Memória curta

É aquilo que melhor descreve o que sinto quando assisto a uma tentativa reiterada de branqueamento do passado.

Os media, os comentadores, os políticos, todos o fazem.

Não temos um orçamento base 0 mas temos um ano 0. E esse ano parece ser 2011, mais exactamente a seguir à eleições que deram como resultado a saída do PS do poder.

Fala-se hoje como se o passado não existisse. Como se aquilo que passamos hoje não fosse um reflexo directo do que fizemos durante os governos de Sócrates, Durão, Santana e Guterres.

As raízes do mal podem ser traçadas até 15 anos atrás. Ou até mais.

Mas a verdade é que chegamos a eleições com um país completamente endividado, com uma população a fazer um nível de vida impossível e com uma total falta de visão estratégica do país.
Isto paga-se. A questão é como se paga e não há assim tantas formas de isso acontecer.


Recessão, desemprego, insolvência familiar e empresarial, desagregação social, caça às bruxas, aproveitamento político demagógico. A receita completa.

Mas o papel do PS e de alguns dos seus notáveis em todo este processo é estarrecedor.
Quando ouvimos um Mário Soares dizer coisas como diz, ou quando ouvimos um Seguro afirmar que está disposto a ir para a rua, quase parece que toda a responsabilidade do que se passa é exclusivamente deste governo.
Mário Soares mostra mais uma vez a sua falta de espinha dorsal. O PS não se pode desobrigar de um acordo que assinou e sobretudo que causou. O PS é numa enorme percentagem o responsável único pelo descalabro nacional. Causou-o, escondeu-o e assinou um acordo que nada tem de socialista para se safar do buraco.
Porque sabia que era mais fácil omitir o teor do acordo e deixar isso para o governo que viesse a seguir.

As reformas estruturais com o consequente corte em direitos laborais, redução de gastos na saúde e educação, alienação de empresas estratégicas foi assinado por um PS que proclama ser agora contrário a estas medidas.

A falta de palavra já é algo intimamente ligado aos políticos. Mas o nível de falta de palavra de Mário Soares é chocante. É a total falta de pudor e de vergonha que sempre o caracterizou. Mas agora a idade e a necessidade obsessiva de ser "ouvido" retirou o filtro, e estas barbaridades saem-lhe da boca sem qualquer controlo.

Na minha opinião, o PSD não diz suficientemente alto e bom som de quem é a responsabilidade. Tem algum decoro e mostra um certo esforço de apaziguamento ao fazê-lo.
Mas o PS não tem essas barreiras morais e éticas. O PS que minou o Estado de ladrões não tem esse tipo de pudores.
Para eles fugir a um acordo, passar responsabilidades suas a outros e fingir que não é nada consigo, é apenas business as usual.

A manipulação é o dia a dia deste PS. Quando fala no PEC apresentado a Bruxelas sabe bem a carga pejorativa que o termo tem. E essa carga pejorativa é responsabilidade do próprio PS.
Mas um PEC e o que o PSD comunicou a Bruxelas são coisa bem diferentes. Sobretudo porque ao estarmos sob ajuda externa não há PEC. Muito mais do que PEC temos o acordo que temos de cumprir e que é avaliado trimestralmente.

A outra enorme manipulação é desatar aos gritos porque as previsões são piores do que as de há uns meses atrás. Muito à maneira PS, as previsões tornam-se de imediato realidades e como tal pode confrontar-se o governo com elas. Tal como as suas previsões fantasiosas e optimistas eram tomadas pela realidade. Sempre optimistas e sempre fantasiosas. E como se viu, sempre irreais.

O PS dá-se mal com a realidade. Prefere escondê-la para que se descubra quando já estão outros no poder. A verdade e o PS estão em polos opostos.

