Cirque de Pluie

Já há uns dias que não via nem ouvia notícias. Optei por não o fazer em casa e no carro deixei de sintonizar a TSF.

Devo dizer que a última semana foi bem menos stressante do que o normal. As minhas preocupações centraram-se nos meus problemas, longe dos "comentadores" e das suas opiniões enviesadas.

Limitei-me a ler um ou outro blog. O que sem ver ou ouvir notícias causa alguma estranheza porque na maior parte das vezes não sei exactamente do que estão a falar.

Mas hoje não consegui evitar. A TV estava ligada e pude constatar que o PS reivindica agora um governo com a legitimidade do voto.

Fiquei espantado. Pensei que Cavaco Silva tivesse dissolvido a AR e que o caso Sampaio / Santana Lopes se repetisse.
Mas rapidamente percebi que não era assim. Ao que se seguiu a pergunta: Legitimidade do voto?

Então que raio fizemos nós em 2011 depois do criminoso Sócrates ter abandonado o país, senão votar num governo que formou uma maioria absoluta na assembleia da República?

Esta gente deve estar a delirar. Mas o delírio não vem só do PS (o que é um estado normal). Até Marques Mendes aumentou o nível de disparate ao ponto de dizer que espera que os "rumores de dentro do governo que o Primeiro Ministro se demite se o TC chumbar  o orçamento" não sejam verdade e sejam apenas resultado da "imaturidade" do Governo...

Até ouvi Pires de Lima a falar de competência. Ele, um dos que esteve no programa de Nicolau Santos em que o vigarista da ONU apareceu e não foi capaz em momento algum de rebater o que o vigarista dizia. O homem debitava números e Pires de Lima, com certeza sem certezas acerca de nada, ouvia silencioso a diatribe do vigarista sem em nenhum momento questionar ou contestar tal sapiência. Será que o dito indivíduo só dizia verdades? Ou será que a Pires de Lima falta algum conhecimento e competência (já agora) para contestar com segurança as coisas que ele dizia?
Quando se fala de competência não é má ideia ter a certeza de que a possuímos em alguma coisa.

Estes tipos passaram-se realmente. Primeiro começam a lançar ao ar o cenário de uma remodelação. Depois tentam encontrar clivagens entre os parceiros da coligação. Finalmente planeiam eleições. Porventura porque os números do PS são melhorzinhos do que há uns tempos atrás.

Se calhar fariam bem em analisar o asco que mais de 100.000 portugueses têm a Sócrates a ponto de assinarem uma petição online contra o seu regresso à televisão.

Seguro terá aparentemente escrito uma carta a alguém a comprometer-se com o cumprimento do acordo. Acordo a que Jerónimo se refere como o "chamado Pacto de agressão" . Sim, na verdade é chamado por ele e por outros fortes adeptos da cassete gravada no hotel Vitória e imposta às hostes como a nomenclatura oficial do acordo (este Jerónimo se não existisse tinha de ser inventado).

O divertido, ou talvez trágico, é que este imbecil que dá pelo nome de Seguro quer apenas que o Governo seja substituído para ele continuar a fazer exactamente a mesma coisa. Incluindo o corte de 4 mil milhões, suponho eu, já que isso é também uma imposição da Troyka.
O que Seguro parece querer dizer é que cumprirá o memorando original. Esquecendo-se que o próprio memorando definia os períodos de avaliação e a possibilidade de haver revisão de objectivos e metas. Ou seja, o que ele teria de cumprir era o acordo pós 7ª avaliação com tudo o que isso implica.

Espanta-me profundamente o grau de imbecilidade de Seguro. Como é possível que os últimos líderes do PS tenham sido um criminoso inconsciente e um imbecil ignorante?
Como é que um país pode olhar para o futuro quando os líderes dum partido como o PS alternam entre o bandido e o idiota?
E se a coisa parasse por aí ainda vá. Mas o problema é que tudo o que rodeia Seguro, desde o porta voz do PS ao inenarrável Zorrinho são dum nível de indigência intelectual de bradar aos céus.
O que seria de nós com gente desta a gerir os destinos do país. Até que ponto seria ridícula uma negociação com gente desta e os membros da Troyka?

