Ver o óbvio

Os arguidos no processo de extorsão ligado ao Freeport foram absolvidos.

Foi o próprio MP que pediu a absolvição. O representante do Estado português entende que os responsáveis por toda a trama de pagamento de verbas para mudar o sentido do estudo de impacto ambiental não são Charles Smith e Manuel Pedro.

É óbvio que não o são. É óbvio que esta acusação ridícula serviu apenas para desviar as atenções dos verdadeiros corruptos. Aqueles que tinham poder e influência para poder mudar o resultado dum estudo de impacto ambiental.

O tribunal mandou extrair certidão para accionar um processo que envolva os indivíduos referidos neste processo, entre eles José Sócrates.

Dizia eu que num país sério era isso que devia acontecer. E não podia ser de outra forma. Perante os testemunhos diversos patentes neste julgamento ficaram óbvios três factos
  • A empresa promotora pagou para mudar o estudo de impacto ambiental
  • Os arguidos não ficaram com esse dinheiro
  • O estudo mudou
Não é preciso ser um génio para entender como e quem recebeu avultadas luvas para que isto acontecesse. Como dizia alguém, quanto maior é o cargo do corrupto maiores são as luvas e maiores são as contrapartidas.

Ninguém acredita que uma pessoa que declara 40.000 Euros num ano possa levar o nível de vida que o execrável bestiúnculo leva em Paris. E é também óbvio que este não terá sido o único caso de dinheiros de proveniência duvidosa na vida de Sócrates. As casas "baratas" compradas a uma off shore. Aos pares.... numa zona de Lisboa que era inacessível aos bolsos da maior parte das pessoas. O tipo conseguiu comprar dois apartamentos na Braamcamp por um preço mais baixo que um T3 em Campolide ou no Lumiar. Tem jeito para o negócio, o menino.

Tudo na vida desse indivíduo é passível de ser questionado. Tudo é sombrio e duvidoso, desde a sua formação, até ao trajecto político que o colocou como 1º ministro.
Muitos dos que o apoiaram no PS são exactamente como ele. Gente sem carácter e sem honra. Outros são meros beija cús em busca de sinecuras. O PS é um partido que apodreceu com Sócrates. Ficou minado de gente sem estatura sem saber e sem carácter. Não é difícil imaginar porquê.
Um corrupto não se rodeia de gente séria. Mesmo que a houvesse.

Infelizmente não existe a figura do arrependido em casos de corrupção. Isso permitiria a troco de imunidade colocar atrás das grades gente como esta que tem delapidado Portugal desde o 25 de Abril. Mas felizmente não foi preciso um "arrependido" para se saber como as coisas se passaram. O processo inventado com a acusação de extorsão permitiu saber durante a defesa dos acusados quem foram verdadeiramente os corruptos.

Siga para investigação. Venha de lá o filho da puta de Paris explicar o seu faustoso nível de vida. Venha de lá esse cabrão explicar que no ministério do ambiente eram todos corruptos menos ele.
Venha de lá esse cabrão, para finalmente vermos as suas fuças na TV como aquilo que ele é: Um enormíssimo filho da puta.

Irreflexões

Uma das manias nacionais parece nunca perder força. É a maldita mania de abrir a boca sem pensar, de insultar gratuitamente, de argumentar como um atrasado mental.

Eu que não tenho o Facebook em grande conta deparo-me com este tipo de atitude no meu mural repetidas vezes.
Passamos a ser um país que se expressa por Facebook. Convocam manifestações, metem os salários chocantes de certos personagens, indignam-se digitalmente e insultam digitalmente. Basicamente poluem os murais uns dos outros com trivialidades, boçalidades numa forma de apaziguar a sua falta de acção real.
Um grande viva para o nível mais sofisticado de alienação a que uma sociedade pode chagar. Ser uma sociedade "Facebook".

Vem isto a propósito de um artiguito (é mesmo muito pequeno na edição online) do Correio da Manhã sobre o julgamento de Charles Smith e Mauel Pedro para quem o MP pediu a absolvição.

