En garde, Lagarde

Pobre senhora elegante.

Quando manifestou a sua convicção de que os "gregos" deveriam pagar os seus impostos, caiu-lhe a Grécia em cima.

Como se por acaso o sistema fiscal Grego fosse alguma coisa que funcionasse.

Dizia ontem o indizível Alfredo Barroso que as grandes empresas de transporte marítimo gregas não pagam impostos. Que a Igreja ortodoxa que é a maior proprietária grega, não paga impostos.

Barroso usava esta argumentação para atacar Lagarde.
Barroso é tão cego e tão absurdamente sectário que nem percebe que esta argumentação é precisamente a defesa de Lagarde.
Ela não disse que quer que os Gregos que já pagam impostos paguem mais impostos.
Ela estará provavelmente a referir-se a estes gregos abastados que não pagam um tostão de impostos. Estará porventura a referir-se à classe política cleptómana grega que não paga os impostos devidos e que tão prontamente saltou a terreiro a criticá-la.

Saíram-se depois com o escândalo de Lagarde não pagar impostos do que recebe no FMI. Pelos vistos há uma qualquer convenção que regula isso.
Não creio que fosse um escândalo quando DSK lá estava.  E ou o salário foi muito aumentado a Lagarde ou então um camarada socialista com pretensões (desfeitas) a presidente já vivia modestamente com um salário parecido.
Não é que ela esteja a fugir deliberadamente aos impostos. O estatuto da posição é que confere essa prerrogativa.
Ao contrário de muito grego que o faz em violação da lei e que se safa com isso devido à total ineficácia da máquina fiscal Grega.

Tal como cá, essa máquina fiscal só é ineficaz no caso dos ricos. Os trabalhadores dependentes levam pela medida grande lá como cá.

Alfredo Barroso, chegou ao ponto (mesquinho como sempre) de dizer que ela vestia roupas de milhares de Euros em ocasiões públicas. Talvez se tenha esquecido do que os seus familiares gastavam quando Mário Soares estava na presidência.

A demagogia deste tipo de considerações é brutal.
Obviamente que se for um homem com um fato de milhares de Euros (Sócrates usava-os) ninguém se atreveria a dizer o que quer que fosse. Há sapatos de homem absurdamente caros. Há fatos absurdamente caros. Há relógios discretos que custam milhares e milhares de Euros.
Não acredito que Barroso se atrevesse a tecer as mesmas considerações que fez sobre Lagarde se fosse um homem à frente do FMI. O seu camarada DSK de certeza que não era conhecido pela sua contenção.
Gostava que Barroso nos dissesse quanto acha que custa uma noite numa suite no hotel em que DSK terá alegadamente violado a empregada.
É suposto que a sra. se apresente adequadamente em ocasiões públicas e mediáticas. Já o fazia quando era ministra e continuará a fazê-lo. O mesmo se espera da "namorada" de Hollande se porventura o acompanhar em qualquer ocasião pública.

A legitimidade de Barroso para criticar o salário de Lagarde (em pricípio compatível com a sua responsabilidade) é nula. Não sabe do que fala e só o faz por ela não ser da linha política que ele defende.
Barroso é um malcriado sem estatuto  Viveu este anos de democracia à pendura de um outro oportunista - Mário Soares, seu tio.
Praticamente tudo o que ele se arroga de ter feito foi porque o tio lhe proporcionou o lugar. Chefe de Gabinete, Chefe da Casa Civil, etc etc. Sem Mário Soares Alfredo Barroso não seria ninguém.

Barroso é uma nulidade passada e presente. Do que fez ou deixou de fazer nunca a história lembrará. Até já o tio se esqueceu dele. Num livro recente, só arranjou como escritor do prefácio outro ressabiado e oportunista da política portuguesa - Manuel Alegre, o homem do milhão e meio de votos.


É óbvio que  um lugar como o de Lagarde tem de ser bem pago. Não haverá muitas pessoas capazes de o exercer e Barroso não é certamente uma delas. Se qualquer gestor de merda ganha 40.000 Euros por mês neste país, arruinando a empresa que devia gerir, quem pode achar que Lagarde com a responsabilidade que tem devia ganhar 5.000 ou 6.000?
Curioso como só achamos altos os salários dos outros.


