E mais uma vez...

Se comprova a excelência das planeadores nacionais.

Fiquei fascinado ao ouvir a explicação do MAI acerca da falha de serviço nos sistemas de apoio às eleições.

Cidadãos que aderiram ao Cartão do Cidadão viram-se impossibilitados de descobrir em que mesa de voto deviam exercer o seu direito de votar.

Chegados à mesas descobriam que o sítio de sempre afinal tinha mudado e que agora tinham de dirigir-se à Junta de Freguesia para saber o novo local.
Em cada assembleia poderia (aliás, deveria) existir um PC com um Smart Card Reader e uma forma de poder pelo menos informar esses cidadãos.
Pode ter acontecido que eles até votassem nessa assembleia, mas não havia forma de os procurar nas listas na falta do nº de eleitor.

Mas não. À boa maneira Nacional Burocrática tinham de ir à junta de Freguesia.

Ao tentarem fazer isto deparavam-se não só com filas de espera mas também com a impossibilidade de o saber, porque os pedidos em massa puseram os sites em baixo.

O director geral afirmou que isto se devia a um número anormal de pedidos.
Duh!  Um prémio para este génio por favor.
É como aparecer alguém da SIBS a dizer que a rede foi abaixo no Natal porque houve muita gente a fazer pagamentos. Como se não pudessem antecipar esse tipo de comportamento.

A explicação poderemos encontrá-la em mais uma enorme falta de planeamento. Como se pode dizer que a responsabilidade é só dos cidadãos quando sabemos e podemos planear antecipadamente a forma como eles se vão comportar?
Como é possível que perante uma eleição em que é expectável que muita gente fique sem saber onde vota e não se reforce a capacidade de resposta dos sistemas?

Há coisas que são previsíveis: Filas nas estradas do Algarve e para o Algarve em período de férias, uso da rede Multibanco no Natal, uso das redes de telecomunicações no Natal e Ano Novo devido aos SMS enviados, sistemas das finanças nos últimos dias dos prazos.
Sites ligados ao processo eleitoral em dia de eleições...

Não prever isto e não planear para isto é um atestado à incompetência total dos responsáveis por estes organismos. Não às equipas, que não raro lutam com a incompreensão das chefias e com o seu total alheamento da realidade. Mas um responsável de serviço que fizesse uma cagada destas numa empresa com sistemas criticos iria ter muita dificuldade em manter o lugar.
Imaginem um responsável se IT do Continente a ter de enfrentar a ira do Belmiro de Azevedo por ter deixado em baixo o sistema das caixas...

Ainda me lembro há uns anos (ainda nos tempos de Guterres) que se lançou um site (alojado nos Serviços de Informática do Min da Justiça) que iria ter em tempo quase real os resultados das eleições (não me quero enganar mas acho que foi das autárquicas que "levaram" Guterres a demitir-se). Claro que os génios não se "lembraram" que ao ter um site assim, que ele iria ser bombardeado pelas televisões e pelos portugueses com acesso, que apesar de não serem muitos já eram uns bom milhares.
Adivinhem o que aconteceu... O site aterrou na primeira hora. "Levantou-se" no outro dia de manhã.
Sabem o que aconteceu ao responsável? Nada.

Deve andar por aí num organismo estatal qualquer a bater no peito cheio de orgulho e a dizer que ele foi o 1º que fez isso em Portugal. E é verdade. E foi também o primeiro a mostrar a nível nacional o quão básico e negligente se pode ser. Apesar de todos os avisos espetou-se em cheio no chão.



De cada vez que as tecnologias de informação estão envolvidas o estrondo é enorme: Eleições, Portagens, Impostos, Concursos etc etc.

Não será um caso flagrante de ter as pessoas erradas nesses lugares? Não será um caso flagrante de torrar milhões em consultorias que pura e simplesmente não fazem aquilo que deviam? Pelos exemplos que eu conheço, esse é exactamente o problema....

Quer-me parecer que é. Ao fim de tanto tempo e de tantas asneiras nesta área, quer-me parece que é.