Não é fácil fazer distinções e saber detalhes nestas coisas da justiça mas ao menos seria bom que quando as pessoas começassem a emitir a sua mais que supérflua e desinformada opinião percebessem ao menos do que estão a falar.

O caso Freeport começou quando Charles Smith revelou que a promotora do Freeport tinha pago luvas a um político num alto cargo governamental. Estava em causa um relatório de impacto ambiental que era desfavorável ao empreendimento.
Mas tinha sido proposto um pagamento para "resolver esse problema". O destinatário desse dinheiro era Sócrates , ministro do Ambiente à data dos factos.
O que se passou nos jornais foi o que se viu. Nas televisões levou à saída de Moura Guedes da TVI.

E pasme-se, Sócrates acusou Charles Smith de ter usado o seu nome para extorquir o suposto dinheiro de luvas ao promotor do empreendimento. Falta saber como é que sendo Charles Smith a ficar com o dinheiro, o estudo de impacto ambiental se teria transformado magicamente de desfavorável em favorável. Mas isso é apenas um pormenor.

Assim, Smith e Pedro vêem-se em tribunal acusados de extorsão. Não de corrupção ou de outra coisa qualquer. De extorsão. De terem extorquido dinheiro à promotora do empreendimento usando o nome de ministros autarcas e outros para dar mais "credibilidade" à coisa.

Durante o julgamento foram saindo detalhes acerca dos envolvidos, de quem recebeu e como o recebeu. A forma como o dinheiro era entregue a outros implicados na teia de corrupção até chegar a Sócrates.

Com tudo isto parece ser improvável que tenham sido os arguidos a "usar" o nome de Sócrates e de outros para ficar com o dinheiro para si. Assim o crime de extorsão fica longe de ser provado.

O que nos leva imediatamente à seguinte questão: Se eles não extorquíram o dinheiro ao promotor para si próprios, então foi de facto para dar a outros. Porque se confirma que esse dinheiro foi pago de facto. Quando começa o processo que envolva esses "outros" como arguidos?

Neste caso a absolvição de Smith e Pedro do crime de extorsão não é mais do que a correcta aplicação da justiça. Eles foram intermediários de dinheiro recebido por corruptos. Eles serão quando muito participantes num crime de corrupção tendo sido os responsáveis pelo transporte e entrega do dinheiro.

O que aborrece de sobremaneira é que a maior parte das pessoas tem um entendimento completamente errado destas questões. Acham que o que está em julgamento é um caso de corrupção e bradam pela acusação de quem quer que seja. Pouco se importam se os acusados o estão a ser por uma utilização abusiva do sistema de justiça. Ter corruptos a acusar outros de terem usado o seu nome para se aproveitar pessoalmente da situação é um abuso do sistema.

Não deve haver muita gente que acredite na história de Sócrates de que ele nunca esteve envolvido e que foi tudo uma maquinação de Smith e Pedro para ficarem com o dinheiro do suborno.
No entanto ficam furiosos e pedem a condenação deles? Só porque precisam duma imolação pública para apaziguar a sua sede de "justiça"? Mesmo que os acusados desses crimes não os tenham cometido?

Cada vez fico mais agradecido por a justiça estar entregue a gente que pelo menos sabe o que está a fazer. Nem todos os juízes serão brilhantes ou competentes, mas certo certo é que o homem da rua não passa dum imbecil em questões de justiça. Deixar a esta turba acéfala a aplicação da justiça resultaria num genocídio.