A fiscalidade Grega é ausente. Muitos dos políticos gregos que criticam Lagarde são uma enorme corja de ladrões. São eles em primeiro lugar os responsáveis pelo que o povo Grego está a passar. Não é Lagarde nem as suas declarações.

Pode toda esta tralha socialista empertigar-se e ficar chocada com as declarações de Lagarde?
Não creio. De cada vez que se apanham no poder servem-se dele de forma completamente despudorada. Não mão dos nossos "socialistas" o Estado é uma espécie de empresa de que eles são os donos. Em que os lucros e vantagens são para si e para os seus amigos e os prejuízos são para o contribuinte.
Os socialistas deviam chocar-se com a bandalheira que o seu querido PASOK criou e manteve na Grécia enquanto esteve no poder. Mas preferem fazer discursos bonitos de que a Europa tem de ser solidária e pagar os desmandos de gente sem escrúpulos que enterrou país atrás de país.

A Grécia está metida no buraco em que está por culpa sua. Mentiu despudoradamente nas contas durante anos. Contraiu empréstimos "secretos" para poder aldrabar as contas.
A comissão Europeia devia ter apanhado as mentiras? Sim.
Mas quem mentiu foi a Grécia através dos seus governos.
Foi a Grécia que recebeu o primeiro pacote de ajuda e conseguiu desbaratar tudo a ponto de precisar de um segundo pacote.
Foi o povo Grego que geriu esse dinheiro? Não. Foi o governo grego.
Mas não comecemos agora a tentar encontrar bodes expiatórios para a situação em que a Grécia está metida. E apesar de a Grécia ter imensa história e ser muito importante no contexto histórico da Europa (como insiste o intelectual Pacheco Pereira) isso não muda rigorosamente nada. Nada.

Se estes palermas fossem  Suecos, Finlandeses ou Alemães que reconstruiram os seus países até serem exemplos de eficiência e ética, que hoje podem dar às suas populações dos melhores níveis de vida do globo, não encarariam com bons olhos dar os seus recursos para ajudar a pagar as loucuras da classe política dos países do Sul que aos seus olhos sempre se comportaram como novos ricos irresponsáveis.


No povo grego alguns haverá que são co-responsáveis e outros que não têm responsabilidade nenhuma.
Bem vindos ao mundo real. passa-se a mesma coisa no nosso país. A única diferença entre a Grécia e Portugal é que quando precisamos de dinheiro  ainda não tínhamos chegado ao ponto da Grécia.


Mas Lagarde tem razão. Há muito que a Grécia pode fazer por si. A primeira coisa é começar a tornar-se num Estado sério e justo. E quanto às razões para não o ser podem encontrá-las na classe dirigente miserável que a Grécia tem há anos.

Já que falamos nisso, cá é a mesma coisa.

Ricardo Costa e a isenção

É sempre bom quando cai a máscara. A máscara da pretensa independência e isenção.

Foi o que hoje aconteceu com Ricardo Costa pela mão de um colega na SIC.

O homem está de cabeça perdida. Qualquer um estaria se soubesse que esmiuçaram toda a sua vida e a colocaram em 16 páginas.

Só que Ricardo Costa nem sabe bem contra quem é que está, nem quem é o causador desta "cabeça perdida".

A sua argumentação é fenomenal. Segundo ele, querer reduzir isto a uma questão de guerra empresarial é deitar areia para os olhos.

Toda esta gente que tanto bate no peito e defende a presunção de inocência é a primeira gritar e a presumir a culpa quando é o alvo das questões.
E a ligação não é porque existam indícios de culpa. É porque não existem indícios de inocência.

Até prova em contrário Ricardo Costa acha que a culpa é do 1º ministro. Porquê?

Porque apesar de o dossier estar na mão de um tipo que trabalha na Ongoing (ex SIED) e ter sido encomendada por este a um ex PJ, existiu uma relação entre governos passados e estes indivíduos de que este é agora culpado.

