O papel de Sócrates

Sócrates usa a RTP como um tempo de comentário muito "especial".
Já o tinhamos visto usar uma entrevista enquanto primeiro ministro para se defender relativamente ao seu curso "mal cheiroso". Apresentando papéis que ninguém consegue ver e afirmando que eles provam "isto ou aquilo".

A estratégia é mais ou menos eficaz. Há sempre aqueles que dizem que ele "apresentou um papel"  ainda que não o tenham visto ou mesmo quando escrutinado com cuidado (como foi o caso dos dicumentos da sua licenciatura) não só não provam o que ele diz mas provam exactamente o contrário.

Ontem apareceu com um documento que "provaria" que a informação sobre os swaps estava na dita pasta de transição. Mas mais adiante no "comentário" acabaria por dizer que um suposto relatório sobre as empresas públicas conteria esta informação.
Disto ressaltam imediatamente duas dúvidas
1. Em que qualidade é que um comentador tem cópias de documentos submetidos a uma comissão parlamentar? Foi na qualidade de ex-primeiro ministro aquando da transição? Já alguma vez um ministro ou primeiro ministro revelou documentos num espaço de comentário televisivo?
2. Como é que um documento de uma página que pede um relatório é uma prova de que a informação foi passada? Estava algum relatório incluído? Se estava porque é que o responsável faz um despacho a pedir informação às empresas e tem como primeira resposta informação insuficiente?

1 página. Nela está toda a informação que seria necessária. E estamos a falar de contratos complicadíssimos.
De tal forma complicados que nem deram por algumas das clausulas que nos lixaram. Mas Sócrates prova com uma página que a informação acerca dos mesmos foi passada ao governo seguinte.
Nem o formulário para aderir a um operador de telemóvel tem tão pouca informação.
O poder de síntese do governo anterior é uma coisa notável. Para quê um dossier de transição se podemos por cada uma das questões numa folha A4?

Devia ser este o conceito de "dar informação" dos seus governos. Bem se vê até que ponto um político mentiroso e medíocre pode descer.

É óbvio que este governo sabia que existiam swaps. Não precisava da merdinha da folha que ele brandiu para saber que eles existiam. Não só são uma prática corrente para protecção de subida de taxas de juro, como a própria MLA tinha assinado alguns na REFER.
O facto de o governo anterior o ter pedido um relatório só fortalece a ideia de que lhe faltava informação acerca do assunto. À própria tutela.

Esta suposta prova arrasadora é mais do mesmo. A mesma estratégia de Sócrates com os "documentos" da sua licenciatura. Ficarão alguns crentes (há sempre) e ficarão os mais céticos a desconfiar totalmente do conteúdo de tal documento.

Sócrates usa e abusa destas manobra de mistificação e baixa política. Baixa política é mesmo o que sempre o caracterizou.
Serve os seus próprios interesses enquanto manobra o PS. Nem sequer demonstra respeito pelo seu próprio partido e líder do mesmo. Se bem que neste caso Seguro ainda terá de lhe agradecer a ajuda por tentar descredibilizar MLA. No entanto usa um nível de baixeza raramente visto para o conseguir. E surpresa das surpresas, as outras vezes a que se assistiu ao mesmo nível de baixeza foi ele também o protagonista.


Sócrates é uma cloaca ambulante. Um homem sem vergonha, escrúpulos ou moral.

É a representação da anti ética.
E a RTP dá tempo de antena a uma besta destas todas as semanas. Ainda dizem que a RTP faz favores ao Governo? De certeza que esta RTP não.
Mas no mínimo deveria ser isenta em vez de se colocar do lado da mais completa mistificação de que há memória televisiva.

Que país é este em que há pessoas que votaram nele 3 vezes? Que país é este em que há gente de tal forma crédula que diz hoje que o papelinho que ele "mostrou" na RTP é uma boa razão para que um ministro se demita?

Um país ao contrário


Depois de ter ouvido Zorrinho a falar na SIC Notícias acerca do caso dos swaps fiquei possesso.

E não consigo pronunciar-me sobre isto com a objectividade que seria desejável. Mas que se lixe. Vou dizer por palavras cruas aquilo que vai na cabeça de muitos de nós.

