A alternativa de esquerda?

Semedo está preocupado por não sentar o seu traseiro esquerdista no poleiro. Segundo ele o namoro entre o PS e o CDS torna isso difícil. A "alternativa de esquerda" está em risco.

Mas qual é a alternativa?

Vejamos...

1. Não pagar a dívida
2. Aumentar a despesa pública (com que dinheiro?)
3. Aumentar os impostos às grandes empresas
4. Baixar a carga fiscal (hum? às grandes empresas)
5. Apostar no investimento (de quem? das grandes empresas?)
6. Nacionalizar sectores chave da economia (e assim quem investe?)
7. Acabar com as rendas no sector da energia e rodovias
8. Aumentar o salário mínimo (com a saída do Euro até podem dizer que são 500 contos de reis porque o escudo não vai valer nada)
9. Criar emprego (só se for no Estado, porque empresas privadas deixará de haver)
10. Acabar com os exames
11. Sistema de saúde gratuito (por esta altura só se pagassem com feijões)

São apenas 11 das insanidades irreconciliáveis de Semedo e da menina histérica. Talvez só fosse possível fazer a primeira medida ja que tudo o resto ou seria inviável ou uma das medidas comprometeria todas as outras.

Estas são as alternativas de esquerda que Semedo tem falado desde há anos e que agora fala cada vez mais. O problema é que colocando essas medidas numa pequena lista torna evidente como é francamente impossível realizá-las sem que aconteça uma coisa. E essa coisa é aquilo que Semedo diz que quer evitar - o empobrecimento generalizado do país.
Numa situação assim acabariamos a fazer troca directa, nenhuma grand empresa manteria as portas abertas e não haveria qualquer investimento quer nacional quer estrangeiro.

É triste que esta gente não aprenda nada com o passado recente. O que Semedo continua a defender foi exactamente o que arruinou Portugal em 3 anos após o 25 de Abril. E que motivou a primeira intervenção do FMI.
O país nunca se recompôs. Adiou o inevitável com crescimento à custa do desbarato de dinheiro da CEE e manteve uma situação completamente artificial criando dívida em cima de dívida.
A Semedo perdoa-se esta ignorância completa de causa/efeito (ou talvez não). Afinal ele é médico, provavelmente da mesma forma que Nogueira é professor.
O grave é que gente como Louça defendia isto e Seguro (el burro) defende a mesma coisa. Apenas da boca para fora, claro está, porque ele sabe ou alguém saberá no PS que a maior parte destas medidas são inviáveis ou vão contra o seu comprometimento com a Troyka.

Então qual é a alternativa de esquerda? Pobreza e miséria ou será exactamente a mesma coisa que estamos a sofrer mas com "mais sensibilidade"?

Fora deste mundo - a constatação do alheamento

Por causa da recente greve dos professores tive uma conversa interessante com um professor meu conhecido e com o qual privo com frequência.
Como todos e especialmente dado a sua idade e posição na carreira, está preocupado com a mobilidade especial mesmo não sabendo muitos pormenores acerca da forma como se vai processar.

A questão que o afecta é a mesma de todos. Estão positivamente aterrorizados de serem colocados na mobilidade especial que é para eles sinónimo de despedimento.
Não saberem os critérios para essa colocação só agrava o estado de espírito. Qualquer pessoa que nunca enfrentou essa possibilidade começa a especular e a ficar em pânico com todos os cenários possíveis.

Mas o curioso da conversa foi a linguagem enquistada nestes profissionais e que torna muitas destas conversas um exercício de puro masoquismo.

A defesa do ensino público
Perguntei-lhe porque é que dizia isso. E a resposta foi no mínimo atabalhoada. A explicação parte do princípio que a saída de professores deixa o sistema com um deficit de docentes que obriga a descer a qualidade e consequentemente a abrir as portas ao ensino privado. Quando confrontado com o facto de estar a haver um decréscimo de alunos o que vai acabar por tornar muitos professores em docentes com horário zero, a explicação passa para o direito ao emprego "consagrado na constituição".
A defesa do ensino público acaba por se confundir com a defesa do seu emprego. O ensino público acaba por ser um eufemismo para a sua situação. O ensino público está bem se eles estiverem bem.

