Renegar o passado

António Costa e alguns "notáveis" criticam Seguro por optar por esquecer o passado do PS.

É verdade. Seguro esforça-se para que nos esqueçamos do que foi Sócrates e a sua criminosa governação.
Não podia ser de outra forma. Bem vistas as coisas, aquilo de que os socialistas se orgulham desses anos são, na maior parte das vezes, meras jogadas de propaganda.

Sabemos hoje, e soubemo-lo quando o fedor de Sócrates ainda pairava no ar, que os "grandes desígnios" do PS não passavam de fumo ou, noutros casos, não passavam de meras manipulações de uma realidade bem diferente.

Como se pode orgulhar este PS do passado na área da Justiça? Com as revisões do código penal que tinham como objectivo reduzir o cúmulo jurídico de penas introduzindo o conceito de crime continuado.
Revisão essa que teve como efeito secundário a libertação de criminosos perigosos às centenas.
E a apressada revisão da lei das armas para conter a sangria provocada por essa primeira revisão?
Como podemos esquecer-nos do agravar da situação das acções executivas ou da campanha das férias judiciais que redundou numa situação impossível para a manutenção dos turnos e férias durante o mês de Agosto degradando ainda mais a situação dos tribunais cíveis.

E na educação? Um processo de avaliação que enterrou os professores numa burocracia interminável afastando-os do seu primeiro objectivo - ensinar? Ou a certificação de incompetências através das Novas Oportunidades?
Se o primeiro foi pensado para poupar dinheiro com as progressões na carreira, o outro foi pensado para alindar os números  da OCDE.

E na saúde com uma rede de cuidados continuados sem orçamento estrangulando as entidades a quem o Estado devia pagar? Ou o encerramento de maternidades por esse país? Que acabaram redundar numa conta nunca paga aos hospitais Espanhóis onde iam nascer a crianças de Elvas.
Ou o acumular de dívida ás farmaceuticas que redundou nas suspensão de fornecimento de medicamentos oncológicos aos hospitais?

E o conluio com as grandes empresas nas PPP's ruinosas e renegociadas para serem ainda mais ruinosas para os cofres públicos?

E a sucessiva escalada da carga fiscal sobre uma classe média asfixiada e sem fuga possível que era depois desbaratada em obras sem controlo? A Parque Escolar, exemplo perfeito da mais pura incompetência e falta de planeamento com derrapagens orçamentais que colocariam qualquer pessoa num país civilizado atrás das grades.

O passado recente do PS é isto. E é tanto isto que forçou o 1º ministro coadjuvado por um ministro das finaças titubeante mas complacente a pedir dinheiro para poder pagar os salários em Junho de 2011.
Um 1º ministro que dizia em 2010 que estávamos bem. Que teve um ministro da economia que fazia corninhos na AR que qualificava o nosso país de oásis. Que foi à India, paraíso do trabalho miseravelmente pago dizer que os salários em Portugal eram baixos e isso o tornava num sítio atractivo para o investimento.

Um partido que anda agora agarrado à preocupação com "as pessoas" não se pode atrever a falar no que fez com "as pessoas" há menos de um ano atrás. Sobretudo quando esse mesmo partido aplaudiu de pé num congresso um lider que fez um discurso não muito longe dos discursos de ódio que outras figuras ignóbeis fizeram noutras épocas.

A única forma de o PS ganhar alguma credibilidade é varrer com todo o lixo subserviente a Sócrates.
E não são subservientes porque concordassem com ele ou porque o admirassem como líder.
Eram-no porque ele garantia o acesso a lugares de poder e de influência. A par do desdém que muitos tinham por Sócrates (Seguro incluído) nunca se afastaram muito dele sob pena de serem esquecidos nas listas ou num qualquer lugar apetecível.
Ainda sobrevivem e pontuam na bancada socialista, fazendo a vida negra a um líder vago, desorientado e totalmente vazio.
Líder que tem medo de lembrar os portugueses do que  nos trouxe aqui.

