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A minha sina parece ser a de ligar o rádio e ouvir imbecis a falar.

Hoje liguei o rádio de uma forma diferente. TSF Online. E dei de "ouvidos" com Tózé Seguro no Parlamento.

A questão andava à volta das poupanças nas rendas do sector da energia. Já apanhei a "conversa" a meio, mas percebi que Seguro queria saber do valor total das poupanças, qual era a sua composição. O "breakdown" como ele dizia.

Passos Coelho lá lhe respondeu que as poupanças tinham a ver com as taxas de prontidão e outros aspectos do sector energético e que poderiam oscilar entre dois valores.

Mas Seguro queria saber em quanto isso afectava a EDP e a GALP. Provavelmente ao cêntimo.

Não sei se isso é especialmente importante, mas a verdade é que não se espera que toda a gente tenha esses números na ponta da língua. É talvez mais importante saber a poupança global. Até porque as estimativas ainda têm um intervalo de incerteza razoável.

No caso de Sócrates ele também não sabia dar o "breakdown" da forma como desbaratava dinheiro. Esse nem ideia tinha do total. Note-se que ainda hoje no caso das PPP's as opiniões vão desde os milhões positivos (segundo Paulo Campos) aos milhares de milhões negativos que se conseguem apurar se não se for um ser desprovido de vergonha.

Mas Seguro insistia. E Passos Coelho lá lhe disse que se ele estava tão interessado assim, podia pedir ao Ministro da Economia que lhe enviasse esses valores em detalhe.

Passou depois à tele conferência onde tinha ficado decidido ajudar a Espanha. E Seguro, exigia saber quais eram as condições dessa ajuda. Provavelmente para ficar com os louros de ter sido ele a pressionar o Governo no sentido de baixar os juros da nossa ajuda.

Na resposta PC informou-o de que esses pormenores não estavam decididos e que isso teria lugar numa futura conferência do Euro Grupo. Uma coisa era certa, a ajuda tinha sido decidida. Relembrou mesmo que Vitor Gaspar já tinha informado a AR de que essas condições ainda não estavam acertadas.

Seguro parte para uma preleção  totalmente demagógica dizendo que o 1º Ministro nem sabia de coisas importantes, com aquele tom que só de ouvir dá vontade de o estrangular. Um discurso unicamente destinado a menorizar Passos Coelho, tal como fazem os putos ranhosos quando pretendem gozar com os outros.

As intervenções de Seguro  quase sempre se pautam por duas grandes linhas de orientação.
  1. Querer fazer-se passar por um líder capaz e com grande sentido de Estado, profundamente preocupado com os "portugueses e as portuguesas"
  2. Tentar meter a ridículo o governo e Passos Coelho de uma forma que nada acrescenta ao vulgar insulto velado.
Acho extraordinária a forma como um tipo destes, sem carreira e sem currículo disserta hoje sobre um estado de coisas que é responsabilidade do PS em que milita desde que lhe saíram os primeiros pelos de barba.
Um homem do "aparelho", um sabujo sempre à espera duma oportunidade, de duvidosa competência e de declarada cumplicidade com o anterior estado das coisas.

Sei que a política é mesmo isto.
Mas  Seguro, como muitos outros na política acha que a realidade é uma coisa de "debates". Que as coisas se ganham com "debates". O PC acha que a política é uma coisa de chavões "pacto de agressão", "medidas concretas" etc etc. O BE está-se a ca*****. Só pensa ir ao comício de glória do Syriza.
A ideia não é fazer sair dali nada de produtivo. É simplesmente ganhar o "debate".

Nem que seja com um discurso para estúpidos ou desmemoriados.
O perigo disto é que mesmo quando é preciso fazer alguma coisa, a abordagem é a mesma.
Veja-se bem o que foi a utilização da propaganda durante o Governo PS. Não se fazia, apenas se anunciava. Era a forma de Sócrates "ganhar debates". Anunciava coisas durante os debates. Que muitas das vezes até já tinha anunciado antes.
E isso, com a ajuda dos nossos media imbecilizados e destinados a imbecis era quanto bastava.

Hoje vê-se o grau de preparação escolar dos nossos miúdos, o que aconteceu com o SNS em que se meteu dívida debaixo do tapete que nos rebentou agora na cara e que significa perder qualidade e quantidade, o que aconteceu com sucessivas reformas na lei e medidas casuísticas destinadas a esconder a realidade das pendências nos tribunais etc etc.
A mais drástica de todas estas descobertas foi a de termos percebido que em Março de 2011 não iria haver dinheiro para pagar aos funcionários públicos. Isto enquanto se lançavam projectos para um TGV e um novo Aeroporto. Ou enquanto se davam laptops nas escolas (que estarão hoje completamente destruídos, obsoletos e inúteis).

A propaganda dura um certo tempo. Ganhar debates também dura pouco. Só que Seguro não tem jeito para nenhuma das duas coisas. E o facto de os portugueses não terem uma memória assim tão curta não joga nada a seu favor.
Por esta altura, um ano depois, não seria de esperar que nas sondagens o PSD ainda estivesse na frente. De acordo com os media até está empatado com o PS (curioso conceito de empate, numa situação em que o PSD ainda está 3 pontos à frente).

