SNAFU (Situation Normal. All Fu***d Up)

Dalila Araújo disse hoje no forum TSF que não sabe o que se passou e que causou a falha generalizada dos sistemas em dia de eleições.
Vão pedir à Universidade do Minho que faça uma auditoria para terem a certeza do que falhou.

Isto é realmente fascinante. Não sabem.

Mas aparentemente eu não falho nas minhas assumpções. Tinha escrito que devia haver fornecedores externos envolvidos e de facto havia - A Critical. A empresa que faz software para a NASA e que vai fazer a nova aplicação para os tribunais (migração para .NET) do Citius. Ganhou o contrato por ajuste directo e por um valhor que foi noticiado como sendo de 1 milhão de Euros.

Eu disse também que não acreditava que tivesse havido qualquer teste de stress aos sistemas.
Uma notícia do Público revela que chegou a haver 22 mil pedidos num minuto.

Ora acontece que o mais certo é este número ser manipulado.
E porquê manipulado?
Na verdade, quando se entra na página em que se pode saber a informação de eleitor, pedir a página significa pedir 49 elementos ao server (página, imagens, css e scripts contidos na mesma). É transferido um volume de 800K para o PC de quem consulta pela primeira vez. Em vezes seguintes haverá algumas coisas em cache mas mesmo assim o pedido e a resposta (304 Not Modified) são enviadas na mesma (só que a carga no servidor é muito menor).

É nesta página em que se coloca a identificação do cartão  e a data de nascimento e se recebe a informação de eleitor.

Se tivessem sido pedidos num minuto 22 mil informações destas daria 366 por segundo. Ora eu tenho muita dificuldade em acreditar neste número. Acredito mais que tenham olhado para os pedidos de cada IP à pagina de entrada e tenham visto nos logs os 49 elementos por página que são enviados para o browser de quem pede.
Sendo assim o número de pedidos será mais ou menos de 49 pedidos/respostas por cada visita à página.
Se for este o caso a carga é absolutamente marginal. Rondaria os 7 pedidos por segundo em situação de pico.
Acontece que independentemente do número de elementos na página só será gerado um pedido do nº à base de dados (a menos que alguém peça muitas vezes).
Acredito que tenham dado um valor de "requests" ao server e não de "requests" à bd que são certamente muito menos.

A minha opinião é que a estatística é verdadeira, mas manipulada pura e simplesmente para se adaptar ao cenário da carga catastrófica impossível de prever. Provavelmente se revelassem a verdadeira carga por segundo as pessoas mesmo não sabendo o que é normal encolheriam os ombros e diriam : Não parece nada de extraordinário...

Deu também para ver usando o Page Speed da Google que a página em causa tem muito por onde optimizar. Desde compressão até erros cometidos na estrutura da mesma que têm impacto na performance (e obviamente na carga dos servidores).

Mas o que acredito que tenha falhado foi a parte em que é feita a interrogação à BD. Se este for o estrangulamento (a BD) isso pode explicar porque é que todas os canais ficaram em baixo - Internet e SMS.
Isso é claramente o tipo de falha que se pode antecipar e para a qual tem mesmo de haver testes de stress.

Seja como for, este tipo de situação só revela a que ponto estes sistemas estão vulneráveis a ataques de Denial of Service. Basta afogar o(s) server(s) com pedidos. Não existe nenhum mecanismo que evite uma enxurrada de pedidos que cause o rebentar do sistema. Os meus parabéns aos implementadores.

Quer saber o que se passou Sra. Secretária de Estado?

O cliente não sabe o que comprou
O fornecedor sabendo isso fez o que quis com enorme liberdade
O cliente não deve ter exigido testes minimamente credíveis
O fornecedor terá feito os testes necessários para ter a certeza que a coisa funcionava e ia buscar a massa do contrato
O cliente todo ufano aceitou. Não acautelou o que devia, informando os cidadãos nos dias antes das eleições.

