O espalhafato e o conhecimento

Ouvindo a audição da ministra das finanças na comissão parlamentar não posso senão fazer a minha vénia.

Em primeiro lugar pela contenção demonstrada perante as perguntas e os apartes cretinos de Ana Drago. Manter a compostura numa situação destas é algo que só pode estar ao alcance de alguém com boa formação intelectual e cívica.

Em segundo lugar pelo conhecimento demonstrado na matéria. Não precisa de recorrer a cábulas e fala com um enorme à vontade sobre os temas o que apenas está ao alcance de quem sabe muito bem o que faz.

Ana Drago por outro lado não desaponta. Uma pateta panfletária, levando ao extremo aquilo que os portugueses fazem normalmente - falar sem saber minimamente o assunto sobre o qual se estão a pronunciar.
As conclusões são completamente abusivas "não fizeram nada durante um ano", ou simplesmente erradas.
É um pouco assustador ter uma especialista em economia e contas públicas a discutir com borgessos. E é assustador porque são deputados como Ana Drago que podem um dia estar num qualquer cargo governativo. Já é bastante assustador perceber até que ponto os seus conhecimentos são completamente insuficientes para falar com um especialista em qualquer matéria.

O curioso da interpelação de Ana Drago é a forma como ela se foi encurralando num canto. O sorriso trocista, tão característico deste grupinho que se acha possuidor da verdade, foi desaparecendo à medida que tomava consciência de que nunca poderia discutir de igual para igual com a ministra.
O sorriso passou de trocista a forçado para um esgar mais raivoso até se silenciar por completo.
Começou por alegar que a ministra não tinha feito nada. À medida que a sua argumentação foi sendo destruída encurralou-se na questão dos custos para os contribuintes.
Chegada aí teve mesmo que assumir a sua "iliteracia" (para quê usar palavras finas Ana Drago? Diga apenas que não percebe um "corno" do que está a falar) sobre o assunto.
Teria sido bom que tivesse percebido isso desde o início. Era mais ou menos óbvio que não tem a capacidade de debater estas questões com profissionais a sério.
Acabam sempre a refugiar-se em coisas supostamente "ditas" por outros especialistas. Ainda por cima mal compreendidas porque estão claramente acima das suas capacidades de compreensão.

Ana Drago foi completamente destruída. Cavou até bater em pedra sólida. Poderia ter continuado a escavar se tivesse algum conhecimento sobre a matéria. Mas mesmo assim não basta ser economista para se poder discutir estes temas com uma pessoa como a ministra.
E assim será por parte de qualquer deputadozeco medíocre (existe de outro tipo?) que tenha como única motivação a chicana política.
Veja-se o caso de Galamba, supostamente economista mas comprovadamente medíocre. Enfrentar um governador do BdP ou um ministro da Economia está bem para lá das suas capacidades.
E não admira. Se eles fossem realmente bons naquilo que fazem estariam a auferir de bons salários no sector privado em vez de dependerem de favores políticos para figurar numa lista em lugar elegível. Não é por acaso que a mediocridade grassa no parlamento.
Ana Drago é socióloga. Pouco mais. Talvez nem isso seja de forma competente.
Como quase todos frequentou qualquer coisa mais que nunca acabou. Nunca acabam nada. Mas têm a distinta lata de dizer que frequenetaram qualquer coisa.
O seu camarada Daniel Oliveira também frequentou uma licenciatura. Que não acabou. Mas espantem-se oh almas, está a fazer um mestrado na Lusófona. Teremos por estes dias um mestre sem licenciatura. Uma novidade a la Bolonha seguramente.

