Acho um piadão quando ouço o PCP apelar a políticas patrióticas para a salvação do país.
Se alguma vez existiu um partido disposto a vender (dar) o país a uma potência estrangeira foi o PCP.
Se alguma vez houve um grupo de gente completamente descansada em tornar Portugal num satélite sem qualquer vontade própria, foi o grupo que hoje milita no PCP.
Alguns vão desaparecendo. A idade e a doença não perdoam. Mas parece que o país lhes perdoou a ponto de esquecer que esta gente defendia alto e bom som que Portugal fosse um mero peão alinhado com a URSS durante a guerra fria.
E são exactamente estes indivíduos que hoje têm a distinta lata de apelar a patriotismo quando se fala de crise. Lata não será o termo correcto. Falta de vergonha seria muito mais adequado.
Henrique Raposo escreve no Expresso. E escreveu isto:
Eu sei que dói, eu sei que custa ouvir
, mas a verdade é que há boas notícias em Portugal. O desemprego voltou a
cair pelo segundo mês consecutivo. O índice de produção industrial está
a crescer. O índice de confiança dos consumidores também está a subir
e, em consequência, a sangria no comércio a retalho está a estancar.
Portugal foi o país da OCDE onde a produtividade mais subiu. O consumo
de combustíveis aumentou pela primeira vez em dois anos. As poupanças
dos portugueses continuam a aumentar e o vício do crédito continua a
descer: o endividamento das famílias portuguesas baixou 9 mil milhões
desde 2011. E, acima de tudo, o défice externo já foi destruído. Pela
primeira vez desde pelo menos 1995, atingimos um excedente comercial
positivo devido à queda das importações de bens de consumo e devido à
explosão das exportações. O excedente positivo deve ser de 4,5% do PIB
no final deste ano e de 6,4% no próximo ano. Repare-se que tivemos um
défice externo médio de -8,3% do PIB entre 1999 e 2011 (a mãe de todos
os males). O ajuste, portanto, está a ser notável. Entre 2011 e 2013,
Portugal foi o terceiro país da Europa a ganhar quota no comércio
internacional. Depois de crescerem 4,7% este ano e 5,5% no próximo ano,
as exportações representarão 43% do PIB no final de 2014. Em 2009,
representavam apenas 28%. Já estamos salvos? Não. Mas é bom que se
perceba que Portugal não sairá da cepa torta enquanto não alcançar um
equilíbrio sólido na balança de pagamentos. Nós não temos dimensão para
mantermos uma economia baseada no consumo interno de importações
alavancadas por crédito externo.
Mas isto são apenas números e gráficos. É preciso dar
gente e estórias a esta história. E a principal estória é esta: nos
primeiros seis meses do ano, foram criadas 20.051 empresas, mais do
dobro das empresas que fecharam ou insolventes; há cinco anos que não se
criavam tantas empresas em Portugal. Além disso, os sectores clássicos
continuam a aguentar: em Vila Velha de Ródão, a AMS Goma-Campus gerou
130 empregos no sector do papel nos últimos anos e prepara-se para
aumentar a equipa; gozando da boa fama do peixe português, a Gelpeixe
aumentou as suas exportações em 400% nos últimos anos; a Bosch Portugal
prepara-se para exportar para África; o sector metalúrgico está em
altíssimo nível e criou a Portugal Steel para promover as exportações; a
Amorim continua a transformar a cortiça numa coisa sexy; a Corkway
Store levou a cortiça para capas dos ipads (haverá melhor capa para
telemóveis e afins?); a Galp já produz biodiesel (50 empregos directos) a
partir de desperdícios animais e de óleos alimentares; as dormidas em
hotéis de cinco estrelas aumentaram 30%; os passageiros low cost para
Portugal aumentaram 448% desde 2004; Lisboa está sempre a vencer
votações internacionais de "melhor destino de férias"; os nossos hostels
dominam os "hoscars".
Estas estórias são a carne daqueles números. E há
mais: a quase falida Faurecia (Palmela) conseguiu contrato com a Range
Rover e contratou 100 novos trabalhadores; em Famalicão, a Leica cresceu
30% e criou mais postos de trabalho; a Jóia Calçado (Felgueiras)
investiu 700 mil euros numa nova fábrica (40 postos de trabalho) para
alimentar marcas como a Kenzo e Armani; a Embraer está a tentar trazer
mais aviões para Évora, impulsionando assim o cluster aeronáutico em
Portugal, tal como a Auto-Europa impulsionou o cluster automóvel. Neste
momento, a Embraer já tem seis fornecedores portugueses qualificados.