A discussão foi avançando com as comparações com o sector privado ficando mais ou menos claro que quem está no privado dá ênfase à segurança  e no público às vantagens que o sector privado tem.

Mas o que mais me fez confusão foi perceber que há uma barreira qualquer que não os deixa perceber que o que o sector público custa (pago com dinheiros públicos) é pago pelos impostos do sector privado.
A razão tem que ver com o facto de os funcionários também pagarem impostos.
O que é mais ou menos irrelevante porque deduzido o IRS retido na fonte, o liquido é pago do dinheiro público.

Uma afirmação deixou-me perplexo. E ela ilustra que na maior parte das vezes mesmo as pessoas mais inteligentes acham que o dinheiro público não é de ninguém e que não há a verdadeira noção do conceito de custo.
Quando eu lhe dizia que o trabalho de uma pessoa no privado gerava mais valias que eram tributadas com IRC e com IVA, o que não acontecia no público, a resposta foi que isso não existia porque o Estado fornecia os serviços gratuitamente. Não vendia os serviços que realizava.

Fiquei verdadeiramente perplexo com esta visão das coisas. Gratuitamente? Toda aquela conversa de o Estado consumir mais de metade da riqueza gerada no país não levou estas pessoas a fazer uma ligação entre o que é o custo do sector público e aquilo que os cidadãos pagam em impostos?

Na verdade os serviços públicos são tudo menos gratuitos. Se por acaso tivéssemos de pagar os serviços do estado como fazemos com os privados, em vez de irmos pagando com os nossos impostos, ficaríamos perfeitamente indignados com o custo e o serviço. Imaginem ter o vosso filho numa escola pública e pagar todos os meses 500-600 euros de mensalidade. Aceitariam aquele tipo de serviço por esse preço? Na maior parte dos casos diriam que não.
Por isso muitos além de pagarem isso (para que os filhos dos outros possam ter acesso à educação "gratuita") pagam ainda por cima a educação dos seus filhos no ensino privado. Onde são avaliados, onde existem regras e disciplina etc etc.
Na verdade alguns têm essas coisas gratuitas porque outros são sobrecarregados com impostos para as sustentar.
E parece não haver nenhuma preocupação com o custo desses serviços ou com o facto de haver gente sem fazer grande coisa apenas porque tem o "direito" de estar ali, à espera do dia em que se vai aposentar.
Quanto me custa a mim e aos outros contribuintes a educação "gratuita"? Estaria eu disposto a pagar, ali al contado todos os meses, 500 ou 600 euros de mensalidade pela escola pública de um dos meus filhos? Absolutamente não.

O maior problema que os professores têm com tudo isto é a arbitrariedade da escolha de quem vai para a mobilidade especial. Estão mais preocupados aqueles que não têm horário, obviamente. Não há nenhum critério que possa ser aceite por todos. Tal como não o houve para serem avaliados. Não querem correr o risco de que possa calhar a eles. E percebo isso. Só que não posso aceitar que num país em que o sector privado paga forte e feio a factura do Estado e ainda se vê a braços com o espectro do desemprego pague alegremente todos estes direitos sem questionar competências, dimensionamento e eficácia do serviço público.

A suposta defesa do "ensino público" com que gostam de cobrir as razões da "luta", desde as  mais nobres às mais inconfessáveis, não existe.
Não são seguramente os professores como um todo a fazer essa defesa. O que está em causa não é defesa do ensino público sequer. O "meio" está cheio de gente com qualidade que se acomodou e de gente acomodada sem qualidade.
A única coisa que une os professores como um todo é a garantia de emprego.
Porque a classe é muito variada e muito pouco unida e solidária, como aliás em todo o lado.
Os professores que chegam são atirados às feras pelos seus colegas. Literalmente. Sem qualquer prurido nem hesitação. Os professores novos são confrontados com horários indecentes e com turmas pavorosas. Porque no ensino a antiguidade é um posto e porque os professores mais "experientes" cortam e recortam para si a melhor parte do bolo.
E isto pode ser perfeitamente confirmado por quem quiser.
Os professores foram-se adaptando ao dia a dia. Se era trabalhoso reprovar um aluno passavam-no. O problema seria para o seguinte.
Se existe um risco que a avaliação faça vir alguns podres à superfície, contesta-se. Com a mesma argumentação de sempre - a defesa do ensino público.
A verdade é que a preocupação com o ensino público é da boca para fora. Durante anos pactuaram com um sistema disfuncional de forma crescente, protestaram timidamente contra as suas condições de trabalho, a sua falta de poder disciplinar sem dizer nada como classe.
Aceitaram pacificamente que os alunos saíssem cada vez pior preparados sem abrir a boca. Até era cómodo porque assim o esforço de "puxar" por alguns alunos nem era necessário.

