Se ainda me pudesse espantar com alguma coisa

Estive a ouvir na TSF esta manhã a discussão no parlamento. O tema foi, obviamente o PEC IV.

Se ainda houvesse alguma dúvida acerca do carácter de Sócrates, as palavras de hoje são mais uma confirmação do ponto a que este indivíduo pode descer.

Não só mente descaradamente como, ao fazê-lo acusa os outros de o fazer. Foi o caso do Presidente da República que Sócrates insinua ter sido informado do PEC IV antes do seu anúncio em Bruxelas.

Apesar do comunicado da Presidência e de ser ter falado neste assunto até à exaustão, Sócrates insinua que terá falado com Cavaco Silva numa conversa privada.
Isto é claro, depois de dizer que informou os portugueses antecipadamente.

O respeito que Sócrates tem pelas pessoas deste país, desde o mais modesto trabalhador até à mais alta figura do Estado, é ZERO.
Não só os desrespeita pela sua mentira constante como o faz depois dizendo que foram os portugueses que se esqueceram do que ele disse. Não só são esquecidos como são mal intencionados.

Até António Costa acusa Teixeira dos Santos de ter feito um discurso desastroso, certamente para poupar o líder à vergonha. Culpa-se o yes man em vez do chefe. Sócrates, esse, fica sempre impoluto aos olhos dos camaradas do partido.

O facto é que estamos perante um mentiroso. Usa contra os outros a mesma argumentação que demonstra até à náusea que ele o é.

Já tínhamos visto alguma baixa política em Portugal ao longo destes anos pós 25 de Abril, mas Sócrates abriu um precedente - O mais alto detentor de um cargo executivo neste país é ao mesmo tempo o maior mentiroso que este país já teve.

Se nós detectamos isto no dia a dia, o que dirão os seus congéneres Europeus? O que dirá um ministro Francês ou Alemão do carácter deste indivíduo nas suas costas?

A resposta encontramo-la provavelmente nas taxas de juro da dívida soberana. O discurso e a prática estão em pólos opostos no que a Sócrates diz respeito.

A minha dúvida é só uma: Se houver eleições e se o PS perder (o que me parece inevitável) como é que se pode fazer um governo de base de apoio alargada com este fulano como Secretário geral do PS? A ter uma pasta ministerial?

Ou o PS se depura internamente e arranja um líder capaz para os próximo mandato ou então passará um mau bocado durante uns anos.
Não há nenhuma forma de reabilitar a imagem de Sócrates junto dos portugueses.
Não há um réstia de esperança para o PS se mantiver um líder assim. O PS tem algumas figuras capazes, mas não muitas. Não nos esqueçamos que para estar perto do poder e dos lugares mais apetecíveis muitos dos "livres pensadores do PS" se transformaram em sabujos do chefe durante estes últimos anos. Não há assim tantos que tenham sobressaído como alternativas sérias a esta loucura despótica de Sócrates dentro e fora do partido.
Carrilho não é seguramente um deles.

O Governo tenta agora a todo o transe voltar atrás "sem voltar atrás". Mas a questão não está só no conteúdo. Está também na forma.
Deixar toda esta mentira e desrespeito pelas instituições e pelos partidos que representam a maioria do povo português passar impune é dar um péssimo sinal a gente como Sócrates.
Isso apenas levaria a que repetisse ad nauseam a mesma estratégia, sabendo que o medo e a intimidação resultam sempre que precisar.

Está nas mãos da oposição por um fim a isto. E isto não pode passar em claro. Não pode.
A pouca credibilidade que o sistema partidário tem hoje seria ainda reduzida perante o suportar deste tipo de desaforo cometido por um primeiro ministro mentiroso ate à medula.

Polícia bom, polícia mau

A história repete-se de novo.

Aquilo que vimos há muito pouco tempo com a aprovação do OGE repete-se agora com o PEC IV.

Do lado do PS temos os caceteiros e os mendigos.
Nos caceteiros incluem-se Lacão, Silva Pereira e o próprio Sócrates.
Nos mendigos alinham Maria de Belém e Assis

Enquanto uns encenam um teatro denso e negro, com um cenário quem que vai faltar liquidez para pagar os salários, um período de taxas de juro a subir em flecha e uma austeridade forçada (ainda mais gravosa) pela irresponsabilidade do PSD, outros como Maria de Belém (que passa a vida a dizer que pensa pela própria cabeça) apela à responsabilidade, sentido de estado e a todas as "qualidades que sabe que a oposição tem".

