O factóide

Um factóide é um facto divulgado com sensacionalismo pela imprensa. Pode ser verdadeiro ou não. Trata-se também de propaganda política mal intencionada.
O propósito de um factoide é gerar deliberadamente um impacto diante da opinião pública de forma à manipulá-la de acordo com as aspirações de poderosos grupos que se utilizam de sua influência na mídia. Estes, em alguns casos estão, ou aspiram ao poder.
Tão rápido como começa um rumor ele desaparece.
Hoje acordamos para um sem fim de declarações, indignações e iniquidades  acerca da suposta "recusa" do Governo em respeitar o acórdão do Tribunal Constitucional.

Com um título especialmente acintoso o Público declarava que Passos teria dado instruções para manter o corte dos subsídios de férias. No mesmo artigo o jornal explicava porquê - falta de enquadramento legal por não ter sido ainda aprovado o diploma que resolvia os pontos inconstitucionais do orçamento.

Agora, lê-se num artigo desse mesmo jornal a explicação para o caso. É mesmo o diploma que deverá ser aprovado e promulgado até ao final do mês tornando assim possível o pagamento desse subsídio.

A esquerda apalermada saltou logo para a rua aos berros. As mais diversas entidades o fizeram. Sem haver contornos precisos acerca do caso, todos, incluindo jornais rádios e televisões, deram voz atodo e qualquer estúpido que lhes apareceu na frente. Desde o psicopata Arménio até à oposição todos se juntaram num coro de disparates sem fim.

Esta mania de fazer declarações sem saber o que se passa é uma mania muito nossa. Se não fosse isso os comentários a artigos nos jornais on line nunca poderiam existir.

Somos o paraíso do imediatismo, onde as indignações e as declarações espalhafatosas por coisa nenhuma se tornaram regra desde o mais reles idiota ao mais "nobre" comentador.

Mas a verdade é que todos estes arrotadores de postas de pescada se esquecem que a lei fundamental pode ser o suporte legal para todas estas coisas mas no fim, no fim, se não há dinheiro não há palhaços. E ideias como a de Arménio de ir buscar o fundo de recapitalização da banca são tão estúpidas que fica-se sem saber se lhe sairam da boca ou se foram um simples flato com sonoridade semelhante a palavras. O que em Arménio não deixa e ser um hábito.

Quem chora não mama

O sector da construção civil está de rastos.
Talvez porque tenham feito em 10 anos o que deviam ter feito em 20 ou porque andaram a vender a preços altamente inflaccionados e esqueceram-se de se precaver para uma situação de crise e secura de recursos.

Mas o que mais me choca nisto tudo é a crença enraizada neste sector que sem investimento público não há sector.
É mais ou menos o que se passa em muitas outras áreas da nossa economia e sociedade. Sem o estado gastar (ou dar) dinheiro, não há cultura, não há indústria, não há construção.

Até compreendo que o Estado faça contratos que envolvam a construção de infraestructuras, mas o que se passa neste país é que há uma enorme percentagem do sector que vive exclusivamente do dinheiro que o estado gasta.

Durante uns bons 15 anos contruiu-se em todo o lado e foi vendido a preços de tal forma disparatados que enterraram milhares de famílias. Tudo com o conluio dos bancos.
Que financiavam a compra do terreno, a construção dos edifícios e a compra dos apartamentos.

Isso acabou pela simples razão de termos stock de casas a mais. Ninguém com dois dedos de testa se vai por a construir habitação nos dias que correm.
Junte-se a isto a inexistência de contratos para a criação de infraestruturas públicas e vemos um sector absolutamente de rastos.

Mesmo aqueles que construiam escritórios estarão por esta altura com a corda na garganta. Ninguém arrenda espaços e a procura dos mesmos decresce a cada dia que passa. E como estes "senhores" não estão nada habituados à lei do mercado, continuam a querer vender a preços de 2006-2007.

É uma tristeza ver até que ponto nos transformamos numa pseudo economia de mercado. Na realidade se não for o dinheiro do contribuinte a sustentar ganhos enormes para o sector, não existe sector.

Como aconteceu outras áreas antes deles a única coisa que lhes resta é adaptarem-se. Aconteceu com os texteis, aconteceu com o calçado.