Fosse Seguro alguma coisa de "substancial" e com todas as medidas gravosas que nos foram impostas neste último ano, o povo português iria decerto responder de forma diferente às sondagens.

O problema do PS é que além de ser um partido de criminosos que ainda hoje se passeiam por aí impunemente, tem um líder que é um zero absoluto. E isso é mortal.
Ele não "debate" assim por questões táticas ou estratégicas.
Ele debate como um atrasado mental porque não consegue mesmo fazer melhor.
Dá para ver, já que não lhe faltaram oportunidades.


Uma relação difícil com a verdade

A relação entre Paulo Campos e a verdade é a mesma que existe entre duas linhas paralelas.
As duas existem, têm um certo afastamento entre elas e nunca se encontram.

Toda a actuação deste indivíduo é do mais sombrio que se pode imaginar.

O 1º episódio de que me lembro foi aquele em que Paulo Campos, convidado a integrar a Federação Distrital de Coimbra do PS teria convidado Joana Amaral Dias (para aqueles que não estão a ver bem quem ela é, é a senhora do Bloco que diz "Lesboa" e que andou muito em voga pelas televisões durante o reinado de Sócrates) para a posição.
Mais tarde ecoou na imprensa que o convite tinha sido feito para ela ocupar um lugar de deputada pelo PS ou um lugar no Instituto da Droga e Toxicodependência. Do Jornal de Notícias de 29-7-2009
(..) Amigo de Joana Amaral Dias há vários anos, Paulo Campos foi convidado pelo presidente da Federação Distrital de Coimbra do PS, Vítor Baptista, a ocupar o terceiro lugar na lista socialista deste distrito. Mas decidiu recusar esse convite e telefonou a Joana Amaral Dias para saber se ela estaria interessada no lugar.
A bloquista Joana Amaral Dias, que se havia aproximado do PS quando aceitou ser mandatária da Juventude da última candidatura presidencial de Mário Soares, acabou por declinar o convite de Paulo Campos e, na sexta-feira passada, comunicou essa decisão ao dirigente máximo do Bloco de Esquerda, Franscisco Louçã.
Joana Amaral Dias também terá dito a Louçã que, além do segundo lugar na lista de Coimbra, ter-lhe-ia sido oferecido um cargo de dirigente no Instituto da Droga e da Toxicodependência. Segundo a mesma fonte do Bloco, Joana Amaral Dias nunca referiu a Louçã quem lhe tinha oferecido os lugares de deputada e no IDT.
No sábado passado, Louçã trouxe a história a público de forma muito cáustica. Acusou de tráfico de influências José Sócrates, secretário-geral do PS e primeiro-ministro, por ter sido oferecido um lugar de Estado à militante bloquista, em troca de apoio para o combate das legislativas. “Isso mostra-nos o desespero em que está o PS”, comentou Louçã.
Já como Secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos fazia estes biscates. Verdade? Mentira? Com a podridão da política e em particular de personagens como Paulo Campos que corporiza tudo o que é sujo na política creio bem que isto pode ser o menor mal que ele alguma vez fez.

Mas a coisa não se ficou por aí. Paulo Campos renegociou algumas PPP's rodoviárias. E essa renegociação onerou o Estado de forma considerável. Ainda me lembro de Marques Mendes na TVI com uma simples conta a demonstrar o agravamento desses valores em mais ou menos mil milhões de Euros. Coisa que Paulo Campos nega, obviamente.

Mas ele foi ainda mais longe. Bastante mais longe.

Numa comissão parlamentar usou de forma deliberadamente enganadora o nome da KPMG para justificar com um "estudo" as opções tomadas.

O aborrecido foi que a KPMG o veio desmentir de forma algo "zangada". Do site da TSF em 27 de Outubro de 2011:
Na carta que enviou ao presidente da Comissão de Economia e Obras Públicas, o administrador da KPMG acusa ainda Paulo Campos de ter atribuído à empresa relatórios que não são dela. Paulo Santos, administrador da consultora financeira KPMG, enviou uma carta ao presidente da Comissão de Economia e Obras Públicas, onde Paulo Campos foi ouvido esta semana e respondeu a questões sobre a renegociação dos contratos com as ex-SCUT, com a maioria de direita a acusar o Governo anterior de ter lesado o Estado com esse negócio. Na carta enviada à comissão, a KPMG considera que «existem indícios de utilização indevida da imagem» da empresa, quando Paulo Campos apresentou um «conjunto de gráficos e outros elementos de análise» com uma capa com o logótipo da consultora.
Na mesma carta pode ler-se que, «nenhum dos gráficos ou dos relatórios é da autoria» da mesma.
Paulo Santos, o administrador, refere ainda que foram atribuídos à KPMG um «conjunto de factos e conclusões que não correspondem a nenhum dos relatórios emitidos pela firma a pedido das Estradas de Portugal».
O documento acrescenta ainda que a KPMG presta consultoria financeira às Estradas de Portugal «desde 2001», tempo de António Guterres. Isto porque, na comissão, Paulo Campos afirmou que tinha sido António Mexia, enquanto ministro das Obras Públicas de Santana Lopes, a assinar o contrato com a consultora.
Se isto não é de uma má fé gritante não sei o que será. Acredito que a KPMG só não o tenha accionado judicialmente porque como todas as empresas que vivem da "mama" do Estado, esse seria um rumo que a colocaria fora dessa lucrativa área de negócio de forma mais ou menos permanente.