Já ouvi gente, com considerável despudor, culpar os portugueses que deixam sempre tudo para a última da hora.
A palavra SEMPRE é muito importante. Se assim for pode SEMPRE planear-se que isso vai acontecer. Só que no caso houve muito boa gente que ao tirar o cartão do cidadão viu a sua identificação eleitoral mudada sem saber. Um processo a que eram completamente alheios. Sendo assim não se pode assacar a responsabilidade a essas pessoas porque elas pensavam, e bem, que o sitio onde votavam e a sua identificação se mantinham. Não receberam qualquer aviso.

Durante os dias que antecederam o acto eleitoral não assisti a qualquer aviso nos media para que os portadores do cartão do cidadão fizessem esta pesquisa. Pode ter acontecido mas eu não vi. E eu consumo bastante televisão em prime time e em mais que um canal...


No meio disto tudo, a responsabilidade técnica do falhanço é apenas uma parte do problema. A falha de gestão destes processos é tão ou mais importante que a falha técnica.

Se estes processos fossem conduzidos como deve ser, nunca a administração pública aceitaria pelo preço que aceita, as aplicações que vai comprando às empresas do "regime".

Os dois responsáveis que se demitiram têm uma responsabilidade não nula no acontecido. Seja como for são os responsáveis da área e devem assumir as responsabilidades de toda a área. Afinal é para isso que ganham mais que os outros e têm regalias que os outros não têm.

Mas a iniciativa política de avançar com estes serviços (Cartão do Cidadão) para tirar dividendos imediatos sem pensar no que se vai passar a seguir, vem de cima.. Vem do Ministro e do Conselho de Ministros.

Mas esses já têm os cordeiros sacrificados para apaziguar os Deuses. Já podem descansar em paz

O mentiroso

É fascinante a duplicidade dos portugueses no que diz respeito a questões de justiça.

Já o líder da Legio V Alaudae dizia que os Lusitanos nem se governam nem se deixam governar. Após 20 e qualquer coisa séculos continuamos na mesma.

É que não há forma de agradar a esta gente. Somos um país de péssimos perdedores. Portugal é o país onde o fair play morreu a todos os níveis. No desporto, na política nas relações pessoais. Somos um povinho sem elegância nenhuma quando perde. Pior só a Albânia, caramba.

Silvino veio dizer na Focus que se fartou de mentir. Que o fez porque teve "pena dos rapazes" e que os condenados estão todos inocentes.

Que dilema.... Então mentiu antes e agora disse a verdade? Isto obviamente dum pedófilo confesso que não hesitou em violar os rapazes de quem agora tem pena. Interessante. Quando eram indefesos ele não tinha pena nenhuma. Agora que são adultos e lhe podiam pregar uns murros no focinho tem pena deles.

Duma assentada acusa a PJ de forjar tudo e mais alguma coisa. De forçar reconhecimentos e depoimentos. Nunca viu nenhum dos condenados e afinal é tudo uma cabala.

O estranho é que Jorge Ritto era bem conhecido por episódios destes dentro e fora de Portugal. No corpo diplomático o nome de Jorge Ritto estava sempre associado a "coisinhas" destas. Causou alguns embaraços ao Min dos Negócios Estrangeiros ao longo da sua vida de diplomata.

Mas, claro, neste caso é "inocente". Um Santo...
Dos outros não faço qualquer avaliação, mas acho estranho que perante tanta prova testemunhal e não só, eles tenham sido vitimas das circunstâncias.

Perante esta entrevista há já uma série de chicos espertos a pretender que Silvino seja ouvido na Relação, apesar da Relação se debruçar apenas sobre a matéria de direito e não de facto.

Aparece agora no Público uma notícia que refere que em caso de confirmação das sentenças, nenhum dos condenados, à excepção de Silvino, poderá recorrer para o supremo, uma vez que as penas são inferiores a 8 anos.
Aparecem comentários como estes no Público On Line:

A justiça é uma palhaçada...Se não podem recorrer para o supremo, então para onde? Recorrem para o Tribunal Europeu dos Direitos do Humanos? A justiça é uma palhaçada. Se mentiu deveria ser punido. Se agora falou verdade houveram condenações injustas. Então que justiça temos?

