Devo ser mesmo o Mr. Normal

Desde sempre achei que as minhas previsões andavam muito perto da realidade.
Não sei porquê, mas a verdade é que no meu pessimismo militante (eu chamo-lhe realismo) deve haver qualquer coisa de senso comum.

Um destes dias escrevia que tinha a percepção de que o PS iria ter um resultado nas eleições próximo daquele que o PSD teve em 2005 e que o CDS iria subir com o BE a descer.
Não me perguntem porquê. Não sei responder, mas a verdade é que "sinto" que vai ser assim.

Para enorme surpresa minha dei com um blog (Margem de Erro) em que é feita uma análise das sondagens ao longo do tempo.
E não é que a evolução aponta exactamente para isso?

Mais interessante que o gráfico, é o artigo e a explicação destes valores. Vejam aqui: Margem de Erro

Uma realidade paralela

Posso ser eu que não ando a tomar medicação. Ou pode ser que vivamos numa sociedade em que a estupidez mais completa se sobrepõe à lógica e à racionalidade.

Alguma destas coisas tem de ser.

Só posso concluir isto quando vejo uma notícia de subida dos juros da dívida soberana e logo a seguir vejo comentários a imputar ao Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e Louçã a responsabilidade da subida dos juros da dívida.

Só posso acreditar que esse discurso venha de gente descerebrada na qual o discurso nojento dum PS em decadência produz resultados.

Sim, é verdade. Há gente que por uma manifesta falta de treino, não consegue usar o cérebro e prefere repetir como um papagaio  tudo o que o líder deita cá para fora, por muito nojento e demagógico que seja.



Se olharmos para este gráfico é imediatamente aparente que o aumento da despesa do Estado que estava num valor abaixo dos 7 mil milhões em 2005 disparou para mais de 9 mil milhões em 2010.
Quando visto ao lado do sector empresarial do Estado, em que a dívida aumentou desmesuradamente é caso para perguntar para onde raio foi esta despesa feita?

O curioso de tudo isto é que esta informação é acessível pelo público e muito mais pelas agências que avaliam o risco das economias Nacionais.
E não só parecem saber bastante mais que Teixeira dos Santos como, de certeza, sabem mais que o vulgar comentador de jornal.
E é com este "retrato" infame da nossa economia que acham que Portugal tem um nível de risco elevadíssimo para contrair dívidas adicionais. O aumento da taxa de juro é um "seguro" para uma eventualidade de default.

Do ponto de vista de racionalidade esta é uma situação absolutamente indesmentível. Os "mercados" não são exactamente uns tipos com um ar conspirador e chapéus pontiagudos reunidos numa cave escura a planear a destruição de países.
Não precisam de ser. Países como o nosso auto destroem-se. Não precisam de ajuda.

E espiral de gastos que enriqueceu muito boa gente que vive à conta do Estado (e não estou a falar daqueles que trabalham para o Estado) o que fez florescer fortunas enormes nos últimos anos sem qualquer razão aparente.
Essas fortunas fizeram-se em grande medida à custa de endividamento externo. Todas as empresas do regime, todas as mordomias inexplicáveis de gente que "vive" no sistema delapidou o país de recursos que deviam ter sido muito melhor gastos.

Claro que o PS vai querer dizer que a responsabilidade de tudo isto é dos partidos da oposição que no dia 23 puseram Sócrates no seu devido lugar.

Mas a verdade é que a responsabilidade é do primeiro mandato de Sócrates. Alguma vem também detrás, dos governos Guterres. Apesar de tudo Cavaco, ainda que tenha feito muita asneira com os fundos de coesão, não transformou o país em "lixo". O nível de dívida e de despesa que ele deixou foi incomparavelmente menor. A economia tinha algum crescimento, ainda que muito dele correspondesse quase directamente às verbas da CEE.

Mas a génese disto que vivemos começa verdadeiramente com Guterres e com os que se lhe seguiram.

Sócrates levou isto ao limite. Desde 2005 o declive da curva é arrepiante.

Querer branquear isto é algo que se espera do PS. Num partido que já deixou de ser sério há muito tempo não é de esperar que reconheçam um bocadinho de culpa da situação.
Mas o que surpreendente é que a maior parte dos papagaios nem sequer consegue (ou não quer) fazer uma análise da informação que lhes chega todos os dias.
Estão para ali virados e repetirão o que o líder disser nem que seja a coisa mais imbecil da história.

Vivem num mundo paralelo em que a realidade e a ficção estão trocadas. Vivem num mundo em que se vota sempre no mesmo faça ele o que faça.
É a beleza da saber liderar as "multidões". Vai haver sempre uma mão cheia de tolos que seguem a direcção que lhes for apontada. Se juntarmos a estes aqueles que viveram lindamente desde há uns anos com o pinga pinga estatal teremos uma percentagem considerável que irá votar PS.

