E sai caca

Belo programa de eleitoral sim senhor.

Andou o anãozinho numa azáfama louca para parir isto?

Em primeiro lugar, o eleitorado tem finalmente a oportunidade de se pronunciar sobre a responsabilidade e o sentido de Estado das diferentes forças políticas. Isto é, pode e deve comparar os comportamentos assumidos pelo Governo e pela Oposição. Do lado do Governo, a construção de um conjunto coerente de medidas de consolidação orçamental, a apresentação bem sucedida, junto das instituições europeias, das suas orientações fundamentais e a disponibilidade para o diálogo com todas as forças políticas, no sentido do seu aprofundamento e viabilização parlamentar. Do lado da Oposição, a recusa liminar de qualquer diálogo, a rejeição do PEC, sem qualquer ideia alternativa, e a precipitação do País numa crise que esteve na origem directa da necessidade de recurso a ajuda externa. O eleitorado tem, pois, o direito de fazer a sua avaliação das responsabilidades de cada um na situação actual. E ninguém lhe pode confiscar esse direito.
Não posso deixar de estar de acordo. Mas se existe vacuidade na política aqui temos um belo exempo da mesma.
Quem, como o Partido Socialista, deu provas inequívocas de compreensão do que é o interesse nacional e como ele se deve sobrepor ao calculismo e ao tacticismo partidário, é uma garantia firme de assunção dos grandes desafios que temos pela frente – a combinação entre consolidação orçamental e favorecimento do crescimento económico e das reformas estruturais – com sentido de Estado e com responsabilidade.

Aló alô planeta Marte. Conseguem ouvir-me?


O PS está bem consciente das suas tarefas principais na governação:
  • Enfrentar e superar os efeitos da maior crise económica mundial dos últimos oitenta anos;
  • Reduzir o défice e controlar a dívida, para assegurar a consolidação das contas públicas e a sustentabilidade das políticas sociais, restaurar a confiança nos mercados de dívida soberana, assegurar o financiamento da economia portuguesa e contribuir para a defesa do Euro e do projecto europeu;
  • Promover o crescimento da economia, combater o desemprego e reduzir os factores estruturais de desequilíbrio externo, apoiando as exportações e desenvolvendo a aposta nas energias renováveis e na eficiência energética;
  • Prosseguir, com ambição, as reformas para a modernização do País e do Estado e para a competitividade da economia;
  • Promover a igualdade de oportunidades; qualificar os serviços públicos, a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde; garantir a segurança social pública e prosseguir o combate à pobreza e às desigualdades sociais, para uma sociedade mais justa.
Reduzir o défice. Parece-me bem. Já que o fizeram crescer para lá do razoável parece-me bem que queiram agora limpar a porcaria que fizeram.
Promover o crescimento da economia? Ok. Taxando ainda mais as empresas provavelmente e deprimindo ainda mais o consumo interno. A parte de restaurar a confiança dos mercados é uma blague.
As reformas de modernização devem ter a ver com o TGV , Aeroporto e com coisas parecidas. A superficialidade e generalidade destes principios dá para tudo. E para nada.

  • Concentrar os esforços numa internacionalização da nossa economia que promova o crescimento das exportações de forma sustentada e sustentável;
  • Valorizar a oferta nacional no mercado doméstico para apoiar a redução do desequilíbrio externo;
  • Concentrar os apoio públicos ao investimento nos sectores de bens e serviços transaccionáveis e na promoção da inovação;
  • Promover parcerias estratégicas de internacionalização que envolvam as maiores empresas nacionais, a rede de pequenas e médias empresas e as instituições de inovação e qualificação;
  • Reforçar a especialização nas actividades com maior incorporação de valor acrescentado nacional, em particular em área como as fileiras florestal, agro-alimentar e do mar, com o sector do turismo e com a produção de bens e serviços de elevada incorporação tecnológica;
  • Intensificar a aposta nacional na redução da dependência energética, valorizando a fileira das energias renováveis e a utilização eficiente da energia.
Agora é que é. Desde o primeiro ao último ponto é o inverso do que fez durante 6 anos. E até parece que é uma continuação do que fizeram antes. Não há dúvida que para mentirosos não lhes falta nada