Mais um exemplo da injustica.Eu nao digo isto em defesa destes condenados. Mas que justica e essa? Digamos que um cidadao inocente recebe uma pena de dois anos, por um crime que nao cometeu. Quer essa justica injusta, dizer que ele nao pode recorrer ao supremo? Ai meu Deus! Tanto que o povo portugues tem que aprender, o que e verdadeira democracia.

Se há um par de meses atrás se defendia a castração com uma faca ferrugenta destes condenados, agora brada-se porque apesar de todos os recursos que fizeram de todos os despachos e mais um, de levantarem incidentes de recusa de juíz, de terem evitado depoimentos para memória futura etc etc, em suma, terem ajudado o processo a demorar o tempo que demorou e recorrerem para a relação depois da condenação, ainda há alminhas que ficam chocadas por eles não poderem recorrer ao Supremo!!!

Se calhar os mesmos que bradam pelo excesso de garantias dos arguidos bradam agora por esta falta de direito à defesa!!
Não chega já? Quem é que tem a capacidade económica para sustentar o chorrilho de recursos que estes arguidos fizeram ao longo do processo? Quantas pessoas têm condições para recorrer sequer à Relação?

Então depois disto tudo ainda se brada por falta de garantias de defesa? Oh meus amigos, vão para o raio que os parta.
Depois de tudo o que se passou, basta um pedófilo confesso, (sem tirar nem por, um ser desprezível) vir fazer umas declarações dizendo que mentiu em tribunal para que todos embarquem na conversa?
É como se o Sócrates aparecesse amanhã na televisão a prometer que ia criar 250.000 empregos.

E para aqueles que confundem democracia com a aplicação da justiça: São duas coisas distintas. Não se condenam ou absolvem pessoas por voto popular, ao contrário do que parecem pensar os políticos corruptos deste país. A Justiça tem regras, estabelece garantias, o Estado até paga as defesas oficiosas a quem não pode pagar (de má qualidade é certo, mas paga), e não pode ser transformada num plebiscito entre os que não percebem um co**** de direito e da lei em geral. Não pode ser o domínio daqueles que a única coisa que sabem fazer em relação à lei é desrespeitá-la sempre que podem.

Tenham ao menos consciência da incapacidade que a maior parte dos cidadãos tem para comentar questões de justiça e de leis.
Controlem-se. Este ruído de fundo de cada vez que há questões relacionadas com a justiça é profundamente irritante e só põe a descoberto o ignorantes que são a maior parte dos comentadores nos jornais on line.

Será que o PSD tem razão?

Aparentemente sim. Mas só aparentemente.

A verdade é que com a demissão do Ministro Rui Pereira nada se resolveria.
A incompetência não está neste caso ao nível do ministro mas sim do Director que se desresponsabiliza completamente com este falhanço patético dos sistemas de apoio ao acto eleitoral em dia de eleições.

A incompetência do ministro só existe na medida em que aceita as explicações totalmente infantis ao responsável da área e não o convida a demitir-se.

Aliás, um responsável com algum brio, apuraria a razão dos serviços ficarem indisponíveis numa situação destas, assumia as suas responsabilidades e punha o seu lugar à disposição.
Ainda posso compreender que o site da CNN tenha ido abaixo num dia como o 11 de Setembro. O site foi bombardeado de todo o mundo para obter notícias.
Mas estes serviços?

Estes serviços nunca teriam uma carga sequer semelhante a uma situação dessas. Se cada português com cartão de cidadão fizesse um pedido durante o dia seriam 4.4 milhões de pedidos. Divididos pelas horas do acto eleitoral seriam 440.000 por hora o que dá qualquer coisa como 122 pedidos por segundo.

Destes 4.4 milhões com cartão do cidadão, muitos ainda têm o seu nº de eleitor e não precisaram. Outros já tinham sabido antecipadamente e não esqueçamos que houve 53% de abstenção.

Façamos um pequeno exercicio:
Assumimos que houve abstencionistas com e sem cartão de eleitor. Rachamos ao meio.
2.2 milhões  de portadores de cartão do cidadão votaram.
Assumamos que 20% não sabia o número de eleitor e precisou de saber - 440.000.
Estes 20% precisaram de saber ao longo das 10 horas de abertura de urnas.
44.000 por hora, o que dá 12.2 pedidos por segundo.