Se vamos empobrecer é porque durante 6 anos o PS endividou o país em nome do povo sem qualquer resultado prático que não fosse o de proporcionar milhões a si próprio e aos seus amigos.
Este empobrecimento forçado foi consentido e aceite no acordo que o PS negociou e assinou.
Não nos esqueçamos que as negociações com a Troika foram levadas a cabo exclusivamente pelo PS. Os outros partidos assinaram no fim. Mas a negociação estava feita. A única coisa que podiam fazer era não assinar.
Mas fizeram-no para que existisse um consenso político alargado que evitasse coisas como assistimos na Grécia em que um louco diz que não paga sabendo que no dia em que isso for real não entra nem mais um Euro na Grécia.
Caso esta atitude da Grécia fosse para a frente , os salários da função pública grega seriam pagos pela última vez em junho.

A Alemanha já avisou o Governo Grego - Se desrespeitarem o acordo não há mais dinheiro.
Podem fazê-lo e fá-lo-ão. A nação economicamente mais forte da Europa pode ditar as condições em que empresta o dinheiro. E quando se tem um louco a dizer que não vai pagar, mais louco seria o emprestador se lhe desse mais dinheiro.
O que é grave é que estes políticos brincam com a vida das pessoas. Ficam à beira de impor a todo um povo a miséria total. E nessa circunstância as pessoas bem podem rebelar-se e sair à rua. Continuarão miseráveis na mesma.

O PS deixou-nos precisamente numa situação semelhante. E agora um sem vergonha como Soares acha que o PS se pode desobrigar de respeitar o que assinou. Se isto não é a maior demonstração de falta de carácter de Soares, não sei o que será. É como gritar plenos pulmões. "Eu fui 1º ministro e Presidente deste país e não mantenho a minha palavra nem acho que os outros a devam manter".

Se Seguro está preparado para sair à rua, eu sugeria que viesse com Sócrates e que passasse perto de minha casa. Gostaria de lhe fazer saber o que penso dele e dos seus camaradas.
Gostaria de lhe fazer saber que o empobrecimento que também me afecta a mim, lho imputo totalmente a ele a ao seu partido de criminosos.

Nunca será demais lembrar que o PS, este PS, é responsável pelo buraco monumental em que nos meteram. O desvario das PPP's, da Parque Escolar, do ensino tornado uma mera convenção com coisas como as Novas Oportunidades ou a carga burocrática estúpida e inútil causada pela avaliação mentecapta dos professores, o ataque às instituições judiciais, a corrupção e o abuso de poder etc etc etc.
Tudo isso é obra do partido de Seguro.

Que nunca se esqueçam.

Ainda o imobiliário...

Esta gente meteu uma enorme parte do mundo civilizado num enorme sarilho.

Nos EUA a crise do subprime é despoletada por uma tentativa cega de fomentar o crédito hipotecário associado à construção.
Convenceram-se os Americanos de que se tivessem uma casa com uma hipoteca de 500.000 dólares estavam ricos. Mas como?

Fácil... Um ano depois de fazerem a hipoteca teriam uma casa a valer 700.000 e assim ainda se podiam dar ao luxo de fazer uma outra hipoteca e "embolsar" mais 200.000. Isto fez disparar e de que maneira os preços da habitação. A banca andava felicíssima. Concedia crédito como nunca e passou à fase seguinte. Conceder crédito a quem claramente não o podia pagar.
Juntavam toda esta tralha em derivados e vendiam com ratings triple A. Depois apostavam no incumprimento dos devedores.

Quando a bolha rebentou em 2008, a família com 2 hipotecas no valor de 700.000 tinha uma casa que afinal não tinha valorizado mas sim depreciado. Ficava sem a casa e com fortes probabilidades de ainda ficar a dever meio milhão.

Na Europa a coisa foi ligeiramente diferente. Em Portugal primeiro, logo no fim dos anos 90 e em Espanha pouco depois, entrou-se nesta loucura de preços de habitação completamente inflaccionados. Todas as semanas as casas subiam de preço. Sem razão aparente e sem seguir minimamente as leis da oferta e procura. A oferta era tanta que o lógico seria ver os preços descer. Mas não...