Não sabemos a altura em que foram feitos os relatórios de Balsemão e Costa. Se foi feito durante o mandato deste governo os autores já não trabalhavam para orgãos do Estado. Se ainda estavam, então era o governo PS que estava no poder. Seja como for o culpado é sempre este 1º ministro.

Ricardo Costa quer tão desesperadamente colar este episódio ao PSD que atropela o mais básico do comportamento dum jornalista. A isenção. E fá-lo sem qualquer pudor.

Aquilo que era uma não declarada antipatia por Passos Coelho é desde hoje uma verdade confirmada.

O que é infantil é presumir que esta porcaria que vem agora à tona de água é única. Não deve haver ninguém de alguma relevância neste país que não tenha pelo menos uma ficha nestes serviços.

Isso pode ser a mando de um governo ou pode até ser por iniciativa de um chefe de serviço.  Aliás, percebemos bem até que ponto isso pode ser vantajoso na sua passagem para o sector privado. Ele não foi para a Ongoing pela sua elevada experiência no mundo dos media. Foi pelo que sabe ou pelo que pode conseguir saber.


O que me surpreende é que estes espantados jornalistas e políticos quando foram confrontados com as tropelias que Silva Carvalho andava a fazer (que levou à sua demissão) durante o governo de Sócrates não tenham amplificado legítimas preocupações para lá da simples indignação e da exigência de um período de "quarentena" até funcionários deste tipo poderem ir para o privado.

Foi com este governo que se mandou investigar as acções deste indivíduo. Que se bem se lembram envolveram a listagem de contactos telefónicos de um jornalista obtidas pela companheira de um funcionário desses serviços que trabalhava na Optimus.
Isso que está confirmado e consta da acusação do MP é talvez a única coisa de que Relvas não é acusado. A única coisa substancial até agora.

Relvas e Passos são acusados de tudo. As acusações de Relvas são dignas de figurar num hall of fame

  1. Acusado de ter contactos com o "espião" por ter recebido email e SMS
  2. Acusado de ser ter encontrado com ele. Uma vez num evento social (festa de anos) e outra no âmbito de uma reunião antes de 5 de Maio quando a empresa a que pertencia estava a tratar de negócios com a Ongoing
  3. Acusado de ter pressionado uma jornalista. A notícia saiu nonetheless
  4. Esta não foi bem uma acusação mas sim uma tentativa de colagem de Relvas ao relatório sobre Balsemão. Tentativa essa reiterada enfaticamente hoje por R. Costa em relação ao seu relatório
  5. Acusado de ter mudado de versão nas 2 comissões
Então qual é a acusação ao Ministro? E então qual é o fundamento para pedir a demissão?

As perguntas de hoje na comissão roçavam o delírio e o insulto. Um deputado do PCP chegou a perguntar qual foi o teor das conversas entre os dois na festa de anos e na reunião de negócios. Antes de o ministro ser ministro...

Chegamos ao modo mais Estalinista de ver as coisas. As perguntas/acusações já vão ao ponto de dizer "querem fazer-nos acreditar que só conversaram de questões banais de actualidade?".

Até o podem ter feito ou não. E se só falaram de banalidades? Porque não? Uma das vezes foi numa festa de anos, caramba.

Quanto ao recebimento de um email, é notável perceber até que ponto estes deputados são info excluídos. Um mailing não tem por norma os membros da lista de destinatários. É uma mailing list...
E mesmo num mail interpessoal existe o BCC para esconder de cada destinatário todos os outros.


Tudo isto chega ao ponto de ser tão ridículo que a acusação muda e altera-se a cada passo. Incapazes de acusar de tráfico de influências, porque toda a acção do ministro parece contrariar a tese de estar a fazer favores a Silva Carvalho, ficam-se pela insinuação e por dizer que há coisas "nebulosas" que há promiscuidade com o sector privado e coisas semelhantes. Na verdade não querem deixar passar a oportunidade de criar um escândalo mesmo que não tenham qualquer coisa de substancial para o fazer.