Da carreira profissional de Ana Drago não há nada digno de realce. Mas fico a saber que agora há teses de licenciatura e é considerado um título académico e/ou científico.
Arre porra que esta gente gosta de injectar esteroides no CV...
Isto deve ser uma coisa do Bloco. Por este andar teremos teses no ensino secundário.
Habilitações Literárias
Frequência de Mestrado em Sociologia

Profissão
Socióloga

Cargos que desempenha
Deputado na XI Legislatura;
Membro da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda
Membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda

Cargos exercidos
Deputada nas IX e X Legislaturas

Obras Publicadas
"Agitar antes de ousar: o movimento estudantil anti-propinas", 2003, Edições Afrontamento, Porto

Títulos académicos e científicos
"Agitar antes de ousar: o movimento estudantil anti-propinas" - tese de licenciatura em sociologia polítca (2001)
Como currículo estamos conversados. Quantos licenciados em Sociologia estão hoje desempregados ou a trabalhar em profissões  nada adequadas à sua formação?
E é esta pobre amostra de profissional que se põe a tentar encostar à parede uma pessoa como a ministra?

Maria Luís Albuquerque nasceu em Braga em 1967.
Licenciou-se em Economia na Universidade Lusíada de Lisboa em 1991 e é mestre em Economia Monetária e Financeira pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa desde 1997.
Foi técnica superior na Direcção-Geral do Tesouro e Finanças entre 1996 e 1999, técnica superior do Gabinete de Estudos e Prospectiva Económica do Ministério da Economia entre 1999 e 2001, desempenhou funções de assessora do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças em 2001, foi Diretora do Departamento de Gestão Financeira da Refer entre 2001 e 2007 e coordenou o Núcleo de Emissões e Mercados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público entre 2007 e 2011.
Foi docente na Universidade Lusíada de Lisboa, no Instituto Superior de Economia e Gestão e no polo de Setúbal da Universidade Moderna entre 1991 e 2006.
Maria Luís Albuquerque foi Secretária de Estado do Tesouro e Finanças entre junho de 2011 e Outubro de 2012 e Secretária de Estado do Tesouro entre outubro de 2012 e junho de 2013. Nestas funções, seguiu os assuntos do Eurogrupo e do Ecofin substituindo o então Ministro de Estado e das Finanças. Tomou posse como Ministra de Estado e das Finanças em 2 de julho de 2013.
O que é que pode resultar de um debate entre uma oportunista política que se vê eleita para o parlamento e alguém com este tipo de CV?
Um massacre completo, como aconteceu.

O que é mais revelador ao ouvir uma audição assim é o fosso de conhecimento e capacidade que existe entre gente como Ana Drago e uma pessoa que toda a vida trabalhou na área. São espertos até um certo ponto, não entrando em detalhes que possam revelar o seu desconhecimento total das questões técnicas em discussão, mas não conseguem sustentar o discurso durante muito tempo. À medida que a sua argumentação superficial é desmontada não conseguem sequer ter o conhecimento para fazer um seguimento pertinente. Limitam-se a ficar pelo ruído mediático.

A imprensa que temos, ou melhor, a imprensa que não temos

Hoje Vitor Gaspar foi ao parlamento. E do que disse ressalta que a informação sobre os contratos de swap era muito reduzida e de carácter processual. Ou seja, a quantificação de valores e perdas potenciais era algo que não foi passado a este governo na data de transição.
Nada que não esperássemos e nada que não tivesse já sido confirmado.

De pouco adianta saber que há uns swaps e que são pedidos relatórios sobre os mesmos se não se souber mais nada acerca do assunto. O que interessa realmente é saber de ganhos e perdas nesses mesmos contratos. Sobretudo quando alguns deles podem ser uma bomba relégio.

A oposição insiste sempre nos mesmos temas. A "mentira" a "demissão" e todo o cardápio necessário para afastar de si a responsabilidade pela contratação dos mesmos e sobretudo da mais que deficiente gestão do processo quer por parte da tutela quer por parte das empresas contratantes.

A mesma notícia em dois jornais e em linhas gerais muito semelhante com destaque para o Público por ter ido mais longe na transcrição de algumas afirmações de Gaspar que são da maior importância.
A informação fornecida era de apenas duas páginas A4 e insuficiente.
De realçar que apenas por imposição da Troyka seria feito (no futuro) um relatório sobre o caso e que a informação que constava da dita pasta era meramente processual.
Saber de perdas potenciais, tipos de contrato, prazos e coisas verdadeiramente importantes só se veio a saber depois de este Governo estar em funções.

