Pequenos homens, grandes façanhas

Marques Mendes. O nódoa, para aqueles que se lembra.

Uns dos tais críticos sistémicos do governo de Passos Coelho foi mais longe ontem do que qualquer político tinha conseguido ir.

Numa crónica inenarrável não só referiu algo que não devia como se revelou na sua totalidade.

Começou por revelar em primeira mão que ia ter lugar um Conselho de Estado. Ora, sendo conselheiro, não me parece que seja muito correcto comportar-se como alguém a quem não se pode fazer nenhuma confidência. Não cabe de certeza a um conselheiro vir revelar que vai ter lugar um conselho de Estado.

Mas comparado com o que veio depois, esta inconfidência é uma coisa menor.
"Passos Coelho, com este conjunto de medidas apresentadas nesta altura deu um sinal político aqui. É de que já não acredita em ganhar eleições. É uma espécie de deitar a toalha ao chão, o que lhe pode vir, de resto, a criar problemas amanhã, dentro do partido, quando deputados, autarcas e gente perceberem que vão perder tudo. Agora, Paulo Portas não desistiu de ganhar eleições pelo que pode haver aqui uma clivagem".
A única coisa na mente destes indivíduos é o seu tacho futuro. A única coisa que os preocupa, e por isso o país está como está, é a perpetuação num lugar qualquer pago pelo Estado.

Na verdade eles não estão minimamente preocupados com o facto de o país se poder tornar em qualquer coisa de aproveitável.  Eles estão preocupados com o resultado das eleições seguintes que pode determinar o tacho a que podem ter acesso.

"perder tudo"... Porque não têm mais nada. Porque gente como Marques Mendes nunca foi nada sem o partido. E isso deve ser aterrador para quem sempre teve um nível de vida simpático e a bajulação de muitos pelo facto de ter poder ou de estar perto de quem o tem.

Até o facto de estar a comentar numa TV, certamente pago, só acontece pelo que foi na política.

É vergonhosa a forma como esta gente vê a política. Não se importariam nada de queimar o país desde que isso significasse que eles não perdiam nada.

Eu sabia que os comentários aparentemente "desinteressados" de toda esta gente tinha de ter alguma coisa por trás. Marques Mendes, certamente sob a influência de qualquer substância não mediu as palavras. Saiu-lhe. Foi o primeiro a deixar cair a máscara do interesse público e a focar-se exclusivamente nos "pequenos" interesses particulares. Nos quais certamente se encaixará o dele.

Pela revelação do Conselho de Estado que aparentemente não vai existir, a única coisa que o Presidente podia fazer era convidá-lo a deixar de ser conselheiro. Mas sabemos que um conselheiro não é demitido e sabemos que o facto de Marques Mendes ter sido o lambe botas de Cavaco também fará com que Cavaco não fala nada. Aos amigos perdoa-se tudo.

Mas quanto ao que ele disse do partido, é vergonhoso que isso não tenha consequências.

Pela primeira vez tinha ficado impressionado com um político que disse que punha o país à frente do partido. Se salvar o país implicasse perder as eleições, pois que as perdesse.

Infelizmente a corja que tem no partido não vê as coisas assim. Que se lixe o país. As eleições e os tachos estão primeiro.

O que se ganha com o catastrofismo?

Desassossego. É a única coisa que se ganha com essa atitude.

Dos partidos políticos percebo a razão de estarem constantemente a acenar com desgraças do outro mundo. Fazem-no quando estão fora do poder e são optimistas quando estão no poder.

Quantas vezes não ouvimos já da oposição que vamos ficar como a Grécia? Não dá para contar. Quantas vezes já ouvimos políticos e "especialistas", e separo-os porque os políticos não são especialistas em nada a não ser na arte de mentir, dizer que vamos sair do Euro, ou que vamos precisar de outro resgate?

Impossível de contabilizar.
O problema é que esse tipo de discurso passa para as pessoas. Que à falta de dados concretos ou compreensíveis entram em pânico, desanimam. Desistem.