Não votei em Passos Coelho. Mas tenho de ter esperança que por uma vez na vida deste país alguém tenha a coragem de governá-lo em condições impossíveis e consiga atravessar o túnel sem nos tornar num país indigente.
Confio no ministro das Finanças. Não há dúvida quanto à sua honestidade nem quanto à sua competência. As declarações dos líderes das potencias europeias que "importam" são bem claras. Podem estar um pouco empoladas, mas talvez isso se deva ao contraste entre o charlatão e mentiroso Sócrates e uma pessoa em quem se pode confiar.

Espero para ver. Mas não vou fazer o que faz todo este povo impaciente que não percebeu realmente onde estamos metidos e clama já por desaperta de cinto e benesses acrescidas.  Se o que Sócrates destruiu levasse só dois anos a endireitar éramos um povo com sorte. Vai levar muito mais.

Sócrates comprometeu o país para lá das nossas vidas. Comprometeu os nossos filhos. Destruiu em 6 anos o que leva mais de uma geração a por direito.

Como é que um líder de um partido que esteve por detrás deste caos pode resistir à tentação de ocultar isto?

O que dizem Costa, Pedroso, Assis e outros notáveis vermes é o equivalente a ter nos dias de hoje o Partido Nacional Socialista da Alemanha a dizer que o seu grande líder histórico teve um lado bom. Fez autoestradas e desenvolveu a indústria. Devolveu o orgulho ao povo alemão e era um homem carismático.
Quem é que seria tão estúpido ou ignorante que poderia ficar calado perante tais afirmações?

Sócrates e todos os seus sabujos do PS foram o grupo mais despudorado e criminoso que governou este país. Nem quando estivemos debaixo da mão da Coroa Espanhola se fez tanto para destruir Portugal.
O que esta gente nos roubou foi o futuro. Foi a esperança de que este país possa um dia ombrear com a Europa em condições iguais. Roubou-nos o dinheiro, a honra e o amor próprio.
Num qualquer país civilizado eles estariam no banco dos reús a responder por traição.

Uma campanha.... ou duas

Basta ver a forma inaceitável como o PS foi enxovalhado no último congresso do PSD e por figuras com responsabilidade nesse partido, caso do líder parlamentar [Luís Montenegro]. Várias figuras do PSD usaram da palavra com um único objectivo: enxovalhar o PS. Acham que com isso condicionam o PS, mas o PS não se deixará condicionar", declarou Francisco Assis.
O PS foi enxovalhado no último congresso do PSD segundo Assis.
Pois quanto a mim foi pouco. Ainda foram usadas algumas "luvas" para esbofetear a face deste partido que se deixou tomar pela corja mais nojenta e mentirosa que alguma vez teve na sua liderança.

O enxovalho do PS devia ser público, constante e sem quartel. Um partido que fez o que fez e nem um mea culpa consegue fazer não merece melhor.
Um partido que despudoradamente tenta culpar aqueles que em vez de fugir deram o peito ao manifesto propondo-se governar um destroço falido não merece outra coisa que não seja o constante gritar da sua incompetência, má fé e desonestidade.

Que outra coisa se pode fazer com um grupo que continua a culpar a crise internacional pela vertiginosa subida da dívida portuguesa? Foi ele responsável pelo desbarato do dinheiro de todos nõs em negociatas de PPP's? De contratos renegociados ruinosamente? Por desmandos orçamentais em tudo o que é serviço do Estado neste país? Foi a crise ou foi uma governação de mentecaptos aplaudidos por uma bancada parlamentar de mentecaptos?

Talvez não esteja a ser justo chamando mentecaptos a gente que soube muito bem aumentar o seu pecúlio enquanto o país de afundava em 6 anos. Isso um mentecapto não consegue fazer. Um criminoso convicto , sim.

A Renovação do Parque Escolar - Uma Obra Essencial

Um manifesto. Espantoso como esta classe profissional pródiga em lixar os seus sai agora a terreiro a defender os seus magros proventos (nos últimos tempos entenda-se)

Quase 250 arquitectos produziram um manifesto defendendo a Parque Escolar e o seu programa de renovações de escolas por esse país fora.

Não surpreende. Numa altura em que a escassez de trabalho é óbvia, ver desaparecer algum rendimento do atelier desta forma inesperada deixa a cabeça a latejar a qualquer um.

