O afundanço de Portas e do CDS

Os meus vaticínios não andaram muito longe da verdade. (http://eumbloguedatreta.blogspot.com/2013/07/a-traicao.html).

Tinha previsto uma queda drástica na popularidade de Portas e do CDS. E de facto segundo o último barómetro.
Paulo Portas foi o líder que mais perdeu com a crise política no último mês. Os resultados do barómetro da Aximage para o Correio da Manhã, realizado entre segunda e quinta-feira da semana passada, revela que, numa escala de zero a vinte, avaliação feita a Paulo Portas passou de 8,8 em Junho para 4,7 em Julho.
A avaliar por alguns destes indicadores, Pedro Passos Coelho, pelo contrário, continua em terreno negativo, mas parece ter recuperado popularidade. A média passou de 3,9 para 5,5 ultrapassando Paulo Portas pela primeira vez desde, pelo menos, há um ano.

Em Julho, o PSD recuperou nas intenções de voto (quase cinco pontos percentuais, para 28%), enquanto o CDS caiu (3,6 pontos percentuais, para 5,8%). O PS tem uma percentagem mais alta de intenções de voto (que subiu 2,2 pontos, para 37,4%).

Ao longo do último mês, tanto a CDU como o Bloco de Esquerda registam quebras nas intenções de voto, para 10,5% e 6,7%, respectivamente.

O trabalho de campo para este barómetro, que se baseia numa amostrar de 603 entrevistas, foi feito entre os dias 8, segunda-feira, já depois da apresentação da nova composição do Governo (que teria Paulo Portas como vice-primeiro-ministro) e o dias 11, quinta-feira, já depois da declaração do Presidente da República, Cavaco Silva, ao País.
Fonte: Negócios Online
 É um espetanço e pêras. Portas afunda-se para último lugar. O país não lhe perdoa e nem perdoa ao CDS que tem uma queda para níveis abaixo do BE.
O curioso ºé que o PCP e o BE também caem. Será que as pessoas perceberam a inutilidade de tais partidos? Será que as pessoas perceberam que o que eles fazem não passa de conversa inconsequente?

Passos e o PSD por outro lado vêm uma subida que há muito não se verificava.

Mesmo com a pouca confiança que tenho nestes barómetros que parecem sempre enviesados para a esquerda, não há dúvida que o gesto teve consequências. E podem ser graves demais para o CDS. Irrecuperáveis antes das eleições sejam elas em que data forem.

O outro número que vou gostar de ver é o da popularidade de Cavaco com esta sua decisão ambigua e confusa.
As pessoas não lhe vão perdoar o prolongamento de uma crise por razões pouco claras. Parece que a única coisa que quis fazer foi uma pequena vingança em relação a Portas.
Mas para isso arrasta o país numa paz podre durante duas semanas. Pede o impossível a um PS que anseia por estar fora de tudo o que o comprometa.

Cavaco devi saber isto. E devia saber que isto se paga. Portas devia saber o mesmo. Ainda que pudesse ter saído reforçado no seio do governo seria um canto de cisne do CDS no qual muitos deixarão de votar enquanto tiver lideranças deste grau de irresponsabilidade.

O que Portas fez foi depositar o poder nas mãos do PS. Do mesmo partido que nos arruinou e que nos tem causado todas as dores do ajustamento.
Se isto não está presente na cabeça de um líder quando toma estas decisões, devia estar. Sob pena de deixar de ser líder. Esperemos até ao próximo congresso.

Crise política arrasa imobiliário


Pode um um título ser mais imbecil? Não.


A coisa talvez até esteja invertida.
Se formos ver bem, o imobiliário arrasou o país. E não o arrasou só por cá. A crise mundial teve origem no subprime (hipotecas de elevado risco) alavancado de forma desmesurada pelos agentes financeiros.

Em Portugal as coisas não andarão muito longe disto. O endividamento das famílias e o risco dos activos dos bancos se transformarem em passivo deve-se em enorme medida ao sector imobiliário.

O sector gozou de diversos anos de rédea solta. Construiu-se muito mais do que fazia falta. Desde habitação a escritórios a banca e o sector imobiliário, de mãos dadas, transformaram este país numa selva de betão.

Com a conivência da banca e das autarquias destruíram os centros das cidades ao construir em periferias de cidades pequenas deslocando as populações e deixando ao abandono os centros das cidades.

O planeamento urbano foi pensado para permitir a criação de habitação muito acima das necessidades da maior parte das cidades do nosso país.

Enquanto isso a banca emprestava dinheiro a toda a gente com a ideia peregrina de que o imobiliário só podia mesmo valorizar-se e que em caso de incumprimento teria na mão activos valorizados em relação ao seu preço de compra.

O endividamento da banca no exterior só por causa da "guerra" do crédito à habitação é de tal forma grave que levará anos a voltar à normalidade.

Isto alimentou milhares de empresas do sector que construíam mal e porcamente e vendiam a preços absurdos. Muitas delas fugindo ao fisco e propondo aos compradores negócios simulados. A tal situação em que o valor de escritura era muito mais baixo que o preço da casa comprada.

Portugal montou uma economia baseada no imobiliário. Com a bênção do sr. Cavaco, diga-se de passagem.

Eu diria que o sector teve mais de 10 anos para se encher de dinheiro. Mas não souberam quando deviam parar. E o resultado está à vista. Milhares de casas desocupadas, novas e caras, há mais de 5 ou 6 anos. Por todo o lado.
Com a estúpida ideia de que chegava para todos, as empresas de construção apareciam como cogumelos. Para subcontratar e ser subcontratadas.

Há edifícios de escritórios completamente vazios. Todos os dias passo em frente a um na segunda circular (Torres de Lisboa) que está para arrendar alguns pisos há uns bons 7 ou 8 anos.
Numa altura em que as empresas caem como moscas é de esperar que os espaços para escritórios sejam largamente excedentários. E são.
Os espaços comerciais vazios estão por todos os lados. Desde Lisboa ao Porto ou em qualquer cidade do país há espaços para lojas vazios que chegarão para mais de uma dezena de anos.

E para o caso dos responsáveis do sector ainda não terem reparado, não é esta crise que lhes causa problemas. Foi a sua fussanga sem fim que lhes causou problemas a eles e a todo o país por arrasto.
Uma elevadíssima percentagem de desempregados neste país vem do sector da construção. Se calhar porque o sector desatou a construir como se fôssemos um país de 20 ou 30 milhões de habitantes. Sem qualquer planeamento nem qualquer preocupação com o futuro.

O sector da construção é um dos que é gerido por estúpidos gananciosos do mais alto nível, porque construiram tanto que vai haver casas para vender durante mais de uma década.
A ponto de causarem a sua própria ruína. Isto não diz muito da inteligência dos envolvidos.

O que é que querem agora que a percentagem de portugueses que podem fazer um crédito para habitação se reduziu de forma drástica?
Ainda por cima, se forem espertos, vão esperar que as casas baixem um bocado mais para poder fazer um bom negócio.

Falam agora de reabilitação. Mas para vender a quem? Para alugar a quem? E a que preços?
O país que tinha vivido bem com metade do que se construiu entre 1995 e 2005. Já tiveram a oportunidade de reabilitar património edificado de qualidade que está agora a cair e que não tem hipótese de recuperação  a não ser enterrando fortunas. O que torna completamente inviável a obra pelos valor absurdo que uma casa acaba por custar ou pela renda que tem de ser cobrada para pagar a reabilitação.
Preferiram construir novo em terrenos agrícolas com o seu estatuto alterado à pressa para urbano (o que deu milhões a "espertos" bem colocados nas autarquias) porque dava mais dinheiro e não tinham de se ralar em fazer projectos complicados e ter em atenção ao pré existente.

Dizer que é a crise política dos últimos dias que está a causar problemas é o mesmo que dizer que é o descongelamento das calotes polares que está a causar o aquecimento global.

É mais uma burrice de alguém que pertence a um sector que é conhecido por causar problemas de uma escala incomensurável por todo o mundo.

Eu propunha que o título da notícia fosse : Imobiliário arrasa o país.
Seria muita mais verdadeiro e muito mais factual. Foi e é a fonte da maior parte da corrupção em que vivemos mergulhados. O sector devia mesmo chamar-se "sector da corrupção imobiliária" para que todos soubéssemos do que se está a falar.