Claro que noutros escândalos bem mais gravosos para o Estado metem a cabeça na areia e assobiam para o lado. Tivemos 6 anos de promiscuidade entre o poder e o sector privado e isso parece passar-lhes ao lado. Até a fortíssima suspeita de que Sócrates recebeu luvas não passou de uma noticia no dia do julgamento que está a decorrer.

Hoje na SIC notícias o jornalista no frente a frente fazia a seguinte pergunta: "Se for comprovado que o SMS que Relvas recebeu  indicia algo de ilegal, não se justificaria a sua demissão?".
Claro que sim.
Se alguém inventar a fusão fria não ficam os países produtores de petróleo em maus lençois?
Absolutamente.
O problema dos cenários hipotéticos é serem hipotéticos. E o nosso jornalismo adora comentar sobre cenários hipotéticos. O que do ponto de vista jornalístico é uma aberração.

Mas a verdade é que a maior parte dos nossos jornalistas são uma aberração. Não sei o que lhes ensinam na escolinha de comunicação social, mas pelo resultado devem também os professores ser umas belas aberrações. Ah, é verdade, escolinha de comunicação social na qual Ricardo Costa não terminou a licenciatura (fonte Wikipedia)

Estou mortinho para ver o Expresso da Meia Noite. Quero ver o grau de falta de discernimento a que Costa e o seu sidekick Nicolau vão descer.

O triturador

Não sei se há mais gente com a mesma sensação que eu, mas neste caso das "secretas" confesso que tenho a tentação imediata de dizer "não percebo nada disto".

Mas numa análise mais aturada há algumas coisas que percebo. O ruído está pensado para que nós não percebamos nada disto. Mais, noto que há um tentativa deliberada de ligar coisas que podem não ter qualquer ligação no sentido de amplificar esta sensação de ruído ensurdecedor pensado para que a maior parte das pessoas diga "não percebo nada disto".

A primeira coisa que falta aqui é cronologia. Quando é que estas coisas aconteceram e qual a sua sequência é extremamente importante. Mas isso é completamente omitido. A confusão serve perfeitamente o propósito. A demissão do ministro para cessar a "confusão".

Põe-se um dilema sério a Passos Coelho. Demitir só para cessar tudo isto ou não demitir e resistir aquilo que cada vez mais soa a campanha deliberada de desinformação.
Com a 1ª opção nem é liquido que o ruído cesse. Ainda nos lembramos bem de casos que nunca o foram e que são hoje citados como se de verdades insofismáveis se tratassem. Vem-me à memória o caso das declarações de MFL sobre a suspensão da democracia que foram completamente distorcidas e são hoje citadas por imbecis como Adão e Silva entre outros. Passou a ser verdade.

Mas neste caso Relvas as subtis insinuações já não são assim tão subtis.

Um par de exemplos...

A saída de Teresa Morais do lugar que ocupava (conselho de fiscalização do Sistema de Informações da República) para um lugar de secretária de Estado de Relvas é insinuado na SIC como tendo sido o resultado de pressões do "super" espião.

Aparentemente a cronologia interessa aqui.O SMS é de Junho de 2011. O governo já está formado mas faltam ainda os secretários de Estado. o "super" espião trabalha na Ongoing.
A SIC insinua claramente que a promoção de Teresa Morais a um lugar de Sec de Estado seria uma aceitação da sugestão de Silva Carvalho. A nomeação parte de Passos Coelho. Não é de todo linear que uma coisa tem a ver com a outra. O curioso é que ficamos sem saber se o seu substituto foi do agrado de Silva Carvalho que como se sabe já não fazia parte das secretas.
Mas se as tentativas de colar as sugestões de Silva Carvalho a acções de Relvas não tinham pegado (as ditas sugestões para pessoas que deveriam ficar em certos lugares) com esta insinuação tenta-se a causa/efeito no caso de Teresa Morais.