Esta quase me fez cair da cadeira

Mas o PS também não comete o erro, que outros cometeram no passado, de desistir da economia e parar o País, enquanto decorre o processo de consolidação orçamental. Bem pelo contrário: a nossa governação não virará as costas à economia nem ao problema do desemprego e manterá a dinâmica reformista para a modernização do País e do Estado e para o reforço da competitividade da economia portuguesa. Construindo o Futuro.
De quem é que eles estão a falar? Quem é que esteve no Governo enquanto o desemprego disparou a economia entrou em recessão duas vezes e pôs o consumo interno num dos piores estados de que há memória? Devo ter estado em coma e perdi anos de governação do PSD e do CDS com certeza.

Assim, no âmbito da reforma do sistema de Justiça deve ser dada prioridade às medidas que visam melhorar a eficiência geral do sistema e, em particular, às que permitam aumentar a celeridade dos processos e, de entre todas, as que tenham por objecto:
  • A garantia do cumprimento dos contratos de arrendamento;
  • A execução de créditos e a cobrança de dívidas; e 
  • A liquidação de empresas em situação de insolvência e o pagamento aos seus credores.
Por outro lado, a redução dos custos de contexto e o reforço da Justiça como factor de competitividade exigem mais transparência, melhor acesso e previsibilidade acrescida.
Na verdade, tanto os cidadãos, para defesa dos seus direitos, como as empresas, para os seus negócios, devem poder:
  • Conhecer o tempo que um processo possa previsivelmente durar e confiar nessa informação;
  • Utilizar o serviço público de Justiça de forma simples, sem demoras, com prazos em tempo util e com um nível de atendimento desburocratizado, pontual e elevado;
  • Contar com garantias acrescidas de tratamento igual em situações iguais, diminuindo-se os factores de incerteza e aleatoriedade nas decisões judiciais.
Finalmente, o PS intensificará a aposta nos meios de resolução alternativa de litígios como forma de promover a competitividade da economia e a qualidade dos serviços judiciais para as pessoas, proporcionando formas mais rápidas, acessíveis e baratas de resolver conflitos, designadamente através:
  • Da concretização de novos serviços de arbitragem, nomeadamente em áreas como a cobrança de dívidas (acção executiva) e os conflitos em matéria tributária;
  • Da intensificação dos serviços de mediação familiar, laboral e penal, entre outros;
  • Do alargamento faseado da rede dos julgados de paz.
Assim, o Governo do Partido Socialista disponibilizar-se-á para o diálogo com todos os agentes do sector e com as forças políticas com assento parlamentar, tendo em vista a consensualização e a concretização de iniciativas relevantes para reforçar o contributo do sistema de Justiça para a competitividade da economia portuguesa.
Este é o mesmo Partido Socialista que  politizou a níveis nunca vistos o MP e a justiça. (Se bem se lembram dois membros do CSM designados pelo PS queriam mudar nota de Muito Bom de Rui Teixeira que mandou Paulo Pedroso para prisão preventiva. Depois de Pedroso ter perdido o seu belo pedido de indemnização, já ninguém se lembra que o Supremo deu razão a Rui Teixeira e acabou com as veleidades desse inocente político que queria receber uma maquiazinha do Estado.)
O mesmo PS que fez desaparecer o fundo que mais não é que dinheiro à guarda do Estado e que tem de ser devolvido a intervenientes nos processos, que deixou de dar as verbas necessárias aos tribunais para comprar papel, toner e pagar as contas de telefones àgua e luz.
O mesmo PS que criou uma "nova" lei do arrendamento que não é coisa nenhuma, que não paga as suas dívidas aos fornecedores.
Agora quer magicamente que as pessoas saibam quanto pode durar o processo quando ele entre no Tribunal.
Se pensasse num programa de simplificação legislativa e de simplificação do Código de Processo Civil talvez pudesse aspirar a alguma destas coisas. Mas com estas intenções não vai conseguir nada.