Vão chorar para a puta que os pariu.
Ponham as casas a preços decentes para as conseguir vender ou retirem-se do mercado e vivam dos lucros fabulosos que fizeram durante mais de uma década.

Assim é a economia de mercado. Se as pessoas não podem comprar tem de haver alguém inteligente que pare de construir em vez de vir apelar ao governo que subsidie (através de vantagens fiscais) um sector que sempre que pôde se furtou às suas responsabilidades fiscais, e omnipresente em tudo o que é corrupção e fraude fiscal neste país.


Como virar tudo do avesso

Dois dias após a comunicação ao país de Cavaco Silva começa a ficar evidente o nó que ele conseguiu dar na nossa situação política.

Ao não ser claro em absolutamente nada e ter preferido castigar Portas, não beneficiando a sua perigosa jogada, castigar Seguro ao deixá-lo com o ónus de uma solução estável e ao castigar Passos condenando o seu governo a um estado de vida assistida, Cavaco condenou de facto o país a uma modorra insustentável e altamente prejudicial para a nossa saída da situação de crise.

Ontem a bolsa portuguesa (PSI 20) caiu. As taxas de juro da dívida portuguesa a 10 anos não reflectiram imediatamente o estado das coisas. Talvez porque não é fácil para quem estar de fora perceber as subtilizas da sua decisão.
Os juros já estão a subir de novo, tendo ultrapassado a barreira dos 7%. É curioso como olhando para o gráfico se nota perfeitamente que acção causa este tipo de prejuízo.

Seguro já fez as declarações do costume. Uma mão cheia de nada. "Crescimento e emprego" a que junta agora "renegociação da dívida com mais tempo e juros mais baixos" entre outras insanidades produzidas pelo seu mirrado cérebro. Mas nunca aceitará fazer parte de um governo que "corte cegamente" no Estado.

O Estado, a única coisa que interessa aos socialistas. O caldo de cultura do qual vivem há décadas e que foi saqueado em nome de elevados princípios. Tirar o Estado ao PS é como arrancar-lhe o coração. Sobretudo é como privar toda uma corja instalada do seu modo de vida.

A esquerda ainda mais à esquerda vive sob a influência de drogas verdadeiramente pesadas. Pede aumentos, fala de direitos e esquece completamente que o país não pode suportar ad eternum deficits assassinos. Acreditam piamente que a solução para este problema é o confisco puro e simples de toda a riqueza que possa ser produzida por quem quer que seja.
Este tipo de vontade redundou sempre na miséria generalizada. E apesar de todos sabermos o que isso significa em países que eles admiram, continuam a pugnar por este tipo de ideais como se fosse a nossa salvação.
Usam a estratégia de pressão com acções cirurgicamente planeadas para ser mediáticas. Dão assim uma ideia de descontentamento geral que não corresponde minimamente à realidade.

Aos dias de expectativa seguem-se agora os dias de desilusão. O que tinha sido evitado com uma coligação revisitada foi destruído com um discurso que nem é carne nem peixe. POr algo que só é uma certeza na cabeça de Cavaco. Se for...

Revolta

Diziam que Stalin era perfeito a construir cenários idílicos para apresentar aos visitantes do Ocidente.
E com essa "arte" convenceu nuitos intelectuais do ocidente que a União Soviética era o paraíso na terra.

O cenário era montado meticulosamente. Gente feliz, mesas fartas, aparente liberdade de movimentos. Enquanto isso a outra face consistia em purgas generalizadas de civis e militares. De tal forma assim foi que a guerra russo finlandesa se saldou por uma hecatombe perante o pequeno mas eficaz exército finlandês.
Por essa altura quase todo o corpo de oficiais do Exército Vermelho tinha sido eliminado para evitar qualquer ameaça ao poder do Grande líder.

A escola Estalinista foi bem usada por ele e por muitos outros por esse mundo fora. Por cá há uma linha dura que adopta passo por passo a mesma estratégia. O PCP e o seu braço "armado" encenam constantemente protestos com umas dezenas de indivíduos, que todas somadas dão uma aparência de constante instabilidade e insatisfação perante o quadro político e governativo.

São já muitas as ocasiões em que gente afecta ao Bloco e ao PCP interrompe os trabalhos parlamentares. Não só o fazem como criam um fenómeno repetido por outros, porventura menos engajados e doutrinados, com razões de queixa.

Hoje revi declarações de alguns dos arguidos no caso da tentativa de bloqueio da ponte. E o que é espantoso é que quando perguntado a um deles se ia bloquear a ponte, respondeu "se os outros fossem...". Uma rapariga disse que não. Que iam todos felizes com música a tocar e tal...

A facilidade com que se envolve gente neste tipo de situações é abismal. Imaginem o que não será com um grupo de convictos doutrinados.

O que esta gente pede é a demissão de um governo. Eleito democraticamente com um mandato para 4 anos e apoio maioritário no parlamento. A subversão completa da ordem democrática.
E isto vem de dois partidos cuja votação somada parra em meros 70.000 votos a votação do segundo partido da coligação.
Não creio que as intenções de voto nestes partidos tenham crescido desmesuradaente. Não estamos a falar de representarem 20% do eleitorado. Nem sequer 15%.
Mas actuam como se fossem a RAZÃO absoluta com direitos totais de impor a um grupo muito maior do eleitorado a sua vontade "abençoada" por (sabe-se lá quem...) Lenine ou Trotsky.

Basta criar um clima propício e consegue-se dar uma ideia completamente falsa de estar rodeado e no meio de uma "revolta" popular.
Se bem se lembram bastaram duas dezenas de terroristas para criar o pânico nos Estados Unidos no 11 de Setembro . 19 para aterrorizar de forma total uma população de 250 milhões. Parecia que os Estadios Unidos estavam cercados.

A táctica não é muito diferente. Um grupo de 40 ou 50 que se movimenta de local em local causando disrupção e ruído.

Mas no fundo são sempre os mesmos. Mobilizáveis e empenhados, estão em todas.
Vai sendo hora de que esta gente perceba a sua real representatividade. Ou que alguém ponha mão neste tipo de coisas, sob pena de com grupos radicais à mistura começarmos a ter o tipo de coisas que vemos nas TV's nas cimeiras internacionais.

Seja como for é sempre o mesmo grupo de merdosos. Ansiando por tirar a alguém aquilo que eles são incapazes de conseguir para si. Que conviveram bem com a ladroagem e o desbarato de dinheiro dos outros e que agora querem por força manter os seus direitos mesmo que para isso todos os outros não tenham nenhum.

São a corja mais intolerante, autocrática e alienada com que alguém se pode enfrentar. Incapazes de discutir, cheios de chavões falsos ou meio verdadeiros e com umas palas nos olhos como os burros.

Nem conseguem aceitar que o colapso dos regimes do Leste foram o regresso à liberdade de milhões de pessoas. É este o tipo de gente que anseia por um dia por as mãos no poder. Outra vez, como se o ano e meio a seguir ao 25 de Abril não tivessem bastado já.
Ainda ficou muita gente dessa incrustada no sistema. Estão por aí, nas universidades, na função pública, nas escolas. Gozaram de uma tolerância que nunca mostraram com os outros.

A democracia foi-lhes muito favorável. Tivessem eles conseguido o assalto ao poder e terámos passado de uma ditadura para outra.
Eles aí estão. Os Jerónimos, Arménios, Louçãs, Semedos e toda a corja que os rodeia.
Só quem nunca assistiu ao que foi o imediato pós 25 de Abril é que pode julgar que esta gente vem por bem. Uns verdadeiros parasitas.

Serei bruxo?


A minha aposta? Amanhã a bolsa cai e os juros da dívida sobem. Quando se perceber bem que a solução é demasiado intrincada e poderá ser impossível desatar este nó vamos ter sarilhos dos gordos.
Quanto ao outro vaticínio (juros da dívida em subida) creio que só não aconteceu porque estão um bocado confusos acerca do que Cavaco Silva fez. Não sabem se é bom ou se é mau.
Esperem até perceberem ou até o calvário de patetices de Seguro que temos de percorrer se começar a tornar óbvio para todos.