Este Cartão do Cidadão que levou tantos portugueses a esperar em filas para o poderem obter, não é mais que uma tolice no seus aspectos práticos. Não haver um plano B é totalmente idiota. Se com um número apenas eu pudesse ser identificado este belo cartão ainda faria sentido (BI, Carta, NIF, Passaporte, Eleitor etc etc). Mas para que quero eu um cartão que tem um número e que depois no chip tem todos os outros números? E para que o quero se quem precisa de saber essa relação não tem um simples leitor de Smart Cards? Passo a levar um portátil com um leitor de cada vez que vou a algum lado?

Dantes, com os meus documentos, poderiam saber toda a informação. Agora, só com um cartão, poderiam saber ainda mais... partindo do principio que haja um PC com ligação à Internet.

Os meus parabéns para as cabeças pensantes deste país. Ficámos atrás dum país do 3º mundo no que diz respeito à condução logística dum processo eleitoral.

Isto é bem mais do que idiótico. Isto é o exemplo acabado da incompetência, negligência e total desresponsabilização das entidades que gastam milhões em ideias como estas para se ter resultados assim.
Desta vez tornou impossível a muitos portugueses votar. Nem que fosse apenas um já seria grave, mas aparentemente foram muitos mais que manifestaram a intenção de votar e não o puderam fazer.

Parece haver falta de tudo neste "estado". Inteligência, competência, vergonha e responsabilidade.
Algo está mal, muito mal.

PS. Uma pequena sugestão... Imprimam no cartão os números que podem ser lidos do chip. À falta de leitor há um Plano B.
Mas pergunto eu... Se o chip (que não sei quantos Kb leva) não tem o número de eleitor, BI, NIF, SS, para que serve verdadeiramente? Já é um bocado estranha a sua utilidade se não existe uma consolidação de números.
Porque não podemos votar com o nº do BI? Para que serve o número de eleitor? Porque não posso ter um nº de identificação fiscal que é o mesmo do BI? Tantas perguntas que se calhar só têm uma resposta: è muito complicado e os diversos organismos nunca aceitariam...

Um certo desassossego

Desde há muitos anos que me sinto  deslocado em relação ao que se passa neste país.

Os portugueses têm uma forma especial de transformar qualquer força construtiva em algo de profundamente pernicioso e que acaba por os destruir.

Desde o tempo em que este país se pôs direito (depois da entrada para a CEE) que sinto que se começou a construir aquilo que somos hoje. E não construimos grande coisa.

Assistimos ao desbaratar de dinheiro da CEE em esquemas apenas destinados a sacar o máximo possível sem pensar minimamente nas consequências.

O lucro fácil, a redução de tudo a uma questão de ganhos ou perdas começou a minar a nossa forma de pensar a um ponto em que deixou de ser perceptível.

Tornámo-nos individualistas, imediatistas e muitíssimo cegos em relação a tudo o que nos rodeia. Enquanto eu estiver bem, tudo está bem.

E assim nos enfiámos no buraco.

As ideologias foram-se. A ponto de ser quase um insulto dizer a alguém que ele é um idealista.
O querer melhores condições de trabalho transformou-se numa questão de "esquerdistas". As empresas tornaram-se implacáveis na forma como tratam alguns trabalhadores e aceitam tudo a outros. A forma como se cobrem de luxos e regalias alguns dos gestores por oposição às condições miseráveis a que se  reduz outros são vistas apenas de uma forma : Ainda bem que não é comigo.

O estado transformou-se num feudo parecido a uma empresa privada onde gestores incompetentes contornam as regras sempre que querem. O próprio Estado usa e abusa do recibo verde nas suas contratações. As empresas claro está lançaram o mote com o beneplácito do Estado e das instituições que deviam controlar este estado de coisas.

Desde o tempo das entradas de dinheiro da CEE que alguém com dois dedos de testa poderia perceber que assim não tínhamos futuro. Viver num país que tem um deficit em relação ao que produz ano após ano tornava isto inevitável.
O país transformou-se numa enorme actividade especulativa que apenas consiste em acrescentar margem de lucro a qualquer coisa.