Comecemos então...

1. O governo do partido a que pertence este MERDAS chamado Zorrinho, empurrou as empresas públicas para se financiarem de maneiras criativas, nomeadamente fazendo contratos de swap com características especulativas que poderiam render ganhos. No caso presente perdas, como parece ser apanágio das decisões tomadas por estes MERDAS em que sai tudo ao contrário. A RESPONSABILIDADE destes contratos e da falta de controlo sobre os mesmos cai sobre os ombros de responsáveis deste partido de MERDA. O PS

2. Quando se fez a passagem de pastas a informação não existia na forma necessária para tomar qualquer decisão. Antes da tomada de posse não responderam a Maria Luis Albuquerque e apenas depois da posse foi revelado que 4 entre muito mais empresas acumulariam já 1200 milhões de perdas. Quem a informou tarde e mal foi o MERDAS que foi à comissão parlamentar dizer que tinha comunicado TUDO. Aparentemente conseguiu viver bem sem informação durante muito tempo, já que só a teve quando já nem sequer o PS era Governo.

3. Tendo o governo tomado posse em Junho, este mesmo MERDAS, que chama mentirosos aos outros soube e comunicou, depois de 1 de Agosto, que afinal as perdas já eram de 1600 milhões.
Isto porque entretanto foi ele próprio recebendo informação. De notar que o que tinha feito até aí tinha sido emitir um despacho a "perguntar" o que não sabia. Portanto, à data da tomada de posse de MLA, este MERDAS nem fazia ideia até que ponto o Governo PS tinha deixado as situação tornar-se potencialmente catastrófica.
Em pouco mais de um mês há uma diferença de 33% de perdas a mais comunicadas pela mesma pessoa a MLA. O MERDAS de que estamos a falar e que parece que gosta de chamar mentirosos e negligentes aos outros.

4. Mesmo assim a informação era insuficiente, já que contemplava apenas algumas das empresas e alguns dos contratos feitos. As perdas seriam bastante mais do que tinha sido declarado. Ou seja, este MERDAS, o MERDAS Teixeira dos Santos e toda a corja de MERDAS do PS não faziam a mais leve ideia do que se passava com a bandalheira generalizada que acontecia nas empresas que estão sob a tutela do Governo. MERDAS, INCOMPETENTES e sobejamente NEGLIGENTES.

Vem hoje o deficiente mental Zorrinho pedir a demissão da ministra porque, segundo o PS, ela não terá condições políticas para desempenhar o cargo.

Este partido de MERDAS profissionais e militantes tenta afastar de si a responsabilidade das perdas enormes causadas pela sua MERDOSA gestão do país e dos dinheiros públicos.
Esta prática e outras similares foi terminada liminarmente por este Governo a quem assacam agora a responsabilidade de ter deixado aumentar o problema. O PROBLEMA que estes MERDAS do PS criaram.

Se houvesse um mínimo de justiça neste país, toda esta gente seria investigada até ao osso para se perceber se não houve favores feitos aos mediadores do sector financeiro que se encheram de dinheiro com a brincadeira.
Recuso-me a acreditar que este tipo de negócios falhem para o lado do Estado apenas por azar e estupidez. Há seguramente aqui intenção de beneficiar alguém. E sendo gente deste partido de MERDAS que se chama PS, não me surpreende nada uma vez que é a prática corrente deste grupo de vígaros de má pinta.

Mas a suprema ironia é ter Zorrinho com uma inteligência ao nível do deficiente mental profundo (sabe deus como esta alimária é doutor) a falar de condições para o exercício de um cargo. E diz isto referindo-se a outras pessoas sem qualquer capacidade de auto análise relativamente às suas próprias competências. Estou em crer que este Zorrinho não morre de asfixia porque a respiração não depende de funções cerebrais conscientes. Se assim fosse o homem asfixiava e caía para o lado, morto...

Todo este processo é abjecto. A tentativa de crucificação de alguém para esconder as próprias responsabilidades é algo que devia ser castigado com apedrejamento público.

Não tenho mais palavras para descrever este grupo de bandalhos que dá pelo nome de Partido Socialista. Fico-me por aqui.