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Há coisas irreversíveis


Há certas coisas que é inútil debater.
Quando essas coisas acontecem só há uma forma de resolver o assunto: Tratar dos danos e seguir em frente.

Uma das coisas que muita gente parece não entender é que foram causados danos irreversíveis ao país.
Simplesmente gastaram dinheiro que tinham e que não tinham a ponto de secar a fonte.

Acredito piamente que a maior parte deste desequilíbrio seja atribuível a corrupção, favorecimento e negligência.
A hipótese em que menos acredito é a última, mas é sabida a forma como se gere dinheiro "público". É como se ele não fosse de ninguém ou aparecesse sempre mais.
Os exemplos de negligência na gestão de dinheiros públicos estão por todo o lado. Ainda assim não se comparam aos milhares de milhões que servem e serviram para engordar empresas do "regime" ou com as fortunas adquiridas de forma meteórica por muito boa gente. Na política são incontáveis os casos de pés rapados que estão colossalmente ricos dez anos depois. Destaca-se a grande altura, obviamente, Sócrates. O pobre homem que viveu em Paris com um empréstimo da Caixa. Mas que praticamente na mesma altura "torra" muito mais do que afirma ter pedido emprestado num Mercedes Classe S.
Dias Loureiro  é outro caso, isto só para não se dizer que os casos estão só de um lado.

Foi nesta situação que Passos encontrou o país. E como manda o bom senso lá disse que não adiantava falar do passado. Era preciso tratar do futuro. Muitos interpretaram isto como uma forma de não culpar o PS de ter arruinado o país. Eu interpretei isso como um gesto de realismo. Tratar dos feridos, enterrar os mortos e seguir em frente. A esponsabilidade existe, mas invocá-la não melhora em nada a situação do país.
Desde esse dia que o PS pensou que se tinha "safado". O passado não importava.
Mas não é possível fazer tábua rasa de tudo o que foi a sua actividade Governativa. A coisa é de tal forma impossível que até Teixeira dos Santos que pensava ter-se livrado da responsabilidade dos swaps na entrevista que deu, acaba por ser confrontado com o facto de na documentação de transição não constar nada de significativo acerca do tema. Sobretudo, e isto é realmente importante, não constava nada acerca das condições e natureza dos contratos.
Mais uma vez acredito que Teixeira não fizesse ideia do que as empresas públicas andavam a fazer. O que não é nada lisonjeiro para um ministro das finanças.

Infelizmente Passos lida com uma oposição à esquerda que não só nega responsabilidade no descalabro como outro sector parece estar tão desligado da realidade que até nem queria o dinheiro da Troyka. Ao mesmo tempo que quer aumentos melhoria de condições. Num país em que não havia dinheiro para pagar salários...

A "solução" de Cavaco deixa Seguro perante outra situação irreversível. Se Seguro não aceitar uma solução ficará ligado, tal como Portas, a esta crise. E isso tem custos eleitorais graves.

Resta saber quais os custos que Seguro quer aceitar. Esses, ou os custos de ter de ser realista e enveredar pelo caminho da redução de despesa do Estado.
E as medidas que pressupõem a mudança de estatutos do BCE ou os supostos murros na mesa que daria com a Troyka, bem os pode meter onde lhe convier. Não vão acontecer nem que ele deseje muito.
Portugal está numa situação de comer e calar. Ou... deixar de comer.

É uma encruzilhada complicada esta que Cavaco criou. Mas não deixa de revelar alguma inteligência. Porventura farto de ver o PS a por-se de fora da solução dá-lhe uma escolha: ou isso ou é o problema.

Um líder capaz lidaria com isto airosamente. Um líder capaz nunca se teria enfiado num beco sem saída. Mas Seguro é tudo menos um líder capaz. E a sua perfeita nulidade táctica começa a vir ao de cima.
Depois de Alberto Martins ter dito o que disse ontem, hoje já se assiste a uma suavização do discurso.

Vamos ver o que isto dá. Mas se Seguro não entra no barco agora, pode muito bem não ter barco para entrar em 2014. É que se o PSD e o CDS forem espertos vão explorar esta situação até ao limite. E se a economia recuperar como o fez no ultimo trimestre, Seguro cai pela base.

Isto está a ficar interessante. É nestas alturas que se distinguem os homens dos meninos. E para já Seguro é um menino...

E quem desata este nó?

Agora é que Cavaco deu um nó nisto tudo.

Talvez por não apreciar o facto de o "infractor" ser beneficiado, chegou e disse que o Governo está em funções e que um governo que esteja em funções até 2014 e mesmo depois disso deverá ter o apoio dos 3 partidos (PSD, PS e CDS).

Tendo em conta as recentes declarações de Seguro e as de Alberto Martins já depois da intervenção do PR, a coisa parece estar periclitante.

O PS está "irredutível" na vontade de só alinhar num elenco governativo com eleições.

E porquê?
Porque sabe que é inevitável ter de aplicar medidas a que andou a opor-se. E fazendo-o não sendo eleito é como garantir que não o é.
Se for com eleições em que ganhe, pelo menos acha que se consegue aguentar uma legislatura.

Mais uma vez um comportamento táctico com o olho no poder. O objectivo é chegar lá mesmo que se diga o contrário do que se vai fazer. Mas desta vez o PS sabe MESMO que terá de fazer o contrário.

Vai ser extremamente difícil que o PS alinhe nesta solução. Vai deixar os partidos do governo desgastarem-se de forma irreversível.

E Cavaco ao não deixar que haja novo "fôlego" no Governo condena-o a uma condição de zombie até ao Verão de 2014

Do ponto de vista da argumentação sobre a estabilidade não deixa de ser estranho que Cavaco crie um período de quase morte de um Governo fragilizado pela decisão.

Adeus chicotada psicológica, adeus aos excelentes resultados do CDS com esta manobra.

Seguro fica ele também num impasse. Se não aceitar será visto por muitos como alguém que se recusa comprometer quando lhe é dada uma opotunidade. Se se comprometer queima-se porque terá de passar a concordar com tudo o que discordou até ontem. Vai ter de cortar no Estado (social ou não) vai ter de aceitar medidas como a privatização da RTP ou a reforma administrativa e autárquica. Vai ter de perceber que há professores a mais para os alunos que temos.
Basicamente deita todo o seu discurso pelo cano abaixo. Se não o fizer, ficar de fora também não o resguarda.

De uma assentada Cavaco deu uma chapada colectiva a todos os líderes partidários. É calculado para não agradar a nenhum deles e para não premiar a falta de responsabilidade que todos têm demonstrado nestes últimos tempos.

A minha aposta? Amanhã a bolsa cai e os juros da dívida sobem. Quando se perceber bem que a solução é demasiado intrincada e poderá ser impossível desatar este nó vamos ter sarilhos dos gordos.

Imagem de danielkarlsson.deviantart.com

O jornalismo de causas

A forma como vastas franjas da sociedade reagiram à crise da semana passada e a forma como os media reagiram à mesma situação é um bom exemplo de como a maior parte dos órgãos de comunicação está engajada numa campanha de causas e agitação permanente.

Os prejuízos para o país
A forma como se colaram a este argumento e a forma como o intelectualmente árido Seguro o fez, são bem um exemplo de desinformação dos cidadãos.
Quando se diz que a saída de Portas teria provocado um prejuízo de alguns milhares de milhões é absolutamente falso.
Fazer as contas à cotação em bolsa das empresas do PSI 20 no dia da "crise" obtendo o "suposto" prejuízo é obviamente uma falsidade.
A verdade é que a bolsa voltou ao ponto em que estava. Terá havido certamente alguém a vender (por isso os preços baixam), mas o facto de ter subido mostra que a procura regressou a esses títulos. Se dissermos que houve perdas para quem vendeu, teremos de dizer que houve ganhos para quem comprou. Essa é a forma de ser da Bolsa.