Mais recentemente soube-se de um episódio de sonegação de informação ao Tribunal de Contas. Paulo Campos afirmava que isso não era de todo verdade e que o INIR é que reportava essa informação ao TC e que tudo tinha sido incluído.
Mais, foi adiantando logo que a tutela dessa área era do Ministro das Obras Públicas e do Ministro das Finanças, começando logo a aliviar alguma responsabilidade que lhe venha a cair em cima.

Só que o INIR emitiu um comunicado, segundo uma notícia do I Online, em que contradiz Paulo Campos nos seguintes termos:
Regulador do sector rodoviário diz que recebeu orientações do gabinete do ex-secretário de Estado para praticar “significativas omissões de informação” ao TC
A Secretaria de Estado das Obras Públicas dos governos de Sócrates, então liderada por Paulo Campos, alterou e retirou factos às respostas que o Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR) preparou para enviar ao Tribunal de Contas, no âmbito da auditoria que fez à gestão e regulação por parte do InIR das parcerias público-privadas. Alterações que provocaram “significativas omissões” ao TC.
A denúncia é feita pelo próprio InIR num documento entregue ao Tribunal de Contas e contraria as declarações do ex-secretário de Estado Paulo Campos, dadas na última sexta-feira em entrevista ao “Sol”, onde refere que “é totalmente falso” que “tenha dado qualquer orientação ao InIR”. Versão oposta tem Alberto Moreno, presidente do conselho directivo do InIR.
Em resposta enviada ao Tribunal de Contas no final de Outubro passado, elaborada “com o propósito de V. Exas. estarem em condições de cumprir os objectivos da auditoria que se propuseram”, o InIR envia as versões iniciais das respostas que ia enviar àquele tribunal, cuja “simples comparação” com as respostas efectivamente entregues – as que passaram pela equipa de Paulo Campos – “traduzem a nosso ver significativas omissões de informação com significativos impactes na credibilidade deste Instituto”, assume o presidente do InIR. Em justificação da sua entidade, Alberto Moreno lembra “que tal procedimento [envio prévio das respostas à anterior Secretaria de Estado das Obras Públicas] era requerido pela então tutela.” Já sobre a razão de esta admissão só ter surgido em Outubro, a carta entregue ao TC refere que “a presente resposta” é “substantiva e resultante da própria alteração significativa da envolvente político-institucional do Estado Concedente no relacionamento com o Regulador”.

Assim, explica ainda, “a própria natureza dos procedimentos agora revelados e a informação transcrita nestes documentos confirmam substantivas divergências por força de orientações a que o InIR estava sujeito e atestam o quanto desproporcionado será designar o Instituto como independente”.

A carta do InIR ao Tribunal de Contas, que também surge publicada num anexo da auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do sector rodoviário divulgada em Maio pelo TC, salienta ainda alguns dos “factos relevantes omitidos por força das orientações da tutela”, citando mesmo emails do gabinete do então secretário de Estado das Obras Públicas para o InIR a solicitar “que previamente ao envio das respostas para o TC seja dado conhecimento prévio a este gabinete” ou “que logo que possível faça chegar o ‘draft’ de que falámos”, referindo-se neste caso ao contraditório a entregar pelo InIR. Um outro email do gabinete de Paulo Campos vai mais longe e avança com respostas alternativas: “A resposta deverá ser: ‘O InIR não dispõe de dados para responder a esta questão.’” Ou ordens: “Devem ser retiradas as referências à forma como a EP envia os contratos e ao prazo em que o InIR tem verificado os mesmos.”
Não deixa de ser curioso que a alusão a esta carta não apareça nem no Público nem no Expresso.
Creio que uma declaração destas tem o interesse jornalístico suficiente para estar em jornais de referência.
Afinal revela bem a teia de mentiras em que este indivíduo está envolvido e até que ponto é enorme a sua responsabilidade em todo este processo.
Mesmo que esta "limpeza" prévia dos relatórios não seja um "crime", indicia claramente a forma como a informação ao TC era controlada, e a forma como Paulo Campos pretende afastar de si as responsabilidades neste caso.
Com este tipo de actuação e com o apontar para dois ministros qualquer responsabilidade no caso, não é muito difícil supor que este tipo actuação pudesse ser determinado por ordens superiores.
Paulo Campos poderia ser apenas um diligente executante. E de certeza que não se fez rogado a desempenhar esse papel.

No que diz respeito a Paulo Campos não haverá muito a acrescentar. O episódio da "empresa" que teve com um sócio só para organizar um evento até parece uma coisa menor comparada com toda esta série de tropelias em que anda envolvido nos últimos anos.

Mentiroso é o mínimo que Paulo Campos é. Daí a ser um criminoso que devia ser julgado vai só um pequeno passo. Aguardamos para ver o que o MP faz com este pedaço de lixo.