Mas talvez fosse boa ideia estes arquitectos lerem um outro manifesto - Maldita Arquitectura.

Nesse pode ler-se claramente a forma como muitos dos arquitectos instalados na praça foram os responsáveis pela proletarização da classe num mero espaço de 10 anos. Desde os tempos da Arquitecta sem palmarés Helena Roseta que acabou a ser bastonária da recém criada Ordem que esta situação estava à vista.

Já nessa altura o trabalho era escasso e as promessas feitas por Roseta e pela ordem de acabar com o famigerado Decreto Lei nunca se materializaram. Em vez disso inventou-se um sistema limitador da entrada de profissionais no mercado de trabalho.

Com a chegada de arquitectos formados em Universidades privadas o problema agravava-se ainda mais. Solução? Roseta propunha um exame a todos para poderem exercer a profissão. Depois um estágio.

O que temos hoje são arquitectos a ganhar à hora o preço que uma mulher a dias não ganha a lavar escadas. E como o trabalho é pouco é uma sorte ganhar 4 ou 5 Euros à hora em vez de estar no desemprego.
O Afluxo de estagiários aos ateliers lixou a vida doos que lá estavam e custavam algum dinheiro mais. Um estagiário podia ser de borla. Era viável ter um atelier a trabalhar com uma esmagadora maioria de estagiários esmagando os custos de forma sensível.

E quem fez isto aos Arquitectos foram os outros arquitectos. Que agora já nem assim conseguem ter o ganha pão assegurado. A parque escolar foi providencial numa altura crtítica. Mas agora acabou-se.

Mas o que é mais vergonhoso é que se defenda um projecto que não consegue conter os custos de uma forma totalmente absurda. O preço por escola nova ou por intervenção é de tal forma alto que num país civilizado colocaria imensas questões acerca da honestidade.

Já vieram as duas ministras de má memória a dizer que os requisitos mudaram a meio com o aumento da escolaridade obrigatória etc etc. Mas então porque é que em face das novas circuntâncias não se recalculou o orçamento? Porque se deixou ficar o planeamento anterior sabendo que essa alteração do condições o tornaria totalmente inadequado?

Talvez porque esta argumentação seja uma treta. Custa-me muito a crer que uma escola que se planeia para acolher alunos até ao 12º ano sendo que até ao 9º era ensino obrigatório mude radicalmente o programa se todos eles tiverem de ficar até ao 12º.
Em condições normais quantos sairiam logo a seguir ao 9º ano completo? Esse delta justifica derrapagens da ordem dos 400% tal como afirmado por Nuno Crato e corroborado pelo TC?

Obviamente que não. E obviamente que foram pagos trabalhos que nunca foram feitos. Se isso não tivesse acontecido, uma inspecção à obra por um arquitecto minimamente competente teria evitado escolas novas fechadas por inundações no 1º ano de funcionamento como aconteceu.

A Parque Escolar foi mais um espécie de privatização de um sector do Estado que TEM de ser público. Pelos defensores da Escola Pública.
Deram-se milhões a construtoras amigas deixando esta cair umas migalhas para estes arquitectos que veem agora os seus magros proventos desaparecer. O mercado de construção está de rastos e não há esperança de que recupere nos próximos anos. E se recuperar vai construir o quê, aonde e para quem?

A juntar à falta de lisura para com os colegas mais novos vem juntar-se a mais pura falta de honestidade.
Contestam números apurados por auditores profissionais. Mas ninguém contesta que houve derrapagem. Mesmo que ela fosse de 66% por escola é suficientemente mau para se aceitar. Se o orçamento muda por alteração de programa essa alteração tem de estar orçamentada. Revê-se o orçamento.
É como se estivéssemos a usar o OGE de 2000 em 2012 e esperar que o dinheiro aparecesse.

Talvez seja hora de os arquitectos perceberem que não é por o país ter dois premiados que todos os outros são sérios, competentes e com prestígio. Se assim fosse tínhamos mais premiados e não temos.

