A imprensa que temos, ou melhor, a imprensa que não temos

Hoje Vitor Gaspar foi ao parlamento. E do que disse ressalta que a informação sobre os contratos de swap era muito reduzida e de carácter processual. Ou seja, a quantificação de valores e perdas potenciais era algo que não foi passado a este governo na data de transição.
Nada que não esperássemos e nada que não tivesse já sido confirmado.

De pouco adianta saber que há uns swaps e que são pedidos relatórios sobre os mesmos se não se souber mais nada acerca do assunto. O que interessa realmente é saber de ganhos e perdas nesses mesmos contratos. Sobretudo quando alguns deles podem ser uma bomba relégio.

A oposição insiste sempre nos mesmos temas. A "mentira" a "demissão" e todo o cardápio necessário para afastar de si a responsabilidade pela contratação dos mesmos e sobretudo da mais que deficiente gestão do processo quer por parte da tutela quer por parte das empresas contratantes.

A mesma notícia em dois jornais e em linhas gerais muito semelhante com destaque para o Público por ter ido mais longe na transcrição de algumas afirmações de Gaspar que são da maior importância.
A informação fornecida era de apenas duas páginas A4 e insuficiente.
De realçar que apenas por imposição da Troyka seria feito (no futuro) um relatório sobre o caso e que a informação que constava da dita pasta era meramente processual.
Saber de perdas potenciais, tipos de contrato, prazos e coisas verdadeiramente importantes só se veio a saber depois de este Governo estar em funções.

Mas o Expresso opta por fazer um título a todos os títulos enganador, enquento que o título do Público é bastante mais claro relativamente ao tio de informação prestada.

Juntando os dois títulos:

Gaspar diz que atual ministra estava "de longa data informada" sobre os 'swaps' mas o “valor acrescentado” da informação sobre swaps era “reduzidíssimo”

Consegue percebe-se perfeitamente até que ponto é manipulativo o título do Expresso. A ideia que querem reforçar é que a Ministra sabia, logo teria mentido ao passo que no caso do Público a ideia que passa é que a informação prestada era insuficiente.
Mais grave é que mesmo na transcrição do Expresso das palavras de Gaspar são omitidas algumas coisas relevantes.
Ainda assim, podiam simplesmente escrever algumas das coisas que Vitor Gaspar disse, nomeadamente o desconhecimento da dimensão do problema porque a pasta não continha informação que permitisse perceber com rigor o montante de perdas potenciais em causa.
Expresso
Gaspar diz que atual ministra estava "de longa data informada" sobre os 'swaps'

Maria Luís Albuquerque conhecia "em profundidade" a questão e "geriu de forma exemplar" a recolha de mais informação, segundo afirma o ex-ministro das Finanças.

Alexandre Costa
10:32 Terça feira, 30 de julho de 2013
João Relvas/Lusa
"Discutimos certamente esta matéria em profundidade (...) (a ex-secretária de Estado do Tesouro e atual ministra das Finanças) estava de longa data informada" sobre os contratos swap, afirmou hoje Vítor Gaspar, respondendo às questões colocadas pela comissão da Assembleia da República.

Por outro lado, o ex-ministro das Finanças, referindo mais adiante a complexidade e implicações das cláusulas dos contratos, disse que a informação mais completa e detalhada só foi recebida pelo Governo mais recentemente.

Vítor Gaspar considerou que a questão central era do domínio público quando o Governo tomou posse, mas que foi necessário um grande trabalho de recolha de informação suplementar, nomeadamente de informação jurídica, uma tarefa que Maria Luís Albuquerque "geriu de forma exemplar".

A informação disponibilizada pelo anterior Governo, "não é no entanto a informação concreta e quantificada de riscos económicos e financeiros e de aspetos jurídicos que permitem as opções políticas. Se essa infomação sistemática existisse na altura da tomada de posse, teria sido possível atuar mais rapidamente", afirmou.