Mas aqueles que vivem do seu trabalho sem qualquer ligação política e que sentem já uma degradação nas suas condições de vida pensam de outra maneira. E com esses o PS não pode contar. Não estou a dizer que todos eles sejam intelectualemente brilhantes, mas pelo menos conseguem perceber no meio de todo o ruído que há um partido e um líder que são responsáveis dos últimos 6 anos de desgraça.
Ainda que a crise internacional tenha tido responsabilidade (e teve) não deixa de ser grave que um Governo absolutamente negligente e mentiroso tenha evitado fazer aquilo que era preciso fazer para estancar o problema.
Sócrates ficará para a história como o 1º Ministro e Ministro das Finanças mais incompetente que Portugal já viu e Teixeira dos Santos, secretário de Sócrates, ficará para a história como o mais ignóbil pau mandado que Portugal já teve.

Se querem ler mais acerca da nossa dívida vejam aqui: DÍVIDA EXTERNA CONTINUA A CRESCER

Carris - o transporte público é fraco... mas o privado é excelente

Não me choca que em determinadas posições se tenham alguns benefícios inerentes ao lugar. Mas isso faz sentido em empresas que pelo menos não tenham prejuízos.

É um bocado difícil de defender que numa altura em que há uma necessidade de contenção de gastos, se assista a situações destas. Uma empresa cronicamente no vermelho não pode dar-se ao luxo de fazer coisas destas.

Se esta administração conseguisse melhorar a situação anterior ainda se podia imputar algum do sucesso á equipa executiva. Mas a verdade é que a situação se agravou ainda mais em 2010.

Para conter os gastos cortou-se em carreiras existentes ao mesmo tempo que se tratou de "arranjar" uns carrinhos novos para a administração.

Fico passado quando me dizem que foi tudo  “em cumprimento escrupuloso do determinado pela Comissão de Fixação de Vencimentos”.
Não é uma questão de legalidade. É uma questão de moralidade, vergonha, ética e capacidade de perceber que TODOS estamos (ou devíamos estar) a fazer algum sacrifício.

Os "interessados" estarão seguramente de consciência tranquila. Mas não deviam estar. Este tipo de situações é imoral. E é-o mais ainda porque estes "executivos" parecem não demonstrar qualquer competência que justifique prémios, benesses e aumentos.
Deviam ser pura e simplesmente corridos e substituídos por alguém com um mínimo de capacidade de gestão. Ou simplesmente alguém com um mínimo de vergonha.
"O relatório de contas da Carris de 2010, citado pela edição de hoje do “Correio da Manhã”, indica que o presidente da Carris, José Manuel Silva Rodrigues, e os vogais da administração Fernando Jorge Moreira da Silva, Maria Isabel Antunes e Joaquim José Zeferino receberam as quatro viaturas das marcas Mercedes, Audi e BMW no ano passado. A acrescentar a esta lista há a viatura da também administradora Maria Adelina Rocha, que conduz uma viatura paga pela empresa desde 2008.

Ao diário, a Carris indicou que os veículos foram “alugados em substituição de viaturas entretanto abatidas” e que “todas as viaturas estão regime de ALD [Aluguer de Longa Duração]”. De acordo com a empresa, o “valor mensal das rendas pagas, para as cinco viaturas, em 2010, foi de 4514 euros”, incluindo manutenção e seguro. O valor comercial das viaturas ronda os 176 mil euros. A empresa sublinha que o aluguer foi feito “em cumprimento escrupuloso do determinado pela Comissão de Fixação de Vencimentos”.

Esta semana foi divulgado que os capitais próprios da Carris estão negativos em 776,6 milhões de euros e que a administração da empresa pública teve um aumento nos vencimentos em 2010. O resultado líquido da Carris foi novamente negativo no ano passado, agravando-se para 42,3 milhões de euros.

Quanto aos custos com pessoal, a administração da Carris recebeu um total de 420.556 euros em 2010, traduzindo-se num aumento nos vencimentos dos cargos de topo de quase 33 mil euros em comparação a 2009, apesar dos cortes salariais decididos na administração pública. O presidente da Carris aufere mensalmente 6577 euros brutos. Cada vogal da administração 5727 euros."

Fonte: Público

O governo em modo gráfico

Arrepiante.
É a única forma de descrever o que se passou estes últimos seis anos.

E ontem tivemos o pau mandado mor a debitar disparates da TV e a afastar qualquer responsabilidade passada e futura.

Palavras de Teixeira dos Santos que provavelmente voltará a "ensinar" na Faculdade do Porto.
“Um pedido de ajuda obriga a compromissos. (…) Este Governo não tem legitimidade, nem condições, nem credibilidade para ter a confiança das entidades externas que nos possam ajudar”
“neste momento a única pessoa que pode assumir compromissos em nome do país é o senhor Presidente da República”.


Divida Pública (%PIB)


 Divida das empresas públicas (%PIB)

Consumos intermédios do Estado (%PIB)

Consumos intermédios do Estado (Euros)

Endividamento das empresas %PIB

Fonte: Desmitos

Um programa de governo

O PS parece-se com um miúdo à frente dum piano.
Começa por tocar várias teclas mas subitamente há uma cujo som lhe agrada mais. E desata a bater nessa tecla até se cansar e voltar a percorrer o teclado.