É difícil perceber o raciocínio desta gente. Será que eles se convencem que a falta de confiança e o grau de risco que pagamos nas taxas de juro não tem nada a ver com eles?
Será que acreditam mesmo que o governo ainda goza de algum prestígio e confiança internacional perante os parceiros e os analistas económicos?

Olhando para a credibilidade de que goza o PS e Sócrates no nosso país eu diria que eles são o problema e são talvez o único empecilho à solução.

Todos os que eu ouço defender (sim, ainda os há) esta situação fazem-no lançando um manto de medo e de cenários apocalípticos se houver uma alteração. Depois de mim o dilúvio, é a máxima mais referida nos dias que correm.

A aberração económica que Sócrates e os seus rapazes criaram acabou por nos afectar a todos e não há uma única situação que este governo reconheça como desperdício. As instituições redundantes e inúteis por esse país fora que dão guarida às "bases" de apoio do PS, ou os cargos inventados em instituições úteis como sejam as administrações hospitalares são vistas por este governo como coisas necessárias. Supérfluo para eles é o que se gasta em pensões ou em comparticipações de medicamentos ou em deduções do IRS!!

Todo o desperdício, despesa insensata, prémios a gestores que nunca viram as suas empresas dar um euro de lucro que fosse, são normais e indiscutíveis.
O próprio governo não faz ideia do dinheiro que se desbarata nisto. E mesmo que soubesse não quereria de forma nenhuma "zangar" os seus boys. É que neste momento não é possível garantir-lhes um para quedas dourado. Todos eles estão condenados pela sua inação e total incompetência a ficar afastados da árvore das patacas durante uns bons anos.

Se o PSD tiver a coragem de fazer este Sócrates voltar para debaixo da pedra de onde veio só peca por tardio. Se este Teixeira dos Santos voltar a lecionar num curso de economia é uma verdadeira afronta ao sistema educativo universitário deste país.

Tivemos neste últimos seis anos o grupo mais incompetente, despesista e despudorado que este país já teve. Secundado por um parlamento e uma maioria de uma lealdade canina que alterou leis para proteger correlegionários e "amigos".
Tivemos o assalto a empresas privadas de boys incompetentes, como foi o caso de Vara que dias depois de se licenciar na Independente em Relações Internacionais entrava como administrador da CGD dando depois o salto para o BCP.
À vista de todos e perante a impotência geral. Não existe pior situação com outros, que não existiria com estes no poder. Se ficar pior é porque é inevitável seja com quem seja.

Mas há uma coisa que não podemos esquecer. Quem cavou o buraco foi este 1º ministro coadjuvado pelo seu Ministro das Finanças que foi incapaz de prever ou acertar uma coisa que fosse durante os seus mandatos em 2 governos. Omitiram ,mentiram e manipularam como o estão a fazer agora com este PEC IV.
Então propõem-se medidas destas apenas por "precaução"? Ou será que o artigo no jornal alemão, que dava conta de mais um buraco orçamental dias antes deste anúncio, estava certo até à última virgula?

Têm mesmo a certeza que isto é o melhor que temos? Não há melhor?
Não é possível.
Simplesmente não é possível.

O incompreendido

O nosso primeiro ministro é uma vítima.

Ele só quer mesmo o bem estar do país e manter o estado social. Gosta de negociar e a seguir a Guterres é talvez o 1º ministro que mais gosta de consensos.
É um dos maiores visionários no que diz respeito a questões económicas que o país já teve à frente dos seus destinos


E como é que ele demonstra estas coisas?

Patriota - Aumentando a divida de 80 para 150mil milhões de euros 5 anos, e comprometendo gerações com concessões e parcerias de 50 anos. Assegura assim o futuro das empresas nacionais que vivem do Estado. Ao mesmo tempo garante-lhes uma corrente interminável de quadros superiores já formados nos corredores do poder, para que essas empresas não tenham de recorrer a head hunters ou às entediantes entrevistas de candidatos. Isto sim é pensar no futuro do país

Com uma paixão pelo estado social - Reduzindo a despesa pública para que o estado possa continuar a dar aos cidadãos que mais precisam. Contém essa despesa congelando as pensões de reforma, reduzindo a escandalosa comparticipação em medicamentos ou mesmo reduzindo as prestações sociais em caso de desemprego para incentivar os desempregados a entrar no mercado de trabalho.

Adepto de consensos - Apresentando medidas certas e justas que são alvo de consensos quando negociadas à posteriori. Sabendo de antemão que não violam qualquer acordo feito com outros intervenientes, porque ele diz. Mantendo firmes as intenções de continuar com obras de grande envergadura usando dinheiro emprestado porque sabe que existe consenso (só pode haver) quanto ao efeito multiplicador das mesmas. Se o consenso não existe é claramente um problema dos outros e ele luta e lutará sempre por conseguir esses consensos. Algo que foi especialmente bom a fazer durante o 1º mandato.

