Preso por ter cão, preso por não ter

O dia de hoje não foi muito fértil em novidades.

Mas houve uma realmente relevante. Fernando Nobre será cabeça de lista do PSD por Lisboa e candidato a Presidente da AR.

Nada mais nada menos que a 2ª figura da hierarquia do Estado

Há muita gente indignada com esta opção e eu não consigo perceber muito bem porquê.

O facto de ele ser um independente e o facto de Passos Coelho o aceitar como tal só prestigia um e outro. Claro que no seguimento das atitudes de Alegre que se julgou durante uns tempos dono de 1 milhão de votos, esta tomada de posição de Nobre pode parecer estranha.

Mas ao contrário de Alegre ele nunca se arrogou de dono de nada, muito menos dos votos que obteve nas presidenciais.
Não se colou ao BE (ou melhor, o BE não se colou a ele) porque pensava que iria ter 1 milhão de votos de mão beijada.

Talvez a irritação de Louçã tenha a ver com o facto de Alegre estar já gasto e nutrir a secreta esperança de capitalizar com os votos de Nobre. Se calhar é isso que ele pensa que Passos Coelho fez por antecipação.

Estranho como tanta gente brada por renovação nos partidos e pela presença de personalidades independentes na vida política e depois, quando isso acontece, ficam todos enxofrados. Não existe em eleições legislativas outra forma de ser eleito sem integrar listas partidárias. O problema dos partidos é que colocam quase sempre nessas listas gente do "aparelho".

A inclusão de Fernando Nobre numa lista do PSD (ou de qualquer outro partido, já que falamos nisso) é um gesto de um desprendimento notável. É surpreendente e de louvar. Pode ser que um dia os critérios de escolha para este tipo de cargos (no governo especialmente) sejam determinados pela qualidade das pessoas e não pela sua permanência nos partidos.

Muito gostaria que num próximo governo se escolhessem os melhores, independentemente da sua cor política ou militância. Vejam bem que até não me importava de ver gente do PCP em determinados lugares. Mas Jerónimo já deixou bem claro que isso nunca acontecerá. A menos que alguém queira ser expulso do partido. E é uma pena.

Fernando Nobre vai ser alvo duma campanha difamatória de alto calibre. Mas dado o seu estofo vai-se aguentar. Disso não tenho dúvidas.

Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva. Há qualquer coisa de pouco usual na sua forma de pensar e isso nos tempos que correm não pode ser mau.

Prefiro de longe uma forma de pensar as coisas completamente nova do que uma completamente suja como a que tivemos protagonizada por Sócrates.

A campanha eleitoral

É sem tirar nem por o período em que entramos.
Só que esta tem uma particularidade - apenas um partido.

Já assistimos ao congresso do partido único, transformado numa festa de glorificação do Líder.
As poucas vozes discordantes são relegadas para horas tardias e premiadas com assobios duma sala quase vazia.

Não há quase ninguém no PS que esteja interessado em ouvir falar de alternativas ou sequer de responsabilidades.

Durante um fim de semana de campanha todo o tempo é do PS de Sócrates. E convém realçar que é o PS de Sócrates e dos seus amigos. Almeida Santos, Silva Pereira, Edite Estrela, Mário Lino, Francisco Assis e todas aqueles que de alguma forma foram beneficiados com estes 6 anos de governação.

A campanha passa um pano sobre tudo o que foi o desvario governativo nestes 6 anos. Nada aconteceu.

Num congresso que se pretende um espaço de discussão e de troca de ideias e ideais, aquilo a que se assitiu não tem lugar.

Há algumas ausências que são significativas. Há também alguns comentários contidos de alguns dos notáveis do PS. Mas isso é a excepção. A regra é o endeusamento do Grande Líder.

Os outros partidos não se manifestaram ao longo deste fim de semana. Estão provavelmente mais preocupados com a real situação do país.
Neste momento em que e Europa nos aponta o dedo, temos um PS a querer passar responsabilidades para cima dos outros e um PR a pedir "imaginação".
A Europa olha-nos com uma enorme desconfiança. Não somos dignos de credibilidade.

Durante 6 anos os nossos representantes mentiram, omitiram e manipularam tudo o que foi possível nos encontros com os congéneres Europeus. Somos um país insignificante com um buraco financeiro muito significativo.

Sócrates empenhou o país para gerações futuras. Estafou dinheiro em plena crise como se estivéssemos em crescimento. Agora vem fingir que esteve na oposição e que a responsabilidade está com outros.

