Crónica de uma morte anunciada

Fico contente de perceber que Marcelo Rebelo de Sousa lê este blog.

Só pode.
Há bastante tempo atrás que digo que este governo não existe.

Os sinais são óbvios. Há ministros inexistentes, ministros que não acertam uma e directores de serviços e empresas do sector público que pura e simplesmente ignoram leis e directivas do executivo.

Nunca tivemos uma situação em que os "poderes" hierarquicamente dependentes do governo tiveram tão pouco respeito pelo "chefe".
Sócrates e o PS criaram o "monstro" e agora não o conseguem controlar.

Marcelo, um adepto da estabilidade e da necessidade de aprovação do OGE diz agora que o Governo está morto. Diz agora que Passos Coelho tem nas mãos a possibilidade de por Sócrates e toda a corja socretina fora do poder com a apresentação de uma moção de censura.

Duh!....

Isso é óbvio. E é também óbvio que Passos Coelho só o fará quando a margem de vitória do PSD for suficientemente grande. E para isso é preciso enterrar um pouco mais o país.

Esta estratégia política que se abstrai daqueles de onde emana o poder (o povo) é a todos os títulos nojenta.
Se o PSD sabe como por as coisas no caminho certo não precisa certamente de assistir da primeira fila ao sofrimento de todo um país durante meses com um governo em estado comatoso.

Avance, assuma as suas responsabilidades e o povo decidirá. Acham ainda que o PS possa ter uma boa votação nas legislativas?

Estou para encontrar uma pessoa que me diga bem de Sócrates. Eu sei que o meu circulo de conhecimentos não é ilustrativo da sociedade portuguesa, mas é no mínimo esquisito que quando eu digo que Sócrates é um incompetente não ouça uma voz em desacordo.

Sócrates não sobreviverá dentro do PS em caso de derrota. E ele sabe disso. Tenta prolongar o seu poder o maior tempo possível. No congresso irão aparecer vozes discordantes e o PS irá passar por um ciclo parecido ao período pré Guterres.
Quando um partido esta fora do poder ou tem perspectivas de estar fora do poder, as lutas internas pelos poucos poleiros que restam agudizam-se.
Foi assim com o PSD e foi assim com o PS. E vai ser outra vez.

Sócrates sabe, porque fez exactamente a mesma coisa, que quando outro partido subir ao poder iremos ser bombardeados com notícias de buracos financeiros, de desperdício e de outras coisas que desafiam a nossa compreensão cometidas pelo PS e pelos seus boys.
A história do deficit que deu a maioria ao PS vai-se repetir. Só que desta vez não precisam de um governador do Banco de Portugal que faz contas erradas com precisão até às centésimas. Os valores da desgraça estão aí para todos verem. 11% de desemprego (depois de bem manipulado), 7.5% de deficit (depois de bem manipulado), +100% de dívida.
Em seis anos, a incompetência deste governo, levou-nos mais fundo do que alguma vez estivemos. A negação das evidências durante anos fez com que isto quase fosse uma surpresa. Para o governo, porque para os que pensam um pouco nunca foi surpresa.

A crise internacional teve as costas largas e serviu de desculpa. Mas a verdade é que desde que subiu ao poder, Sócrates começou determinadamente a destruir tudo o que ainda se conseguia manter de pé. A crise internacional só veio impossibilitar que se escondesse mais a incompetência generalizada de um governo e de um partido que teve uma maioria absoluta para fazer o que quis.
"Privatizou-se" o estado a níveis nunca vistos. Tentou-se gerir a coisa pública como se faz numa empresa.
Só que com uma pequena diferença - uma empresa tem de apresentar resultados. Num Estado quando falta o dinheiro cobram-se impostos. E foi isso que este Governo fez até não restar nada.

O que é extraordinário é que os bravos socialistas que poderiam ter feito afirmações como vemos hoje Ana Benavente fazer, não o fizeram enquanto esperaram, na sua posição na fila, por um lugarzinho em que se recebesse bem e se trabalhasse pouco.
Agora vêm que já não há nada no saco para eles e começam a inquietar-se. Outros percebem que a posição de distribuição de lugares lhes pode calhar a eles.