Num país a sério com um MP que não estivesse manietado o que resultaria desta absolvição seria a abertura imediata de um processo para acusar e condenar os corruptos. Os seus nomes foram referidos e confirmados por várias testemunhas. Todos sabemos quem são e qual o destino de uma parte, porventura pequena, desse dinheiro - os cofres partidários. O resto, o grande bolo foi para os seus bolsos. Dizia alguém que conhecia bem o mundo dos "angariadores" de "fundos" que eles ficavam com a maior parte do dinheiro angariado. Ao partido chegava apenas uma pequena parte desse valor.
Não é por acaso que há fortunas meteóricas no meio político. Não é por acaso que gente que não tinha mais que a roupinha que trazia no corpo há dez anos atrás se passeia hoje em carros de luxo, tem casas "emprestadas" fantásticas e passa férias em destinos de sonho. Quase tudo pago por beneméritos que possuem umas quantas contas off shore.

Uma das razões prováveis para a grave desinformação à volta deste julgamento resulta directamente da forma estranhamente omissa como a imprensa de referência noticiou o caso e o julgamento. O único jornal que foi trazendo informação foi o Corrreio da Manhã. Mas como seria de esperar os fracos jornalistas e fraco entendimento do que é o jornalismo leva o jornal a fazer um título que diz "corrupção sem culpados", MP pede a absolvição de Pedro e Smith, confundindo ele próprio o crime em julgamento com um crime de corrupção e as consequências dessa mais que óbvia e justa absolvição.
Quando um jornal é um jornal de trampa não consegue sequer ser sério quando tema oportunidade de o ser. No Correio da Manhã deve haver uma espécie de supervisor que transforma aquilo que podia ser uma notícia potencialemnte séria numa coisa mais consentânea com o seu baixíssimo nível.

Quanto ao Expresso e ao Público nem há muito a dizer. Só a constatação da sua mais que óbvia auto castração e cedência a certos sectores do PS e outros ainda mais à esquerda. No Expresso e no Público deu-se lugar aos eunucos informativos.
Pode ser que cantem bem. Os castratti eram eram verdadeiras estrelas.

Januário Boçal Berreiro

O "pessoal" gosta de gente desbocada. Alguns vêm no discurso caceteiro e meio irreflectido uma "franqueza" necessária.

É muito pouco relevante nessas alturas que aquilo que esses personagens dizem é pouco factual, pouco pensado e muitas vezes completamente determinado por crenças ou simpatias pessoais. falar alto, com um ar zangado e dizer coisas polémicas é muitas vezes aplaudido.

O que não se espera é que um homem do clero o faça. E que o faça de forma abundante.
Já tivemos até hoje inúmeros casos de corrupção chapada. Foram os casos de Melancia em que se provoou um corruptor activo e não se provou um corruptor passivo (imagine-se), foram os casos Portucale em que nada de substancial aconteceu, foram os casos no mínimo estranhos de negócios com o Estado em que incompreensivelmente o Estado funciona como a vaca leiteira de todo um universo empresarial que nada precisa de fazer, foi o caso Freeport em que não é possível encontrar um cenário mais claro de corrupção despudorada etc etc.

Nunca nenhuma personagem veio aos media abrir a boca de forma completamente demente a chamar corruptos aos personagens envolvidos nestas negociatas.
Nunca até ontem. D. Januário escolheu precisamente este governo para qualificar de corruptos todos os seus membros. Um governo que até agora não fez nenhum contrato ruinosos com os privados, que parou a mama do TGV e do novo aeroporto, que conseguiu reduzir os custos com a toda poderosa big pharma.

Não tenho dúvida que num qualquer gabinete haja um corrupto potencial ou um corrupto em "exercício de funções". Mas perante o que foi a gestão anterior de Sócrates, vir chamar corrupto a todo um governo por causa do diploma de Relvas é no mínimo digno de internamento psiquiátrico.

A escala de corrupção que se viveu com a gestão anterior é inegável e a uma escala que levou jum país à falência. Como se poderiam explicar os negócios ruinosos, um após o outro, com as PPP's?
Com o arrendamento de tribunais, de hospitais, de escolas. Como se poderia explicar o desbarato de dinheiro de uma Parque Escolar, com as parcerias rodoviárias ou com um defunto terminal de contentores se estes negócios não existissem como um mero suporte para o enriquecimento ilícito de responsáveis políticos?

