Há dias maus

Mas para Alfredo Barroso há dias péssimos. São aqueles dias em que a sua ignorância e o seu sectarismo e desonestidade intelectual sobressaem a grande altura.

Tive a (in)felicidade de o ouvir hoje no Frente a Frente e perante aquilo que me foi dado ouvir só há uma qualificação -  desonestidade intelectual do mais alto quilate.

Já sabia que ele deve ter todo o tempo do mundo para recortar jornais. Já sabia que escolhe esses recortes de forma selectiva e descontextualizada.
Mas a argumentação usada hoje foi a um nível de baixeza nunca visto.
Começo a perguntar-me se a péssima qualidade dos socialistas que nos governaram não terá começado com o início do partido.

É quase embaraçoso ver alguém completamente enredado numa teia de falsidades e incongruências da sua própria argumentação. Que quando não tem saída começa a misturar Friedman com Pinhochet para puxar ao sentimento de repulsa pelo ditador, como se houvesse um nexo de causalidade entre as duas coisas.

Mais grave é a sua "aparente" ignorância quando diz que Ron Paul "numa entrevista na CNN (com público)" teria dito que alguém que optasse por não ter um seguro de saúde deveria ser deixado ao destino.
Em 1º lugar era um debate entre candidatos Republicanos. E em segundo lugar quando ele foi interrogado se se deveria deixar morrer nessa situação, a resposta dele (que é médico) não foi a que Barroso insinuou. Muito pelo contrário alguém do público disse "yesss" e outros aplaudiram, mas Ron Paul teve uma resposta ligeiramente diferente dos fanáticos que gritam do público.
E isto só quer dizer uma destas coisa.
Viu o vídeo e não percebeu
Viu o vídeo, percebeu, e distorce esperando que a mensagem passe porque outros que viram não vão à TV contraditá-lo
Não viu o vídeo e "emprenha de ouvido" (o que é uma forte possibilidade).

Não concordo com as posições libertárias de Ron Paul mas pelo menos parece ser de todos os Republicanos o menos idiota.  E quanto a fanatismo de cretinos, talvez devesse olhar para a sua defesa obsessiva dum tipo completamente criminoso, mentiroso e despudorado como foi Sócrates.
Se não é necessário ser fanático para defender semelhante besta, é-se pelo menos completamente cúmplice.

Mas voltemos a Alfredo Barroso e a sua inacreditável teoria de que TUDO foi culpa da crise internacional.  O seu recurso a argumentação para ignorantes, o seu desconhecimento entre o que é liquidez, dívida e deficit é assombroso.
Foi este indivíduo Chefe da casa Civil de Soares. Suponho que as qualificações para o lugar deverão ser apenas uma "amizade incondicional" e necessidade de um lugar de prestígio (que ele não se cansa de trazer para a mesa mesmo nas ocasiões mais despropositadas).

Tinha assistido à sessão entre ele e Teresa Caeiro, mas quase posso dizer que ele hoje juntou a ignorância e a má fé à malcriadice.

Não esperava que ele soubesse de economia, mas ao menos esperava que ele soubesse alguma coisa. Parece ser daqueles que lê umas coisas pela superfície e vem para um tempo de antena debitar vulgaridades para ignorantes ainda maiores do que ele.

Os chorões

Durante 2012 iremos assistir a uma hecatombe nas receitas do turismo neste país.
Quase 20% dos campos de golfe vão fechar porque o IVA subiu.

Estas contas foram apresentadas pelo presidente do Conselho Nacional da Indústria do Golfe (CNIG), Diogo Gaspar Ferreira.

Não sei como é que ele fez as contas, mas acredito que tenha sido de uma forma "profundamente" científica.

Não deixa de ser caricato ver esta gente a berrar. Com o que custa um conjunto de tacos, sapatos, roupinha adequada e o belo do Green Fee, que vai desde os 45-50 até 120 Euros, ver esta gente a chorar por pagar 23% de IVA ao invés dos 6% é no mínimo digno de vómito.

A representatividade do desporto é quase nula neste país. Mesmo que houvesse um golfista português que tivesse ganho qualquer coisa a nível internacional, nunca se soube. A não ser que se seja um atento espectador do Golf Report, um faboloso programa da SIC Notícias onde aparecem mais vezes a tia Tita e o tio Francisco do que é possível suportar.