Quanta abstenção significou esta falha? Não sabemos e nunca saberemos.

Não acredito que tenha havido esse numero de pedidos nem de perto nem de longe. Claro que no contexto de um pedido há uma série de hits por página, e query a base de dados, mas mesmo assim o sistema arreou completamente.

A pergunta que fica é até que ponto a redundância do sistema funciona (se é que existe) e que espécie de testes de carga foram feitos nestes sites e BD's de suporte.

Aposto que não deve ter sido feita muita coisa nesse particular. Não acredito que tenha sido feito qualquer teste de stress nestes sites.
Na maior parte das vezes o sistema é feito por entidades externas que não estão muito preocupadas com a qualidade do que entregam. Estão mais preocupadas com o prazo (quando estão).

Cabe ao cliente definir quais os critérios para a aceitação e, em casos como estes, definir valores de carga a suportar pelo sistema. Também não acredito que estes responsáveis saibam sequer estimar estes valores ou que coloquem esse tipo de requisito no caderno de encargos.

Com esta "vaga" das tecnologias da informação o estado tem deitado milhões pela janela fora sem se assegurar que o que está a comprar tem qualidade. Ao mesmo tempo descontinuam-se processos manuais o que faz com que não havendo o processo "high tech" não haja nada.

Este tipo de coisa é absolutamente inadmissível. Se a consulta era feita por alguém nas juntas de freguesia quantos pedidos em simultâneo poderiam acontecer?

Imaginem o que seria se as operadoras de telemóveis não planeassem para os SMS da véspera de Natal e de Ano Novo.
Nestes dias passam dezenas de milhões de SMS nas suas redes. Um número que é muitas vezes superior à média diária. Na maior parte das vezes num pico horário muito mais curto.
Se estes sistemas falhassem em dias assim? O que acham que aconteceria aos responsáveis desses sistemas? Uma palmadinha nas costas e um "deixa lá"?

Não houve de facto qualquer cuidado em pensar no pior cenário. Deixar os canais públicos (Internet) e os usados pela juntas de freguesia sem isolamento (aparentemente todos acedem ao mesmo sistema público e quando está em baixo está para todos) é duma falta de visão atroz.

Há-de haver um fornecedor envolvido certamente. Mas o responsável pela àrea deveria ser demitido pura e simplesmente. O MAI deveria perceber o que tem andado a comprar e a adjudicar a entidades externas com as assinaturas destes (ir)responsáveis.

Não vale a pena pedir a demissão do ministro se todos os "altos" funcionários forem da estirpe destes. A porcaria irá continuar e metem lá um tolo qualquer a substituir o tolo que já lá está. Deixem o homem em paz que ele volta à Universidade quando o PS perder as eleições.

Actualização 26-01-2011: O director-geral da Administração Interna e o director da Administração Eleitoral pediram a demissão na sequência dos problemas registados no passado domingo durante as eleições devido às dificuldades que milhares de eleitores tiveram em votar. 
Vá lá... uma atitude de alguma qualidade. De facto, perante um estrondoso fracasso dos dois, a única consequência possível era a de pedir a demissão assumindo as responsabilidades pelo ocorrido.
A inexistência de leitores de cartões nos mais diversos organismos e nas mesas de voto (neste caso particular) são uma falha organizativa indesculpável. Se não há orçamento para isso não se lançam programas como este do cartão do cidadão sem acautelar todas as consequências que isso pode vir a ter.
Planeia-se em antecipação, criam-se planos de contingência e evitam-se coisas como as que aconteceram.
Resta agora saber qual a quota parte de responsabilidade de funcionários mais acima (Ministro, Conselho de Ministros etc etc) relativamente à forma como deram condições a estes organismos para o acto eleitoral.