Veremos como a campanha se vai desenrolar. Mas Sócrates não pode esperar que todo o país se reveja na sua retórica falsa. A realidade é muito mais cruel.

Isto foi o que Sócrates fez desde 2005


Fonte : Luís Marques Mendes


Aqui está o paraíso na terra. E o presente não é nada comparado com o que nos deixou para o futuro. O Número de PPP's realizadas em 6 anos ultrapassa tudo o que já se fez antes. Sobretudo quando pensamos que 40.18% desse investimento foi feito em plena crise (2008/09/10).

E é no meio deste cenário de loucos que temos de pedir ajuda. Só que o governo, em plena campanha eleitoral sai de cena e deixa para a comissão o ónus de "negociar" com os partidos!!!

Admito que pessoas como os nossos governantes não precisem de se preocupar com a sua segurança financeira. Afinal ao longo de muitos anos ganharam num ano aquilo que um português médio leva 10 anos a conseguir, mas ao menos alguma decência era aconselhável.
Ao lidar com ministros da Finanças da União, não estão a lidar com os apoiantes acéfalos do congresso do PS na Exponor.
E afinal é o futuro próximo do país que está em causa.

Devia lidar-se com a conduta destes dirigentes da mesma forma que a Islândia o fez - banco dos réus.


Infelizmente somos um povo de carneiros. E a juntar a esse "temperamento" juntamos também uma profunda ignorância e falta de memória.
Somos o povo perfeito para líderes desonestos e criminosos

Este partido Socialista

É de arrepiar.

Quando perguntado a alguns delegados ao congresso quem achava que devia negociar as condições da ajuda, as respostas foram para lá de imbecis.

Desde uma senhora que disse que tinham pregado uma rasteira a Sòcrates até outras vulgaridades próprias de gente lobotomizada ouve-se de tudo.

Deixou de existir a capacidade de pensar pela própria cabeça. O congresso mais não é do que a doutrinação duma multidão acéfala tão tipica dos pregadores televisivos.

Se Sócrates berrasse por um milagre decerto que haveria gente na plateia a gritar EU! EU!

A militância partidária mais engajada não é brilhante em nenhum partido, mas o que vemos do PS é um grupo de fanáticos de um clube de futebol. Parece um gang que tudo diz e tudo fará para agradar ao líder.

À sua volta reunem-se uns quantos "intelectuais" que abraçam o líder e que não se cansam de enaltecer as suas qualidades.
A quantos não custará profundamente bajular um tipo que toda a vida viveu de esquemas para subir?
Gente academicamente superior a ter de prestar vassalagem a alguém cuja única "qualidade" é não ter qualquer barreira moral? Apenas porque eles lhes "deu" uma fatia do poder.


Mentir, manipular, e adulterar a realidade são as únicas coisas que parece fazer bem. Ver um Vitorino um Assis e outros infinitamente melhores que Sócrates a servirem de tapete é profundamente triste.

Até Alegre voltou para defender aquele de quem disse as piores coisas aquando da sua aproximação ao BE.

Entre os acéfalos os medrosos e os merdosos, este PS não tem nada. Não tem verdade, não tem objectivo, não tem honestidade sequer.

Transformou-se na cloaca de Sócrates.

A importância do número 4

A aprovação do PEC IV tinha sido a salvação para todos os males.

Já não vinha o FEEF, não havia crise política, as vacas continuavam a dar leite e seriamos felizes mais 2 meses...

O facto de o PEC ser a 4ª versão para resolver 3 tentativas falhadas, incluindo o falhado orçamento parece não entrar na cabeça de ninguém.

Um orçamento aprovado no fim de 2010 tem de ser suplementado em Março com um PEC apos 2 meses de "fabulosa" execução orçamental.

E o mais belo de tudo é que nos tentaram vender a ideia de que estava tudo bem e esse PEC era só por uma questão de "segurança".

Pelos vistos desde essa altura passou de ser um mero suplemento a ser a nossa salvação. Se afinal fosse um suplemento era isso mesmo, um suplemento.
Se não for isto indiciador de mais uma aldrabice não sei o que será.