Perante a acusação do deputado do PS, João Galamba, de que Albuquerque teria travado o processo em curso sobre os swap, Gaspar disse que o "processo nunca foi parado, esteve sempre em progresso".

Na declaração introdutória que efetuou perante a comissão de inquérito sobre os contratos swap, o ex-ministro disse que "este Governo encontrou um problema criado pelo anterior Governo, por um conjunto de contratos que em vez de reduzir o risco o multiplicaram".

Vítor Gaspar afirmou mesmo ter encontrado um "padrão de comportamento" existente "pelo menos nos últimos 15 anos", defendendo por outro lado que tudo fizeram para "amenizar as consequências e evitar" a repetição de contratos swap altamente lesivos para o Estado.
Público
Gaspar: “valor acrescentado” da informação sobre swaps era “reduzidíssimo”

Pedro Crisóstomo
30/07/2013 - 13:09 (actualizado às 4:33)
Ex-ministro defende Maria Luís Albuquerque, garantindo que a afirmação da governante sobre a transição de pastas em 2011 corresponde à verdade.

O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar reafirmou nesta terça-feira que o tema dos contratos swap foi abordado em Junho de 2011 na transição de pastas com o anterior tutelar da pasta das Finanças, mas garantiu que a informação que recebeu de Fernando Teixeira dos Santos foi reduzida, de domínio público e sem detalhe sobre a natureza dos riscos associados aos contratos celebrados por empresas públicas.
Gaspar foi ouvido esta manhã no Parlamento na comissão de inquérito aos contratos de gestão de risco financeiro, onde afirmou ter sido ele a suscitar o tema dos contratos celebrados por empresas públicas, colocando a questão a Teixeira dos Santos (a 18 de Junho).
“A questão foi motivada por uma pergunta da minha parte, tendo, de acordo com a minha melhor recordação, sido referido pelo professor Teixeira dos Santos que o assunto seria tratado” na reunião a seguir, que aconteceu dois dias depois. Nesse segundo encontro (quando Maria Luís Albuquerque ainda não fora nomeada secretária de Estado), a informação passada “terá sido profundamente processual”, acrescentou.
O ex-ministro das Finanças afirmou que o actual Governo recebeu um “dossier físico detalhado” sobre as medidas do programa de ajustamento negociadas com a troika, mas ressalvou que a ficha (desse documento) que se referia aos contratos swap não continha “qualquer informação específica” sobre os riscos associados “e como eles se poderiam materializar”.
Para Vítor Gaspar, a ficha – que Teixeira dos Santos já mostrara quando foi ao Parlamento prestar esclarecimentos– dizia respeito apenas a procedimentos globais e genéricos para dar seguimento a esta matéria no quadro do programa da troika. Por isso, o “valor acrescentado” da informação era “reduzidíssimo”, afirmou, dizendo que coube ao actual Governo avançar com os trabalhos sobre a avaliação dos contratos.
A ficha em causa (duas páginas A4) faz referência a um dos pontos do Memorando de Entendimento, para a elaboração de um relatório pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças que analisaria o “risco orçamental detalhado” e “todas as responsabilidades (explícitas e implícitas) das empresas públicas”.
Ex-ministro elogia sucessora
Gaspar procurou, durante a audição parlamentar, defender a actual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que enquanto sua secretária de Estado do Tesouro afirmou no Parlamento a 25 de Junho que “na transição de pastas nada foi referido a respeito desta matéria”.
Ouvindo o deputado socialista João Galamba acusar Maria Luís Albuquerque de mentir no Parlamento, Gaspar rejeitou a interpretação dada pelo PS – e a restante oposição – às declarações da actual ministra das Finanças (que esta tarde volta a ser ouvida na comissão de inquérito).
Gaspar insistiu que a questão dos swaps foi suscitada, mas não abordada em detalhe com o anterior Governo nas reuniões de 18 e 20 de Junho de 2011, antes de Maria Luís Albuquerque e os restantes secretários de Estado tomarem posse. A governante “não esteve presente na minha reunião com Teixeira dos Santos, nem na reunião que se seguiu com os secretários de Estado”, garantiu Vítor Gaspar.
“A única interpretação que me parece razoável (…) é que nada [de específico] lhe foi referido na pasta de transição e essa afirmação [no Parlamento a 25 de Junho] corresponde exactamente à verdade, tal como foi reportado”, disse.
Gaspar recordou ainda indirectamente o facto de Maria Luís Albuquerque ter sido directora financeira da Refer entre 2001 e 2007 (altura em que foram celebrados contratos de derivados financeiros), para argumentar que a governante conhecia a questão dos swaps “na sua generalidade” e que o que estava em causa não era esse conhecimento genérico, mas as situações concretas. “Não só não desconhecia, como a conhecia bem. E é uma pessoa que pode ser considerada perita nesta matéria. Colocar a questão sobre se tinha conhecimento geral é simplesmente ridículo, não faz qualquer sentido”.
Os deputados da oposição acusaram, por outro lado, a actual ministra das Finanças de esconder que teve conhecimento da questão dos swaps, referindo-se a uma troca de emails entre Maria Luís Albuquerque e o ex-director-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício em Junho e Julho de 2011. Em causa estão emails indicando uma perda potencial de 1500 milhões de euros para o Estado associadas aos contratos celebrados pelas empresas públicas. A informação foi já classificada por Albuquerque numa entrevista à SIC como insuficiente para detectar toda a dimensão do problema.
Estou um pouco surpreendido. Não muito. Desde há bastante tempo que o Expresso deixo de ser comprado cá em casa. Nem para acender a lareira e o churrasco. Arranja-se melhor e mais barato. Mas pensava que o tão propalado rigor e profissionalismo levasse o Expresso a ser mais sério. Noto que se degradou ainda mais desde que decidi deixar de o comprar.


