O PCP já se pôs à margem

Ainda pensei que o PCP poderia ter uma oportunidade de fazer cumprir algumas das suas ideias para o país.

Não me chocaria ver um membro do PCP numa pasta como a do Emprego e Solidariedade Social ou até do Ambiente ou da Agricultura. Têm gente capaz para exercer essas funções.

Seria uma excelente oportunidade para tentar influenciar as políticas de um governo o mais alargado possível.

Estranhamente preferia isso a ter de ver um qualquer socialista reciclado a fazer parte dum executivo.

Infelizmente Jerónimo de Sousa já pôs um fim nessa possibilidade.
Não entendo como é que se pode por um lado criticar uma rejeição liminar e precoce duma moção de censura (a do BE) por parte do PSD, sabendo pela sua apresentação que essa moção visava também o PSD e ao mesmo tempo fazer exactamente a mesma coisa antes de se saber o que quer que seja de um programa de Governo que o PSD ainda tem de apresentar.

Receio bem que o PCP prefira fazer o papel do tipo que está de fora e critica todos façam o que façam. Ou que prefira mandar mas mandar sózinho. Afinal essa foi sempre a linha ideológica (e prática) de todos os partidos comunistas que servem de exemplo ao velho líder do PCP.

Continua a reger-se pela velha máxima de que o trabalho e o capital são irreconciliáveis. Um tem de significar o aniquilamento do outro.

É no fim de contas uma posição confortável. Não ter de estabelecer compromissos, de ter de encara a dura realidade na tomada de decisões e de poder tornar-se impopular junto de alguns sectores da sociedade.

É uma pena. Até que gostaria de ver como actuaria um ministro do PCP num governo de salvação Nacional. Ainda não é desta. Pode ser que com um líder nascido mais recentemente que não olhe para o antigo bloco de leste como o sitio da terra onde quase se chegou  à perfeição social, se venha a poder contar com o PCP para alguma coisa. Com este já percebi que só se pode contar para ir a uma "manif" gritar contra qualquer coisa.


A fama já chegou longe

Ri-me um bocado com este video que me mandaram hoje


No meio de tanta desgraça ainda há quem consiga manter o sentido de humor...

O que seria diferente se tivéssemos sabido a verdade?

Na verdade eu acho que nada seria diferente.

E por uma simples razão: Nós sabíamos a verdade. Mas não ligamos a esses detalhes.

Não foi apenas um economista a dizer o estado em que estávamos. Seria difícil ter sido só um olhando para a estagnação do país nos últimos 10 anos.

Desde os primeiros anos de crescimento anémico que muitos apontaram o dedo ao mal. E os governos sucessivos disseram que iam resolver tudo.
Durão Barroso com o seu famoso discurso do "pais de tanga" disse-o e quase foi apedrejado. Acusaram-no de falta de sentido de Estado, de baixar o discurso a um nível impróprio de um primeiro ministro. Acusaram-no a a ele e ao PSD de estar apenas a denegrir a imagem do desistente Guterres.

E apareceu Sócrates. Com o seu pendor reformista e com a promessa de que ia acabar com a bandalheira. E a bandalheira estava no funcionalismo público. Foi como um doce para todos aqueles que detestam esperar mais de 5 minutos numa repartição de finanças ou num hospital. Os funcionários eram a razão da ineficiência do sistema e tinham de ser postos na linha.
A péssima formação de um aluno que acaba o secundário era a exclusiva culpa dum corpo docente acomodado e pouco preocupado com o seu dever.
A culpa dos atrasos na justiça eram do símbolo máximo de poder (o magistrado judicial) que se refastelava com meses e meses de férias não cumprindo as obrigações que o seu elevadíssimo salário ditaria.

Logo que assisti a esta manipulação nos primeiros meses do 1º governo fiquei preocupado. Verdadeiramente preocupado.

Todos os bodes expiatórios apontados eram por diversos motivos incómodos para Sócrates e para o PS. Os funcionários públicos pela massa salarial que representam, e os magistrados pela independência e pelo potencial de apanhar os "camaradas" nos esquemas em que eram (e são) especialistas.