Destruiu-se o pequeno comércio e subordinou-se o que sobrou à mão de ferro das administrações dos centros comerciais. Só no governo de Guterres as licenças emitidas para grandes superfícies foram da ordem das centenas.
Proletarizou-se o empregado do comércio. Hoje, em nome da comodidade dos portugueses que "trabalham", também estão abertos ao Domingo.
A suposta de criação de alguns postos de trabalho com esta medida não parece ter tido qualquer reflexo nos números do desemprego. Mas agora os portugueses estão mais cómodos e isso é bom para eles individualmente e isso é tudo o que interessa a cada um deles. Que se lixem os outros.

A explosão do sector financeiro com os seus mega ganhos levou a que o lucro fácil se tornasse extremamente apelativo. À semelhança do que se passou com a bolha tecnológica dos anos 90, houve gente a ganhar milhões com "negócios" que não valiam nada. Conseguiram financiamentos de bancos usando gente influente para dar alguma respeitabilidade à coisa. Passearam-se em automóveis de luxo em ALD para de uma penada acabarem, deixando os bancos com a dívida, os investidores com o prejuízo e os "gestores" com uns trocos guardados em qualquer lado. Para os portugueses parecia estar tudo bem. Para os bancos não havia azar. Entrava tanto dinheiro que bem podiam assumir as perdas. Concediam-se perdões a dívidas de milhões.

Acenou-se a todos com o crédito fácil e a casa dos sonhos. O Imobiliário singrou. Todos os dias os apartamentos ficavam mais caros. "mais vale comprar já porque para o mês que vem está mais caro" diziam os vendedores.

As pessoas passaram a comprar um telemóvel, não porque pode fazer falta ligar para alguém, mas sim por causa dos "negócios" a julgar pela forma como as operadoras concebem a sua publicidade.
Deixou de se beber um sumo porque e agradável. Passou a beber-se por causa do lifestyle que isso representa.


Criou-se um ensino privado de qualidade mais do que duvidosa para empolar os números de licenciados e fazer entrar nos bolsos das "universidades" milhões em propinas.
À saída os licenciados percebiam o que valia o seu curso.... um lugar num call center a vender a ultima maravilha da tecnologia.
Algumas dessas universidades pura e simplesmente fecharam. Os casos Moderna e Independente foram os dois maiores estrondos.
Inventaram-se MBA de conclusão garantida em troca de um valor simpático de "propinas".
Hoje temos uma extraordinária quantidade de Masters em Business Administration que gerem as mais variadas coisas. Na maior parte das vezes sem capacidade, sem estofo moral e sem tomates.

Transformou-se um país numa faixa no litoral (Cravinho dizia que tínhamos de ter uma megalópole junto à costa). Destruiu-se o interior e reduziu-se a economia a pó.
As pessoas foram reduzidas a números em estatísticas manipuladas pela conveniência de políticos medíocres.

Passou a ser mais importante parecer do que ser. Parecer rico, parecer que se tem berço ou classe, parecer que se é inteligente. Nas empresas gente muito limitada adoptou um discurso meio aparvalhado com o qual não diz nada. Imparidades, balizar, assesment, task force.... Em suma, nada. Sem substância, sem qualidade sem significado.
Os portugueses passaram a querer o LCD, o LED TV , o iPhone e o GPS. Deixaram de saber para onde vão e nem querem saber. Em qualquer período eleitoral um político vende-lhes a seriedade ou a revolução e prontamente eles tomam partido. Aqueles com que simpatizam nunca são capazes de ser desonestos e aqueles com que antipatizam são SEMPRE desonestos.
Perderam completamente a noção do que está certo ou está errado. As coisas resumem-se a quem ganha mais ou quem ganha menos do que eles. Quem ganha mais nunca o merece e quem ganha menos não faz por merecer. Tornámo-nos um país de fdp insensíveis, egoístas e invejosos.

Quanto mais vazio e desprovido de substância melhor. A superficialidade total. O que aliado ao proverbial alheamento da realidade dos portugueses criou uma bomba relógio de enormes proporções (o português quando tem um problema finge que ele não existe e, como que por magia, ele deixa de existir)

Tudo isto não começou agora. Começou nos 90. Nos gloriosos 90 em que o dinheiro vinha a rodos para Portugal. Hoje estamos metidos num sarilho.

