O factóide

Um factóide é um facto divulgado com sensacionalismo pela imprensa. Pode ser verdadeiro ou não. Trata-se também de propaganda política mal intencionada.
O propósito de um factoide é gerar deliberadamente um impacto diante da opinião pública de forma à manipulá-la de acordo com as aspirações de poderosos grupos que se utilizam de sua influência na mídia. Estes, em alguns casos estão, ou aspiram ao poder.
Tão rápido como começa um rumor ele desaparece.
Hoje acordamos para um sem fim de declarações, indignações e iniquidades  acerca da suposta "recusa" do Governo em respeitar o acórdão do Tribunal Constitucional.

Com um título especialmente acintoso o Público declarava que Passos teria dado instruções para manter o corte dos subsídios de férias. No mesmo artigo o jornal explicava porquê - falta de enquadramento legal por não ter sido ainda aprovado o diploma que resolvia os pontos inconstitucionais do orçamento.

Agora, lê-se num artigo desse mesmo jornal a explicação para o caso. É mesmo o diploma que deverá ser aprovado e promulgado até ao final do mês tornando assim possível o pagamento desse subsídio.

A esquerda apalermada saltou logo para a rua aos berros. As mais diversas entidades o fizeram. Sem haver contornos precisos acerca do caso, todos, incluindo jornais rádios e televisões, deram voz atodo e qualquer estúpido que lhes apareceu na frente. Desde o psicopata Arménio até à oposição todos se juntaram num coro de disparates sem fim.

Esta mania de fazer declarações sem saber o que se passa é uma mania muito nossa. Se não fosse isso os comentários a artigos nos jornais on line nunca poderiam existir.

Somos o paraíso do imediatismo, onde as indignações e as declarações espalhafatosas por coisa nenhuma se tornaram regra desde o mais reles idiota ao mais "nobre" comentador.

Mas a verdade é que todos estes arrotadores de postas de pescada se esquecem que a lei fundamental pode ser o suporte legal para todas estas coisas mas no fim, no fim, se não há dinheiro não há palhaços. E ideias como a de Arménio de ir buscar o fundo de recapitalização da banca são tão estúpidas que fica-se sem saber se lhe sairam da boca ou se foram um simples flato com sonoridade semelhante a palavras. O que em Arménio não deixa e ser um hábito.

Quem chora não mama

O sector da construção civil está de rastos.
Talvez porque tenham feito em 10 anos o que deviam ter feito em 20 ou porque andaram a vender a preços altamente inflaccionados e esqueceram-se de se precaver para uma situação de crise e secura de recursos.

Mas o que mais me choca nisto tudo é a crença enraizada neste sector que sem investimento público não há sector.
É mais ou menos o que se passa em muitas outras áreas da nossa economia e sociedade. Sem o estado gastar (ou dar) dinheiro, não há cultura, não há indústria, não há construção.

Até compreendo que o Estado faça contratos que envolvam a construção de infraestructuras, mas o que se passa neste país é que há uma enorme percentagem do sector que vive exclusivamente do dinheiro que o estado gasta.

Durante uns bons 15 anos contruiu-se em todo o lado e foi vendido a preços de tal forma disparatados que enterraram milhares de famílias. Tudo com o conluio dos bancos.
Que financiavam a compra do terreno, a construção dos edifícios e a compra dos apartamentos.

Isso acabou pela simples razão de termos stock de casas a mais. Ninguém com dois dedos de testa se vai por a construir habitação nos dias que correm.
Junte-se a isto a inexistência de contratos para a criação de infraestruturas públicas e vemos um sector absolutamente de rastos.

Mesmo aqueles que construiam escritórios estarão por esta altura com a corda na garganta. Ninguém arrenda espaços e a procura dos mesmos decresce a cada dia que passa. E como estes "senhores" não estão nada habituados à lei do mercado, continuam a querer vender a preços de 2006-2007.

É uma tristeza ver até que ponto nos transformamos numa pseudo economia de mercado. Na realidade se não for o dinheiro do contribuinte a sustentar ganhos enormes para o sector, não existe sector.

Como aconteceu outras áreas antes deles a única coisa que lhes resta é adaptarem-se. Aconteceu com os texteis, aconteceu com o calçado.

Façam-se à vida e evoluam em função do mérito das suas opções. Creio que neste país não será provável que se fabriquem esquis. Porque não há procura... Se calhar é boa altura de parar de construir... porque não há procura.
E em vez de passarem a vida a pedir aos bancos que emprestem dinheiro capacitem-se que nem os bancos vão emprestar como antes nem as pessoas têm a confiança que lhes permite atirar-se de cabeça para compromissos a 30-35 anos.
Talvez seja boa ideia deixarem-se de choradinhos e perceberem que se não há contratos do estado pode ser a altura de partir para outros mercados ou fechar as portas.

Mas por favor parem de clamar pelo gasto do dinheiro dos contribuintes. Temos um país completamente farto destes lamentos que mais não revelam a total dependência dos dinheiros públicos e a tentativa desavergonhada de desrespeitar as leis do mercado que tanto gostam de louvar.

Conversa esclerosada para estúpidos

De cada vez que tomo a decisão de ouvir rádio ou de ver televisão dá-me vontade de estrangular alguém.
Hoje de manhã na TSF houve duas coisas que me deixaram profundamente irritado. E por duas razões ligeiramente diferentes.

A primeira foi uma peça (chamemos-lhe crónica) dum jornalista palavroso por volta das 8:45. Ao tecer considerações sobre a greve dos professores, usou um tipo de linguagem muito pouco consistente com o estatuto. Não consigo perceber quando é que os jornalistas acharam que deviam ser a estrela da estação, mas isto já está a passar completamente das marcas.

Quando o jornalista fala de "campanhas insidiosas para culpar os professores" ou qualifica os apelos de Passos como enganadores ou chama "estúpido" ao ministro da Educação, mesmo que seja numa crónica, passaram-se todos os limites de equidistância e isenção. A TSF é agora a voz oficial de qualquer coisa. E essa qualquer coisa sabemos bem qual é.

A segunda situação foi mais uma vez na TSF e foi sobre o pagamento do subsídio de férias que aparentemente não vai ser pago em Junho.

As razões podem ser muito formais, mas nestas coisas a formalidade é importante.
O diploma que responde ao acórdão do TC foi aprovado pela maioria parlamentar na passada sexta-feira e deverá, na expectativa do Governo, entrar em vigor antes de dia 20 de Junho. A solução encontrada passa por fazer o pagamento do subsídio de férias e prestações equivalentes em duas fases.
Se bem se lembram, o acórdão do TC levou a que tivesse de ser feita uma alteração legal para acomodar as diferenças. Acontece que essa alteração só foi aprovada na sexta feira passada. E para que seja processado o subsídio de férias terá de ser ao abrigo desse diploma. Porque lembremo-nos que o  orçamento original foi declarado inconstitucional nalguns dos seus pontos e o rectificativo foi aprovado na semana passada.

Assim, a gritaria de falta de respeito pelo Tribunal Constitucional, a invocação de ilegalidade e outras palhaçadas avulsas, é afinal o respeito pela legalidade.

Esta palhaçada vai ao ponto de o jornal que explica este pormenor colocar com tútulo do artigo :
Governo dá instruções aos serviços para que mantenham corte no subsídio de férias

Por causa disto Arménio Carlos também se pronunciou. E como é hábito fala para estúpidos como ele. Dizia o imbecil que "o estado tem dinheiro. O fundo de recapitalização da banca não foi todo usado..."
Perante declarações deste tipo não há muito a dizer. Já mudou o discurso um pouco porque há uns tempos atrás este idiota dizia "e o dinheiro do BPN?". Ora como sabemos o dinheiro do BPN é dinheiro que NÃO TEMOS. Agora já mudou para o dinheiro que supostamente temos.

Arménio sabe perfeitamente que não pode usar dinheiro do fundo ou da UE como se de um saco se tratasse de onde se pode pagar o que quer que seja. Nem sequer pode fazer isso com rúbricas diferentes do orçamento.
Esta história de ir ao fundo da banca buscar umas massas para ir buscar salários revela uma de duas coisas: Ou Arménio é de tal forma básico que não faz ideia de como um país funciona ou sabe-o (ou pelo menos suspeita) e fala de forma simplória para mais uma vez acicatar os ânimos. Ou seja, há dinheiro mas o governo mau não quer pagar.

Aborrece-me esta ideia peregrina de que a esquerda tem a legitimidade de se colocar no poder quando há um governo de outra cor no poder, eleito legitimamente.
Mas o que mais me aborrece é que usem as estratégias mais velhas da história para minar o funcionamento de um governo. Como dizia o 1º Ministro:
«Jogando com os descontentamentos naturais, sem contudo se apresentar qualquer programa coerente alternativo, intencionalmente procurou fomentar-se um clima deletério; de descrença generalizada, de pessimismo total, assacando todas as culpas ao Governo - a este Governo - esquecendo o passado ainda tão próximo, denegrindo por sistema, entravando ou mesmo sabotando iniciativas em curso, silenciando ou minimizando os aspetos positivos de uma atuação que todos sabem ser feita em condições singularmente difíceis, que se pretende? Derrubar apenas o Governo? Mas como, se parece difícil fazê-lo no Parlamento, que é o único sítio, em democracia, onde se devem derrubar legitimamente os governos? Na rua? Para dar lugar a que confrontações e a que novo surto de anarco-populismo? Desagregando-o por dentro, desencorajando as pessoas e tentando destruir as suas imagens políticas? Para abrir caminho a que tipo de aventuras?»
Notem que esse primeiro Ministro era Mário Soares em 31 de maio de 1984, citado por Rui Ramos no Expresso.

Os media: Quase uma semana sem eles

Passei a quase totalidade da semana sem ver um noticiário ou ler um jornal. On line incluídos.

E convenhamos que se passa uma semana muito melhor.

Houve uma pequena excepção: Creio que foi ontem apanhei um jornalista "estagiário" a descrever as comemorações do 10 de Junho e a presença de Cavaco Silva nas mesmas.