Quem vem jogar Golfe para Portugal não é certamente um teso que deixa de vir porque passou a pagar mais 17% num green fee de 100 Euros e mais uns quanto cobres em cada refeição que faz.
Muita desta gente compra pacotes de dias de Golf. Há pelo meio as unidades turísticas e os mediadores turísticos. Há de certeza forma de absorver esse custo se a sobrevivência do Golfe estiver em causa.
Mas não está certamente. E de todas as receitas de Turismo, o golfe pode ser uma fatia interessante mas não isto nunca será responsável pelo colapso do sector.
Mais preocupante para o turismo será o facto de muitos portugueses não terem subsidio de férias em 2012. Isso sim é preocupante quer para os próprios quer para a hotelaria no Algarve em 2012.
Ou já se esqueceram que grande parte dos turistas são portugueses? Ou melhor, eram...

Este tipo de manifestações não só são ridículas, injustificadas e muito muito reveladoras de uma total falta de consciência social. Numa altura em que TODOS os portugueses viram a sua conta de electricidade aumentar 17%, uma enorme quantidade perdeu uma significativa parte do rendimento em 2012 vir dizer este tipo de disparates por causa do Golf só pode suscitar uma reacção - vão para o raio que os parta mais os seus carrinhos eléctricos...

O meu prolongado aplauso para o Governador do Banco de Portugal

Há coisas que nos dão um imenso prazer. E esta é uma daquelas que me foi alargando o sorriso à medida que fui lendo.

Andam por aí uns galitos na política que se vão safando até ao dia em que encontram um galo velho, sabido e com esporões de respeito.

Foi o que parece ter acontecido hoje ao inominável João Galamba, deputado das hostes socialistas e sem dúvida um digno candidato a um dos mais ranhosos.

Carlos Costa perdeu a compostura depois de enfrentar algumas imbecilidades do nosso "amigo" Galamba. E como seria de esperar de alguém que tem craveira para ser Governador de um Banco Central para alguém que provavelmente não teria pinta para caixa de banco presenteou-o com as seguintes frases:
"Se não sabe o que é "crowding out", vá aprender.” Foi deste modo, pouco paciente, que Carlos Costa se dirigiu ontem ao deputado do PS, João Galamba, depois deste o ter interrompido, quando falava sobre a acção do sistema financeiro no financiamento da economia real e do Estado, para afirmar que o governador estava a dizer uma inverdade. “Desculpe, deixa-me acabar porque isso é uma ignorância total”, continuou o Governador, aproveitando para explicar qual o significado de crowding out: “Quando o senhor tem um montante total de crédito, este distribui-se por três sectores, público, privado/empresarial e o sector das famílias. Se o senhor tira de um lado o outro necessariamente sofre. A isto chama-se "crowding out" em teoria”. E lembrou que embora raramente perca a serenidade, isso acontece “excepcionalmente” quando está perante situações “de má-fé intelectual”: “Peço desculpa, isto ultrapassa os limites do bom senso”.
(Carlos Costa) explicou que o BCE avisou os bancos nacionais que estes já não tinham colaterais para se financiarem em Frankfurt, e que não existia liquidez para continuarem a alimentar os leilões de dívida pública portuguesa o que ditou o pedido de ajuda à troika. O governador ainda lhes disse: “É a realidade em que chegamos em Abril [data em que Sócrates pediu a intervenção externa]. Se não querem reconhecer a realidade, não a reconheçam. Mas a realidade é sempre mais resistente que a cabeça”.
Mas o despeitado Galamba exigiu um pedido de desculpa do Governador. Ofendido (os burros ficam sempre ofendidos quando lhes dizem que são burros, ou neste caso também desonestos) pela grosseria desafiou (desafio não aceite aparentemente) o Governador do BdP a pedir desculpa.
O momento de tensão culminou quando João Galamba interveio para se manifestar ofendido e desafiar Carlos Costa a um “pedido de desculpas”: “Penso que foi deselegante, desnecessariamente, gostava que me pedisse um pedido de desculpas. A sua atitude há bocado foi perfeitamente injustificável.” Na segunda ronda de respostas aos deputados Carlos Costa falou por mais de vinte minutos, mas acabou por deixar a sala sem fazer a vontade a João Galamba.
 Clap, Clap, Clap, Clap (and so on, and so on....)