Marcelo diz que o Governo esta morto. Ah pois está. E não está só agora. Este governo é um nado morto e o anterior era um moribundo com Alzheimer e Tourette. O pivete socialista é insuportável desde o 1º ano de governação de Sócrates.

Preparemo-nos então para as eleições, porque elas aí estão antes do Verão.

Se Marcelo o diz deve ser verdade.
Ele sempre foi um sobredotado.
Ele, o grande titeriteiro, espera que com as suas palavra as coisas aconteçam.
Marcelo está pronto para o novo ciclo. Anunciou-o ontem....

A mentira (parte 741)

Sócrates lá veio outra vez a terreiro mentir descaradamente.

A propósito das afirmações de Passos Coelho, vem agora a "criatura" dizer que não haverá despedimentos na função pública.

É impressionante como Sócrates se parece com os ditadores alienados que acham que estão no controle de tudo e na verdade não controlam nada.

Às vezes faz-me lembrar o Comical Ali (o ministro da propaganda de Saddam) que dizia que os americanos tinham sido derrotados numa batalha heróica perto de Bagdad, para desaparecer rapidamente horas antes de os tanques americanos entrarem na cidade.

Este homem vive noutro planeta e ainda pensa que goza de alguma credibilidade junto do eleitorado.
O PS e Sócrates só permanecem no poder por causa dos prazos constitucionais e da estratégia do PSD que o quer queimar até ao ponto de não retorno. Não basta livrar-se de Sócrates. A coisa tem de ser tão absolutamente humilhante que o PS se queira livrar dele a seguir.
Este homúnculo que nunca soube o que é fazer ou dizer algo de verdadeiro na vida, insiste em discursar como se o que ele tivesse para dizer interessasse a alguém.

Pois se não vai haver despedimentos na função pública deveria haver. Mas que comece pelas empresas públicas com gestores pagos a peso de ouro e fora de todas as regras, pelos institutos públicos que nem propósito têm.
Os funcionários que sobrarem podem muito bem ser recolocados em organismos fundamentais que lutam com falta de pessoal desde há anos a esta parte. Tribunais, Hospitais, Finanças, Polícia etc etc.

Não lhe vão faltar lugares para recolocar aqueles que trabalham e de certeza que seria aplaudido de pé se se livrasse dos que não trabalham nem nunca trabalharam.
Mas esses são os camaradas e aos camaradas não se pode fazer uma coisa dessas.

O inacreditável de tudo isto é que Sócrates e os seus governos levaram ao limite a "privatização"  do Estado. Adoptaram atitudes típicas de uma empresa privada com dinheiros públicos em todos os serviços que não conseguiram alienar. E é este mentiroso que agora vem acenar com o fantasma da privatização? Ele que alterou as regras dos ajustes directos para ultrapassar a necessidade de concursos públicos e de forma descarada favorecer quem muito bem entendeu? Ele que dá cobertura a entidades que fazem a alienação do património do Estado como organizações mafiosas?

Querem ver o que é "privatizar" o estado? Vejam estes videos



Mas mesmo assim acredito que o PS ainda possa ter uma votação "interessante" nas próximas eleições de Junho. É que há tanto burro neste país, que ainda se ouve a frase "os outros não são melhores", "ao menos ele fez reformas" ou até "foi o melhor primeiro ministro que já tivemos".

Eu não sei se as pessoas andam distraídas ou se simplesmente se estão a ca**** para os outros e para o que se passa à sua volta, mas que é duma tremenda estupidez lá isso é.

Sócrates está terminado. Assiste-se a algo de impensável há um ou dois anos atrás - contestação no PS.
Desta vez já não vai ter uma passeata no congresso. As facas já se começam a afiar e Alegre vai ser um dos que vão estar na linha da frente. Zangado pela falta de apoio, com uma divida de 300 mil euros da campanha às costas e com a mania que é um livre pensador, será um dos que se vai atirar à jugular de Sócrates assim que puder.