O que ficou patente foi a necessidade quse patológica que estes jornalistas de trazer por casa têm de trazer outros assuntos a notícias que nada têm a ver com eles.
É mais que suficiente descrever as comemorações ou o sítio onde vão ter lugar sem ser necessário tecer comentários sobre a taxa de popularidade do PR ou de a atribuir ao facto de ele não demitir o Governo.
É dos tais casos em que a bucha "ideológica" é metida por um qualquer desgraçado a quem calho uma reportagem de exterior e ficou sem nada para dizer.

É nestes pequenos pormenores, e notem que foi o deslize da semana, que se nota até que ponto esta militância é constante e muitas vezes despropositada.
Como não vi mais nada de notícias, aquela referência soava completamente extemporânea e muito pouco isenta.

Não consigo entender como é que a SIC Notícias ou a TVI conseguem justificar estas linhas editoriais. Não entendo em que é que Balsemão aproveita com este tipo de campanha cerrada anti governo. Será para evitar a competição de uma RTP privatizada?Será por puro desleixo? Por ódio a Passos, como tantos outros "históricos" do PSD. Não consigo perceber e até agora todas as explicações não passam de especulações.

O que vejo é que estes jornalistas se borravam de medo com Sócrates e qualquer coisa errado que pudessem dizer e que agora num regime de "direita" "sem democracia" tudo lhes é permitido. Duvido seriamente que tenham assessores a telefonar a directores tecendo criticas em relação ao alinhamento noticioso. Nem os vejo a dar tempo de antena a membros do Governo para defesa de casos pessoais obscuros. Sócrates tinha direito a um tempo de antena interminável. Hoje não há qualquer comparação com essa bem oleada "máquina de propaganda".

A tal imagem da ilegitimidade ou a exacerbação de uma suposta clivagem entre parceiros de Governo foram sem dúvida nenhuma os motes da imprensa nacional. Andam nisto há meses. E ficaram especialmente tristes quando perceberam que Cavaco pouca atenção lhes deu. Esperavam porventura uma espécie de Sampaio. O PR de todos que fez um favor ao PS e por tabela arranjou uma enorme chatice para o país inteiro.

A esquerda vê-se como detentora de um direito inquestionável ao poder. Quando estão eles foi o "povo" que assim quis. Quando estão os outros o "povo" quer que eles saiam. Mesmo quando se compara um governo incompetentíssimo como o 2º de Sócrates, monoritário e vitorioso à custa de manobras puramente eleitoralistas com o de Passos que é nem mais nem menos que um governo maioritário.

Este direito divino ao poder que a esquerda acredita deter, é parte da "narrativa" mediática todos os dias que passam. A direita má e a esquerda boazinha.

Mesmo que a esquerda não tenha programa a não ser o mesmo que o do Governo. Sem dinheiro para esbanjar nem banca a quem pedir emprestado, a esquerda terá de alinhar pelo diapasão da Troyka sob pena de um ano após a sua gestão se ver confrontada com outra bancarrota.

E os media, desavergonhados, nunca fazem as perguntas difíceis. E convenhamos que fazer desmoronar Seguro com uma ou duas perguntas seria a coisa mais fácil do mundo. Tem apenas chavões, eleitoralistas para variar, que nunca poderão ser postos em prática.

Com tudo isto não admira que não tenha sentido falta da campanha de propaganda pro esquerda dos media. E foi uma semana bem melhor que a média.

Mitos modernos - A ilegitimidade do Governo

É curioso como num regime "supostamente" democrático ainda há uma parte do espectro político que acha que a legitimidade eleitoral só existe se forem eles os eleitos.

E isto é cíclico. Desde 1995 que o PS esteve no poder 15 anos. Durante esse período destruiu-se com um enorme sentido de irresponsabilidade a possibilidade de Portugal se aproximar da média Europeia.

Apesar do dinheiro que entrou a rodos, os nossos fantásticos gestores conseguiram criar um tal aumento de despesa que não era possível em 2011 que Portugal vivesse sem dinheiro emprestado de emergência.
Os custos com a saúde dispararam, os custos com a educação dispararam e a Segurança Social começou a mostrar sinais preocupantes de falta de sustentabilidade.

Fizeram-se obras públicas em regime de parceria com contratos absolutamente ruinosos para o Estado e que hoje é mais ou menos consensual que não faziam assim tanta falta.
Apesar dum breve período do PSD com Durão Barroso, o período haveria de ficar célebre pelo discurso da tanga. Afinal. como tinha razão Durão Barroso. E como foi olimpicamente ignorado, talzvez pela sua fuga cobarde e interesseira para lugares mais altos.

Quem veio a seguir a ele, pela mão de um Presidente "de alguns portugueses" e dum senhor economista que fazia contas de deficit  em previsão com precisão às centésimas, fez ainda muito pior.
Ignorante em praticamente todas as matérias rodeou-se de gente mais disposta a agradar do que a dizer as coisas como elas são. Não é por acaso que Campos e Cunha esteve brevemente no lugar, certamente não concordando com um papel de mero fantoche nas mãos de Sócrates.
Para isso haveria de ser escolhido Teixeira dos Santos. Por muito professor e por muitos pergaminhos que tenha, ficará para sempre no Hall of Fame dos infames pela sua falta de coluna dorsal e por ter deixado chegar o país a um ponto sem retorno.

A gestão socialista caracterizava-se por varrer problemas para debaixo do tapete. Desorçamentar desavergonhadamente com o beneplácito da UE. Que apenas fingia que fiscalizava as contas.
Em tempos de abundância não se fazem perguntas difíceis. Mas em tempo de vacas magras já foram capazes de rever sucessivamente em alta alguns dos deficits mais vergonhosos que um governo PS alguma vez produziu.
A crise internacional é a desculpa oficial dessa gentalha. A crise e o chumbo do PEC IV. Essa é a "narrativa" do PS de hoje.

Dizem bem que os partidos não ganham eleições. São os governos que as perdem. E neste país quando existir um governo que tente por as coisas direitas irá sempre perder as eleições.
Porque por as coisas direitas significa ajustar desequilíbrios enormes criados ao longo de quase 40 anos.
O que importa que haja cada vez menos alunos e se mantenham professores? O que interessa que a Segurança Social seja insustentável pelo cada vez menor número de gente a trabalhar para sustentar os pensionistas?
O PS no seu discurso intrinsecamente mentiroso diz defender estas coisas quando sabe que não tem outro remédio senão resolvê-las. E para as resolver só há uma maneira. Reduzir os funcionários públicos e reduzir as pensões. Se isso não acontecer só há uma forma de sustentar tudo isto: aumentar os impostos. Mas é o mesmo PS que diz que a carga fiscal deve descer.
Já se sabe que quando chegar a hora irão ver qual das medidas causa menos impopularidade. A subida de impostas desagrada a mais gente que a redução de funcionários. E uma redução superior às aposentações, que não conseguem de forma nenhuma chegar em tempo útil aos números necessários para o equilíbrio.

E convenhamos que na administração pública há milhares de pessoas que não sabem sequer o que é trabalhar. Por ali andam anos a fia, faltando, cumprindo rigorosamente a hora de saída e de entrada e deixando para os colegas a carga de trabalho que lhes competia. Vistas bem as coisas haverá pelo menos uns bons 20% de funcionários públicos que terão muita dificuldade em justificar o que ganham.

Mas nestas vacas sagradas não se pode mexer. Estas vacas sagradas estão constitucionalmente protegidas contra despedimentos. Sejam eles maus como a ferrugem ou francamente incompetentes.
É um lobby demasiado poderoso para um Governo enfrentar.

E é por isso que quando um governo pretende mexer naquilo que precisa de ser mexido saltam todos a terreiro invocar falta de legitimidade.
E perante a incapacidade de fazer alguma coisa que muitos portugueses dão consigo a desejar que esta democracia vá para o raio que a parta. A desejar que pudesse aparecer alguém com mão de ferro a fazer aquilo que tem de ser feito. Para que o país possa ser minimamente viável.

Claro que há formas de tornar o país sustentável. Bastaria para isso denunciar contratos abusivos e accionar judicialmente os responsáveis pela bandalheira a que se assistiu durante estes 39 anos de democracia.
A despesa do Estado cresceu a níveis insustentáveis porque existe gente a mamar em todo o lado.
São as empresas "amigas" que estão sempre à espera do contrato do Estado, são as artes e a cultura que não existem a não ser para ficar com uma fatia do bolo, são os escritórios de advogados que cobram milhões para fazer contratos "furados" que deveriam ser feitos pelos juristas que os ministérios têm nos seus quadros. São as consultoras que fazem "estudos" até para saber se vale a pena ter máquinas de café nos serviços.

Se cortassem toda esta gordura inacreditável sobrariam milhões por ano para gastar naquilo em que deve ser gasto. Se se livrassem dos pequenos e grandes corruptos no seio do Estado (e no poder autárquico em particular) o estado português não teria deficits. O drama é que os partidos precisam de agradar a estas clientelas para se perpetuar no poder. O mal parece ser, portanto, desta democracia que mais não é que uma ilusão de democracia para servir alguns com a coisa pública.

Se algum governo tem legitimidade para actuar é este. Foi eleito em maioria e com a intenção de reformar um estado em situação de ruptura. Pouco me importa que Passos tenha dito que não ia mexer no subsídio de Natal. Já mo levou e já não penso mais nisso. Mas se olharmos essas afirmações para dizermos que um governo não tem legitimidade, então não há um governo desde o 25 de Abril que se possa considerar legítimo.
A legitimidade advém do voto. E este governo teve esse voto. Teve o voto de muita gente que desejava ver-se livre do Sócrates e da sua pandilha de incompetentes. Teve o voto daqueles que acham o PS completamente incapaz de gerir um país. Ou incapaz de assumir as suas responsabilidades inventando "narrativas" elaboradas para se isentar de culpas.
A legitimidade deste governo advém da necessidade absoluta de termos alguém que governo sem o olho nas eleições seguintes. Alguém que governe equilibrando as contas do país e fazendo-nos sair deste atoleiro corrupto e fétido em que o PS tornou este país.

Soares já cá não vai andar muito tempo. Mas a memória do que ele fez e que agora esquece vai perdurar. Ele foi o primeiro de muitos socialistas aldrabões e incompetentes que este país já viu. Este que está em funções parece ser ainda mais incompetente e incapaz do que os que o precederam. Uma verdadeira calamidade.
E desenganem-se aqueles que pensam que Seguro alguma vez chega a primeiro ministro. Será substituído por um qualquer palhaço socialista com sede de poder. A questão que se colocará nas próximas eleições é quem vai enfrentar Passos Coelho. Não é se Seguro é mais capaz que Passos Coelho. Seguro será erradicado do PS e então veremos se não temos um digno sucessor da linha socratista a arriscar-se a ser 1º ministro. Aí sim a questão da legitimidade terá de se por.