Como o dinheiro era "barato" e a banca dava crédito de forma aloucada, apenas porque o seu staff tinha objectivos dementes de concessão de crédito, as famílias nem se ralavam verdadeiramente se a casa que estavam a comprar valia os tais 500.000 euros ou não. Faziam umas continhas rápidas, viam que a prestação (que iriam arcar 30 anos e mais com taxas de juro que só podiam subir) podia ser paga e enfiavam-se num enorme buraco. Acreditando muitas vezes que a casa ainda iria valer mais passados 3 ou 4 anos.
Gente havia que trocava de casa cada ano. E de facto alguns ainda ganharam algum dinheiro neste carrossel de dívida e mais valia. Mas rapidamente acabou. E rapidamente as taxas de juro subiram e os empregos foram-se. Muita dessa gente está no rol dos que entregam a casa ao banco todos os dias. Mas que continuam com uma dívida para pagar, porque última casa de que nunca foram proprietários foi vendida a preço de saldo.

Mas olhando pelo outro lado as coisas não são melhores. A banca, sozinha ou com ajuda do imobiliário, meteu-se num buraco abismal. Endividou-se ela própria fora de portas, para trazer liquidez a um mercado imobiliário totalmente artificial.
Hoje essa mesma banca vê muito poucas hipóteses de reaver dos "clientes" o dinheiro que lhes emprestou e as casas com que ficou não valem, desculpem-me a expressão, um peido. E a cereja no topo do bolo é que têm um stock de habitação em 2ª mão e em 1ª mão para vender para o qual nunca encontrarão comprador.

Quer a banca quer as empresas do sector imobiliário merecem TUDO o que lhes está a acontecer.
O grave disto é que as empresas são as pessoas e muitas dessas pessoas perderão os empregos enquanto os administradores e sócios conseguiram amealhar um bom pé de meia, muitas das vezes de forma duvidosa. No fim é o mexilhão que irá pagar o colapso dessa miserável indústria que tomou o freio nos dentes como se as casas não se construissem com um objectivo.
O nosso problema é enorme. Mas o problema da Espanha é de proporções absurdas.
Um país que tinha uma percentagem de propriedade de casa de habitação muito baixa, saltou para valores impressionantes.
Hoje há bairros capazes de alojar milhares de famílias desocupados. Os promotores faliram e as casas são duma banca falida. Grandes bancos que apresentavam lucros fabulosos anos a fio estão hoje numa situação de não poder honrar os depósitos dos seus clientes. Daqueles que em vez de terem passivo tinham activos que esta banca usou para financiar a loucura dos outros.

Por lá, como por cá há aqueles que acham que a banca devia ser boazinha com os que foram "levados" nesta onda de consumismo imobiliário. Dão a casinha de volta e amigos como dantes.
O passivo, esse, fica do lado do banco que o irá tentar colmatar com ajudas estatais, com o apelo à poupança de outros e sobretudo com muita sorte.

O drama de uma banca de rastos é que isso afecta toda a sociedade. Afecta as empresas que não conseguem financiar-se porque a banca não tem sequer liquidez, afecta as poupanças de quem as conseguiu fazer e põe uma economia de rastos.

Foi a banca que fez isto a ela própria? Não totalmente. A política governamental desde cedo privilegiou este tipo de comportamentos. Cavaco Silva adorava a construção civil. Dizia que era a indústria nº 1 do país. Nunca houve uma real preocupação com a forma como as cidades iam crescer ou a com as consequências dum urbanismo totalmente desregrado e apenas determinado pelo lucro.
Hoje o resultado está aí para todos nós vermos.
Cidades absurdas, autarquias assoberbadas com despesas causadas por cidades enormes com centros vazios, gente a ficar sem a casa dos seus sonhos, banca a ficar sem as rendas mensais e a ver os seus lucros e liquidez a cair a pique..