Pessoas como Cavaco Silva, Manuel Alegre e até Louçã (se bem que por razões diferentes e opostas) são um produto dessa época. Louçã era um tonto do PSR, cheio de si, que capitalizou com o descontentamento crescente duma camada da sociedade vitima desta mentalidade e com uma juventude totalmente ignorante do ponto de vista ideológico e político.
Acenem-lhes com a despenalização dos charrinhos e eles votam em qualquer coisa. A argumentação adolescente e radical do BE atraiu 12% de jovens de desiludidos e de revivalistas da extrema esquerda habituados a recitar Marx e a acreditar que a utopia é possível.
Os anacrónicos comunistas por cá se vão mantendo. Metendo uma mão à frente dos olhos e negando a Glaznost e a Perestroika. Expulsando os dissidentes. Que prontamente foram parar ao PS.

Vital Moreira, Pina Moura, José de Magalhães e outros que tais abandonaram a linha do partido e nunca viveram tão bem. Até esses meteram os ideais no saco e se fartaram de lutar pelo "povo" trabalhador. Seja como for eram intelectuais e esses, já se sabe, olham para o povo como se fosse uma massa amorfa, manipulável e muito pouco digna de respeito. Invoca-se apenas quando é preciso legitimar uma tropelia qualquer ou quando é preciso um lugarzinho ao sol numas eleições.

Apareceu uma nova geração de políticos vazios e incompetentes apenas preocupados em gerir a sua imagem mediática.
Aparecerem jornalistas vazios e incompetentes que tornaram estes políticos possíveis.
Apareceram comentadores incompetentes mais determinados em "fazer" opinião do que em dar opinião. Nem a que fazem nem a que dão é grande coisa na maior parte dos casos. Desde fala baratos imberbes a iconoclastas de meia idade de tudo se passeia pelas televisões.

A informação imediatista e superficial de uma TSF ou de uma SIC Notícias sobrepuseram-se à qualidade de investigação e profundidade da análise. Tornámo-nos "Americanos".

Até já estamos a ficar gordos como eles e estúpidos e consumistas como eles. Só não adoptámos a sua capacidade de inovação e empreendedorismo. Só copiamos o pior.

Não é na minha vida que isto vai mudar. Uma alteração social que abarque gerações tem de ter na sua génese algo de muito radical e renovador. Os políticos que chegam conseguem ser piores que os anteriores. Os gestores novos são ainda piores que os anteriores. Afinal toda esta gente perdeu o sentido do que está certo e viveu num pântano ético toda a sua vida adulta. O mérito e o esforço não faziam parte dela.

E esses irão lutar sempre por manter a mediocridade. Alguém de qualidade será sempre torpedeado pelos medíocres. Eles não querem que seja evidente o quão medíocres são.

Vamos para umas eleições em que os representantes desta era são os mais bem colocados para ganhar. Não admira. A presidência é o prémio para aqueles que já "serviram" a nação (e aparentemente se serviram dela) e que precisam de 10 anos descansados.

Vai chegar o dia em que veremos Guterres e Durão Barroso como candidatos. Ainda falta mais um ciclo de porcaria. As coisas vão piorar antes de ficarem melhores.
Temo bem que eu já não veja a parte ascendente da curva.
Temo bem que o fundo da curva seja um sacudir da porcaria por parte duma sociedade farta e cansada deste estado de coisas. E isso demora até acontecer.
Da última vez foram 48 anos. Ainda faltam 12.

O exemplo da virtude

Hoje o Público anunciou que a casa que Cavaco Silva comprou na urbanização da praia da Coelha passou por episódios mais ou menos confusos com o pedido da licença de habitação antes da aprovação da licença de construção.

Mas de tudo isto a parte mais preocupante a meu ver é o próprio jornal Público.
Quando li este artigo de manhã ele falava também de uma bizarra permuta entre a casa antiga de Cavaco Silva (a famosa vivenda Mariani) e a nova casa na praia da Coelha.
A avaliação da casa anterior tinha rondado os 135 mil Euros e na permuta tinha sido atribuído um valor semelhante à casa nova.