O que eu vejo é que a arquitectura com a qual os alemães, franceses e nórdicos têm todos os cuidados seja para um prédio de habitação seja para um grande edifício institucional é tratada neste país por todos, arquitectos incluídos, como uma espécie de vaca leiteira que vai dando leite até morrer. E que se lixe quando a vaca morre desde que eles retirem a sua quota parte de leite. A quota parte que acham justa para si e para os seus ateliers. Não é certamente a quota parte justa para os estagiários a trabalhar quase de borla que realizam quase todo o trabalho.

Srs. Arquitectos: Sabem bem o que podem fazer com o manifesto. O mesmo que fizeram com a ética e com a decência e solidariedade entre profissionais.

Os media (10)

Assiste-se a uma incrível duplicidade de critérios de muitas das pessoas que tenho ouvido falar.
Os famigerados fazedores de opinião, andam num corropio por tudo o que é media deste país a tentar passar a ideia de que a investigação pela justiça de políticos eleitos é um passo perigoso e absolutamente indesejável.

Vem isto a propósito da queixa apresentada ao MP sobre as despesas realizadas pelos gabinetes ministeriais dos governos anteriores.

Quando se alterou o estatuto dos magistrados, o argumento central dessa discussão foi a de eliminar privilégios e regalias injustificadas. Está por saber o que é que é injustificado. Se é a eliminação de uma forma de compensação pela sucessiva perda de salário por parte de profissionais superiores então isso é no mínimo estranho.
Sobretudo enquanto assessores de duvidosa craveira e funcionários políticos tinham regalias e privilégios injustificados (esses sim) no governo que apontou as armas à magistratura.
Como tal, foi pedido que essas regalias e benefícios fossem revelados de acordo com a lei.
Coisa que o Governo de Sócrates se recusou fazer. Porquê? Agora sabemos porque um tribunal obrigou o Governo a revelar essa informação.
E ela não pinta um retrato muito bonito da forma como os políticos dos PEC's conduziam a sua contenção de gastos.

Por causa deste caso fala-se muito da judicialização da política. por oposição a um silêncio total acerca da politização da justiça. Como se por acaso um crime cometido no exercício de funções políticas devesse, ou pudesse, estar fora da alçada da justiça.
Sendo o poder judicial um poder independente do executivo (e muitas tentativas foram feitas para que não fosse desde o Caso Casa Pia) o que toda esta gente está a dizer é que algo que um cidadão comum faz e é condenável, não o é se for feito por um político.

Esta pretensão põe um selo de impunidade formal sobre crimes cometidos enquanto detentor de um cargo político.

Por outro lado muitos dos que dizem isto insurgem-se conta o facto de Isaltino não estar preso.
E talvez não esteja preso porque quando foi decretada a sua prisão (porque na Relação alguém não informou o tribunal de 1ª instância adequadamente) todos se atiraram à jugular da juíza por o ter feito. Desde os advogados (compreensível) até aos media sequiosos de escândalo e sangue.

Depois perante a hipótese de prescrição de alguns dos crimes por causa do novelo dos recursos, a juíza cautelosa não quer correr nenhum risco. Aguarda informações de quem tiver de as dar para que quando decretar de novo a prisão seja absolutamente seguro fazê-lo.

Com toda a sanha anti judicial que grassa nos media pela mão dos "fazedores" de opinião, mais vale ter cuidado com as decisões. Mesmo sabendo sempre que quaisquer que elas sejam não serão consensuais.

Quando leio coisas como as que escreve o desonesto Miguel Sousa Tavares ou afirmações proferidas por Francisco Assis ou Daniel Proença de Carvalho, apercebo-me até que ponto este "clamar" por justiça que eles aparentam fazer, é apenas destinado ao cidadão comum.
Não há uma alminha que esteja na política ou que tenha relações com quem esteja na política que veja com bons olhos a investigação de actos potencialmente ilegais.
Eles não são muito claros e não dizem preto no branco que não se devia fazer. Dizem apenas que isso "não faz sentido" ou que é um "passo perigoso" para dar a entender que é melhor as coisas estarem como estão.
É que se abrirem a caixa de Pandora, quantos destes que apelam a um "esquecer" das coisas não são apanhados na corrente? Quantos não têm podres a esconder desde há 37 anos?