Belo, belíssimo. Talvez a criatura perceba que é mais digna de um bom par de chapadas do que de um pedido de desculpas.

Galamba que em 2009 tinha chamado num blog "filho da puta" a um deputado do PSD...
Uma análise política, uma resposta irónica, um insulto. O debate entre os blogues de apoio ao PS e ao PSD para as eleições legislativas entrou este fim-de-semana no campo da ofensa pessoal. "O João Gonçalves é um filho da puta", escreveu o blogger do SIMplex e candidato a deputado independente pelo PS nas listas de Santarém, João Galamba, em reacção a um texto publicado no blogue Jamais. "Foi uma reacção a quente. Mas assumo o insulto, que não foi gratuito: o post do João Gonçalves foi inaceitável e não era debate político", explicou Galamba ao i.
quer agora que alguém lhe peça desculpa por ter sido exposto como um ignorante em Economia. Na qual é licenciado...
João Galamba. Deputado do PS e parte da "nova geração"
Nasceu em 1976. Em 2011 foi publicamente exposto como um idiota.
O PS está muitíssimo bem servido.

Os media (5)

Ou como passamos de uma possibilidade a uma certeza

Ontem ouvi a entrevista e Passo Coelho. E além de achar que a postura dele é francamente diferente da do seu antecessor, demagogo nato, aldrabão compulsivo e falso como uma cobra, pouco mais haveria a dizer.
Tenho consciência do estado em que estamos e sei que é preciso mão firme para acabar com a bandalheira desatada que vivemos durante estes anos e sei também que existem factores que nos afectam e em relação aos quais nada podemos fazer.

E ouvi o jornalista quando perguntou se seria preciso fazer algo mais para 2012. E ouvi a resposta. Que não seria preciso fazer nada mais para manter o equilibrio a não ser que um factor externo imprevisível obrigasse o governo a fazer reajustes.
Normal, e expectável. A não ser que se houvesse um desses factores o governo se sentasse à espera do perdão divino ou da benevolência dos nossos credores.

Hoje ouvi algumas das reações dos partidos da oposição, mas o que mais me espantou foi o fraseado dos media - Passos Coelho admite cortes nos subsídios do sector privado.

Fiquei estupefacto. Os partidos da oposição, encabeçados por um bloquista acéfalo e uma verde aparvalhada reiteravam essa resposta do 1º Ministro.
Ou eu estou louco ou estão os outros, mas a admissão de que possa haver medidas de correção está bem longe de admitir o que se estava a afirmar. Na verdade as medidas de correção podem ser quaisquer medidas no sentido de obter mais receita ou controlar mais despesa.
O leque de possibilidades é enorme. Pode ir desde esse aumento de carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho a uma tributação sobre outra coisa qualquer. Pode ser até um corte drástico em despesa.

Como se passou da admissão de medidas, apesar de na entrevista PPC ter declarado não querer alimentar cenários especulativos, a uma certeza de corte de salários com a consequente gritaria de bloquistas e comunistas é algo que me transcende.

Ou melhor, percebo bem a forma jornalística de ver as coisas. A pergunta é feita com essa intenção. A resposta não confirma a pergunta mas os media precisam de "sumo". Na falta dele inventam.

Isto é o 1º parágrafo da notícia do Sol
No dia em que se encerrou a discussão do Orçamento do Estado para 2012 (OE2012), o primeiro-ministro, em entrevista à SIC Notícias, admitiu que para o ano pode cortar subsídios de Natal ou de Férias no sector privado, para cumprir o défice. «Utilizaremos todos os dispositivos necessários», disse. Se a situação macroeconómica se agravar «claro que teremos que adoptar novas medidas», continuou, aceitando que tal poderá acontecer já em Abril de 2012. Ressalvou porém a sua confiança no OE 2012 para cumprir os objectivos.

E os partidecos da oposição na falta de argumentação válida para critica pegam numa especulação distorcida e comentam-na como se fosse uma realidade. Começamos a viver num universo alternativo em que se responde a opiniões veiculadas pelos media que nem sequer corresponde aquilo que foi dito.

E sejamos realistas. Se um primeiro ministro em face de uma quebra de compromisso com os nossos credores não fizesse nada, seria tão incompetente como o anterior. Seria quase tão incompetente como António José Seguro. É óbvio que se houver um qualquer factor inesperado é preciso agir.
Qual pode ser esse factor? É inesperado. Só a palavra já o descreve.