Quanto aos juros da dívida soberana estamos perante outra falsidade. Em primeiro lugar a subida deu-se nos mercados secundários. Não foi uma subida de taxas de juro na emissão de dívida soberana. E mesmo que o tivesse sido, Portugal não emitiu dívida pelo que não se pode dizer que isso tenha custado um cêntimo ao país,
E uma análise simples dos juros da dívida a 10 anos mostra o seguinte:

1/7 - 6.39%
2/7 - 6.72%
3/7 - 7.47%
4/7 - 7.27%
5/7 - 7.13%
8/7 - 6.93%
9/7 - 6.73%

Hoje o nível dos juros é praticamente o mesmo de dia 2. No período de uma semana, os efeitos da "crise" deste ponto de vista deixaram de existir. Ainda não vi ninguém escrever num jornal que pelo acordo Passos/Portas Portugal tenha ganho uma série de milhares de milhões de Euros. E se o dissesse seria tão falso como o que disse acerca das "supostas" perdas. Mas o facto é que o disse e já temos uns quantos papagaios a repetir esta argumentação de débeis mentais. Seguro obviamente é um deles. à falta de melhor aconselhamento ou talvez por pura e simples má fé, agarrou este argumento e repetiu-o diversas vezes.
A única pessoa que vi contestar isto preto no branco foi um deputado do CDS (Nuno Magalhães) ontem num debate frente a Zorrinho. Zorrinho que na sua simplicidade intelectual trouxe esse argumento à discussão apenas para ter o seu sorriso jocoso varrido da face pela resposta de Nuno Magalhães.
Zorrinho, que como de costume, fez mais uma das tristes figuras que o caracterizam embarca nestes chavões da imprensa e do líder apenas para ser espezinhado em público.
Aliás Zorrinho tem por nome completo Carlos "Calhau" Zorrinho, tal é o seu nível de indigência intelectual. Não perceber que se está frente alguém inteligente quando se lança uma argumentação destas é o melhor exemplo da sua total inépcia política.

A insistência em soluções alternativas
Após o susto inicial, a imprensa tem-se desdobrado em dar eco a um possível cenário alternativo ao PSD e ao CDS.
A solução de consenso é a favorita dos media. O que é estranho já que mesmo Seguro diz que só será Governo com eleições. Nunca aceitaria ser Governo numa iniciativa presidencial.
E não o faz porque o PS quer estar fora, na posição cómoda de criticar gratuitamente tudo o que o Governo possa fazer. Se for eleito fará o mesmo mas já está eleito. E o argumento dos 4 anos que agora tanto contesta servirá para invocar a sua legitimidade.

O que estranho é o facto de a imprensa tanto insistir neste ponto dizendo que a coligação já tem mácula e a sua "fraqueza" é irreversível.
A argumentação é completamente contraditória, confusa e infundada. A ideia é atirar para as mentes das pessoas a impossibilidade de funcionamento desta solução logo à partida, como se fosse impossível em qualquer circunstância que as coisas funcionassem.
E isso serve obviamente os desígnios do PS rumo a eleições antecipadas.
É que temos apenas duas chances:
1. Governo de coligação
2. Governo de iniciativa presidencial
3. Eleições.

Destruindo a primeira hipótese, seria facílimo destruir a segunda, já um governo assim teria de ser tão ou mais impopular do que este, com a agravante de não ter a "legitimidade" do voto. Passado este último obstáculo restariam apenas eleições.

O problema mais grave de tudo isto é que o PS não quer de forma nenhuma ser eleito antes de que o Governo se auto destrua e lhe dê uma maioria absoluta de mão beijada.
Coisa que duvido muito que possa acontecer. Não só pela memória que Sócrates deixou da 1ª maioria absoluta do PS como pelo facto de esta liderança do PS e as suas hostes serem apenas um alinhamento de socratistas abjectos e um grupo de apoiantes de um líder fraco e incompetente. A confiança que os cidadãos têm nas capacidades de Seguro ficou bem patente nesta semana que passou. Seguro é visto como uma perfeita calamidade.
De todos os "bonecos" do Contra Poder é talvez o mais gozado de todos os personagens políticos.

Mas mesmo assim não se assiste na TV ao mesmo tipo de "bocas" suezes com que muitas vezes são presenteados os membros da coligação. Apesar de ser por demais evidente a inadequação e incapacidade de Seguro, a imprensa age como se o que ele tivesse para dizer fosse relevante ou inteligente. A não ser quando Costa ameaçou a sua posição, nunca mais Seguro foi posto a ridículo na televisões.
Balsemão sonha com a possibilidade da RTP ficar nas mãos do Estado e não lhe fazer concorrência, a RTP sonha em manter-se a viver do erário público e a TVI alterna entre o anti poder e o lamber botas ao poder. Convenientemente expurgada dos elementos mais críticos da sua gestão vai apenas gerindo as suas audiências com programas de imbecilização geral do país.

Mesmo jornalistas que tinham uma certa aura de rigor e saber não conseguem deixar de passar uma imagem de total ignorância e superficialidade. Judite de Sousa é atroz no programa com Medina Carreira. A sua falta de conhecimento, o papel de garota que debita uns disparates apenas para ser constantemente corrigida por Medina Carreira é um espectáculo pavoroso. Mas ao menos mostra as fatiotas, os sapatos novos e o hair style da moda. Parece ser a única coisa para que ela está ali. Fora isso... zero.
Tem de ser penoso para Medina Carreira estar frente a uma jornalista com dezenas de anos de "carreira" que sabe tão pouco dos assuntos que fala. Para Medina corrigi-la sem ser grosseiro deve ser um exercício de auto controlo fora do normal.

E assim vamos andando com uma comunicação social completamente sequestrada por agendas políticas pessoais, ânsias de promoção pessoal e serviço a uma causa falida e criminosa.
As pessoas que julgam andar informadas nunca andaram tão mal informadas como agora. Distinguir a realidade da ficção tornou-se uma tarefa quase impossível para muitos. Mesmo assim não conseguem dar completamente a volta a uma ideia generalizada de incapacidade total do PS em gerir de novo este país.
É para vermos até onde o PS conseguiu descer. É obra...

Mau perder

Costuma dizer-se que se aprende mais do carácter de uma pessoa quando perde do que quando ganha.

E realmente as manifestações acerca do que se passou durante a semana passada com a roptura/colagem da coligação são mesmo uma boa amostra disso.

Soares que passou todo o tempo a dizer que o Governo devia cair, chegando ao ponto de delírio da chantagem sobre Portas, diz agora que Portas é um salta pocinhas e que se tinha demitido irrevogavelmente e que não podia voltar atrás.
Se o mudar constantemente é um apanágio dos políticos, Soares levou isso ao seu ponto mais alto. Não existe maior contradição e hipocrisia no discurso do que em Mário Soares.
Alguns atribuem este tipo de declarações a uma mente "em fuga" e a uma senilidade avançada. Talvez seja assim, mas isto é MESMO Mário Soares. Aquele para quem os invertebrados olham e perguntam: "Como é que consegues fazer isso?"

Seja como for Soares está de saída. Literalmente. Mais uma vaga de calor e um par de internamentos em hospitais privados e o homem vai-se desta para melhor. Este tipo de declarações parecem ser o último estertor de um político que iniciou o longo calvário da democracia "só para alguns" que vivemos neste país desde o 25 de Abril.

Seguro, coitado, anda de cabeça perdida. Nem sabe o que diz ou o que comenta. Indigna-se, comenta tudo e o seu contrário.
Achou que o poder estava ali à mão de semear (com a ajuda de Portas) e de repente vê-se numa situação em que nem é eleito nem será governo se o for.
Ao fazer o que fez, Portas selou o destino de uma coligação com o PS. A tábua de salvação de Seguro foi ao fundo.

O que Seguro ainda não percebeu é que apesar de ter estado perto só cimenta a sua imagem de líder ridículo e vazio ao correr a todos os microfones comentando todos os pequenos e grandes casos que acontecem.
Mais vale estar calado e deixar ou outros pensar que se é idiota do que falar e tirar todas as dúvidas.
Seguro devia ter isto tatuado no pulso para poder ler de cada vez que abre a boca. Talvez assim evitasse ser visto como alguém que só tem conversa vazia em todas as ocasiões e nada pode trazer de útil para um país em dificuldades.
Foi bem patente o pânico de muita gente ao pensar que a alternativa a Passos seria Seguro. Isso deixou toda as pessoas em verdadeiro pânico.
Podemos saber muito pouca coisa acerca do futuro e do presente, mas há uma coisa que sabemos: Seguro é um inepto.