Na verdade as previsões de toda esta gente falharam sempre. Só acertam nos "prognósticos depois do jogo". Hoje dizem com toda a cagança "estava-se mesmo a ver que o desemprego ia subir...". No entanto não sabem até onde. Por um lado atiram-se à jugular de Gaspar pelas previsões de desemprego mas limitam-se a dizer "naaa. Vai ser mais". Quanto? Nem fazem a mínima ideia. Irão saber quando la se chegar.

Alguns até vaticinam as contrapartidas de um segundo plano de resgate. É como no Chipre, retirando dinheiro das contas bancárias das pessoas. É assim que vai ser.
Não só sabem do segundo resgate mas sabem até como o vamos pagar. Seria bom que fossem concretos na data e no limite mínimo dos depósitos para as pessoas desatarem já a correr aos bancos levantar o dinheiro.

Quem é que isto serve? O país? As pessoas? Não. Serve apenas a sua agenda pessoal e de grupo de causar tanto dano quanto seja possível a este governo para que se criem condições de voltarem os "amigos" deles ao poder.

Os mesmo que quando fizeram subir a dívida até onde ela chegou, chamavam velhos do restelo a Ferreira Leite e outros que apontaram a catástrofe iminente. Que eles por acaso não viram nem quiseram ver. Nem quando Teixeira dos Santos, outro génio das previsões, disse em voz alta que quando chegássemos aos 7% de juros da dívida soberana devíamos pedir assistência financeira ao FMI.

Nessa altura eram todos uns optimistas. Até Adão e Silva perante o estrepitoso falhanço dos 150.000 empregos se Sócrates que se veio a revelar ser de -400.000 empregos conseguia fazer um artigo optimista desculpando a política governamental e a sua mais que óbvia falta de visão para os problemas imediatos.

Assim, o catastrofismo serve apenas os interesses de um grupo que deseja ardentemente que o seus vaticínios se transformem em realidade.
O segundo resgate, a cisão da coligação, a saída do Euro, etc etc etc. Coisas que estando no poder nunca conseguiriam evitar. Como não conseguiram evitar e até agravaram as condições para um resgate que nos esmaga.

A estratégia de prometer o céu falando dos malefícios do inferno resulta há 2000 anos. Não inventaram nada de novo. O que me espanta é como ainda resulta tão bem.

Não há um dia que passe que não se leia ou ouça um profeta da desgraça. O que vem aí!!! Estamos perdidos!! Muitos deles contribuíram para a situação em que estamos. Activa e passivamente. Fazem-no por despeito, por ciúme ou por pura necessidade de dizer alguma coisa. Quase todos comeram da gamela do Estado ou são próximos de quem comeu. Não há um único que se possa dizer que não tenha estado envolvido, ao longo da sua carreira política, neste pântano fétido.


Não sou um optimista. Mas também não sou um pessimista. Sei que há coisas que não posso mudar e sei que há gente em quem não confio.
Preferia viver num país onde a política fosse uma actividade exercida por gente honesta. Mas sobretudo por gente competente.
E isso é coisa que não temos.

Quanto a todos estes profetas da desgraça só tenho pena que eles não possam mostrar aquilo  que conseguem fazer sem me afectar a mim.
Devíamos poder ter o PCP, o Bloco e o PS a governar quem votou neles. Só para ver quem é que ao fim de 1 ano os queria aturar. Isto se pudessem escolher, coisa que duvido muito que acontecesse com os comunistas e bloquistas.

A dívida

Muito se diz acerca do tema. Uma das cassetes mais recentes é a de que a nossa dívida aumentou ainda mais e este governo "não fez nada"

Antes de mais nada é conveniente ver um gráfico. São dados do PORDATA e mostram o valor bruto absoluto da dívida e o seu peso em relação ao PIB


A primeira coisa que salta à vista é a subida desmesurada em valor absoluto a partir do ano 2000. O declive acentua-se claramente a partir deste ano, mas a percentagem do PIB não cresce à mesma razão. Obviamente porque houve um crescimento do PIB e atenuou esta subida percentual.

Mais curioso é notar a subida em valor absoluto depois de ter sido levantado o limite de 60%. A subida percentual a partir de 2006 é notável. Em 2009 tinhamos passado de 63% em 2006 para 83.7%. Vinte pontos percentuais em 3 anos. Mas ainda assim menor do que a subida até 2011 que se cifrou em 108.3%.