Mas nestes tipos o mais fantástico são os seus currículos

1996-2005 Administrador de diversas empresas do Grupo Águas de Portugal nomeadamente:
2001-2005 Águas do Sado, S.A. - Presidente do Conselho de Administração
2000-2005 AdC - Águas de Cascais, S.A.- Presidente do Conselho de Administração
1996-2002 AdP-Águas de Portugal, SGPS, S.A. - Administrador responsável, no Grupo, pela área de estratégia e de desenvolvimento empresarial, pela área financeira, pela área de actividades de suporte e pela Unidade de Negócio de Distribuição de Água.
2001-2002 AdP - Águas de Portugal Serviços Ambientais, S.A. - Administrador e Presidente da Comissão Executiva;
Luságua – Gestão de Águas, S.A. - Presidente do Conselho de Administração;
AdP - Águas de Portugal Internacional – Serviços Ambientais, S.A. - Administrador;
NetAqua – Tecnologias de Informação, S.A. - Administrador;
2000-2002 Simlis - Saneamento Integrado dos Municípios do Lis, S.A. - Presidente do Conselho de Administração;
IPE – Comunicações e Serviços, S.A. - Administrador;
1997-2002 Aquapor-Serviços, S.A. - Presidente do Conselho de Administração
Administrador (1997/2001);

Simria - Saneamento Integrado dos Municípios da Ria, S.A. - Presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva
1994-1996 IPE Capital-Sociedade de Capital de Risco, S.A. - Gestor de Projectos - Coordenador área Infraestruturas/Ambiente, Gestor de Marketing
1991-1993 UNICAR-Gestão de Participações e Concessões, Lda. - Director e Gerente
1989-1991 IPE-Investimentos e Participações Empresariais, S.A. - Técnico

Reparem que desde 1997 salta de Gestor de Projectos para Administrador. Ora façam lá um esforço de memória para se lembrarem de quem subiu ao poder em 28 de Outubro de 1995. Eu dou uma ajuda... Era um senhor muito bonzinho que gostava muito de consensos que saiu zangado com a podridão que o rodeava e agora continua muito bonzinho mas menos rodeado de podridão. Está na ONU a fazer o que sabe fazer melhor - a ser bonzinho... com os refugiados.

Ou seja, este fulano anda desde 1997 a viver à conta de Estado, em lugares executivos de topo com uma licenciatura em Economia.
Como se vê pelo fantástico curriculo, parece estar habilitado para exercer cargos do mais alto gabarito e lidar com milhares de milhões de Euros do contribuinte.
Vamos a apostas quanto ao lugar que vai ocupar a seguir? No sector privado, entenda-se...

O tipo tem de ser muito bom. Administrador aos 32 anos, idade em que a maior parte das pessoas com formação académica similar ainda nem alcançou nenhuma posição de relevo. A maior parte passa por uma vida inteira de trabalho sem o conseguir. Esta génio desatou a ser administrador em empresas públicas e nunca mais parou. O sector da água é onde parece estar mais à vontade.
Mas um tipo que entra como técnico para uma instituição com 24 anos, chega a administrador nessa mesma entidade em 2000. É obra hein?

Querem divertir-se a ler tudo o que envolve este personagem? Leiam aqui no Tretas.org

Uma teoria do século 16, aceite durante muitos anos como um método de investigação criminal, associava certas feições do rosto ao comportamento criminoso.
Hoje isto parece-nos ridículo mas a verdade é que muitos terão sido condenados baseados nesses pressupostos "teóricos". Afinal a formulação dessa teoria foi feita precisamente analisando criminosos executados.

O facto é que a 1ª impressão conta muitíssimo e determina muitas vezes a forma como aceitamos, ou não, uma pessoa. Por vezes nem lhe damos a oportunidade de se dar a conhecer melhor.
Com Paulo Campos a 1ª sensação que tive quando o vi e quando o ouvi falar foi: "tens uma pinta de vígaro como não há igual".
Mal eu sabia que todos estes episódios que se passaram desde essa 1ª impressão, só iriam reforçar a minha convicção.
O homem não só tem um aspecto "sombrio" como parece ser um vigarista de alto quilate. E como todos os vigaristas, um mentiroso compulsivo.
Curioso como alguém pode formar um governo e rodear-se de gente deste calibre. Mais curioso ainda é que só gente deste calibre pertence ao seu núcleo duro de apoiantes.
É fascinante.


A esquerda utópica e inoperante

Num zapping rápido dei de caras com um frente a frente na TVI24 entre Nuno Melo do CDS e João Semedo do BE.
E diverti-me a apreciar a forma como Nuno Melo colocou o emérito bloquista numa posição em que começou a debitar generalidades sem conseguir responder ao que lhe pedia Nuno Melo.

A questão era simples.
"vamos imaginar que o Bloco ganha as eleições amanhã, não pode endividar-se nos mercados e tem de manter as suas obrigações. Juros, salários, pensões etc etc. O que fazia o Bloco?"

Tal como eu esperava, a resposta nem sequer chegou a ser dada. Quer o Bloco que o PCP têm a desgraçada mania de dar respostas que pressupõem que coisas que não são realidade, já o fossem. E se não fossem passavam a ser.