Mas o Expresso opta por fazer um título a todos os títulos enganador, enquento que o título do Público é bastante mais claro relativamente ao tio de informação prestada.

Juntando os dois títulos:

Gaspar diz que atual ministra estava "de longa data informada" sobre os 'swaps' mas o “valor acrescentado” da informação sobre swaps era “reduzidíssimo”

Consegue percebe-se perfeitamente até que ponto é manipulativo o título do Expresso. A ideia que querem reforçar é que a Ministra sabia, logo teria mentido ao passo que no caso do Público a ideia que passa é que a informação prestada era insuficiente.
Mais grave é que mesmo na transcrição do Expresso das palavras de Gaspar são omitidas algumas coisas relevantes.
Ainda assim, podiam simplesmente escrever algumas das coisas que Vitor Gaspar disse, nomeadamente o desconhecimento da dimensão do problema porque a pasta não continha informação que permitisse perceber com rigor o montante de perdas potenciais em causa.
Expresso
Gaspar diz que atual ministra estava "de longa data informada" sobre os 'swaps'

Maria Luís Albuquerque conhecia "em profundidade" a questão e "geriu de forma exemplar" a recolha de mais informação, segundo afirma o ex-ministro das Finanças.

Alexandre Costa
10:32 Terça feira, 30 de julho de 2013
João Relvas/Lusa
"Discutimos certamente esta matéria em profundidade (...) (a ex-secretária de Estado do Tesouro e atual ministra das Finanças) estava de longa data informada" sobre os contratos swap, afirmou hoje Vítor Gaspar, respondendo às questões colocadas pela comissão da Assembleia da República.

Por outro lado, o ex-ministro das Finanças, referindo mais adiante a complexidade e implicações das cláusulas dos contratos, disse que a informação mais completa e detalhada só foi recebida pelo Governo mais recentemente.

Vítor Gaspar considerou que a questão central era do domínio público quando o Governo tomou posse, mas que foi necessário um grande trabalho de recolha de informação suplementar, nomeadamente de informação jurídica, uma tarefa que Maria Luís Albuquerque "geriu de forma exemplar".

A informação disponibilizada pelo anterior Governo, "não é no entanto a informação concreta e quantificada de riscos económicos e financeiros e de aspetos jurídicos que permitem as opções políticas. Se essa infomação sistemática existisse na altura da tomada de posse, teria sido possível atuar mais rapidamente", afirmou.

Perante a acusação do deputado do PS, João Galamba, de que Albuquerque teria travado o processo em curso sobre os swap, Gaspar disse que o "processo nunca foi parado, esteve sempre em progresso".

Na declaração introdutória que efetuou perante a comissão de inquérito sobre os contratos swap, o ex-ministro disse que "este Governo encontrou um problema criado pelo anterior Governo, por um conjunto de contratos que em vez de reduzir o risco o multiplicaram".

Vítor Gaspar afirmou mesmo ter encontrado um "padrão de comportamento" existente "pelo menos nos últimos 15 anos", defendendo por outro lado que tudo fizeram para "amenizar as consequências e evitar" a repetição de contratos swap altamente lesivos para o Estado.
Público
Gaspar: “valor acrescentado” da informação sobre swaps era “reduzidíssimo”

Pedro Crisóstomo
30/07/2013 - 13:09 (actualizado às 4:33)
Ex-ministro defende Maria Luís Albuquerque, garantindo que a afirmação da governante sobre a transição de pastas em 2011 corresponde à verdade.