Sei que este governo é useiro e vezeiro em lançar coisas pela metade tentando depois tirar dividendos políticos das "extraordinárias" medidas que implementa. Muitas delas coxas de nascença como se revela em alturas de crise.
Não espero que este Ministro tire daqui algumas conclusões. Espero sim que se agarre ao lugar como o fez várias vezes em que esteve metido em broncas que levariam qualquer responsável político a pedir a demissão. Pode ser um excelente professor de direito, mas devia estar no seu gabinete de catedrático a pensar naquilo que os professores catedráticos pensam. E na maior parte das vezes pensam na forma de satisfazer o seu ego aceitando lugares de ministro, uma vez que ser catedrático apenas dá algum reconhecimento no meio académico.
Quando saiu para o mundo real, o mundo das decisões e da capacidade de realização revelou-se desfasado, incongruente e completamente incapaz.
Está bem para este governo em que provavelmente até se pode destacar pela positiva. Tal como o ministro do Ambiente (temos um não temos?)

E mais uma vez...

Se comprova a excelência das planeadores nacionais.

Fiquei fascinado ao ouvir a explicação do MAI acerca da falha de serviço nos sistemas de apoio às eleições.

Cidadãos que aderiram ao Cartão do Cidadão viram-se impossibilitados de descobrir em que mesa de voto deviam exercer o seu direito de votar.

Chegados à mesas descobriam que o sítio de sempre afinal tinha mudado e que agora tinham de dirigir-se à Junta de Freguesia para saber o novo local.
Em cada assembleia poderia (aliás, deveria) existir um PC com um Smart Card Reader e uma forma de poder pelo menos informar esses cidadãos.
Pode ter acontecido que eles até votassem nessa assembleia, mas não havia forma de os procurar nas listas na falta do nº de eleitor.

Mas não. À boa maneira Nacional Burocrática tinham de ir à junta de Freguesia.

Ao tentarem fazer isto deparavam-se não só com filas de espera mas também com a impossibilidade de o saber, porque os pedidos em massa puseram os sites em baixo.

O director geral afirmou que isto se devia a um número anormal de pedidos.
Duh!  Um prémio para este génio por favor.
É como aparecer alguém da SIBS a dizer que a rede foi abaixo no Natal porque houve muita gente a fazer pagamentos. Como se não pudessem antecipar esse tipo de comportamento.

A explicação poderemos encontrá-la em mais uma enorme falta de planeamento. Como se pode dizer que a responsabilidade é só dos cidadãos quando sabemos e podemos planear antecipadamente a forma como eles se vão comportar?
Como é possível que perante uma eleição em que é expectável que muita gente fique sem saber onde vota e não se reforce a capacidade de resposta dos sistemas?

Há coisas que são previsíveis: Filas nas estradas do Algarve e para o Algarve em período de férias, uso da rede Multibanco no Natal, uso das redes de telecomunicações no Natal e Ano Novo devido aos SMS enviados, sistemas das finanças nos últimos dias dos prazos.
Sites ligados ao processo eleitoral em dia de eleições...

Não prever isto e não planear para isto é um atestado à incompetência total dos responsáveis por estes organismos. Não às equipas, que não raro lutam com a incompreensão das chefias e com o seu total alheamento da realidade. Mas um responsável de serviço que fizesse uma cagada destas numa empresa com sistemas criticos iria ter muita dificuldade em manter o lugar.
Imaginem um responsável se IT do Continente a ter de enfrentar a ira do Belmiro de Azevedo por ter deixado em baixo o sistema das caixas...

Ainda me lembro há uns anos (ainda nos tempos de Guterres) que se lançou um site (alojado nos Serviços de Informática do Min da Justiça) que iria ter em tempo quase real os resultados das eleições (não me quero enganar mas acho que foi das autárquicas que "levaram" Guterres a demitir-se). Claro que os génios não se "lembraram" que ao ter um site assim, que ele iria ser bombardeado pelas televisões e pelos portugueses com acesso, que apesar de não serem muitos já eram uns bom milhares.
Adivinhem o que aconteceu... O site aterrou na primeira hora. "Levantou-se" no outro dia de manhã.
Sabem o que aconteceu ao responsável? Nada.

Deve andar por aí num organismo estatal qualquer a bater no peito cheio de orgulho e a dizer que ele foi o 1º que fez isso em Portugal. E é verdade. E foi também o primeiro a mostrar a nível nacional o quão básico e negligente se pode ser. Apesar de todos os avisos espetou-se em cheio no chão.



