O ex- sindicalista que "não fez nada"

Um pobre homem, ex dirigente sindical e já reformado, foi ontem brutalmente reprimido quando se manifestava.

Sem qualquer razão aparente, as forças policiais repressivas ao serviço de um governo ilegítimo prenderam o pobre homem perante a fúria de milhares de manifestantes e trabalhadores.

A única coisa que este homem fez foi segurar um cartaz a exigir a demissão imediata do goveno durante um evento em que iria estar presente Assunção Cristas.

Assim se demonstra como a repressão está a voltar, limitando a liberdade de expressão da esmagadora maioria do povo português

Neste vídeo podem confirmar a brutalidade das agressões da polícia e a completa inocência do trabalhador "em luta"

Agora fora de brincadeiras.
Um individuo que faz isto não devia fazer o tribunal perder tempo. O que vai acontecer é uma multazeca e o estatuto de mártir da revolução.
Pergunto-me se não é por isto que certos individuos "caem nas escadas"  ou "escorregam" nas inúmeras esquadras deste país.
Consigo compreender a vontade que o agredido terá de lhe partir a cara e admiro a contenção.

Diferenças de opinião

Ontem Carlos Costa foi ouvido numa comissão parlamentar acerca da situação económica.

E a minha primeira estranheza é a ausência completa de notícias no Público acerca das suas declarações. É no mínimo estranho que um jornal como o Público não tenha uma notícia sobre as importantes declarações que proferiu.

A segunda estranheza é a forma como outros jornais realçam aspectos perfeitamente laterais das suas declarações. Na verdade o i dá mais realce às patéticas declarações de Honório Novo acerca da expectativa de Costa poder vir a ser ministro das finanças.
O jornalista do i terá ouvido o mesmo que eu, mas nem sequer acertou nas declarações de Honório Novo, escrevendo:
O deputado comunista, Honório Novo acusou hoje o governador do Banco de Portugal de querer ser primeiro-ministro de Portugal, uma sugestão que Carlos Costa afastou, depois de considerar como um desafio futuro a "demagogia no debate público".
Se olharmos para Costa como um especialista em economia, poderemos dizer que as suas opiniões são iguais ou até um pouco mais importantes que muitas opiniões de economistas que nos são servidas todos os dias nos media. Mais importantes pelo seu papel e pelo seu grau de conhecimento dos números e do assunto em discussão.

Mas curiosamente, a esquerda que prontamente acusa outros de bias, aceita de bom grado todas as opiniões que ilustrem a sua visão catastrofista da realidade. Estas frases são bem ilustrativas do que quero dizer:
Na sua apresentação, o governador do Banco de Portugal considerou que, entre os desafios da economia portuguesa nos próximos anos, está a “tendência para o imediatismo e demagogia no debate público”.
“Em que critérios técnicos se baseia para que um dos cinco elementos que são os desafios seja a tendência para o imediatismo e a demagogia do debate político. Em que estudos econométricos se baseia para colocar esta questão?”, interrogou Honório Novo.
O deputado do PCP sugeriu ainda que também deviam ser incluídos como desafios a “tendência para a falta de informação, para o secretismo e para a parcialidade na análise da situação económica”.
 A parcialidade da análise é sem dúvida um atributo da esquerda. Todas as opiniões são válidas desde que sirvam os seus propósitos, mas se for uma opinião diferente (e nem digo contrária) já é manchada de sectarismo.

A coisa foi tão longe nesta comissão, que o imbecil Galamba manifestou que gostaria de ter visto o mesmo grau de tolerância para com as medidas de governos anteriores.

Existe uma diferença básica. Os governos anteriores fizeram o que fizeram de forma quase dolosa. Não quiseram saber das consequências que se avizinhavam. Persistiram teimosamente num caminho que só podia ter um desfecho - a banca rota.

Este Governo tem também uma "teimosia" . E é a de por as contas em ordem. Coisa que ninguém discute ser absolutamente vital. A diferença é que os meios de atingir o objectivo são muito diferentes. Ao ponto de alguns nem permitirem atingir o objectivo. O que não é nem mais nem menos aquilo que nos pôs na banca rota.

Um post no Blasfémias ilustra bem o disparate e a incoerência das medidas abundantemente propostas pela esquerda: Soluções para a crise