O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar reafirmou nesta terça-feira que o tema dos contratos swap foi abordado em Junho de 2011 na transição de pastas com o anterior tutelar da pasta das Finanças, mas garantiu que a informação que recebeu de Fernando Teixeira dos Santos foi reduzida, de domínio público e sem detalhe sobre a natureza dos riscos associados aos contratos celebrados por empresas públicas.
Gaspar foi ouvido esta manhã no Parlamento na comissão de inquérito aos contratos de gestão de risco financeiro, onde afirmou ter sido ele a suscitar o tema dos contratos celebrados por empresas públicas, colocando a questão a Teixeira dos Santos (a 18 de Junho).
“A questão foi motivada por uma pergunta da minha parte, tendo, de acordo com a minha melhor recordação, sido referido pelo professor Teixeira dos Santos que o assunto seria tratado” na reunião a seguir, que aconteceu dois dias depois. Nesse segundo encontro (quando Maria Luís Albuquerque ainda não fora nomeada secretária de Estado), a informação passada “terá sido profundamente processual”, acrescentou.
O ex-ministro das Finanças afirmou que o actual Governo recebeu um “dossier físico detalhado” sobre as medidas do programa de ajustamento negociadas com a troika, mas ressalvou que a ficha (desse documento) que se referia aos contratos swap não continha “qualquer informação específica” sobre os riscos associados “e como eles se poderiam materializar”.
Para Vítor Gaspar, a ficha – que Teixeira dos Santos já mostrara quando foi ao Parlamento prestar esclarecimentos– dizia respeito apenas a procedimentos globais e genéricos para dar seguimento a esta matéria no quadro do programa da troika. Por isso, o “valor acrescentado” da informação era “reduzidíssimo”, afirmou, dizendo que coube ao actual Governo avançar com os trabalhos sobre a avaliação dos contratos.
A ficha em causa (duas páginas A4) faz referência a um dos pontos do Memorando de Entendimento, para a elaboração de um relatório pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças que analisaria o “risco orçamental detalhado” e “todas as responsabilidades (explícitas e implícitas) das empresas públicas”.
Ex-ministro elogia sucessora
Gaspar procurou, durante a audição parlamentar, defender a actual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que enquanto sua secretária de Estado do Tesouro afirmou no Parlamento a 25 de Junho que “na transição de pastas nada foi referido a respeito desta matéria”.
Ouvindo o deputado socialista João Galamba acusar Maria Luís Albuquerque de mentir no Parlamento, Gaspar rejeitou a interpretação dada pelo PS – e a restante oposição – às declarações da actual ministra das Finanças (que esta tarde volta a ser ouvida na comissão de inquérito).
Gaspar insistiu que a questão dos swaps foi suscitada, mas não abordada em detalhe com o anterior Governo nas reuniões de 18 e 20 de Junho de 2011, antes de Maria Luís Albuquerque e os restantes secretários de Estado tomarem posse. A governante “não esteve presente na minha reunião com Teixeira dos Santos, nem na reunião que se seguiu com os secretários de Estado”, garantiu Vítor Gaspar.
“A única interpretação que me parece razoável (…) é que nada [de específico] lhe foi referido na pasta de transição e essa afirmação [no Parlamento a 25 de Junho] corresponde exactamente à verdade, tal como foi reportado”, disse.
Gaspar recordou ainda indirectamente o facto de Maria Luís Albuquerque ter sido directora financeira da Refer entre 2001 e 2007 (altura em que foram celebrados contratos de derivados financeiros), para argumentar que a governante conhecia a questão dos swaps “na sua generalidade” e que o que estava em causa não era esse conhecimento genérico, mas as situações concretas. “Não só não desconhecia, como a conhecia bem. E é uma pessoa que pode ser considerada perita nesta matéria. Colocar a questão sobre se tinha conhecimento geral é simplesmente ridículo, não faz qualquer sentido”.
Os deputados da oposição acusaram, por outro lado, a actual ministra das Finanças de esconder que teve conhecimento da questão dos swaps, referindo-se a uma troca de emails entre Maria Luís Albuquerque e o ex-director-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício em Junho e Julho de 2011. Em causa estão emails indicando uma perda potencial de 1500 milhões de euros para o Estado associadas aos contratos celebrados pelas empresas públicas. A informação foi já classificada por Albuquerque numa entrevista à SIC como insuficiente para detectar toda a dimensão do problema.
Estou um pouco surpreendido. Não muito. Desde há bastante tempo que o Expresso deixo de ser comprado cá em casa. Nem para acender a lareira e o churrasco. Arranja-se melhor e mais barato. Mas pensava que o tão propalado rigor e profissionalismo levasse o Expresso a ser mais sério. Noto que se degradou ainda mais desde que decidi deixar de o comprar.