Se isto é a reforma da Justiça podem bem limpar as mãos à parede porque isto não é NADA. É o tipo de coisa que eu me sentava a escrever e paria em 10 minutos.

Nem vos aborreço com o resto das vulgaridades que constam deste programa Eleitoral.
Após 6 anos de governação e sabendo (esperaria eu) que medidas concretas se podem implementar para resolver problemas, temos um programa que é um chorrilho de boas intenções e que quase parece ser um programa para deitar abaixo um governo que tem sido de outro partido qualquer.
Não esperava muito mais, porque na verdade este documento de 70 páginas mais não é que um folheto de propaganda vago e vazio.

Qualquer partido tenha ou não experiência de governo escreve isto. O mais fascinante é perceber que estando nós na situação em que estamos, temos um partido que passou 6 anos pelo Governo e produz, desculpem-me, uma merda destas. Não há uma matriz ideológica, não há um rumo estratégico não há nada de substancial neste documento.
O que este programa revela é o ponto de não governação a que o PS chegou. Nem depois de 6 anos sabe sequer o que fazer para conseguir um minimo de resultados.

Isto é tremendo.

Os compromissos que não se podem fazer

Nestes dias do politicamente correcto em que muitos tentam passar uma esponja sobre o passado recentíssimo, ainda há quem não aceite certas condições de "estabilidade".

E isso é bom ou mau?
Depende. O consenso pode não ser necessariamente bom. Sobretudo se uma das partes do consenso é a verdadeira encarnação do mal.

A história recente dá-nos dois exemplos de como esses entendimentos podem ser verdadeiramente danosos.

No advento da II Guerra Mundial em 1938 e após alguns anos com o Partido Nazi de Hitler no poder, a Europa vivia aterrorizada com a possibilidade da repetição da Grande Guerra.

Os países que potencialmente podiam entrar numa guerra com a renascida Alemanha tremiam de pensar que 20 anos depois iriam passar de novo pelo sofrimento de uma guerra na Europa.

A Oeste e a Leste a Inglaterra e a União Soviética fizeram acordos com Hitler no sentido de evitar a tão temida guerra.

O 1º Ministro Inglês Neville Chamberlain ficaria para sempre associado à patética tentativa de fazer um acordo com Hitler.
No regresso de Munique em Setembro de 1938 mostrava aos jornalistas e ao povo que o esperava o documento assinado pelos dois países. O tratado de paz.

Como a história veio a demonstrar Hitler não era de confiança.
Já tinha dado mostras disso com a repressão dos seus opositores e com os seus constantes discursos da Grande Alemanha. A Anschluss (anexação da Austria em Março de 1938) deixavam antever o pior.

Mas em nome da paz, a Inglaterra aceitou fazer um acordo improvável com uma das piores personagens da história.
Percebe-se hoje quão inocente foi a pretensão de Chamberlain. Em 1939 a Polónia foi invadida e a França em 1940.
Quebrando o acordo com Estaline, Hitler invadiu a União Soviética em 1941.

Isto ilustra até que ponto não se pode fazer compromissos com certas pessoas.
Salvaguardando as devidas distâncias, Sócrates não é Hitler, mas como ele, já deu mostras suficientes de ser o problema e não a solução.
E não se pode fazer um acordo com alguém que defendeu com unhas e dentes, mentindo bastas vezes, tudo o que fez de errado.
Com alguém que até os seus correlegionários qualificam de autoritário e teimoso. Teimoso nos erros.

A política não é só feita de determinação. A determinação no erro é tudo menos uma qualidade. E Sócrates faz tábua rasa dos pareceres técnicos e de todas as opiniões que apesar de fundamentadas não são as suas.