A violação da lei não é complicada de aferir. Se uma decisão resulta num gasto não autorizado na lei ou claramente violador da lei, o seu autor deve ser julgado como qualquer cidadão normal.
O facto de vir a ser eleito ou reeleito não legitima o que fez.
Isso é o que defende Isaltino, ou mais recentemente os sabujos de Sócrates que acham castigo suficiente ele ter perdido as eleições.

Isso não é castigo. Não existe essa treta de julgamento político para crimes comuns. Há crime e não há a distinção de ser político ou não.

Não é minimamente aceitável que a corrupção que grassa por este país, a irresponsabilidade das decisões acabe por ser paga por todos nós podendo os seus autores recandidatar-se alegremente a outros lugares sem qualquer averiguação dos seus actos.
Não é aceitável que alguém que seja condenado numa 1ª instância por crimes cometidos enquanto detentor de um lugar político não perca imediatamente o mandato com suspensão de benefícios e de salário. Se em recurso se comprovar que há um erro é fácil repor a situação. O contrário não é verdade.

Em bom rigor, logo que fosse constituído arguido a suspensão de mandato devia ser automátca para crimes de determinada natureza.
Deixar alguém assim em funções é dar acesso ao potencial criminoso a uma posição de poder em que pode comprometer a investigação, destruir indícios, intimidar testemunhas. Razões bastantes para porem um cidadão comum em prisão preventiva.

Mas depois de uma condenação em 1ª instância, não fazer nada é passar um atestado de inutilidade a todo o trabalho gasto. Se for assim, mais vale não haver relação nem 1ª instância. Fique-se só com com o Supremo ou com o Constitucional, já que parecem ser as únicas decisões com consequências. Até lá os criminosos passeiam-se por aí até os crimes prescreveram

Se não parece estranho a um povo como o Islandês por um ex 1º Ministro no banco dos réus, porque nos parece tão estranho a nós?
E quando digo a nós não estou obviamente a referir-me ao povo votante e contribuinte. Estou a referir-me a uma estreita faixa da população que tem acesso aos meios de comunicação e acha que "faz" opinião.
Este grupo pretende deformar opinião ao contrário daquilo que devia fazer que era ajudar a formar opinião.
Isto tem tido como resultado um desprestígio da justiça (e de outros sectores) com o martelar constante dos nossos ouvidos de opiniões enviesadas, distorcidas e falsas do que se passa no sistema judicial. Não é que o sistema não tenha defeitos, mas muitos deles são da exclusiva responsabilidade do legislador - os políticos.
Muito poucas vezes se ouve falar disto de forma séria ou informada. Muitas vezes se ouve falar de forma intencionalmente desonesta como foi o caso do recente artigo de MST que não era mais que uma peça ignorante, preconceituosa, intelectualmente desonesta e arrogante. Estes adjectivos são provavelmente a mais perfeita caracterização do próprio autor.

E ele e outros como ele têm acesso completo aos jornais televisões e rádios deste país ajudando a orientar uma massa de acéfalos numa determinada direcção.
Foi assim contra a magistratura e foi assim contra os professores. Não devo ter ouvido muitas declarações honestas e isentas sobre estes temas durante os últimos anos.
Os media e os "fazedores" de opinião preferem tricas sobre o PGR ou sobre o Presidente do Supremo.
No entanto preferem esquecer os contratos de arrendamentos de tribunais ruinosos para o Estado ou as despesas de cartões de crédito (e seguramente outras) custeadas por dinheiros não orçamentados.
Preferem esquecer o caos legislativo causado por sucessivas alterações casuísticas, muitas delas à medida de crimes em julgamento, feitas pelos políticos ou por gabinetes contratados e pagos por esse mesmo poder político.

Os media deixaram de veicular informação de forma isenta e critica e passaram a ser o megafone de grupos de interesse e de pressão, vulgo "fazedores de opinião".

Que me importa a mim que um Adão e Silva se insurja contra a judicialização da política? Não é ele político por acaso?
Que me interessa a opinião de um Marques Lopes acerca do que quer que seja? Ou de uma Clara Ferreira Alves que toda a sua vida recente gravitou à volta da política e dos políticos?

São eles fazedores de opinião ou serão antes protectores dos seus interesses?