Mas até lá muita água vai passar debaixo da ponte e mais vale esperar sentado para ver o que acontece.
Para já as contas públicas estão francamente em melhor estado do que estavam em 2011. Para já Portugal não está na situação em que a oposição gosta de fazer acreditar que está.
Se a solução não vier de dentro, não esperem que  a Europa nos salve por solidariedade.


O ex- sindicalista que "não fez nada"

Um pobre homem, ex dirigente sindical e já reformado, foi ontem brutalmente reprimido quando se manifestava.

Sem qualquer razão aparente, as forças policiais repressivas ao serviço de um governo ilegítimo prenderam o pobre homem perante a fúria de milhares de manifestantes e trabalhadores.

A única coisa que este homem fez foi segurar um cartaz a exigir a demissão imediata do goveno durante um evento em que iria estar presente Assunção Cristas.

Assim se demonstra como a repressão está a voltar, limitando a liberdade de expressão da esmagadora maioria do povo português

Neste vídeo podem confirmar a brutalidade das agressões da polícia e a completa inocência do trabalhador "em luta"

Agora fora de brincadeiras.
Um individuo que faz isto não devia fazer o tribunal perder tempo. O que vai acontecer é uma multazeca e o estatuto de mártir da revolução.
Pergunto-me se não é por isto que certos individuos "caem nas escadas"  ou "escorregam" nas inúmeras esquadras deste país.
Consigo compreender a vontade que o agredido terá de lhe partir a cara e admiro a contenção.

Diferenças de opinião

Ontem Carlos Costa foi ouvido numa comissão parlamentar acerca da situação económica.

E a minha primeira estranheza é a ausência completa de notícias no Público acerca das suas declarações. É no mínimo estranho que um jornal como o Público não tenha uma notícia sobre as importantes declarações que proferiu.

A segunda estranheza é a forma como outros jornais realçam aspectos perfeitamente laterais das suas declarações. Na verdade o i dá mais realce às patéticas declarações de Honório Novo acerca da expectativa de Costa poder vir a ser ministro das finanças.
O jornalista do i terá ouvido o mesmo que eu, mas nem sequer acertou nas declarações de Honório Novo, escrevendo:
O deputado comunista, Honório Novo acusou hoje o governador do Banco de Portugal de querer ser primeiro-ministro de Portugal, uma sugestão que Carlos Costa afastou, depois de considerar como um desafio futuro a "demagogia no debate público".
Se olharmos para Costa como um especialista em economia, poderemos dizer que as suas opiniões são iguais ou até um pouco mais importantes que muitas opiniões de economistas que nos são servidas todos os dias nos media. Mais importantes pelo seu papel e pelo seu grau de conhecimento dos números e do assunto em discussão.

Mas curiosamente, a esquerda que prontamente acusa outros de bias, aceita de bom grado todas as opiniões que ilustrem a sua visão catastrofista da realidade. Estas frases são bem ilustrativas do que quero dizer:
Na sua apresentação, o governador do Banco de Portugal considerou que, entre os desafios da economia portuguesa nos próximos anos, está a “tendência para o imediatismo e demagogia no debate público”.
“Em que critérios técnicos se baseia para que um dos cinco elementos que são os desafios seja a tendência para o imediatismo e a demagogia do debate político. Em que estudos econométricos se baseia para colocar esta questão?”, interrogou Honório Novo.
O deputado do PCP sugeriu ainda que também deviam ser incluídos como desafios a “tendência para a falta de informação, para o secretismo e para a parcialidade na análise da situação económica”.
 A parcialidade da análise é sem dúvida um atributo da esquerda. Todas as opiniões são válidas desde que sirvam os seus propósitos, mas se for uma opinião diferente (e nem digo contrária) já é manchada de sectarismo.

A coisa foi tão longe nesta comissão, que o imbecil Galamba manifestou que gostaria de ter visto o mesmo grau de tolerância para com as medidas de governos anteriores.

Existe uma diferença básica. Os governos anteriores fizeram o que fizeram de forma quase dolosa. Não quiseram saber das consequências que se avizinhavam. Persistiram teimosamente num caminho que só podia ter um desfecho - a banca rota.

Este Governo tem também uma "teimosia" . E é a de por as contas em ordem. Coisa que ninguém discute ser absolutamente vital. A diferença é que os meios de atingir o objectivo são muito diferentes. Ao ponto de alguns nem permitirem atingir o objectivo. O que não é nem mais nem menos aquilo que nos pôs na banca rota.

Um post no Blasfémias ilustra bem o disparate e a incoerência das medidas abundantemente propostas pela esquerda: Soluções para a crise

As soluções da esquerda vão desde o ridículo ao alienado. Do PS ouvem-se intenções de emprego e crescimento, como se houvesse uma varinha mágica que permitisse fazer isto e ao mesmo tempo respeitar integralmente o acordo assinado. A única conclusão que se pode tirar é que é mais uma promessa ao estilo PS. Enganar os tolos para lhes dar a austeridade na mesma e declarar a dada altura que a culpa é de outros - crise internacional, humor dos agentes económicos etc etc.
O caso do PCP e do BE são tão admiravelmente ridículos que quase nem vale a pena comentar. É no entanto de realçar o facto de esta gente achar que tem o direito a pedir emprestado e depois a declarar que não paga.
Não é nada que se estranhe de gente que acha que tem "direito" a viver do dinheiro dos outros. Só que os outros somos nós que acabamos por levar com a carga insuportável de ter de pagar as loucuras proto comunistas que estão arreigadas no nosso pais desde 1974-1975. Da sua vontade de expropriar os bens a uns para viver deles não há nenhuma novidade. Foi assim que fizeram a seguir ao 25 de Abril e conseguiram falir um dos países com maiores reservas de ouro e em pleno crescimento económico em 2 anos e pouco.
Diz bem da capacidade e do grau de competência e capacidade de pessoas como este Honório Novo que parece ser incapaz de ouvir outras opiniões sem tentar encontrar razões escondidas. E muito malcriadamente devo dizer.
Carlos Costa foi duma delicadeza na resposta que eu nunca teria.
Aliás, Galamba também não teria ficado sem resposta. E Carlos Costa devia ter dado o dois a zero a esse puto imberbe e deslumbrado com o seu estatuto de wizzkid. (O meu prolongado aplauso para o Governador do Banco de Portugal).

O que se retira de tudo isto é a incapacidade de lidar com opiniões adversas à agenda política desta gente. Se estão a favor deles, ou se declarações de alguém podem servir os seus propósitos, estão certas. Se forem diferentes estão erradas ou o seu "emissor" está a fazer-se a um "lugar".

Não admira que o PS tenha passado a um discurso de bajulação do CDS, esperando ansiosamente que quando chegue o dia das eleições não tenha de fazer alianças com esta esquerda ante diluviana anquilosada e senil.

7 ou 17 magníficos

Já em situações anteriores se tinha assistido aquilo que hoje se assistiu. Por duas vezes.

Começou a tornar-se moda boicotar membros do Governo em qualquer situação em que tentem falar.
É uma forma de protesto e um direito de todos, mas os direitos têm de ser exercidos de tal forma que não ponham em causa o direito dos outros.

E esta mania de protestar em eventos como hoje aconteceu, espezinha por completo o  direito dos outros.
Começamos a assistir a algo que não deixa de ser extraordinário. Meia dúzia de gatos pingados, com mito pouca representatividade social, não deixam que o Governo ou ou seus membros falem publicamente qualquer que seja a circunstância.

E não é apenas interromper o discurso. O insulto está presente nestes casos. A atitude caceteira, desrespeitadora está sempre presente e bem ensaiada.

À falta de resultados práticos duma luta sem fim e cada vez menos mobilizadora a esquerda nas suas 140 incarnações  usa agora a estratégia da redução ao silêncio.

E os visados não sabem o que fazer perante uma situação assim. Vimos isso com Gaspar, e agora com o secretário de Estado dos transportes. Ora são gentes do movimento que se lixe a troyka ora são sindicalistas vermelhuscos. O resultado e os métodos são sempre os mesmos e bem ensaiados. E sabe-se obviamente qual é a mão que está por detrás de todas estas manifestações.

E assim basta um punhado de indivíduos à caça de todo e qualquer evento na agenda dos membros do Governo, para que seja completamente impossível qualquer um deles falar.
Como dizia um conhecido meu, israelita, bastavam 365 bombistas suicidas num ano para tornar a vida impossível a toda a gente em Tel Aviv. A escala do efeito é multiplicada pelo efeito mediático e psicológico nas pessoas.

Aqui o princípio é o mesmo. Bastam os mesmos 10 ou 15 tipos a fazer a ronda das palestras e congressos para que consigam bloquear completamente a comunicação do Governo.

Mas esse efeito não decorre duma enorme falta de tolerância e de sentido democrático destas pessoas? Sim. Como é que se pode construir alguma coisa com gente que tem por principal meio de acção silenciar os outros?

O "inútil"

Há coisas que me deixam de cara à banda.

Existe uma tendência neste país para avaliar as coisas da forma mais superficial possível.
Não é raro ouvirmos coisas como "tem o perfil", "comunica bem" ou "tem boa imagem".

Estas têm sido as linhas de orientação da nossa política (e não só) nos últimos 30-35 anos.
Talvez por isso as escolhas resultem quase sempre num descida inexorável aos infernos. Fala-se muito de meritocracia mas a verdade é que o mérito tem muito pouco a ver com a forma como são escolhidas ou avaliadas as pessoas e o seu trabalho.

Este país de faz de conta fez com que a nossa sociedade dê valor a coisas que são tudo menos a substância. São apenas a "casca".

Para os que julgam que isto é só um problema na política desenganem-se. O sector privado viveu e vive há anos a cultivar esta forma de fazer as coisas. Há um chorrilho de incompetentes em lugares cimeiros nas organizações cuja única preocupação é obter o maior número de vantagens para si e passar a responsabilidade das asneira aos outros.