Não sei exactamente o que farão com as cartas de Seguro. Elas deveriam ter um destino claro. Mas estou a imaginar quem as lê a abanar a cabeça em total incredulidade.

A necessidade de aparecer constantemente tem levado Seguro a ser de tal forma oco e irrelevante que até os bonecos da SIC gozam com ele. De uma forma que deveria merecer alguma análise por parte do visado relativamente à imagem que o país tem dele.

O PS parece um circo de má qualidade em que o domador está bêbado e o leão drogado. O único truque que o domador parece ser capaz de fazer é conseguir por o leão a dormir...

Mas que aridez. Que pobreza.

O caso Nuno Santos, ou como culpar o governo de tudo o que acontece

Na confusão em que vivemos é muito fácil perder o Norte. Mais ainda quando a imprensa não contribui nada para tornar as coisas claras. Pelo contrário, perece que prefere confundir, baralhar e com isso obter algum resultado.

O caso Nuno Santos é emblemático desse ponto de vista.

Nuno Santos terá alegadamente dado acesso as forças de segurança para visionarem as imagens da manifestação em frente à AR.

Quando isto veio a lume, entre desmentidos e acusações não se percebia quem afinal tinha dado essa autorização. A coisa estava nebulosa e nebulosa ficou.

De acordo com o Correio da Manhã
Alberto da Ponte informou ainda que "o conselho de administração da RTP entende que não há motivos para abertura de um processo disciplinar" a Nuno Santos, director de Informação, por ter autorizado a PSP a visionar imagens ‘não editadas' dos incidentes de 14 de Novembro frente à Assembleia da República, mas como consequência deste processo e com base no inquérito, decidiu "a exoneração de toda a direcção de informação".
Ou seja a única consequência seria a exoneração da direcção de informação. Nuno Santos ficava na RTP mas deixava de ser director de Informação.

Mas Nuno Santos foi depois convocado a prestar esclarecimentos numa comissão da AR.
E aí abriu a boca para lá do que é sensato. Entre outras coisas disse que quem não estava interessado em trabalhar com a administração da RTP era ele.

Em linhas gerais chamou-lhes pulhas refinadamente. Com razão ou não. Até acredito que tenha razão.

A administração da RTP levantou-lhe um processo disciplinar por essas declarações. Não foi pela sua opinião, foi por essas declarações que mesmo sendo a sua opinião são de alguma forma pouco aceitáveis da parte de um trabalhador para com o seu empregador.
Quantos trabalhadores poderiam dizer isto na cara do seu empregador ou declará-lo publicamente num meio de comunicação sem esperar alguma espécie de acção da outra parte?

Depois deste processo disciplinar, Nuno Santos pediu esclarecimentos à presidente da AR par saber se as suas declarações estavam abrangidas por uma qualquer imunidade. Ao que lhe foi dito que não estavam.
Ele podia ter requerido audição à porta fechada mas não resistiu ao espectáculo e quis ter os media a divulgar as suas declarações.

Resulta do processo disciplinar o seu despedimento.

E agora vai para a justiça contestar esse despedimento.

O que é curioso é que o Público tem um artigo em que chega a transcrever as declarações de Nuno Santos em que diz que foi despedido por "delito de opinião que está banido da ordem jurídica desde 1976".
O mesmo artigo tem um link para a notícia do pedido de esclarecimentos à presidente da AR mas omite um link para um artigo no mesmo jornal em que Assunção Esteves esclarece que não há imunidade aos depoentes mas que eles podem requerer audição à porta fechada (coisa que Nuno Santos não fez porque achava que os julgamentos mediáticos são a solução que lhe permitiria safar-se).