De cada vez que as tecnologias de informação estão envolvidas o estrondo é enorme: Eleições, Portagens, Impostos, Concursos etc etc.

Não será um caso flagrante de ter as pessoas erradas nesses lugares? Não será um caso flagrante de torrar milhões em consultorias que pura e simplesmente não fazem aquilo que deviam? Pelos exemplos que eu conheço, esse é exactamente o problema....

Quer-me parecer que é. Ao fim de tanto tempo e de tantas asneiras nesta área, quer-me parece que é.

Este Cartão do Cidadão que levou tantos portugueses a esperar em filas para o poderem obter, não é mais que uma tolice no seus aspectos práticos. Não haver um plano B é totalmente idiota. Se com um número apenas eu pudesse ser identificado este belo cartão ainda faria sentido (BI, Carta, NIF, Passaporte, Eleitor etc etc). Mas para que quero eu um cartão que tem um número e que depois no chip tem todos os outros números? E para que o quero se quem precisa de saber essa relação não tem um simples leitor de Smart Cards? Passo a levar um portátil com um leitor de cada vez que vou a algum lado?

Dantes, com os meus documentos, poderiam saber toda a informação. Agora, só com um cartão, poderiam saber ainda mais... partindo do principio que haja um PC com ligação à Internet.

Os meus parabéns para as cabeças pensantes deste país. Ficámos atrás dum país do 3º mundo no que diz respeito à condução logística dum processo eleitoral.

Isto é bem mais do que idiótico. Isto é o exemplo acabado da incompetência, negligência e total desresponsabilização das entidades que gastam milhões em ideias como estas para se ter resultados assim.
Desta vez tornou impossível a muitos portugueses votar. Nem que fosse apenas um já seria grave, mas aparentemente foram muitos mais que manifestaram a intenção de votar e não o puderam fazer.

Parece haver falta de tudo neste "estado". Inteligência, competência, vergonha e responsabilidade.
Algo está mal, muito mal.

PS. Uma pequena sugestão... Imprimam no cartão os números que podem ser lidos do chip. À falta de leitor há um Plano B.
Mas pergunto eu... Se o chip (que não sei quantos Kb leva) não tem o número de eleitor, BI, NIF, SS, para que serve verdadeiramente? Já é um bocado estranha a sua utilidade se não existe uma consolidação de números.
Porque não podemos votar com o nº do BI? Para que serve o número de eleitor? Porque não posso ter um nº de identificação fiscal que é o mesmo do BI? Tantas perguntas que se calhar só têm uma resposta: è muito complicado e os diversos organismos nunca aceitariam...

Um certo desassossego

Desde há muitos anos que me sinto  deslocado em relação ao que se passa neste país.

Os portugueses têm uma forma especial de transformar qualquer força construtiva em algo de profundamente pernicioso e que acaba por os destruir.

Desde o tempo em que este país se pôs direito (depois da entrada para a CEE) que sinto que se começou a construir aquilo que somos hoje. E não construimos grande coisa.

Assistimos ao desbaratar de dinheiro da CEE em esquemas apenas destinados a sacar o máximo possível sem pensar minimamente nas consequências.

O lucro fácil, a redução de tudo a uma questão de ganhos ou perdas começou a minar a nossa forma de pensar a um ponto em que deixou de ser perceptível.

Tornámo-nos individualistas, imediatistas e muitíssimo cegos em relação a tudo o que nos rodeia. Enquanto eu estiver bem, tudo está bem.

E assim nos enfiámos no buraco.

As ideologias foram-se. A ponto de ser quase um insulto dizer a alguém que ele é um idealista.
O querer melhores condições de trabalho transformou-se numa questão de "esquerdistas". As empresas tornaram-se implacáveis na forma como tratam alguns trabalhadores e aceitam tudo a outros. A forma como se cobrem de luxos e regalias alguns dos gestores por oposição às condições miseráveis a que se  reduz outros são vistas apenas de uma forma : Ainda bem que não é comigo.