As indignações de Seguro

Seguro indignado com a atitude de Jefferson
António José Seguro manifestou a sua indignação com a falta de educação de Jefferson na apresentação do Sporting.
Jefferson soltou um sonoro traque durante a apresentação que deixou estupefactos os assistentes e o presidente do Sporting algo combalido.
António José Seguro acha que Jefferson tem de dar explicações ao país

Seguro indignado com o calor
António José Seguro manifestou a sua indignação com as altas temperaturas que se verificam em Portugal nestes últimos dias.
"O governo anda sempre a mudar o nome às coisas. O instituto de Meteorologia e Geofísica mudou de nome e vê-se bem os resultados que isso está a dar. E está a faltar ao prometido, porque tinha dito publicamente que iamos ter o Verão mais frio dos últimos 200 anos!!!. Estas coisas não se fazem assim. Estarmos a sofrer com o calor desta maneira é mais uma demonstração de como o Governo está terminado. Os partidos da coligação não conseguem sequer entender-se em coisas tão simples como esta..:"

Seguro indignado com os indignados
António José Seguro manifestou a sua indignação com a pouca adesão ao protesto dos indignados neste fim de semana.
"Estou indignado e exijo explicações dos outros indignados pela fraquissima adesão ao protesto do fim de semana. Apesar de sabermos bem que esta vaga de calor é responsabilidade do Governo, os indignados não podem simplesmente preferir ir para a praia. Eu ando indignado há meses e não me canso de dizê-lo. Se eu tenho esta capacidade de mobilização diária o mínimo que posso esperar é que is indignados se indignem."

Seguro indignado com Cavaco Silva
António José Seguro manifestou a sua indignação relativamente ao apoio claro que Cavaco Silva deu a Passos Coelho e à sua solução governativa.
"Estou indignado e não tenho muito mais a dizer. Estou indignado, pronto..."

Seguro indignado com a tentativa de colagem de Jerónimo
António José Seguro manifestou a sua indignação pelo facto de Jerónimo se ter colado à sua indignação.
"Jeronimo não pode tentar aproveitar-se das grandes ideias do PS e minhas em paticular. Não pode simplesmente dizer: Estou indignado, pertanto...
Se ele quiser manifestar o seu descontentamento deverá chocar-se e indignar-se de forma original. Não pode é tentar ganhar apoio no eleitorado copiando de forma chocante as minhas indignações.
Podia dizer "Estou chocado, pertanto.." mas não! Disse "Estou indignado, pertanto" e isso deixa-me indignado..:"

O bombo da festa

Cavaco tem sido o alvo favorito de toda a gente nesta última semana. Não  que não o fosse já antes, mas o tempo veio dar-lhe alguma razão.

Todos focaram aterrorizados com a demissão de Portas. Se Cavaco tivesse decidido dissolver a AR baseado nas sondagens a "olho" de Seguro e outros notáveis deste país, estaríamos metidos numa embrulhada de enormes proporções.

Bastou a possibilidade real de ruptura da coligação para tudo entrar em pânico. Até a bolsa espanhola desatou a cair com receios de descalabro na zona Euro.

A irresponsabilidade de que a oposição constantemente dá mostras não comoveu Cavaco. As exigências absurdas de um líder medíocre nunca terão eco junto de Cavaco. Quanto aos outros, a sua opinião é sempre incendiária, irresponsável e irrelevante.
Cavaco não tem de considerar sequer o que diz a oposição neste momento.
Não há razões objectivas para lançar Portugal num período de incerteza e de espera que resultaria de eleições. O PS ganharia? Com maioria? Em coligação?

O exemplo da Itália pode muito bem ser uma atevisão do que se passaria em Portugal. Para haver um novo governo a ter de seguir a mesma política para quê um hiato de 4-6 meses? Para quê esperar que um novo executivo tome as rédeas e conheça as pastas a fundo?
Não se esqueçam de que a Troyka tem as avaliações agendadas desde o início e não se compadece com os pormenores da nossa vida política.

A total mediocridade da oposição é óbvia. Seguro, coitado é o que se vê. Jerónimo, portanto, portanto, não diz nada de diferente desde 1974 e Semedo e Catarina Martins parecem passar pela vida sob o efeito de alucinogénios. Catarina Martins também lhe deve "dar bem" na cafeína...

Entraram todos em modo histérico. Querem a toda a força que se substitua uma solução maioritária por uma minoritária. E nem a reacção do país e dos mercados os sossega na sua ânsia louca pelo poder.
Os interesses do país são perfeitamente secundários para eles. O seu projecto é um projecto de poder. Mentindo quanto à sua capacidade de fazer diferente.

É consensual que Seguro é muito limitado. Intelectual, politica e profissionalmente. É na melhor das hipóteses uma má versão 2 de Passos Coelho. Não tem ideias e tenta gerir a noção de que é capaz e responsável e que nada tem a ver com o PS de há 2 anos.
E isso é uma tarefa impossível. Nas suas hostes estão os Socratistas em peso. Os Paulos Campos, Vieira da Silva, Silva Pereira etc etc. Com este tipo de lastro como se pode achar que conseguem fazer o que este Governo não fez?

Cavaco sabe isto. E seja por razões partidárias seja por mera precaução não quer esgotar todas as hipóteses de estabilidade até ao fim da legislatura.

A maior parte das criticas que lhe são feitas pelo homem da rua é por coisas que ele nem pode fazer. A outra parte é por coisas que pode fazer mas não deve.
Não estamos na era Sampaio, economicamente falando, nem Cavaco é um louco. Pode ser super cauteloso mas não é louco.
E para os que falam de Cavaco como estando a amparar esta coligação, o que fez Sampaio dando o poder de mão beijada a Sócrates? Numa situação de maioria.
Não fosse a manobra egocêntrica de Durão e seria impossível a Sampaio fazer o favor a Sócrates. Mas fê-lo por razões partidárias e com um pretexto a todos os títulos absurdo.

Apesar do seu fraco jeito para falar e da sua atitude de múmia paralitica, Cavaco é cauteloso. E mede meticulosamente todas as consequências do seus gestos. Mesmo no 2º mandato em que já não pode ser reeleito, Cavaco não quer ver o país entrar numa espiral de incerteza sem fim.
Portas podia ter-lhe poupado estes 2 ou 3 dias de desvario, mas fica mais ou menos patente para todos que é preferível segurar as coisas assim do que entrar num período de completa instabilidade e inação.


A carta de Gaspar

(...) Aceitei então por causa da situação dramática para a qual a país seria arrastado se essas tarefas não fossem realizadas.
O sétimo exame regular esta oficialmente concluído. A extensão dos prazos dos empréstimos oficiais europeus esta formalmente confirmada. O orçamento retificativo esta aprovado. As condições de financiamento do Tesouro e da economia portuguesa melhoraram significativamente. O investimento poderá recuperar com base na confiança dos empreendedores. A minha saída é agora, permito-me repetir, inadiável.
Relembro que apenas após a Conselho de Ministros extraordinário de 12 de maio recebi um mandato claro do Governo que permitisse a conclusão do sétimo exame regular (o que ocorreu imediatamente a seguir, a 13 de maio).
(..)
Senhor Primeiro Ministro
Numa carta de demissão e imperativo refletir sobretudo sobre as próprias limitações e responsabilidades. O incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, em 2012 e 2013, foi determinado par uma queda muito substancial da procura interna e par uma alteração na sua composição que provocaram uma forte quebra nas receitas tributarias. A repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto a Ministro das Finanças. Os grandes custos de ajustamento são, em larga medida, incontornáveis, dada a profundidade e persistência dos desequilíbrios, estruturais e institucionais, que determinaram a crise orçamental e financeira. No entanto, o nível de desemprego e de desemprego jovem são muito graves. Requerem uma resposta efetiva e urgente a nível europeu e nacional. Pela nossa parte exigem a rápida transição para uma nova fase do ajustamento: a fase do investimento! Esta evolução exige credibilidade e confiança.
Contributos que, infelizmente, não me encontro em condições de assegurar.
O sucesso do programa de ajustamento exige que cada um assuma as suas responsabilidades. Não tenho, pois, alternativa senão assumir plenamente as responsabilidades que me cabem.