O fascinante de tudo isto é que agora se culpa o Governo deste despedimento. Em primeiro llugar culpava-se por usar meios públicos para exercer repressão policial e perseguir os "manifestantes" e agora culpa-se o mesmo Governo do despedimento do indivíduo que supostamente os ajudou a perseguir os "manifestantes".

Para já isto é o que aparece nos comentários ao artigo de jornal e não se espera que seja gente muito inteligente a fazer estas deduções. mas a verdade é que o artigo de jornal, que podia esclarecer estabelecendo uma simples cronologia, não esclarece e limita-se a veicular a opinião de Nuno Santos como se de um facto indesmentível se tratasse.

Caso o processo disciplinar esteja mal fundamentado ou pura e simplesmente mal feito (coisa que não é rara) o tribunal pronunciar-se-à em favor de Nuno Santos.

Mas até ver, uma pessoa que diz o que disse do seu empregador de forma pública e amplamente divulgada, dificilmente se safa. A fundamentação do processo disciplinar nada tem a ver com opinião, muito menos com delito de opinião.
Tem a ver sim com a quebra da confiança que resulta de um trabalhador se virar para o empregador e dizer que não quer trabalhar com ele.

Foi estúpido na sua tentativa de trazer para o mundo mediático aquilo que deveria ser tratado com algum cuidado. Foi vitima de si próprio e da sua necessidade de palco.

Boa sorte para ele.

Leitura adicional :
O folhetim RTP ou como culpar alguém de uma coisa e do seu contrário
The Stupid Has Awakened

O que vai ser de nós?

Depois de ler as "propostas" do PS e do PCP para a solução da crise fiquei deprimido.

É mais ou menos consensual que este Governo podia fazer melhor do que está a fazer. Refém de maus hábitos e de lobbies com muito poder, não consegue realmente atalhar naquilo que precisa de ser mudado.

Não sou, ao contrário de muitos, apologista de que se deixem os bancos falir e como tal não me repugna que o Estado ajude a banca a recapitalizar-se. O contrário significaria um colapso generalizado do país.
O risco de falência de um banco afecta grandemente as pessoas. A começar por aquelas que nele têm as poupanças de uma vida e que passariam subitamente a não ter nada.
Se multiplicarmos isto por 3 ou 4 bancos, os riscos de uma catástrofe social resultante do colapso do sector financeiro seriam enormes.

Acho no entanto que o regulador deve fazer o necessário para que a banca não entre em loucura como o fez durante o boom imobiliário e não tenha de ser necessário "safar" repetidamente bancos gulosos e mal e porcamente geridos.

Mas apesar de tudo isto o Governo poderia facilmente atalhar nas coisas que são injustificáveis. O financiamento às fundações devia ser liminarmente terminado. Tudo o que fosse fundação a viver de fundos do Estado, com objectivos difusos ou não declarados deveria ter as suas verbas cortadas pura e simplesmente.

A simplificação de serviços e organismos do Estado com a fusão em organismos eficientes e desburocratizados seria muito bem vinda.
A concentração da multidão de empresas públicas e municipais fantoches criadas apenas para assegurar poleiro a amigos dos partidos deveria ser uma prioridade máxima.

Este sector é responsável por um desbarato de dinheiro sem fim. Os seus quadros, pagos bem acima daquilo que são os valores normais no Estado e contratados ao arrepio de qualquer escrutínio público deveriam simplesmente ser dispensados. As suas carreiras contributivas deveriam ser contadas como as de outro trabalhador qualquer.
Há enormes barreiras legais e informais para que isto não se faça. Mas devia ser feito. São centenas de milhão por ano que temos de sustentar sem qualquer justificação prática que não seja o sustento de um grupo severamente incompetente que roda de lugar em lugar desde há dezenas de anos.

Há mais que podia ser feito. E houve muita coisa que já foi feita que se aplaude. Mas não chega.