E aí se começou uma era de anúncios repetidos que por si só bastavam para resolver os problemas. Os media bebiam aquelas palavras como se fossem uma verdade divina, nunca questionando nem confirmando a sua aplicação. Chegavam a ser anunciadas várias vezes em debates na AR e o primeiro ministro ganhava sempre. Pois claro que ganhava.
Foi destruindo no partido aqueles que poderiam fazer-lhe frente, deixando apenas um restrito grupo de camaradas amestrados e inertes.

Completamente autoritário e incompetente obrigou os seus ministros a alinhar pela sua batuta, despindo-os de qualquer autonomia e de relevância. O desprezo a que os votou foi de tal forma imenso que nem discutiu com eles as medidas que foi apresentar a Bruxelas. Algo que nem Salazar se lembraria de fazer.

No fim do 1º governo, Manuela Ferreira Leite bem avisou o país para o que iríamos enfrentar em breve. Mas mais uma vez não ligamos porque a senhora é velha e Sócrates tem mais "pinta".
As televisões e a imprensa encarregaram-se de reforçar esta ideia até à nausea. A senhora não tinha boa imagem televisiva e foi até ridicularizada por aparecer com uma imagem mais "leve" numa entrevista com Judite de Sousa.

Ninguém quis saber. E ainda há muitos que não querem saber. Quando o Estado e as suas empresas faltarem com o salário ao fim do mês, talvez muitos dos que votaram em Sócrates se apercebam do ponto a que este país chegou apesar dos inúmeros avisos.
Pode ser que nessa altura pensem que o que quer que venha a seguir não pode ser tão mau. Ou talvez pensem na sua infinita estupidez que a culpa foi de facto de Passos Coelho por não ter negociado. Não devemos nunca subestimar o raciocínio bizarro de um imbecil.
Há gente que por uma questão de fé pode ser torturado até à morte sem culpar o torturador.

A ascensão de Sócrates ao lugar de 1º ministro irá ficar na história como uma das coisas estranhas que pode ocorrer pelo voto popular. Não nos esqueçamos que Hitler foi eleito por um povo desesperado e envergonhado pelas condições impostas pelos vencedores após uma guerra perdida.
A crença em líderes mal formados é infelizmente uma realidade. E Portugal é a prova mais que provada que a história se repete.

Sócrates não tem estatura, formação ou carácter para ser alguém que lidere um país.
Nem uma junta de freguesia. A sua única competência é destruir o adversário recorrendo à mentira à manipulação e a estratégias que envergonhariam um Borgia.

Mas ele foi eleito. Duas vezes. E foi eleito para líder do PS mais uma vez por uma margem digna da URSS ou de uma qualquer ditadura. O partido está nas suas mãos e quando ele cair o partido cairá estrepitosamente.

Em condições normais os membros destes executivos e toda a corja de boys colocados judiciosamente no aparelho de estado sentar-se-iam no banco dos réus por gestão danosa de um país inteiro. E antes deles os que estiveram com Barroso e com Guterres. Poderíamos ir até mais atrás com o desbarato e as fortunas rápidas que se criaram com a enxurrada de fundos da CEE.

Infelizmente isso nunca acontecerá, mas fica pelo menos a satisfação de tudo isto irá custar a Sócrates naquilo que a que ele dá mais importância - no ego.

E cá vamos nós outra vez

Menos de 24 horas passadas, aí temos já uma série de "ideias" que na verdade não são outra coisa que mais do mesmo.

A falta de imaginação e de soluções de quem nos governa ou quer governar é de bradar aos céus.

Dizia que Saldanha Sanches que "demasiado imposto mata o imposto".
E temos bastantes exemplos disto.

Lembram-se de quando Guterres resolveu a injustiça de os todo o terreno pagarem apenas 20% de IA? E que acabava por ser uma forma de muitos encherem este país com jipes de duvidosa eficiência energética?

Ele era Range Rovers e Pajeros por todo o lado. Não havia marido que não optasse por dar um carro de assalto à esposa. Era para as crianças andarem mais seguras diziam eles.

O governo de repente viu que podia arrecadar muito mais receita fiscal se pusesse o IA ao mesmo nível dos outros veículos. E assim fez.