O estado transformou-se num feudo parecido a uma empresa privada onde gestores incompetentes contornam as regras sempre que querem. O próprio Estado usa e abusa do recibo verde nas suas contratações. As empresas claro está lançaram o mote com o beneplácito do Estado e das instituições que deviam controlar este estado de coisas.

Desde o tempo das entradas de dinheiro da CEE que alguém com dois dedos de testa poderia perceber que assim não tínhamos futuro. Viver num país que tem um deficit em relação ao que produz ano após ano tornava isto inevitável.
O país transformou-se numa enorme actividade especulativa que apenas consiste em acrescentar margem de lucro a qualquer coisa.

Destruiu-se o pequeno comércio e subordinou-se o que sobrou à mão de ferro das administrações dos centros comerciais. Só no governo de Guterres as licenças emitidas para grandes superfícies foram da ordem das centenas.
Proletarizou-se o empregado do comércio. Hoje, em nome da comodidade dos portugueses que "trabalham", também estão abertos ao Domingo.
A suposta de criação de alguns postos de trabalho com esta medida não parece ter tido qualquer reflexo nos números do desemprego. Mas agora os portugueses estão mais cómodos e isso é bom para eles individualmente e isso é tudo o que interessa a cada um deles. Que se lixem os outros.

A explosão do sector financeiro com os seus mega ganhos levou a que o lucro fácil se tornasse extremamente apelativo. À semelhança do que se passou com a bolha tecnológica dos anos 90, houve gente a ganhar milhões com "negócios" que não valiam nada. Conseguiram financiamentos de bancos usando gente influente para dar alguma respeitabilidade à coisa. Passearam-se em automóveis de luxo em ALD para de uma penada acabarem, deixando os bancos com a dívida, os investidores com o prejuízo e os "gestores" com uns trocos guardados em qualquer lado. Para os portugueses parecia estar tudo bem. Para os bancos não havia azar. Entrava tanto dinheiro que bem podiam assumir as perdas. Concediam-se perdões a dívidas de milhões.

Acenou-se a todos com o crédito fácil e a casa dos sonhos. O Imobiliário singrou. Todos os dias os apartamentos ficavam mais caros. "mais vale comprar já porque para o mês que vem está mais caro" diziam os vendedores.

As pessoas passaram a comprar um telemóvel, não porque pode fazer falta ligar para alguém, mas sim por causa dos "negócios" a julgar pela forma como as operadoras concebem a sua publicidade.
Deixou de se beber um sumo porque e agradável. Passou a beber-se por causa do lifestyle que isso representa.


Criou-se um ensino privado de qualidade mais do que duvidosa para empolar os números de licenciados e fazer entrar nos bolsos das "universidades" milhões em propinas.
À saída os licenciados percebiam o que valia o seu curso.... um lugar num call center a vender a ultima maravilha da tecnologia.
Algumas dessas universidades pura e simplesmente fecharam. Os casos Moderna e Independente foram os dois maiores estrondos.
Inventaram-se MBA de conclusão garantida em troca de um valor simpático de "propinas".
Hoje temos uma extraordinária quantidade de Masters em Business Administration que gerem as mais variadas coisas. Na maior parte das vezes sem capacidade, sem estofo moral e sem tomates.

Transformou-se um país numa faixa no litoral (Cravinho dizia que tínhamos de ter uma megalópole junto à costa). Destruiu-se o interior e reduziu-se a economia a pó.
As pessoas foram reduzidas a números em estatísticas manipuladas pela conveniência de políticos medíocres.

Passou a ser mais importante parecer do que ser. Parecer rico, parecer que se tem berço ou classe, parecer que se é inteligente. Nas empresas gente muito limitada adoptou um discurso meio aparvalhado com o qual não diz nada. Imparidades, balizar, assesment, task force.... Em suma, nada. Sem substância, sem qualidade sem significado.
Os portugueses passaram a querer o LCD, o LED TV , o iPhone e o GPS. Deixaram de saber para onde vão e nem querem saber. Em qualquer período eleitoral um político vende-lhes a seriedade ou a revolução e prontamente eles tomam partido. Aqueles com que simpatizam nunca são capazes de ser desonestos e aqueles com que antipatizam são SEMPRE desonestos.
Perderam completamente a noção do que está certo ou está errado. As coisas resumem-se a quem ganha mais ou quem ganha menos do que eles. Quem ganha mais nunca o merece e quem ganha menos não faz por merecer. Tornámo-nos um país de fdp insensíveis, egoístas e invejosos.