Eu só gostava mesmo era que o tipo de calasse. Já não o posso ouvir com a sua argumentação para deficientes mentais e a sua vozinha irritante. De cada vez que o vejo lembro-me do que estamos a passar e do que nos espera e tenho tendências francamente homicidas. Passam-me pela cabeça formas de tortura verdadeiramente criativas.
Se alguma vez odiei um político apaixonadamente, foi este vigarista mafioso. Por tudo o que ele fez ao país, por tudo o que ele fez ao sistema partidário português e por tudo aquilo que ele trouxe à superfície nos portugueses - a inveja, a mesquinhez e a falta de empatia.
Bolas, detesto mesmo este tipo. E não o detesto só como político.
É-me impossível dissociar a sua forma de estar na política do seu baixo carácter  (ou da falta dele). O que ele é como político é um resultado directo do que ele é como pessoa. Ou então estamos perante uma patologia séria.
E o que é terrível, é pensar que gente deste calibre sobe nas estruturas partidárias a ponto de reger os destinos dum país durante estes anos.
Sem honestidade, sem moral, sem ética e sem um pingo de humanidade. O PS não tem nada melhor para propor ao país?

Mussolini attacca ancora

E aí está ele, Marinho Pinto em todo o seu esplendor.

Agora quer equiparar os requisitos para acesso ao estágio dos licenciados em direito ao acesso à magistratura.
Quer que seja apenas possível aos mestres em direito ou aos licenciados pré Bolonha.

Se bem que concordo com ele no que diz respeito à baixa de qualidade dos licenciados em direito desde há uns anos para cá, parece-me um bocado forçado que uma licenciatura reconhecida pelo Estado Português não seja reconhecida por uma ordem profissional.

Faz-me lembrar a ideia peregrina de Helena Roseta na Ordem dos Arquitectos que queria sujeitar todos a exame de acesso à ordem porque, segundo ela, havia Universidades privadas a licenciar arquitectos com um nível de qualidade muito baixo.
A melhor solução seria sujeitar todos a exame, os das Universidades "boas" e os das "más" (!!!). O que o Estado não fazia, que era velar pela qualidade dos cursos, fazia ela duma assentada na recém criada Ordem dos Arquitectos.
Estranho até como antes de haver Ordem tivemos (e temos) excelentes Arquitectos neste país sem haver Ordem para lhes dar a benção e os deixar exercer.
O mais curioso é que isto veio de uma arquitecta sem obra, que apenas estagiou e nunca exerceu a profissão.  A política cedo a retirou do mundo produtivo.
Mas quem a ouvir falar (ainda hoje) parece que está perante uma especialista em urbanismo e arquitectura.


Marinho Pinto está na mesma a todos os níveis. Quer que a Ordem se substitua ao Ministério e ás autoridades competentes que reconhecem as licenciaturas.

E existe uma diferençazinha para a magistratura. Um aluno que não consiga entrar após os exames e a frequência do curso, continua a ser um licenciado em Direito com capacidade de exercer a profissão. Ou melhor, continuava...
Na cabeça de Marinho Pinto, a ordem poderá agora decidir que depois de um aluno ter feito uma licenciatura não está habilitado a exercer uma profissão.

Uma avaliação no fim do estágio percebe-se como forma de avaliar os conhecimentos adquiridos e a certificação de que essa pessoa está pronta para tratar de assuntos de leis. Limitar a entrada é no mínimo indefensável.

Imaginem que amanhã a ordem dos médicos decide que só se podem inscrever aqueles que tenham especialidade. Ou que os economistas e gestores precisem de um mestrado para poder exercer.

Hum... talvez não fosse mal pensado a julgar pela qualidade que têm demonstrado nestes últimos anos.

Aí está Marinho Pinto a fazer o que faz melhor. Em vez de tentar resolver as causas, tenta matar os sintomas.
Mas o raciocínio dele é claramente deficiente.
Um mestre pós Bolonha faz o curso e o mestrado em 5 anos. Antes de Bolonha o curso era de 5 anos. Mesmo assim havia maus profissionais. Será que o facto de ter o título de mestre já faz deles bons profissionais?