As soluções da esquerda vão desde o ridículo ao alienado. Do PS ouvem-se intenções de emprego e crescimento, como se houvesse uma varinha mágica que permitisse fazer isto e ao mesmo tempo respeitar integralmente o acordo assinado. A única conclusão que se pode tirar é que é mais uma promessa ao estilo PS. Enganar os tolos para lhes dar a austeridade na mesma e declarar a dada altura que a culpa é de outros - crise internacional, humor dos agentes económicos etc etc.
O caso do PCP e do BE são tão admiravelmente ridículos que quase nem vale a pena comentar. É no entanto de realçar o facto de esta gente achar que tem o direito a pedir emprestado e depois a declarar que não paga.
Não é nada que se estranhe de gente que acha que tem "direito" a viver do dinheiro dos outros. Só que os outros somos nós que acabamos por levar com a carga insuportável de ter de pagar as loucuras proto comunistas que estão arreigadas no nosso pais desde 1974-1975. Da sua vontade de expropriar os bens a uns para viver deles não há nenhuma novidade. Foi assim que fizeram a seguir ao 25 de Abril e conseguiram falir um dos países com maiores reservas de ouro e em pleno crescimento económico em 2 anos e pouco.
Diz bem da capacidade e do grau de competência e capacidade de pessoas como este Honório Novo que parece ser incapaz de ouvir outras opiniões sem tentar encontrar razões escondidas. E muito malcriadamente devo dizer.
Carlos Costa foi duma delicadeza na resposta que eu nunca teria.
Aliás, Galamba também não teria ficado sem resposta. E Carlos Costa devia ter dado o dois a zero a esse puto imberbe e deslumbrado com o seu estatuto de wizzkid. (O meu prolongado aplauso para o Governador do Banco de Portugal).

O que se retira de tudo isto é a incapacidade de lidar com opiniões adversas à agenda política desta gente. Se estão a favor deles, ou se declarações de alguém podem servir os seus propósitos, estão certas. Se forem diferentes estão erradas ou o seu "emissor" está a fazer-se a um "lugar".

Não admira que o PS tenha passado a um discurso de bajulação do CDS, esperando ansiosamente que quando chegue o dia das eleições não tenha de fazer alianças com esta esquerda ante diluviana anquilosada e senil.

7 ou 17 magníficos

Já em situações anteriores se tinha assistido aquilo que hoje se assistiu. Por duas vezes.

Começou a tornar-se moda boicotar membros do Governo em qualquer situação em que tentem falar.
É uma forma de protesto e um direito de todos, mas os direitos têm de ser exercidos de tal forma que não ponham em causa o direito dos outros.

E esta mania de protestar em eventos como hoje aconteceu, espezinha por completo o  direito dos outros.
Começamos a assistir a algo que não deixa de ser extraordinário. Meia dúzia de gatos pingados, com mito pouca representatividade social, não deixam que o Governo ou ou seus membros falem publicamente qualquer que seja a circunstância.

E não é apenas interromper o discurso. O insulto está presente nestes casos. A atitude caceteira, desrespeitadora está sempre presente e bem ensaiada.

À falta de resultados práticos duma luta sem fim e cada vez menos mobilizadora a esquerda nas suas 140 incarnações  usa agora a estratégia da redução ao silêncio.

E os visados não sabem o que fazer perante uma situação assim. Vimos isso com Gaspar, e agora com o secretário de Estado dos transportes. Ora são gentes do movimento que se lixe a troyka ora são sindicalistas vermelhuscos. O resultado e os métodos são sempre os mesmos e bem ensaiados. E sabe-se obviamente qual é a mão que está por detrás de todas estas manifestações.

E assim basta um punhado de indivíduos à caça de todo e qualquer evento na agenda dos membros do Governo, para que seja completamente impossível qualquer um deles falar.
Como dizia um conhecido meu, israelita, bastavam 365 bombistas suicidas num ano para tornar a vida impossível a toda a gente em Tel Aviv. A escala do efeito é multiplicada pelo efeito mediático e psicológico nas pessoas.

Aqui o princípio é o mesmo. Bastam os mesmos 10 ou 15 tipos a fazer a ronda das palestras e congressos para que consigam bloquear completamente a comunicação do Governo.

Mas esse efeito não decorre duma enorme falta de tolerância e de sentido democrático destas pessoas? Sim. Como é que se pode construir alguma coisa com gente que tem por principal meio de acção silenciar os outros?

O "inútil"

Há coisas que me deixam de cara à banda.

Existe uma tendência neste país para avaliar as coisas da forma mais superficial possível.
Não é raro ouvirmos coisas como "tem o perfil", "comunica bem" ou "tem boa imagem".

Estas têm sido as linhas de orientação da nossa política (e não só) nos últimos 30-35 anos.
Talvez por isso as escolhas resultem quase sempre num descida inexorável aos infernos. Fala-se muito de meritocracia mas a verdade é que o mérito tem muito pouco a ver com a forma como são escolhidas ou avaliadas as pessoas e o seu trabalho.

Este país de faz de conta fez com que a nossa sociedade dê valor a coisas que são tudo menos a substância. São apenas a "casca".

Para os que julgam que isto é só um problema na política desenganem-se. O sector privado viveu e vive há anos a cultivar esta forma de fazer as coisas. Há um chorrilho de incompetentes em lugares cimeiros nas organizações cuja única preocupação é obter o maior número de vantagens para si e passar a responsabilidade das asneira aos outros.

Esta cultura do "faz de conta" veio para ficar. Mesmo perante os resultados catastróficos dessa opção ainda temos pessoas a fazer apreciações sobre outras baseadas em "impressões", "perfil" e disparates semelhantes. Muito raramente a competência técnica á chamada à discussão.