Dizia Semedo que o BCE "devia" emprestar dinheiro aos estados. Quando Nuno Melo disse que isso não podia ser porque o Tratado não o permitia, Semedo começou a dizer que se alterava o Tratado.
"Pois, mas o problema tem de ser resolvido já. E alterar um tratado leva pelo menos um ano. Como resolviam o problema já?"

Mais um chorrilho de banalidades. Fingindo não perceber que o Tratado não se muda pela vontade de um país como o nosso, nem no tempo em que é preciso dar resposta às necessidades pungentes do país, Semedo começou a enrolar-se num discurso circular escalando para uma série de chavões ideológicos utópicos.

Nuno Melo continuou dizendo que mesmo que o BCE fizesse aquilo que Semedo dizia, não haveria fundos suficientes para acudir a todos os casos. Quase 200 mil milhões da Grécia, 78 de Portugal, mais uns quantos da Irlanda e agora a Espanha só para a banca perece precisar de 100 mil milhões. Junte-se-lhe o Chipre. Em suma, a esperança patética de Semedo é que nos acuda quem não tem dinheiro para acudir - o BCE.

A cada obstáculo que lhe era colocado, Semedo enredava-se mais e mais num discurso totalmente pensado  para fazer esquecer a pergunta. E a sua completa incapacidade de propor uma alternativa válida.

Pensar que gente assim pode um dia ver-se numa posição em que tem de decidir é apavorante. Nunca o fizeram e sempre orientaram o discurso duma determinada forma porque sabem perfeitamente que nunca serão chamados a "por o dinheiro onde põem a boca"

É a laborar neste erro que o BE e o PCP passam o dia com o seu discurso político. A violação da mais básica lógica (ou até aritmética) é a sua base de discussão. Quando postos perante uma situação escolhem soluções impossíveis.

É como se ficássemos sem gasolina a kms da bomba mais próxima e tivéssemos um parvo dentro do carro a dizer que a solução será encontrar com carro eléctrico para completar a viagem que tenha a autonomia necessária. Se lhe perguntássemos onde está o carro eléctrico, começaria a dissertar sobre o lobby das petrolíferas e do grande capital para justificar a ausência do carro eléctrico naquele momento.

É assim o mundo das soluções "concretas" desta gente. A resposta casuística, sem pensar, a todos os episódios com que se deparam, é igual ao modo de funcionamento de um PS ou de um PSD. No fim acaba tudo completamente incoerente, mal pensado e totalmente confuso.
Um bom exemplo disso foram as propostas apresentadas pelo PCP para resolver o problema das famílias que correm o risco de ficar sem casa. Lembro-me destes 3 pontos que ouvi Bernardino Soares dizer durante o debate no Parlamento no dia de hoje.

  1. Período de carência que pode ir até 4 anos sem pagar
  2. Renegociação da dívida (entenda-se por isto alargar o prazo e isentar-se de pagar uma parte da mesma)
  3. Em último caso o banco fica com a casa e a dívida fica saldada.
E depois estes estúpidos não percebem que
  1. Com estas condições será impossível ou insustentável fazer um empréstimo. As condições de risco serão tão elevadas que os spreads e garantias serão impossíveis de cumprir
  2. Com isto estamos a beneficiar os incumpridores, reduzindo-lhes a dívida, os juros e até o valor da dívida em caso de incumprimento final, em detrimento do tipo que paga abnegadamente que teve o azar de fazer o empréstimo com um spread pior.
Levamos os bancos à falência num instante. E quem se lixa é o tipo que cumpre e que tem as suas poupanças lá guardadas. Com estas ideias de trampa admirem-se duma corrida aos depósitos...
Ainda não aprenderam nada com a Espanha?
O grande princípio da recompensa dos incumpridores e do esquecimento dos cumpridores está aqui plasmado como acontece por exemplo no sistema de ensino. Premeiam-se os calões e os indisciplinados colocando em risco todo um sistema de ensino. O mérito deixa de fazer sentido porque se recompensa toda a porcaria que possa existir.

Esta incapacidade per perceber os efeitos colaterais de legislação pensada com o cú é uma característica muito nossa que resulta num corpo legislativo confuso, contraditório e completamente cheio de buracos. A forma de pensar "revolucionária" no seu melhor.

Falar de cor não custa nada. E a esquerda comunista e bloquista não sabe fazer outra coisa. Qualquer dos modelos de sociedade em que se reconhecem resultou em ditadura e décadas de sofrimento para o povo que dizem defender. Só não são ilegais, como por exemplo os partidos de extrema direita em Portugal, porque estão do lado dos "vencedores". Mas se formos ver bem, em países mais avançados nem sequer têm expressão. Só em países com desníveis sociais preocupantes é que conseguem ter algum peso político. O melhor que pode acontecer ao PCP e ao Bloco é que os pobres e os marginalizados nunca se acabem. Sem eles, não podem sobreviver.

Capacidade de concretização - 0%.
Ideias de merda - 50%
Conversa fiada - 50%

Uma corja de javardos

Não há dia que passe em que não seja conhecido mais um episódio daquilo que foi o período mais perdulário e de desperdício de que temos memória neste país.