Manchetes ao nível de tabloide e informação convenientemente expurgada de alguma coisa que não reforce a intenção do jornal.

É esta a imprensa que temos. E diz a imprensa que está em "crise" de vendas. Assim não admira. Até dá para espantar como é que não fecharam já as portas e deitaram a chave fora. A julgar pela qualidade do que escrevem o tempo em que o deviam ter feito já passou há muito tempo.
O prazo de validade já expirou há muito e cheio a podre é mesmo insuportável.

O papel de Sócrates

Sócrates usa a RTP como um tempo de comentário muito "especial".
Já o tinhamos visto usar uma entrevista enquanto primeiro ministro para se defender relativamente ao seu curso "mal cheiroso". Apresentando papéis que ninguém consegue ver e afirmando que eles provam "isto ou aquilo".

A estratégia é mais ou menos eficaz. Há sempre aqueles que dizem que ele "apresentou um papel"  ainda que não o tenham visto ou mesmo quando escrutinado com cuidado (como foi o caso dos dicumentos da sua licenciatura) não só não provam o que ele diz mas provam exactamente o contrário.

Ontem apareceu com um documento que "provaria" que a informação sobre os swaps estava na dita pasta de transição. Mas mais adiante no "comentário" acabaria por dizer que um suposto relatório sobre as empresas públicas conteria esta informação.
Disto ressaltam imediatamente duas dúvidas
1. Em que qualidade é que um comentador tem cópias de documentos submetidos a uma comissão parlamentar? Foi na qualidade de ex-primeiro ministro aquando da transição? Já alguma vez um ministro ou primeiro ministro revelou documentos num espaço de comentário televisivo?
2. Como é que um documento de uma página que pede um relatório é uma prova de que a informação foi passada? Estava algum relatório incluído? Se estava porque é que o responsável faz um despacho a pedir informação às empresas e tem como primeira resposta informação insuficiente?

1 página. Nela está toda a informação que seria necessária. E estamos a falar de contratos complicadíssimos.
De tal forma complicados que nem deram por algumas das clausulas que nos lixaram. Mas Sócrates prova com uma página que a informação acerca dos mesmos foi passada ao governo seguinte.
Nem o formulário para aderir a um operador de telemóvel tem tão pouca informação.
O poder de síntese do governo anterior é uma coisa notável. Para quê um dossier de transição se podemos por cada uma das questões numa folha A4?