Senhor Primeiro Ministro,
Liderança é, por vezes, definida como sabedoria e coragem combinadas com desinteresse próprio, A liderança assim exercida visa os superiores interesses nacionais que perduram de geração em geração. Fácil de dizer, difícil de assegurar, em particular quando as condições são de profunda crise: orçamental, financeira, economia, social e política, Sendo certo que contará sempre com a inteligência, coragem e determinação dos portugueses, cabe-lhe o fardo da liderança. Assegurar as condições internas de concretização do ajustamento são uma parte deste fardo. Garantir a continuidade da credibilidade externa do pais também. Os riscos e desafios dos próximos tempos são enormes. Exigem a coesão do Governo. É minha firme convicção que a minha saída contribuirá para reforçar a sua liderança e a coesão da equipa governativa. Pela minha parte, resta-me agradecer o enorme e inestimável apoio que me prestou nestes dois anos de excelente cooperação.
 Esta é a parte significativa da carta de demissão de Vitor Gaspar. Depois das barbaridades que já ouvi acerca do seu teor voltei a lê-la. Não consigo encontrar nesta carta o vaticínio do falhanço futuro ou a sua constatação no passado. Nem o de Gaspar nem o do ajustamento. Aliás, há mesmo um resumo das "conquistas" do processo que vão desde a extensão dos prazos à situação  de financiamento do Tesouro. Não me parece que se possa inferir desse pequeno resumo qualquer sentimento de falhanço. Consigo sim detectar uma constatação de missão cumprida.

Mais abaixo Gaspar fala na sua credibilidade afectada "O incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, em 2012 e 2013, foi determinado par uma queda muito substancial da procura interna e par uma alteração na sua composição que provocaram uma forte quebra nas receitas tributarias. A repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto a Ministro das Finanças."

Mais adiante Gaspar refere uma nova fase e a sua dificuldade de a por em prática pela sua falta de credibilidade (que segundo a minha opinião é sobre avaliada e serve como argumento para deixar um cargo que lhe deve ter feito séria mossa) "Pela nossa parte exigem a rápida transição para uma nova fase do ajustamento: a fase do investimento! Esta evolução exige credibilidade e confiança.
Contributos que, infelizmente, não me encontro em condições de assegurar.


Não consigo vislumbrar neste texto nenhuma  admissão de erros clamorosos. Vejo sim referidas as consequências inevitáveis de um plano destes.

Há muita gente a comentar a carta de Gaspar que não a deve ter lido. Ou provavelmente já não se lembra do que leu. A carta não é extensa pelo que creio que muitos dos comentários só podem resultar de desconhecimento do seu teor ou de pura má fé, tentando encontrar nas palavras simples de Gaspar toda uma série de significados escondidos que a carta não tem. Pura e simplesmente não tem.

A não ser que se ouça da boca de Gaspar o que lhe ia na alma quando a escreveu, é impossível retirar muito sumo duma carta de 2 páginas.
E Gaspar ao ser quem é e ter a contenção que o caracteriza nunca o fará.

Fazem-se interpretações completamente abusivas das razões da saída de Gaspar. Talvez seja esse ambiente insalubre que rodeia o poder que levou Gaspar a mandar tudo para trás das costas.
Quem o pode censurar? Ninguém. Quem faria melhor do que ele? Ninguém. Talvez por isso o censurem.

Está tudo doido?

Por incrível que pareça as afirmações mais incríveis e as posições mais incendiárias vêm do lado do PSD.
Manuela Ferreira Leite, mais uma das que fazem as leituras mais bizarras numa carta de 2 páginas, avança com uma teoria de conspiração que só podemos atribuir aquilo a que os americanos chamam um brain fart.

MFL avança a hipótese de que o ministro Gaspar teria pedido a demissão porque as coisas estão muito piores do que "nos dizem".

Este é o tipo de especulação a que é impossível responder.Se se nega dirão que estão a mentir, se se confirma é um ai Jesus.
É absurdo pensar que um homem que durante 2 anos suportou uma pressão horrível que culminou no episódio do supermercado (que foi noticiado apenas duas semanas depois de ocorrer) aguente indefinidamente este tipo de situação.

A hipótese plausível, e aquela que se pode retirar da carta de demissão sem a sobre analisar, é que Gaspar achou que tinha cumprido a sua missão. Recuperar a credibilidade do país com emissões de dívida, redução da despesa do Estado ao longo de 2 anos com grande contestação e protestos.

Alguns sinais indicam estabilização da descida aos infernos. Foram sendo anunciados esta semana e não tiveram grande eco nos media, como seria de esperar.

Não acharia Gaspar que, estando a sua missão cumprida em grande medida, a partir para este ciclo ele seria mais uma liability do que um asset para o Governo?
Não acharia Gaspar que a sucessora estaria em condições, externas e internas, de garantir as dificeis missões que ainda temos de enfrantar?
Não acharia Gaspar que era o momento de recuperar a sua vida, o seu anonimato?

Todas estas coisas estão na carta. Não está muito mais. Sobretudo não está o que leêm  todos os comentadores super analíticos.

Mas como MFL ainda não tinha aparecido um. Aliás se o fizesse toda a gente lhe caía em cima. Chamar-lhe -iam ridículo, incendiário e paranoico.
E é esse o papel que MFL está a fazer. Este tipo de insinuação não tem qualquer utilidade. Ainda por cima e ao contrário do que aconteceu no seu tempo, a Comissão escrutina as contas nacionais com um rigor inaudito. Há avaliações trimestrais. Nunca o governo soube tanto onde gasta o seu dinheiro e despesa desorçamentada foi incluída no Orçamento por imposição da Troyka.
Como é que as contas do Estado poderiam estar tão fora da realidade a ponto de MFL afirmar isto?
E se fosse para mentir, porque não mentir no valor do deficit, da recessão e de todos os indicadores negativos?

Impressionante como gente do PSD pode odiar tanto esta linha dirigente do partido que prefira destruir tudo em vez de o ver como 1º Ministro.

A tomada de consciência

Tudo isto que estamos a viver seria cómico se não envolvesse coisas tão sérias.

Durante meses a comunicação social andou num afã intriguista e demolidor do Governo.
Não havia um franzir de sobrolho ou uma tosse de Portas que não fosse interpretada como uma clivagem terminal do Governo.

Após terem percebido que Cavaco não lhes ia fazer a vontade (para isso seria preciso um irresponsável como Sampaio) escalaram a descoberta de "sinais" da desagregação da coligação.
A esperança de todos este pirómanos era de que o Governo caísse a partir de dentro já que nem a falta de apoio parlamentar o iria fazer, nem podiam contar com um presidente que fizesse favores ao PS.

E assim andaram a sair à rua a pedir a queda do Governo e a fazer greves e manifs como uma corja de tolinhos que não tem qualquer noção do que lhe pode acontecer.

Num gesto que enfureceu muito boa gente Portas demite-se. E por momentos pensei que houvesse manifestações de júbilo nas ruas porque, segundo dizem, os portugueses estão desejando a mudança.

Nada. Nem um pio. Claro que Jerónimo e mais meia dúzia de tolos fizeram uma "marchinha" no Chiado mas é o que eu dizia, nada se passou.

Na verdade passou-se o inverso. Muitos dos que até ontem pediam a cabeça de Passos e Portas ficaram em pânico. Quando a bolsa desatou a afundar-se e os juros da dívida a 10 aos começaram a subir aperceberam-se do grave que é brincar com este tipo de coisas.
A imprensa mundial de uma forma generalizada olhou para Portugal e disse: "Bem, lá vão estes pelo caminho da Grécia"

E o discurso mudou. O que é duma falta de coerência completamente espantosa. Alguns idiotas (como Basilio Horta) ainda tentam fazer passar a ideia de que podíamos pedir à troyka que esperasse e tal...

Mas a imprensa que até agora andava deliciada com a possibilidade de ver sangue, borrou-se pelas pernas abaixo quando viu o que podia acontecer.
O que não diz muito da inteligência destes comentadores. Muita gente, inclusivamente o presidente cavaco já tinha avisado para os riscos de instabiliade governativa. Especialmente quando fora dos períodos em que é suposto realizarem-se eleições. Aí já toda a gente espera e os calendários são acertados em função disso.
Mas a meio de uma legislatura fazer uma gracinha destas causa uma tempestade que ninguém pode saber onde acaba. Só se sabe que vai haver tempestade.

