Uma rua? A sério?

Nas minhas deambulações nocturnas pelos sites do costume dei com uma notícia que me deixou abismado.

Um grupo de amigos de Carlos Castro vai pedir à autarquia que o seu nome seja dado a uma rua.

Eu percebo que certas causas precisem dos seus exemplos e dos seus mártires, mas francamente preferia que não escolhessem alguém que se caracterizou toda a vida (em que foi conhecido) por viver de "cortar na casaca" dos outros e por demonstrar comportamentos que seriam muito pouco dignos fosse qual fosse a sua orientação sexual.

Não seria concebível alguém dirigir-se à Câmara de Albufeira propor que se desse o nome de Zézé Camarinha a uma rua qualquer da zona.
As suas proezas são do mesmo nível de baixeza independentemente de ser um heterossexual assumido.

A única diferença é que não foi morto por uma jovem que tentou aliciar com dinheiro e glamour em troca de sexo.

Depois de ler um artigo na Visão acerca do mundo da moda e da noite, por onde se movia Carlos Castro, o nível de repulsa pelos comportamentos relatados foi total.

Não sou um puritano, não sou homófobo mas repugna-me o que fazem algumas pessoas para singrar na vida e a forma como outras se aproveitam disso. Carlos Castro estaria no segundo grupo.

Carlos Castro não foi notório pela sua obra. Ficou-o pela forma como morreu.
E nesse particular há gente bem mais notória e exemplos bem mais edificantes.

Há toda uma quantidade de gente neste país, anónima, que fez muito mais pelos outros e que morreu ao fazê-lo.

Que não se aceite o que fez o criminoso mas não se transforme a vítima em mártir.

A comunidade gay tem de certeza muito melhores exemplos a que se agarrar.

Os líderes "fortes" e a democracia

Parece que ao contrário do que acontece no PS ainda existem pessoas no BE que pensam pelas sua próprias cabeças.

E levam a mal o facto de não terem sido envolvidas nas decisões que são determinantes em qualquer força política.

Um membro da mesa Nacional (a mesa é grande como devem calcular...) demitiu-se por discordar da atitude, aparentemente unilateral, do líder de anunciar a apresentação de uma moção de censura a um mês de distância.

Louça parece estar a ficar embriagado com a sua própria notoriedade e "brilhantismo". O camarada que outrora defendeu a igualdade absoluta parece-se agora com os ideólogos que sempre se colocaram acima de todos os outros.
Pelo menos acredito que seja assim que os outros membros do Bloco encarem a sua atitude.

Louçã fica claramente embevecido consigo mesmo. É uma espécie de Professor Marcelo de "carga" contrária.
Após as suas típicas tiradas fica sempre com aquele sorriso trocista de quem acha que aniquilou o adversário e não consegue disfarçar um orgulho quase imbecil.

Começa cada vez mais a parecer-se com Sócrates e o BE começa cada vez mais a parecer-se com um PS onde todos se subjugam ao brilhantismo incontestável do lider.
De democratas convictos a ditadores de pacotilha. Do diálogo ao arbítrio mais absoluto.

Imagino que esse sentimento vá sendo inculcado por um povo que gosta de líderes "decididos" e "determinados".

Mas enquanto no PS todos ele sabem que podem ganhar alguma coisa com a anulação da própria opinião (uma fatia do poder), no BE o que eles têm a ganhar não é nada...
Em troca da subserviência não há nada para ganhar. E isso num partido em que a ilusão das decisões partilhadas sempre pesou , isso é mortal.

Louçã regressa ao que foi antes da reabilitação auto infligida. Voltou a ser um indivíduo que se acha intelectualmente superior a todos os que o rodeiam e despreza a "falta" de inteligência. E despreza-a também no povo português.

Como um grande líder e educador da classe operária (?) começa a colocar-se na posição do líder omnisciente e responsável único pela ascensão do Bloco.
Chega ao ponto de se arrogar de representar 40% dos cidadãos deste país. Só este atrevimento já seria digno de um puxão de orelhas mas talvez seja mais satisfatório ver o Bloco transformar-se em nada.

Passa de ser um partido comunista com vergonha em se assumir a um grupelho com um líder com delírios de grandeza.