Não é possível fazer acordos e assumir compromissos com gente assim.
O consenso com quem nunca os quis fazer não é possível nem desejável. Para Sócrates o consenso é subjugar todos à sua forma de ver as coisas.

Isto é sem tirar nem por o que Sócrates entende por compromissos




E ele sabe muito bem onde pode meter a sua forma de fazer as coisas.
Haja uma maioria absoluta sem Sócrates e o PS ficará de fora durante anos. Se for necessário o acordo com o PS só pode ser sem ele.

O maior mentiroso da história política portuguesa recente tem mesmo de desaparecer de cena. Para nunca mas voltar.

Excel & PowerPoint Management

Abençoada Microsoft.

Sem ela a gestão moderna não existiria Estaríamos reduzidos a fazer contas em Supercalc ou gráficos em Harvard Graphics.

Mas o Excel e o PowerPoint trouxeram a gestão moderna com eles. A gestão à portuguesa.

A capacidade de mudar números de uma coluna para a outra trouxe uma nova dimensão à gestão moderna - a aldrabice com suporte digital.

Passado depois a Power Point consegue-se dar uma imagem de enorme sucesso de uma empresa (ou de um Estado) com um buraco monumental nas contas.

Convivo com isso no meu dia a dia. Convivemos com isso todos nós
Gestores que fazem análises e tomam decisões com números errados. E que lhes juntam mais alguns factores de distorção para que os seus "objectivos" não fiquem em risco.

No meio de tudo isto os extraordinários "planos" estão suportados em nada. E Deus nos livre se aparece algum "maluco" imbuído de realismo a apontar a verdade das coisas. A verdade dos números.

Foi assim que este Estado foi gerido. A importância dos números num Excel é muito maior do que o dinheiro contado em caixa. Desde que o Excel demonstre que está tudo bem, pouco importa se não existe dinheiro na conta. Não há mas devia haver. O Excel demonstra-o.

Como a excelente execução orçamental deste ano. Deve faltar uma parcela - os pagamentos a fornecedores.
Ou a redução de funcionários públicos - os que passaram para o sector público / privado mas ainda com vinculo.

Mas o Excel demonstrará estas duas áreas de sucesso desta governação. Basta mudar o range da fórmula SUM ou até apagar o valor numa célula do Excel. Voilá!! Contas acertadas.

A possibilidade de não se avançar com as portagens em algumas SCUTS porque isso poderia cair dentro dos "novos" critérios do Eurostat e agravar o deficit é um exemplo perfeito de como fazemos as coisas.
Se as portagens foram cobradas o investimento da PPP conta para o deficit do ano do contrato. Apesar de entrar dinheiro que ajuda a reduzir as indemnizações compensatórias, é mais importante que o deficit se mantenha baixo e que as ditas indemnizações (rendas) se mantenham como estão.
Ou seja, vamos manter o diferimento dos custos para deficits de outros anos. Ou nem sequer reflectir esses custos no deficit. São as maravilhas da desorçamentação que se conseguiu com as PPP's.

Todos os princípios de justiça do utilizador / pagador, da igualdade de tratamento de todos os portugueses que usam as SCUTS e mais uma série de belas justificações, vão pelo cano abaixo por causa das "novas" regras do Eurostat.

Ou seja, mascara-se a realidade ainda que isso custe mais dinheiro ao Estado que somos todos nós. Irei pagar portagens de SCUTS em que não ando enquanto os que andam nelas com frequência pagarão provavelmente menos que eu dada a taxa de imposto que pago.
E tudo isto para não agravar o deficit (??). O contabilístico, porque o deficit em caixa aumenta.

Como é que isto é possível?
Ao contrário de uma empresa que quando se acaba o dinheiro fecha as portas, o Estado pode decretar que se cobre mais aos clientes. Retroactivamente e sem melhoria de serviços. O Estado pode confiscar mais um pouco da riqueza Nacional para poder continuar a forjar números do deficit para enganar o Eurostat.