Felizmente os juros já desceram hoje 20 pontos base em relação ao fecho de ontem. E para isso bastou que o governo não se tivesse desmoronado. Para isso bastou que Passos tivesse dito que as coisas não estão no ponto de catástrofe política.

Aquilo que a oposição e o desesperado Seguro andavam a dizer há meses é que uma coisa como estas era desejável. O que aconteceu é que quando aconteceu as pessoas aperceberam-se que a alternativa é ele. E ficaram em pânico.
E Seria bom que ele ficasse em pânico também. Porque é muito mais fácil ele poder falar sem consequências do que estar no poder e perder a pouca popularidade que tem no espaço de semanas.
Sim, porque o que lhe vai acontecer é que se lá chegar vai ter de implementar medidas de corte na despesa contra as quais se tem manifestado abundantemente.
Seguro é o típico fulano que apenas fala. Idealmente nunca tem de provar com actos a sua verdadeira incapacidade.

Quanto aos comentadores não há muito a dizer. Nem sequer me agrada que agora tenham a minha opinião. Não suporto cretinos que andam meses a pedir uma coisa e que quando ela está na sua frente ficam apavorados e mudam de discurso.

Mais divertido ainda é ver um António Capucho que não faz sequer parte das estruturas do partido e se arrisca a ser expulso por causa da candidatura a Sintra, usar o primeiro pretexto que lhe aparece para pedir a substituição de Passos à frente do PSD.
As bestas revelam-se nestas alturas. É bem patente que o problema dele não é uma questão nacional. É um problema de poder pessoal, de antipatia e de pura falta de vergonha.

A ver vamos, como diz o cego. Podíamos ter passado sem este episódio e sem a falta de sentido de responsabilidade de Portas mas pelo menos isto veio revelar a alguns que o povo português não está assim tão preparado para encarar a hipótese de fazer aquilo que a esquerda tresloucada anda a pedir há 2 anos.

Eu diria que eles continuam sem fazer ideia de como o povo pensa. Talvez o facto de terem a percentagem eleitoral que têm pudesse ser uma boa pista. Mas a formiga tem sempre a tendência para se achar um elefante e esta esquerda não tem mesmo nenhuma noção da sua insignificância.

Paulo "Proton" Portas



Oh.. e esta? Ai o caraças que o Governo não cai

Seguro deve ter a tripa às voltas. A sua fraca compleição não deve conseguir suportar esta montanha russa de acontecimentos.

O rapaz anda desvairado para ser 1º ministro. Neste sim a ambição é forte. Forte de tal forma que não o deixa perceber como é incapaz de realizar a tarefa.

Coadjuvado por um friso de notáveis, este tonto auto convenceu-se que serve para alguma coisa. Pacheco, Capucho, Freitas, todos eles com fortes limitações de carácter, que porventura deveriam evitar que abrissem as suas grandes bocas inuteis, pronunciaram-se pela morte súbita do Governo.

Ter gente do PSD a pedir a dissolução de uma AR em que o Governo tem suporte maioritário. Seria a segunda vez. Mas a esta gente o Governo responde com uma chapada de luva branca.

O CDS não sai da coligação. Vai renegociá-la. Portas perdeu a jogada.

Mas seja como for Portas está arrumado. Só o gesto pode significar um desaire eleitoral para o CDS.
Gente como eu não voltará a votar no CDS com Portas a liderar. Isso é seguro.

Não se brinca com coisas sérias. Apesar do resultado ser cómico por vermos toda a oposição a salivar, podíamos muito bem passar sem estas parvoíces.

Ao fim do dia os juros da dívida estavam já a baixar, mas quanto tempo levará a recuperar totalmente a credibilidade? Meses?

A única satisfação que me fica é constatar que afinal alguns berram pela saída do Governo mas muitos, muitos mais não querem que isso aconteça. Quem falou com alguém neste dia sabe bem a que me refiro.
Portas passou a ser o mau da fita. As pessoas não querem o PS de volta. Não sonham sequer em ter os 3 estarolas no poder (Seguro, Jerónimo e Semedo).

Nota: Nem refiro a histérica do BE porque a considero uma política de terceiríssima categoria completamente indigna de ocupar qualquer cargo executivo numa junta de freguesia. Não passa duma criatura de mediana craveira com um discurso decorado. Uma náusea total.

As pequenas coisas que nos fazem dizer... hum...

"A maioria dos portugueses quer um outro governo". Não se cansam de apregoar Seguro e os outros senhores ainda mais à esquerda.

Tinha sido um alívio a saída de Gaspar, como se por acaso a política implementada fosse coisa da sua autoria integral.
Como é que ninguém percebeu que Gaspar teve de implementar a política imposta pela Troyka da melhor forma que sabia? Então quando os relatórios ou sugestões da Troyka aparecem isso não deu pistas a ninguém?

A margem de manobra de Gaspar era muito reduzida. Encurtada sensivelmente por opções políticas e por questões constitucionais. Que é exactamente o que vai acontecer com o próximo e com o próximo etc etc.

A diferença será talvez a competência e o saber de Gaspar para fazer face às restrições. A forma de fazer contas não se resume ao que muitos acham - um Excel.

Esta ideia estúpida de que um técnico é uma coisa que se pode substituir por outro qualquer ou por um afolha de cálculo revela bem a ignorância nestas matérias da maior parte dos comentadores.

Mas esperava que as pessoas estivessem aliviadas e contentes por poderem mudar de rumo. Ter um PS no Governo cheio de "sensibilidade" e a fomentar o "crescimento e o emprego".

Não. Nada disso.
Vejo muito boa gente preocupada pelo rombo que Portas abriu. Vejo muita gente preocupada com a possibilidade de ter Seguro (a vacuidade suprema e a incompetência gritante) a tomar conta de um país que mal se está a levantar do fosso onde os seus companheiros o meteram.
Mais que preocupação já vi pânico. Como se o mundo fosse acabar amanhã.
Os mercados detestaram a notícia, as pessoas detestam a notícia.
Afinal onde estão as "maiorias" dos portugueses de que falam Seguro, Arménio, Jerónimo e toda a esquerdalhada anarco psicopata que se manifesta sem cessar? Onde estão elas?

A traição


Confesso que de todos os cenários possíveis o último que eu esperava é que o paladino da responsabilidade e da honorabilidade fosse mais uma vez deitar tudo a perder.
E quando digo "tudo a perder"não falo de posição partidária. Falo da situação do país.

O nosso país está em situação de emergência. Sem tirar nem por. Foi como se uma guerra tivesse devastado economicamente o país e coubesse ao governo que entra a dura tarefa de nos ajudar a sobreviver até ao dia em que as coisas melhorem.

Não é uma tarefa fácil, as coisas não vão ficar direitas em 2 meses e sobretudo é preciso um enorme espírito de sacrifício e abnegação.

Dos discursos dos políticos envolvidos era óbvio que Passos Coelho tinha esse sentimento. Era também isso que Paulo Portas deixava transparecer no seu discurso.
Fiquei contente quando os dois partidos juntos conseguiram aquilo que seria fundamental para levar a cabo a tarefa - uma maioria parlamentar.

Seria impensável ter o partido vencedor a fazer acordos com o PS. O PS responsável pela devastação económica nos últimos 6 anos. O partido de todas as jogadas sujas e incompetentes.

Sempre pensei que as concessões do CDS em política fiscal eram determinadas pela convicção de que era preciso fazer as omoletes com os ovos que se tinham. Numa altura em que é preciso tomar decisões duríssimas não podemos actuar como se tudo fosse normal. Não o era.
O CDS tinha de abrir mão de algumas das suas linhas programáticas a bem da recuperação do país. O mesmo fazia o PSD. Tal como o CDS sabia que apesar de ser contra o aumento de receita do Estado por via fiscal, não havia outra forma de rapidamente balancear o orçamento.

Qualquer dos dois partidos teria de se despir de algumas das suas convicções para salvar todo um povo atirado para a indigência súbita por causa de um furacão económico provocado por incompetentes e ladrões.