Então, porque é que personagens destes têm direito a espaços de comentário e horas de televisão e rádio e colunas de opinião por tudo o que é jornal?

É este lixo ético e intelectual a única coisa que o jornalismo tem para nos oferecer? Não há mais nada? Mesmo mais nada?

Os hábitos da manipulação da informação de Sócrates sobreviveram-lhe. Não há um único evento político, seja um congresso, seja uma presença do governo na assembleia que não valha comentários apalermados de jornalistas e de comentadores a soldo. Até já jornalistas sem craveira metem as suas buchas "espirituosas" no fim das peças jornalísticas.
Em tudo veem fragilização. Pode ser apenas um esclarecimento do presidente do PSD no congresso ou um discurso do Ministro da Economia no parlamento.
Respeitava-se um vigarista fizesse ele o que fizesse, desrespeitam-se todos os que estão a limpar a porcaria que ele fez.
Dá-se eco às declarações acéfalas de Seguro sem um comentário jocoso (e sabe Deus como as suas intervenções poderiam ser alvo de comentários jocosos) mas há sempre uma buchazinha espirituosa se for alguém da outra cor.

BTW, não assisti a nenhum comentário jocoso acerca da gaffe de Ruben de Carvalho quando qualificou como arrogante o facto do ministro das Finanças alemão não se levantar para falar com Vitor Gaspar. Nem ouvi sequer as desculpas do próprio.
Talvez porque os erros cometidos a coberto do sectarismo político sejam muito difíceis de reconhecer para quem está convencido que possui a verdade. Mas ao menos um daqueles jornalistas que só sabe fazer perguntas estúpidas pudesse por uma vez perguntar-lhe: "Tem a dizer alguma coisa relativamente à razão pela qual o ministro alemão não se levantou para falar com Vitor Gaspar? Ainda acha que é arrogância? Ou acha que é apenas por causa dele ser paraplégico desde 1991?"

O execrável Miguel Sousa Tavares e o irrelevante Daniel Oliveira

Poucos são os que, como Miguel Sousa Tavares, conseguem juntar a desonestidade intelectual, a subserviência e a falta de bom senso numa só pessoa.

