Esperemos que o resto do governo também se demita...

Ontem dizia Teixeira dos Santos que se o 1º ministro se demitisse ele faria o mesmo.

É bom saber que a solidariedade evitará ter um governo em funções com um 1º ministro ausente. Seria terrível ter ainda que gramar todos os ministros após a saída de Sócrates.

É um bocado ridículo ter um ministro das finanças a dizer uma coisa destas na televisão.
Talvez devesse ter sido informado que se o 1º ministro se demitir todo o governo cai e o emprego dele vai pelo cano abaixo. Vão também todos os secretários de estado e toda a corja de assessores de coisa nenhuma que são contratados a peso de ouro fora das regras de contratação da função pública.

Não há demissões solidárias nem nada que se pareça.

Se acontecer, é um colectivo pontapé no cú na mais miserável equipa que já governou este país.

O bombeiro pirómano

As opiniões divergem.

O PS acha que a culpa é inteiramente do PSD. Porque não lhes dá mais crédito. Seria desta que tudo se resolveria se o PSD não estivesse teimosamente contra a aceitação destas medidas definitivas para resolver a crise.

O PCP e o BE acham que a culpa é do PS e do PSD. Do PS porque andou a desbaratar o dinheiro dos contribuintes e do PSD porque deixou. Não esqueçamos a responsabilidade que Cavaco teve até 1995 ao lançar as bases do despesismo de Guterres e dos que se lhe seguiram.
A raiz do mal está precisamente no exemplo dado por Cavaco. Guterres e os seus ministros eram tão estúpidos que se limitaram a seguir e a empolar os erros do predecessor.

O CDS e o PSD acham que a culpa está do lado do PS e do governo. Após 6 anos de austeridade, consegue ainda falhar previsões, errar estimativas e esconder aumentos de despesa. Para evitar outros males apoiou medidas de contenção, esperando que o PS ardesse em lume brando até se transformar em cinza. O problema é que no fogo lento estávamos todos nós. E quem ardeu fomos nós.

Uma coisa é certa. Alguém que seja ministro das finanças tem a obrigação de antecipar os piores cenários. Mesmo perante situações de catástrofe não se pode agir como se nada se passasse. A crise internacional serviu de argumento para desculpabilizar o governo até há semanas atrás.
Nunca foi referido o seu erro sistemático de previsões ou a falta de controlo da despesa do Estado (e não estou a falar daquela que é fundamental).
Perante todos os avisos preserverou  numa  rota de colisão com o inevitável. Desbataram-se milhões em cima de milhões que é quase impossível recuperar no espaço de dois anos, sobretudo quando as medidas tomadas deprimem completamente a economia a ponto de causar recessão.
O estado não fez aquilo que obrigou os portugueses a fazer. Veja-se a dimensão do desvario em DESMITOS.
Para o PS e para o governo, temos o grupo mais virtuoso que era possível.

Está a fazer o papel do bombeiro que tenta com grande esforço apagar um fogo com que se deparou. O facto de ser um bombeiro pirómano que ateou o próprio fogo é simplesmente omitido.
O bombeiro pirómano acusa os outros de não o ajudarem a apagar o fogo. E para isso tenta apagá-lo com  gasolina. Quando todos os outros dizem que o fogo ainda vai ficar maior, acusa-os de quererem que a mata arda toda e que querem apenas que ele se queime a tentar apagar o fogo.

É este o papel deste desgraçado governo. Que desde incompetente a desonesto foi tudo o que se possa imaginar. Secundado por uma turba acéfala de boys sem carácter que veremos na linha da frente para a "reestruturação" do partido.
Todas os ineptos que se passearam pelos media a apoiar as medidas mais inacreditáveis do líder, estarão num congresso a apoiar a sua alternativa. Gente que nunca soube fazer nada mais além de viver da política e dos tachos que ela traz, não irá de forma nenhuma perder uma oportunidade de voltar a estar numa lista ao parlamento ou a uma função qualquer que possa acumular com o que já tem.

Foi nisto que se tornou o PS. Um partido apodrecido, que silenciou as vozes discordantes e que fez subir os melhores bajuladores. Até os adversários assumidos desta corja como o foram João Soares ou Manuel Alegre se renderam aos factos e permaneceram 6 anos à espera. E para isso tiveram que defender com alguma frequência um líder de tendências totalitárias e absolutamente teimoso e incompetente.