Dois artigos de hoje deixam bem claro até que ponto se chegou nesta falta de vergonha.
Num deles Paulo Campos, o verme, começa a apontar as responsabilidades para dois ministros
O ex-secretário de Estado das Obras Públicas no Governo Sócrates, Paulo Campos, afirma que ainda não foi contactado por ninguém, ao abrigo do inquérito que o Ministério Público diz ter aberto às parcerias público-privadas. Além disso, frisa que a responsabilidade dos contratos não era dele, mas sim do ministro das Obras Públicas e do das Finanças. ""Temos vindo a assistir a uma campanha de desinformação sobre esta matéria", vinca o homem que tem estado no centro do furacão político.
in. Público
Junta obviamente a  tese da cabala contra os ex governantes. Mas ainda assim já está a começar a passar responsabilidades para dois dos ministros que certamente teriam de saber e concordar com a rebaldaria instituída nas parcerias rodoviárias.
Agora que recai sobre a sua cabeça a responsabilidade destes actos e com o MP à perna, Paulo Campos irá certamente apontar para ordens superiores ou directivas do Governo ou coisas similares. Estes homens de mão caracterizam-se pela sua cobardia. Paulo Campos não é excepção. E não é por isso que deixa de merecer castigo.

O outro caso é o estado ruinoso da Saúde.
O Tribunal de Contas (TdC) traça um cenário de verdadeiro desastre nas contas da saúde, depois da governação de José Sócrates. O défice e as dívidas do setor rondam 3,5 mil milhões de euros.
Num relatório conhecido esta sexta-feira, o TdC revela que, entre 2008 e 2010, era Ana Jorge a ministra da tutela, a saúde apresentava um défice de 480 milhões de euros e dívidas de quase três mil milhões de euros.
O Tribunal de Contas fala de falta de acompanhamento e de informação credível, uma crítica apontada, por exemplo, às contas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), aos contratos programa dos hospitais e às Parcerias Público-Privadas (PPP), onde o TdC também não encontra informação sobre a execução financeira dos hospitais geridos neste regime.
A execução financeira, diz, é pouco rigorosa e transparente e acordos com entidades privadas com vista à prestação de cuidados de saúde não são sustentados em análises de custo-benefício. Uma culpa que dividem o Ministério da Saúde e o das Finanças.
Daqui para a frente, sugere do Tribunal de Contas, o ministro das finanças deve dissolver as administrações dos hospitais quando estas não expliquem os desvios orçamentais ou o incumprimento das metas de redução da despesa.
in: Agência Financeira
 Apesar de bater no peito cheio de orgulho pelo SNS pensado pelo Camarada Anaud, Sócrates sabia até que ponto o sistema estava arruinado. Tão grave como saber o estado das contas da saúde, é o facto de nem conseguir saber as contas das PPP's na área da Saúde.
Muito à maneira Socretina, havia sempre onde sacar dinheiro para pagar estas coisas. Não foi por acaso que toda a subida de carga fiscal ao longo dos seus governos (que muitos hoje esquecem) desaparecia mais depressa do que era cobrada.
Não é por acaso que se tentou vender a ideia de que o fecho de certos serviços tinha em vista a qualidade quando na verdade tudo isso foi feito por razões meramente economicistas.

Gerir no conceito socretino é arruinar. E é assim porque o Estado que se financia tirando aos cidadãos teria recursos inesgotáveis para pagar aos amigos. Amigos esses que acorrerão a pagar com um emprego para a vida, bem pago e sem grande trabalho para fazer.
Não acredito em nenhum instante que estes FDP não tenham recebido em off shores, fora dos olhos de todos, avultadas quantias em troca destes favores feitos com os dinheiros dos cidadãos.

Foi nos governos deste FDP que recursos do Estado que deviam ser para suportar aquilo que são serviços básicos de um Estado foram desviados para pagar a privados em detrimento dos financiamentos à saúde, segurança, educação e justiça.
E foi este FDP e são hoje todos os FDP do PS e amigos que dizem que o PEC IV iria resolver tudo e foi o seu chumbo que precipitou a crise.

Se forem somadas todas as dívidas das empresas do Estado, das empresas municipais, da Saúde, e de outros sectores do Estado chegaremos a números abismais. Agravados com uma dívida que disparou quase para o dobro sob a sua gestão. Este FDP está a viver regaladamente em Paris a tentar fazer-se passar por alguém culto e com estatuto.

E por falar em FDP, um último caso. Num a guia de restaurantes cafés e bares do porto, a editora colocou na capa uma fotografia de uma fachada do mercado do Bolhão com um graffiti onde se lê "RIO ÈS UM FDP".

Já seria grave que se publicasse a foto mesmo que o graffiti lá estivesse. Muito mais grave é o graffiti nunca lá ter estado e ter sido colocado na fotografia de forma intencional.

O responsável da editora fazendo uso daquela esperteza saloia digna de um bom par de tabefes diz isto:
Manuel Leitão nega ainda que a frase "Rio és um fdp" seja uma ofensa ao autarca. "Que eu saiba, "Rio" é um substantivo próprio que significa um curso de água e o resto são três iniciais, um verbo e um artigo"
O resultado para este "espertinho" é um processo em tribunal. E vai ser delicioso ver a explicação do "substantivo, verbo, iniciais e artigo" perante o tribunal.