Esta cultura do "faz de conta" veio para ficar. Mesmo perante os resultados catastróficos dessa opção ainda temos pessoas a fazer apreciações sobre outras baseadas em "impressões", "perfil" e disparates semelhantes. Muito raramente a competência técnica á chamada à discussão.

Marcelo declarava hoje que Gaspar devia ser demitido porque passou de útil a inútil neste Governo. Provavelmente como Teixeira dos Santos passou de ser útil aos propósitos de Sócrates e passou a ser maldito quando a troyka chegou a Portugal. Quase parecia que a culpa era unicamente dele.

Marcelo alinha pelo mesmo diapasão e segundo ele Gaspar começou por ser útil por causa da sua imagem internacional. Hoje deixou de o ser porque lembrou que os juros da dívida e porque o faseamento do pagamento da mesma causava picos altamente prejudiciais em 2 anos do seu prazo.
Segundo ele o PSD e o CDS assinaram o memorando e Catroga "até disse" que tinham conseguido uma série de melhorias que de outro lado não teriam sido obtidas.

Quanto aos juros não duvido que houvesse pouco a fazer mas quanto a expressar a opinião acerca dos detalhes técnicos do acordo não creio que isso o possa tornar inútil para o Governo. A não ser por questões de "comunicação".
Marcelo parece estar mais preocupado com a "imagem" e a comunicação do que com a competência de Gaspar, tido por muitos como o melhor ministro das Finanças desde o 25 de Abril. Tanto mais que foi o que apanhou o  pais no pior estado possível desde essa altura.
Conseguir recuperar a confiança dos nossos credores e ao mesmo tempo conter o despilfarro de dinheiro não é uma proeza pequena. É tão somente uma proeza que nenhum conseguiu antes, o que diz bem da qualidade do ministro.

Claro que num cenário assim a retracção do país é inevitável. Porque existem efeitos colaterais e porque o "sentimento" das pessoas não é o melhor. O que não quer dizer que o que Gaspar fez não seja indispensável e bem feito.

Para Marcelo parece que basta um qualquer para ministro, uma vez que a questão da competência é menos relevante do que a questão de imagem e comunicação.

E isto é bem revelador da forma como Marcelo e outros dentro do PSD ( e desconto os que estão fora porque estão sempre do contra e pretendem o poder a todo o custo) olham para a política e para a gestão de um país. Manter as hostes contentinhas e garantir com gestos eleitoralistas um clime conducente à vitória nas eleições seguintes.
O facto de o país estar falido é para eles irrelevante e um obstáculo intransponível nas eleições. Que é a única preocupação desta gente. O país que se f***. Não podemos é desagradar a quem tem o poder de criticar e criar ruído de fundo.

O estado do país não é alheio à forma de pensar de pessoas como Marcelo. E nem sequer é alheio à sua actuação como político.

Hoje também Pacheco Pereira usava o seu espaço televisivo para dissecar um discurso de Passos Coelho para concluir que ia haver despedimentos na função pública.

O espaço televisivo de incontáveis personagens da nossa vida política tornou-se numa forma de acertar contas a coberto do comentário ou do pendor mais ou menos "cultural" desses espaços.

Mas se olharmos bem, com atenção, a inutilidade dos personagens em apreço torna-se perfeitamente evidente.
Não contribuem para a solução do problema, apenas o agravam. Parecem aqueles tipos ridículos nas reuniões de condomínio ou nas reuniões de pais que se acham sempre mais espertos e passam a vida a comportar-se como aquilo que são. Uns empata fo*** inúteis e absolutamente irritantes.

O sectarismo

A maior parte das discussões a que se assiste nestes tempos por qualquer que seja razão estão completamente carregados de uma doença terrível. O sectarismo.

E é um pouco mais que o sectarismo dos estúpidos. É o sectarismo de todos os sectores da nossa vida política.

Mas o que me leva a escrever isto é o sectarismo dos estúpidos. E vem a propósito da demissão dos responsáveis pela contratação de swaps tóxicos nas empresas públicas.

O montante da desgraça ascende ou pode ascender aos 3.000 milhões de euros. Estas pessoas assinaram contratos que iam muito para lá da cobertura de risco de subida de juros. Usaram estes mecanismos com enorme ligeireza para obter mais valias.

E espetaram-se estrondosamente. Fazem contratos de casino e esperam ganhar à banca.

Já dois secretários de Estado tinham saído do Governo por terem estado envolvidos neste negócio chorudo para a banca.
Agora chegou a vez daqueles que ainda estavam à frente de algumas das empresas e é porventura a primeira vez que alguém sofre consequências de acções negligentes ou irresponsáveis.

Isto é a todos os títulos uma coisa correcta. É uma decisão acertada a tomar tal como foi em seu tempo não ter candidatos a eleições que estivessem sob investigação criminal (Marques Mendes e o caso Isaltino).

Mas se dos partidos se ouve "silêncio" pela justiça da decisão (a não ser do Bloco que ainda queria mais), do cidadão comum não se espera a mesma apreciação.
E porquê? porque o cidadão comum está mais apostado em especular e condenar do que em saber a verdade dos factos.

Nos comentários a estas notícias o resultado é surpreendente. Criticam o Governo por lhes atribuir compensações pela demissão (!!). Coisa que não aconteceu e é muito pouco provável que venha a acontecer.
Mas o "cidadão comum" não se rala com esses pormenores. Quando impregnado de uma fúria homicida contra alguém, a verdade não interfere nas suas apreciações. Quando se está contra tudo o que de bom que a outra parte possa fazer, não o é.

E como perante os factos não há muito de mau a dizer, a não ser aplaudir, inventam-se factos futuros não confirmados e com toda a probabilidade falsos. Um passo que a oposição ainda não se atreveu a dar.
Critica-se portanto aquilo que o Governo não fez e provavelmente nunca fará para diminuir, e até estar contra, o gesto inédito no nosso Estado de afastar gente responsável por perdas deste calibre.

O passo seguinte seria uma investigação para apurar a negligência ou dolo na assinatura destes contratos. Mas isso cabe agora à justiça. Estas pessoas deviam sentar-se no banco dos réus fosse por crime ou por danos patrimoniais. Até ao dia em que um destes tipos perca a sua casinha e o seu carrinho e seja condenado a um estado de miséria não haverá lições para tirar de casos como este.

Até ver, o gesto é digno de aplauso. Só não o quer ver quem consegue ser mais sectário do que as forças políticas que apoia.
Agora imaginem o que seria o poder "popular" com gente deste calibre, com intelectos de galinha a acusar e julgar os outros.

les uns et les autres

Andamos envolvidos num nevoeiro mediático que não deixa ver praticamente nada.
Não é fácil descortinar o que é manipulação daquilo que é factual.

Temos de um lado um governo eleito em 2011 a governar em coligação com o suporte maioritário da Assembleia da República.
Estas situação decorrei duma maioria de votos, tal como outras governos antes dela, e no dia a seguir à eleições ninguém ousaria duvidar ou dizer as coisas que hoje se ouvem.

A legitimidade decorrente do resultado eleitoral, a inquestionável necessidade de equilibrar as contas do país com um garantido sacrifício de todos nós eram questões claras para todos.

Então como é que dois anos depois temos gente a declarar a ilegitimidade do Governo ou a apelar constantemente a um derrube ou demissão do mesmo. Como é que chegámos ao ponto de ter um dos mais incompetentes primeiros ministros de sempre, autor de uma austeridade à data inaudita a apelar a uma rebelião popular?

A argumentação das promessas não cumpridas não colhe. O estranho da vitória do PSD de Passos foi o facto de ele dizer repetidamente que iríamos ter de fazer sacrifícios. Não o escondeu de ninguém. De tal forma o fez que uma conselheira de campanha afirmava que tinha sido a primeira vez que tinha visto alguém ganhar dizendo a verdade crua e dura.

Claro que houve coisas que o Governo não podia prever. Não só porque é hábito haver pouca transparência naquilo que os Governos fazem, como nesse particular Sócrates foi muito além de todos os outros. Muitas das suas iniciativas propagandeadas abundantemente, não eram mais nada que buracos imensos e desorçamentação desavergonhada.
A noção do estado em que se encontravam as contas do Estado não aconteceu no 1º dia. Foi acontecendo. Desde a dívida inacreditável no sector dos transportes até à loucura da Parque Escolar ou à inexist~encia de financiamento da Rede de Cuidados Continuados, de tudo Sócrates fez. E, infelizmente, em segredo.

Não era possível tomar as rédeas sem ter de incorporar estas loucuras nas contas nacionais. Nem a Troyjka deu descanso ao Governo neste aspecto. Muito do que era despesa desorçamentada e dívida teve de ser incorporado nas contas do orçamento.
Aquilo que eram deficits maus foram revistos para deficits muito piores.

No PS os que hoje invocam a queda do Governo não o fazem pela necessidade ou não de austeridade. Eles sabem que não há volta a dar. Até o seu herói bufo o percebeu. Hollande tornou-se odiado num ano. Preferem não falar nisso. Invocam antes as promessas não cumpridas. Nada querem saber das causas do problema nem do estado em que Sócrates deixou as contas do país.

Erradamente o PSD e o CDS querendo fazer uso duma espécie de superioridade moral, nunca enveredaram pelo caminho da real culpabilização dos governos anteriores. Puseram-se numa posição em que o importante era resolver a situação presente.

Mas esquecem-se que a esquerda e em particular o desavergonhado PS, não lutam com armas iguais.
Para eles os limites no discurso não existem. Mentem, manipulam, escondem e prometem utopias que são impossíveis de cumprir.

E vêm colocando este Governo numa posição em que teria de se defender todos os dias destas acusações e ataques diários através dos media. Como isso é quase impossível nada fazem. Agravando a ajudando a recrudescimento do ruído de fundo constante.

Aquilo que seria impensável passa a ser um tema de conversa diária. A demissão do Governo. Por perda de legitimidade como afirma Mário Soares e outros.