Ora acontece que no artigo agora publicado no jornal de nada disto se fala. Fala-se apenas dos pormenores do licenciamento.
E se as questões do licenciamento podem até ser explicadas pela desordem e anarquia que reina em muitos serviços camarários do país, um negócio de valor simulado para fuga ao fisco é uma coisa muito mais grave.

É que estamos a falar de um lote de 1891 metros quadrados a 600 metros da praia e de uma casa com uma área bruta de construção de 620 metros quadrados. A tipologia também não está nada mal:

A obra licenciada, com cave, rés-do-chão e primeiro andar, incluía cinco quartos duplos e um simples, todos com casa de banho, e totalizava uma “área bruta de construção” de 620m2, sendo a chamada “área útil” de 388m2 e a “área habitável” de 242m2. O projecto previa também uma piscina de 90m2.

Nem só o lote teria esse valor. Por essa altura um lote de menos de 1000 metros quadrados a bem mais do que 600 metros da praia era impossível de comprar por menos de 150 mil euros. Acreditem em mim que eu tentei.... Nessa altura ainda era em escudos mas não encontrei nada com valores abaixo de 30 mil contos só pelo lote. E em nenhum dos casos se ficava a uma distância da praia inferior a 2-3 Km. Bati aquela zona da costa toda entre Albufeira e o Alvor. Acontece que na zona da Coelha o preço era proibitivo. Parti para outra. Acabei por decidir que com aquele valor mais valia ir comprar casa de férias em Espanha, mas mesmo assim não o fiz e estou contente por não o ter feito.
Ora pensarmos que um lote deste tamanho com uma casa desta envergadura pode custar esse valor (ainda que com as obras incompletas e pagas pelo comprador, que não sabemos se foi o caso) é no mínimo ridículo.
Acontece que o fisco andou a investigar muito boa gente por suspeita de negócios simulados com o objectivo de fugir ao fisco no que dizia respeito a sisa e do lado dos construtores com fuga ao IRC.

Seria interessante perceber se o mui sério Cavaco Silva escriturou de facto a casa por este valor. Em quanto fugiu ao fisco na sisa e em quanto tem defraudado o estado em Autárquica e em IMI.

Isto é no mínimo vergonhoso. Não é menos vergonhoso o facto de o Público ter feito desaparecer esta informação do artigo em que citava alguém ligado ao imobiliário dizendo que por esse preço só se comprava uma ruína a 15 Km do mar.

De facto a minha convicção de que Cavaco Silva é sério fica profundamente abalada com esta notícia. É que por esta altura comprei eu a minha casa de habitação e foi bem mais cara do que isto. Tem uma tipologia bem mais modesta. Ainda me lembro (e dói-me profundamente) o que paguei de Sisa. Devo acrescentar que o construtor me propôs um "negócio" que envolvia dinheiro em notas no sentido de "beneficiarmos os dois". Mandei-o dar uma volta, porque apesar de não fazer tenção de me candidatar a nada, ainda tenho algum sentido de ética e achei por bem cumprir as leis vigentes. Esses pruridos parecem não afectar pessoas como Cavaco ou como Sócrates que fazem fabulosos negócios de imobiliário no fim dos 90 e no inicio de 2000 a preços de 1980.

Os meus parabéns aos dois pela eficiência em encontrar bagatelas. Estúpido sou eu que não procurei com suficiente afinco e acabei por pagar muito mais por muito menos.

É este tipo de exemplo que leva o português a achar que é legítimo fugir ao fisco sempre que pode. Não o podemos censurar. Exemplos como estes de gente com as mais altas responsabilidades no aparelho de Estado são a prova mais que provada que os Portugueses têm razão.

Quero manifestar ao dr. Cavaco Silva o meu parecer sobre a proposta que fez de criar um imposto adicional para aqueles que têm mais rendimentos e provavelmente já estão no escalão de IRS de 42%:
Sr. Dr. vá-se f****!!
Espero bem que revejam o valor patrimonial da sua casinha modesta no Algarve de forma a ter de desembolsar uns milhares de Euros por ano de IMI. Se tiver dificuldades em pagar, sempre pode usar a modesta reforma da sua esposa. Pode meter as suas virtudes onde já sabe e vá para o raio que o parta com a sua seriedade.