E não sou daqueles que acha que um ministro das finanças deve ser avaliado pelos seus poderes de adivinhação em vez de ser avaliado pelo seu trabalho diário na salvação dum país falido.

É absurdo pensar que num país com uma economia absolutamente fictícia, como era o nosso até 2011, se pode enfrentar uma crise desta dimensão sem haver uma retracção do consumo e do emprego.

Qualquer ajuste seria assim fosse quem fosse que estivesse no poder. O nosso problema é estrutural e não se resolve com umas formações da treta para desempregados (para fingir que estão empregados enquanto "aprendem") ou com estágios mal e porcamente pagos para jovens recém chegados ao mercado de trabalho.
Este tipo de sugestões é o que o PS propõe. Mais uma vez às custas de verbas da EU ou dos cofres do Estado, tal como foram as Novas Oportunidades ou outros programas anteriores.
Feitos e concebidos para a estatística. Sem qualquer resultado prático.

É também indiscutível que o nosso sector público precisa de uma revolução. Há muita gente boa na função pública. Muita mesmo. Mas há muito parasita que sentindo-se absolutamente seguro quanto à sua perpetuação no lugar, não sabe sequer o que é trabalhar.
Já tive de interagir com o sector público dezenas de vezes e a esmagadora maioria das pessoas com quem trabalhei eram medíocres, desinteressadas e absolutamente inúteis. Desde directores ao mais miserável técnico.
Mas também encontrei gente excelente. Desmotivada por ver á sua volta uma multidão de parasitas que vão sobrevivendo por simpatia ou amizade com superiores ou simplesmente porque ninguém se lembra deles ou ninguém sabe bem o que eles fazem.
Estes bons profissionais vão ficando no sector público e nos dias que correm não podem mesmo correr o risco de optar por sair. Percebo-os. O que eu não percebo é que no Estado não se faça uma limpeza dos maus elementos e se premeie os bons elementos. A constituição não o permite.

E esta situação permanecerá com um PS no poder. Será ainda agravada seguramente. Com o PCP pou o BE nem vale a pena falar.
Quando se houve alguém dizer que o Estado não pode tocar nos professores com horário zero porque têm direitos adquiridos pergunto-me como é que se pode gerir um país com este tipo de coisas.

Seria razoável ter médicos no SNS sem doentes para atender? Ou juízes sem trabalho para fazer na sua comarca? Não. E isso não acontece. Porque é que isto acontece com estes professores?
Se não fosse a crise e a saída de muitos alunos do ensino privado, o ensino público teria um decréscimo de alunos todos os anos. Terá para o ano outra vez. E hoje já há dezenas de professores sem nada para fazer.
Porque ao longo dos anos foram tendo redução de horário e foram sendo cada vez mais bem pagos.
è legítimo ter professores com turmas enormes a ganhar menos que professores com horário zero e com um salário bem mais elevado? Porque tem o Estado de abrir concursos para contratar professores todos os anos quando há gente que não dá uma única hora de aulas?

As esperanças de ter alguma coisa de substancial feito pelo PS (dos outros nem vale a pena falar porque o seu discurso é absurdo e desligado da realidade) são nulas.
O PS só sabe governar quando há dinheiro. E acaba sempre com ele. Agora não há. O que vai fazer?
É óbvio que com o que propõe também está a mentir. Não fará o que diz nem conseguirá fazer o que diz relativamente ao emprego e ao crescimento. Simplesmente não está ao seu alcance.

Não temos líderes à altura. Nunca tivemos desde o 25 de Abril. A mediocridade dos lideres políticos de hoje é estarrecedora. Com a excepção de Portas que considero brilhante, todos os outros são homens comuns. Nada de brilho, nada de visão, nada de liderança.
E desenganem-se aqueles que pensavam que Soares ou Cavaco eram grandes líderes. Não o eram. De Soares pouco há a dizer, de Cavaco basta ver a forma como se comporta nos dias que correm para perceber a irrelevância da sua existência.