Quanto mais vazio e desprovido de substância melhor. A superficialidade total. O que aliado ao proverbial alheamento da realidade dos portugueses criou uma bomba relógio de enormes proporções (o português quando tem um problema finge que ele não existe e, como que por magia, ele deixa de existir)

Tudo isto não começou agora. Começou nos 90. Nos gloriosos 90 em que o dinheiro vinha a rodos para Portugal. Hoje estamos metidos num sarilho.

Pessoas como Cavaco Silva, Manuel Alegre e até Louçã (se bem que por razões diferentes e opostas) são um produto dessa época. Louçã era um tonto do PSR, cheio de si, que capitalizou com o descontentamento crescente duma camada da sociedade vitima desta mentalidade e com uma juventude totalmente ignorante do ponto de vista ideológico e político.
Acenem-lhes com a despenalização dos charrinhos e eles votam em qualquer coisa. A argumentação adolescente e radical do BE atraiu 12% de jovens de desiludidos e de revivalistas da extrema esquerda habituados a recitar Marx e a acreditar que a utopia é possível.
Os anacrónicos comunistas por cá se vão mantendo. Metendo uma mão à frente dos olhos e negando a Glaznost e a Perestroika. Expulsando os dissidentes. Que prontamente foram parar ao PS.

Vital Moreira, Pina Moura, José de Magalhães e outros que tais abandonaram a linha do partido e nunca viveram tão bem. Até esses meteram os ideais no saco e se fartaram de lutar pelo "povo" trabalhador. Seja como for eram intelectuais e esses, já se sabe, olham para o povo como se fosse uma massa amorfa, manipulável e muito pouco digna de respeito. Invoca-se apenas quando é preciso legitimar uma tropelia qualquer ou quando é preciso um lugarzinho ao sol numas eleições.

Apareceu uma nova geração de políticos vazios e incompetentes apenas preocupados em gerir a sua imagem mediática.
Aparecerem jornalistas vazios e incompetentes que tornaram estes políticos possíveis.
Apareceram comentadores incompetentes mais determinados em "fazer" opinião do que em dar opinião. Nem a que fazem nem a que dão é grande coisa na maior parte dos casos. Desde fala baratos imberbes a iconoclastas de meia idade de tudo se passeia pelas televisões.

A informação imediatista e superficial de uma TSF ou de uma SIC Notícias sobrepuseram-se à qualidade de investigação e profundidade da análise. Tornámo-nos "Americanos".

Até já estamos a ficar gordos como eles e estúpidos e consumistas como eles. Só não adoptámos a sua capacidade de inovação e empreendedorismo. Só copiamos o pior.

Não é na minha vida que isto vai mudar. Uma alteração social que abarque gerações tem de ter na sua génese algo de muito radical e renovador. Os políticos que chegam conseguem ser piores que os anteriores. Os gestores novos são ainda piores que os anteriores. Afinal toda esta gente perdeu o sentido do que está certo e viveu num pântano ético toda a sua vida adulta. O mérito e o esforço não faziam parte dela.

E esses irão lutar sempre por manter a mediocridade. Alguém de qualidade será sempre torpedeado pelos medíocres. Eles não querem que seja evidente o quão medíocres são.

Vamos para umas eleições em que os representantes desta era são os mais bem colocados para ganhar. Não admira. A presidência é o prémio para aqueles que já "serviram" a nação (e aparentemente se serviram dela) e que precisam de 10 anos descansados.

Vai chegar o dia em que veremos Guterres e Durão Barroso como candidatos. Ainda falta mais um ciclo de porcaria. As coisas vão piorar antes de ficarem melhores.
Temo bem que eu já não veja a parte ascendente da curva.
Temo bem que o fundo da curva seja um sacudir da porcaria por parte duma sociedade farta e cansada deste estado de coisas. E isso demora até acontecer.
Da última vez foram 48 anos. Ainda faltam 12.