O dossier sobre Balsemão terá sido encomendado por Silva Carvalho, já a trabalhar na Ongoing, a um ex membro das secretas. Aparentemente para ser usado na guerra entre grupos empresariais. A tentativa de ligação deste dossier a qualquer ministro Relvas é no mínimo far fetched. Mesmo que os dois se dessem muito bem, a probabilidade de haver alguma ligação é forçar a coisas para lá do razoável.
Não sei o que diz o dossier sobre Balsemão nem me interessa, mas certamente ele não é flor que se cheire e tal como Silva Carvalho sempre gostou de estar bem com Deus e com o Diabo. Se num outro grupo de media lhe queriam fazer "a folha" tenho a certeza que não é nada que ele não tivesse feito já a outros. Não se fica podre de rico como Balsemão sendo muito correcto e bonzinho.

Todos os dias se atiram achas deste tipo para a fogueira. Os noticiários e os jornais perdem uma boa metade dos noticiários a tentar colar estes casos espaçados no tempo e sem aparente relação com o nome do ministro.
Aliás, a explosão do próprio ministro com a directora do Público é resultado já deste tipo de estratégia dos media. Andam há semanas entretidos em tentar apanhar Relvas em contradições e a tentar colar todas as actividades de Silva Carvalho à sua pessoa.


A coisa vai ao ponto de Marinho Pinto dizer que é grave espiar um ex 1º ministro. Estou de acordo com ele, mas suponho que a coisa tem de ser apurada junto da Ongoing. Não percebo bem o que é Relvas tem a ver com o assunto. Pode ter e pode não ter, mas por esta altura já haverá muito boa gente a pensar que Relvas mandou espiar Balsemão.

O ruído já está a chegar ao ponto em que baronetes do PSD começam a meter a sua colherada. Capucho que devia ficar a descansar o seu coraçãozinho doente já veio dar a "facada" de "apoio" ao 1º ministro e a Relvas.
Capucho fez recentemente isto "António Capucho abandona militância e critica falta de interesse de Passos Coelho".

Depois disto é legítimo pensar que Capucho está mais interessado em fazer "sangue" do em ser útil. Capucho está profundamente despeitado. Não suporta que Passos Coelho não lhe dê a importância que ele acha que merece e isso, bem sabemos, é terrível para o ego da maior parte das pessoas. Capucho incluído.
É até estranho que alguém que anuncia o abandono da militância, que recusa o lugar de Vice Presidente da Assembleia e sai da Autarquia de Cascais por razões de saúde venha agora meter a colher a este nível político. O principal ponto de discórdia é precisamente a extinção de freguesias. De quem é o pelouro que está a tratar disto? I rest my case.

Marcelo diz que Relvas ficará "meio morto" se permanecer no Governo. Não conhecêssemos nós Marcelo e até pareceria que ele está muito preocupado com o facto. A verdade é que ele também não morre de amores por Relvas e quando há confusão no bordel as putas acabam a puxar o cabelo umas à outras.

O mais fascinante disto é que começamos agora a falar da "imagem" do governo.
Não é a substância é a "imagem". Pouco importa se estão a fazer um trabalho que leva à recuperação da confiança perdida pelos nossos parceiros ou se, apesar de muito sofrimento, conseguem por o país num caminho de recuperação económica. O mais provável é que sacrifiquem Relvas por uma questão de imagem.

O que decidir? Seria ridículo eu dar a minha opinião. Até porque Relvas me desagrada. Mas é pelo facto de me desagradar que me sinto mais à vontade para tentar encontrar em tudo isto as razões da sua destruição.
Não há só uma razão. Uns porque não gostam dele pessoalmente, outros porque desdenham de quem está hoje num lugar importante do PSD, outros porque adoram demissões (i.e. Bloco e PCP) e outros apenas porque sim.
A minha previsão é de que o barulho seja tão alto que Relvas acabe a ser triturado apenas para apaziguar a multidão sedenta de sangue.
E é uma pena. Um político devia sair quando há alguma coisa de substancialmente errado ou grave naquilo que fez ou faz. Não por estes motivos.