O que é assustador é perceber que os partidos estão capturados por gente menor, por gente sem estatuto ou saber. São um atoleiro de medíocres que se foi instalando e afastando todos os que lhes pudessem fazer frente.

Temos depois os "barões" e "baronetes" que com uma aura de qualidade que nunca tiveram, falam de cátedra de cada vez que lhes metem um microfone na frente. As suas proezas passadas estamos a pagá-las hoje. A sua falta de coragem e de visão foi-se acumulando e agravando com os que vieram a seguir. Falam como se nada tivessem a ver com o descalabro que nos aconteceu pela 3ª vez.

Quanto ao nosso povo ele está adormecido e completamente alienado. E zangado o que não ajuda nada a pensar direito. Não consegue distinguir, não consegue pensar com um mínimo de lógica e a única coisa que se limita a fazer é "indignar-se". No Facebook, no Twitter e nos comentários dos jornais on line.


É completamente inconsequente e bastas vezes defende coisas que seriam a sua própria desgraça.
Afinal os políticos que temos vêm do nosso povo. Não vieram de Marte nem de Espanha. São o produto da nossa sociedade complacente com o espertismo, com a corrupção e com o fingir que se faz. Andou todo um país a fingir que fazia durante anos.
Há gente que está tão habituada a isto que nem sabe exactamente como é trabalhar. Nunca souberam.

Não me parece que vamos acabar bem. Não vai ser numa geração que se limpa toda esta porcaria. Vai ser depois de eu cá não estar, se for.

É muito evidente que o nosso maior problema somos nós e a nossa incrível falta de capacidade para encontrar soluções para os nossos problemas.

Propostas sérias...

Ao "passear" pelo site do Público fui surpreendido com uma coluna de opinião de  uma senhora que é membro da comissão Política do Comité Central do PCP.

Até me parece bem a pluralidade na informação e até me parece sério que se diga que alguém pertence a órgãos partidários para se perceber que as opiniões devem ser entendidas nesse contexto.
Infinitamente melhor do que ter gente supostamente independente que a única coisa que sabe fazer é encontrar males de um lado do espectro político negando qualquer mal do outro lado.
E infelizmente a imprensa está pejada de gente dissimulada,que não declara as suas ligações ou simpatias, fazendo-se passar por aquilo que não é.

Portanto, do ponto de vista de ter uma pessoa com estas ligações e engajamento político a escrever uma coluna de opinião num jornal parece-me bem. Parece-me ainda melhor que o declare.

O que eu acho caricato são as opiniões.

A dado ponto diz o seguinte:
O PCP tem apresentado propostas sérias e de grande alcance ao povo português:

– A imediata renegociação da dívida pública nos seus prazos, juros e montantes;

Não deixa de ser curiosa a crença de que numa renegociação se consegue tudo o que se quer. Eu acho que o mais certo é que se partissem para esta renegociação não conseguiriam nada do que querem. Partir do pressuposto que uma renegociação se sai com tudo o que se propunha à entrada ou é infantil ou é de quem não sabe o que é negociar mas sim impor. E quanto à capacidade de impor que Portugal tem ela é nula.

– O aumento dos salários, das pensões e dos apoios sociais, para corrigir as desigualdades na distribuição da riqueza e para que as pessoas tenham mais dinheiro para consumir e fazer crescer a economia;

Em primeiro lugar a capacidade de aumentar salários no privado com a excepção do salário mínimo não cabe ao governo. Por aí estamos conversados.
O aumento no privado não vai acontecer por magia. As empresas nem numa situação de mercado eufórico o fariam. Imagine-se num mercado deprimido ir propor o aumento generalizado de salários. Enlouqueceram?
E no público? Então o nosso maior problema é precisamente o que se gasta com salários e pensões (numa enorme percentagem) e que levou a contrair dívida para sustentar isto. Infelizmente reduziu-se a toda esta gente o seu rendimento para equilibrar da forma possível as contas e despesa do Estado. E agora ia subir-se tudo isto para "aumentar o consumo interno"?
Os anti sistema querem prolongar o sistema que criava riqueza fictícia à custa de consumo. Com recurso ao crédito.
O que levou ao colapso do sistema...
Nunca pensei ver o PCP a defender a continuação do consumo como motor da economia.
A consequência de todo este disparate foi o crédito desmesurado que agora resulta em insolvências familiares em barda. E com essas insolvências as casas que se perdem, os carros que se vão e as penhoras nos salários.
Estão parvos estes tipos do PCP?