Não nos esqueçamos que é em 2011 que o pedido de ajuda é feito e que começam a chegar os 78 mil milhões de ajuda.

Numa circunstância destas é óbvio que a dívida tem de subir. Não subirá os 78 mil milhões porque há divida que vai sendo paga entretanto, fazendo com que o crescimento da mesma em valor absoluto não suba na razão directa da chegada das novas tranches.
O que isso quer dizer é que não só se conteve a dívida a contrair como se foi pagando dívida existente. Se pensarmos que há bem pouco tempo subíamos a 19.000 milhões ao ano e que em 2013 vamos descer 3.000 milhões, isso quer dizer que a subida de dívida anual consegue ser 22.000 milhões de Euros mais baixa do que no final de 2011. O apogeu da era socialista.

Mesmo assim, e com um decréscimo do PIB, a dívida sobe para 123.6% do PIB em 2012. Um aumento de 15 pontos percentuais num ano.

Dirão alguns que em 2011 e 2012 já estava este governo em funções e que portanto o aumento da dívida se deve exclusivamente a ele e às suas políticas.
Nada de mais falaccioso. É sabido que as única cisrcunstâncias em que este Governo fez emissão de dívida desde 2011 foi há muito pouco tempo e num valor destinado a testar a procura dos mecados. A expressão da dívida fora dos 78 mil milhões do plano de ajuda é inexpressiva percentualmente.
A subida de 15% entre 2011 e 2012 é consequência directa do plano de ajuda.

Plano esse acordado em valor e em prazo pelo Governo de José Sócrates. Ou seja, no fim do seu mandato o seu Governo identificou uma necessidade de financiamento de 78 mil milhões para 3 anos e foi esse o valor que pediu.
Pouco depois passou o poder ao PSD e PP que passaram a ter a responsabilidade de implementar as medidas acordadas e receber as tranches de ajuda.

É no mínimo desonesto assacar a responsabilidade da dívida a este Governo como se por acaso a trajectória suicida de financiamento fosse a mesma seguida por José Sócrates.

Curiosamente é em 2013 que se terá uma baixa de dívida em valor absoluto. Pela primeira vez desde 1991. Isso nunca aconteceu e parece poder acontecer 21 anos depois.
Está ainda para se perceber qual será a sua expressão em relação ao PIB mas tudo aponta que haja crescimento negativo em 2013 e portanto essa queda em valor absoluto poderá não se ver reflectida no ratio Dívida/PIB.

Vem isto a propósito de uma post no Arrastão de Daniel Oliveira, que fazendo uso da sua afamada desonestidade intelectual a par com alguma incapacidade de digerir números, levanta o fantasma de um crescimento de dívida mensal de 131 milhões de euros por mês!!!

Estes são os números de crescimento mensal  desde 2006

2006 - 497.6 milhões
2007 - 1095.6 milhões
2008 - 642.9 milhões
2009 - 1479.4 milhões
2010 - 1784.9 milhões
2011 - 1897.3 milhões
2012 - 1603.7 milhões
2013 - -281.1 milhões

Só há duas hipóteses perante tamanha falta de capacidade de perceber números:

1. Daniel Oliveira é um ignorante na matéria e tenta esconder debaixo de uma capa de palavreado mais ou menos elaborado a sua mais que óbvia incapacidade de percber números ou fazer contas
2. Daniel Oliveira não é assim tão ignorante mas por razões de pura chicana política ignora por completo que o seu extraordinário número é 1/10 do valor de endividamento médio mensal dos governos anteriores. E isso faz com que Daniel Oliveira não seja ignorante mas sim totalmente desonesto.

Lançar um valor absoluto para o ar (131 milhões ao mês) sem contextualizar é obviamente calculado. Ele sabe, ou pelo menos devia saber, qual era o valor de subida da dívida antes de nos vermos debaixo do plano de ajuda.
Ele devia saber que o resultado miserável de 2012 é o resultado directo do plano de ajuda, já que Portugal não tem outras fontes de financiamento.