Em suma, a classe só existe quando vem para a rua arregimentada pelos sindicatos a clamar por "direitos" adquiridos. Nem que esses direitos sejam absurdos ou impagáveis.

Dizia-me este professor que quando só houver ensino privado logo veremos. Sem hesitação eu digo: venha ele. Descontem-me dos impostos o que eu pago por este sistema caduco e pejado de ineficiências e eu pago alegremente o privado. Aliás, só poderia poupar em relação ao que gasto hoje. E mesmo o suposto ensino público gratuito superior paga à volta de 1000 Euros por ano em propinas apenas. Sem contabilizar todos os custos associados. Portanto acerca da gratuitidade estamos conversados.

A cultura de desresponsabilização vem de longe. Quando era preciso mais dinheiro gastava-se. E toda esta gente que não faz ideia do que é justificar o seu salário (e há muitos acreditem) vê-se hoje a braços com critérios de eficácia. Chama a isto liberalismo e afirma que é a destruição do sector público.

Uma greve para ter efeito tem de fazer-se sentir. É verdade. Mas há muitas formas de isso acontecer sem deixar plantados milhares de alunos. A greve podia ser às correcções dos exames. Ou podia ser numa outra data qualquer. A bem dizer o calendário de exames foi publicado primeiro. A ter de adequar as datas deve ser quem marca depois. Não é intencionalmente fazer cair a greve em cima dos exames e depois dizer que é o governo que não quer mudar. O que tinha a data de tão importante para ser marcada? Os exames. Ou seja, os sindicatos não estavam nada interessados em não "cair" em cima dos exames. A sua intenção era causar a maior disrupção possível ao ministério.
Desse ponto de vista só posso concordar que, se não quiserem ver os exames afectados, os sindicatos marquem para outra data. Simples.

Como acreditar que os sindicatos estão apostados na defesa do ensino público quando deliberadamente escolhem uma data que é claramente gravosa para milhares de alunos no país? E insistem que se alguém mude a data que seja o ministério?
Tenho muita pena de ver gente com pretensões legítimas enredada nesta teia de interesses e manutenção do status quo. E tenho muita pena que mesmo pessoas objectivas e inteligentes sejam incapazes de se "despir" dos seus interesses e olhar para as coisas de forma desapaixonada.

Porque é que eles estão "lá"

Nestes últimos dias de agitação do "mundo" docente tudo se disse acerca das razões para fazer uma greve.

A razão "oficial" é a defesa do ensino público. E aqui nada de novo. Não há uma greve que se faça neste país que não seja por razões altruístas.

Os médicos e enfermeiros fazem-nas em defesa da saúde pública, os professores fazem-na para defender o ensino público (e por tabela os alunos), os transportes fazem-nas para defender o sector público de transportes etc etc.

Num país como este, completamente pejado de individualismo e defesa de interesses muitos próprios, é sempre bom perceber que toda esta gente faz greve e perde uns dias de salário pelos outros.

O problema é que nem eu nem muitos portugueses acreditamos minimamente nestas razões.

E , como diria Marcelo, há 2 razões.