- Pôr Portugal a produzir, na agricultura, na indústria e nas pescas, substituindo importações por produção nacional, controlando os custos dos factores de produção, facilitando o acesso das PME ao crédito através da Caixa Geral de Depósitos;

Nesta estou de acordo completamente.
Mas mais uma vez isso não depende de uma "vontade". Os agricultores estão descapitalizados e são-lhes impostas restrições severas um relação ao que podem fazer. A rentabilidade do pequeno produtor é marginal e muitas vezes um desaire com o clima deita tudo a perder por anos.
Nas pescas a nossa frota foi reduzida a nada por "incentivos" da EU. reavivar uma frota não custa cinco tostões nem leva um ano. E para o fazer quem investe? Quem tem a capacidade para fazer isso?
E podem dizer que alertaram para o facto. É verdade. Mas aconteceu e no ponto em que estamos hoje é perfeitamente irrelevante a oposição que o PCP fez na altura. Tal como é irrelevante a minha discordância com o abate da frota pesqueira nacional.
A realidade pura e simples (realidade, um conceito desconhecido para o PCP) é que o investimento no sector das pescas é impossível nos dias que correm. As quotas de pesca por espécie tornam inviável qualquer grande investimento em nova frota pesqueira.
O controlo dos custos dos factores de produção é mais uma utopia de uma economia planificada.
Impor preços tabelados de combustíveis, adubos, rações etc etc é completamente utópico nos dias que correm. A última vez que isto foi feito com os combustíveis foi com um senhor chamado Guterres. Que garantiu o preço dos combustíves num determinado nível para pagar por outro lado compensações às petrolíferas. Ou o caso do preço dos transportes públicos que criou a maior dívida de todos os sectores da economia de que há memória. Ao todo 18 mil milhões de dívida do Estado. Quem a paga? TODOS.
Não estamos na USSR em que estas coisas eram ditames centrais.
Esta gente que mal viveu com o regime da USSR colapsado nos anos 90 nem sequer entendeu em que mundo vive. Gostava de ver estes artistas a meter as mãos à obra e a investir na agricultura com os riscos que isso implica.
Perfeitamente incapazes de produzir o que quer que seja têm sempre grandes ideias para que outros trabalhem. Mesmo os agricultores falidos que têm de enfrentar uma concorrência de preços que os destrói. Querem proibir importações? De produtos da UE? E como?
Patetice anacronico-comunista de uma ponta à outra.


– O fim das privatizações e a recuperação da propriedade social dos sectores básicos e estratégicos da economia, a começar pela banca;

O fim das privatizações como?
Confisco sem compensação da banca? Mas em que planeta é que estes estúpidos vivem?
O estado terá porventura o dinheiro que seria necessário para isto? E a EU alguma vez deixava que um confisco desses acontecesse? Com as participações de bancos estrangeiros na nossa banca?
Bêbados. Estão bêbados e devem pensar que temos um arsenal de misseis estratégicos escondido com que podemos ameaçar as grandes potências.
Ou estão bêbados ou andam nos fuminhos. Chamar a isto uma proposta séria só se for a gozar. Isto é um insulto à inteligência do mais básico e estúpido português. Que eu começo a pensar que deve ser filiado no PCP a julgar por estes disparates.