Quanto ao Público, pena é que seja em formato digital. Em papel teria um destino muito pouco nobre.

Em linhas gerais, era este texto que constava do Público hoje de manhã (o excerto é da revista Visão) e que foi retirado do artigo que agora está linkado neste post


Cavaco Silva entregou a casa Mariani e recebeu a Gaivota Azul, cada uma avaliada pelo mesmo valor de 135 mil euros, em 1998. Mas só declarou, na troca, um "terreno para construção" [registado com o mesmo valor, 135 mil euros]. (...) Este tipo de permutas, entre imóveis do mesmo valor, estava isento do pagamento de sisa, o imposto que antecedeu o IMI, e vigorava à época. Mas a escritura refere, na página 3, que Cavaco Silva recebe um "lote de terreno para construção", omitindo que a vivenda Gaivota Azul, no lote 18 da Urbanização da Coelha, já se encontrava em construção há cerca de nove meses. (...) Não houve lugar a qualquer pagamento suplementar por parte de Cavaco Silva à Constralmada. A vivenda Mariani, mais pequena, e que na altura tinha mais de 20 anos, foi avaliada pelo mesmo preço da Gaivota Azul, com uma área superior (mais cerca de 500 metros quadrados), nova, e localizada em frente ao mar.

PS. Estou mesmo muito muito zangado. Não é desapontado porque esta corja já não tem forma de me desapontar. Estou mesmo furioso... Não há um tipo sério neste país? Desde o espertalhoco de bairro até ao Presidente da República é tudo farinha do mesmo saco?

O professor Martelo

e as suas análises.

Pode ser por estar mais ou menos deprimido nos dias em que o ouço, mas noto que cada vez mais me encontro a discordar do que ele diz. E não é do conteúdo, mas sim da forma como tira as conclusões.

O problema parece estar na forma como Marcelo deixa transparecer uma certa arrogância ao achar que sabe como as pessoas pensam em todo e qualquer momento.

As suas análises são muito tiradas a régua e esquadro, como se todos fossem lineares, previsíveis ou movidos pelo mesmo tipo de raciocínio.

Isso faz com que a sua forma de analisar se torne parecida com os métodos quantitativos que os pobres dos americanos gostam de aplicar a tudo. Para eles tudo se reduz a números. Se não tiverem um índice ou uma métrica qualquer para analisar um fenómeno estão perdidos.

O expoente máximo desta forma de análise era a redução de tudo a uma nota que ele dava às pessoas no fim das suas dissertações.

Mas recentemente, apesar de ter perdido essa mania, começo a ver nele a incapacidade de ver nas decisões dos outros a falta de raciocínio analítico.

Para ele uma acção só pode ter uma reacção. É como se ele fosse o master pupeteer de todas as cabeças e todas as consciências. E devo dizer-vos que acho isso profundamente irritante.

Irritante e dado a falhas estrondosas de análise. Apesar do seu brilhantismo intelectual ele parece desconhecer a forma como os menos brilhantes (ou mais sabe-se lá) funcionam. Parece achar que o facto de Cavaco bocejar pode significar a perda de 1473 votos nas presidenciais, ou o facto de Nobre não saber falar lhe vai custar a posição final para Alegre.

Como diriam os nossos grandes amigos americanos - Bullshit.

Eu diria que em vez de se por a fazer esse tipo de dissertações, seria talvez altura de realmente se empenhar em dar o seu contributo para um país no qual os governantes parecem ter perdido toda a qualidade intelectual. Os seus dotes mentais seriam muito melhor aproveitados em ajudar a retirar este país do fosso em que caiu. A elaborar estratégias a médio e longo prazo para um país que não as tem há dezenas de anos.

Em vez de visualizar o que se passa à sua volta como um jogador de xadrez antecipa lances numa enorme quantidade, use esses dotes para pensar no plano A, B C e D para um país sem planos.