Não achei bem que durante estes dois anos Portas aparecesse em alturas chave a tentar distanciar-se das medidas do Governo. Ou se é homem e se assume na plenitude a razão das escolhas ou então não se é mais que um jogador que tenta ganhar em todas as frentes. E isso é a característica que os políticos apresentam que mais enoja os eleitores.
Num jogo tão complexo e com tantas hipóteses de derrota é crucial a coesão.

Estes episódios de Portas alimentaram especulações por toda a imprensa desejosa de encontrar clivagens no executivo. Deliciavam-se a cada novo disparate de Portas.

O que está em causa não é uma mera questão partidária ou de ambição pessoal. O que está em causa é um país de 10 milhões de habitantes que por uma vez na vida deseja ter políticos à altura das circunstãncias.

E se até aqui Portas foi conseguindo fazer o papel, subitamente descobre que tem um cinto de explosivos do qual saem uns fios para um botão na mão. E carrega no botão para ver o que dá?
E faço este paralelo porque a primeira vítima deste gesto é ele e o CDS. É verdadeiramente um gesto suicida. Do ponto de vista político Portas a partir de agora alguém em quem não se pode confiar. Um intocável.

O que torna isto espantoso é que depois de ceder (e bem) em questões de princípio ideológico, Portas atire a toalha por aquilo que parecem ser questões comezinhas e até de uma certa baixeza.
Se é pela discordância com o substituto de Gaspar ou se é por achar que foi desrespeitado, é absolutamente incrível que Portas lance o país numa espiral de instabilidade que tem proporções enormes.
Hoje a bolsa afunda-se e os juros da dívida a 10 anos sobem a níveis não vistos desde 2012.

As consequências do gesto nem se conseguem determinar. Portas num ápice deitou a perder os penosos ganhos de credibilidade deste Governo.

É uma traição ao país. É uma traição a quem votou nele como contrabalanço no poder. É uma traição a milhões de portugueses que anseiam por estabilidade e sentido de Estado dos nossos governantes.

Eu votei CDS pela primeira vez na minha já razoavelmente longa vida. Porque não tinha grande confiança em Passos e porque não queria um partido sozinho no exercício do poder.
Achava que a estatura e a seriedade do CDS seria bom contraponto aos desvarios de um PSD inquinado de barões, baronetes e espertalhocos.

Rapidamente percebi que Passos assumia a tarefa como um imperativo. Que encarava o seu mandato como algo que tinha de ser exercido para salvar o país. As eleições seguintes não eram o objectivo.
Portas desiludiu-me. Em grande escala.
Portas perdeu toda a credibilidade para mim. E não sou só eu a pensar assim.
O que me leva a pensar que a sua proverbial inteligência se terá convertido em burrice total ao não antecipar as consequências do seu gesto. Quer do ponto de vista do país quer do ponto de vista do partido.
Estou curioso de ver o resultado duma próxima sondagem relativamente ao CDS e ao seu líder. Ninguém lhe perdoará. E de facto com um líder que se comporta assim, o CDS, apesar de um conteúdo programático francamente apelativo, afundar-se-à a níveis de 3 ou 4%.
E desta vez merece-o.
Um bom substituto para Portas?
Nuno Melo.
Tem carisma, tem juventude, tem inteligência. Esperemos que tenha o carácter suficiente para não atirar o país ao buraco por questões que nesta conjuntura podem ser consideradas "merdices".
E dá 10 a zero a qualquer putativo candidato a líder do CDS

Pequenos detalhes

Se houve alguma coisa de que nunca duvidei em Passos foi do seu espírito de missão. Havia qualquer coisa que me dizia que alguém que aceite ser primeiro ministro no estado em que o país se encontrava não pode estar a fazê-lo por mera vaidade ou ambição. Se fosse era louco e Passos não tem nada de louco.

Hoje, a seguir à notícia da demissão de Portas as televisões entraram em DEFCON 1.

Chamaram-se todos os comentadores para as televisões. Pudemos ver os ranhosos do costume. Adão e Silva, o careca imbecil, súcias, comunas e trotzkistas. Tudo.

Todos eles teciam considerações sobre a pouca informação disponível. Mas todos concordaram que o Governo tinha de se demitir e Cavaco tinha de convocar eleições antecipadas. Capucho, deliciado, até avançava com a data.

E por volta das 20:10 Passos falou. E duma penada todas as erecções de desvaneceram.

Mais uma vez eu sabia que Passos ia fazer aquilo. Eu sabia que ele não deixa cair o país nas mãos de Seguro. Aquele cuja fotografia está na enciclopédia a ilustrar a palavra "vácuo".
Foi muito peremptório na sua determinação em não deixar o país no pântano. Logo agora que o ciclo começa a dar sinais de inversão.
As falências diminuiram, a venda de carros aumentou, o desemprego desceu. O ciclo parece ter chegado ao ponto de inversão.

Após a sua curta declaração os painéis de comentadores estavam com cara de ter sido sodomizados a frio. Estupor e indignação. Adão e Silva afirmava que Passos estava louco e desligado da realidade, Marques Lopes proferia as inutilidades do costume.
Mais uma vez, não houve um único que conseguisse prever o que se ia passar. Todos expressaram o seu wishful thinking o que não deixa de ser mais uma prova de como os media estão infestados de lixo súcia e bloquista.

Jerónimo afirmava que Cavaco tinha de demitir o governo. Porquê? Não foi Sócrates nomeado 1º ministro de um governo que nem apoio parlamentar tinha? E não viveu 2 anos nessa podridão?
Não será plausível pensar que mesmo com o CDS fora da coligação seja possível estabelecer com ele acordos parlamentares?

Não deixa de ser curioso como todos os que estão de fora querem impor a sua visão a Passos Coelho. Baseados na sua sensibilidade, fézada ou crença de que para uma determinada situação há apenas uma resposta - a deles.

Pois Passos lixou-os em toda a linha. Fez o que nenhum deles esperava. Deixou Seguro a espumar da boca, Adão a proferir com raiva as suas habituais idiotices de cientista político.
Ainda terão palco para mais 2 ou 3 dias. Depois andarão a encolher os ombros e a dizer uns aos outros: "já viste? viste isto? como é possível?".

Aguentem-se rapazes. Gente com firmeza de convicções como Passos há poucos. Para quem o critica por ser impreparado e hesitante olhem bem para os túbaros do homem.
Não há memória de alguém assim desde há muitos anos. Temos sido regidos por um alinhamento de cobardes, ladrões e estrategas de vão de escada.

E quanto a Portas... ai Portas. Com o gesto de hoje muitos votantes no CDS não lhe perdoam a falta de sentido de estado de que sempre se arrogou. Por em causa um governo maioritário por uma birra com um nome ou por uma questão de "desrespeito" pela sua opinião é uma das maiores baixezas que alguma vez fez.

Ou se assume  responsabilidade porque primeiro está o país ou então está melhor fora. Mas tentar dar o poder de mão beijada ao PS que ainda há 2 anos nos arruinou com a esperança de salvar alguma percentagem para poder voltar a ser governo é no mínimo absolutamente nojento.

O governo não se aguenta sem o CDS mas o CDS sem o governo não é nada. É uma relação de simbiose em que os dois precisam do outro para sobreviver.
Vai sendo altura que Portas se capacite que com a sua dimensão não pode passar a vida a chantagear um parceiro de coligação.
Uma coisa destas varre o CDS para o grupo dos indesejáveis. Para o grupo daqueles em que não se pode mesmo confiar.

Portas não desilude

Inacreditável como se pode por em causa dois anos de sacrifícios de todo um povo por uma questão de nomes.

A discordância na escolha da sucessora de Gaspar faz com que o líder do partido da coligação bata com a porta.

A irresponsabilidade é total. O tacticismo político vergonhoso. Percebe-se bem quem põe as suas ambições acima dos problemas do país.

A saída de Gaspar é um golpe na credibilidade do país. Veja-se o que diz a imprensa estrangeira da demissão.
Num momento em que era preciso cerrar fileiras e partir para um segundo ciclo de governação de forma coesa e empenhada, Portas demite-se. Inqualificável.