As razões da CGTP e de Nogueira
Derrubar o Governo. A única coisa que preocupa este longinquo professor é o seu alinhamento com a "central". Com a voz do dono. E apesar de se arrogar de defender todos menos ele, a única coisa que preocupa esta central sindical é, neste momento o derrube do Governo. Democraticamente eleito e com um mandato de 4 anos. Que não terá feito pior que os anteriores no que diz respeito à destruição do ensino e no caminho seguro para a sua insustentabilidade.
Se bem se lembram quando foi a polémica das avaliações também a agenda era a defesa do ensino público. Apenas porque a avaliação era tão complexa que tirava tempo para ensinar...
Mas desta vez Nogueira diz claramente que quer uma mudança do Governo. Não é uma mudança das opções do Ministro da Educação ou das Finanças.  É mesmo do Governo.
Em que é que isto é defender a escola pública é que eu não consigo entender, mas ele que anda na "luta" há dezenas de anos lá saberá.

As razões dos professores
A possibilidade de serem colocados na mobilidade e sairem da função pública aterroriza-os. Compreendo-os e creio que nenhum de nós gostaria de estar na mesma situação. Ao contrário dos trabalhadores do sector privado, nunca tiveram de se preocupar muito com essa possibilidade. Preocupavam-se sim com o momento em que pudessem ficar efectivos e não ter de passar a vida a saltitar de escola em escola. Mais uma vez percebo-os perfeitamente e gostaria que os meus dias nunca fossem interrompidos com pensamentos sobre a viabilidade do meu emprego.
A outra razão é a do horário de trabalho. 40 horas numa semana. Pouco se sabe qual o impacto que isto possa ter na componente lectiva e sei perfeitamente que há tempo gasto fora das aulas na sua preparação, preparação de avaliação e actividades complementares. Mas o facto é que os professores já deverão trabalhar as ditas 40 horas semanais com toda a certeza, pelo que este ponto nem é uma das questões maiores que os traz à greve. Provavelmente estarão por solidariedade com outros que fazem estritamente as 35 horas e não querem trabalhar mais uma hora por dia da semana.

A única razão que não existe em tudo isto
É a defesa dos alunos e a defesa do sistema público de educação. Se porventura não pairasse sobre eles o espectro da mobilidade, a maioria destes professores não sairia à rua em defesa de nada. Os alunos podem ser a preocupação de muitos, mas não a ponto de fazerem uma coisa que prejudica os alunos em grande medida. E quanto ao ensino público desde que o seu salário fosse garantido até à reforma estar-se-iam nas tintas para a sustentabilidade do sistema e para todos os outros que o pagam.

Sei bem que os professores também pagam impostos e trabalham como qualquer outra pessoa. Nem sou daqueles que acha que o tempo de férias no ensino até é um bónus simpático que muitos usam para isso mesmo - férias. Outros haverá que não o fazem ou porque têm tarefas na escola que lhes ocupam o tempo não lectivo ou porque trabalham em casa preparando o período seguinte.
Mas, surpresa das surpresas, eu conheço centenas de pessoas no sector privado que fazem os mesmo. Chegam a casa e trabalham. E durante o dia excedem largamente as 8 horas de trabalho e sem qualquer compensação extra.
Sei também que muitas vezes têm de fazer na escola aquilo que os pais se isentam de fazer em casa - educar. E sei que isto desgasta terrivelmente e é pontuado de vez em quando com um aluno brilhante, interessado e inteligente.
Não consigo é perceber como é que num país em que a demografia está claramente a apontar para um decréscimo de alunos, se pode conviver com o mesmo número de professores para sempre. Ou pior ainda, viver já hoje com uma quantidade enorme de professores com horário zero.

Se o horário zero não é sustentável atribuam a estes professores algumas turmas. Não estou a dizer que lhes deêm a carga horária máxima mas ao menos alguma coisa. Na verdade alguns deles estão nesta situação porque a lei lhes conferia redução de horário ao longo da carreira. Mas estar numa escola anos sem leccionar não deixa de ser absolutamente ridículo. A não ser que haja uma razão médica para não o poderem fazer e aí o caso muda de figura.
A alternativa para estes professores não pode ser entre não leccionar e a saída.
Tem de haver alguma coisa pelo meio. Nem que seja a mudança para uma escola onde a sua disciplina seja leccionada, se por acaso o horário zero acontecer por não haver alunos (o que acho que nem é o caso).