Quer velar pela qualidade? Não será melhor a Ordem atender a reclamações de alguns clientes lesados aplicando sanções disciplinares aos prevaricadores? Ou mesmo a levantar processos a advogados por violações flagrantes da ética profissional?

Calculo que se na altura em que Marinho Pinto se inscreveu, se houvesse um bastonário que implementasse esta medida, ele não era sequer advogado. Mas já que lá está, nada melhor do que evitar que entrem outros.
Mesmo que apesar do encurtamento dos cursos tenham saído preparados.

Um dia destes começa a definir limites de média de licenciatura para poderem exercer. A universidade diz que um licenciado pode fazer o curso com média de 10 e o Sr. Marinho Pinto decide que só quer gente com média de 16.

O que me espanta nisto é que ninguém do Ministério que tutela o Ensino Superior sai a terreiro para por o dedo no nariz a Marinho Pinto e dizer:
Hei!!! Vamos lá a para com esta mania de desautorizar o Estado Português no que respeita à sua competência relativamente ao Ensino Superior ok? O "menino" vai parar de limitar o direito dos licenciados poderem exercer a sua profissão.


Este silêncio do Ministério é assustador. Mesmo que não o possa impedir e sejam apenas os tribunais a poder fazê-lo, tem a obrigação de não se deixar desautorizar por este advogado/jornalista medíocre com tiques autoctráticos


Sr. Mariano Gago, a vous de jouer

Os meus parabéns aqueles que votaram nele para um segundo mandato. Acredito que estejam satisfeitos por imaginarem que vão ter menos concorrência, mas ele há-de inventar alguma coisa que vos lixe a vocês também.
E nesse dia lembrem-se em quem votaram.

S. Francisco de Assis

Não, não é o santo.
É mais o político com ar de acólito de 2ª categoria, que à falta de bom ar achou que a política era o único caminho onde a sua inteligência podia ser aproveitada.

Este homem alterna entre a mais despudorada demagogia e desonestidade intelectual e o insulto velado a todos os que contrapõem argumentos.

Já um dia destes o tínhamos ouvido dizer que o PSD tinha um preconceito ideológico contra o serviço público.
O que é extraordinário, já que ele é o porta estandarte de um partido que contornou de todas as formas possíveis a ideia de serviço público apoiando a criação de estruturas paralelas, supostamente empresariais, para colocar todos os gestores de má pinta que o PS tinha para colocar.
Já o tínhamos visto insinuar-se com o discurso da estabilidade e do sentido de Estado junto do PSD para ver se obtinha uma aprovação para o famigerado orçamento de Estado.

Agora acusa Passos Coelho de ter uma visão paroquial da forma como um Estado deve ser gerido. Curiosa esta afirmação de alguém que nem pinta tem para segurar o copinho das óstias.

Faz-me sempre lembrar aquele nojentinho que andava na nossa turma, que não tinha amigos e que era um marrão deslocado. Que normalmente era bufo e graxista. Havia um destes em todas as turmas.

Assis parece ter uma visão muito cosmopolita e avançada de como um Estado deve ser gerido. Terá passado por Palermo? Por Nápoles? Pela Calabria quiçá?
O conceito de gestão do Estado para Assis parece ser a rede cleptómana que se montou nestes últimos anos e isso é de facto uma visão muito pouco paroquial.

A inteligência que ele aparenta ter consegue ser posta ao serviço de uma visão completamente sectária e distorcida da realidade.
Passos Coelho tem uns tiques liberais exacerbados, mas não é certamente Assis que pode dar lições do que quer que seja a Passos Coelho e ao PSD.

A sujidade em que ele chafurda  há 6 anos juntamente com os seus colegas do PS não lhe permite sequer apontar qualquer sujidade aos outros.

Parece-me que é o desespero do fim de ciclo. A travessia do deserto, a perda das benesses e a enorme martelada no ego que deve ser a perspectiva de não se ter "poder" durante uns anos. Para quem está habituado a manipular e a congeminar deve doer.