– A alteração radical da política fiscal, rompendo com o escandaloso favorecimento da banca, da especulação financeira, dos lucros dos grupos económicos nacionais e transnacionais e aliviando a carga fiscal sobre os trabalhadores e os pequenos empresários;

A velha receita de por os ricos a pagar a crise.
Para cada ponto percentual de imposto que reduzissem aos trabalhadores dependentes ou pequenos empresários teriam de aumentar de tal forma a carga fiscal destas "grandes" empresas que se tornaria completamente desinteressante investir em Portugal com as cargas fiscais absurdas que teriam de ser impostas a estas empresas.
Mas como o que dizem nunca se tem de comprovar, podem continuar a dizer que é uma proposta "séria".
Estes por acaso não falam de investimento estrangeiro.
Isso seria absolutamente contrário à sua crença de que o país se deve fechar, nacionalizar tudo e ser auto suficiente. Isto deu resultados belíssimos em tudo o que foi país "socialista".
Ainda hoje a ex DDR tem assimetrias colossais para a Alemanha ocidental. O mundinho fechado que estes papagaios incoerentes tanto gostam causa mais miséria do que qualquer outra coisa no mundo além da guerra.


– A valorização das funções sociais do Estado como condição para o desenvolvimento das condições de vida;

Esta proposta é basicamente merda nenhuma. Sério? Isto? E o que é exactamente isto? Pois é o que eu disse no princípio - merda nenhuma.

– O efectivo cumprimento da Constituição da República e a intransigente defesa da soberania nacional face às imposições e condicionalismos impostos pelas grandes potências e pela União Europeia.

Já agora a parte do prólogo "do caminho para o socialismo".
A única coisa que parece com que se importam na constituição são os direitos. Os deveres não existem. Eu também sou a favor do cumprimento da constituição.
Mas uma que não proteja exageradamente certos sectores da sociedade em detrimento de outros. Estou a lembrar-me do caso dos despedimentos na função pública que criaram toda uma multidão de calões que pulula na nossa função pública.
E que desagrada profundamente aqueles na função pública que trabalham como escravos para sustentar os "colegas" que passam anos sem fazer nada. Mas que no fim levavam os mesmo benefícios, as mesmas promoções automáticas e as mesmas avaliações.
Se numa empresa um trabalhador tem de dar provas de ter capacidade para manter o seu emprego, porque é que um tipo que passa anos a fio sem fazer nenhum não pode ser despedido? Porque é que é uma chatice de todo o tamanho por na rua um tipo que claramente não cumpre com as suas obrigações na função pública? Porquê?
É esta a constituição que querem ver cumprida ou uma em que aos direitos correspondam deveres?
Já vi as propostas sérias do PS e agora as do PCP. As do BE não andam muito longe deste estado de alienação e podiam ser perfeitamente decalcadas destas.
São estas a alternativas à governação que temos?
Isto não passa de conversa para mentes simples. São sound bytes para repetir entre duas minis no balcão de uma tasca qualquer.
Isto é conversa de espertos para enrolar estúpidos. Merece tanto crédito como o folheto dum astrólogo ou de uma cartomante.
Parece-me cada vez mais que o problema desta gente se centra em duas grandes áreas:
Necessidade despudorada de conseguir apoio através de mentira (nada que não seja normal em política)
Limitação intelectual óbvia.
Gente como esta é absolutamente medíocre quer do ponto de vista científico quer do ponto de vista intelectual. Recitam uma cartilha que não entendem nem nunca se sentam para fazer "contas" e perceber como tudo isto não funciona.
Patético

A construção civil é a cura para todos os males

Já dizia Cavaco pelos idos 90 que a indústria mais importante do país era a construção civil.
De uma certa forma até tinha razão. O país tinha destruído em tempo recorde todos os sectores produtivos da economia.

Rebentou com a mineração, com as pescas e com a agricultura. Não deixou quase nada de pé. Sobraram durante alguns anos os texteis até aos acordos entre a UE e a India, Paquistão e China. Sobrou o calçado. Sobrevivendo do segmento mais alto, uma vez que o calçado barato não conseguiu resistir à investida dos países onde se paga o trabalho com uma malga de arroz.