Façam-se à vida e evoluam em função do mérito das suas opções. Creio que neste país não será provável que se fabriquem esquis. Porque não há procura... Se calhar é boa altura de parar de construir... porque não há procura.
E em vez de passarem a vida a pedir aos bancos que emprestem dinheiro capacitem-se que nem os bancos vão emprestar como antes nem as pessoas têm a confiança que lhes permite atirar-se de cabeça para compromissos a 30-35 anos.
Talvez seja boa ideia deixarem-se de choradinhos e perceberem que se não há contratos do estado pode ser a altura de partir para outros mercados ou fechar as portas.

Mas por favor parem de clamar pelo gasto do dinheiro dos contribuintes. Temos um país completamente farto destes lamentos que mais não revelam a total dependência dos dinheiros públicos e a tentativa desavergonhada de desrespeitar as leis do mercado que tanto gostam de louvar.

Conversa esclerosada para estúpidos

De cada vez que tomo a decisão de ouvir rádio ou de ver televisão dá-me vontade de estrangular alguém.
Hoje de manhã na TSF houve duas coisas que me deixaram profundamente irritado. E por duas razões ligeiramente diferentes.

A primeira foi uma peça (chamemos-lhe crónica) dum jornalista palavroso por volta das 8:45. Ao tecer considerações sobre a greve dos professores, usou um tipo de linguagem muito pouco consistente com o estatuto. Não consigo perceber quando é que os jornalistas acharam que deviam ser a estrela da estação, mas isto já está a passar completamente das marcas.

Quando o jornalista fala de "campanhas insidiosas para culpar os professores" ou qualifica os apelos de Passos como enganadores ou chama "estúpido" ao ministro da Educação, mesmo que seja numa crónica, passaram-se todos os limites de equidistância e isenção. A TSF é agora a voz oficial de qualquer coisa. E essa qualquer coisa sabemos bem qual é.

A segunda situação foi mais uma vez na TSF e foi sobre o pagamento do subsídio de férias que aparentemente não vai ser pago em Junho.

As razões podem ser muito formais, mas nestas coisas a formalidade é importante.
O diploma que responde ao acórdão do TC foi aprovado pela maioria parlamentar na passada sexta-feira e deverá, na expectativa do Governo, entrar em vigor antes de dia 20 de Junho. A solução encontrada passa por fazer o pagamento do subsídio de férias e prestações equivalentes em duas fases.
Se bem se lembram, o acórdão do TC levou a que tivesse de ser feita uma alteração legal para acomodar as diferenças. Acontece que essa alteração só foi aprovada na sexta feira passada. E para que seja processado o subsídio de férias terá de ser ao abrigo desse diploma. Porque lembremo-nos que o  orçamento original foi declarado inconstitucional nalguns dos seus pontos e o rectificativo foi aprovado na semana passada.

Assim, a gritaria de falta de respeito pelo Tribunal Constitucional, a invocação de ilegalidade e outras palhaçadas avulsas, é afinal o respeito pela legalidade.

Esta palhaçada vai ao ponto de o jornal que explica este pormenor colocar com tútulo do artigo :
Governo dá instruções aos serviços para que mantenham corte no subsídio de férias

Por causa disto Arménio Carlos também se pronunciou. E como é hábito fala para estúpidos como ele. Dizia o imbecil que "o estado tem dinheiro. O fundo de recapitalização da banca não foi todo usado..."
Perante declarações deste tipo não há muito a dizer. Já mudou o discurso um pouco porque há uns tempos atrás este idiota dizia "e o dinheiro do BPN?". Ora como sabemos o dinheiro do BPN é dinheiro que NÃO TEMOS. Agora já mudou para o dinheiro que supostamente temos.

Arménio sabe perfeitamente que não pode usar dinheiro do fundo ou da UE como se de um saco se tratasse de onde se pode pagar o que quer que seja. Nem sequer pode fazer isso com rúbricas diferentes do orçamento.
Esta história de ir ao fundo da banca buscar umas massas para ir buscar salários revela uma de duas coisas: Ou Arménio é de tal forma básico que não faz ideia de como um país funciona ou sabe-o (ou pelo menos suspeita) e fala de forma simplória para mais uma vez acicatar os ânimos. Ou seja, há dinheiro mas o governo mau não quer pagar.