Devia ser este o conceito de "dar informação" dos seus governos. Bem se vê até que ponto um político mentiroso e medíocre pode descer.

É óbvio que este governo sabia que existiam swaps. Não precisava da merdinha da folha que ele brandiu para saber que eles existiam. Não só são uma prática corrente para protecção de subida de taxas de juro, como a própria MLA tinha assinado alguns na REFER.
O facto de o governo anterior o ter pedido um relatório só fortalece a ideia de que lhe faltava informação acerca do assunto. À própria tutela.

Esta suposta prova arrasadora é mais do mesmo. A mesma estratégia de Sócrates com os "documentos" da sua licenciatura. Ficarão alguns crentes (há sempre) e ficarão os mais céticos a desconfiar totalmente do conteúdo de tal documento.

Sócrates usa e abusa destas manobra de mistificação e baixa política. Baixa política é mesmo o que sempre o caracterizou.
Serve os seus próprios interesses enquanto manobra o PS. Nem sequer demonstra respeito pelo seu próprio partido e líder do mesmo. Se bem que neste caso Seguro ainda terá de lhe agradecer a ajuda por tentar descredibilizar MLA. No entanto usa um nível de baixeza raramente visto para o conseguir. E surpresa das surpresas, as outras vezes a que se assistiu ao mesmo nível de baixeza foi ele também o protagonista.


Sócrates é uma cloaca ambulante. Um homem sem vergonha, escrúpulos ou moral.

É a representação da anti ética.
E a RTP dá tempo de antena a uma besta destas todas as semanas. Ainda dizem que a RTP faz favores ao Governo? De certeza que esta RTP não.
Mas no mínimo deveria ser isenta em vez de se colocar do lado da mais completa mistificação de que há memória televisiva.

Que país é este em que há pessoas que votaram nele 3 vezes? Que país é este em que há gente de tal forma crédula que diz hoje que o papelinho que ele "mostrou" na RTP é uma boa razão para que um ministro se demita?

Um país ao contrário


Depois de ter ouvido Zorrinho a falar na SIC Notícias acerca do caso dos swaps fiquei possesso.

E não consigo pronunciar-me sobre isto com a objectividade que seria desejável. Mas que se lixe. Vou dizer por palavras cruas aquilo que vai na cabeça de muitos de nós.

Comecemos então...

1. O governo do partido a que pertence este MERDAS chamado Zorrinho, empurrou as empresas públicas para se financiarem de maneiras criativas, nomeadamente fazendo contratos de swap com características especulativas que poderiam render ganhos. No caso presente perdas, como parece ser apanágio das decisões tomadas por estes MERDAS em que sai tudo ao contrário. A RESPONSABILIDADE destes contratos e da falta de controlo sobre os mesmos cai sobre os ombros de responsáveis deste partido de MERDA. O PS

2. Quando se fez a passagem de pastas a informação não existia na forma necessária para tomar qualquer decisão. Antes da tomada de posse não responderam a Maria Luis Albuquerque e apenas depois da posse foi revelado que 4 entre muito mais empresas acumulariam já 1200 milhões de perdas. Quem a informou tarde e mal foi o MERDAS que foi à comissão parlamentar dizer que tinha comunicado TUDO. Aparentemente conseguiu viver bem sem informação durante muito tempo, já que só a teve quando já nem sequer o PS era Governo.

3. Tendo o governo tomado posse em Junho, este mesmo MERDAS, que chama mentirosos aos outros soube e comunicou, depois de 1 de Agosto, que afinal as perdas já eram de 1600 milhões.
Isto porque entretanto foi ele próprio recebendo informação. De notar que o que tinha feito até aí tinha sido emitir um despacho a "perguntar" o que não sabia. Portanto, à data da tomada de posse de MLA, este MERDAS nem fazia ideia até que ponto o Governo PS tinha deixado as situação tornar-se potencialmente catastrófica.
Em pouco mais de um mês há uma diferença de 33% de perdas a mais comunicadas pela mesma pessoa a MLA. O MERDAS de que estamos a falar e que parece que gosta de chamar mentirosos e negligentes aos outros.