Ainda neste sector, as OGMA garantiram contratos de manutenção de aviões
da força aérea francesa, da força aérea dos Camarões e da Virgin
Austrália. Sim, é triste e quiçá inadmissível, mas as boas notícias estão aí.
É espantoso como diante de uma série de indicadores positivos a única coisa que ocorre à esquerda (aos tais patriotas) é tentar desmontar e minimizar um conjunto avassalador de sinais positivos.
Os patriotas querem a todo o custo manter um sentimento depressivo generalizado. Num ambiente de optimismo a sua ideologia não grassa. Se as pessoas estiverem bem ou a sentir a esperança de poder estar bem, ninguém liga a um grupo de caducos extremistas que todos os dias "vendem" desgraças sem fim. Mas as desgraças só chegam pela mão dos outros. Eles, os patriotas, só trazem felicidade e prosperidade. Mesmo que seja completamente óbvio que a não ser que tenham a capacidade de fazer milagres a única coisa que trariam era a miséria generalizada e irreversível.
Não existe um único sítio do mundo em que a ideologia que defendem tenha crescido com a prosperidade. Sempre aconteceu no meio da miséria, com os seus mártires verdadeiros ou inventados ou pura e simplesmente pela força.
É muito fácil explorar o sentimento de inveja dos que não têm nada. E nisso estes patriotas são mestres. A única coisa que pretendem é uma troca de lugares. Trocar de lugar com os ricos.
Quando chegam ao poder não só se esquecem dos "pobres" como parecem ter o condão de transformar todos em pobres. Ou em mortos. Isso sim é uma coisa que eles sabem fazer como ninguém. Os maiores assassinos da história (sem ser em estado de guerra) foram Estaline e Mao, os ídolos do PCP e de algumas facções do patético Bloco de Esquerda. Bela folha de serviço que têm para apresentar, os patriotas.
Estes patriotas preferem esquecer-se do país e servir a sua ideologia. E perante estes sinais imagino o terror que devem sentir num momento em que as eleições se aproximam.
É plausível imaginar que se a recuperação for uma realidade, o PCP e o Bloco vão uma vez mais perder votação. Afinal estes arautos da desgraça não só previram tudo ao contrário como quando a realidade começa a demonstrar que não tinham razão tentam contorcer a incontornável realidade de modo a servir os seus propósitos (o exemplo mais absurdo que li acerca da situação veio precisamente de Pedro Lains que com a capacidade de análise que revela deve ser uma bela merda de economista...)
O PS também não deve estar nada descansado com isto. Esperava um colapso que correspondesse aos seus vaticínios e acaba com sinais de recuperação a pouco mais de um ano de eleições legislativas.
O que será para o PS ter de se confrontar com a melhoria dos ratios de dívida, de deficit e de todos os indicadores económicos que podemos imaginar?
O que aconteceria a um PS se o desemprego começasse a descer sustentadamente? Ou se o PIB começasse a subir e permitisse o alívio da carga fiscal?
A diferença que as sondagens têm demonstrado evaporar-se-ia num instante. O PS tem tido a intenção de voto daquela faixa de votantes que saltita de um lado para o outro sem grandes convicções ideológicas. Apenas seguem quem menos lhes tira, esquecendo-se convenientemente do que aconteceu no ano passado.
E essa faixa de votantes é a diferença entre uma vitória do PS e uma vitória do PSD. No rato devem estar realmente borrados de medo.
Apesar de toda a campanha militante da imprensa, que nunca foi tão escandalosa como a que assistimos hoje, mantém uma diferença pequena. Seria de esperar um colapso generalizado do PSD nas intenções de voto. Juntando os ataques do PS que vão do normal ao mais baixo que se pode imaginar, a acção do jornalismo de causas patente em todos os jornais de referência e estações de televisão e os ressabiados do PSD que nunca perdem uma oportunidade de "esfaquear" Passos Coelho, até me parece que o resultado não é mau.
A cereja em cima do bolo seria o Governo poder apresentar uma clara recuperação da economia. Uma viragem real. A saída do pântano fétido em que o PS nos mergulhou desde Guterres.
Tudo isto a que estamos a assistir é um péssimo sinal para a esquerda. Desde o PS ao Bloco toda esta gente deve estar a imaginar qual a argumentação a usar caso os sinais positivos se mantenham.