Mesmo assim os representantes da "indústria" querem manifestar-se e exigir do governo uma solução. Solução? Querem que o Estado lhes compre as casas?
Sugiro que se juntem aos "desgraçados" do golfe com 23% de IVA e, caso consigam, que vão todos exactamente para o mesmo sítio - para a puta que os pariu.
Se o país se livrar desta praga que anda à volta da construção civil se calhar pode focar-se uma vez durante a minha vida em fazer alguma coisa de produtivo que nos traga alguma vantagem como país, em vez de apenas encher alguns bolsos.

Seguro lá ganhou umas eleições

Mas que pobreza franciscana. Mas que entusiasmo tão pueril o de Seguro.
É quase chocante ver ao entusiasmo bacoco de Zorrinho, Seguro e personagens como Manuel Alegre que já estão a preparar o velório da direita.

Hollande ganhou montado em promessas impossíveis. O cerne do mal, a maldita deslocalização de indústrias produtivas que  geravam emprego, nunca é abordado.

É impossível perder emprego e rendimento num país e comprar bens importados e sustentar o Estado Social ao mesmo tempo.

Os governos que estão no poder desde há 20 anos fizeram todos o mesmo. Deixaram as empresas perseguir o lucro cego, fizeram acordos comerciais com países que tratam os seus trabalhadores como lixo, desrespeitam todas as normas ambientais e de segurança, e agora para finalizar pedem-lhes dinheiro emprestado.

Os Brics têm o mundo Ocidental agarrado pelo tintins. Nem sequer seria possível impor taxas aduaneiras nesses bens para minorar o mal.

Para sustentar um Estado Social dos tempos de abastança endividaram-se. A França fê-lo a 90% do PIB.

Hollande vai sentar-se na cadeirinha e perceber que reforma aos 60 não dá. Acabar com o nuclear e por os franceses a pagar uma bruta factura de electricidade também não dá. Renegociar o acordo com a dama de granito só se for em sonhos. Hollande vai ter o benefício da dúvida mais curto da história.

Quando largar o Eliseu a França vai estar um bocado pior do que já está. Só que no entretanto são 5 anos de lamaçal para a França e para a Europa.

O nosso Partido Socialista olha para isto como se o camarada lhes fosse dar a oportunidade de voltar ao poder em Portugal com umas pazadas de dinheiro da UE.

É pátetica a figura deste PS e a sua fé cega num modelo de "crescimento" que não passa de palavras.
Nada a que não estejam habituados. Eles lá no fundo acham que as coisas acontecem só porque eles "acreditam" e dizem que acreditam.

Sócrates acreditava no oásis. Dois anos depois a culpa foi da crise internacional. O investimento público era a chave para o crescimento. Duma certa forma tinha razão. Por cá foi a chave para o crescimento da dívida.

Vai demorar um bocado para que nos países de onde foram corridos governos despesistas se volte a ver as mesmas caras no poder.

E ainda bem. Deus nos livre de ter Seguro como 1º ministro e Zorrinho como ministro de alguma coisa. Nunca vi líderes políticos tão vazios, tão superficiais e tão claramente incapazes.

Mete dó.

PS. Estou curioso ver a solução da esquerda radical grega para o imbróglio onde a Grécia está metida. Não pagar e não sair do Euro. Se calhar vai por toda a gente a criar uma cabrinha na varanda para pelo menos terem leite...
Que Deus os ajude.

E lá vão 38 milhões para pagar ... nada.

