Somos todos amigos.... ou quase

O debate entre António José Seguro e Francisco Assis foi soporífero.

Com a excepção de um ou dois apontamentos mais interessantes aos quais não resisti sem esboçar um sorriso.

O primeiro foi a "vitória" de António José Seguro como cabeça de lista por Braga. Uma proeza inédita com 32.85% dos votos. Ao contrário da derrota estrondosa de Assis no Porto por 35.03%.

Só isto foi motivo para uma "contida" explosão de Assis seguida da típica reacção dos vermes incendiários "temos de manter o nível etc etc". Estilo Caius Detritus na Zaragata de Asterix.

Atira-se com uma insinuação para a mesa e depois pede-se elevação à outra parte.
Assis cai nestas armadilhas com uma facilidade estonteante. Tenta controlar o discurso de réplica mas nota-se que está verdadeiramente furioso. Aperta os lábios, muda a configuração dos sobrolhos e começa "finamente" a contra atacar.

A segunda foi a do "laboratório" de ideias. De facto parece-me que se o PS não produzir as suas ideias em "laboratório" elas não vão surgir de outra maneira. Seguro é mais um produto desta era moderna da reunitocracia. O Homem adora reuniões e está pronto a andar de avião para trás e para a frente para se reunir com quem quer que seja.

Assis está numa de "combate". Seria certamente rejeitado para cumprir o serviço militar mas ainda tem algumas reminiscências do discurso pós 25 de Abril acerca do "combate".

Deve ser um combate parecido com o do PCP. Que, como sabemos, tem produzido resultados fascinantes. Combatem tudo sem nunca baixar a guarda. Assis também tem um combate.
Acho estranho é que quando estava em posição de combater o nepotismo e o seguidismo a um líder, não combateu coisa nenhuma.
Deixou-se estar, confortável, como líder parlamentar amplificando todas as ideias e chavões que saiam da "oficina" de ideias de Sócrates.

São estes dois que se vão abocanhar por um partido em frangalhos. Com Costa a assistir do balcão e a preparar-se para ficar com os despojos dentro de um par de anos. Até ao primeiro embate eleitoral.

Suponho que ganhe Seguro. Não é de agora. Já o tinha dito num outro post em 7 de Junho. Ganha por ser o mais bonitinho e porque os militantes gostam de alguém mais bonitinho e com uma conversinha redonda e pseudo inteligente.

Assis é mais bronco, com pior aparência e demasiado peculiar para agradar a todos.

O dever de Passos Coelho

Admiro a verticalidade de Passos Coelho e a sua tentativa de assumir as responsabilidades sem se refugiar nas culpas dos outros.

É um gesto de carácter mas muito dificilmente possível neste Portugal. Não só porque existe a infeliz tradição de deixar grandes "cagadas" para os que vierem a seguir resolverem mas, porque neste caso, a "cagada" tem proporções ao nível do sistema solar.

É quase impossível que não se revele o que Sócrates e os seus Governos dementes fizeram a esta país durante 6 anos. O que fizeram foi catastrófico. E é tão grande que é impossível não ser conhecido mesmo que Passos Coelho não use essa argumentação para se desculpar.

Mas uma coisa é desculpar-se e a outra é trazer à luz do dia o que foram estes últimos 6 anos nas Finanças Públicas. Se ele não o fizer está não só a faltar a um dever de transparência que prometeu, como acabará por ser considerado igual a tudo o que o precedeu. E ele não o é.

É óbvio que se viveu num estado de mentira constante. Foi aliás a mentira que pôs Sócrates na rua. Mas é também plausível que ele tenha sido apenas vitima duma parte das mentiras e das ocultações que protagonizou ao longo destes 6 anos.

Sócrates tapou com dívida buracos imensos causados por uma clique criminosa que se apossou do Estado em proveito próprio. Viveu à grande, arranjou fortunas enormes em pouquíssimo tempo, transformou empresasecas de meia tigela em grupos económicos com portfólios impensáveis em contratos com o Estado etc etc.