Aborrece-me esta ideia peregrina de que a esquerda tem a legitimidade de se colocar no poder quando há um governo de outra cor no poder, eleito legitimamente.
Mas o que mais me aborrece é que usem as estratégias mais velhas da história para minar o funcionamento de um governo. Como dizia o 1º Ministro:
«Jogando com os descontentamentos naturais, sem contudo se apresentar qualquer programa coerente alternativo, intencionalmente procurou fomentar-se um clima deletério; de descrença generalizada, de pessimismo total, assacando todas as culpas ao Governo - a este Governo - esquecendo o passado ainda tão próximo, denegrindo por sistema, entravando ou mesmo sabotando iniciativas em curso, silenciando ou minimizando os aspetos positivos de uma atuação que todos sabem ser feita em condições singularmente difíceis, que se pretende? Derrubar apenas o Governo? Mas como, se parece difícil fazê-lo no Parlamento, que é o único sítio, em democracia, onde se devem derrubar legitimamente os governos? Na rua? Para dar lugar a que confrontações e a que novo surto de anarco-populismo? Desagregando-o por dentro, desencorajando as pessoas e tentando destruir as suas imagens políticas? Para abrir caminho a que tipo de aventuras?»
Notem que esse primeiro Ministro era Mário Soares em 31 de maio de 1984, citado por Rui Ramos no Expresso.

Os media: Quase uma semana sem eles

Passei a quase totalidade da semana sem ver um noticiário ou ler um jornal. On line incluídos.

E convenhamos que se passa uma semana muito melhor.

Houve uma pequena excepção: Creio que foi ontem apanhei um jornalista "estagiário" a descrever as comemorações do 10 de Junho e a presença de Cavaco Silva nas mesmas.

O que ficou patente foi a necessidade quse patológica que estes jornalistas de trazer por casa têm de trazer outros assuntos a notícias que nada têm a ver com eles.
É mais que suficiente descrever as comemorações ou o sítio onde vão ter lugar sem ser necessário tecer comentários sobre a taxa de popularidade do PR ou de a atribuir ao facto de ele não demitir o Governo.
É dos tais casos em que a bucha "ideológica" é metida por um qualquer desgraçado a quem calho uma reportagem de exterior e ficou sem nada para dizer.

É nestes pequenos pormenores, e notem que foi o deslize da semana, que se nota até que ponto esta militância é constante e muitas vezes despropositada.
Como não vi mais nada de notícias, aquela referência soava completamente extemporânea e muito pouco isenta.

Não consigo entender como é que a SIC Notícias ou a TVI conseguem justificar estas linhas editoriais. Não entendo em que é que Balsemão aproveita com este tipo de campanha cerrada anti governo. Será para evitar a competição de uma RTP privatizada?Será por puro desleixo? Por ódio a Passos, como tantos outros "históricos" do PSD. Não consigo perceber e até agora todas as explicações não passam de especulações.

O que vejo é que estes jornalistas se borravam de medo com Sócrates e qualquer coisa errado que pudessem dizer e que agora num regime de "direita" "sem democracia" tudo lhes é permitido. Duvido seriamente que tenham assessores a telefonar a directores tecendo criticas em relação ao alinhamento noticioso. Nem os vejo a dar tempo de antena a membros do Governo para defesa de casos pessoais obscuros. Sócrates tinha direito a um tempo de antena interminável. Hoje não há qualquer comparação com essa bem oleada "máquina de propaganda".

A tal imagem da ilegitimidade ou a exacerbação de uma suposta clivagem entre parceiros de Governo foram sem dúvida nenhuma os motes da imprensa nacional. Andam nisto há meses. E ficaram especialmente tristes quando perceberam que Cavaco pouca atenção lhes deu. Esperavam porventura uma espécie de Sampaio. O PR de todos que fez um favor ao PS e por tabela arranjou uma enorme chatice para o país inteiro.

A esquerda vê-se como detentora de um direito inquestionável ao poder. Quando estão eles foi o "povo" que assim quis. Quando estão os outros o "povo" quer que eles saiam. Mesmo quando se compara um governo incompetentíssimo como o 2º de Sócrates, monoritário e vitorioso à custa de manobras puramente eleitoralistas com o de Passos que é nem mais nem menos que um governo maioritário.

Este direito divino ao poder que a esquerda acredita deter, é parte da "narrativa" mediática todos os dias que passam. A direita má e a esquerda boazinha.