Enquanto a esquerda brada por menos austeridade esquece-se que este endividamento mensal é o que tem mantido o "estado social" a funcionar. É o que tem mantido os salários e as pensões a ser pagas.
A menos que haja quem nos empreste dinheiro a troco de nada e sem juros, não há outra forma que não seja cortar nos gastos. E isso significa infelizmente austeridade e uma elevada carga fiscal.


Claro que no "tempo" mediático ninguém se vai perder nestas explicações. Não há tempo.
E na maior parte das vezes não há interesse. O que interessa são chavões, cassetes, sound bytes.
Nem há jornalistas sérios que se deem ao trabalho de ir ao PORDATA, exportar etes dados para Excel e ver as coisas com a frieza dos números. Porque não lhes interessa.
Aos media e aos políticos interessa-lhes apelar a sentimentos mais básicos. A pena, a indignação, e inveja.

Isso move as massas e pode dar votos. Não interessa informar. Interessa deformar.

Mas o mais grave é que não são só os cidadãos a enfermar desta interminável cadeia de desinformação e mal entendidos. Já são os próprios políticos e denotar uma falta de conhecimento dos factos que é preocupante.

Mesmo os mais engajados politicamente papagueiam estas questões. Pergunte-se-lhes um valor e começam imediatamente a patinar.
Experimentem contrapor com valores falsos. Inventados. E verão a outra parte a esbugalhar os olhos e a dizer "mas, isso não interessa nada... o que interessa é que as pessoas estão a sofrer..."

Já o fiz e terminei a discussão a dizer-lhe "Sabes, eu inventei estes números só para ver se sabias do que estavas a falar. Os números verdadeiros são x e y. Pelo menos deu para perceber que não vale a pena discutir com alguém que apenas repete o que ouve dizer. Obrigado por esta conversa. Foi muito elucidativa"

O que a esquerda não gosta é de números. Porque os números são objectivos e isso não serve os propósitos de uma discussão em que a subjectividade é omnipresente. Quando dizem que é preciso mais dívida para sair da crise e ao mesmo tempo criticam o seu aumento, ainda que pálido quando comparado com um passado recente, estão a afirmar uma questão de fé.
E tem uma arte especial em distorcer a realidade.
Ainda me lembro que quando as exportações começaram a subir em valor, o PCP saiu-se primeiro timidamente com o argumento do ouro. Passado pouco tempo todo e qualquer comunista que se prezasse iria retorquir com o argumento do ouro para desvalorizar o aumento das exportações.
O problema era quando numa discussão se dizia a uma dessas pessoas qual era o peso percentual das exportações de ouro no total exportado. Rapidamente a "cassete" foi substituida por outra.

Quando por exemplo Seguro diz que as suas medidas iriam injectar 12 mil milhões na economia fá-lo da mesma forma que eu digo que se for a um casino com 1.000 Euros e apostar na roleta e ganhar um pleno, saio de lá com 36.000 Euros.
É uma questão de fé. Porque de todos os pressupostos de Seguro basta falhar um para que nada do que vem a seguir seja exequível.

Há nestas discussões 3 grandes grupos.
Os que sabem ver os números e que normalmente estão calados
Os que não sabem ver os números ou os tentam negar e distorcer, e que normalmente falam demais
Os que ouvem o segundo grupo e repetem como papagaios a "frase da semana"

Infelizmente a política em Portugal tem vivido dos dois últimos grupos. Os nossos destinos têm sido decididos por estúpidos e geridos por incompetentes e desonestos.
Imaginem em 30 e tal anos o dano que isto não faz a um país. Imaginem onde poderíamos estar como país se não tivéssemos umas elites políticas abaixo de cão e um eleitorado de sarjeta.

Lembram-se de Guterres e a percentagem do PIB? Eles são TODOS assim. Como não esperar que um medíocre que apenas se distingue pela articulação das palavras seja melhor?