De uma coisa estou seguro. Não chegou onde chegou pelo bom aspecto. A inexistência de sorriso, os lábios finos e o ar de quem tem constantemente alguma coisa enfiada nos fundilhos, condená-lo-ão a ser sempre um cão de fila de segundo plano. O primeiro plano fica para os burros vazios com boa imagem televisiva.

A casa do Algarve....

Já está. Já saiu um comunicado e está tudo esclarecido.

Quem dera que a vida fosse assim tão simples. Atira-se com um número para o ar e está tudo esclarecido.

Só estará para quem não sabe fazer contas, digo eu.

Então façamos lá umas continhas para perceber até que ponto está tudo esclarecido.

Cavaco afirma que pagou 8.133 Euros de Sisa.

Isso significa que o valor da permuta que foi sujeito a sisa foi de 81.330 Euros.

Então vejamos

A avaliação da casa anterior tinha rondado os 135 mil Euros, pelo que o valor da nova casa teria sido 216.333. Não há dúvida que é um excelente negócio. 42 mil contos por um terreno de 1891 metros quadrados na praia da Coelha com uma casinha já em construção com uma área bruta de 620 metros quadrados e uma área habitável de 242 m2.

Eu não sei como Cavaco consegue emitir um comunicado destes e achar que tudo fica esclarecido.
Nesta altura um lote de 1000 metros quadrados em zonas muito menos nobres do Algarve e bem mais longe da praia comprava-se por 30-40 mil contos.
Na praia dos Salgados por exemplo, um terreno de 1300 metros quadrados e ainda com o processo de licenciamento dos lotes a decorrer custava 45 mil contos. A mais de 1 Km da praia.

Em S. Rafael uma vivenda de 3 quartos num lote de pouco mais de 1000 metros quadrados era vendida em 1999 por 85 mil contos (425 mil euros).

É de todo impossível que este negócio tivesse este valor. A não ser...

A não se que se omitisse o facto de já haver construção no lote. Aí o valor da permuta seria um lote "vazio" pela vivenda Mariani e aí o valor já é mais credível, ainda que seja mesmo assim muito barato.

Resta agora saber quem pagou as obras de finalização da casa. Foi Cavaco? Ou pode ter acontecido que o valor até foi pago por ele mas o valor declarado para efeitos de Sisa foi muito abaixo do valor real?

Este "esclarecimento", mais do que acabar com todas as dúvidas lança muito mais dúvidas sobre o caso. É IMPOSSÍVEL que a diferença entre uma casa de 135 mil Euros (27 mil contos) e a casa que Cavaco tem agora seja de apenas oitenta mil Euros.

Mas há algo de verdadeiramente inquietante nesta história. 
Em 1998 (Junho) a declaração de Cavaco Silva às Finanças dizia que os prédios tinham sido troca por troca e que seriam de igual valor e a estrutura em tosco da casa que já estava completa é omitida
Mas em 2000 no seguimento de uma reavaliação por parte das Finanças reavalia os prédio e determina que afinal a diferença é de 81 mil euros.
Mesmo assim acho que foram simpáticos. Só que a questão da omissão da construção em 1998 e a declaração de que os prédios eram de valor igual não me parece lá muito inocente.

Hoje ouvi uma apoiante de Cavaco dizer na SIC Noticias - "mas depois pagou e está tudo bem". Pois, é verdade, só que o facto de se pagar não significa que não se tentou evitar pagar logo para começar. Podemos dizer que a administração fiscal o "agarrou" mas pelo menos ele parece ter tentado fazer passar a coisa abaixo do radar. Bonito. 3 anos depois de deixar de ser primeiro ministro tenta "iludir" a administração fiscal acerca do valor das propriedades. Convenhamos que para uma pessoa serííssima esta tentativa não é lá muito típica desse tipo de comportamento. Podem dizer que não sabia. Que honestamente pensava que as propriedades valiam a mesma coisa. Então pergunto: E a casa que foi omitida? Não estava de óculos e não deu por ela? Viu um lote vazio em vez de uma casa de tijolo e betão?