Vem isto a propósito de um artigo de MST no Expresso que ajuda a transformar o jornal no pasquim que o Expresso se tornou.
Pois, senhores deputados, se se atreverem a tal e se levarem tal resposta, não se intimidem: ingerências do poder judicial no poder político e governativo é o pão nosso de todos os dias. Até houve um recente congresso de magistrados onde foi dito bem alto e claro que os
tribunais aí estavam para anular os actos do Governo que lhes parecessem contrários à Constituição, tal como eles a interpretam, e abrangendo especificamente actos como o da redução salarial dos funcionários do Estado.
Veja-se, aliás, esta eloquente história da queixa-crime apresentada pela Associação Sindical de Juízes contra todos e cada um dos membros do governo Sócrates que se atreveram a reduzir-lhes os salários e a tentar reduzir-lhes as férias.
Espera-se que quando alguém critica o faça de forma informada. Muito mais alguém que tem acesso a escrever num órgão de comunicação social de grande expansão. MST não se preocupa com esses detalhes. Quando refere a redução das férias judiciais, ou é ignorante ou mal intencionado. É que essa campanha acerca das férias foi pensada para parvos como ele comerem. As férias judicias e as férias dos magistrados são coisas bem diferentes. E se umas duravam 2.5 meses as outras eram iguais a qualquer outro cidadão - 22 a 25 dias.
Talvez MST não saiba, ou não queira saber que há uma coisa chamada turnos e que não só existem durante as férias judiciais, como acontecem aos sábados. Sábados em que ele provavelmente se faz passar por um agricultor alentejano abastado beberricando um Pera Manca e fumando charuto num sítio a sul. Privilégios de um diletante.
Depois de, com a ajuda dos seus colegas dos tribunais administrativos, terem obtido acesso a todos os documentos relativos a despesas e uso de cartões de crédito e telefones dos membros do governo (aquilo a que o "Correio da Manhã" entusiasticamente chama "o saco azul do governo Sócrates"), a Associação pegou nos papéis e deduziu uma queixa-crime contra todos por suspeitas de utilização de dinheiros públicos para fins privados.
Segundo este Sr, o facto de os governantes serem obrigados a revelarem publicamente as despesas dos gabinetes ministeriais e se terem recusado a fazê-lo em violação da lei, é apenas um pormenor. O facto de as despesas dos cartões de crédito não terem cobertura orçamental nem se saber a proveniência dos fundos (constituindo efectivamente um saco azul, logo ilegal) é outro pormenor de somenos importância.
O que é importante é MST reduzir um pedido formal de informação a um tribunal a jeitos de "colegas". A forma como MST descreve o dever de informar é reduzido a uma espécie de manipulação para acesso a informação privilegiada de forma muito pouco clara.
Mais um exemplo de que qualquer cretino tem ideias e má língua tão elaborada como MST. MST é um cretino.
O Ministério Público, por seu lado, recebeu a queixa e já anunciou a inevitável Maria José Morgado para investigar os crimes. Ora isto, meus caros amigos, é sim uma abusiva utilização de poderes judiciais para fins de vingança corporativa e nada mais do que isso. A dr' Morgado, ao receber a queixa, deveria ter feito aquilo que faria tratando-se de uma queixa de um cidadão comum: dizer aos senhores juízes que ela não estava em condições de ser recebida. E porquê? Porque não se pode pegar num monte de documentos de despesas de gabinete, com cobertura legal, e suspeitar, em abstracto, que todos os membros do governo que tinham direito a essas despesas as utilizaram indevidamente. Como os senhores juízes muito bem sabem, não há crimes colectivos de governo, a menos que os queiram acusar de associação de malfeitores: os senhores teriam de dizer na sua queixa quem era suspeito de que crime, como, quando e porquê, e quais os documentos concretos e identificados que sustentavam as suspeitas.
De outro modo, se qualquer membro de um governo pode ser genericamente suspeito de utilização indevida de dinheiros públicos só porque tem ao dispor um cartão de crédito e um telefone, qualquer dia não há quem se atreva a governar. E imaginem que os membros do governo Sócrates se lembravam de retaliar, pedindo aos tribunais administrativos que lhes concedessem acesso a todos os documentos de despesa dos juízes portugueses? Os tribunais administrativos concedê-lo-iam? E, se, por absurdo, o fizessem e os juízes fossem obrigados a mostrar todos os documentos de despesas
pessoais dos últimos anos, a dr' Morgado receberia uma queixa-crime genérica contra todos os juízes, com base numa montanha de papéis por analisar?
Imaginem ...
Mesmo sem saber o que consta das informações dadas acerca das despesas dos gabinetes, MST deduz antecipadamente que a questão devia ser arquivada. É esta a visão qe MST tem do papel do MP. Arquivar ou não aceitar queixas.
O problema é que a queixa não é de alguém que nada percebe de leis. Magistrados não fariam isto se não tivessem alguma certeza de que o que consta desse informação não apresentasse indícios de ilegalidade. O cidadão normal, como MST  não tem nem conhecimentos nem a experiência para ter essas certezas.
A diferença entre um cidadão comum e um magistrado é que um pode muito bem nem saber o que é uma lei, mas o outro faz disso a sua profissão. Não é exactamente a mesma coisa.
Mas já percebemos que para MST se deve investigar a fundo o caso BPN por uso impróprio de fundos de uma entidade privada e, por outro lado, se deve recusar liminarmente qualquer indício de mau uso de dinheiros públicos por parte de detentores de lugares de governo.
Se isto não é legitimação total da impunidade dos detentores de cargos públicos não sei o que será.
Vindo de MST talvez seja apenas estupidez ou o resultado de um artigo escrito sob o efeito de alccol ou substâncias que causam alterações do estado cognitivo.
Também não dá bem para perceber o que é que MST acha que é a vida de um juíz. Talvez ele não saiba que os tribunais têm tão más condições de trabalho que muitas das vezes as despesas que deveriam ser do tribunal são suportadas pelos próprios. Quase dá a sensação que os juízes, como qualquer membro do governo, tem o poder de por uns almoços e uns gastos de actividade nas contas do fim do mês.
E na verdade ninguém precisa de pedir esse tipo de informação a um tribunal. As contas dos tribunais e por consequência dos gastos dos juízes em exercício de funções, já estão na posse do ministério. São requeridas pela tutela e como tal apresentadas. Não precisam de recorrer a um pedido de tribunal para as obter.
E duvido seriamente que descubram alguma coisa que não fosse evidente logo à partida.
É que ao contrário do Ministério que gastou dinheiro à guarda dos tribunais para posterior devolução nunca isso aconteceu quando a responsabilidade desses dinheiros estava na mão dos tribunais e dos juízes. Foi preciso o deselegante gesto de retirar a tutela desses dinheiros aos juízes para se perceber como um Ministério os geriu. Gastando dinheiro que não é seu e que é colocado à sua guarda.
Talvez MST não saiba disto. Talvez esta imagem de rectidão dos juízes por oposição à desonestidade dos políticos não seja compatível com o tipo de prosa que escreve.
Quanto aos gastos de telemóvel dos juízes, sendo os telemóveis pagos pelos próprios com o dinheiros dos seus salários, nem MST nem os ex ministros de Sócrates têm nada a ver com eles. Ao contrário dos srs. ministros quanto mais um juíz falar ao telefone móvel, mais pobre fica. Não sei a quem isso pode interessar. Acredito que almoços, telemóveis e convites pagos sejam coisa comum na vida de MST. Dos juízes que conheço, nem por isso.