O problema é que a venda desses carros caiu para menos de 1/5 fazendo com que a receita fosse de facto reduzida. Qualquer economista com dois dedos de testa poderia ter dito isso ao Ministro da Finanças da altura, ou até o próprio ministro podia tê-lo pensado. Mas não o fizeram.

Há uns rumores sob a forma de sound bytes que nos vão chegando duma possibilidade de aumento do IVA (outra vez) ou até de um escalão mais alto de IRS para aqueles que já lá estão.
Claro que o combate à fraude fiscal abundante de gente de elevados rendimentos não vai acontecer. Ninguém vai atrás de fulanos que declaram parcos rendimentos e vivem numa casa de uma off shore, que andam com um carro da mesma off shore e que modestamente vivem com um salário de precário.
Quem sobra? Quem já é esbulhado até ao caroço com 35, 37 e 42% de IRS recebendo em troca nada.

Medidas apalermadas como por o preço bilhete dos transportes públicos em função do rendimento é no mínimo uma ideia patética.
Como vamos fazer?
Andamos com um cartãozinho para mostrar no guichet dos bilhetes que diz quanto declaramos de rendimento?
Ou mandamos simplesmente tatuar na testa?
Um cidadão rico ou pobre não ocupa o mesmo lugar? Alguém que paga mais imposto não está já a contribuir mais para sustentar as empresas de transporte público? De onde vem o dinheiro que sustenta os prejuízos dessas empresas? O carro dum rico na autoestrada não causa o mesmo desgaste que o carro dum "mais" pobre? Vamos ter de andar com uma cópia da declaração de IRS afixada no vidro do carro?

Se as empresas começarem a estender este conceito até ao limite, começamos a ter de fazer isso com a electricidade, àgua e gás. E já agora porque não no supermercado? Um rico paga o leite a 10 euros o litro e um pobre paga a 50 cêntimos. Tudo o que seja acima do preço vai para o bolso do Estado.
Chamemos-lhe INPB - Imposto de Nivelamento Por Baixo.

Podem até esticar o conceito de forma muito mais "inteligente".
O estado fica com todo o rendimento das pessoas e depois dá senhas em troca.
Dependendo do seu rendimento as senhas podem servir para comprar mais ou menos bens. Um rico recebe menos senhas e um pobre recebe mais.
Isto não é mais que a velha máxima "de todos de acordo com as suas possibilidades para todos de acordo com as suas necessidades. Afinal alguém que trabalhe mais, seja mais qualificado e se esforce mais tem as mesma necessidades - Sobreviver.


Não tarda nada estamos todos a pedir aos empregadores que nos paguem o salário mínimo uma vez que recebemos mais senhas do Estado. E isso iria ajudar enormemente na nossa competitividade. Os empregadores iriam ADORAR.

Mais vale fazer deste país o primeiro paraíso do comunismo igualitário. Vamos até onde nem a China conseguiu. Uma roupinha igual para todos, acabam-se os carros (porque até são importados) e transforma-se esta merda na Albânia de Hoxha. O Louçã vai adorar.

Este tipo de idiotices só podem passar pela cabeça de gente incapaz ou demente. E como salva de abertura não são exactamente aquilo que queremos ouvir.

Não se tira uma economia da recessão destruindo completamente o poder de compra das pessoas. Adeus consumo interno. Adeus empresas que vivem dele e adeus empregos nessas empresas.

Estes "pensadores" são incapazes de pensar "outside the box", de fazer raciocínios a partir do zero ou de pensar sequer nas razões das coisas.
A fiscalidade devia ser uma forma de providenciar aqueles que têm menos retirando aqueles que têm mais.
Mas na verdade os que têm mais não vêm nada a ser-lhes retirado e são os do meio que pagam para todos. E sobretudo pagam para sustentar a loucura despesista deste Estado. Nem sequer é para os que têm menos.
Isto não é solidariedade fiscal. Isto é confisco puro e duro. Nos impostos directos e nos indirectos.