Isso teve um preço. E bem alto.

Não é de surpreender que agora ao fazer o levantamento da desgraça, o governo se depare com buracos atrás de buracos. Exemplos de gestão ruinosa da coisa pública e com uma situação quase impossível de resolver.
Passos Coelho não pode fingir que isso não vai afectar a sua governação e os nossos bolsos. Porque vai, e de uma forma que ninguém vai gostar.

O primeiro exemplo foi o da miserável execução orçamental que incrivelmente foi propagandeada como exemplar. O último acto de propaganda e manipulação do Governo de Sócrates. Mas haverá mais. Nos transportes, na justiça, na alienação do património do Estado e por aí fora.

Com tanta gente a roubar é relativamente fácil encontrar buracos de centenas de milhões de Euros.

Seja Passos Coelho e o Governo seja o Tribunal de Contas, é a obrigação de quem nos governa que nos seja revelada a verdade. Para que aqueles que ainda têm o atrevimento de considerar Sócrates o melhor 1º ministro que Portugal já teve percebam realmente quem lhe vai ao bolso e porquê.
É importante que se saiba que o mui competente e impoluto Ministro das Finanças Teixeira dos Santos não passava de um incompetente, ou pior, de um pau mandado.
É bom que se saiba o que se fez na saúde com o descontrolo total nas PPP's e nos hospitais de Estado. O escândalo que foram as parcerias ruinosas nas estradas.

É um imperativo nacional que se exponha o incompetente que foi Sócrates. O que foi a turba cleptómana de que ele se rodeou. É bom que o PS seja confrontado com a realidade do líder que aplaudiu de pé, apenas porque lhes dava o poder.

Exige-se a Passos Coelho que cumpra o seu dever. Nada mais , nada menos.

Ooh the void, the void...

O que dizer quando não se tem nada para dizer?
Para a maior parte das pessoas com dois dedos de testa, a resposta seria - nada.

Mas com António José Seguro o "conceito" de "nada" atinge um novo significado.

Pedro Passos Coelho devia ser mais activo, sustentou o deputado. “Deviam estar a ser mobilizadas reuniões com líderes de outros países da Europa, que ou estão na mesma situação ou exigem da Europa um outro tipo de envolvimento”, avançou.

O candidato afirmou que, se fosse “primeiro-ministro, uma das coisas que fazia era reuniões bilaterais com outros primeiros-ministros e mobilizá-los porque, de facto, a Europa não pode correr atrás do prejuízo, tem que agir”.

Defendeu que esta é “a altura de os líderes europeus se porem de acordo rapidamente e criarem mecanismos que possam verdadeiramente ajudar a resolver esta crise”.

Segundo Seguro, entre estes mecanismos está a emissão conjunta de dívida pública através de ‘eurobonds’ [obrigações europeias], a criação imediata de uma agência de rating europeia, a alteração dos critérios de financiamento de crédito por parte do Banco Central Europeu e a dotação do orçamento da União Europeia de mais recursos, para que não se esteja tanto tempo à espera para agir.
O que ele diz em linhas gerais é que a culpa é das instituições Europeias. Até aí estamos de acordo ainda que eu ache que uma grande parte da culpa do nosso estado em concreto, é do belo partido a que ele pertence e que agora quer chefiar.

Mas claro que se ele fosse Primeiro Ministro faria tudo diferente de Passos Coelho. Aqui está um que acha que reuniões são a solução para todos os problemas. Como se faltassem reuniões entre os membros da UE.
Estou certo de duas coisas se o tivéssemos como primeiro ministro:
  • Eu emigrava, porque se uma criatura deste calibre chega a primeiro ministro eu não quero viver neste país.
  • Ele conseguiria tanto resolver esta crise com reuniões, como Chamberlain conseguiu evitar a segunda guerra mundial reunindo-se com Hitler para assinar um acordo
Não só Seguro é uma espécie de silly putty como precisa de aparecer na comunicação social para se ir guindando ao lugar de Secretário Geral do PS. Mesmo que para isso debite frases vazias e totalmente idiotas. Se eu fosse primeiro ministro...