Manchetes ao nível de tabloide e informação convenientemente expurgada de alguma coisa que não reforce a intenção do jornal.

É esta a imprensa que temos. E diz a imprensa que está em "crise" de vendas. Assim não admira. Até dá para espantar como é que não fecharam já as portas e deitaram a chave fora. A julgar pela qualidade do que escrevem o tempo em que o deviam ter feito já passou há muito tempo.
O prazo de validade já expirou há muito e cheio a podre é mesmo insuportável.

O papel de Sócrates

Sócrates usa a RTP como um tempo de comentário muito "especial".
Já o tinhamos visto usar uma entrevista enquanto primeiro ministro para se defender relativamente ao seu curso "mal cheiroso". Apresentando papéis que ninguém consegue ver e afirmando que eles provam "isto ou aquilo".

A estratégia é mais ou menos eficaz. Há sempre aqueles que dizem que ele "apresentou um papel"  ainda que não o tenham visto ou mesmo quando escrutinado com cuidado (como foi o caso dos dicumentos da sua licenciatura) não só não provam o que ele diz mas provam exactamente o contrário.

Ontem apareceu com um documento que "provaria" que a informação sobre os swaps estava na dita pasta de transição. Mas mais adiante no "comentário" acabaria por dizer que um suposto relatório sobre as empresas públicas conteria esta informação.
Disto ressaltam imediatamente duas dúvidas
1. Em que qualidade é que um comentador tem cópias de documentos submetidos a uma comissão parlamentar? Foi na qualidade de ex-primeiro ministro aquando da transição? Já alguma vez um ministro ou primeiro ministro revelou documentos num espaço de comentário televisivo?
2. Como é que um documento de uma página que pede um relatório é uma prova de que a informação foi passada? Estava algum relatório incluído? Se estava porque é que o responsável faz um despacho a pedir informação às empresas e tem como primeira resposta informação insuficiente?

1 página. Nela está toda a informação que seria necessária. E estamos a falar de contratos complicadíssimos.
De tal forma complicados que nem deram por algumas das clausulas que nos lixaram. Mas Sócrates prova com uma página que a informação acerca dos mesmos foi passada ao governo seguinte.
Nem o formulário para aderir a um operador de telemóvel tem tão pouca informação.
O poder de síntese do governo anterior é uma coisa notável. Para quê um dossier de transição se podemos por cada uma das questões numa folha A4?

Devia ser este o conceito de "dar informação" dos seus governos. Bem se vê até que ponto um político mentiroso e medíocre pode descer.

É óbvio que este governo sabia que existiam swaps. Não precisava da merdinha da folha que ele brandiu para saber que eles existiam. Não só são uma prática corrente para protecção de subida de taxas de juro, como a própria MLA tinha assinado alguns na REFER.
O facto de o governo anterior o ter pedido um relatório só fortalece a ideia de que lhe faltava informação acerca do assunto. À própria tutela.

Esta suposta prova arrasadora é mais do mesmo. A mesma estratégia de Sócrates com os "documentos" da sua licenciatura. Ficarão alguns crentes (há sempre) e ficarão os mais céticos a desconfiar totalmente do conteúdo de tal documento.

Sócrates usa e abusa destas manobra de mistificação e baixa política. Baixa política é mesmo o que sempre o caracterizou.
Serve os seus próprios interesses enquanto manobra o PS. Nem sequer demonstra respeito pelo seu próprio partido e líder do mesmo. Se bem que neste caso Seguro ainda terá de lhe agradecer a ajuda por tentar descredibilizar MLA. No entanto usa um nível de baixeza raramente visto para o conseguir. E surpresa das surpresas, as outras vezes a que se assistiu ao mesmo nível de baixeza foi ele também o protagonista.