Tal como é um perfeita aldrabice que esse plano resolvesse os nossos problemas. A 4 de Março representantes da banca já tinham dito que não havia volta a dar. Não era com IVA a 23% no leite com chocolate que iamos lá.
Os políticos Europeus são na sua paior parte estúpidos e tão incompetentes como os que temos cá, mas há gente neste mundo a saber o suficiente de economia e a saber fazer contas para perceber que isto não ia a lado nenhum com estas medidas absurdas umas em cima das outras.

Naquilo que é fundamental não se toca. Naquilo que é um sorvedouro de milhões e milhões nunca se pode tocar.E nem falo dos incompetentes bem pagos que andam à volta do poder. Falo mesmo no dinheiro que eles gastam em imbecilidades totais e na sua mais que comprovada incompetência na gestão.

E perante estes factos querem fazer-nos crer que o PEC IV é que era o definitivo?
Este governo parece um drogado a ressacar. É sempre desta. Só precisa desta dose e depois larga. E francamente merece tanta credibilidade como um drogado.

Enquanto isto, vai insistindo em obras faraónicas e vai pagando dezenas de milhões por elas. Incompletas. E que assim vão ficar durante uns bons anos.

Sócrates pensou que se safava com a estratégia. Meteu judiciosamente no PEC IV medidas que SABIA que o PSD nunca iria aceitar, porque as tinha já recusado no OE, e esperou que se o governo caísse por causa disso, poderia sempre culpar a oposição.
E calculou que até às eleições o país se safava.
Mas a banca já fartinha de avisar e de comprar dívida pôs um fim à brincadeira. Fechou a torneira e forçou-o a fazer aquilo que ele bem sabia ser inevitável: pedir ajuda.

Hoje no discurso do congresso parecia que estávamos a ver alguém que esteve na oposição durante 6 anos. Alguém que lutou contra o desbaratar do Estado Social levado a cabo pelo PSD e CDS. Assistimos à burricada socialista a aplaudir de pé. Assistimos a um bandalho como Almeida Santos a defender princípios de esquerda como se essa fosse sequer a sua prática estes anos passados.
Assistimos a uma ópera bufa aplaudida pelos militantes do PCUS.

Pergunto-me como é que tudo isto é possível e em que país vive esta gente. E sobretudo que espécie de povo eles pensam que vive aqui.

A gente que vive aqui sabe que viria o PEC V e o VI e sabe-se lá mais o quê. E que no fim viria o FEEF desse lá por onde desse. E sabe que teríamos de aturar este governo incompetente mais uns meses.

Abençoada a hora em que Sócrates, planeando ou não, se demitiu. Abençoada a hora em que passou a ser um zombie governativo.

Só quero ver agora é se ele espera fazer uma aliança com o PCP e o BE ou se pensa fazer uma aliança com o outro lado do espectro político.

Duma coisa eu tenho a certeza. Com ele o PS não fará alianças com ninguém. Ninguém quer para parceiro um aldrabão certificado. Ou o PS se livra dele ou vai ao fundo com ele.

E convenhamos que este ultimo cenário nem era nada desagradável.

Cronologia do Zé

O Zé empata túneis

O Zé é fixe

O Zé é de esquerda

"O Zé faz falta"

O Zé é eleito

O Zé vende-se

O Zé é pedante

O Zé é um ditadorzeco do "gosto"


Pois é Zé.
Sempre achei que a volta que deste pela esquerda chique era apenas uma forma de por os fundilhos num lugar onde pudesses forçar os outros a aceitar a tua visão das coisas.

Agora deixamos de lutar pelas grandes causas e passamos a preocupar-nos por menus de formato A4 e porta guardanapos de aço Inox.

Não fosse isto ao nível da demência digna dos grandes e alucinados ditadores, era digno de riso até às lágrimas.

E diz bem do grau de tolerância de alguém que foi eleito para um cargo público. Chapéus de sol de pano cru, toalhas de mesa de cor única, menus de formato A4 e porta guardanapos de aço inox.

Mas há aqui graves omissões. Os talheres são como? E os pacotes de açúcar? E o que dizer das cadeiras?

Mas falta talvez o mais importante


Camarada, onde estão os uniformes?

Passamos então à ditadura do bom gosto. Esperem até o Zé começar a definir a forma como os prédios podem ter flores nas janelas ou a forma como os cidadãos têm de se vestir.

O poder corrompe mesmo. Quando estava de fora a tentar entrar era "um cidadão" preocupado com Lisboa.
Hoje é só mais um a decretar medidas dignas de um louco.

O Zé faz tanta falta como uma praga de piolhos.