Se eu soubesse o que fazer no meio da turbulência dos mercados punha-me a apostar em futuros e estava rico num mês. O problema desta crise da zona Euro é a sua enorme imprevisibilidade. E isso é coisa que parece espantar os estúpidos, os jornalistas e os políticos da oposição, que por acaso cabem todos na 1ª categoria.

O problema é que a sua estupidez e a sua falta de isenção e profissionalismo desinforma um país inteiro que vive de sound bytes falsificados para servir as ânsias de sensacionalismo dos media.

Existe uma anedota nos EUA acerca dos advogados:
O que são 100 advogados no fundo do mar? Um excelente começo

Começo a achar que isso se aplica perfeitamente a esta classe profissional sem pinta, sem cultura e sem ética e com um desvio patológico para a esquerda.

É triste constatar que todas as televisões passaram esta opinião e que tem de ser no Público que o título está mais próximo da realidade da resposta.

Abençoada seja toda esta corja de palhaços que dá pelo nome de jornalistas e que de uma forma ou doutra é responsável pela informação que nos é servida

O partido do povo

O PS arroga-se agora de ter conseguido "mudar" o OE de 2012.

Graças ao seu fantástico esforço o limite para o qual se fica sem subsídio de natal de de Férias foi aumentado.
Uma vitória estrondosa.
Mas aparentemente essa vitória estrondosa só terá sido possível através de um rearranjo entre despesa e receita sem violar a norma dos 2/3 e 1/3.

Aparentemente, para todas as propostas do PS não havia o suporte de cálculo necessário para as fundamentar. Vai-se para uma negociação de orçamento, que está balizado por números muito concretos, propor alternativas sem quantificação...

Na verdade é mais ou menos a prática Socialista. O dinheiro é um detalhe. Só que estranhamente o dinheiro falta sempre e é preciso recorrer a expedientes menos usuais para o obter. A solução de Sócrates foi o endividamento até aos cabelos.

Sempre com o "estado Social" na boca, tal como o faz o seu sucessor. Na verdade esse Estado Social foi a fonte interminável de dinheiro para negócios ruinosos para o Estado e altamente lucrativos para empresas "amigas".
A noção de que o dinheiro dos contribuintes não é de ninguém, sempre norteou a forma de pensar destes indivíduos. Transposta essa barreira, ficar com algum não parece nada de anormal.
E o mais grave é que assinaram contratos com clausulas de tal forma penosas em caso de resolução dos mesmos, que o Estado e os governos que os sucederam se veem obrigados a cumprir contratos ruinosos sob pena de pagarem indemnizações brutais.

O exercício demagógico de propor "medidas" utópicas parece ser apanágio desta esquerda. A esquerda mais radical ainda consegue perceber que esse dinheiro faria falta. Mas esses têm uma solução para isso - a banca e os ricos.

De facto o PS está a meio termo e em terra de ninguém. Não tem qualquer realismo nem qualquer afã equalizador. Está apenas por ali, vivendo no meio de uma ilusão perigosa e completamente auto destrutiva.

Hoje, este partido criminoso e irresponsável no qual alguns dos responsáveis do descalabro ainda militam, vem tentar convencer-nos que é por causa dele que as coisas vão ficar melhores.
Talvez fosse bom lembrar que é quase INTEIRAMENTE a responsabilidade deles que as coisas estejam tão más como estão.
Entretiveram-se com propaganda durante 6 anos. De fingir que faziam enterrando milhões em coisas supérfluas apenas para terem um pretexto para "roubar" os cofres públicos.
Impuseram-nos PEC's sucessivos que produziam receita logo a seguir desbaratada. Criaram um volume de dívida que se torna incomportável só pagar os juros num país que tem o crescimento estagnado há mais de 10 anos.
Este partido amigo do povo foi quem enterrou o país e todo o povo com ele.

Hoje tem a falta de vergonha de propor coisas que não sabe como pagar e cantar vitória da ajuda que nos deu para 2012.

Num país a sério gente como Paulo Campos, Teixeira dos Santos, Sócrates, Silva Pereira e outros que tais estariam sentados no banco dos réus a responder pela forma criminosa como causaram a regressão social a que estamos a assistir.

António José Seguro que vá à merda com os seus correligionários.