Para o povo basta pão e circo. Se o pão escasseia dá-se-lhe circo em abundância. E isto é circo do mais fino recorte. Um jogo de espelhos em que a confusão é deliberadamente pensada. As relações entre as várias coisas será na melhor da hipóteses ténue, mas os media tudo fazem para que no meio de tanto ruído se comecem a desenhar relações entre factos que provavelmente não existem.
Isto alimenta a notícia e a notícia alimenta-se disto.

Para um povo distraído e alienado (veja-se o aumento de gente nos estádios e as adesões absurdas aos eventos como o Rock in Rio) este tipo de comunicação cai como sopa no mel.

Macacos me mordam se isto não é deliberado. Não é possível ser tão confuso e tão pouco rigoroso a dar notícias se o objectivo não for este.
Na SIC Notícias a peça realçou o qualificativo de "chata" de Teresa Morais pelo menos 3 vezes. Bastava uma ao revelar o teor do SMS. Mas eles vão mais longe e pretendem reforçar a ideia para que fique Teresa Morais = chata.

Este tipo de estratégia de comunicação não é novo. Foi usado e abusado por Sócrates. Em seu favor muitas vezes e muitas outras para destruir a resistência de classes profissionais inteiras. Magistrados, professores, médicos. Notícia diárias, com números enviesados ou simplesmente falsos, que às tantas já nem dá para desmentir. Enreda-se o "inimigo" num bombardeamento de falsidades e de meias verdades e depois não se lhe dá tempo para responder. E se lhe for dado, as perguntas são feitas em tom acusatório para o colocar permanentemente à defesa. E um inimigo à defesa parece que está sempre a tentar ocultar a sua culpa.

Alguns vêm isto, outros não. Outros vêm mas são de tal forma parciais na apreciação que recusam olhar para as coisas com imparcialidade. O veredicto está feito à partida. Mesmo que as entidades se pronunciem no sentido de ilibar Miguel Relvas das acções de Silva Carvalho (parece-me perfeitamente plausível), serão elas próprias a ser acusadas de estar no bolso do poder.

Perante uma coisa destas não há maneira de ganhar. Esta é a vantagem de ter os media na mão e é por isso que o poder tenta sempre o seu controlo.
Mas no momento presente os media estão completamente cheios de boys e simpatizantes. Por uma bola destas a rolar com o nosso panorama mediático é facílimo.

O camarada torneiro mecânico até já vem insinuar que Passos Coelho deve explicações sobre este assunto. Aquilo que o PCP e BE não conseguem nas urnas tentam por outra via.
Os julgamentos fantoches do Estalinismo (Bukharin, Zinoviev e Kamenev)  ainda estão bem presentes na memória destes camaradas. Como método a seguir, não a repudiar.

PS avisa a troika de que Portugal "atingiu o sinal vermelho"

PS avisa a troika de que Portugal "atingiu o sinal vermelho"

Este é o título de um artigo do Público de hoje.

Em Março de 2011 ninguém estranharia se visse este título :

Troika avisa o PS de que Portugal "atingiu o sinal vermelho"

O que um ano faz à memória deste partido desgraçado liderado por um mentecapto.

A desfaçatez deste imbecil de óculos é do outro mundo.
O PS meteu-nos neste atoleiro de porcaria até ás orelhas.
E para pagar a porcaria que os "camaradas" de Seguro fizeram desde 2007-8 é-os imposta uma duríssima austeridade.

Austeridade que ele não sente nem nunca sentirá, porque mesmo sendo um zero à esquerda nunca lhe faltará um lugarzinho político bem pago.

A estrondosa vitória do PS e de Seguro

Há que reconhecer a qualidade desta liderança do PS. A sua capacidade de concretização está muito acima daquilo que era o normal na era Sócrates.

O pobre homem bem tentava contorcer a realidade. Mas sem qualquer sucesso. Aquilo que um seu ministro qualificava de oásis, teimava em ser um pântano. Aquilo que era a vanguarda da formação, nada mais era do que um sistema manhoso de emissão de diplomas. Aquilo que era a requalificação do parque escolar redundou numa festa. Festa para os empreiteiros, festa para o PS e festa para as escolas.
Foi também um pesadelo para muitos fornecedores de material de construção que hoje se vêm a braços com milhares de Euros não pagos pelas empresas subcontratadas pela Parque Escolar. Em suma, uma hecatombe.