O PSD e o CDS cometeram um erro básico. Não se pode ter uma luta de cavalheiros quando um dos interlocutor é tudo menos um cavalheiro. Como dizem os americanos: "don't bring a knife to a gun fight". Nessas circunstâncias só há uma opção: ira para cima deles com mais força do que eles esperam e atacar primeiro.
Numa luta de rua a iniciativa e a surpresa são o mais importante. E no primeiro murro o combate deve acabar. E a táctica da esquerda é tão básica e tão comezinha que qualquer idiota dotado de um intelecto abaixo da média a consegue usar. Veja-se Zorrinho ou Jerónimo ou Semedo. Um discurso básico, confrontativo e mentiroso. Há alguma dificuldade nisso? Não, nenhuma.

O PSD espera travar uma luta com regras de boxe com um tipo que tem uma navalha na mão e quer esfaquear abaixo da cintura.
É um erro.

A esquerda sabe usar a agitação e a mentira a seu favor. Sempre o fez. Nunca subiu ao poder por meios pacíficos ou usando a verdade. Nunca se manteve no poder sem produzir os mesmos resultados: a miséria e a falta de liberdade.
Têm uma experiência de um século afazer isto.

A direita (e afinal nem é assim tão direita) tem de aprender a atacar primeiro. Não estamos a falar de um diálogo democrático entre gente de bem. Estamos a falar de ir à garganta de pulhas mentirosos sem dar quartel. Estamos a falar de trazer para a rua todos os escândalos e má gestão que aconteceram na gestão socialista. Com linguagem simples. Eles usam o "roubo", "manigância" "esquema" etc etc. Chegam aos tolos que vivem esperando por sangue.

Deviam usar a mesma táctica. E é de facto só uma questão de táctica. Não é um problema de falta de factos, porque esses estão aí para toda a gente ver.

Permitir que eventos como este a decorrer na Aula Magna aconteçam sem uma resposta contundente é dar o corpo ao manifesto. Permitir que gente como Pacheco Pereira ou Rui Rio sejam usados para agredir o Governo é uma infantilidade.

Nenhum dos dois quereria estar numa posição de governar. Porque não é fácil e porque estão mais preocupados com não queimar a sua imagem do que em ajudar a resolver os problemas do país. Tratem-nos como tal. 

Acabem com as filigranas, os "cházinhos" e o politicamente correcto. Estamos a precisar de uma contra ofensiva que exponha até ao limite TUDO o que é o PS e tudo o que foram personagens como Soares.

Se não houver um contra ataque com armas iguais, um que exponha aquilo que se conseguiu de bom, nunca esquecendo os efeitos colaterais que foram mitigados, não teremos qualquer hipótese como país.
É que, e já devem saber isso, os estúpidos votam em quem lhes promete facilidades. E é exactamente o que esta esquerda inútil não se cansa de fazer. E depois pode ser tarde demais. $ anos até o povo perceber nas mãos de quem caiu. Até o estúpido povo perceber que vai voltar a pagar os desmandos de uma chusma de ladrões e incompetentes.

Soares em 1976

Apesar de Soares estar caquético não acredito que a sua falta de memória seja um caso médico. Acredito sim que é apenas uma faceta da sua falta de vergonha e da sua falta de honradez.

Como primeiro ministro foi uma calamidade para o país. O princípio do fim. Como Presidente da República portou-se como um monarca. Como ex-político porta-se como um pulha. São apenas 3 gradações da sua personalidade, da sua ética republicana e da sua "sensibilidade pelos que sofrem".

Em 1976 fez tanto ou pior do que este Governo está a fazer. Desde a austeridade até à constatação de que o Estado como patrão era uma verdadeira miséria ou à constatação de que as greves (cujo ressurgimento vemos agora todos os dias) eram fortemente lesivas para o aparelho produtivo e em ultima instância para o país.

A memória é muito curta e muitos dos que já eram nascidos e grandinhos nessa altura pouco se lembram. Dos outros, daqueles que nasceram já ia alta a desbunda, formatados pelo palavreado comuno histórico que lhes meteram na cabeça ao longo dos anos nada se pode esperar.

Mas é bom que se revisite a história daqueles que são hoje considerados "senadores" e grandes políticos.
Daqueles que hoje, por meras razões de poder se atiram à garganta deste governo por causa da austeridade. Forçada pelos sucessores de Soares, gente sem vergonha nem sentido de responsabilidade.

Para ver e ler as palavras de Soares em 1976 em toda a sua glória visitem esta página:
Mário Soares, um desmemoriado a quem só interessa o poder

É verdadeiramente elucidativo de quem é Soares e da sua falta de coerência e pudor. Mostra bem a pessoa que o jornalismo tem endeusado ao longo destes anos.

Como sempre, desprezível. É este verme que quer agora "federar" a esquerda para combater a austeridade. Primeiro ministro em duas falências nacionais e mentor da 3ª.

Ana Lourenço e a senilidade

A preocupação dos dias que correm parece ser a convergência da esquerda para encontrar uma "solução" para a crise.
A crise no entender deles não é bem a mesma que muitos de nós pensam que é. A crise para eles é não estarem no poder. Tout court.

Tive hoje que gramar o palavroso Vitor Ramalho, irrelevância máxima do regime, sempre debitando um discurso redondo e cheio de trivialidades, a ser entrevistado por Mário Crespo. Gostava que um dia Ramalho me explicasse como é que a nossa "grandiosa" língua portuguesa pode ser uma solução para a crise. Mas este mundo está cheio de parvos e Vitor Ramalho não merece assim tanta atenção.

Minutos depois Ana Lourenço entrevistava Mário Soares. E que maravilha que foi.
Compreendo que ela tenha algum pejo em ser acutilante com o velhinho, mas tanta deferência é muito pouco próprio dum jornalista.

Sabendo nós o que sabemos da sua actuação e palavras em situações semelhantes, porque é que há tanto medo em confrontá-lo com as suas próprias palavras? Certamente ele diria que não era de todo a mesma coisa, mas pelo menos uma citação das suas palavras seria bem ilustrativa da hipocrisia de quem critica todos os dias um governo que apesar de não actuar de forma brilhante, ganha seguramente com a comparação do que fomos tendo com Guterres e Sócrates.

Gostei especialmente como ele deu a volta aios disparates que tinha dito dias antes sobre a chantagem a Portas. Afinal era só ele que presumia que isso era a única possibilidade e nem sequer sabia se era com os submarinos. No entanto no i não se coibiu de associar o ressurgimento do caso na imprensa a essa suposta "chantagem".

Ficámos a saber também que Pacheco Pereira representa 2/3 do PSD. O que não deixa de ser fascinante. Sendo ele um outcast do Partido em constantes querelas com todas as direcções partidárias de que tenho memória. Ora se ele representa 2/3, como raio esses 2/3 votam sempre em direcções que ele não gosta? Mistério.

Soubemos também que o PSD quis entrar para a Internacional Socialista mas o PS não deixou porque já lá estavam eles. Engraçado se pensarmos que por essa altura o PS era bem mais à esquerda e bem mais radical do que é hoje. Pensar que nessa altura o PSD era mais próximo do PS do que é hoje só pode ser motivo de riso.
A tentativa de colocar a lisonja em momentos chave (Portas é inteligente ou invocar a memória de Sá Carmeiro) parece ser para Mário Soares uma forma de conseguir apoios anti Passos quer do PSD quer do PP.

Um bocado patético tudo aquilo. A táctica tranparente, o discurso manipulador pontuado por um sem fim de vulgaridades das quais se destacam coisas como "o governo ten de se ir embora" ou "o apoio de Cavaco ao governo não é bom para ele" etc etc.

No fim de contas o que sobressai é um intelecto em fuga rápida, um discernimento muito aquém do que seria minimamente aceitável e uma jornalista que podia muito bem ser um cãozinho de colo à espera de uma guloseima.

Mas enquanto Soares puder servir a agenda editorial e pessoal de alguns jornalistas não vai faltar quem lhe ponha um microfone na frente. Nunca o confrontando com os seus próprios podres (e são muitíssimos). Isso não se pode fazer ao "senador". Instigá-lo para falar dos podres os outros, isso sim é jornalismo do mais alto quilate. Uma vergonha absoluta, é o que é.

PS: Seguro ficou "chocado" com os números da OCDE. Entre ficar indignado e chocado deve ter uns dias de arrasar. Junte-se a isso a "sensibilidade" e ainda temos o primeiro candidato a 1º ministro que sai do "armário" em plena campanha eleitoral para ver se conquista o voto da comunidade gay. O pobrezinho é realmente uma nulidade.

Incompetentes, mentirosos e irresponsáveis

Hoje no parlamento Vitor Gaspar teve a oportunidade de dizer que a actuação do PS nos anos que antecederam o pedido de ajuda e a forma como o mesmo foi negociado, fragilizaram a posição do país e causaram problemas que foi necessário ir resolvendo ao longo destes dois anos.

Negociar com a troyka de mão "estendida", no limite da ruptura de pagamentos de salários, levou a que fossem aceites condições e taxas de juro que foram muito  prejudiciais. A teimosia em admitir que o país ia necessitar de ajuda externa e a insistência recente de que o PEC IV resolveria todos os problemas, fez com que por exemplo a amortização da dívida incidisse de forma muito vincada em 2016 e 2012.

A renegociação destes pontos fez com que se pudesse atenuar o impacto nestes dois anos. Esta renegociação só foi possível 2 anos depois e após um período de demonstração de cumprimento por parte do Governo em funções. Ganho de confiança esse conseguido à custa de uma grilheta quase insuportável para a população do país.

O PS, sempre alijando responsabilidade de todo o mal que causou, acusa gaspar de tentar encontrar bodes expiatórios. O que não deixa de ser curioso, uma vez que é precisamente o que o PS faz desde o dia em que foi posto fora nas eleições.

Primeiro foi a crise internacional, depois foi a não aprovação do PEC IV, agora é a má gestão deste governo que causa os nossos problemas.
Nunca fez um mea culpa, sempre protegendo o seu criminoso líder de então e tenta de formas "criativas" fugir à sua mais que evidente responsabilidade.
A ajudar esta desavegonhada desculpabilização pontuam alguns que escolheram o governo como alvo, seja por razões ideológicas seja por razões bem mais mesquinhas.

Não há um dia que passe em que não ouçamos um qualquer pateta pretensioso a qualificar de péssima a gestão do Governo. A maior parte deles conseguiu fazer tão mal ou pior. Tudo o que seja passado quer por parte do PSD quer por parte do PS foi responsável pelo estado completamente insustentável deste país.