O problema de ter o Estado gerido como uma empresa é básico. Nem todos os gestores empresariais são bons e muitos deles estão em empresas a ganhar pipas de massa. Acham mesmo que os gestores do Estado estão neste lote dos bons?
Desiluda-se quem pensar que a honestidade em certos níveis da Administração Pública é um atributo desejável. Não é. E mesmo que fosse seria mais difícil de encontrar do que uma virgem em Las Vegas.

Os quadros técnicos de Estado há muito que foram colocados à margem. Ou porque não são da confiança política ou porque podem não pactuar com as manipulações. Contratam-se assessores e consultores que dirão que sim a tudo. Afinal pelo que recebem, prostituir-se e despojar-se de princípios não é necessariamente mau.

Não é por acaso que nos últimos anos até as leis são "contratadas" a gabinetes de advogados. E depois temos a legislação que temos. E é por isso que temos o Estado que temos.

Longa vida à Microsoft e a todas as versões do Office que ela deitar cá para fora!!!

2011 - Ano zero?

Já há uns dias que não escrevia nada. Limitava-me a ler e a ouvir.

Mas num arremedo de fúria escrevi vários posts de uma assentada.

As coisas mudaram pouco. O Governo continua numa altura como estas a persistir numa campanha de propaganda, seja com a exibição de valores fantásticos de execução orçamental, seja com a habitual campanha de negação da realidade.

A mensagem resume-se a denegrir a imagem e a competência do líder do maior partido da oposição e a deixar cair judiciosamente na comunicação social pequenas notícias que comprometam alguns dos actores políticos com possibilidades de chegar ao poder.

Este tipo de campanha surda servida a conta gotas visa criar na cabeça das pessoas uma ideia, já muito arreigada, de que todos são iguais e portanto mais vale votar na porcaria que já conhecemos e não arriscar noutro tipo de porcaria.

A questão fundamental é que nada se pode comparar ao que este Partido Socialista e o seu líder fizeram durante 6 anos de poder.

Apesar de eu estar absolutamente crente que não há "santos" em política, neste caso sabemos bem que entre não ser santo e ser um absoluto demónio vai uma diferença considerável.

Cavaco Silva cometeu erros. Disso não há dúvida nenhuma.
Desde os seus tempos como PM em que aceitou toda a espécie de acordos com a CEE que acabaram por destruir completamente o nosso aparelho produtivo, até ao seu mutismo esfíngico como PR, não se pode dizer que ele tenha contribuído muito para retirar os país da situação em que ele está.

A sua visão estrita daquilo que são as suas competências impede-o de se "mexer". Fica-se pelos discursos de circunstância, ora duros ora suaves, sem nunca tomar posições que lesem a "imagem" de um Presidente de todos os Portugueses.

O que eu acho é que o consenso não pode existir entre ladrões e entre os que são roubados. E de uma certa forma é isso que Cavaco pensa que se deve fazer. Com certo tipo de pessoas não há negociação possível.

Com estes governos incompetentes e arrogantes não há qualquer consenso que se possa atingir. Há coisas que têm um valor absoluto e não se compadecem com retóricas e percepções. São como são.

Ele espera que o impossível aconteça. Que um Governo incompetente faça o que é correcto.
Isso seria excelente se estivéssemos a lidar com gente de bem, com alguma honorabilidade e com espírito de serviço.

Mas não estamos. Estamos a lidar com um grupo que teve como única preocupação minar todas as estruturas de poder da sociedade de gente da sua cor independentemente da sua qualidade ou carácter. A máquina que apoia o partido de governo caracteriza-se por um completo alheamento relativamente ao bem comum. Eles visam o seu próprio bem e o seu próprio enriquecimento. O poder pelo poder. O poder como meio de obter riqueza.