Especialista em economia - É sabido que num país num estado de crescimento residual a melhor forma de o animar é aumentando a carga fiscal sobre as famílias e as pequenas empresas, deixando as grandes empresas gozar de regimes de isenção ou bonificação fiscal. Assim, os grandes investidores  sentem-se motivados a criar riqueza e a dar vitalidade à economia. Quanto maior for o perdão ou a ajuda (como foi o caso do BPN) mais confiantes se sentem os grandes investidores para lançar novas iniciativas.
O caso da RTP que recebe "algum" dinheiro dos contribuintes seja de forma directa ou através da taxa paga nas contas da EDP insere-se nesta estratégia. A RTP força as outras televisões a uma competição que resulta na criação de postos de trabalho nestas televisões. Veja-se o caso de Judite de Sousa e do outro senhor que agora não me lembro como se chama.

A oposição perante estes exemplos evidentes de savoir faire contesta porque não consegue ter a visão de Sócrates. São pequeninos, não têm sentido de Estado nem experiência de governação. Reclamam pelo facto de serem inferiores e perceberem que o único que pode tirar o país do buraco é Sócrates. De uma forma completamente irresponsável dizem que foi Sócrates que o colocou lá. Mas o que não percebem realmente é que a crise internacional causou tudo isto. A dívida que Portugal contraiu durante estes últimos anos foi para nos proteger da crise que Sócrates já antecipava em 2005.

Começou a pedir dinheiro emprestado, mal chegou ao poder, para alguma eventualidade. O juro estava baixíssimo e ele apenas aproveitou. Seria ridículo se não o fizesse. Não só ele foi um visionário como Vitor Constâncio foi premiado pela sua competência à frente do Banco de Portugal durante este período. O reconhecimento que ele obteve do BCE foi de tal forma elevado que lhe foi dado um lugar para que ele possa fazer o mesmo a nível Europeu. Não se arranjam economistas desta competência por aí aos pontapés.

Sócrates fez circular dinheiro na economia e se Portugal está como está a ele se deve agradecer.

O homem é um visionário. É o melhor primeiro ministro que poderíamos ter tido. Abriu-nos os olhos e ao escolhermos os próximos teremos sempre Sócrates como bitola para os medir. Sabemos que não vai ser fácil ter outro assim. É como o alinhamento dos planetas. É um acontecimento raro.

Soube rodear-se das melhores cabeças. Livres pensadores intelectualmente brilhantes. Silva Pereira, Santos Silva, Lacão, Assis, Vitalino Canas, Alberto Martins, Alberto Costa, Rui Pereira, Vara...
Uma lista demasiado extensa para a colocar toda aqui. Mas por estes exemplos se pode ver quão judiciosas foram as escolhas de Sócrates. A nata. Homens fora do normal. Totalmente alinhados com o 1º ministro a remar todos no mesmo sentido. Um equipa.

Quando ele ser for veremos como os portugueses vão ficar cabisbaixos e apavorados com o futuro. Deixaremos de ter a certeza do rumo de Portugal. Estaremos completamente à mercê duma mudança radical e isso nunca é bom. A estabilidade é um bem inestimável. E Sócrates tem sabido manter o rumo do país em direção ao objectivo. Lá longe, lá em baixo. Com Sócrates sabemos para onde vamos. Que existam opiniões acerca do sentido de declive só pode ser explicado por mau perder.

Nunca tínhamos tido um 1º ministro assim e nunca teremos outro assim. Não é fácil ser um homem que subiu a pulso, que tirou o curso ao fim de semana, que fez pós graduações tão raras que as Universidades nem se lembram delas e que ajudou a transformar pantanais e sucatas em centros comerciais de sucesso
O próximo poderá ser alguém que não fez nada disto. Lembrem-se bem disto no dia de votar. Ok?

E só para não dizerem que Sócrates não fez nada, aqui fica um pequeno gráfico que mostra a evolução do nosso país desde que ele rege os nossos destinos


A bem da estabilidade

Este é agora o argumento favorito do Governo e do PS.

Depois da enorme falta de respeito ao ter apresentado as novas medidas de "contenção" sem ter informado ninguém (oposição, presidente, parlamento, parceiros sociais, povo português), começa agora um frenesim na tentativa de conter os estragos.