Segundo Emanuel dos Santos, o despacho assinado por si teve uma intenção preventiva. «O meu despacho permitira poupar ao Estado eventuais despesas de indemnização por incumprimento de contratos celebrados», defende-se.
Não é possível que estas explicações atabalhoadas sejam credíveis. Não é de todo possível acreditar que este tipo de atitudes sejam sérias. Se fossem não eram tomadas no último dia de um mandato. Se estas posições tivessem mérito contratual, o governo seguinte poderia honrá-las sem que um secretário de Estado se sujasse de forma tão suspeita.
Nem o facto de o actual Governo ter anunciado que pretendia «renegociar o projecto à luz dos novos condicionalismos, incluindo o seu conteúdo e calendário», tal como se lê no programa eleitoral do PSD de 2011, impediu Emanuel dos Santos de autorizar o pagamento.
Mais grave é quem assina o despacho saber que se outro partido ganhar as eleições, essas obras serão suspensas. Obviamente que a decisão não é para poupar o Estado a inconvenientes. O objectivo é dar uns milhões a uma empresa antes de que a decisão do governo seguinte evite que isso aconteça.
Assim, isto sai do foro da responsabilidade política. Isto é no mínimo do foro da responsabilidade civil e devia ser julgado como tal.
O actual funcionário do Banco de Portugal refere que «teve presente» uma posição de Passos Coelho «no dia 20 de Janeiro de 2009», quando ainda não era líder do PSD. O primeiro-ministro disse «sem qualquer hesitação ser a favor da construção da linha de TGV Lisboa -Madrid», refere.
É curioso como este funcionário do Banco de Portugal  invoca palavras de 2009, quando apenas alguns falavam da desgraça em que nos estávamos a meter, e não se lembra de declarações de 2011, quando já sabíamos bem onde estávamos metidos. Como se diz acima estava no programa eleitoral. Que este homúnculo prefere esquecer invocando o discurso de 2009.

O que eu não entendo é como gente de todas as proveniências profissionais se torna tão rapidamente numa corja de mafiosos e pulhas quando chega ao Governo. Ou será que já o são antes de lá chegar? Ou será que são apenas paus mandados de interesses mais altos? Cada vez mais me convenço que esta gente mais não é que um grupo mandatado e mandado por ministros para fazer o que lhes interessa sem se queimar. Aliás, o ministro diz que não teve nada que ver com isto. Até o desgraçado Paulo Campos afirma que nada tinha que ver com o TGV. Esse apenas teve que ver com a mafiosice que foi a renegociação de concessões rodoviárias...

Milhão a milhão foram fazendo isto ao país. A todos nós. Milhão a milhão deram aos amigos e indirectamente a si próprios. E nós agora temos de repor.

O ministério público tem o dever de investigar tudo isto até ao limite das suas competências. Tem o dever de apurar se estes indivíduos são responsáveis criminal ou civilmente por este tipo de actos.
O Estado ele próprio tem de levar ex- funcionários como estes à justiça no sentido de obter de volta valores incorrectamente pagos e seguramente envoltos em corrupção.

Quando se assiste durante anos a um ataque à magistratura percebe-se bem o que está por detrás desse gesto. É proteger a classe política de casos como este em que um Secretário de Estado assina contratos de milhões, paga indevidamente e depois sai calmamente da ribalta para o seu emprego anterior como se nada se passasse.
Com um ministério público amarrado, uma magistratura judicial debaixo de fogo constante, estes indivíduos asseguram o seu futuro com gestos como este, ou servem apenas de peões de brega para filhos da puta como Sócrates e outros semelhantes viverem hoje regaladamente com dinheiro de duvidosa proveniência.
Esfregando na nossa cara o seu nível de vida às nossas custas.
Não há prisão suficientemente funda e escura para enfiar toda esta corja.
Sejam eles de que partido forem deviam ter todos os mesmo destino - a prisão.

Os saldos

Pergunto-me se esta barulheira acerca da promoção de ontem do Pingo Doce seria a mesma se não estivéssemos a falar da Jerónimo Martins.

Curioso é que o Grupo Auchan também abriu as suas lojas ontem e não ouvimos ninguém berrar a plenos pulmões por causa da humilhação do 1º de Maio.