A nossa maior indústria foi, como em muitos outros países a razão da nossa morte como economia. E foi também para os Estados Unidos e para a Espanha.

3 países que por razões diferentes se espetaram pelo chão adentro com a aposta mais insana que se podia fazer.

O colapso da indústria financeira acontece pelo crédito à construção e à habitação. Financiou-se a valores super inflaccionados habitação para todos. Que hoje não podem pagar e percebem que se venderem não conseguem sequer pagar ao banco o que lhes falta de empréstimo.

Causou corrupção sem fim. Alterações de PDM's para transformar terrenos agrícolas em urbanos. Isto convinha também às autarquias que iam buscar em licenças, IMI e taxas municipais aquilo que nunca poderiam ter de outra forma.

Corrompeu-se, inflaccionou-se e vendeu-se a ideia ao incauto que agora podia ser feliz a viver numa selva de betão, na sua própria casa. Sua ao fim de 35 anos. Num prédio onde há dezenas de proprietários que não têm dinheiro para sustentar as obras que os prédios precisam. Que não têm dinheiro para o IMI e para o condomínio.

Mesmo assim o crescimento do PIB foi uma desgraça. Negligenciável. De tal forma que a dívida disparou para poder sustentar as obras de regime e o tão falado Estado Social.

Quando o sector colapsou tornou-se responsável por um volume de desempregados sem paralelo com qualquer outro sector. Foi ele também responsável pela emigração em massa, legal e ilegal, que assolou este país durante o boom.

Destruiu-se a paisagem, produziu-se um património edificado de nível terceiro mundista. Que está agora vazio.

Mas o que Seguro propõe é reavivar o sector com recuperação do património urbano.

Para quê? Para vender casas recuperadas? A quem? Com que dinheiro?

Esta gente não entendeu que o paradigma tem de mudar. Radicalmente. A construção terá de ser uma actividade que como qualquer outra sirva para fazer face às necessidades. Não se pode construir casas de habitação até partir, mantendo os preços altos quando não há procura. Ninguém as vai comprar. Acabou
A renovação ocorrerá nos casos em que as casas de habitação forem precisando de obras. Acabou a festa de comprar em ruínas para recuperar e vender com ganhos enormes.
Acabou.
Será uma sorte se for possível fazer obras nas casas arrendadas para poder incrementar as rendas. Isto porque o bloqueio à actualização das rendas continua a ser a maior razão para a escassez no mercado de arrendamento. Porque a maior parte dos senhorios não pode sequer sonhar em fazer obras com o que ganha ou pode vir a ganhar com as rendas.
Acabou.

Metam numa vez nessas tristes cabeças que a construção civil nunca mais poderá voltar a ser o que foi nos 2000. Foi a vaca leiteira que deitou as vedações todas abaixo e espezinhou tudo.

Qualquer fenómeno levado ao limite como aconteceu com a construção civil, destrói um país. Foi o subprime nos EUA e o boom imobiliário, foi o nosso e foi o de Espanha. Um país de gatas e dois na ruína pela cegueira do lucro fácil e imediato.

Mas é isto que Seguro defende. Não me espanta. Ele é um estúpido sem soluções. Só podia pensar nestas aberrações como saída para a crise.
A crise do país é estrutural. Não é um azar da crise "internacional". Os nossos governantes criaram esta situação.

Criaram os BPN's suportados por um sector imobiliário mafioso. Criaram o crédito mal parado aos bancos por facilitar ao extremo a aquisição de casa própria. Banco que na cegueira do bónus imediato foram tão estúpidos que se meteram a eles próprios em buracos sem fundo.

Na construção civil nada será como dantes. Acabou.
Repensem a coisa, ajustem a dimensão do mercado e controlem o stock de habitação como se controla o stock no armazém de uma fábrica.
Esse é o papel regulador do Estado. Não é mais nenhum.