Recuperar as asneiras de 15 a 20 anos de asneiras em apenas 2 é uma tarefa impossível. E é ainda mais impossível no meio da tempestade de antagonismo que se vive.

Mas mesmo admitindo que a memória é curta e que podemos não nos lembrar de Guterres ou mesmo de cavaco, Sócrates é acima de qualquer dúvida aquele que desferiu o golpe de misericórdia no país.

Rodeou-se de tudo o que era lixo semelhante a ele. Agarrou no partido com mão de ferro e eliminou toda a contestação interna. Depois foi um ver se te avias de desbarato, más decisões e a mais puro desrespeito pela coisa pública. No entretanto criou fortunas de amigos e a sua.

A quantidade de casos estranhos em adjudicações de serviços pelo estado não tem fim. Do que se soube dá para perceber até que ponto Sócrates governava num mundo de faz de conta. Sem contestação, sem escrúpulos.

E hoje, perante todas as evidências de gestão danosa de um país, temos estes incompetentes a atribuir culpas à crise, à não existência do PEC IV e a um sem fim de razões para justificar a sua incompetente negociação (mais uma) com a Troyka. Dão mesmo um salto tentando confundir o sofrimento do ajuste causado pela sua má gestão com as consequências da sua má gestão. Chamam-lhe "narrativa", como se por acaso pudessem existir duas versões da realidade.

Agora que Seguro tem estado calado, talvez por perceber que é melhor estar calado do que dizer disparates, existem estes badamecos para ir passando a sua versão da realidade.

Deviam ser pura e simplesmente ser trucidados verbalmente por Vitor Gaspar e pelo PSD. Que necessidade há de consenso com alguém que é mentiroso, incompetente ou ladrão? A única coisa consensual é por essa gente atrás das grades. Varrê-los da administração pública do parlamento e das empresas. Congelar as suas contas bancárias e verificar ao tostão tudo aquilo que fizeram ou ganharam nos últimos 15 anos. Sem apelo nem agravo.

A chantagem

Mário Soares não está bem. Definitivamente a idade não perdoa.

Mas a demência que começa a ser mais ou menos aparente trouxe-lhe o dom de despejar da boca para fora tudo o que lhe vai na cabeça. Sem filtros e sem nenhuma noção de que ao dizer certas coisas se retrata a ele próprio.

Quando afirma no i que quando Portas começou a ponderar a sua presença no Governo foi chantageado com o caso dos submarinos e dos Pandur, o que Soares afirma implicitamente é que esse pode ser um dos modus operandi da política. Talvez o seu, não me estranharia nada.

Tenta ligar o facto ao ressurgimento mediático do caso dos submarinos.

Não há um caso de compra de material de guerra neste país que não esteja envolto em suspeitas. As contrapartidas nunca são cumpridas, a adequação do material comprado às necessidades do país é altamente discutível e os dossiers passam de governo para Governo num estado quase sempre calamitoso.

Mas até agora Portas já esteve debaixo de fogo por causa destas duas questões um sem número de vezes. É estranho que questões que já foram coladas ao nome dele e que nunca singraram em nenhuma investigação pudessem agora ser usadas como chantagem. Logo agora e pelo PSD.
É no mínimo pouco plausível.

O que é constante é uma tentativa de encontrar clivagens na coligação. Começaram com o rlato de zangas nos conselhos de ministros até à questão da aplicação de taxas nas pensões, acabando agora nesta teoria da chantagem.
A insistência em encontrar estas divergências é como se ao referi-las isso se tornasse realidade e o governo caísse.
O tom vai aumentando na medida em que a esquerda vai percebendo que Cavaco não o vai fazer cair o Governo e que de uma forma ou de outra o governo parece manter a coesão. Mesmo com divergência em questões chave.
O desespero por um novo Governo tem feito com que nos últimos meses se tente encontrar um sem fim de sinais e de motivos para uma queda iminente a partir de dentro da coligação.
À falta de explicação, Soares avança com a chantagem. O que diga-se é algo que acredito perfeitamente que ele fosse capaz de fazer. Já nos habituou à "fina política" e Às manobras de bastidores mais sujas de que há memória.

A verdade é que apesar de tudo o Governo não parece muito apostado em demitir-se e o Presidente da República não parece ser um adepto de "chicotadas psicológicas". O que no caso nem se lhe pode levar a mal se tivermos em conta que dum cenário eleitoral poderíamos ficar numa situação como a de Itália: sem qualquer definição e com um governo coxo apoiado pela esquerda que é contra a Troyka a tentar implementar medidas impostas pelo Memorando. Aos olhos de todos isso é uma situação impossível e totalmente desaconselhável no momento presente.

Claro que para o cidadão que passa a vida a pedir a demissão do Governo isso nem é algo que o preocupe. O português gosta mesmo é de mudar nem que seja para pior. Nem tem a consciência de que esse tipo de opções podem significar ainda mais sofrimento para um país em maus lençóis.

A explicação mais plausível para a permanência de Portas e o CDS na coligação do Governo talvez seja a profunda crença de que esta é a última oportunidade para evitar a implosão económica do país. Talvez seja a convicção, partilhada por muitos, de que com o PS no governo apoiado por "forças de esquerda" entraríamos de novo num caminho de ruína em troca de "sensibilidade" e "emprego e crescimento".
Um político que se preze, com ideias e com convicção e algum respeito (para não dizer amor) pelo país, não pode ver com bons olhos um grupo de incompetentes, antes responsáveis pela mais miserável banca rota que alguma vez enfrentamos, voltar a ter uma oportunidade de destruir aquilo que se conseguiu com tanto sacrifício ao longo destes 2 anos.
Essa pode ser a motivação de Portas, Cavaco e Passos. E já que falamos nisso é também a minha esperança. Que o PS não tenha hipótese de voltar tão cedo ao poder com a sua triste figurinha de Secretário Geral apoiado por grupos absolutamente utópicos e apostados em repetir ad nauseam os erros épicos do "socialismo".

Como se esta perspectiva não bastasse como "chantagem" para manter apoio ao Governo.

E uma coisa é aquilo que se ouve e lê na imprensa e outra muito diferente é o que se constata na realidade.

Ouve-se muito do sofrimento de grandes faixas da população que está a viver á beira da miséria e depois sai-se à rua e veêm-se os centros comerciais cheios, os concertos a esgotar meses antes, ou bichas de carros na estrada quando há uma oportunidade com bom tempo.
Existe de facto muito gente a passar dificuldades. O desemprego é fatal neste particular. Mas o país está muito longe de ser um espaço de maltrapilhos. A actividade económica abrandou consideravelmente mas há muito boa gente que sai à rua gritar apenas porque é arregimentada pelo partido da sua simpatia e fá-lo não por estar no limiar da sobrevivência mas porque vê a sua folga financeira diminuir um pouco ao fim do mês.
E ninguém gosta de mudar de hábitos. Depois de anos a não ter de se preocupar com contenção ou com fazer opções sensatas, mudar de comportamentos custa. Mas uma coisa é custar e outra é ser impossível.
Uma coisa é estar desempregado e em pânico e a outra é ter-se reformado aos 50 com uma pensão integral e confortável e vir para a rua berrar porque podem perder um pouco numa pensão confortável de um par de milhares. Ou como é muito usual ouvir, estar na rua a lutar "pelos filhos e pelos netos". 
Estranha forma de ver as coisas quando os filhos ou os netos não vão ter nenhuma oportunidade de ter uma pensão semelhante e muito menos poder gozar de antecipações e reformas por inteiro.
Os direitos "adquiridos" de que tanto falam podem ser a razão primeira para que outros não tenham direito a nada. E porque fizeram descontos e porque só estão a reaver o que pagaram etc etc. E os que trabalham hoje estão a fazer descontos para quê? Não é de certeza para garantir os seus próprios direitos mas sim para garantir os direitos que esta gente não se cansa de proclamar.

O que vemos de contestação não é mais nem menos do que aquilo a que se assiste sempre que se quer mudar alguma coisa. É impossível mudar o que quer que seja neste país sem ter resistência de todos os lados. O problema é que algumas das mudanças começaram a incomodar alguns poderosos que saltam prontamente para as TV's, travestidos de comentadores isentos a protestar quanto à forma e conteúdo de tudo o que o Governo faz.
Soares, Capuchos, Marques Mendes, Constanças Cunha e Sá, Pacheco Pereira, metade dos paineleiros do Jornal da Noite da SIC Notícias etc etc.
Em 24 horas de TV que uma pessoa consegue consumir, uma ENORME parte disso não é mais que um desfilar de críticas ao Governo, manifestações pela queda do Governo ou conversa de sindicalistas apocalípticos.
A cereja em cima do bolo e sempre Soares. A senilidade aliada à irresistível atracção que os media têm pelo belo horrível fazem com que a sua presença seja constante. E vai aumentando o nível. Começa por declarações trauliteiras, esquecendo-se que fez exactamente e disse exactamente o mesmo quando esteve no poder, até culminar em declarações como estas. Em que não só declara que Passos é um chantagista como insinua que Portas aceita a chantagem porque será culpado destes "crimes".
Já passa da hora desta sanguessuga do regime se calar. Já não tem nada para dar à política e francamente o país já lhe deu demais. Muito mais do que ele alguma vez mereceu.


Os apoios e a quebra dos apoios

O cenário cultural em Portugal é algo que sempre me fascinou.

Ficamos parados no tempo. No período após 25 de Abril.

Da mesma forma que o regime de Stalin acarinhava os artistas que serviam os seus propósitos de propaganda, no Portugal revolucionário lançaram-se as raízes daquilo que poderia ser um modelo decalcado do modelo cultural Soviético. Havia os artistas conotados com a revolução e os conotados com o anterior regime.

Desde cedo os artistas "revolucionários" começaram a receber apoios do Estado. A existência do ministério da cultura quase se resumia e resume à gestão de subsídios. Subsidiava-se o cinema e o teatro.
Muito poucas eram as companhias de teatro e realizadores 8se houvesse algum) que não vivessem de subsídios. E isto tornou-se um modo de vida.

A coisa chegou a tal ponto que a produção teatral e cinematográfica não consegue subsistir sem a sua subvenção garantida.
Alguns como La Feria orgulham-se de conseguir sobreviver sem nunca recorrer aos dinheiros do Estado. Viviam simplesmente da bilheteira e de patrocínios de entidades privadas.
Mas a esmagadora maioria vive quase exclusivamente da subvenção estatal. Porque, pela maior diversidade de razões, não são auto sustentáveis.