O PS caracterizou-se por estar solidário com um líder que lhe deu isto - poder e riqueza. De formas muito pouco claras na maior parte dos casos. Hoje descobrimos que existe todo um exército das sombras que domina as mais diversas estruturas de poder e de decisão em Portugal. E domina-as com um propósito basilar - perpetuar-se nelas.

Não tenho muita dúvida que por força da ajuda externa algumas destas sinecuras tenham de desaparecer. Quem chegar ao poder a seguir irá acabar com outras, provavelmente substituindo os seus detentores por "amigos" seus. Mas também não tenho qualquer dúvida de que a inventiva que os portugueses têm para contornar as regras entre em funcionamento assim que um novo ciclo se inicie.

Seja como for estamos a contrair mais dívidas para pagar dívidas. E teremos de as pagar também.
Mas como fazê-lo num tecido produtivo completamente arruinado e espartilhados por acordos com a UE ou com a abertura de fronteiras?
Quem no seu perfeito juízo vai hoje investir na agricultura ou pescas depois de termos colocado tudo isso no nível 0?
Como é que os privados têm meios de investir em projectos inseguros e potencialmente desastrosos?

Começámos a vender a nossa independência como país quando entramos para a comunidade e aceitamos em troca o dinheiro que entrava. Quando pensámos que podíamos ser um país de terciário a viver de "margem".
Foi aí que demos um enorme tiro no pé.
Houve gente que se aproximou do nível de vida Europeu. Até houve quem o ultrapassasse. O nível de remuneração para certas funções neste país é impossível de conseguir num qualquer país civilizado da Europa.
Só que a maioria perdeu. E perdeu porque o objectivo de quem distribuía a riqueza não era a de a repartir por todos.

Era ficar com a maior fatia para si.

A probabilidade de ter só gente bem formada nos lugares importantes é muito remota. Como já assistimos muitas vezes,os mais insuspeitos quando chegam ao poder transformam-se em criaturas desprezíveis. Num sistema que "recompensa" o ser "esperto" e o ser "sacana", os honestos e impolutos acabam sempre por ser triturados pelo sistema.

Os incapazes não querem gente capaz no seu seio. Isso iria revelar as suas limitações e é muito problemático.
Não precisamos só de uma mudança de pessoas.
Precisamos de uma mudança de mentalidades.
Precisamos que o nosso povo saiba assumir as suas responsabilidades, que re-descubra a honorabilidade, a importância de dar a palavra de honra e de dizer a verdade.

Enquanto isso não acontecer teremos políticos aldrabões, cleptómanos, negligentes e muito muito egocêntricos.

Não é o FMI que pode mudar isto. Somos nós. E eu não vejo que isso mude com um bailout. Somos assim há séculos e a forma de pensar de um povo não se muda da noite para o dia.
Lamento muito dizer que acredito que dentro de alguns anos ainda estaremos pior do que estamos hoje.

Os dias de campanha

Estamos em campanha eleitoral.
É a sensação que fica quando a todos os momentos temos alguém do Partido Socialista e aparecer nas televisões a falar da defesa do Estado Social, ou da importância de se chegar a uma solução para o futuro ou simplesmente a dissertar sobre o árduo trabalho que o governo fez e faz para que POrtugal se possa erguer das cinzas.

Todos sem exepção só querem falar do futuro. O passado já lá vai e seja de quem for a culpa interessa agora focarmo-nos no que aí vem.

Típico de quem não tem vergonha, ética e um pingo de pudor.

Este PS destruiu o país. Começou com Guterres que, sobre más fundações, construiu a torre de assalto ao Estado em todas as suas vertentes.
Consciente ou não, preparou o caminho para os piores do PS assaltarem definitivamente o poder e o próprio país.
Portugal foi saqueado de Norte a Sul e de Este a Oeste por um exército das sombras actuando à margem da legalidade durante anos a fio.

Não estavam nada preocupados com o futuro do país. Estavam preocupados com o seu futuro e com o poder do partido.