Sócrates é uma cloaca ambulante. Um homem sem vergonha, escrúpulos ou moral.

É a representação da anti ética.
E a RTP dá tempo de antena a uma besta destas todas as semanas. Ainda dizem que a RTP faz favores ao Governo? De certeza que esta RTP não.
Mas no mínimo deveria ser isenta em vez de se colocar do lado da mais completa mistificação de que há memória televisiva.

Que país é este em que há pessoas que votaram nele 3 vezes? Que país é este em que há gente de tal forma crédula que diz hoje que o papelinho que ele "mostrou" na RTP é uma boa razão para que um ministro se demita?

Um país ao contrário


Depois de ter ouvido Zorrinho a falar na SIC Notícias acerca do caso dos swaps fiquei possesso.

E não consigo pronunciar-me sobre isto com a objectividade que seria desejável. Mas que se lixe. Vou dizer por palavras cruas aquilo que vai na cabeça de muitos de nós.

Comecemos então...

1. O governo do partido a que pertence este MERDAS chamado Zorrinho, empurrou as empresas públicas para se financiarem de maneiras criativas, nomeadamente fazendo contratos de swap com características especulativas que poderiam render ganhos. No caso presente perdas, como parece ser apanágio das decisões tomadas por estes MERDAS em que sai tudo ao contrário. A RESPONSABILIDADE destes contratos e da falta de controlo sobre os mesmos cai sobre os ombros de responsáveis deste partido de MERDA. O PS

2. Quando se fez a passagem de pastas a informação não existia na forma necessária para tomar qualquer decisão. Antes da tomada de posse não responderam a Maria Luis Albuquerque e apenas depois da posse foi revelado que 4 entre muito mais empresas acumulariam já 1200 milhões de perdas. Quem a informou tarde e mal foi o MERDAS que foi à comissão parlamentar dizer que tinha comunicado TUDO. Aparentemente conseguiu viver bem sem informação durante muito tempo, já que só a teve quando já nem sequer o PS era Governo.

3. Tendo o governo tomado posse em Junho, este mesmo MERDAS, que chama mentirosos aos outros soube e comunicou, depois de 1 de Agosto, que afinal as perdas já eram de 1600 milhões.
Isto porque entretanto foi ele próprio recebendo informação. De notar que o que tinha feito até aí tinha sido emitir um despacho a "perguntar" o que não sabia. Portanto, à data da tomada de posse de MLA, este MERDAS nem fazia ideia até que ponto o Governo PS tinha deixado as situação tornar-se potencialmente catastrófica.
Em pouco mais de um mês há uma diferença de 33% de perdas a mais comunicadas pela mesma pessoa a MLA. O MERDAS de que estamos a falar e que parece que gosta de chamar mentirosos e negligentes aos outros.

4. Mesmo assim a informação era insuficiente, já que contemplava apenas algumas das empresas e alguns dos contratos feitos. As perdas seriam bastante mais do que tinha sido declarado. Ou seja, este MERDAS, o MERDAS Teixeira dos Santos e toda a corja de MERDAS do PS não faziam a mais leve ideia do que se passava com a bandalheira generalizada que acontecia nas empresas que estão sob a tutela do Governo. MERDAS, INCOMPETENTES e sobejamente NEGLIGENTES.

Vem hoje o deficiente mental Zorrinho pedir a demissão da ministra porque, segundo o PS, ela não terá condições políticas para desempenhar o cargo.

Este partido de MERDAS profissionais e militantes tenta afastar de si a responsabilidade das perdas enormes causadas pela sua MERDOSA gestão do país e dos dinheiros públicos.
Esta prática e outras similares foi terminada liminarmente por este Governo a quem assacam agora a responsabilidade de ter deixado aumentar o problema. O PROBLEMA que estes MERDAS do PS criaram.