4. Mesmo assim a informação era insuficiente, já que contemplava apenas algumas das empresas e alguns dos contratos feitos. As perdas seriam bastante mais do que tinha sido declarado. Ou seja, este MERDAS, o MERDAS Teixeira dos Santos e toda a corja de MERDAS do PS não faziam a mais leve ideia do que se passava com a bandalheira generalizada que acontecia nas empresas que estão sob a tutela do Governo. MERDAS, INCOMPETENTES e sobejamente NEGLIGENTES.

Vem hoje o deficiente mental Zorrinho pedir a demissão da ministra porque, segundo o PS, ela não terá condições políticas para desempenhar o cargo.

Este partido de MERDAS profissionais e militantes tenta afastar de si a responsabilidade das perdas enormes causadas pela sua MERDOSA gestão do país e dos dinheiros públicos.
Esta prática e outras similares foi terminada liminarmente por este Governo a quem assacam agora a responsabilidade de ter deixado aumentar o problema. O PROBLEMA que estes MERDAS do PS criaram.

Se houvesse um mínimo de justiça neste país, toda esta gente seria investigada até ao osso para se perceber se não houve favores feitos aos mediadores do sector financeiro que se encheram de dinheiro com a brincadeira.
Recuso-me a acreditar que este tipo de negócios falhem para o lado do Estado apenas por azar e estupidez. Há seguramente aqui intenção de beneficiar alguém. E sendo gente deste partido de MERDAS que se chama PS, não me surpreende nada uma vez que é a prática corrente deste grupo de vígaros de má pinta.

Mas a suprema ironia é ter Zorrinho com uma inteligência ao nível do deficiente mental profundo (sabe deus como esta alimária é doutor) a falar de condições para o exercício de um cargo. E diz isto referindo-se a outras pessoas sem qualquer capacidade de auto análise relativamente às suas próprias competências. Estou em crer que este Zorrinho não morre de asfixia porque a respiração não depende de funções cerebrais conscientes. Se assim fosse o homem asfixiava e caía para o lado, morto...

Todo este processo é abjecto. A tentativa de crucificação de alguém para esconder as próprias responsabilidades é algo que devia ser castigado com apedrejamento público.

Não tenho mais palavras para descrever este grupo de bandalhos que dá pelo nome de Partido Socialista. Fico-me por aqui.

A pasta de transição...

Vai longo o debate sobre a passagem de informação sobre swaps na pasta de transição do Governo de Sócrates para o de Passos Coelho.

O governo tomou posse a 21 de Junho de 2011 como resultado das eleições de 5 desse mês.

Acontece que por estas datas a dita transição se deveria fazer durante o primeiro mês de entrada em funções pelo que a dita "pasta" seria passada em Junho.