Daniel Oliveira é a materialização de um estereotipo.
É aquele tipinho que virou comunista pelos 80, estudou numa Universidade que deu e dá abrigo a gente exactamente do mesmo estilo não se sabendo bem o que estudou e com que aproveitamento. Andou pela imprensa para aqui e para ali.
Jornalista. Que é mais ou menos onde vão parar os enjeitados da vida. Os que não acabam direito, os que não acabam economia, os que nem acabam jornalismo. O jornalismo é uma espécie de último reduto dos que não acabam nada.
Mas espanto dos espantos tem mestrado sem ser licenciado, Na Lusófona. Mestrado directo. Sem passar pela casa de partida.
É daquelas pessoas a quem o facto de ter o dom da palavra o fez convencer-se que é intelectualmente relevante.
Por causa da liberdade política de que gozamos neste país sempre pode "falar" em órgãos de comunicação como não deixaria os seus opositores fazer se fosse ele o poder.

É o exemplo típico do fulano de "esquerda".
É o "camarada" que defende as causas fracturantes.
Tal como Pina Moura, antigo correligionário no PCP o fez muito antes, arrasta a asa ao PS.
Farto que está de se perder em discussões estéreis com os dinossauros do Bloco sem nenhuma perspectiva de poder.

Daniel acabará a beijar o cu de um qualquer secretário geral do PS. Acreditem no que vos digo.
Neste momento já branqueia sem pudor a desgraça governativa socialista. Omitindo factos, números.

E é gente como ele que se arroga de ter alguma superioridade moral?

A nossa academia

Já não há muitas coisas que me surpreendam. Nos dias que correm, ouvir ou ler opiniões disparatadas tonou-se uma coisa "normal".

Só que de vez em quando há algumas que me deixam de queixa caído. E podiam ser de um qualquer indivíduo com um processo de raciocínio ofuscado pelo álcool ou pelas drogas. Mas não são. São de professores universitários.

Mas para percebermos bem o nível de imbecilidade a que estes personagens conseguem chegar, deixo-vos aqui o texto em causa.

O artigo é de hoje no Negócios Online e é-nos oferecido pela pela de Pedro G. Rodrigues. Só a fotografia do "rapaz" já deixa antever algo de sombrio. Tenho ao longo dos anos detectado que se um tipo tem cara de ser um merdas, o mais provável é que o seja mesmo. Alguns dos casos em que tentei afastar este preconceito dei-me mal. Mas vamos ao texto:
A consolidação orçamental está a asfixiar a economia, mas não podemos abandoná-la porque reforça a credibilidade, a solvência e a sustentabilidade.

As exportações ajudam a reequilibrar as contas externas, mas pouco fazem para reduzir o desemprego e dependem dos nossos parceiros comerciais. Sem neutralizar o efeito negativo da austeridade sobre a economia, dificilmente haverá contas públicas equilibradas. Enquanto as reformas estruturais não aceleram o crescimento económico, é preciso relançar a procura interna, mas sem custos para o Orçamento do Estado.
>Não são só as exportações que dinamizam a economia. Desde que não seja importado o que se compra, também aumenta o PIB o consumo das famílias, o investimento das empresas, ou mesmo a despesa pública. No curto prazo, todas estas despesas são substitutos perfeitos, logo um corte na despesa pública que não for completamente compensado por outras componentes resulta numa desaceleração do PIB. >

Em recessão, com uma conjuntura externa desfavorável, e sem uma política monetária ou orçamental de estabilização, a economia portuguesa deixou de funcionar no curto prazo. Perante esta falha de mercado, o Estado ainda pode influenciar a actividade económica sem agravar o défice. O bom funcionamento da economia no curto prazo é um "bem público" para o qual ninguém contribui voluntariamente. Cada um sabe que, sozinho, não consegue relançar a economia, pelo que é necessário que alguém com poderes coercivos coordene os esforços colectivos.

Proponho que o Estado imponha temporariamente um regime de despesa privada obrigatória. Nesse regime os titulares de depósitos bancários dispõem, no máximo, de seis meses para gastar uma fracção do saldo na compra de bens e serviços em território nacional. Findo esse prazo, do montante ainda por gastar é transferida para o Tesouro a parte que corresponde à taxa média actual de IVA e de impostos específicos. Na prática, não há qualquer transferência porque não haverá nenhum montante por gastar ao fim de seis meses. Esta é uma solução equilibrada, dado que quanto maior é o saldo, maior é a responsabilidade e a capacidade de relançar a economia. Cada um é livre de comprar o que quiser, desde que seja em território nacional e até ao prazo limite, mas deve saber que a compra de um bem ou serviço importado não aumenta o PIB.