Mesmo que a esquerda não tenha programa a não ser o mesmo que o do Governo. Sem dinheiro para esbanjar nem banca a quem pedir emprestado, a esquerda terá de alinhar pelo diapasão da Troyka sob pena de um ano após a sua gestão se ver confrontada com outra bancarrota.

E os media, desavergonhados, nunca fazem as perguntas difíceis. E convenhamos que fazer desmoronar Seguro com uma ou duas perguntas seria a coisa mais fácil do mundo. Tem apenas chavões, eleitoralistas para variar, que nunca poderão ser postos em prática.

Com tudo isto não admira que não tenha sentido falta da campanha de propaganda pro esquerda dos media. E foi uma semana bem melhor que a média.

Mitos modernos - A ilegitimidade do Governo

É curioso como num regime "supostamente" democrático ainda há uma parte do espectro político que acha que a legitimidade eleitoral só existe se forem eles os eleitos.

E isto é cíclico. Desde 1995 que o PS esteve no poder 15 anos. Durante esse período destruiu-se com um enorme sentido de irresponsabilidade a possibilidade de Portugal se aproximar da média Europeia.

Apesar do dinheiro que entrou a rodos, os nossos fantásticos gestores conseguiram criar um tal aumento de despesa que não era possível em 2011 que Portugal vivesse sem dinheiro emprestado de emergência.
Os custos com a saúde dispararam, os custos com a educação dispararam e a Segurança Social começou a mostrar sinais preocupantes de falta de sustentabilidade.

Fizeram-se obras públicas em regime de parceria com contratos absolutamente ruinosos para o Estado e que hoje é mais ou menos consensual que não faziam assim tanta falta.
Apesar dum breve período do PSD com Durão Barroso, o período haveria de ficar célebre pelo discurso da tanga. Afinal. como tinha razão Durão Barroso. E como foi olimpicamente ignorado, talzvez pela sua fuga cobarde e interesseira para lugares mais altos.

Quem veio a seguir a ele, pela mão de um Presidente "de alguns portugueses" e dum senhor economista que fazia contas de deficit  em previsão com precisão às centésimas, fez ainda muito pior.
Ignorante em praticamente todas as matérias rodeou-se de gente mais disposta a agradar do que a dizer as coisas como elas são. Não é por acaso que Campos e Cunha esteve brevemente no lugar, certamente não concordando com um papel de mero fantoche nas mãos de Sócrates.
Para isso haveria de ser escolhido Teixeira dos Santos. Por muito professor e por muitos pergaminhos que tenha, ficará para sempre no Hall of Fame dos infames pela sua falta de coluna dorsal e por ter deixado chegar o país a um ponto sem retorno.

A gestão socialista caracterizava-se por varrer problemas para debaixo do tapete. Desorçamentar desavergonhadamente com o beneplácito da UE. Que apenas fingia que fiscalizava as contas.
Em tempos de abundância não se fazem perguntas difíceis. Mas em tempo de vacas magras já foram capazes de rever sucessivamente em alta alguns dos deficits mais vergonhosos que um governo PS alguma vez produziu.
A crise internacional é a desculpa oficial dessa gentalha. A crise e o chumbo do PEC IV. Essa é a "narrativa" do PS de hoje.

Dizem bem que os partidos não ganham eleições. São os governos que as perdem. E neste país quando existir um governo que tente por as coisas direitas irá sempre perder as eleições.
Porque por as coisas direitas significa ajustar desequilíbrios enormes criados ao longo de quase 40 anos.
O que importa que haja cada vez menos alunos e se mantenham professores? O que interessa que a Segurança Social seja insustentável pelo cada vez menor número de gente a trabalhar para sustentar os pensionistas?
O PS no seu discurso intrinsecamente mentiroso diz defender estas coisas quando sabe que não tem outro remédio senão resolvê-las. E para as resolver só há uma maneira. Reduzir os funcionários públicos e reduzir as pensões. Se isso não acontecer só há uma forma de sustentar tudo isto: aumentar os impostos. Mas é o mesmo PS que diz que a carga fiscal deve descer.
Já se sabe que quando chegar a hora irão ver qual das medidas causa menos impopularidade. A subida de impostas desagrada a mais gente que a redução de funcionários. E uma redução superior às aposentações, que não conseguem de forma nenhuma chegar em tempo útil aos números necessários para o equilíbrio.