Tem havido uma série de gente do anterior governo a afirmar que passou essa informação na pasta de transição. Mas ao mesmo tempo percebe-se que a informação não deveria existir nessa data.
De tal forma é assim que o anterior secretário de Estado do tesouro teria feito isto:
A audição que está agendada para esta terça-feira com o ex-secretário de Estado do Tesouro será importante para obter clarificações sobre este assunto. Carlos Costa Pina chegou a emitir um despacho em 2009 a ordenar a contratação criteriosa de swaps. Outro despacho foi emitido em Junho de 2011 a exigir às empresas públicas o envio de informação sobre os derivados à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e à Inspecção-Geral de Finanças, com o objectivo de estas duas entidades prepararem um relatório sobre os impactos dos contratos.
Ou seja, em Junho teria feito um despacho a pedir informação sobre os ditos contratos. Em que data de Junho isto aconteceu e saber se a informação chegou a tempo de estar incluída nessa dita pasta de transição é o cerne da questão.
Aparentemente não estava. Porque segundo notícia de hoje do Público
Os emails enviados pelo ex-director-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício à agora ministra das Finanças em Junho e Julho de 2011 já continham informação sobre swaps e indicavam uma perda potencial de 1,5 mil milhões de euros.
Nos emails trocados no Verão de 2011 entre o ex-director-geral do Tesouro e Maria Luís Albuquerque, a que a Agência Lusa teve acesso, é feito em primeiro lugar um ponto de situação sobre o valor a preço de mercado dos contratos swap nas principais empresas (Metro de Lisboa, Metro do Porto, CP e Refer). A troca de emails diz respeito aos dias 29 de Junho, 18 de Julho, 26 de Julho e 1 de Agosto.
No primeiro destes emails enviado por Pedro Felício à então secretária de Estado do Tesouro e Finanças, que tem data de 29 de Junho de 2011, é incluído um "ponto de situação dos MtM [Mark-to-market, valor de mercado] dos derivados e instrumentos financeiros nas principais empresas do SEE [Sector Empresarial do Estado]", afirmando ainda que esta informação está em actualização no âmbito do programa da troika, mas que o grosso dos valores está nestas quatro empresas.
A primeira mensagem do FIM do mês de Junho (dia 29) é feito um ponto de situação que é depois complementado com mais informação em 18 de Julho, 26 de Julho e 1 de Agosto.
A 29 de Junho nem toda a informação está disponível. Vai estando...
Na segunda mensagem, datada de 18 de Julho, Pedro Felício envia a Maria Luís Albuquerque um anexo com detalhe dos instrumentos de gestão de risco – swaps – das principais empresas, com detalhe dos bancos e tipo de contrato e ainda mais informação sobre a renegociação de dívidas das empresas com bancos internacionais.
Maria Luís Albuquerque responde ao então director-geral do Tesouro e Finanças dizendo-lhe que necessitariam de conversar sobre este tema e outros que estariam pendentes, dando orientações para que a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) não garantisse o cumprimento das dívidas das empresas e para que não sejam dadas orientações às empresas sobre como negociar a sua dívida com os bancos.
A 26 de Julho, Pedro Felício envia novo email a Maria Luís Albuquerque no qual é anexado o relatório anual do sector empresarial do Estado de 2011, dizendo que dentro deste estão incluídos novos capítulos, entre eles um dedicado a Instrumentos de Gestão de Risco Financeiro. No documento incluem-se quadros que têm, entre outras coisas, uma actualização das perdas potenciais associadas a swaps, que em Junho de 2011 já tinham subido para 1549 milhões de euros.
A 1 de Agosto, Maria Luís Albuquerque interpela Pedro Felício e pergunta-lhe o porquê de não constar nos documentos da DGTF a informação sobre os derivados da EGREP – Entidade Gestora das Reservas de Produtos Petrolíferos. Pedro Felício diz, num email de resposta, que tal se deve a informação insuficiente por parte da empresa. Um dia mais tarde, envia a informação à agora ministra das Finanças, informando-a de que os derivados da EGREP acabariam por inflacionar para 1646 milhões de euros o valor de perdas potenciais estimadas, tendo um impacto negativo de 97 milhões de euros.
Disto decorre que à data da posse, este governo não tinha informação sobre os swaps. Ela foi chegando e só terá  chegado na totalidade depois de 1 de Agosto, já que MLA pergunta a Pedro Felício porque é que na informação anterior não consta informação da EGREP. Segundo o mesmo Pedro Felício a empresa não teria respondido, logo ele não sabia a 1 de Agosto. E apesar de não ser muito na catástrofe global ainda são 97 milhões de Euros. Uma quantia que faria feliz qualquer um de nós (e as nossas famílias vivas e futuras)

Para quem vem peremptoriamente a uma comissão dizer que na transição o governo foi informado parece mais ou menos óbvio que não foi. Parece mais ou menos óbvio que "foi sendo" informado à medida que foi solicitando informação. E se a solicitou é porque não a tinha e se não a tinha é porque o governo anterior não a deu.