O nível de crítica de MST é de tal forma básico, parcial e manipulador que me pergunto o que pode estar por detrás desta afincada defesa de meros criminosos.
Desde há anos que não consigo perceber porque é que alguém se dá ao trabalho de escutar o que ele diz ou ler o que ele escreve.
É que para ouvir este tipo de conversa de merda, basta uma conversa de café com meia dúzia de analfabetos funcionais. Não se espera que um intelectual tenha um raciocínio apriorístico, ignorante e completamente demagógico como MST parece ter nestes últimos tempos.
Não sei o que leva esta gente a estar tão absolutamente em pânico porque por uma vez na vida se está a escavar toda a porcaria que a classe política criou neste país.
Sejam os magistrados, sejam os jornalistas, é um imperativo nacional acabar com isto. Mesmo que os cartões de crédito fossem "legais" que razão pode haver para que um Estado que vive apenas e exclusivamente dos MEUS impostos e dos outros portugueses dê 5000 ou 10000 euros por mês a um tipo que já ganha um bom bocado mais do que eu, para fazer despesas pessoais com o MEU dinheiro?
Talvez MST esteja habituado a viver com o dinheiro dos outros. Ou talvez ache  como uma boa quantidade de gente neste país, que tem direito a viver regaladamente com dinheiro que não é seu e pelo qual nada fez para merecer.
A mim sai-me do lombo e levam-me mais de metade em impostos (entre IRS e outros impostos directos e indirectos) e fico lixado quando ainda me tiram mais porque gastaram todo o que me tiraram para viver regaladamente.

Só posso tirar uma conclusão. Miguel Sousa Tavares é uma besta. E uma besta incontinente verbal.

(Dá-me quase vontade de dizer que este post segue o novo acordo ortográfico só para me demarcar das posições desta desgraça que se chama Miguel Sousa Tavares. Mas não, não segue o novo acordo.)

Quanto à irrelevância de Daniel Oliveira não há muito a dizer. É uma coluna no mesmo tom. É que para Daniel Oliveira os magistrados não são trabalhadores e como tal não podem protestar quando lhes cortam no salário. E quando lhes cortam bastante mais que aos resto da função pública. É que se a uns o corte se ficou pelos 5%, nos magistrados essa fatia foi bem maior. À qual acresceu o corte do 13ª e 14ª mês. Se a uns o corte correspondeu a uns 14 ou 15%, nos magistrados esse corte ascendeu a mais de 25%. Mas eles não são trabalhadores. É o Daniel e o "povo" que ele defende. Do qual exclui à partida uns quantos grupos de que ele não gosta. Valha-nos a consolação de que este palerma irá um dia desaparecer sem deixar obra ou memória.


Mas leiam mais um pouco aqui ( PortadaLoja).