Se eu fosse rico...

Dá-me até um certo prazer ver que os dois candidatos à chefia do PS são incrivelmente maus por razões completamente diferentes. É como se os pusessem num alinhamento e escolhessem os dois piores das pontas da linha.
Um vazio, tacticista, irrelevante tentando parecer conciliador e o outro semi caceteiro, cão se fila de quem o pode levar a lugares de ribalta e completamente desprovido de escrúpulos.
Até um deles disse (nem me lembro qual mas creio que foi Assis) que o congresso que elegeu Sócrates com uma percentagem tipicamente Norte Coreana não devia ter acontecido.
Ele que esteve na linha da frente no apoio a esse líder...

Seguro que também por lá andou tentando não dar nas vistas.

Continuem assim. Entre a implosão do PS e a explosão do Bloco, estas eleições tiveram um efeito regenerador muito para lá do que se esperava. Ao menos isso. Deixaram o país na ruína mas agora vão amargar como já não se lembravam.

A hecatombe pós Socrática

As obrigações do Estado português a três meses fecharam ontem, sexta, 9-7-2011, a 19,4%. Sócrates deixou-as a 14,1% (em 23-6-2011)
Este tem sido o argumento dos apoiantes de Sócrates para provar que afinal o homem era a salvação da pátria.

Deduzir que a taxa de juro subiu meteoricamente por causa da saída de Sócrates ou da entrada de Passos Coelho é no mínimo desonesto. A não ser que seja burrice total.

A subida das taxas de juro não acontece por causa de nenhum destes factores. Acontece pela situação na Grécia e pela inacção da UE perante a grave situação em que se encontram as finanças da Grécia.

Nesse contexto. o risco de Portugal incumprir aumentou. Por arrasto.

As medidas impostas a Portugal não são por si um factor de risco que determine a subida dos juros. Deveriam até ser causadores dum aumento de confiança e dum abaixamento do risco.

O problema é que na situação a que o país chegou, qualquer tremor na zona Euro tem consequências. E elas parecem ser mais dependentes de factores externos do que internos.

Lembremos no entanto que se Sócrates não tivesse no seu "reinado" aumentado de forma desmesurada a dívida de Portugal não estaríamos expostos desta forma a estes factores externos.

O peso de Portugal e da sua liderança nas apreciações de rating é no mínimo reduzido.

Para a Moody's e retirando o factor de interesse especulativo que possa estar a acontecer, o que afecta a Grécia vai por arrasto afectar a zona Euro e os países mais débeis - Portugal e a Irlanda. E são mais débeis porque os seus governantes os colocaram nessa situação.
A debilidade não é da autoria de Passos Coelho nem deste governo. Quando eles chegaram já estava a situação do país num ponto de desespero.
Ou já se esqueceram que o Governo de Sócrates foi OBRIGADO a pedir ajuda?
Se estava tudo assim tão bem pediu ajuda porquê?
Já se esqueceram que Teixeira dos Santos disse que aos 7% tínhamos de pedir ajuda?

Tentar assacar responsabilidades a este governo pela subida de juros é ridículo. Já não é assim tão ridículo atribuir essa responsabilidade a Sócrates. Foram 6 anos de sangria desatada. De tropelias com as contas ano após ano. No fim de 2010 estávamos muitíssimo abaixo dos 14%.

A Moody's Fitch e S&P nada querem saber da cor política de quem está no poder. Olham para a sua capacidade de gestão e, convenhamos, ela foi uma miséria nos últimos anos. E nesses últimos anos sabemos bem quem esteve ao leme.
Foi isso que o país pensou ao votar como votou. E votou em alguém que disse que iria haver mais sacrifícios. Não iludiu ninguém.
Portanto não me venham com a treta do 13º mês. Se não fosse isso seria outra subida de impostos qualquer. IVA, IMI, IMT, IA etc etc. Estava prevista.