E convenhamos que na administração pública há milhares de pessoas que não sabem sequer o que é trabalhar. Por ali andam anos a fia, faltando, cumprindo rigorosamente a hora de saída e de entrada e deixando para os colegas a carga de trabalho que lhes competia. Vistas bem as coisas haverá pelo menos uns bons 20% de funcionários públicos que terão muita dificuldade em justificar o que ganham.

Mas nestas vacas sagradas não se pode mexer. Estas vacas sagradas estão constitucionalmente protegidas contra despedimentos. Sejam eles maus como a ferrugem ou francamente incompetentes.
É um lobby demasiado poderoso para um Governo enfrentar.

E é por isso que quando um governo pretende mexer naquilo que precisa de ser mexido saltam todos a terreiro invocar falta de legitimidade.
E perante a incapacidade de fazer alguma coisa que muitos portugueses dão consigo a desejar que esta democracia vá para o raio que a parta. A desejar que pudesse aparecer alguém com mão de ferro a fazer aquilo que tem de ser feito. Para que o país possa ser minimamente viável.

Claro que há formas de tornar o país sustentável. Bastaria para isso denunciar contratos abusivos e accionar judicialmente os responsáveis pela bandalheira a que se assistiu durante estes 39 anos de democracia.
A despesa do Estado cresceu a níveis insustentáveis porque existe gente a mamar em todo o lado.
São as empresas "amigas" que estão sempre à espera do contrato do Estado, são as artes e a cultura que não existem a não ser para ficar com uma fatia do bolo, são os escritórios de advogados que cobram milhões para fazer contratos "furados" que deveriam ser feitos pelos juristas que os ministérios têm nos seus quadros. São as consultoras que fazem "estudos" até para saber se vale a pena ter máquinas de café nos serviços.

Se cortassem toda esta gordura inacreditável sobrariam milhões por ano para gastar naquilo em que deve ser gasto. Se se livrassem dos pequenos e grandes corruptos no seio do Estado (e no poder autárquico em particular) o estado português não teria deficits. O drama é que os partidos precisam de agradar a estas clientelas para se perpetuar no poder. O mal parece ser, portanto, desta democracia que mais não é que uma ilusão de democracia para servir alguns com a coisa pública.

Se algum governo tem legitimidade para actuar é este. Foi eleito em maioria e com a intenção de reformar um estado em situação de ruptura. Pouco me importa que Passos tenha dito que não ia mexer no subsídio de Natal. Já mo levou e já não penso mais nisso. Mas se olharmos essas afirmações para dizermos que um governo não tem legitimidade, então não há um governo desde o 25 de Abril que se possa considerar legítimo.
A legitimidade advém do voto. E este governo teve esse voto. Teve o voto de muita gente que desejava ver-se livre do Sócrates e da sua pandilha de incompetentes. Teve o voto daqueles que acham o PS completamente incapaz de gerir um país. Ou incapaz de assumir as suas responsabilidades inventando "narrativas" elaboradas para se isentar de culpas.
A legitimidade deste governo advém da necessidade absoluta de termos alguém que governo sem o olho nas eleições seguintes. Alguém que governe equilibrando as contas do país e fazendo-nos sair deste atoleiro corrupto e fétido em que o PS tornou este país.

Soares já cá não vai andar muito tempo. Mas a memória do que ele fez e que agora esquece vai perdurar. Ele foi o primeiro de muitos socialistas aldrabões e incompetentes que este país já viu. Este que está em funções parece ser ainda mais incompetente e incapaz do que os que o precederam. Uma verdadeira calamidade.
E desenganem-se aqueles que pensam que Seguro alguma vez chega a primeiro ministro. Será substituído por um qualquer palhaço socialista com sede de poder. A questão que se colocará nas próximas eleições é quem vai enfrentar Passos Coelho. Não é se Seguro é mais capaz que Passos Coelho. Seguro será erradicado do PS e então veremos se não temos um digno sucessor da linha socratista a arriscar-se a ser 1º ministro. Aí sim a questão da legitimidade terá de se por.

Mas até lá muita água vai passar debaixo da ponte e mais vale esperar sentado para ver o que acontece.
Para já as contas públicas estão francamente em melhor estado do que estavam em 2011. Para já Portugal não está na situação em que a oposição gosta de fazer acreditar que está.
Se a solução não vier de dentro, não esperem que  a Europa nos salve por solidariedade.