Não sei se o tiro lhe saiu pela culatra ou se tudo isto foi planeado. Mas a verdade é que agora até  responsáveis Europeus confirmam a mentira de Sócrates ao dizer que havia margem para negociação e que não se tinha comprometido com nada. Para Jean-Claude Juncker é claro que está a lidar com um aldrabão. Que lhe diz uma coisa de maneira formal e regressa ao país para mentir despudoradamente a todos.
Simular uma abertura para negociações, apresentar uma alternativa ao PEC IV que em nada muda aquilo que era a versão base.
Grande parte das medidas são o rasgar puro e simples do acordo que tinha sido feito com o PSD para viabilizar o orçamento. Todas as medidas com que o PSD não concordou (alterações no IVA, redução de deduções em IRS) voltaram neste PEC para que fossem negociadas (??).

A mais absoluta má fé, uma forma de fazer política baseada na coação e extorsão, que não difere muito dos gangs de pior reputação da história. Foi este fulano que elegemos duas vezes. É este fulano que diz que se vai recandidatar uma terceira.

As medidas do desespero

Sou um desconfiado militante com quotas em dia, não há dúvida nenhuma.
Ouvi há bocado na SIC notícias esta "medida" do governo. Vim á procura e encontrei uma explicação no Público

No Programa de Estabilidade e Crescimento divulgado esta tarde, o Executivo recupera uma medida prevista no Orçamento do Estado e garante que irá promover “a reestruturação, em 2011, dos serviços e organismos da Administração Central do Estado, mediante extinção, fusão ou externalização de estruturas administrativas”.

Além disso, fica-se a conhecer o número total de cargos dirigentes superiores, intermédios e equiparados que deixarão de existir ou que não serão ocupados após a cessação das comissões de serviço. Ao todo estão em causa 991 lugares, que correspondem a 15 por cento do universo global dos dirigentes públicos.

O PEC não actualiza, porém, a lista de organismos a extinguir ou reestruturar divulgada em Outubro do ano passado e que o Ministério das Finanças já garantiu que seria reformulada.
Eu diria que o mais provável é que tudo o que seja assessor de ministro, de director, de presidente de câmara, de chefe de gabinete, de senhora das fotocópias e afins perdure fora do abrigo desta medida.

Notável é também a reformulação dos 50 organismos que iam (iam.... pois parece que não se pode extinguir nenhum, porque os pobres ficariam no desemprego segundo a brilhante mente de João Galamba) ser extintos.
O governo deve ter percebido que as pessoas não se iam evaporar sozinhas e acaba por ter de reformular a lista.
Não há certamente nenhuma necessidade de muitos dos que ocupam lugares nesses organismos, pelo que a transfrência para sítios onde possam trabalhar e fazer falta é uma impossibilidade.
Medida sobre medida, nunca se passa do anúncio e da cortina de fumo.

Mas há mais.
Na proposta do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) de 2011-2014, que acaba de ser divulgada, o executivo estima conseguir até 350 milhões de euros com receitas adicionais de capital, decorrentes de concessões na área do jogo, comunicações e energia, mas também da venda de património, resultado da “reavaliação sectorial do potencial de imóveis desocupados para alienar”. De acordo com o Governo, esta medida terá um impacto equivalente a 0,2 por cento do PIB.

A este aumento das receitas de capital irá juntar-se uma redução das despesas com investimento, até ao máximo de 400 milhões de euros. Este corte resultará da recalendarização de projectos cuja implementação estava prevista para este ano, como é o caso da construção de equipamentos escolas, outros equipamentos colectivos ou infra-estruturas de transportes. De acordo com o executivo, a poupança nestes projectos equivale a 0,45 por cento do PIB.

A poupança resultante das receitas e das despesas de capital representa mais de metade do esforço adicional de consolidação que o Governo quer implementar este ano, ou seja, 0,45 por cento do PIB face a um total de 0,8 por cento.
Nas obras do Estado aparecem as escolas mas não existe preto no branco a suspensão do TGV.
O projecto mais consumidor de recursos (num futuro próximo) poderá ou não estar englobado naquilo que é referido como infra-estruturas de transportes. Estará?  Querem apostar?

Não importa fazer nada. Basta anunciar que se faz alguma coisa. Mais tarde alguém vai fazer a "contabilidade" final e vai apanhar uma surpresa assustadora.