Se houvesse um mínimo de justiça neste país, toda esta gente seria investigada até ao osso para se perceber se não houve favores feitos aos mediadores do sector financeiro que se encheram de dinheiro com a brincadeira.
Recuso-me a acreditar que este tipo de negócios falhem para o lado do Estado apenas por azar e estupidez. Há seguramente aqui intenção de beneficiar alguém. E sendo gente deste partido de MERDAS que se chama PS, não me surpreende nada uma vez que é a prática corrente deste grupo de vígaros de má pinta.

Mas a suprema ironia é ter Zorrinho com uma inteligência ao nível do deficiente mental profundo (sabe deus como esta alimária é doutor) a falar de condições para o exercício de um cargo. E diz isto referindo-se a outras pessoas sem qualquer capacidade de auto análise relativamente às suas próprias competências. Estou em crer que este Zorrinho não morre de asfixia porque a respiração não depende de funções cerebrais conscientes. Se assim fosse o homem asfixiava e caía para o lado, morto...

Todo este processo é abjecto. A tentativa de crucificação de alguém para esconder as próprias responsabilidades é algo que devia ser castigado com apedrejamento público.

Não tenho mais palavras para descrever este grupo de bandalhos que dá pelo nome de Partido Socialista. Fico-me por aqui.

A pasta de transição...

Vai longo o debate sobre a passagem de informação sobre swaps na pasta de transição do Governo de Sócrates para o de Passos Coelho.

O governo tomou posse a 21 de Junho de 2011 como resultado das eleições de 5 desse mês.

Acontece que por estas datas a dita transição se deveria fazer durante o primeiro mês de entrada em funções pelo que a dita "pasta" seria passada em Junho.

Tem havido uma série de gente do anterior governo a afirmar que passou essa informação na pasta de transição. Mas ao mesmo tempo percebe-se que a informação não deveria existir nessa data.
De tal forma é assim que o anterior secretário de Estado do tesouro teria feito isto:
A audição que está agendada para esta terça-feira com o ex-secretário de Estado do Tesouro será importante para obter clarificações sobre este assunto. Carlos Costa Pina chegou a emitir um despacho em 2009 a ordenar a contratação criteriosa de swaps. Outro despacho foi emitido em Junho de 2011 a exigir às empresas públicas o envio de informação sobre os derivados à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e à Inspecção-Geral de Finanças, com o objectivo de estas duas entidades prepararem um relatório sobre os impactos dos contratos.
Ou seja, em Junho teria feito um despacho a pedir informação sobre os ditos contratos. Em que data de Junho isto aconteceu e saber se a informação chegou a tempo de estar incluída nessa dita pasta de transição é o cerne da questão.
Aparentemente não estava. Porque segundo notícia de hoje do Público
Os emails enviados pelo ex-director-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício à agora ministra das Finanças em Junho e Julho de 2011 já continham informação sobre swaps e indicavam uma perda potencial de 1,5 mil milhões de euros.
Nos emails trocados no Verão de 2011 entre o ex-director-geral do Tesouro e Maria Luís Albuquerque, a que a Agência Lusa teve acesso, é feito em primeiro lugar um ponto de situação sobre o valor a preço de mercado dos contratos swap nas principais empresas (Metro de Lisboa, Metro do Porto, CP e Refer). A troca de emails diz respeito aos dias 29 de Junho, 18 de Julho, 26 de Julho e 1 de Agosto.
No primeiro destes emails enviado por Pedro Felício à então secretária de Estado do Tesouro e Finanças, que tem data de 29 de Junho de 2011, é incluído um "ponto de situação dos MtM [Mark-to-market, valor de mercado] dos derivados e instrumentos financeiros nas principais empresas do SEE [Sector Empresarial do Estado]", afirmando ainda que esta informação está em actualização no âmbito do programa da troika, mas que o grosso dos valores está nestas quatro empresas.
A primeira mensagem do FIM do mês de Junho (dia 29) é feito um ponto de situação que é depois complementado com mais informação em 18 de Julho, 26 de Julho e 1 de Agosto.
A 29 de Junho nem toda a informação está disponível. Vai estando...
Na segunda mensagem, datada de 18 de Julho, Pedro Felício envia a Maria Luís Albuquerque um anexo com detalhe dos instrumentos de gestão de risco – swaps – das principais empresas, com detalhe dos bancos e tipo de contrato e ainda mais informação sobre a renegociação de dívidas das empresas com bancos internacionais.
Maria Luís Albuquerque responde ao então director-geral do Tesouro e Finanças dizendo-lhe que necessitariam de conversar sobre este tema e outros que estariam pendentes, dando orientações para que a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) não garantisse o cumprimento das dívidas das empresas e para que não sejam dadas orientações às empresas sobre como negociar a sua dívida com os bancos.
A 26 de Julho, Pedro Felício envia novo email a Maria Luís Albuquerque no qual é anexado o relatório anual do sector empresarial do Estado de 2011, dizendo que dentro deste estão incluídos novos capítulos, entre eles um dedicado a Instrumentos de Gestão de Risco Financeiro. No documento incluem-se quadros que têm, entre outras coisas, uma actualização das perdas potenciais associadas a swaps, que em Junho de 2011 já tinham subido para 1549 milhões de euros.
A 1 de Agosto, Maria Luís Albuquerque interpela Pedro Felício e pergunta-lhe o porquê de não constar nos documentos da DGTF a informação sobre os derivados da EGREP – Entidade Gestora das Reservas de Produtos Petrolíferos. Pedro Felício diz, num email de resposta, que tal se deve a informação insuficiente por parte da empresa. Um dia mais tarde, envia a informação à agora ministra das Finanças, informando-a de que os derivados da EGREP acabariam por inflacionar para 1646 milhões de euros o valor de perdas potenciais estimadas, tendo um impacto negativo de 97 milhões de euros.
Disto decorre que à data da posse, este governo não tinha informação sobre os swaps. Ela foi chegando e só terá  chegado na totalidade depois de 1 de Agosto, já que MLA pergunta a Pedro Felício porque é que na informação anterior não consta informação da EGREP. Segundo o mesmo Pedro Felício a empresa não teria respondido, logo ele não sabia a 1 de Agosto. E apesar de não ser muito na catástrofe global ainda são 97 milhões de Euros. Uma quantia que faria feliz qualquer um de nós (e as nossas famílias vivas e futuras)