Não posso dizer que tenha pena ou que seja uma surpresa.
Louçã sempre foi insuportável e mais vinha ficando com os sucessos eleitorais.
Fruto duma conjuntura política podre e descredibilizada, Louçã e o BE passaram a fazer parte dela.
Já não podem considerar-se outsiders

Mas não conseguem acertar uma?

Depois  da incrível fantochada que foi a aceitação da demissão do director ex Director Geral da Administração Interna, o ministério está metido em mais uma decisão brilhante.

Veremos agora quem é que o ministro Rui Pereira vai crucificar. 
Creio que depois do que se passou com a falha do sistema no dia das eleições, o director geral tinha que se demitir.
Mas aparentemente a decisão de não comunicar aos cidadãos não foi da sua inteira responsabilidade. Parece mesmo que a decisão foi tomada pela Secretária de Estado.
Foi pelo menos isto que o Director Geral demissionário deixou entender.

Mas como sabemos, gente desta estirpe prefere encontrar um cordeiro para sacrificar e no processo juntar-lhe mais algumas ofensas para afastar a culpa da incompetência própria.

Neste caso dos radares de costa, o sistema foi desligado em Novembro por ordem de um Oficial superior da GNR que incorpora a Brigada Fiscal.

Mas seguramente que a ordem veio de cima. Não imagino um militar tomar uma atitude destas sem uma ordem ou sem aprovação da tutela.

Claro que o facto de o novo sistema estar atrasado em relação à data prevista e só entrar em funcionamento em Agosto não terá pesado nada nas decisões destes génios.

Podem fazer o patrulhamento à vista... com binóculos. Sabemos como este método é eficaz com nevoeiro ou à noite.
Para quê o radar? Apenas para agradar a gente que gosta de engenhocas....

Não há uma única coisa em que este ministro acerte.
Desde os problemas de segurança e vagas de assaltos, até ao incrível negócio com os carros blindados para a PSP, até ao cartão do cidadão em dia de eleições até este episódio em que os radares de costa estão desligados, este ministro conseguiu nos seus mandatos recolher uma tal quantidade de asneiras que não seriam admissíveis sequer a um curioso, quanto mais a um ministro.

Como é que uma pessoa com alguma reputação no mundo académico se enrola em tamanha vaga de incompetência?
Muito consciente das questões formais e legais, nada sabe acerca das questões reais e concretas que lhe passam pela frente.
É apanhado constantemente com as calças na mão.

Mas há uma coisa que temos de lhe reconhecer:
O homem preserva o tacho de ministro com uma determinação que lhe falta para tudo o resto.

Mas que triste figura..

Um ministro da defesa

Nesta semana que passou e no meio do carrossel mediático à volta da questão Egípcia fiquei fascinado com um dos convidados da SIC para comentar o acontecimento.

Fascinado pela sua visão única da história recente e muito descansado por saber que tivemos o nosso ministério da Defesa entregue a tão insigne académico.

Foi ele, Nuno Severiano Teixeira.

No meio de uma dissertação cheia de lugares comuns e generalidades acerca da situação, digna de um mero leitor de sites na Internet, fiquei a saber que "Mubarak era considerado um herói nacional pela sua vitória na guerra de 1971 e pela conquista do Sinai" (palavras de Severiano Teixeira).

Quando ele disse aquilo comecei a ficar um bocado inquieto porque uma das minhas áreas de interesse é precisamente o conflito Israelo-Árabe e eu não me lembro de nenhuma guerra em 1971. Muito menos de nenhuma vitória do Egipto.

Na verdade o que se passou por essa altura foi a guerra do Yom Kippur. E tem este nome porque a ofensiva inicial dos exércitos Sírio e  Egípcio foi feita num dos dias mais sagrados do judaísmo - o Yom Kippur.

Mas isso foi em 1973. E não resultou numa enorme vitória dos países árabes.

Um pouco de história para o sr. ex-ministro ficar a par...

A ofensiva inicial em duas frentes colocou Israel numa situação desesperada. A ofensiva nos Golan a Norte e no Sinai a sul fez com que, além do desnorte inicial, Israel tivesse de lutar em duas frentes com tropas escassas.


O Egipto atacou atravessando o Suez e abrindo brechas nas arribas de terra usando jactos de água para abrir caminho aos tanques.
Durante a 1ª semana a força árabe sob o comando da Síria e Egipto ganharam terreno de forma considerável.