Como é que este governo e este partido Socialista podem falar de confiança quando não são dignos de confiança nenhuma? Não há um anúncio sério, taxativo e sem qualquer ambiguidade. Nunca.

O pânico

Este país está mesmo virado às avessas.

A mentira é verdade e a verdade é mentira. Não é fácil encontrar o caminho no meio da confusão e da retórica a que temos assistido nestes últimos dias.
Alguma dessa retórica é duma infantilidade gritante. Outra raia os limites da esquizofrenia. E outra é pura e simplesmente mal intencionada.


João Tiago Silveira
“o PSD escolheu insultar e avançar com factos que não correspondem à verdade, falou em mentiras, falou em deslealdades, falou em aldrabice”.
“o PSD disse que o Governo tinha assumido compromissos sem o conhecimento dos portugueses” e que “já não havia negociações a fazer”
“Eu queria repudiar isto violentamente. É absolutamente falso que assim seja”.
Silva Pereira
Silva Pereira confirmou também que o PEC vai ser entregue amanhã no Parlamento e manifestou a disponibilidade do Governo para dialogar com a oposição, de forma a "poupar o país" a uma "crise perigosíssima" para a economia portuguesa. "O Governo está inteiramente disponível para negociar", disse.

"A Economia nacional precisa de manifestações de confiança"
António Costa
"o que é importante na vida política nacional é que a temperatura baixe, que as pessoas esclareçam o que há para esclarecer, negoceiem o que tem de ser negociado, e encontrem uma solução que corresponda à defesa do interesse nacional”.
“Não sei se Passos Coelho quando disse isso porventura ainda estava com algum dos equívocos que uma má comunicação tinha gerado. Eu próprio confesso que só no domingo à noite percebi que as pensões mínimas não estavam congeladas. Porventura, muita gente tomou posições com base em posições equívocas.”
“Há um conjunto de objectivos gerais que o Governo assumiu junto da União Europeia e um conjunto de propostas que o Governo apresentou. É necessário discuti-las e trabalhá-las”
José Lello
“Estamos a privilegiar a forma em detrimento da substância. No passado sempre aconteceram circunstâncias semelhantes, aliás, em 2004, o Governo do PSD e CDS apresentou pura e simplesmente o PEC definitivamente a Bruxelas, sem passar nem pelo Presidente da República, nem pelo Parlamento, nem pelo povo português”
Perante isto, só há 3 possibilidades.
Ou o leitor atento pensa que de facto o governo fez TUDO para salvar o país da crise e o PSD (que como sabemos é o único partido com assento parlamentar além do PS) é o responsável pela desgraça em que nos vamos encontrar.
Ou, pelo contrário, pensa que o PS e o governo passaram a usar a velha estratégia de repetir a mentira até à exaustão, esperando que ela se torne verdade
Ou ficam tão baralhados que dizem "eu nem quero saber". Que é por acaso uma forma muito corrente de os portugueses resolverem os problemas. Sobretudo os mais graves.

Já tenho uns anitos de vida. Já vi as coisas mais fantásticas em política. Mas não me recordo de ter visto em política a aplicação perfeita daquela anedota que envolve um "determinado" indivíduo dum "certo" grupo étnico que vai a julgamento por causa de ter morto outro à facada.
Quando interrogado acerca do episódio diz: Sr. Dr. Juiz eu estava sossegado a arranjar as unhas com o meu canivete na mão. O homem veio para mim e atirou-se 7 vezes para cima da faca. O que é que eu podia fazer?

Se o medo e a cobardia matassem... estávamos todos mortos

António Costa. José Lello, Francisco Assis, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão.

Todos com uma coisa em comum. Estão borrados de medo.

Ou ainda há alguém que acredite que pedem agora compreensão ao PSD a bem do país?

É que todos eles tiveram 6 anos para pensar no bem do país e só pensaram no seu próprio bem. Tudo estava fine and dandy.

Não passavam de bocas da reacção os avisos de Manuela Ferreira Leite e de outros como Medina Carreira que diziam há anos que iamos a caminho da desgraça.