Na maior parte das vezes porque aquilo que apresentam não agrada ao público. Com salas vazias, encenações no mínimo polémicas ou de má qualidade, foram vivendo durante estes anos pós revolução sem nunca terem de fazer a concessão de agradar ao público. Aquilo que noutras partes do mundo é considerado fundamental para ser bem sucedido. Por todos os parâmetros que avaliam estas coisas, o teatro em Portugal não seria mais que uma estrondosa série de fracassos.

Quanto ao cinema as coisas não são melhores. Não há memória de muitos filmes portugueses que tenham chegado ao break even com as receitas de bilheteira. Tal como no teatro muitos dos filmes são projectos muito pessoais em que os autores estão mais preocupados com a sua visão das coisas do que em agradar, nem que seja levemente, ao público.
É memorável o caso de César Monteiro e o seu Branca de Neve em que perante a polémica levantada elo filme (se lhe podemos chamar assim) disse que queria que "o público português se foda".

Pois o público português foi indirectamente quem sustentou a sua vida através das subvenções estatais. A ele e a um sem fim de realizadores menores cuja obra nunca passou duma lucubração pessoal feita para eles e mais 3 amigos.

Com todos os ministros da cultura e todos os secretários de estado a coisa sempre se resumiu a quanto havia para "dar". Com José Viegas ainda me lembro de alguém dum grupo de teatro estar a dizer que assim não podia honrar os seus compromissos. Ou seja, sem dinheiro do Estado não podia pagar aquilo que tinha contratado (sala, luzes actores etc etc). A mais leve insinuação de que deveria ser a bilheteira a pagar essas coisas é vista por estes artistas como um anátema.
Para eles a cultura é uma coisa "subsidiada" pelo regime.

E temos toda uma geração de "artistas" que nunca viram ou conheceram outra coisa que não seja viver a expensas dos dinheiros públicos. E indignam-se porque acham que aquilo que têm para dar ao país não tem preço e como tal nem deve ser discutido.
Claro que num meio assim a mediocridade grassa. É irrelevante que uma peça ou um filme sejam bons e atraiam público. É irrelevante que um actor seja minimamente competente no que está a fazer. O público é algo que é absolutamente marginal nesta equação. O que o público paga de bilhete nunca será motivo para que se adeque a oferta.

Talvez por isso se assiste a este discurso profundamente desligado da realidade em que os autores de "cultura" acham que têm um valor intrínseco, objectivo, e desligado do seu alvo - o público.

É como se houvesse um conjunto de direitos adquiridos nos quais ninguém pode tocar. Nem mesmo quando falta dinheiro para tudo. Segundo eles o Estado deveria garantir a sua subsistência em qualquer ocasião.

Há no entanto alguns que nunca precisaram de viver da mama estatal. Lembramo-nos bem de salas cheias em várias cidades do país com as Conversas da Treta.

A cultura em Portugal, especialmente na produção teatral e cinematográfica é para todos os efeitos medíocre.
A sobrevivência deste sector teria de passar por algo que para eles é inconcebível que é o de captar público. Mas passados tantos anos com produções medíocres como é que se pode esperar que o público pague o bilhete para ver um filme português da mesma forma que vê um filme inglês ou americano? Com a história lamentável de filmes portugueses de má qualidade com que fomos presenteados? Pouco provável..

Ontem Ruy de Carvalho partiu a louça. Está profundamente desiludido com este "governo" porque o fisco "anda atrás dele" para refazer o IRS de 3 anos.
Nada que o comum cidadão não sinta na pele, mas que provavelmente ele nunca terá sentido. Mas o mais aborrecido disto é que alguém que deu o apoio em campanha ao PSD nas últimas eleições, parecia esperar um tratamento de favor ou pelo menos uma mão mais leve: "para que servem as comendas e condecorações..:".
Ruy de Carvalho até pode ter razão. O fisco é cego e persecutório. Mas o que não pode esperar é ter um tratamento de favor por ter apoiado a força política A ou B. Se ele tiver razão à luz da lei, prevalecerá. Com o fisco é um ror de chatices mas não é nada que outros cidadãos não tenham já experimentado. Mesmo os que não têm comendas nem condecorações e que toda a vida foram pagando impostos para sustentar a cultura neste país.
O que me parece triste é que alguém apoie uma força política por esperar algo em troca. E que por razões materiais (que são obviamente importantes) passe a ser um dos críticos mais ferozes do mesmo poder ou do mesmo Estado que o ajudou a viver durante umas dezenas de anos.
Gosto do Ruy de Carvalho como  actor e como pessoa. Mas o que ele disse no seu desabafo deixou-me com uma sensação de verdadeiro desconforto.
Quase parece querer dizer "então apoiei este 1º ministro para quê? Para ser tratado assim?".

Um diletante

Miguel Sousa Tavares é um daqueles casos típicos portugueses.
Um belo dia alguém lhe achou muita graça, achou que ele era um personagem a quem se devia dar algum crédito e passados alguns anos converte-se numa espécie de guru de tudo e mais alguma coisa.

Sem grandes méritos profissionais conhecidos, tornou-se mais famoso pelo discurso desbragado do que por outra coisa qualquer.

Consta que foi advogado, medíocre segundo a sua própria avaliação, e depois passou a "jornalista". Mais recentemente começou a escrever "umas coisas" e considera-se um autor. Um produtor de literatura.

Li um livro dele (O Rio das Flores) e confesso que o achei duma ligeireza e dum anacronismo difícil de engolir. É daqueles livros que li duma ponta à outra e não consegui por uma cara num personagem nem uma imagem num local. As descrições de MST são de tal forma superficiais que parece que estamos a olhar para uma folha de papel com meia dúzia de rabiscos. Shallow, very very shallow
À data não sabia da crítica que Pulido Valente tinha feito ao seu primeiro livro (Equador) mas quando li não pude senão concordar com Pulido Valente. Quando li a crítica de O Rio das Flores foi como se PV estivesse dentro da minha cabeça a passar a palavras aquilo que eu não consigo. A precisão da sua crítica é notável.
A literatura de Sousa Tavares é na melhor das hipóteses, medíocre. E como acontece quase sempre nestes casos o marketing consegue sobrepor-se a qualquer outra coisa. Afinal as pessoas compram antes de saber a porcaria que estão a comprar. Foi o meu caso. É de esperar portanto que nunca mais compre um livro escrito por ele.

Mas creio que é o sucesso da sua produção que o tem levado nestes últimos 4 ou 5 anos a convencer-se que é uma pessoa relevante no grande esquema nacional e que se pode permitir dizer o que lhe vem à cabeça, por muito ridículo que seja.

O único problema de Sousa Tavares é que quando aponta o dedo fá-lo de uma forma bastante "parcial", para ser delicado.

Quando fala do pântano de corrupção e de imobilismo do país esquece-se quase sempre de um grupo que é tão ou mais responsável do que qualquer outro pelo estado do país. As sua apreciações sobre as "coisas da justiça" estão incrivelmente ao nível de Marinho Pinto. O que me leva a pensar que o seu abandono da carreira de advogado foi a melhor coisa que podia ter decidido fazer.

São normalmente muito pouco informadas com algumas passagens profundamente ignorantes, imbuídas de uma má fé e um ódio especial à magistratura. Coisa que lhe deve vir dos tempos em que exerceu e em que segundo ele terá mandado um juíz à merda.
Igual ressabiamento ao de Marinho Pinto seguramente.

Mas o problema de Sousa Tavares é o pensar que se tornou num personagem a quem tudo é permitido. Em alguém intocável pela sua exposição mediática. E isso causa ainda maior exposição mediática.
Não há nada que um jornalista goste mais do que um tipo desbocado. Aquilo a que chamam no meio de "frontalidade".

Desta vez Sousa Tavares pode ter ido longe demais. No Jornal de Negócios chamou Cavaco Silva de "palhaço". Isto em resposta a uma pergunta sobre Beppe Grillo.

O problema é que este tipo de coisas pode ser considerado crime de injúria ou difamação e punível com pena de prisão de 6 meses até 3 anos e multa não inferior a 60 dias.

Não só a produção de Sousa Tavares é duma mediocridade notável, como o seu discernimento parece ter vindo a degradar-se ao ponto de chegar a ser igualmente medíocre.

Sousa Tavares tem-se em grande conta. Disso não há dúvida. E ficamos a saber que estará num escalão de rendimentos elevado, já que afirma que "Gaspar" lhe fica com 53% do que ganha, o que me leva a pensar que a sua estratégia tem funcionado. Pelo menos do ponto de vista material.
Não é em vão que ele aparece na TV a fazer o  papel de "paineleiro" e que a sua escrita acaba por ter uma promoção maior por esse facto. Assim, proveitos de um lado e de outro.

E uma pessoa nestas condições pode bem chegar a um ponto em que atribui isto ao seu valor. À relevância do que diz ou escreve.

Na verdade MST é um diletante confortavelmente instalado na vida e com um pendor marcadamente pro PS. Isso garante-lhe que, em períodos em que o dito partido tem estado no poder, goza de uma abundância de oportunidades de "trabalho" que dificilmente teria se não o fosse.

Talvez fosse bom que alguém lhe dissesse que a instabilidade que demonstra pode ser resultado de algum distúrbio a necessitar atenção.  Ou que o abuso de álcool e de outras substâncias acaba por causar danos irreversíveis. A falta de contenção pode certamente ser um deles.

Actualização : MST admite agora que "pode ter ido longe demais". Não sei se é um rebate de consciência ou se é a consciência do embate. É que o risco de 6 meses a 3 anos (nunca ninguém lhe aplicaria prisão efectiva) e o mínimo de 60 dias de multa e o apontamento no cadastro criminal não são brincadeiras menores.
Como até hoje MST sempre chamou tudo a todos e saiu impune, talvez tivesse ficado com a noção errada que podia "ir longe demais".
A diferença entre alguém frontal e alguém simplesmente "desbragado" é que o primeiro raramente recorre ao insulto. No caso do segundo, isso é constante. Aliás o simples facto de ter MST a "classificar" as decisões e acções de outros é já de si insultuoso, uma vez que ele não estará seguramente em posição de apontar o dedo a ninguém que no que diz respeito a trabalho ou vida pessoal. Deve haver pouca gente com o grau de instabilidade e maus exemplos de MST. No entanto é a ele que convidam para "painelar". Em troca de dinheiro. Talvez porque esperem que um dos seus espalhanços se torne notícia. Desta vez coube ao Jornal de Negócios mas não tarda muito calhará a outro qualquer. MST gives and keeps  on giving. Never fails to make an ass of himself.