Ter um bispo, ainda que seja o bispo das forças armadas, a proferir este tipo de palavreado é no mínimo  inesperado. Não é inesperado por parte dele. É inesperado por parte de alguém colocado alto na hierarquia da igreja que deve no mínimo olhar as coisas com alguma ponderação e igualdade de critérios.

Num antro de corrupção, negligência e faz de conta que foram os governos de Sócrates, nunca o ouvi sequer proferir declarações polémicas. Não o ouvi dizer nada de parecido com isto relativamente à formação forjada de Sócrates. Ou relativamente ao desprezível Paulo Campos que mente com quantos dentes tem na boca e que delapidou por dezenas de anos o dinheiro de todos nós.

D. Januário pode estar zangado. Estamos todos por causa do esbulho fiscal a que somos obrigados para pagar a desgraçada dívida que os "amigos" de Torgal fizeram. Estamos todos zangados, os que votaram em Passos e os que não votaram nele.
Alguns sabiam claramente o que os esperava quando se falou em austeridade e contenção. Alguns tinham  a percepção clara de que o sítio onde nos tinham metido era um beco sem saída de onde se sai apenas de marcha atrás.
Alguns ainda estão mais zangados porque apesar de não se terem metido em loucuras de crédito e vida "abastada" têm agora de pagar por eles e pelos outros.

Mas a diferença básica entre esses zangados e o sr. bispo, é que alguns conseguem perceber que a escala da desonestidade, incompetência e falta de carácter entre o Governo de Passos e o Governo de Sócrates é incomparável.

Acho muito bem que se ouçam todas as vozes discordantes. Acho muito bem que se ouça o sr. Bispo e o bastonário da OA. Calá-los não estaria bem. Percebe-se muito bem a forma como os media tinham pavor das reacções do "animal feroz" e como t~em medo das reacções deste governo.
Viviam borrados de medo com as represálias "silenciosas" de que Sócrates tanto gostava.

Agora pelo menos têm liberdade de se expressar. Agora têm acesso ilimitado aos media. Mesmo que seja para mostrar o seu sectarismo e falta de controlo.

500 a 700 parvos. Se forem só estes estamos bem...

Antes de dizer ao que venho deixem-me declarar a minha opinião acerca do assunto.

Relvas devia demitir-se. Porquê?

Porque um governo que se diz sério não pode ter no seu seio um Ministro que SABE que a sua licenciatura não é mais que uma fantochada.

Relvas sabe, tal como todos nós, que apesar do diploma ter cobertura legal não passa dum documento forjado por uma entidade que devia ser séria e rigorosa.
E aceitou-o. Aceitou algo que sabe que não tem qualquer validade porque sabia que um título académico lhe daria a respeitabilidade que não teria sem ele.

É triste constatar que num país em que se dá mais valor a títulos vazios do que ao verdadeiro saber, há gente que os aceita e tenta obtê-los em vez de orgulhosamente e de cabeça erguida impor o mérito das sua ideias e do seu trabalho.

Ao ceder a esta tentação, Relvas mostra o pouco digno que é. Mesmo que nós não soubéssemos que o diploma é uma fraude, ele sabia-o. E para evitar embaraços ao Governo, suficientemente debaixo de fogo, a única coisa a fazer é sair.

Não o pode fazer agora para não dar ideia que cede à "rua". Para não conceder a vitória a uma esquerda pseudo moralista e cheia de rectidão que nunca abriu a boca perante a fraude que é a formação de Sócrates.
Deixe passar o Verão e saia.

Há no entanto uma face de tudo isto que me causa particular nojo. A esquerda nunca viu com bons olhos o processo democrático quando ele não lhe dá a vitória. Acha-se imbuida duma legitimidade superior ao voto. Acredita que o mérito das suas ideias só não é plebiscitado maioritariamente porque o povo não "percebe".
E dedica-se a manifestações sob todas as formas e feitios e com todos os pretextos se isso puder causar desgaste a quem ganhou nas urnas a votação da maioria.
Uma oportunidade como a de Relvas é pretexto para manifestações, vaias, ajuntamentos em qualquer sítio e com qualquer alvo.