Na verdade o que vemos de cada vez que há um problema a resolver é a tentativa de manutenção do status quo.
Uns por umas razões e outros por outras. Mas a verdade é que todos estão confortáveis como estão porque a alternativa pode ser pior. E resistem.
Resistiram com a avaliação porque na verdade era um sistema ridículo e contraproducente. Mas ainda estamos para saber qual foi a alternativa proposta. Não será que passada a "batalha" da avaliação e com a queda das ministras de má memória tudo foi atirado para trás das costas?

Acho bem que lutem. Acho bem que ponham o pé na porta quando alguém faz algo de erradoO que me aborrece é que não tenham a decência de dizer porquê. Ou de dizer coisas como por exemplo "sou professor há 30 anos...". E então? É exactamente o que se passa no sector privado. Não há qualquer segurança no emprego. E aparentemente toda essa gente tem de viver com isso.

Gostaria muito de ver os professores reclamar contra o facilitismo na avaliação. Contra a dificuldade de reprovar um aluno. Contra a indisciplina nas escolas. Mas em vez disso passavam-nos para não ter de os aturar e para não se perderem em justificações e hoje temos toda uma geração que chega à universidade e é virtualmente analfabeta. Aprenderam a viver com o sistema e deixaram passar toda a porcaria porque isso lhes trazia menos problemas e melhorava a estatística. E é isso que os Governos adoram - a estatística.
Não quero de maneira nenhuma que os professores fiquem com o pior. Até vivo bem com o facto de terem melhor que eu, mas por favor digam que é porque não querem perder a segurança de um emprego para a vida e não se ponham com estas merdas da defesa do ensino público para se justificarem. Muito dificilmente o objectivo primeiro desta luta pode ser a defesa do ensino público. Digam alto e bom som que é porque não querem ver-se desempregados por um qualquer critério arbitrário. E aí eu aplaudo de pé e só tenho pena que no sector privado, profundamente individualista e egocêntrico, se olhe para o colega despedido como o cordeiro sacrificial... Ainda bem que não fui eu.
Todos sabem porque é a greve e quais as razões de todos os lados. Os alunos e o ensino público são aqui perfeitamente marginais.

Desejo-lhes a melhor sorte, mas num país em que mais de metade da riqueza do país é "comida" pelo estado que impõe impostos elevadíssimos à população em geral, custa-me um bocado a perceber porque é que temos de garantir certos empregos em vez de pagarmos a quem faz um "trabalho".

Um bloco esboroado

Pobre Bloco de Esquerda.

Não bastava já a existência de cisões internas e o abandono do Grande Líder, ainda tinham que ter escolhido para sucessores um par de pobres diabos sem chama nem glória.

Louçã tinha uma arte especial de mentir convictamente. O espectáculo das suas palavras sobrepunha-se ao conteúdo. O ar assertivo e o ênfase em alguns momentos do discurso quase  apagava os disparates que dizia. Tinha currículo. Feito no ensino público e obviamente à custa também das suas capacidades intelectuais.

Por isso conseguiu lançar sobre si o manto do esquecimento. Praticamente ninguém se lembra ou sabe o que era Louçã antes do Bloco. O PSR, aquele grupo revolucionário que defendia o impensável, com um líder que adorava a Albânia de Hoxha.

De tudo o que era radical, o PSR tinha um lugarzinho especial. Todos se transformaram em nada. LCI, AOC, MRPP, UDP. Mas o PSR renasceu das cinzas e criou o bloco.
Talvez devêssemos dizer que o Bloco era Louçã. Poucos teriam a inteligência de recriar do nada um partido de ideologia comunista travestido de aglutinador dos que sofrem.

Louçã era um líder culto, capaz de ter uma conversa com pose de Estado e um manipulador nato. Não foi por acaso que se tornou na coqueluche dos media. Fica sempre bem ter um revolucionário como amigo. Um tipo que sabe falar e mastigar o croquete de boca fechada. Nada que se pareça com a horda de broncos do PCP que não têm preparação nem pose para frequentar os melhores ambientes.