Uma certa esquerda

Tenho muita dificuldade em expressar o meu desprezo por gente como Raquel Varela.

Não é fácil fugir ao insulto. E não é fácil porque a baixeza das atitudes e o infame das ideias que esta gente defende são más demais para resistir.

Raquel Varela é uma personagem muito típica dos meios universitários. Sobretudo na área das humanidades.
Resultado da passagem por um estabelecimento de ensino onde esta gente se acoita desde há anos, aparece esporadicamente para se fazer notar pelo piores motivos.

Apologistas duma ideologia que deu terríveis exemplos de desrespeito pelo ser humano, subjugando-o e eliminando-o, aparecem hoje a coberto dos seus currículos académicos a defender impossíveis.

Propõem um utopia. Negam a realidade.

É óbvio que qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade dirá que o salário mínimo é baixo. É óbvio que qualquer pessoa que viva por estes dias em Portugal não pode estar de acordo com a austeridade.

Mas existe uma realidade. Dura. E essa realidade é que se o salário mínimo fosse colocado em 700 Euros por exemplo, muitas empresas neste país se veriam forçadas a fechar portas. Muitas delas conseguem manter as coisas a funcionar ao limite. Um aumento dos custos de trabalho que fizesse uma diferença significativa para as pessoas que recebem o salário mínimo, seria o fim de alguns postos de trabalho que, ainda que mal pagos, significam a criação de valor e significam a sobrevivência possível.

Claro que é fácil para alguém que terá um salário que ronda os 4000 a 5000 Euros, como Raquel Varela, propor este tipo de coisas sem se preocupar minimamente com as consequências que isso poderia ter.

Para ela é irrelevante se os cenários que propõe causam mais sofrimento do que a situação presente.

Não duvido que ela seja apologista do fim da Troyka.
Como se isso não significasse um desastre ainda maior do que vivemos.

Quando ouço pessoas como Louçã, Rosas ou Varela falar, imagino o que seria o seu discurso se não estivessem confortavelmente refastelados no seu lugar de professores universitários, auferindo de salários simpáticos. Sem terem a noção de que pode chegar o dia em que o país não os pode pagar.

Para eles a sua actividade é prioritária. Como disse Varela "a cultura". Ainda que o seu eco cultural seja próximo do zero. Ou que os escritos de Louçã sejam tão válidos como os outros modelos académicos que ele critica. Ou que o trabalho de Rosas sobre a resistência ao regime saído do 28 de Maio sejam tão relevantes como outro trabalho irrelevante.

Estão acomodados, vivem da coisa pública e pretendem fazer-nos acreditar que num país sem meios se devia dar tudo a todos.

O problema é que nem isso podia ser possível nem seria para todos. Como os regimes que defendem nos mostram e mostraram, era apenas um grupo restrito a beneficiar das benesses do regime. Entre eles alguns intelectuais com os quais eles se identificam. A vanguarda da revolução como gostam de se imaginar.

Comunistas da linha dura, apologistas da eliminação e silenciamento dos adversários, apareceram reciclados pela mão do BE e gozando da simpatia dos media que sempre gostaram dos revolucionários "finos". Ninguém vai dar o mesmo tempo de antena a Jerónimo. É boçal e um bocado básico e nada mais tem do que qualificações de torneiro mecânico.
Não será convidado para o Prós e Contras para ombrear com intelectuais. Não irá para a TVI 24 debater com Rosas ou com outro qualquer.

A elite intelectual deste país encontra-se em estado de completa putrefação. Começa a perceber que numa sociedade que luta pelo básico, eles podem ser vistos como uma excrescência dispensável. E a julgar pelos exemplos presentes são de facto dispensáveis.

O salário junto destes 3 "amigos dos trabalhadores" dariam umas quantas reformas que eles afirmam defender. Os seus salários juntos dariam para contratar 3,4 ou 5 médicos para o SNS.
Não ficaríamos muito melhor com os médicos do que com eles? Indiscutivelmente sim.

No fundo o que esta gente espera é que num caso de "revolução" os seus lugares se perpetuassem e que tivessem o poder de decidir o que fazer com os outros. É o aterrador da situação. Pensar o que esta gente poderia fazer se por acaso o poder alguma vez lhes caísse nas mãos.

A sua ligação com a realidade não existe. Raquel Varela decerto compra coisas feitas na China e na Índia e Paquistão sem nunca se ter ralado minimamente com as condições de vida de quem as fabricou. Decerto não se preocupa muito em ser simpática com alguém num call center que provavelmente ganha o salário mínimo se tiver sorte.

A hipocrisia desta gente não tem par. E a exposição que lhes dão nos media é espantosa. Por isso pudemos ver ontem uma catedrática arrogante, trocista e sobranceira levar um real pontapé no cu de um jovem de 16 anos que em pouco tempo já contribuiu mais para a criação de emprego e riqueza do que ela alguma vez fará.
Ela limita-se a "gastar" os recursos ganhos pelo esforço dos outros. Por muito catedrática e pós graduada que seja.

The piece of shit does it again

Raquel Varela.
Se este nome não vos diz nada procurem no Google.

Ontem no Prós e Contras um testemunho surpreendente de um jovem de 16 anos que resolveu deitar mãos à obra. Resolveu comercializar peças de roupa a preços acessíveis mas com um "ar de roupa de marca".
Tratou de arranjar fornecedor fez a sua campanha de marketing nas redes sociais e aos 16 anos não podemos deixar de aplaudir este espírito de iniciativa.

Numa idade em que a maior parte dos jovens não sonha sequer com o que quer ser na vida, este rapaz embarca na aventura de fazer e ter qualquer coisa de seu. Muito raro e muito louvável.

A coisa não passaria de algo digno de admiração não fosse a intervenção de uma convidada no painel que resolveu confrontar o rapaz, certamente na esteira da tragédia no Bangla Desh, relativamente ao sítio onde eram feitas as peças de roupa.

Muito preocupada com a China, Bangla Desh e com as condições de trabalho miseráveis dos seus trabalhadores, acabou por ficar a saber que as peças eram feitas em Portugal.
Não desarmou e resolveu confrontar o rapaz com os salários que ganhariam os trabalhadores dessa empresa. Que seria o salário minímo e isso era indigno etc etc.

A resposta do rapaz foi lapidar: Mais vale receber o salário mínimo do que estar no desemprego.

E é este tipo de coisa que eu acho fascinante nesta esquerda extrema à qual a Raquel Varela pertence. Preferem que as pessoas não tenham nada do que sofrerem a indignidade de ter pouco. Fez exactamente o mesmo com Isabel Jonet e o Banco Alimentar.
Por oposição "dizem" que o Estado é que devia assumir essas responsabilidades. Dar de comer a quem tem fome e eventualmente OBRIGAR todas as empresas a pagar um salário digno. Não sei quanto seria, mas suspeito que alinharia por um valor decente. 1000 ou 1500, sei lá.

Nestas circunstâncias o mais provável é que quem tem fome morresse e quem ainda recebe o salário mínimo ficasse sem emprego pela falência mais que óbvia destas indústrias.

Ou seja, o remédio que gente como esta Raquel Varela tem para os males, é a morte mais rápida com o mesmo mal um bocado mais agravado.

Acho fantástico como uma pessoa que toda a vida adulta andou pela "academia", que nunca deu emprego ou criou riqueza neste país, ter o atrevimento de se atirar a um rapaz de 16 anos que contrata o fabrico das peças de roupa a um fornecedor e certamente não saberá quais os níveis salariais que essa empresa pratica.
Nem RV sabe, uma vez que se limita a dizer que é "normalmente" nas empresas texteis que os salários são mais baixos.

Obviamente que ela deverá andar vestida de serapilheira, já que praticamente tudo o que compra deve ser feito num país de terceiro mundo, seja de gama média seja de luxo. Certamente nunca se preocupou em saber onde é feito o seu telemóvel ou a sua roupa ou a televisão que deve ter em casa.

Começo realmente a ficar farto destes intelectuais de "esquerda" que, incapazes de singrar no mercado de trabalho, ficam pela academia a "investigar" e a produzir nada.
Se isto é a elite intelectual do nosso país, estamos perdidos.

Escondem-se nestes partidos de extrema esquerda (BE) e quase parece terem vergonha de se dizer comunistas. São gente que vive bem, com hábitos muito burgueses, que nunca fez um trabalho duro e que se armam em defensores dos oprimidos, marinheiros e proletários.

São objectivamente lixo. LIXO com letra grande. Incapazes de garantir o seu sustento se não fosse o Estado sustentar as suas "investigações" e dar-lhes um lugar de professor universitário.

Se dúvidas houvesse do carácter mais que rasteiro desta fulana, aqui fica mais uma para a posteridade. E vão 3

 


Da tolerância

Eu fico fascinado com a forma como os dois extremos do espectro político se comportam perante aquilo a que chamamos as questões fracturantes.

Foi ontem aprovada na AR a lei da co adopção por casais do mesmo sexo.

E o que é que isto quer dizer?

Bem quer dizer simplesmente que num casal em que um dos membros tenha uma criança ou adoptado uma criança, o outro membro pode adoptá-la também desde que tenha 25 anos e que a criança não tenha outro vinculo parental.

Isto pelo menos evita que num caso de uma mãe divorciada com filhos à guarda que viva em união de facto ou esteja casada com outra mulher possa ver, por morte, os filhos adoptados pela companheira que acabaria a repartir a guarda com o pai biológico. Ao menos a lei evita este tipo de bizarrias.

Destina-se a evitar que em casos em que por morte do membro do casal com a paternidade da criança, por adopção, a criança possa ser devolvida a uma família biológica que não conhece ou que volte a uma instituição.

O que esta lei vem evitar é que nesta situação se tenha de iniciar um novo processo de adopção por parte do cônjuge sobrevivente.