A pasta de transição...

Vai longo o debate sobre a passagem de informação sobre swaps na pasta de transição do Governo de Sócrates para o de Passos Coelho.

O governo tomou posse a 21 de Junho de 2011 como resultado das eleições de 5 desse mês.

Acontece que por estas datas a dita transição se deveria fazer durante o primeiro mês de entrada em funções pelo que a dita "pasta" seria passada em Junho.

Tem havido uma série de gente do anterior governo a afirmar que passou essa informação na pasta de transição. Mas ao mesmo tempo percebe-se que a informação não deveria existir nessa data.
De tal forma é assim que o anterior secretário de Estado do tesouro teria feito isto:
A audição que está agendada para esta terça-feira com o ex-secretário de Estado do Tesouro será importante para obter clarificações sobre este assunto. Carlos Costa Pina chegou a emitir um despacho em 2009 a ordenar a contratação criteriosa de swaps. Outro despacho foi emitido em Junho de 2011 a exigir às empresas públicas o envio de informação sobre os derivados à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e à Inspecção-Geral de Finanças, com o objectivo de estas duas entidades prepararem um relatório sobre os impactos dos contratos.
Ou seja, em Junho teria feito um despacho a pedir informação sobre os ditos contratos. Em que data de Junho isto aconteceu e saber se a informação chegou a tempo de estar incluída nessa dita pasta de transição é o cerne da questão.
Aparentemente não estava. Porque segundo notícia de hoje do Público
Os emails enviados pelo ex-director-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício à agora ministra das Finanças em Junho e Julho de 2011 já continham informação sobre swaps e indicavam uma perda potencial de 1,5 mil milhões de euros.
Nos emails trocados no Verão de 2011 entre o ex-director-geral do Tesouro e Maria Luís Albuquerque, a que a Agência Lusa teve acesso, é feito em primeiro lugar um ponto de situação sobre o valor a preço de mercado dos contratos swap nas principais empresas (Metro de Lisboa, Metro do Porto, CP e Refer). A troca de emails diz respeito aos dias 29 de Junho, 18 de Julho, 26 de Julho e 1 de Agosto.
No primeiro destes emails enviado por Pedro Felício à então secretária de Estado do Tesouro e Finanças, que tem data de 29 de Junho de 2011, é incluído um "ponto de situação dos MtM [Mark-to-market, valor de mercado] dos derivados e instrumentos financeiros nas principais empresas do SEE [Sector Empresarial do Estado]", afirmando ainda que esta informação está em actualização no âmbito do programa da troika, mas que o grosso dos valores está nestas quatro empresas.
A primeira mensagem do FIM do mês de Junho (dia 29) é feito um ponto de situação que é depois complementado com mais informação em 18 de Julho, 26 de Julho e 1 de Agosto.
A 29 de Junho nem toda a informação está disponível. Vai estando...
Na segunda mensagem, datada de 18 de Julho, Pedro Felício envia a Maria Luís Albuquerque um anexo com detalhe dos instrumentos de gestão de risco – swaps – das principais empresas, com detalhe dos bancos e tipo de contrato e ainda mais informação sobre a renegociação de dívidas das empresas com bancos internacionais.
Maria Luís Albuquerque responde ao então director-geral do Tesouro e Finanças dizendo-lhe que necessitariam de conversar sobre este tema e outros que estariam pendentes, dando orientações para que a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) não garantisse o cumprimento das dívidas das empresas e para que não sejam dadas orientações às empresas sobre como negociar a sua dívida com os bancos.
A 26 de Julho, Pedro Felício envia novo email a Maria Luís Albuquerque no qual é anexado o relatório anual do sector empresarial do Estado de 2011, dizendo que dentro deste estão incluídos novos capítulos, entre eles um dedicado a Instrumentos de Gestão de Risco Financeiro. No documento incluem-se quadros que têm, entre outras coisas, uma actualização das perdas potenciais associadas a swaps, que em Junho de 2011 já tinham subido para 1549 milhões de euros.
A 1 de Agosto, Maria Luís Albuquerque interpela Pedro Felício e pergunta-lhe o porquê de não constar nos documentos da DGTF a informação sobre os derivados da EGREP – Entidade Gestora das Reservas de Produtos Petrolíferos. Pedro Felício diz, num email de resposta, que tal se deve a informação insuficiente por parte da empresa. Um dia mais tarde, envia a informação à agora ministra das Finanças, informando-a de que os derivados da EGREP acabariam por inflacionar para 1646 milhões de euros o valor de perdas potenciais estimadas, tendo um impacto negativo de 97 milhões de euros.
Disto decorre que à data da posse, este governo não tinha informação sobre os swaps. Ela foi chegando e só terá  chegado na totalidade depois de 1 de Agosto, já que MLA pergunta a Pedro Felício porque é que na informação anterior não consta informação da EGREP. Segundo o mesmo Pedro Felício a empresa não teria respondido, logo ele não sabia a 1 de Agosto. E apesar de não ser muito na catástrofe global ainda são 97 milhões de Euros. Uma quantia que faria feliz qualquer um de nós (e as nossas famílias vivas e futuras)