O facto de Sócrates ter forçado esta situação de forma calculada não me sai da cabeça. Ele sabia que só poderia forçar um gesto de tomada de posição do PSD ultrapassando tudo aquilo que seria aceitável.
Sabendo que estava à beira de ter de pedir ajuda, forçou a situação dizendo agora que se tivermos ajuda do Fundo Europeu é por culpa do PSD.
Este fulano é incrivelmente perigoso e desavergonhado. Ele sacrifica quem quer que seja, povo português incluído, para tentar sair ileso duma situação que ele próprio criou.
Dos seus correlegionários já não estou tão seguro. Parece-me mais o desespero de se verem a perder o tacho. Seguramente preferiam manter-se agarrados a um governo em avançado estado de putrefação do que agarrados a nada. E é mais ou menos isso que antecipam - uma travessia do deserto. Ver-se ao fim de 6 anos de "plenos poderes" a ser mais um deputado que diz que não. Não estão habituados. É natural.

Passos Coelho e o PSD parecem ter mesmo tomado uma posição de princípio. E desenganem-se aqueles que acham que agora é uma catástrofe.
O PSD e a CDU de Merkel são do mesmo grupo no Parlamento Europeu. Não duvidem que Merkel estará avisada do que se vai passar.
Imagino que venhamos a ter uma surpresa com a evolução do juro da dívida soberana. É que não há ninguém desde analistas a políticos que acredite em Sócrates e na sua capacidade de fazer alguma coisa.

Por estes dias vi na Sky um economista dizer que era inevitável que Portugal pedisse ajuda para manter o Euro sólido. Acrescentou que a possibilidade de Portugal conseguir reformas capazes com este executivo eram nulas. Aparentemente não há ninguém que não tenha dado pelo embuste que é Sócrates e o seu incompetente ministro das finanças.

E para aqueles que ainda tentam justificar um voto em Sócrates com o argumento de que os outros são iguais, só quero lembrar-vos que Sócrates teve a hipótese de evitar isto. Foi avisado à saciedade, mas com a sua tipica soberba ignorou tudo e todos e persistiu.
Ainda persiste em coisas como o TGV. Virtualmente defunto ainda quer deixar betão ligado ao seu nome nem que seja empenhando o que resta do país.
Nunca antes nenhum governante se viu confrontado com a banca rota. Muitos lançaram as raízes do mal, é certo, mas desde há 6 anos que tendo sido detectadas poderiam ter sido corrigidas.
Não houve estratégia a não ser a de colocar os boys no poder. Boys esses incontroláveis a ponto de não se conseguir controlar a despesa.
Nunca antes tivemos um 1º ministro que mente descaradamente de cada vez que fala. Em tudo.
Desde a defesa do Estado Social até à criação de emprego até aos fundamentos deste PEC IV. São 6 anos de mentira que começaram com a manipulação dos números de deficit ainda na sua 1ª campanha eleitoral. Da criação de 250 mil empregos que até aos 9% de desemprego ainda tinham alguns acéfalos do PS a tentar demonstrar. Da suposta reforma da Segurança Social que mais não foi do que tirar mais e dar menos de volta. Da reforma da justiça que se ficou por incontáveis revisões dos códigos penal e civil que nunca acrescentaram nada de eficácia aos sistema. Bem pelo contrário. O caso da revisão do código penal feito á medida do processo Casa Pia de que tanto se falou na altura. Pouco importava por fora das prisões delinquentes perigosos se isso servisse para "safar" um amigo do PS. Afinal é o "povo" que tem de gramar a criminalidade. Eles têm segurança e não se arranja um delinquente perigoso e estúpido a ponto de tentar carjacking com o carro do 1º ministro (é pena...)

Não é possível que os outros sejam iguais. Ainda há gente honorável e de princípios algures na política. Já sabemos que Sócrates não é um deles. Mas que os há, lá isso há.

O que preferem? Morrer às mãos deste carniceiro ou tentar uma hipótese de salvação? Se me disserem que assim está bem, então sou mesmo forçado a concluir que este povo tem TUDO o que merece.

Por uma vez na vida tirem o cu das cadeiras, usem a cabeça para pensar, vejam o que a vossa vida se degradou nestes 6 anos e no dia em que houver eleições vão votar e não se ponham com desculpas do dia de praia ou que os outros são todos iguais. Se são, votem em branco mas ao menos votem, caramba.
É que à conta dos abstencionistas andamos todos a gramar com maiorias de chacha e com políticos que não destoariam numa cadeia cheia de burlões.