Obrigar empresas e famílias com depósitos muito significativos a gastar em tão larga escala em bens de consumo pode levar a uma má utilização de recursos, o que prejudica depois o crescimento económico. Para evitar relançar a economia no curto prazo à custa do seu desempenho no médio e longo prazo, os titulares de grandes contas bancárias podem, em alternativa, gastar a tal fracção do saldo em projectos de investimento, i.e., na compra de bens de capital. Têm à mesma seis meses para o fazer. Sendo o investimento privado e as exportações substituíveis em termos da despesa interna, à fracção do saldo a que estão obrigados a gastar pode-se abater o valor das exportações. Assim, relança-se a economia e reforçam-se os fundamentos do crescimento económico.

Concluo, antecipando três possíveis questões. 1) Não vai apenas aumentar as importações? O equilíbrio externo resultou em parte do consumo anémico. Este é um teste à sua robustez e tem um incentivo às exportações. No Mercado Único, medidas proteccionistas não são opção. Se informados do papel do regime para aumentar o PIB, os Portugueses importarão menos. 2) Não vai atrasar a transição para os transaccionáveis? Este sector tem de vingar em concorrência doméstica com os não-transaccionáveis com um mercado de trabalho que não está deprimido. Como um desempregado perde competências, prejudicando o crescimento, relançar a economia beneficia os transaccionáveis. 3) E porque não usar o investimento público? Para além de não haver margem orçamental, não só o sector privado está melhor informado das oportunidades que existem, como faz escolhas sem desperdício quando usa os seus próprios recursos.

Investigador do CAPP e professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa

A cereja em cima do bolo é mesmo "Investigador do CAPP e professor do ISCSP da UTL.
Mas quem é este fulano exactamente? Este é o site do rapaz http://10envolver.wordpress.com/about/ e segundo pude ler no Estado Sentido:
Pedro G. Rodrigues era conselheiro do Secretário de Estado do Orçamento do segundo governo de José Sócrates. Quando este caiu, João Bilhim, recrutado por Miguel Relvas para presidir a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, mas à altura presidente do ISCSP, próximo do Partido Socialista e responsável pela elaboração do fiasco que dá pelo nome de PRACE, começou a contratar amigalhaços que tinham acabado de perder o emprego, conforme já aqui eu havia escrito, entre os quais Pedro G. Rodrigues.

Fonte: http://estadosentido.blogs.sapo.pt/
Já em 2011 tinha ficado estupefacto com um artigo de um tal Cardoso Rosas que propunha que as heranças fossem para o Estado a partir de um determinado valor. Valor esse que permitiria aos herdeiros "ficar bem" mas que os livraria da parte da herança para a qual nada tinham feito e que certamente iriam destruir em futilidades.
Chamei a esse post O Pol Pot do Minho e as opiniões expressas por esse Cardoso Rosas competem com as deste rapaz para o prémio de "o maior imbecil de todos os tempos".

São dois catedráticos, notem bem. Gente que foi subindo na nossa academia sabe-se lá como. Passaram toda uma vida de volta do "saber" e no fim produzem isto. E notem que não só são eles a ensinar e avaliar os nossos filhos ou netos como ainda por cima dos nossos salários, certamente menores que os deles, são retirados impostos para os sustentar. Terão emprego garantido até à idade de reforma no seu papel de "investigadores" e aposentar-se-ão com pensões generosas para viver o resto dos seus dias sossegadamente envoltos em "sabedoria" e com aura de "elite".

O moço tem ar de parvo de facto. Mas não é só o ar. O interior do crânio parece estar repleto de merda.
E são indivíduos como ele, que numa situação de calamidade política nos arriscamos a ter de enfrentar num qualquer lugar de Governo. Onde esta alimária já esteve, diga-se.
Resultados da sua elevada educação e qualidade intelectual?  Bem, ele foi conselheiro do Secretário de Estado do Orçamento no 2º Governo de José Sócrates. É preciso dizer mais alguma coisa quanto aos resultados?