Para quem vem peremptoriamente a uma comissão dizer que na transição o governo foi informado parece mais ou menos óbvio que não foi. Parece mais ou menos óbvio que "foi sendo" informado à medida que foi solicitando informação. E se a solicitou é porque não a tinha e se não a tinha é porque o governo anterior não a deu.

Claro que estar aqui a debater questões de dias quando já decorreram dois anos sobre isto pode parecer um detalhe desnecessário. Mas não é. E não é liquido que sabendo mais cedo as perdas poderiam ser evitadas. Essas coisas não são feitas de forma unilateral e as perdas acumulam-se a uma velocidade alucinante.
O que parece claro de tudo isto é que o Governo anterior não fazia nenhuma ideia do que se passava. E só o soube, provavelmente, porque foi forçado a pedir a informação que não tinha. E quando soube passou "delicadamente" a batata quente a quem estava a chegar.

Isto torna evidente duas coisas, ambas graves.
1. O Governo anterior geria este tipo de assuntos com uma negligência assustadora
2. Aproveita-se da situação de transição para "lavar" as mãos da sua mal e porcamente feita gestão do assunto.

Não sei durante quanto tempo é suposto um governo demorar a passar a pasta ao seguinte. Eu diria que logo que se saiba o elenco governamental essa transição deveria ter lugar. A tomada de posse é uma formalidade mas nada diz que só de pode ter a informação só a partir dessa data.
No dia em que um Governo toma posse já deve ter ao seu dispor a dita pasta de transição. Que neste caso tinha lacunas de informação sobre um assunto de bastante gravidade.

E assim se vai gerindo o país. Entre incompetentes, negligentes e larápios o país vai perdendo dinheiro pelas frestas. Ms é curioso perceber que com o PS essas fretas parecem ser enormes.

A podridão dos hábitos políticos

Uma frase lapidar de Rui Machete.
E que o caracteriza muito.
Advogado de formação e esbanjador por deformação.

Anda na política activa desde o 25 de Abril. Já foi ministro, secretário de estado, administrador, presidente de fundação e todos os cargos bem remunerados e cheios de mordomias que alguém pode imaginar.

É quase divertido chamarem-lhe senador. A ele e a Mário Soares. Outro que nunca precisou de lições de ninguém acerca de como esbanjar dinheiro que não é seu. O qiue me leva a concluir que o título de senador é dado neste país a uma espécie de homem que desde há quase 40 anos vive refasteladamente saltitando de lugar em lugar, fazendo fortuna e nunca tendo responsabilidade de nada.

Rui Machete também não tem. Nada tem a ver com o que se passava na SLN, nem sequer acha que foi um esbanjador vergonhoso na FLAD. Ele só é responsável pelos sucessos. Entre os quais brilha a grande altura a valorização da coleção de arte que comprou para a fundação uma parte da qual estava no seu gabinete.
E é curioso como se tenta pintar a coisa como se fosse uma má vontade dos embaixadores. A vontade de se livrarem de alguém que se comportava como um reizinho usando dinheiros da fundação em proveito próprio ficou bem patente nalgumas das comunicações reveladas pelo WikiLeaks.
Será que o que levou esses embaixadores (mais do que um) a quererem livrar-se de Machete foi uma cabala orquestrada entre eles ou o simples facto de ele usar recursos da fundação em proveito próprio e dos amigos? Há algo que me leva a acreditar mais nos embaixadores do que em Rui Machete. Parecem-me dignos de maior crédito. Sobretudo porque foram mais que um a constatar a forma como a fundação era gerida.