Não é pelo facto de o Presidente da Câmara do Porto ser do PSD. É por ser um homem sério numa posição que merece todo o respeito.
Estes "cabrõezinhos"  (e estou consciente do peso da palavra usada no Norte), perderam o respeito de tal forma que a única forma de os fazer regressar à terra é enfiar-lhes com penalizações pecuniárias que sejam bem sentidas. Espero que isso seja o resultado do julgamento.
Para ver se o sorriso que deve ter acompanhado as declarações de espertalhoco se lhe varrem da cara

Qual é a parte de "não temos dinheiro" que não estão a perceber?

As discussões à volta da nossa crise são constantes e na maior parte dos casos bastante imbecis.
Isso é esperado de gente que discute estes temas sem uma preparação básica para os discutir. Ou porque ignora como as coisas funcionam ou porque é parcial do ponto de vista ideológico ou por pura hipocrisia (espera dos outros aquilo que nunca faria).

Mas entre os nossos políticos as coisas não são melhores. Pensar-se-ia que é apenas por sectarismo ideológico mas na verdade parece ser por desconhecimento e muitas das vezes pela mais pura má fé.

Não é novidade para ninguém que o país foi deixado para "morrer" pelas mãos dos governos de Sócrates. Eles conduziram o país para uma espiral de desbarato de dinheiro que parecia não ter fim.

Com a justificação de que para reavivar a economia era preciso o investimento público, o país endividou-se para fazer coisas marginalmente necessárias que se tivessem sofrido uma apreciação cuidada por um outro prisma nunca teriam sido feitas.

Seria bom perguntar se investimentos como o TGV, Aeroporto, Auto Estradas e afins seriam tão bem aceites se os cidadãos soubessem os juros a pagar pelos empréstimos e rendas das PPP's ao longo de anos.

Como nunca ninguém quis revelar essas contas, o povo português tem muito pouca percepção do que é que lhe vai afectar o bolso e em que medida o vai fazer.

Quase tudo isso se soube depois da saída do PS do Governo. Entre os juros massivos da dívida até às loucas rendas que começaremos a pagar em 2013-2014 existem milhares de milhões de euros que o Estado vai ter de pagar todos os anos.
Do ponto de vista orçamental essas verbas são o maior "ministério" destes país.

É mais ou menos consensual que estamos num ponto em que qualquer tostão a mais em grandes gestos pode significar a ruptura completa do sistema.
Vivemos com dinheiro contado. E uma família que tem 50 euros por semana para comer não traz bife do lombo nem marisco do supermercado.

No entanto há alguns sectores da nossa sociedade que esperam que num estado de quase indigência se continue a viver como antes, ou em casos extremos que se viva ainda melhor.

O brutal abrandamento da economia deve-se objectivamente a um menor consumo interno, amplificado pelo factor receio. Coisa que os Portugueses pareciam não ter até 2011.
Hoje, além do esforço de contenção no consumo, há famílias que estão a poupar ainda alguma coisa. Ou seja, passou-se do comprometimento de ganhos futuros para um estado de poupança presente.
E isso tem um reflexo enorme no comércio e nos serviços. Vai ter no turismo deste verão porque muitos dos portugueses deixaram de ter subsidio de férias.
Como o nosso sector turístico continua a praticar preços como se nada se passasse (ainda conseguem ser mais altos que no ano passado) vão levar uma pancada de proporções épicas durante este verão.

Mas todos estes sectores de actividade em vez de se adaptarem aquilo que tanto apregoam (economia de mercado) esperam sempre nestas alturas que um Estado mais ou menos Socialista venha em sua salvação.

São os construtores civis que parecem esperar que o Estado lhes compre as casas hiper inflaccionadas que não conseguem vender.
É o sector turístico a berrar porque se retirou o subsídio de Férias aos funcionários públicos
É o comércio a berrar porque o consumo foi travado bruscamente.

Esta mentalidade do estado paternalista que tudo deve providenciar vai ao ponto absurdo de ser transportada para o discurso político.

Quando o PS, o PCP e o BE falam de políticas de emprego referem-se a quê? Emprego subsidiado pelo Estado? Forçar as empresas a contratar pessoas?

Não se percebe como é que se pode fomentar o emprego num país em que o desemprego estrutural pode andar por volta dos 10%.
O nosso problema fundamental é que a economia não tem capacidade de absorver todos os desempregados. A indústria como empregadora passou de uma expressão importante nos anos 70 para empregar pouquissima gente. Toda a área de serviços e comércio está a sofrer com o travão do consumo.

Como é que se pode falar de políticas de "emprego" que possam ter expressão no estado actual da economia?
Até agora só ouvi falar em generalidades sobre este tema. Estou para ouvir uma proposta concreta que pudesse de alguma forma reduzir o desemprego e o desemprego jovem em particular. Até agora nada.

As declarações grandiloquentes do PS acerca do emprego e do crescimento são uma patetice que qualquer um de nós poderia dizer. No entanto isso não se espera dum partido que tem aspirações de poder. Ainda estamos para saber como é que Seguro acha que se consegue chegar a esse resultado. Escrevendo num papel?