O problema do Bloco é que Louçã se foi. E deixou à frente do partido duas criaturas que muito dificilmente conseguirão manter o bloco na posição que já ocupou.

João Semedo parece ser um bom homem. Com experiência de vida, médico e conhecedor pelo menos do sistema de saúde neste país. Talvez não o conheça do ponto de vista administrativo ou de gestão mas pelo menos viveu nele e já o ouvi dizer coisas muito acertadas acerca da saúde em Portugal.
Só que o pobre Semedo não passa disso. O seu discurso é soporífero e recheado de chavões proto comunistas. Não há outro remédio senão olhar para ele e ver um fóssil. E era essa arte de Louçã: tinha discurso de fóssil que parecia novo... mas não era.

Catarina Martins é a todos os títulos uma barata tonta. A sua principal ocupação é indignar-se muito. Poderá saber como funciona um partido mas claramente não sabe muito de política. Não se pode dizer que seja alguém muito por dentro da história do pensamento político nem que tenha um "vasto" conhecimento da matéria.
A sua mania de se sair com frases lapidares choca quase sempre com o ridículo das afirmações. Debate como uma débil mental e indigna-se com as coisas mais disparatadas que se possa imaginar (mas neste particular ainda não consegue bater o vazio Seguro...).

A imagem que temos hoje do Bloco é muito diferente da que tínhamos com Louçã. Por muito aldrabão e pequeno burguês que fosse Louçã, ainda era daqueles tipos com quem se podia ter uma conversa.

Com estes dois a vontade que dá é deixar Semedo a falar sozinho e esganar Catarina Martins. Não são claramente o tipo de pessoas que possam ser a coqueluche dos media. De tal forma é assim que a presença do bloco nos alinhamentos televisivos caiu tremendamente.

Ao ouvir Semedo na apresentação como candidato à CML a única coisa que ocorre fazer é dar um longo bocejo. Os chavões "da esquerda" e a tentativa de se afirmar como qualquer coisa de diferente chocam inexoravelmente com a realidade. A esquerda tal como a concebe Semedo é completamente incapaz de se adaptar à realidade. É apenas capaz de ter a sua própria realidade que não é, nem pouco mais ou menos, possível.

Outros bem falantes do Bloco desapareceram. Daniel Oliveira que é sempre aquele tipo que está com um pé dentro e um pé fora (acha-se um livre pensador) escrevinha umas coisas no Expresso e diz umas insanidades no Eixo do Mal com um ar grave. Mas a verdade é que lhe parece mais apetecível o poder do que a "luta" sem vantagens. E disse-o numa reunião geral do Bloco (ou como raio chamem aquele ajuntamento) para estupefação dos presentes que o votaram ao degredo.
Rosas passou a viver confortavelmente da sua cátedra e diz umas coisas na TVI24. Fazenda desapareceu quase completamente dos media. E quando aparece também não passa dum daqueles tipos que diz coisas e faz afirmações por uma questão de fé.

O facto é que nada do que dizem é consubstanciado pelos factos ou pela realidade. Acreditam, e pronto. Se tirarmos o conteúdo da crença estão ao mesmo nível que os cristãos radicais nos EUA. É fé.

Imagino que o Bloco que pode ter gente cheia de boas intenções se vá afundando paulatinamente com estes dois pobres diabos na frente. Por muito líder do Syriza que mandem vir para as manifs ou por muita solidariedade que demonstrem pelos rebeldes na Siria. As causas do Bloco passaram a ser quase alienígenas. E no caso das causas locais são apenas redundantes. Em nada se distinguem das constantes profecias de desgraça do PCP ou das boas intenções do PS.

O Bloco, como dizia um conhecido meu, nem é carne nem é peixe. É uma grande merda.

E convenhamos que andar a bradar pela expulsão da Troyka e o não pagamento das dívidas e ao mesmo tempo dizer que isso melhora a situação dum povo já na desgraça ou é uma mentira descarada e consciente ou é um total desfasamento da realidade e o alhear completo das consequências que uma coisa dessas podia causar ao país. Em qualquer dos casos não é lá muito abonatório para a inteligência dos líderes programáticos deste pequeno partido.