Mas com isto tudo tem curriculo. Nada melhor para um esbanjador do que encontrar-lhe um lugar adequado.
As viagens em representação do Estado, as recepções onde irá provavelmente encontrar embaixadores que nutrem por ele um profundo desprezo, e a vida na alta roda são sem dúvida um lugar condigno para este "senador".

Ele é sem dúvida nenhuma um símbolo daquilo que o regime tem de podre. É uma cara demasiado ligada a nepotismo, esbanjamento e abusos para ser sequer considerado para Ministro.
E este Governo perde muito ao ceder ao "aparelho" numa vã tentativa de apaziguar os barões e baronetes.

Machete faz parte do PSD podre, corporizado por Capuchos e outras eminências pardas do partido.
O Capucho das 3 "negas" nem sequer conseguia hoje disfarçar o despeito pela nomeação do "amigo de há muitos anos". Outro "senador". Este sem dúvida o "senador" despeitado que nem a presidente da Cruz Vermelha consegui chegar por nomeação do governo do partido.

Era este PSD que eu ansiava ver varrido do mapa por Passos Coelho. É este PSD  que mais uma vez ganha a batalha da perpetuação na gamela do poder.

O governo também cede ao CDS e retira o ministro que talvez tenha feito mais pelo país nestes últimos 2 anos. Um homem despretencioso, imaginativo e frontal. Que escrevia o que pensava no seu blog (que eu anseio voltar a ler depois deste interregno de 2 anos). Quanto a Santos Pereira não existe qualquer dúvida acerca do seu afastamento de lobbies e grupos de pressão.
Por isso foi sempre um alvo. Não foi um alvo fácil, mas esteve sempre na mira dos que de dentro e fora do partido o viam como um empecilho, como um outsider que urgia abater.

É substituído por Pires de Lima. O mesmo Pires de Lima tão por dentro das questões económicas que conseguiu estar no programa do inenarrável Nicolau Santos com o "vigarista da ONU" e não conseguiu rebater com um número real que fosse as baboseiras infindáveis de Nicolau e do impostor.

E é este o novo ministro da economia.
Um empresário que conseguiu sucesso a vender Super Bock.
Eu diria que qualquer indivíduo com meio cérebro e com uma equipa que não seja composta por imbecis consegue fazer sucesso a vender cerveja.
Junte-se a isso a promoção desmesurada junto das camadas jovens com os festivais e com as festas académicas e aí temos a receita para o sucesso.
Fosse o álcool uma substância maldita como o tabaco e eu queria ver o sucesso de Pires de Lima no mundo dos negócios.
Não foi tão eficaz assim na Compal. Pioneira dos sumos naturais e vencedora de inúmeros prémios internacionais acabou por ser vendida à Sumolis que só começou com o negócio dos néctares no início dos anos 90. Ou seja com umas boas décadas de atraso em relação à Compal.
Foi incapaz de resistir à concorrência  de uma recém chegada na mesma franja de produto. Foi incapaz de sair do mesmo tom quando encontrou concorrência. Isto não me parece um bom exemplo de gestão sob nenhum ponto de vista.
Antes da cervejola não me parece que Pires de Lima fosse mais que um "gestor" mediano. Com a cervejola passou a outro patamar. E esse patamar parece-me perfeitamente conjuntural e completamente independente da sua "genial" gestão. Até 2012 os valores de consumo por habitante por ano chegaram a uns impressionantes 61 litros por habitante em 2008.
Estão em queda com a crise mas em 1992 o valor era de 50 litros. Um aumento de consumo de um pouco mais de 20% em 16 anos (até 2008). Não admira portanto que se possa dizer que Pires de Lima teve "sucesso". Resta saber quanto é mérito dele e resta saber se existe algum mérito em ter o seu sucesso associado ao consumo de álccol.
Seria interessante ver o sucesso de Pires de Lima como empresário a tirar uma empresa do buraco ou a tornar o Estado eficiente em termos de custos.
Parece-me que Pires de Lima não passa de uma daquelas fraudes clássicas.
Um belo dia começam a dizer que ele é muito bom e passado algum tempo todos o repetem.
Tal como se passou com António Vitorino que todos diziam ser um comissário Europeu fabuloso mas ninguém sabia ao certo quais eram as suas competências ou o resultado da sua passagem pela comissão.
Mais um caso do "dizem que é bom".
Vai entrar, vai sair e vamos ficar sem saber o que conseguiu ser feito. Estou bastante seguro de que não atacará os sectores que têm delapidado os consumidores e o país desde há muitos anos.