Porventura a mais imbecil de todas foi a manif convocada pelo Facebook para exigir a demissão de Relvas. Como se qualquer dos que convocam ou se manifestam estivessem acima de toda a podridão que o sistema universitário privado causou.
Desde os movimentos dos indignados à geração à rasca há um sem fim de gente cheia de títulos que não teve nota para entrar numa Universidade com prestígio. Normalmente pública. Ficou-se por cursinhos de trampa tirados em troca do pagamento de propinas que que mais não foi que uma formação superior em "desemprego".
Armados destes diplomas patéticos e de teses de mestrado de chorar a rir, acha-se no direito de recusar trabalho abaixo da sua condição de "altamente formado". Dizem coisas como "na minha Universidade o curso de ... era muito melhor que na estatal" numa vã tentativa de se convencerem que foram para aquele curso por uma questão de escolha.
Muitos deles adorariam ter um diploma forjado como Relvas. Dariam um braço para fazer uma licenciatura num ano. O facto de muitos terem uma licenciatura assim sem sequer saber articular uma frase ou expor uma ideia aproxima-os de Relvas mais do que possam imaginar. E é gente desta que grita pela demissão de Relvas. Outros haverá que não merecem estes qualificativos que acabo de proferir e para eles as minhas desculpas. Mas a maioria dos indignados e dos irritados, seriam num país qualquer civilizado, detentores de um diploma de bacherelato na melhor das hipóteses.

Esta sanha moralizadora peca por um pequeno detalhe. Sócrates e a sua pandilha de iletrados ladrões esteve no poder durante 6 anos. Desbaratou e queimou dinheiro como se não houvesse amanhã. Ninguém, da direita à esquerda se atreveu a convocar manifestações por causa da sua óbvia formação fraudulenta. Que usou para exercer cargos de engenheiro numa Câmara Municipal. Que falsamente declarou nas habilitações que declarou na Assembleia da República. Não me lembro de nenhum palhaço da esquerda chique a comentar as mais que macabra formação de um dos mais  incompetentes governantes que já tivemos neste país. Atrevem-se agora, falsamente recusando comentar o assunto, a trazer para a praça pública este tipo de manifestações e "descontentamento".

Não há nenhum partido com aspirações ao poder, seja ele central ou local, que não esteja pejado de gente como Relvas. Afinal, os medíocres sempre foram os que se meteram na política. Sabiam que passados uns anos poderiam ter acesso a lugares que a sua competência ou formação nunca lhes permitiriam.
São uma espécie de prostitutas púdicas. A esquerda indigna-se com os pecadilhos dos outros sem nunca olhar para si e perceber que está cheia de arrivistas e aproveitadores.

Os partidos políticos mais não são que incubadoras de medíocres. Hoje não ser medíocre e não aceitar certas contorsões à ética e à honestidade garante uma vida partidária sem brilho nem glória.

Gostava de ter visto a Esquerda exigir o julgamento de Sócrates, Lino, Silva Pereira e Teixeira dos Santos, Paulo Campos. Ficam-se pelas palavras de "condenação". Gostava de ver a esquerda gritar pela demissão de um deputado envolvido em escândalos que rouba dois gravadores. Gostava de ver a esquerda manifestar-se por toda a javardice que teve lugar neste país durante 6 anos.
Mas não se manifesta contra as causas. Manifesta-se contra os efeitos.