Claro que estar aqui a debater questões de dias quando já decorreram dois anos sobre isto pode parecer um detalhe desnecessário. Mas não é. E não é liquido que sabendo mais cedo as perdas poderiam ser evitadas. Essas coisas não são feitas de forma unilateral e as perdas acumulam-se a uma velocidade alucinante.
O que parece claro de tudo isto é que o Governo anterior não fazia nenhuma ideia do que se passava. E só o soube, provavelmente, porque foi forçado a pedir a informação que não tinha. E quando soube passou "delicadamente" a batata quente a quem estava a chegar.

Isto torna evidente duas coisas, ambas graves.
1. O Governo anterior geria este tipo de assuntos com uma negligência assustadora
2. Aproveita-se da situação de transição para "lavar" as mãos da sua mal e porcamente feita gestão do assunto.

Não sei durante quanto tempo é suposto um governo demorar a passar a pasta ao seguinte. Eu diria que logo que se saiba o elenco governamental essa transição deveria ter lugar. A tomada de posse é uma formalidade mas nada diz que só de pode ter a informação só a partir dessa data.
No dia em que um Governo toma posse já deve ter ao seu dispor a dita pasta de transição. Que neste caso tinha lacunas de informação sobre um assunto de bastante gravidade.

E assim se vai gerindo o país. Entre incompetentes, negligentes e larápios o país vai perdendo dinheiro pelas frestas. Ms é curioso perceber que com o PS essas fretas parecem ser enormes.

A podridão dos hábitos políticos

Uma frase lapidar de Rui Machete.
E que o caracteriza muito.
Advogado de formação e esbanjador por deformação.

Anda na política activa desde o 25 de Abril. Já foi ministro, secretário de estado, administrador, presidente de fundação e todos os cargos bem remunerados e cheios de mordomias que alguém pode imaginar.

É quase divertido chamarem-lhe senador. A ele e a Mário Soares. Outro que nunca precisou de lições de ninguém acerca de como esbanjar dinheiro que não é seu. O qiue me leva a concluir que o título de senador é dado neste país a uma espécie de homem que desde há quase 40 anos vive refasteladamente saltitando de lugar em lugar, fazendo fortuna e nunca tendo responsabilidade de nada.

Rui Machete também não tem. Nada tem a ver com o que se passava na SLN, nem sequer acha que foi um esbanjador vergonhoso na FLAD. Ele só é responsável pelos sucessos. Entre os quais brilha a grande altura a valorização da coleção de arte que comprou para a fundação uma parte da qual estava no seu gabinete.
E é curioso como se tenta pintar a coisa como se fosse uma má vontade dos embaixadores. A vontade de se livrarem de alguém que se comportava como um reizinho usando dinheiros da fundação em proveito próprio ficou bem patente nalgumas das comunicações reveladas pelo WikiLeaks.
Será que o que levou esses embaixadores (mais do que um) a quererem livrar-se de Machete foi uma cabala orquestrada entre eles ou o simples facto de ele usar recursos da fundação em proveito próprio e dos amigos? Há algo que me leva a acreditar mais nos embaixadores do que em Rui Machete. Parecem-me dignos de maior crédito. Sobretudo porque foram mais que um a constatar a forma como a fundação era gerida.

Mas com isto tudo tem curriculo. Nada melhor para um esbanjador do que encontrar-lhe um lugar adequado.
As viagens em representação do Estado, as recepções onde irá provavelmente encontrar embaixadores que nutrem por ele um profundo desprezo, e a vida na alta roda são sem dúvida um lugar condigno para este "senador".

Ele é sem dúvida nenhuma um símbolo daquilo que o regime tem de podre. É uma cara demasiado ligada a nepotismo, esbanjamento e abusos para ser sequer considerado para Ministro.
E este Governo perde muito ao ceder ao "aparelho" numa vã tentativa de apaziguar os barões e baronetes.