Mas estava prevista com o Governo a comprometer-se a fechar o ano com 5.9% de deficit, pressupondo que o ponto de deficit no fecho do 1º trimestre era compatível com esse objectivo. Acontece que o compromisso foi assumido pelo governo de Sòcrates que por "acaso" deixou o deficit YTD num ponto impossível de conseguir esse objectivo.
O que esperam que um governo faça? Que falhe? Que não faça tudo ao seu alcance para cumprir o compromisso do país?

Esse era o método do Sr. que estava lá antes. Fingir que fazia. E mesmo assim aumentou a nossa carga fiscal até ao céu. Sem resultados.

Tenham alguma vergonha na cara e discutam estas coisas com a seriedade que se impõe. A retórica barata e simplista dos desgraçados socialistas que foram corridos 6 anos tarde de mais já enjoa.
Maus perdedores maus políticos e maus gestores. A juntar a isto desonestos até à medula. Isso se por acaso tivessem espinha dorsal.

Acho fantástico ouvir gente como Clara Ferreira Alves a dizer que no programa do Governo não estava a medida dos referente ao 13º mês!!
Duh. Mas está o sacrifício fiscal para por o deficit em valores acordados com a troika. Será que essa criatura pensa que o programa é um roteiro diário detalhado ao pormenor?
Claro que sabe que não. Mas convém agora dizer este tipo de coisas.
E foi esta gente que apoiou um 1º Ministro que disse que não subia impostos e que logo que chegou ao poder o fez com a desculpa do deficit de 6.83% inventado pelo camarada Constâncio.

É honesto discutir este tipo de coisas perante os 6 anos do maior aldrabão que o país já viu, ter sido aplaudido e apoiado por esta gente?
Obviamente que não. A honestidade na análise de pessoas assim é nula. E se alguém se consegue despojar de honestidade para discutir a "coisa" política, está claro que não tem qualquer pejo em despojar-se dela em qualquer outra circunstância.

Basbaques a soldo, saltitando entre lugares proporcionados pelo poder e absolutamente furibundos por perceberem que não vão por os seus reais "cús" num lugar em que não precisem de trabalhar durante 4 anos (ou mais).

Há menos de um mês que este governo tomou posse. Já reclamam que ainda não fez nada e que por esta altura já devia ter resolvido a crise. Atrasados mentais. Vivemos num país de atrasados mentais.

Maria José Nogueira Pinto

Foi com grande mágoa que ouvi hoje a notícia da morte de Maria José Nogueira Pinto.

Das duas últimas vezes que a vi no Frente a Frente percebi imediatamente que havia qualquer coisa de especialmente mau no horizonte. Via-a envelhecida, magra, macilenta.

E pensei imediatamente que grande coragem que só aquele gesto demonstrava. Não seriam muitas as pessoas que se exporiam na televisão nas condições de saúde em que ela se encontrava. Desejei sinceramente vê-la melhor na próxima vez que participasse no Frente a Frente.

Infelizmente assim não foi. Da segunda vez, ainda mais magra e com uma voz mais fraca. Mas ainda o mesmo espírito e o mesmo vigor mental.

Temi o pior e o pior veio hoje. 59 anos não é idade para morrer. Muito menos no caso dela que tanto tinha para dar.

Concorde-se ou não com a sua ideologia, a verdade é que alguém assim merece toda a admiração pela coerência das convicções e pela capacidade de as defender.

Assisto à partida dela com a sensação de que perdi algo mais que uma cara familiar e uma presença na televisão. Tenho a sensação de ter perdido alguém da família.

Espero bem que haja um lugar onde ela não sinta o sofrimento que a doença certamente lhe trouxe.

Espero que no meio de toda a dor que a família está certamente a sentir aceitem a nossa sensação de perda como uma homenagem à pessoa admirável que ela foi em vida.

Vão-se os grandes, mas a sua memória perdura.

Que descanse em paz.