Conseguiram isto à custa da maneira muito portuguesa de lidar com as questões - enquanto chegar para mim estou-me marimbando para o que se passa ao lado.

E agora, sabida que é a dimensão da catástrofe, estão apenas empenhados no futuro.

Pois eu acho que devemos estar focados no futuro mas não podemos de forma nenhuma esquecer o passado e sobretudo o passado recente.
E não o podemos esquecer porque corremos o risco de voltar a ver esta gente, reciclada e com mais uns aninhos às costas, voltar a aparecer na cena política a pretender meter a mão no saco outra vez.

Temos de apontar a dedo os Sócrates, os Mários Linos, os Teixeiras dos Santos e todos aqueles que vão tentar reabilitar-se como acontece a todos os que morrem.

Aliás, já é notória a tentativa de branqueamento de imagem de Teixeira dos Santos. De acordo com as brilhantes mentes ele é apenas uma vítima da teimosia e desfasamento da realidade de um primeiro ministro ignorante incompetente e teimoso.

Pois eu digo que se Teixeira dos Santos juntasse às suas "qualidades" como académico alguma espinha dorsal não aceitaria isso. E não o aceitaria nunca para um segundo mandato.
A sua marca indelével no descalabro que vivemos não se pode apagar. Seja a sua cobardia perante um 1º ministro sem escrúpulos e moral, ou a sua manifesta incapacidade de acertar com uma medida que fosse. Isto para já não falar na sua voluntariosa colaboração em todas as mentiras que Sócrates e o seu séquito deitou para a praça pública durante 6 anos.

Pois eu acho que Teixeira dos Santos junta a incapacidade à cobardia. E isso é muito pior do que ser apenas incompetente.
Tivesse agido como Campos e Cunha e teria algum crédito mesmo após prolongada acção governativa. Assim não!

De todos os outros o que se pode dizer? Sabedores de que precisavam de estar nas boas graças de Sócrates, que mantém o partido debaixo do pé, pouco há dizer deles. A não ser que a juntar à sua mais que evidente incompetência juntam o pior dos defeitos - lambedores de botas.

O que esta campanha do PS quer fazer, sim porque apenas o PS parece estar em campanha com a ajuda óbvia e todos os meios de comunicação, é passar a ideia de que eles são impolutos, capazes e determinados numa solução de futuro.

Pois não são. São sabujos, comprometidos e ocos ideologicamente. A sua única ideologia é a da perpetuação no poder, diga Assis o que disser dos elevados padrões ideológicos do Partido Socialista.
Este Partido Socialista está reduzido a um alinhamento de notáveis que a única coisa notável que apresentam é a capacidade de se adaptar a tudo o que lhes exijam desde que isso signifique uma fatia das mordomias.

Como é que os votantes de outros partidos poderão conviver com as figuras altas do Partido Socialista num governo de "salvação nacional"? Os mesmos que o destruíram?

Qual é  a pasta para Sócrates? A economia? As obras públicas?

A campanha vai aquecer. E eu espero sinceramente que apesar dos apelos de fair play que o PS e gente ligado ao PS não se cansa de fazer sejam enviados para o lixo. Por muito que custe, a oposição deve fazer saber até à exaustão o que o PS fez a este país.
O PS nunca se absteve, e não o faz nos dias que correm, de tentar assacar culpas a quem não as teve.

Tirem as luvas, ponham a soqueira e vão-se a eles. Deem-lhes o remédio que eles usaram contra a oposição, classes profissionais e todos os que foram achincalhados e deitados abaixo por não terem um cartão rosa.

Deixem-lhes o ego em papa.
Problemas excepcionais exigem soluções excepcionais. O que sobrar do PS virá negociar de chapéu na mão. Não deixem a maior corja de ladrões de que temos memória passar impunes apenas por sentido de Estado.

Eles merecem. Fizeram tudo por merecer. Não pode haver contemplações