Machete faz parte do PSD podre, corporizado por Capuchos e outras eminências pardas do partido.
O Capucho das 3 "negas" nem sequer conseguia hoje disfarçar o despeito pela nomeação do "amigo de há muitos anos". Outro "senador". Este sem dúvida o "senador" despeitado que nem a presidente da Cruz Vermelha consegui chegar por nomeação do governo do partido.

Era este PSD que eu ansiava ver varrido do mapa por Passos Coelho. É este PSD  que mais uma vez ganha a batalha da perpetuação na gamela do poder.

O governo também cede ao CDS e retira o ministro que talvez tenha feito mais pelo país nestes últimos 2 anos. Um homem despretencioso, imaginativo e frontal. Que escrevia o que pensava no seu blog (que eu anseio voltar a ler depois deste interregno de 2 anos). Quanto a Santos Pereira não existe qualquer dúvida acerca do seu afastamento de lobbies e grupos de pressão.
Por isso foi sempre um alvo. Não foi um alvo fácil, mas esteve sempre na mira dos que de dentro e fora do partido o viam como um empecilho, como um outsider que urgia abater.

É substituído por Pires de Lima. O mesmo Pires de Lima tão por dentro das questões económicas que conseguiu estar no programa do inenarrável Nicolau Santos com o "vigarista da ONU" e não conseguiu rebater com um número real que fosse as baboseiras infindáveis de Nicolau e do impostor.

E é este o novo ministro da economia.
Um empresário que conseguiu sucesso a vender Super Bock.
Eu diria que qualquer indivíduo com meio cérebro e com uma equipa que não seja composta por imbecis consegue fazer sucesso a vender cerveja.
Junte-se a isso a promoção desmesurada junto das camadas jovens com os festivais e com as festas académicas e aí temos a receita para o sucesso.
Fosse o álcool uma substância maldita como o tabaco e eu queria ver o sucesso de Pires de Lima no mundo dos negócios.
Não foi tão eficaz assim na Compal. Pioneira dos sumos naturais e vencedora de inúmeros prémios internacionais acabou por ser vendida à Sumolis que só começou com o negócio dos néctares no início dos anos 90. Ou seja com umas boas décadas de atraso em relação à Compal.
Foi incapaz de resistir à concorrência  de uma recém chegada na mesma franja de produto. Foi incapaz de sair do mesmo tom quando encontrou concorrência. Isto não me parece um bom exemplo de gestão sob nenhum ponto de vista.
Antes da cervejola não me parece que Pires de Lima fosse mais que um "gestor" mediano. Com a cervejola passou a outro patamar. E esse patamar parece-me perfeitamente conjuntural e completamente independente da sua "genial" gestão. Até 2012 os valores de consumo por habitante por ano chegaram a uns impressionantes 61 litros por habitante em 2008.
Estão em queda com a crise mas em 1992 o valor era de 50 litros. Um aumento de consumo de um pouco mais de 20% em 16 anos (até 2008). Não admira portanto que se possa dizer que Pires de Lima teve "sucesso". Resta saber quanto é mérito dele e resta saber se existe algum mérito em ter o seu sucesso associado ao consumo de álccol.
Seria interessante ver o sucesso de Pires de Lima como empresário a tirar uma empresa do buraco ou a tornar o Estado eficiente em termos de custos.
Parece-me que Pires de Lima não passa de uma daquelas fraudes clássicas.
Um belo dia começam a dizer que ele é muito bom e passado algum tempo todos o repetem.
Tal como se passou com António Vitorino que todos diziam ser um comissário Europeu fabuloso mas ninguém sabia ao certo quais eram as suas competências ou o resultado da sua passagem pela comissão.
Mais um caso do "dizem que é bom".
Vai entrar, vai sair e vamos ficar sem saber o que conseguiu ser feito. Estou bastante seguro de que não atacará os sectores que têm delapidado os consumidores e o país desde há muitos anos.

Mas tirar Santos Pereira da pasta da Economia para meter mais um como este, por ser supostamente um fabuloso empresário, parece-me um bocado demais.