É que sem dinheiro e com os tostões contados, o Estado português está de mãos completamente atadas. Nem dinheiro há para acorrer às necessidades de muitos sectores da população, quanto mais para fazer bonitos.

Muitas das discussões acabam na pura demagogia de que se devia pagar 500 Euros aos políticos e parvoíces semelhantes. Mas entre os partidos políticos a diferença é apenas uma questão de escala.
Eles sabem bem que nunca terão gente competente a governar o país se pagarem 500 Euros, mas propõem coisas de graus de imbecilidade comparável.
Parece não quererem saber até que ponto o país está enfiado num buraco. E não querem obviamente propor nada que os prejudique. Afinal eles vivem à nossa custa e não são 500 euros por mês.

A coisa vai desde o pedido para aliviar os sacrifícios (à boa maneira portuguesa de nunca querer levar nada até ao fim), outros ficam-se pela mera chicana política em que acusam o governo de ser mais purista que a troika. O PS, meio perdido e sem saber o que dizer dadas as suas totais responsabilidades no descalabro que vivemos, fica-se pela declaração de grandes intenções sem qualquer caminho para a sua concretização. Fica-se apenas pelas palmadinhas nas costas por se ter lembrado que apoiar o "emprego e o crescimento".

A verdade é que a escala da roubalheira neste país tem sido inacreditável durante estes últimos 20 anos.
Foi a destruição de todos os sectores produtivos em troca dos fundos de coesão. Negociação essa levada a cabo pelo "senador" Mário Soares e implementada com brio e total respeito por Cavaco Silva (lembram-se do bom aluno?). Cavaco foi o carrasco numa sentença ditada por Mário Soares. Indústria, agricultura e pescas. Rebentou-se com tudo isso em troca de dinheiro fácil.
É esta múmia apalermada que hoje faz discursos a falar do mar e da agricultura. Eu bem sei qual era o destino que dava a um pepino... Como gesto simbólico de defesa da agricultura e das pescas enfiava-lhe o pepino no rabo e atirava-o ao mar para servir de alimento aos peixes.

Enquanto ia havendo dinheiro o povo não sentia no bolso. Mas quando ele acabou, em vez de roubar os fundos estruturais a corja criminosa que tem regido este país teve que deitar mão de outra coisa - o dinheiro do estado cobrado aos contribuintes.
Eles não deixaram de roubar. Só mudaram o saco de onde roubam. E para ir enchendo esse saco só havia duas hipóteses: ou se carregava no cidadão agora ou se comprometia o dinheiro do cidadão no futuro, contraindo empréstimos. E foi isso que fizeram. São esses empréstimos que temos de pagar.

Aos credores pouco importa quem contraiu o empréstimo. Foi o país que levou o dinheiro, é o país que deve pagar. Se não o fizer fica com a marca de caloteiro, tenha o país na sua maioria cidadãos cumpridores ou não. Os credores são se ralam com esses detalhes.

Deveria ser o Governo a cuidar desses detalhes em nome do povo. Mas não o fez. E não o fez porque na maior parte dos casos havia a clara intenção de retirar dos cofres do Estado para os "amigos", nem que para isso se inventassem obras estapafúrdias e inúteis. Se para roubar 2 milhões é preciso gastar 500 milhões dos cofres do Estado, gastem-se.

Quanto ás razões de não termos dinheiro acho que já estão todas elencadas. Não há gente que não saiba por esta altura para onde foi o dinheiro desbaratado. Mas saber isso não nos resolve o problema.
É como se um doente de cancro ficasse melhor depois de lhe fazerem o diagnóstico.

O problema é a terapia. E é com a terapia que todos berram. Mas não há um jogo da selecção ou um concerto musical neste país onde não se encontrem muitos que gritam contra este governo ou estado de coisas.

O PS e a esquerda estão sempre chocados. Chocam-se com previsões, chocam-se com discursos, chocam-se com tudo.
O governo mostra insensibilidade com o desemprego. Como é que um governo mostra sensibilidade?
Andam os ministros todos com uma cara de quem vai rebentar a chorar? O que raio é essa coisa da sensibilidade? É ter alguém a pedir ajuda a um político e o político responder que "estamos a fazer tudo para resolver problemas como os seus"?

Todos estes merdas do PS quiseram a economia de mercado. Mas a economia de mercado é apenas para quando os lucros são simpáticos.

Eles que enterraram o país mais do que uma vez, andam agora todos sensíveis com tudo e mais alguma coisa. Que pena não terem mostrado essa sensibilidade quando andaram a contrair empréstimos em nosso nome para encher os bolsos aos amigos. São uns hipócritas de merda. É um partido pejado de criminosos comuns.

Deus nos livre de voltarmos a ter gente desta no poder com um primeiro ministro do calibre de Seguro e um lugar tenente do calibre de Zorrinho.

Ainda acredito que este dois palermas vão ser varridos por António Costa. São apenas os idiotas úteis para a reciclagem do PS. Mas é assustador pensar na qualidade dos quadros do PS nos últimos anos.

O mínimo que deviam fazer era assumir as culpas de toda a trampa que fizeram durante anos.
Mas não, limitam-se a tentar fazer-nos acreditar que depois do que eles fizeram havia outra opção que não fosse a de uma austeridade pesada e infelizmente duradoura.