O processo repete-se incessantemente até que farto do ruído, ou até que outros fiquem fartos do ruído, para.

Uma das últimas (e o conceito de recente é uma questão do horas) é a falta de um programa de Governo por parte do PSD.

Estranha esta obsessão, uma vez que na oposição ao PS estão pelo menos 4 partidos. Mas há qualquer coisa de mórbido nesta fixação do PS.

Seja então o PSD.

Todos os dias sabemos de mais um buraco desgraçado que se abre neste país desgraçado. A Carris, a REFER, CP etc, o metro do Porto, o pagamento de juros etc etc.

Um sem fim de desgraças que agora aparecem à superfície e que tinham andado escondidas debaixo de sacos de dinheiro que o governo deitava silenciosamente em cima dos problemas.

A dimensão da desgraça não é conhecida de todo. O tribunal de contas não consegue perceber a situação das fundações (e falemos só das dependentes do Estado), a comissão de acompanhamento das PPP's andou a "tentar" saber alguma coisa com o Governo a sonegar informação.

Os exemplos são muitos. E existe a suspeita mais do que fundada que os casos que já existem são graves e de que existem outros de que nem sequer se sabe.

O aparelho de estado está dominado e não vai sair informação acerca da real situação cá para fora antes de um novo governo tomar posse.

Governo esse que tem de fazer um programa baseado em informação que desconhece quase por completo.

Ora se nem o PS consegue saber a dimensão da desgraça, porque muitos dos seus boys são dotados de vontade própria e capazes de fazer frente à tutela, como é que um partido que está há 6 anos fora do poder pode fazer um plano coerente?

Pode quanto muito traçar linhas gerais de orientação. Abster-se de fazer promessas socratinas e garantir que irá falar a verdade ao povo eleitor. Só isso já seria uma melhoria notável.
Mas concordo que não chega. E não é por minha causa ou por causa dos outros portugueses que nunca andaram tão mal informados com tanta informação, mas sim por causa do aproveitamento demagógico que o PS irá fazer da situação.
Quando o PS afirma que os outros partidos (neste caso referiu-se especificamente ao PSD) não estão preparados para governar, sabe isto. Sabe que sonegou a informação que agora vamos recebendo a conta gotas.
E não é por falta de capacidade das pessoas que militam em partidos da oposição. Muito pelo contrário.

Se a fasquia está ao nível de Santos Silva, Alberto Martins, Rui Pereira, Teixeira dos Santos e Isabel Alçada, qualquer macaco amestrado faria melhor. E só precisava de umas refeições de fruta e um ramo onde encostar-se a coçar os ******.
Antes tivéssemos tido uns macacos nesses lugares até agora. Era muito mais divertido e davam menos despesa.

O problema de colocar gente de qualidade nestes lugares reside em dois pontos:
Será que gente com prestígio e saber se sujeita a ser achincalhado permanentemente nestes lugares?
E se mesmo assim aceitar, será que quando chega lá não se depara com uma situação impossível?

Só há uma forma de resolver isto. Um governo com o espectro político mais alargado possível.
Dói-me dizer isto, mas é bem possível que o PS tenha de entrar nessa base alargada. O PCP nunca se comprometerá. Não é um partido de compromissos. É mais um partido de eliminar os problemas do que de resolve-los (se é que me faço entender).

Do Bloco pouco podemos esperar. Tem surfado numa onda de popularidade à custa da sua retórica contestatária, com uma base de apoio jovem e sem memória e sem conhecimento da história (mesmo da mais recente). É o mocinho com os dreadlocks e a roupinha mal amanhada que gosta de espezinhar milheirais, é a mocinha que acabou de ler umas coisas na faculdade acerca de Engels e Marx, é o revolucionário meio anacrónico de 60 anos que gosta da luta de classes (pá!) e é o académico livre pensador, confortável na sua posição universitária e com uma casa cheia de livros.
Não é exactamente o partido de onde se tire uma série de gente de qualidade. Além de Louçã, reconhecido economista, não estou a ver alguém com skills no BE para poder assumir um lugar de secretário de Estado sequer. Vai o senhor que foi médico para a pasta da saúde? O senhor dos suspensórios para os Negócios Estrangeiros? Ou vai o senhor da carapinha para a Justiça?

O único com capacidade para um determinado lugar, nunca teria esse lagar vago. E ainda por cima teria de se render à realidade - o país é mandado de fora e não há cá poder discricionário para ninguém.

Quem resta? Os 3 mais à direita. CDS, PSD e PS.
Com Sócrates? Nem pensar. Quem confiaria mais neste aldrabão profissional fosse para que pasta fosse?
Só pode ser um PS que não tem dado a cara na campanha de propaganda recente. Que possa dizer - Eu nunca disse isso. Um partido expurgado da porcaria que nele tem militado e mandado estes últimos 6 anos.

E aí, o programa do Governo também será dele. Do PS. Vamos lá ver o que é que sai dali.