Digo eu frequentemente que é mais fácil o Inferno gelar do que encontrar um tipo honesto ou inteligente no PS. E mesmo aqueles que estariam no topo da nossa elite intelectual, os professores universitários, são isto. Exactamente isto.

A mediocridade não se perpetua apenas na política. Perpetua-se em todo o lado. E passados 30 e tal anos damo-nos conta do nível e da qualidade da nossa academia tal como o percebemos na política. Tenho a certeza que no meio académico já terão dado conta disto há muito tempo. Mas de nada serviu. Os mediocres e os imbecis, desde que suficientemente bajuladores acabam sempre por ficar bem instalados.
Espantava-me que Zorrinho fosse doutorado. O homem parece sofrer de maleita grave do foro neurológico com os seus esgares aparvalhados e com a sua argumentação de débil mental. Mas há mais como ele.
Juntem a este trio a historiadora e "investigadora" Raquel Varela, tristemente célebre por ter dito que Isabel Jonet tinha as unhas sujas de sangue e perceberão imediatamente onde se refugia normalmente a ralé inútil. Na academia.

Não pretendo com isto generalizar. Há gente de enorme valor nessas posições. Alguns foram meus professores,. Entre as qualidades humanas e intelectuais eram de facto "elite".

Estes, desculpem-me, só se forem o topo do monte de estrume.
E o que me irrita mesmo é que dos meus impostos pagam a vidinha descansada destes pedaços de bosta.

A imprensa. O que se pode dizer mais?

Ao ler o Blasfémias dei de caras com um título que me parecia o resultado de algum sarcasmo por parte do Blog.

Mas não era. Era um título do Diário de Notícias, que nunca leio.

E o Artigo tem como título
Gaspar destrói mais 208 mil empregos até ao próximo ano

Como é que podemos pensar que um título destes acontece? Porque é factual? Não creio. Gaspar pode ter responsabilidades com as suas opções orçamentais, mas daí a ser ele o culpado de 208 mil postos de trabalho vai uma diferença bestial. O título quase nos deixa imaginar num Vitor Gaspar a destruir activamente emprego. Mais exactamente 208 mil empregos.

É um exemplo de mau jornalismo óbvio. Tanto mais que o corpo da notícia é este:
Governo prevê que desemprego e salários piorem até 2014, mas antecipa a retoma do consumo nesse ano.
A economia portuguesa vai continuar a destruir empregos até ao final de 2014m ano em que deverão existir menos 4,43 milhões de trabalhadores no país, contra os 4,63 que existem atualmente. Os valores pagos também vão cair dos 950 milhões de euros entre o final de 2012 e o final de 2014. Passam de 79,2 mil milhões de euros para 78,3 mil milhões, segundo o jornal "i".
Ou seja, são previsões do Governo. É que nem se dão ao trabalho de ilustrar por palavras aquilo que o título diz.

Mas estava eu a ver esta pérola e aparece-me no canto superior direito esta outra:

Gwyneth Paltrow aconselha mulheres a fazerem sexo oral 

Já escaldado com a qualidade do DN resolvi ver o corpo da notícia. Sem surpresa a coisa parece ser um pouco diferente.
A revelação foi feita pela apresentadora Chelsea Handler no programa 'Chelsea Lately' e deixou a atriz embaraçada.
"A mulher estava a dizer que tinha tido uma discussão muito grande com o marido e que só queria gritar, e a Gwyneth deu-lhe este conselho: 'o que quer que estejas a fazer, pensa que deves fazer exactamente o contrário, deves fazer amor com ele e sexo oral'", revelou a apresentadora.
Envergonhada, a atriz esboçou um pequeno sorriso amarelo, jogou as mãos à cabeça mas a sua única preocupação foi: "E se a minha mãe estiver a ver este programa?", questionou.
Gwyneth Paltrow é casada com o vocalista dos Coldplay, Chris Martin, já dez anos e já foi namorada de Brad Pitt. 
Daí a dar o conselho at large vai uma distância muito considerável. Mas no DN o salto entre a factualidade e a fantasia parece ser uma coisa muito fácil de acontecer.

A imprensa escrita está em crise dizem "eles". Há blogs neste país com mais leitores do que o Público e o DN. Porque será?