Calculo que se entrasse na vida política perderia muito do rendimento que obtém com a sua actividade, mas também acho que não deve andar a contar os tostões e que uma passagem por um qualquer lugar de responsabilidade seria bom.

É daquelas situações de make or break, mas pelo menos ponha as mãos onde põe a boca. Arrisque-se a ser criticado em vez de criticar.

Claro que precisamos de quem pense, mas precisamos também de quem faça. Com Marcelo a prever as consequências de uma qualquer lei não teríamos surpresas desagradáveis. O tipo de surpresas que os imbecis que nos governam parecem nunca antecipar.
Precisamos duma mente capaz de prever o que acontece se uma borboleta bater as asas em Singapura.

Vá lá professor, dê um passo em frente. Ponha-se a jeito para ser convidado. Ou repugna-lhe a ideia de ter um 1º Ministro menos brilhante intelectualmente que você? Não há muito a fazer nesse particular pois não?


PS: Aos seus comentários mais recentes dou um 13. Não está lá mas com esforço pode lá chegar.

Estamos quase a ir votar

E eu tenho um duelo interior a decorrer.

Cavaco Silva, o homem que aceitou dinheiro da comunidade Europeia em troca da destruição do sector primário em Portugal, clama agora por um Ministério do Mar. Apela aos agricultores que nos dêem alguma auto suficiência alimentar.

Curioso como em 20 anos se defende uma coisa e o seu contrário. Como se ajuda a criar um país de terciário e se pede agora a produção de bens transaccionáveis tendo sido em grande medida o obreiro da destruição do sector primário e secundário da economia.
Criou um país que viveu de acrescentar uma margem aos que os outros faziam de forma consciente e planeada.
Disse que a construção civil era a principal indústria do país (pelo seu efeito multiplicador) quando o efeito multiplicador foi aniquilado com a concorrência de países com uma produção com muito melhor preço e design.
Adoptou uma posição de subserviência ao aceitar reduções de quotas pesqueiras e agrícolas.

Apesar de nos ter dado um forte sector financeiro, também nos deu a noção de que isso era a única coisa que interessava. Isso era importante para financiar as casas que todos os portugueses precisavam de comprar.
Essa loucura imobiliária destruiu os centros das cidades descaracterizou a paisagem e deixou as câmaras municipais (curtas de vistas) a esfregar as mãos de contentes com as contribuições. Mas agora vêm-se a braços com a desertificação dos centros, das casas devolutas e degradadas e ajudou ainda mais a destruir o mercado do arrendamento.
E depois em tom grave e sério adverte as pessoas para os problemas do sobre endividamento das famílias e do próprio país?

Será que quero um presidente com uma memória mais curta que a minha?
Será que a presidência é sequer relevante?

Poderia ser. Se não tivéssemos um presidente que se sentisse tão superior e apartidário ao ponto de ter medo de tomar decisões de acordo com a sua consciência. Ao menos Sampaio ajudou o partido pondo fora um governo que visto hoje era infinitamente menos incompetente que os de Sócrates. Ao menos Sampaio não se apoquentou com as criticas. E na verdade não as houve em grande volume.

Cavaco, imóvel, exercendo uma magistratura de influência (ou lá o raio que é aquilo que ele faz) nada faz. Nem sequer influência. Sócrates está-se literalmente nas tintas para ele. O PS com a sua maioria absoluta fez gato sapato de princípios éticos e do estado de direito como quis. Cavaco discursava. Mandava recados, diziam os comentadores. Diria eu que isso é um comportamento típico dos cobardes. E cobardia em assumir as suas responsabilidades foi o que Cavaco demonstrou até à exaustão.

Como sugestão para Cavaco deixaria uma ideia - vá com os seus recados e discursos para o raio que o parta. Actue, porra!