Mas na segunda semana tudo mudou.
Foram chamados os reservistas que foram para o campo de batalha com qualquer transporte que conseguiram encontrar. Autocarros, carros particulares ou qualquer outra forma de transporte serviram para esses reservistas chegarem à frente de batalha.
A força aérea Israelita usando os seus F4 e Mirage abateu 277 aviões inimigos negando às força árabes o suporte aéreo que tanto precisavam. As forças aéreas árabes ficaram incapacitadas. As baterias de misseis Sírios foram destruídas pela força aérea Israelita que as atacou voando sobre território Jordano e atacando o flanco Sul desprotegido.
Há pilotos Israelitas com números de vitórias em combate muito pouco típicas do combate aéreo moderno.

Uma ofensiva nos Golan e no Sinai dizimou quantidades enormes de tanques inimigos.
A ofensiva a norte parou a escassos kilómetros de Damasco. A uma distância em que a capital da Síria podia ser bombardeada por artilharia.
Forças Jordana entraram em território Sírio para ajudar na defesa da capital e foram dizimadas.

Estas batalhas permitiram a captura de quantidades massivas de material intacto.A sul uma batalha que envolveu 2000 tanques (a maior batalha de blindados depois de Kursk (2º Guerra Mundial) deixou destruídos 264 tanques egípcios contra apenas 10 israelitas
No Sul a captura de T54, T55, T62 e PT76 de fabrico russo engrossou as fileiras de Israel. A norte T55, T62 e Centurions jordanos iguais aos que já dispunha Israel.

Os T54 e T55 foram reconvertidos e colocados ao serviço com os nomes de Tiran 4 e Tiran 5. A sua arma foi mudada mas permaneceram essencialmente o mesmo tanque.
Alguns foram reconvertidos para transporte de tropas e ficaram conhecidos como Achzarit.

Sabendo tudo isto fiquei surpreendido com o elevado conhecimento de um ex Ministro da Defesa (se ele tivesse sido ministro das finanças não me surpreendia já que temos uma história extensa de ministros da finanças que nada sabem sobre o assunto) que se enganou na data do conflito e se enganou em relação a quem o ganhou.

Na verdade, Israel atravessou o Suez abrindo uma brecha por entre dois exércitos egípcios forçando o Egipto a assinar o cessar fogo a 110 Km quilómetros do Cairo.

O Sinai ficou na mão dos Israelitas até aos anos 80 e foi devolvido após a assinatura do tratado de paz com Saddat (que acabou por resultar na morte deste por ser considerado por certas facções egípcias como um traidor)


Como se pode ver, após a guerra do Yom Kippur uma parte do território Egípcio a Oeste do Suez foi ocupado por Israel. A norte uma parte do território Sírio a Leste dos Golan ficou também sob controlo Israelita.

Após a derrota, o Egipto "vendeu" internamente a ideia de que a campanha tinha sido uma estrondosa vitória. E de facto foi enquanto os Israelitas não se reagruparam e fizeram a contra ofensiva. Parte desta manobra de propaganda interna foi a criação de heróis. Mubarak foi um deles. Pelo seu fantástico papel na acção da Força Aérea (que acabou dizimada). Foi promovido a Marechal em 1974.

E chega de história.

Ora bem... O ex ministro da defesa não só demonstra uma séria ignorância na matéria como nem sequer tem o cuidado de não a mostrar na televisão. Nem sequer se prepara para a ocasião.

Aparece por ali debitando vulgaridades e incorrecções para um público que pensa ser ainda mais ignorante do que ele. Isto é um pouco o sinal da qualidade de quem tem governado este país. Uns académicos convencidos que não precisam de saber mais nada e com a plena convicção de que sabem tudo o que há para saber.
Tenho imensa pena que Nuno Rogeiro não estivesse também nesse programa, mas estou seguro que nessa eventualidade Severiano Teixeira não diria o que disse com aquela superioridade intelectual que caracteriza os ineptos.

A interpretação dos factos é frequentemente distorcida pelos intervenientes num conflito, mas a história regista estes eventos. Num mundo em que o acesso à informação é incrivelmente fácil, percebemos até que ponto somos governados por gente sem conhecimento, sem estatura e sobretudo sem vergonha.
Posso aceitar que alguém que não se debruce sobre o tema não tenha certeza de datas.
Já não acho tão normal que não saiba quem venceu um conflito.

