do qual não passa duma mera sombra, envereda pela insinuação rasteira sob a forma de pergunta. E fica com aquele sorriso pateta de quem espera para ver se a coisa colou ou se vai enfrentar um tijolo no focinho como forma de resposta.

O problema é que à frente dele tinha Paula Teixeira da Cruz, jurista, sabedora da matéria e muito pouco disposta a engolir desaforos de ignorantes.

Sobre o código das Sociedades Comerciais dissertou um par de disparates. Atitude pouco sensata como se veio a demonstrar momentos depois ao ser cilindrado pelo saber de Paula Teixeira da Cruz que a cada afirmação patética de João Soares sorria na antecipação do massacre.
Pois João Soares não sabia do direito de opção nem sabia exactamente do que estava a falar. Como qualquer pateta especialista em generalidades esqueceu-se de que estava sentado à sua frente. Rapidamente quis desviar o assunto sem grande sucesso. Ao entrar em areias movediças o melhor é tentar a retirada.

Parece que nos últimos tempos o que o PS tem para nos dar é apenas um conjunto de personalidades incompetentes, demagógicas e absolutamente gastas.
Tentar fazer isto com Cavaco Silva é duma imprudência atroz. O homem é sério. Não arrisca nada. Segue as regras todas.
A falta de arrojo dele e de chispa são precisamente a razão pela qual ele é sério. Não lhe vão apanhar fotos com umas tipas peladas, ou vê-lo misturado em negociatas obscuras com sobas africanos, nem nada que se pareça.
Ainda por cima era um individuo respeitador e amigo dos empregados do pai. O homem é sério porra!!
É como tentar colar acusações à Madre Teresa de Calcutá!!!

Ele tem tanto de sério como de pouco interventivo. Ele prefere a estabilidade mortal à mudança regeneradora. Prefere a tradição à novidade. Prefere as regras à contestação das mesmas.
Ele foi talvez o maior aliado de Sócrates nestes anos em que o país precisava de se ver livre dos governos mais incompetentes da história de Portugal. Foi menos critico de Sócrates do que Alegre. Ele é secretamente o preferido de Sócrates porque ele sabe que com a falta de arrojo de Cavaco não vai acordar um dia e enfrentar-se com a surpresa da dissolução da AR.

Estas personagens socialistas (Soares, Alegre, Barroso e outros que tais) de cada vez que tentam explorar um filão esgotado respingam-se completamente de porcaria (como se não bastasse aquela em que chafurdam há anos).

A juntar à camisola lançada ontem pela campanha de Alegre e vista em Louçã, à saída da SIC hoje à noite  João Soares foi visto com um novo modelo.

Até agora  João Soares era apenas conhecido por outra t-shirt de enorme sucesso criada pelo PS para as eleições que lhes deram a maioria absoluta. Era, juntamente com Silva Pereira, Vital Moreira e Teixeira dos Santos um dos early adopters do modelo, que convenhamos, é muito adequado à forma como ele tem passeado pela política nacional.