Os portugueses de alguma idade sabem bem o que aconteceu com a desvalorização do Escudo (forçada mais uma vez pelas asneiras incríveis cometidas pela esquerda neste país) e com o racionamento de bens essenciais como o leite ou da escassez de carne e outros bens essenciais nos anos que se seguiram ao 25 de Abril.

O que esta gente propõe como alternativa à frigideira é o lume. E fazem-no por uma questão de fé. Ou não têm noção das consequências por mera estupidez ou porventura acham que alguma vez serão poder e podem controlar com mão de ferro um país descontente e miserável.

O consenso num país de merda

As eleições autárquicas foram marcadas para 29 de Setembro.

Só que a oposição em bloco está contra. E as razões são as mais fascinantes.

A 13 de Outubro não deveria ser porque os portugueses são católicos e como se sabe vão em massa a Fátima. Mas essa foi a data proposta pelo PS. Deve achar que os católicos não votam nele e portanto quantos mais forem a Fátima melhor.
E acha que a 22 de Setembro também não pode ser porque nessa altura os portugueses estão de férias. O que não se percebe porque segundo o mesmo PS os portugueses já não podem ter férias.

O Bloco queria que fosse o mais tarde possível. Para que os votantes soubessem qual o conteúdo do próximo Orçamento de Estado para 2014. A ideia é tentar que os portugueses zangados com mais um orçamento de austeridade não votem nos partidos do Governo. Para quem passa a vida a tentar dissociar a realidade local da nacional, não deixa de ser interessante que se queira aproveitar uma questão nacional para influenciar os resultados de eleições locais.

O PCP queria o 6 de Outubro mas o PS acha uma "hipocrisia" que os partidos do governo não queiram porque foi este Governo que acabou com o feriado do 5 de Outubro (!!!). Só não percebo qual o problema já que o 5 de Outubro é um sábado e o 6 um Domingo. Digo eu que se tiver de haver comemorações nessa data até calha bem. É um sábado...

As razões de marcação de datas são as mais estapafúrdias e têm por detrás os cenários especulativos mais ridículos que se possa imaginar. Nestes casos a regra deveria ser simples. No domingo mais próximo ao fim do período de 4 anos. Nem que seja 2 ou 3 dias mais cedo ou mais tarde. Essas eleições eram sempre num intervalo de uma semana sempre no mesmo mês do ano.

Acabava-se esta palhaçada de uma vez por todas e as regras do jogo evitariam este tipo de especulações e acusações ridículas entre partidos. Consagrava-se isto na lei e era só fazer as contas. E era válido para TODAS as eleições. Se nalgum caso se verificassem eleições antecipadas o contador fazia reset e passava a ser nessa data. Qual é o problema? Há-se haver sempre uma razão para que estes ridículos partidos achem que vão ganhar ou perder eleições.

Essa razão é muito outra. Na maior parte das vezes perdem porque fizeram merda da grossa. Ou ganham porque os outros fizeram merda da grossa.

Andarem armados em aprendizes de feiticeiros a tentar encontrar razões para que os partidos do governo saiam beneficiados ou prejudicados é mesmo andar a remexer na merda com um pauzinho. Coisa em que Seguro é um perito.
Chora baba e ranho por cada coisa que acontece e que deixa a maior parte das pessoas impávidas e serenas. É um actor medíocre e um falso dos quatro costados. A razão é a do Bloco e nada mais. Eles querem que seja o mais tarde possível precisamente pelas razões invocadas por Semedo e pela histérica que o acompanha no Bloco. Aquele par de jarras, um completamente inábil e o outro completamente inútil lá se descaem com as razões da SUA data.

Infelizmente para eles o "papa" da extrema esquerda já se foi e eles são claramente incapazes como líderes. O que não deixa de ser adequado, uma vez que o partido é um partido de incapazes. Veremos o seu estrondoso resultado.

Mas de facto não há pachorra para estes "casos" de merda inventados a cada minuto pela oposição. Não há pachorra.