Seria completamente estranho ouvir alguém dizer que quem ganhou a 2ª Guerra mundial foi o Japão e a Alemanha.
Mas aparentemente temos académicos que não sabem o mais básico acerca daquilo que leccionam.
Sabem quais são as áreas de especialidade deste homem?

Principais Áreas de Investigação:
- História Contemporânea
- Integração Europeia
- Política Externa
- Defesa e Segurança Internacional

Não acreditam? Vejam vocês mesmos aqui.

Não há dúvida que sobre história contemporânea estamos conversados. Será que ele lecciona alguma coisa sobre engate de estrangeiras? É que o homem parece leccionar no Curso de Relações Internacionais.

Deve passar férias no Algarve...

Este artigo foi-me enviado por um leitor deste blog (António J. Freire) a quem agradeço desde já.
O facto de o limite de caracteres por comentário não o ter dissuadido merece um agradecimento suplementar.  

Isto faz-nos pensar como é que estas pessoas recolheram tão notáveis curricula. É espantoso que sendo as áreas de investigação a História Contemporânea e a Defesa e Segurança Internacional não saiba na ponta da língua tudo o que seja detalhe sobre os conflitos recentes. Seria no mínimo a sua obrigação.
Meter uma asneirada destas significa que o seu conhecimento sobre os conflitos em causa é verdadeiramente sumário e isso é preocupante. Não é o que se espera dum ex-ministro da Defesa.
Ainda por cima dar voz aquela que foi a versão egípcia para consumo interno, diz bem da qualidade da investigação que deve realizar nestas áreas...

O nó górdio

Com a pequena clarificação do BE acerca da sua moção de censura tudo ficou um bocado mais confuso.

Louçã, certamente "desconhecedor" do conceito de moção de censura afirma que a que ele vai propor é contra o governo...e contra o PSD.

O homem não é maluco, nem burro. Portanto esta estratégia parece ser mais uma forma de evitar que a sua moção produza efeitos do que outra coisa qualquer.
Com estes pressupostos não é muito fácil que o PSD vote uma moção contra si próprio, ainda que por uma moção contra um partido da oposição raia os limites da demência.

O PCP vota o que lhe aparecer, mas quanto aos outros partidos da oposição a coisa fica mais nebulosa.

Sócrates esqueceu-se que é apenas secretário Geral do PS e exige ao PSD que clarifique a sua posição. Isto obviamente com uma argumentação típica dos mistificadores e aldrabões de alto quilate:

Que assim o "fabuloso" esforço do PS pode ser deitado por terra
Que cada dia que passa nesta incerteza é a demonstração do desprezo pelos portugueses (ele lá saberá, já que tem desprezado os portugueses como nunca ninguém o fez)
Porque o PSD ao não anunciar a sua posição está a "passar das marcas"
etc etc etc

O homem está em pânico. E como um jogador de poker em início de "carreira" está a demonstrar um imenso nervosismo por causa de um parceiro que nem sequer está a fazer bluff. Está simplesmente calado.
O que o PSD devia fazer era fazer sofrer esta criatura até ao dia da apresentação e votação da moção. Se bem que depois talvez tivessem de chamar as senhoras da limpeza para limpar a urina da cadeira que está destinada ao primeiro ministro na assembleia da república. Mas que seria lindo de ver ah isso era.

A maneira elegante de esta coisa passar é só uma. Um outro partido apresentar outra moção. E apresentá-la em termos decentes e não a fantochada que o BE fez ao tentar colar a oposição à actuação do Governo, votando a sua moção a um insucesso seguro. Se mais provas fossem precisas do demagogo que é Louçã, esta seria a prova final.

Se o PCP se chegar à frente, talvez deixe o BE num embaraço e tire o PSD do embaraço.
E no fim acabe com o sofrimento que este país tem vivido por ter este 1º ministro e a sua corja de lambe botas a comandar os seus destinos.

Vá lá, aceitam-se apostas. Quem será o outro partido que apresenta uma moção?
PSD? Se assim for o PCP talvez vote sim, o CDS também e o BE vote contra (era lindo ver esse gesto de coerência)
PCP? O PSD talvez a votasse se fosse posta em termos decentes, o CDS também e o BE não tinha outra opção.
O CDS? Aí acho que o PCP votaria contra e o BE também.

Está uma embrulhada monumental no parlamento. A respiração ofegante do PS e do governo ouve-se aqui.