Se o PSD começa com este tipo de ideias peregrinas e não se empenha em cortar na despesa superflua do Estado, ainda acaba a ser muleta minoritária do mesmo partido de quem andou a dizer cães e gatos nestes últimos 6 anos.

E não me venham com a história de ainda não saberem o tamanho do buraco. Em vez de panaceias fáceis façam o trabalho de casa e encontrem soluções duradouras.

Se assim não for, dentro de pouco tempo teremos gente a ansiar pela volta do desgraçado aldrabão que se foi embora ontem.

Pelo buraco eu diria que não vai só o nosso dinheiro.
Vai também a inteligência, o decoro e a vergonha


6 anos tarde demais

Deve ser realmente insuportável para alguém com a soberba de Sócrates ter de se vergar à maioria da assembleia.

Maioria sim. Apesar de ter sido legitimamente eleito o PS esteve em minoria neste mandato e foi apenas encostando-se a uns e a outros que conseguir sobreviver até agora.

Durante a maioria absoluta não precisou disso. Atirou o povo contra grupos profissionais manipulando e mentindo para obter os resultados que queria.
A sua visão economicista (talvez miserabilista) para com alguns nada tinha a ver com a atitude para com outros.
O que poupava na saúde ou na educação desbaratava com serviços contratados pelo Estado numa espiral de loucura que ainda dura este ano de 2011.

Funcionários do estado, conhecedores das matérias foram simplesmente descartados e substituídos por assessores medíocres, bem pagos e só com uma virtude aos olhos de Sócrates e de toda a pandilha governamental - não diziam que não.

Hoje assiste-se a um sem fim de assessores e gabinetes de advogados que vivem do Estado e à volta dele, criando uma teia de interesses insuportável quer do ponto de vista do regular funcionamento do Estado quer do ponto de vista económico.

Para estes nunca faltou dinheiro. Não faltou sequer para um assessor de um Director Geral das Artes enquanto se voltava atrás com a palavra dada a instituições culturais. Até a bela Canavilhas enveredou pela falta de palavra e de respeito, seguramente debaixo da mão de ferro dum Ministro das Finanças absolutamente incompetente e apostado a fazer aquilo que o seu dono mandava.

As estatísticas manipuladas, das quais se destaca o deficit de 2010 possivelmente aldrabado. Aldrabado como praticamente tudo o que este governo fez, ou melhor não fez.

E isto não foi só após a "crise internacional". Este 1º ministro e os que o rodeiam aldrabam e manipulam tudo o que seja número que pode jogar a seu favor.

Perdemos 6 anos. Mais do que perder, regredimos em 6 anos. E no final, este homem tem a suprema falta de vergonha de assacar aos partidos da oposição, que lhe foi dando balões de oxigénio, a responsabilidade do desastre. Tal como atirou para cima do PSD a responsabilidade das portagens nas SCUTS.

Nem se inibiu desse gesto de suprema cobardia à frente das câmaras de televisão.

Elegemos o pior político de que tenho memória. Muitos louvam a sua firmeza de objectivos como se isso fosse uma qualidade em si. Talvez vos deva lembrar da firmeza de Hitler ou de Estaline, ou de Mao.

Todos eles foram firmes e disso ninguém duvida. Mas todos eles foram criminosos para lá do imaginável.

Sócrates não é um democrata. Não sabe lidar com várias opiniões. Vale a dele e todos os outros cometem crimes de lesa majestade por não terem a mesma opinião. Não passa de ser mais um que se torna insuportável quando tem poder
Assim reduziu o PS a uma corja de pedintes e sabujos ranhosos. Que contêm a náusea ao defendê-lo. Alguns estão tão habituados que já nem náusea sentem. Só pode contrariar os seus princípios e convicções quem as tem. E para defender tamanho monte de trampa não se podem ter princípios e convicções.


Esta noite deve andar muita gente em pânico. Os que vivem do regime, que são contratados às três pancadas, que obtêm contratos por ajuste directo de duvidosa legitimidade estarão borrados de medo a pensar que o ciclo de 6 anos de desvario está a chegar ao fim.

Tardou, mas foi. E continuo a achar que a melhor parte de Sócrates são as costas que lhe vejo quando ele se vai embora.