Mas tirar Santos Pereira da pasta da Economia para meter mais um como este, por ser supostamente um fabuloso empresário, parece-me um bocado demais.

As pequenas diferenças

Daniel Oliveira, simpaticamente, já me tinha avisado que me ia criticar por um texto que escrevi. Não me vou deter na sua extensa argumentação em defesa dos conflitos políticos e demonização dos compromissos. Apenas me detenho nesta sua frase que resume toda a nossa discordância: "a política é, como a vida, o território do conflito. A democracia apenas cria as condições para que ele seja resolvido. Com cedências, claro. Com diálogo, muitas vezes. Com negociações, sempre que necessário..."
Saliento que o próprio Daniel destrói o seu argumento quando refere que pode haver negociações, se necessário. Presumo que ele as entende necessárias quando o conflito chega a um impasse ou quando nenhum dos contendores tem condições (financeiras, físicas, anímicas ou outras) para continuar o conflito. Pois bem, desde logo, defendo que este é um desses momentos.
Poderia ficar por aqui, mas interessa-me ir mais fundo: a política "é como a vida, o território do conflito? A vida é o território do conflito?" É por isso que se justifica a democracia?
Pois bem, caro Daniel, na minha visão a vida é a arte do compromisso, porque ninguém tem toda a razão, toda a verdade ou toda a justiça. Porque é preciso colocarmo-nos na posição dos outros, afastar-nos de nós para nos vermos a nós próprios. A democracia, meu caro, é - citando a conhecidíssima boutade de Churchill "o pior dos regimes excetuando todos os outros", ou seja a forma menos má de sermos dominados, porque é a forma de conciliarmos visões diferentes. E onde as conciliamos? No Parlamento e nos órgãos democráticos, onde tendencialmente estão representadas todas as visões.
 A política democrática não deve ser impositiva, mas inclusiva. O problema é que partidos não totalmente democráticos (porque preferem o jogo da rua ao jogo dos votos e o conflito à conciliação) muitas vezes não se querem incluir. Mas mesmo assim, a democracia, por ser inclusiva, concede-lhes os mesmos direitos. E é por isso (mas esta parte Daniel deve concordar) que para aferir a qualidade de uma democracia interessa também conhecer os direitos concedidos às minorias. Mesmo que - como ambos sabemos - essas minorias não concedessem (na verdade não tenham concedido, nos locais onde estiveram no poder) um centésimo dos direitos de que gozam.
O território do conflito, caro Daniel, é quando falha a política. O que defendes, radica no prussianismo de Von Clausewitz que considerava a guerra não mais do que "a continuação da política por outros meios". Ou seja, a política, em si, era já a antecipação da guerra.
Por isso, na política se distinguem os humanistas, entre os quais me pretendo filiar, daqueles que  apelam a um constante conflito, seja de classes, seja de gerações, seja de géneros ou de outra coisa qualquer. Não suponho que os bons estejam separados dos maus e muito menos que estejam todos do mesmo lado. Embora as fotos neo-realistas a preto e branco sejam esteticamente interessantes, não me parecem representativas da complexidade do mundo. 
E assim, Daniel, deixo-te com o Vinicius: "A vida é a arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida". Também não vais dizer que ele era um sonso a defender compromissos, pois não?
Quando se lê um texto destes é muito difícil não sentir alguma empatia com a forma de pensar e de escrever de Henrique Monteiro.
Ao mesmo tempo é muito difícil não detectar a profunda hiposricia de pessoas como Daniel Oliveira.