Verificado este estado de coisas o PS e a sua liderança tinham de arrepiar caminho. As coisas não podiam continuar a ser assim.

E o líder do PS (talvez a figura mais brilhante que este partido alguma vez teve) percebeu como se pode sair deste estado de coisas. Uma agenda para o emprego e para o crescimento.

Não estamos a falar duma Moleskine, até porque teria páginas a mais. Estamos a falar dum PLANO.
Seguro tem um plano.

E o plano é: Apostar no emprego e no crescimento. Já está.
Hollande, o presidente do Partido Socialista Português que ganhou umas eleições em França tem a mesma agenda.
E é infalível. O homem sai a terreiro e diz alto e bom som numa televisão qualquer que tem um plano para o emprego e para o crescimento.

Como é que ninguém se lembrou disto? Como é que ninguém se lembrou de dizer que tem um plano para tornar Portugal no país mais desenvolvido do mundo?
Podiam ter uma agenda que apostasse na exploração petrolífera. Ou na construção de satélites.

Andamos todos perdidos durante anos sem um plano e afinal ele estava mesmo ali à nossa frente. Emprego e crescimento.

Bastaram as palavras de optimismo de Seguro para se começar a notar uma diferença. Já há jovens a apostar no emprego e crianças a apostar no crescimento.
Isto mudou tudo.

Para que isto resulte precisamos de Eurobonds. Dívida Europeia a uma taxa de juro que acaba por ser uma espécie de média entre as várias taxas dos países da união.
Assim a Alemanha passa a emitir dívida com uma taxa de merda e os países de merda emitem com uma taxa muito melhor do que merecem.
Oa alemães vão ficar contentíssimos. A sua dívida passa de pagar 0-1% para passar a pagar 3 ou 4%.

Foi preciso dois socialistas (Seguro e Hollande) para que esta solução para a Europa fosse pensada.

Agora num tom mais sério.
Os sorrisos imbecis de vitória de Zorrinho e de Seguro estão ao nível da alegria do pobre de espírito. Não dá para perceber se o fazem porque pensam que enganam alguém ou, muito pior, se eles próprios acreditam na palhaçada em que estão envolvidos.
Zorrinho é claramente uma pessoa limitada intelectualmente. O que não surpreende, uma vez foi o PS de Seguro que o escolheu para líder parlamentar.
Na cabeça de Seguro parece existir ar. Apenas ar. É infantil ao tentar parecer um homem de Estado. É caricato ao tentar parecer à altura das circunstâncias.

Achar que esta palermice a que chamam a agenda para o emprego e crescimento possa ser alguma coisa, está no domínio do delírio patológico.
As coisas não se fazem por decreto nem acontecem por wishful thinking. E estas tolices, que serão o desejo de todos, não são assim tão fáceis de conseguir.
Não o eram em países comunistas em que tudo era decisão do Estado. A realidade tem a mania de nos tornar a vida impossível.

Estes "camaradas" vivem à margem da realidade. Vivem num mundo de fantasia em que ligar ou desligar um interruptor é um feito de elevada capacidade técnica. Para o qual é preciso um engenheiro eletrotécnico com mestrado em Energia.

Foi gente como esta que pespegou o país na lixeira onde nos encontramos. Foi esta mania de apenas anunciar "medidas" que nos levou a não implementar nenhuma. Foi esta mania de cuidar apenas de pensar superficialmente nas coisas sem nunca as implementar que nos trouxe a este ponto.

Convém no entanto dizer que esta forma de fazer (ou não fazer) as coisas não é apenas uma característica  do PS. É mais marcada com eles e com a esquerda que vive na lua, mas foi também o que caracterizou os mandatos do sr. Cavaco Silva que foi o primeiro coveiro nacional.
Toda a destruição do sector productivo deste país pode ser traçada até aos seus 2 mandatos. Cavaco vendeu a alma ao diabo (ou vendeu o país à CEE) e nessas situações, o Diabo volta sempre para cobrar a dívida.