Alegre não se encontra.  Não sabe se é de esquerda se é um burguês diletante. Não sabe como há-de explicar o apoio entusiástico a quem o derrotou nas eleições para o partido e o seu apoio acéfalo a todas as tropelias que o PS fez com a maioria absoluta.
É este Alegre que fala do Estado Social? Só se for Social para "ele". É que os pagadores de impostos com o fruto do seu trabalho já há muito tempo que sabem que não há estado Social.
Na cabeça de polpa de Alegre alguém que ganhe mais de 1500 Euros por mês já não deve ter direito a nada que o Estado Social tenha para dar. Ele TEM de acreditar nisto. Afinal sempre votou alinhado com o conceito de "rico" que o manipulador de marionetes socialistas tem.
Agora veste a capa de protector dos desfavorecidos, enche-se de prosa de Coimbra e vai travar o combate pela democracia. A democracia que o sustentou durante 36 anos e que deixou de existir para os cidadãos que o elegem numa lista de um circulo eleitoral qualquer.
Poderia quase pensar que Alegre tem Alzheimer.  Esquece-se. De quem é, de quem foi, do que fez e até de que dinheiro recebeu e para quê.
Não passa dum mistificador com arremedos de revolucionário. Produto de uma época passada.

E mesmo que não tivesse defeito nenhum, só o facto de se aliar ao inenarrável Louçã já seria razão suficiente para nem sequer o considerar. Infelizmente esse não é o único defeito que tem. Ainda há memória e gente como Alegre é especialmente repugnante. A sede de ribalta, o ego e a incapacidade de perceber a falta de coerência que mostra, são razões mais que sobradas para nunca ser uma escolha.

O Sr. do PCP ainda está algures em Estalingrado e cantar a Internacional. É a única conclusão a que posso chegar quando o ouço dizer que é o candidato em melhores condições para disputar a  segunda volta com Cavaco.... (???)
Este está tão louco como os generais que achavam que cargas de infantaria a pé nas planicies de França durante a 1ª Guerra iriam assegurar a vitória.
Em 1º lugar sr. Lopes, não vai haver segunda volta. Em 2º lugar sr. Lopes a sua candidatura decrépita vai ter uma votação que não chega aos 2 digitos. Diga não à drogas. Não lhe estão a fazer bem nenhum.

Defensor Moura nem parece ser relevante no Norte onde foi presidente de Câmara. Com a história do "dou-lhe dois dias para se explicar" parece claramente dar-se mais importância do que o povo português lhe dá. E agora pergunto eu: E se Cavaco se estiver a c**** para si como tudo parece indicar? O que faz? Vai a casa dele e bate-lhe? Tenha juizo homem! Saia da reforma e volte a exercer como médico e tente não matar ninguém. Do ponto de vista de ideais políticos até eu tenho mais coerência do que você e não sou político profissional. Nem político sou.

Tenho de confessar que Nobre é o único que me merece o reconhecimento de ser um Homem. Sempre primou pela sua entrega aos outros. Sempre foi perseverante e sempre atingiu objectivos quase impossíveis. Infelizmente não tem o dom da palavra nem está habituado às tricas palacianas e às formalidades da política. Mas ainda assim não posso deixar de lhe reconhecer aquilo que nenhum dos outros tem - Espírito de serviço e capacidade de sacrifício. É o único em quem ponderaria votar.

Claro que os comentadores têm analisado todo este processo eleitoral exaustivamente.
Desde as platinas trabalhadas das Purdeys até à gravitas de cavaco (esta é de um comentador que ouvi na TSF que em dois dias usou a mesma palavra em latim para dar mais peso à sua enorme sapiência e gravtitas comunicacional. Para ele gostaria de deixar esta frase - ne supra crepidam sutor iudicaret ) até a um Marcelo que ainda acredita que a politica é matemática com as suas relações causa efeito de um rigor estonteante e que falham quase sempre (mas se não falham é porque são verdades de La Palisse ou porque ele depois dá o spin contrário à coisa).
Não é por acaso que como líder partidário Marcelo foi uma nulidade. Talvez se pusesse com os seus excessos analíticos a tentar perceber um partido que apenas queria poder e dinheiro (e quanto mais melhor).

Toda esta campanha é fastidiosa, vazia e inútil. Todos estes comentaristas sobressaem pelo comentário bacoco, inútil e tão desviado da realidade e do fundamental como os próprios candidatos.

Com este cenário como é que eu escolho um? O menos mau?