Assis acusa o PSD de irresponsabilidade. É a loucura total. Depois de um disparate destes feito à revelia de todos, a irresponsabilidade estaria do lado da oposição se não o aceitasse.

Não há maior atestado de menoridade que se possa passar ao PSD ao agir assim. É duma arrogância suprema fazer as coisas nas "costas" de todos e esperar que arquem com as consequências.
Santos Silva, o incontinente verbal alinha pelo mesmo tom.

Agora até o geriátrico Vieira da Silva vem dizer que a paralisação dos camionistas pode por em risco a estabilidade e a economia. Um ministro ausente, que só se dá por ele quando a dose de medicação o força a dizer disparates vem agora apontar o dedo aos outros pelo risco de colapso da economia. Um ministro que NADA fez pela economia.

Esta argumentação já nem está ao nível da escola primária. Está ao nível do jardim infantil. É, e se não for parece, uma tentativa desesperada de se manter no poder mais algum tempo.

Isabel Alçada diz que não pode fazer nada porque Teixeira dos Santos não deixa.
Pergunto eu: Então nessas condições aceita continuar a ser ministra?
É preciso muito pouca espinha dorsal para aceitar a subjugação da Educação ao Ministro das Finanças. Vá-se embora, despeça os assessores e poupe a despesa de sustentar todo um ministério inútil.

A ministra da Saúde nem abre o bico. A ministra do ambiente não existe. O das obras públicas só abre a boca para insistir no TGV.

Não temos governo. Temos um louco e um senhor nas finanças que fazem tudo o que lhes dá na veneta. Acredito até que no meio destes ministros muito poucos ou nenhum sabiam deste novo pacote de austeridade. Nem um conselho de ministros houve.

Ter um governo e o seu partido a manifestar espanto e até indignação (imagine-se) por ver a oposição atirar-se-lhes à garganta é de deixar qualquer um estupefacto.

Nunca vi nada assim. Isto é mesmo do pior que a política tem para dar. Isto é realmente baixa política. Mas mais seria impossível esperar com estes actores.

O discurso

Andamos muito numa "onda" de analisar discursos.

Mas há alguns que me chamam a atenção.

Tinha a televisão ligada e pensei que era um excerto de um qualquer discurso de Passos Coelho. Mas era a transmissão de um discurso em Viana do Castelo, suponho que para militantes e simpatizantes do PSD.

Tenho de lhe reconhecer uma coisa. Ele tem de facto a capacidade de falar de forma compreensível.
Não sei se é de tanto ouvir o discurso aldrabão de Sócrates, com argumentação de débil mental ou se é mesmo porque o discurso de PC tem uma qualidade intrínseca. Mas caramba, que diferença.

Comparado com o que ouvi, Sócrates é um vendedor de cobertores de feira, que dá uns tachos de brinde.
Sócrates fala para tontos que pretende acicatar contra certos sectores da sociedade para legitimar as suas inacreditáveis medidas. Passos Coelho falou para gente que tem cérebro.

Estou particularmente à vontade porque não voto PSD e sempre achei que PC era a versão 2 de Sócrates. Carinha laroca, boa pinta e cabeça vazia.

Mas sou forçado a reconhecer que há muito tempo que não ouvia nada que desse uma réstia de esperança às pessoas. E logo a mim que sou um pessimista militante.

Se ele conseguir acompanhar a prática com o discurso, e se capitalizar no descontentamento que o país tem com Sócrates e o PS, o PSD vai arrasar em campanha eleitoral.
Se essa campanha apresentar um Sócrates desesperado, um Assis asinino e um Lacão lambe botas, mais vale o PS começar já a pensar em trocar de líder.

É a serenidade contra a crispação, a argumentação simples e clara contra o discurso intelectualmente desonesto.
Até na questão das SCUTS PC foi mortal. Não encontro uma forma melhor de chamar cobarde, mentiroso e desonesto a uma pessoa, sem usar palavras que não sejam ofensivas. Ele conseguiu. Brilhante.

Já tinhamos ouvido de tudo. Desde os discursos delico doces de Sampaio que nunca levaram a nada até ao discurso severo de Cavaco a quem ninguém parece dar atenção ao de Jerónimo que parece ter sido tirado da unidade criogénica onde residia desde 1975 em animação suspensa.

Passos Coelho tomou uma posição de honra quanto ao acordo que não aceita que seja quebrado, tomou uma posição de responsabilidade ao dizer que se o governo não consegue governar que saia porque haverá quem está em condições de o fazer.

Para mim foi uma lufada de ar fresco. Não sei se foi para mais alguém.

Já pouco me importa que tenha tardado. Mais vale tarde do que nunca.