Para quem vem peremptoriamente a uma comissão dizer que na transição o governo foi informado parece mais ou menos óbvio que não foi. Parece mais ou menos óbvio que "foi sendo" informado à medida que foi solicitando informação. E se a solicitou é porque não a tinha e se não a tinha é porque o governo anterior não a deu.

Claro que estar aqui a debater questões de dias quando já decorreram dois anos sobre isto pode parecer um detalhe desnecessário. Mas não é. E não é liquido que sabendo mais cedo as perdas poderiam ser evitadas. Essas coisas não são feitas de forma unilateral e as perdas acumulam-se a uma velocidade alucinante.
O que parece claro de tudo isto é que o Governo anterior não fazia nenhuma ideia do que se passava. E só o soube, provavelmente, porque foi forçado a pedir a informação que não tinha. E quando soube passou "delicadamente" a batata quente a quem estava a chegar.

Isto torna evidente duas coisas, ambas graves.
1. O Governo anterior geria este tipo de assuntos com uma negligência assustadora
2. Aproveita-se da situação de transição para "lavar" as mãos da sua mal e porcamente feita gestão do assunto.

Não sei durante quanto tempo é suposto um governo demorar a passar a pasta ao seguinte. Eu diria que logo que se saiba o elenco governamental essa transição deveria ter lugar. A tomada de posse é uma formalidade mas nada diz que só de pode ter a informação só a partir dessa data.
No dia em que um Governo toma posse já deve ter ao seu dispor a dita pasta de transição. Que neste caso tinha lacunas de informação sobre um assunto de bastante gravidade.

E assim se vai gerindo o país. Entre incompetentes, negligentes e larápios o país vai perdendo dinheiro pelas frestas. Ms é curioso perceber que com o PS essas fretas parecem ser enormes.