Como é que achavam que se pagava toda a merda que Sócrates e os seus sequazes fizeram? Com boa vontade?
Se a CGTP, o PCP e o BE por uma vez na vida se empenhassem em tirar este país do buraco talvez ficassem rapidamente sem o exército de acéfalos que tão facilmente conseguem arregimentar. Que a julgar pelas amostras juntas ou não têm nada que fazer em horário normal de trabalho ou fazem parte dos 15% de desempregados deste país.
É que as pessoas que trabalham para assegurar o sustento das suas famílias, a saúde, a educação dos filhos, apesar de serem sugados com impostos até ao tutano para pagar esses direitos para os outros, não têm tempo para estar uma tarde a fazer figura de parvos com cartazes a pedir a demissão de um ministro que tem um diploma da treta. Não têm nada que fazer? Voluntariado? Não estamos num estado de emergência social em que toda a ajuda é pouca? Pois aí têm uma ocupação digna de mérito.


E diria exactamente o mesmo se uma cambada de acéfalos desocupados se entretivesse a convocar manifs pelo facebook para fazer o mesmo com Sócrates.
Não é assim que se moraliza o sistema político. Não é com movimentos patéticos de "cidadania" que se mudam as coisas. É um estado de espírito. É não pactuar com o arranjinho mesmo que se saia beneficiado. É ter a decência de aceitar uma multa de excesso de velocidade quando se vai acima do limite sem desculpas da treta. Ou melhor ainda, não passar esse limite. O que nos faz falta é gente com sentido de honra em cada minuto da sua vida. É gente que pratica aquilo que exige dos outros. E neste caso, e conhecendo a forma de pensar "nacional" tenho a absoluta certeza de que isso não acontece.

Que Deus nos acuda...

No meio de toda a situação que atravessamos às vezes penso que podia ser pior. Muito pior.

Podíamos estar como a Grécia num estado de total desagregação social. Podíamos estar como a Espanha com 25% de desemprego e com uma perspectiva catastrófica para os próximos 5-10 anos.

Não estamos bem. A carga fiscal e o aumento do custo de vida é insuportável, a tão falada redução da despesa do Estado resumiu-se a cortar no essencial, desde os salários da FP até aos serviços de saúde e educação, sem tocar naquilo que é um chocante desbaratar de dinheiro público - os grandes interesses e negociatas feitas a coberto dum "suposto" progresso e modernização.

A factura que nos deixaram para pagar é enorme e tem de ter um fim. Um governo não pode massacrar a população num torniquete fiscal interminável e deixar empresas a viver de rendas por compensação de carros que não passam nas suas concessões.
Invoque-se o interesse público e exproprie-se, nacionalize-se, compense-se ou faça-se o que tem de se fazer para acabar com a sangria. Invoquem o interesse nacional como o fizeram com os cortes salariais na função pública. Não terão milhões contra a medida. Pelo contrário terão milhões a apludir de pé.

Mas faltando esta réstia de coragem e sentido de responsabilidade, ainda assim podíamos estar pior.

Podíamos ter um imbecil do calibre de Seguro como 1º ministro. Se Sócrates era um chico esperto com uma esperteza que só lhe dava para o lado da asneira e do benefício próprio, Seguro é um idiota dos pés à cabeça.

É a prova provada que num cenário de desnorte e desagregação pode muito bem ser o idiota da aldeia a tomar conta das coisas.

Alterna entre a incapacidade de assumir as suas culpas, como membro do PS à data do descalabro e da imputação das mesmas aos outros, até à mais pura e simples falta de honorabilidade.

Passa por uma crença quase pueril de que a França socialista lhe vai salvar o alvo traseiro das obrigações de pagamento da dívida.

Não sei se a imagem que passa é pensada ou acidental, mas Seguro em cada palavra que diz e em cada gesto que faz revela-se como um perfeito incapaz. Claramente impreparado e titubeante seria aterrador tê-lo como 1º ministro neste país.

Quase nem parece dotado de vontade própria. Quer parecer bonzinho e quer parecer firme. Parece apenas ser um perfeito imbecil. Só que é um imbecil à frente do partido que alterna no poder com o PSD. E o PSD vai desgastar-se de tal forma neste mandato, que se as coisas não melhoram de forma visível arriscamo-nos a ter Seguro a ser eleito.

Que Deus nos acuda.