Pessoas para quem tudo é um "combate" e para quem o conceito de critica é sempre belicoso e não poucas vezes malcriado e intolerante.

A negação dos compromissos é precisamente o que fez com que Daniel Oliveira se afastasse do Bloco. Mas ao mesmo tempo afasta-se porque quer um compromisso com o PS.
A mesma pessoa que defende um compromisso com o PS para que o Bloco possa ser uma alternativa de poder é a pessoas que escreve isto:
Quem olha para estas divergências como um problema, e não como uma enorme vantagem, não se limita a não compreender a democracia. É, no essencial, antidemocrático.
E isto diz mais da forma de pensar de uma pessoaa do que qualquer afirmação sua em favor da amada democracia. Isto diz que para ele o compromisso é a imposição aos outros da sua visão. É o tipo de pessoa que nunca se quer encontrar a meio da ponte e que quer apenas evitar que o outro a atravesse.

Não tenho respeito por Daniel Oliveira. Não passa de um demagogo bem falante que aprendeu a esconder no seu discurso sofisticado as suas verdadeiras intenções.
Duma forma geral não tenho respeito por gente que acha que deve impor a sua visão do mundo aos outros porque acredita estar imbuída de uma legitimidade quase divina.
Coloco-os na mesma categoria em que coloco os cristãos radicais americanos ou os católicos da era negra da Igreja ou na qual coloco os talibans.

Qualquer dos exemplos de regimes que estas pessoas defendem  silenciou as minorias e oprimiu as maiorias. E fê-lo de forma absolutamente brutal.
Quando confrontados com isto e incapazes de negar as evidências, passam à justificação dos actos numa espécie de necessidade divina de assegurar o bem dos outros. Daqueles que dizem defender e que paradoxalmente acabam por ser os mais oprimidos e silenciados.

Todo o discurso comunista, do qual Daniel Oliveira é apenas mais um produtor, se caracteriza pela mentira constante. Gozam da tolerância dos regimes democráticos. Tolerância essa da qual se isentam por um "bem maior" quando conseguem tomar o poder.
A democracia tem-lhes permitido manifestar-se e levar a cabo acções de todos os tipos que nunca tolerariam a ninguém. Porque, para eles, a oposição às suas ideias está errada de forma absoluta. Porque eles são a encarnação do bem e da justiça.

Não acredito que sejam burros e não entendam isto. Acredito sim que ao ser inteligentes acreditam que a melhor forma de aceder ao poder é através da pressão ilegítima e da manipulação dos outros para atingir os seus fins.
Partidos com uma representação espúria na sociedade portuguesa têm acesso a um tempo mediático completamente desproporcional. Usam os media de forma a criar uma sensação de instabilidade generalizada imparável.
Mas são apenas gente com sede de poder. De um poder absoluto sem contestação e sem tolerância.

Não é por acaso que a sua faixa de simpatia se encontra em jovens, dados a radicalismos com uma necessidade de mudar o mundo, e entre pessoas mais desfavorecidas e incultas, facilmente doutrináveis.
Ou outros, poucos, consideram-se uma elite pensante. Uma vanguarda de um movimento de massas perfeitamente habilitada a orientar e decidir os destinos de todos.

Mas, meus caros, tenho uma notícia para vocês. A vossa representatividade é incipiente, mesmo numa altura em que se esperaria que pudessem capitalizar o descontentamento geral.
Infelizmente para vocês, estar descontente não significa apoiar a falta de liberdade e tolerância que os regimes que vos são caros sempre demonstraram. Não significa que os descontentes concordem com julgamentos populares, ocupações, propaganda falacciosa vomitada de forma constante.

Estar descontente não significa despojarmo-nos de ideais democráticos e defender a eliminação dos adversários. Estar descontente é apenas isso - estar descontente.

Talvez fosse altura de os partidos que tentam arrogar-se de ser representantes dos descontentes percebessem que afinal nunca poderão representar mais do que os seus simpatizantes. E esses, como sabemos, são uma minoria que tem a sorte de viver num regime democrático que os tolera e que lhes dá voz. Coisa que nunca fariam caso estivessem no poder.