O problema parece estar nos 50% de desconto em compras acima de 100 Euros que o Pingo Doce fez ontem e que deu azo, como seria de esperar, a uma corrida desenfreada e quase demente às suas lojas.

Do Bloco nem uma palavra acerca das outras empresas que abriram as suas lojas mas que não tiveram certamente a mesma afluência de compradores.

As promoções com descontos loucos não são novidade. Acontecem todos os dias em todo o lado. Seja por liquidação de stock em tempo de saldos, seja por promoção de Natal, Verão ou Páscoa, é usual fazer-se isto. E é usual haver uma corrida a essas lojas para conseguir a um preço descontado aquilo que ainda no dia anterior era muito mais caro.

Nunca ninguém saiu a terreiro acusando essas empresas de dumping.

E isso nunca aconteceu porque nunca foi tão claro que o responsável dessas empresas tenha um determinado alinhamento político. Isto a que assistimos, este disparate absurdo da esquerda inútil, não é mais do que um nojento aproveitamento político de uma situação que é absolutamente normal e constante.

Seria bem mais sério criticar o facto de as lojas estarem abertas no 1º de Maio. Essa é a questão central e a única que devia ser trazida à discussão. Meter parvoíces como a prática de dumping na equação para ultrapassar o facto de ser de alguma forma permitido trabalhar no 1º de Maio é argumentação de garotada pueril. Se não querem que isto aconteça legislem a obrigatoriedade de NÃO trabalhar no 1º de Maio. Mas para toda a gente, incluindo os trabalhadores das bombas de gasolina porque esses também têm direito à festa do trabalhador.
Isto é uma hipocrisia, vindo de gente que pouco se importa que haja gente a trabalhar um pouco por todo o lado.

O que se devia invocar é a possibilidade de as lojas poderem decidir se abrem ou não. Se lhes é dada a margem para poderem abrir do ponto de vista legal, então não há nada a dizer.
Uma empresa pode decidir abrir todos os dias do ano desde que não esteja a quebrar nenhum regulamento.

O que estes infantis bloquistas e comunistas querem fazer agora é simples. Pela ausência de uma lei violada (abrir no 1º de Maio) tentam aproveitar aquilo que são os comportamentos selvagens de alguns para imputar responsabilidades ao Pingo Doce. É como condenar Al Capone por fraude fiscal por não terem conseguido apanhá-lo por homicídio.
Chegam ao ponto de querer SABER qual a margem de lucro do Pingo Doce. Já estou a imaginar  Soares dos Santos a  mandá-los sonoramente à merda.
Nas declarações registadas pela SIC Notícias, até aldrabões como Honório Novo vem dizer que compra no pequeno comércio. Nem preciso de uma foto dele no Pingo Doce ou no Continente a fazer compras para ter quase 100% de certeza que mente porque convém.
Até a absurda Canavilhas diz que prefere festejar o 1º de Maio.

Toda esta gente mete nojo.
Metem nojo os apalermados trotskistas do BE que não perceberam ainda que não vivemos num regime socialista e não é com a sua miserável percentagem eleitoral, com tendência para descer, que iremos viver.
Metem nojo estes aldrabões comunistas que me querem fazer acreditar que apoiam o pequeno comércio quando essa não é nem nunca foi uma opção ideológica. Compram seguramente como todos nós numa grande superfície. Por preço e por conveniência e sobretudo por disponibilidade. Metem nojo estes ridículos do PS, como Paulo Campos a dizer que o Governo protege os poderosos. Ele que renegociou concessões com "poderosos" aumentando-lhes as rendas para mais do dobro. Ele que mentiu numa comissão parlamentar referindo um estudo da KPMG que a própria KPMG negou ter feito nessa mesma comissão.
O mesmo Paulo Campos que "oferecia" um lugar à bloquista que diz "Lesboa" e que apoia Soares.
É este verme que vem apontar o dedo ao Governo por não interferir numa decisão de uma empresa privada? É um insulto ter uma besta desta estirpe no parlamento a "representar-nos". Isso sim é uma vergonha.