Oh meus amigos, só é parvo quem quer. Todos sabemos que todas as entidades envolvidas terão sido muito mais brandas com Cavaco Silva do que seriam connosco. E todos sabemos que estas pessoas se aproveitam do seu estatuto para ter acesso a vantagens muito fora do alcance do português comum. Ser sério num caso destes é rejeitar esses tratamentos de favor sabendo como sabem como os portugueses têm tendência para ser uns sabujos na presença de alguém importante, influente ou que tenha simplesmente dinheiro.

Eu não consigo perceber como é que gente que tem aspirações políticas e sabe que todo o seu passado vai ser "escavado" pode meter-se em situações tão confusas. Situações que precisam de esclarecimentos, investigações e toda a espécie de explicações.

Uma coisa destas devia ser claríssima. Comprou por x, pagou 10% de sisa sobre x e assunto terminado.
Mas neste caso a casa em construção é omitida, já está em construção antes das licenças serem passadas, os dois lotes são juntos sem um parecer necessário duma entidade competente, a permuta sub avalia claramente a nova casa etc etc etc.
Mas quanta confusão acerca duma coisa que devia ser linear e simples.

Cavaco parece-me ser como todos os outros portugueses sérios: A dada altura na sua vida não o foi tanto, ou pactuou com quem não o foi para retirar benefícios para si e espera que o tempo passe uma esponja no assunto.

É uma enorme decepção Sr. Presidente. Eu sabia que o Sr. era imóvel e que escondia a sua cobardia em tomar decisões atrás da "estabilidade". O que eu não esperava é que o seu passado recente fosse tão complicado de perceber.

Quer saber a história da minha casa?
Cheguei, comprei, escriturei pelo valor que comprei e fui pagar 10% disso em Sisa às Finanças. O valor pelo que comprei é um valor plausível para o sitio e para a época. Não foi uma bagatela nem foi excessivamente cara.
Quer mais claro do que isto?

Isto nada tem a ver com o facto de ele ter ganho as eleições. Alegre perdeu e também deu mostras da sua desonestidade com a história do BPP e do texto publicitário.
O problema está na forma leve como os que votam nestes indivíduos aceitam que eles possam ter sido desonestos ou pactuado com desonestidades. Parece que o voto popular legitima passados obscuros.

Para se ser político mais do que parecer sério deve ser-se sério. À prova de bala. Há imensa gente neste país que resistiria a qualquer investigação deste tipo porque sempre fez as coisas pelo figurino.
Pelo contrário, na classe política e desde há muito tempo, há episódios estranhos, contas que não batem certo e situações que cheiram a esturro. E que nunca se chegam a esclarecer porque os adeptos de um clube dizem que os outros têm inveja e que o povo é que sabe...
Se Cavaco foi beneficiado pela relação de amizade com o construtor só tem mesmo que o dizer. Em muitos negócios as relações de amizade determinam que os valores sejam mais baixos que o esperado. Já não é assim se foi beneficiado com o fisco. Não há relações de amizade com o fisco.
Não existe qualquer hipótese de que os valores das duas propriedades terem tão pouca diferença. Houve um benefício claro neste processo.
Só pode ser uma de duas coisas:
O a outra parte da permuta tinha uma relação de amizade e avaliou a preço de custo
ou
Houve simulação de negócio por valores muito abaixo do normal.

Se no 1º caso Cavaco pode vir a terreiro e claramente dizer isto, na 2ª hipótese já não pode porque isso significa que pactuou com uma situação fraudulenta junto da Administração Fiscal. E isso é crime.
Independentemente de ter ganho as eleições o acto em si existe. O povo pelo seu voto não decide esquecer este tipo de coisas. Deveria sim decidir quem tem um passado impoluto antes de votar.
E é esta falta de maturidade política do povo português que faz com que sejam eleitos Isaltinos, Valentins Loureiros, Fátimas Felgueiras e outros semelhantes.
Depois brada aos céus a desonestidade dos políticos. Mas só os da "outra" cor partidária. Os "nossos" estão perdoados porque votamos neles. É isto a democracia? É isto um Estado de direito?