Mas mesmo grave é ter o Governo a saltar neste "comboio" e vir dizer que vai legislar para regular as promoções inesperadas. O que é inesperado? Uma semana de antecipação? Então agora passamos a ter um período de preparação para avisar que vamos fazer uma mega promoção? Por lei?
Acredita alguém que se isto tivesse sido anunciado com uma semana de aviso a coisa tinha sido melhor? Eu acho que ainda iria ser mais grave. Houve muita gente que não foi porque não sabia.

Aqui está um exemplo de como se tenta resolver as coisas com leis de merda (como se não tivéssemos já que chegue)  que ainda por cima agravariam o efeito que querem evitar. Se o ridículo matasse, amanhã tínhamos menos um ou dois ministros.

Quanto às cenas pouco próprias vistas em todos os canais de televisão...

Era previsível. Sabendo nós que 50% de desconto pode significar comer 2 meses pelo preço de um, é óbvio que as lojas iriam estar cheias. É óbvio que as prateleiras iriam ficar vazias com a "rapina" de tudo o que estivesse exposto.
Nem a velocidade de reposição nem os stocks das lojas poderiam de alguma forma suportar o embate. Junte-se-lhe a habitual falta de civismo dos envolvidos e temos isto que vimos.
As pessoas enlouquecem. Levam coisas que não lhes fazem falta. Vão deitar fora imensas coisas que levaram ontem para casa.
Tudo isso é previsível.
O que não se pode esperar é que as pessoas se coíbam de comparecer em massa só porque acham que o dia do trabalhador é uma coisa solene que devem respeitar.

Pode permitir-se fazer isso quem ainda pode fazer a sua vida normal sem andar à caça de bagatelas. Para quem está a passar dificuldades e para quem 150 Euros a menos em compras de 1 mês pode significar muito, estas considerações acerca dos direitos dos trabalhadores e sobre a lutas que levaram a instituição do 1º de Maio como dia Internacional do Trabalhador não lhes dizem nada. Nada.

Quando soube da promoção disse imediatamente que ia ser uma avalanche. Vão aqueles para quem isto faz diferença, vão outros para quem não faz tanto e irão outros só pela curiosidade.
Só quem não faz compras nos dias antes do Natal é que não sabe o que esperar.

Mas a verdade é que enquanto a esquerda tentar trazer a política para o meio destas discussões, perde o combate. Enquanto ela tentar dizer ás pessoas com mais necessidades que se deviam abster de poupar 50% vai ficar a falar sozinha.
Enquanto esta esquerda tentar mandar abaixo uma empresa, usando argumentação falsa, ou na maior parte dos casos puramente ridícula, vai continuar a ser aquilo que é.

O Bloco ainda não se apercebeu da sua verdadeira falta de expressão política no meio dos eleitores. São um grupelho de esquerda pseudo intelectual, onde pontuam alguns diletantes da academia. Não são "povo" não se consideram como tal nem nunca saberão realmente o que é ser "povo". Eles são uma espécie de vanguarda esclarecida que fará pelo povo "ignorante" aquilo que ele não tem capacidade de fazer. São as elites intelectuais dum movimento operário que não existe.

Chamar o ministro da Economia à Assembleia para pedir contas ao Governo é absurdo.
Ou há uma lei que proíbe de abrir no 1º de Maio ou não há. Ou é permitido avisar de véspera ou não é. Ou se pode fazer uma mega promoção de 50% de desconto por um dia ou não pode.
Não se ponham a inventar leis e regulamentos incumpridos porque a quem cabe legislar é à Assembleia da República. Se não o faz é porque se tornou tão preguiçosa e inútil que grande parte da legislação que é produzida não passa de Decretos do Governo. E essa prática já não vem de agora e Sócrates usou e abusou dela.