Marcelo declarava hoje que Gaspar devia ser demitido porque passou de útil a inútil neste Governo. Provavelmente como Teixeira dos Santos passou de ser útil aos propósitos de Sócrates e passou a ser maldito quando a troyka chegou a Portugal. Quase parecia que a culpa era unicamente dele.

Marcelo alinha pelo mesmo diapasão e segundo ele Gaspar começou por ser útil por causa da sua imagem internacional. Hoje deixou de o ser porque lembrou que os juros da dívida e porque o faseamento do pagamento da mesma causava picos altamente prejudiciais em 2 anos do seu prazo.
Segundo ele o PSD e o CDS assinaram o memorando e Catroga "até disse" que tinham conseguido uma série de melhorias que de outro lado não teriam sido obtidas.

Quanto aos juros não duvido que houvesse pouco a fazer mas quanto a expressar a opinião acerca dos detalhes técnicos do acordo não creio que isso o possa tornar inútil para o Governo. A não ser por questões de "comunicação".
Marcelo parece estar mais preocupado com a "imagem" e a comunicação do que com a competência de Gaspar, tido por muitos como o melhor ministro das Finanças desde o 25 de Abril. Tanto mais que foi o que apanhou o  pais no pior estado possível desde essa altura.
Conseguir recuperar a confiança dos nossos credores e ao mesmo tempo conter o despilfarro de dinheiro não é uma proeza pequena. É tão somente uma proeza que nenhum conseguiu antes, o que diz bem da qualidade do ministro.

Claro que num cenário assim a retracção do país é inevitável. Porque existem efeitos colaterais e porque o "sentimento" das pessoas não é o melhor. O que não quer dizer que o que Gaspar fez não seja indispensável e bem feito.

Para Marcelo parece que basta um qualquer para ministro, uma vez que a questão da competência é menos relevante do que a questão de imagem e comunicação.

E isto é bem revelador da forma como Marcelo e outros dentro do PSD ( e desconto os que estão fora porque estão sempre do contra e pretendem o poder a todo o custo) olham para a política e para a gestão de um país. Manter as hostes contentinhas e garantir com gestos eleitoralistas um clime conducente à vitória nas eleições seguintes.
O facto de o país estar falido é para eles irrelevante e um obstáculo intransponível nas eleições. Que é a única preocupação desta gente. O país que se f***. Não podemos é desagradar a quem tem o poder de criticar e criar ruído de fundo.

O estado do país não é alheio à forma de pensar de pessoas como Marcelo. E nem sequer é alheio à sua actuação como político.

Hoje também Pacheco Pereira usava o seu espaço televisivo para dissecar um discurso de Passos Coelho para concluir que ia haver despedimentos na função pública.

O espaço televisivo de incontáveis personagens da nossa vida política tornou-se numa forma de acertar contas a coberto do comentário ou do pendor mais ou menos "cultural" desses espaços.

Mas se olharmos bem, com atenção, a inutilidade dos personagens em apreço torna-se perfeitamente evidente.
Não contribuem para a solução do problema, apenas o agravam. Parecem aqueles tipos ridículos nas reuniões de condomínio ou nas reuniões de pais que se acham sempre mais espertos e passam a vida a comportar-se como aquilo que são. Uns empata fo*** inúteis e absolutamente irritantes.

O sectarismo

A maior parte das discussões a que se assiste nestes tempos por qualquer que seja razão estão completamente carregados de uma doença terrível. O sectarismo.

E é um pouco mais que o sectarismo dos estúpidos. É o sectarismo de todos os sectores da nossa vida política.

Mas o que me leva a escrever isto é o sectarismo dos estúpidos. E vem a propósito da demissão dos responsáveis pela contratação de swaps tóxicos nas empresas públicas.

O montante da desgraça ascende ou pode ascender aos 3.000 milhões de euros. Estas pessoas assinaram contratos que iam muito para lá da cobertura de risco de subida de juros. Usaram estes mecanismos com enorme ligeireza para obter mais valias.

E espetaram-se estrondosamente. Fazem contratos de casino e esperam ganhar à banca.

Já dois secretários de Estado tinham saído do Governo por terem estado envolvidos neste negócio chorudo para a banca.
Agora chegou a vez daqueles que ainda estavam à frente de algumas das empresas e é porventura a primeira vez que alguém sofre consequências de acções negligentes ou irresponsáveis.

Isto é a todos os títulos uma coisa correcta. É uma decisão acertada a tomar tal como foi em seu tempo não ter candidatos a eleições que estivessem sob investigação criminal (Marques Mendes e o caso Isaltino).

Mas se dos partidos se ouve "silêncio" pela justiça da decisão (a não ser do Bloco que ainda queria mais), do cidadão comum não se espera a mesma apreciação.
E porquê? porque o cidadão comum está mais apostado em especular e condenar do que em saber a verdade dos factos.

Nos comentários a estas notícias o resultado é surpreendente. Criticam o Governo por lhes atribuir compensações pela demissão (!!). Coisa que não aconteceu e é muito pouco provável que venha a acontecer.
Mas o "cidadão comum" não se rala com esses pormenores. Quando impregnado de uma fúria homicida contra alguém, a verdade não interfere nas suas apreciações. Quando se está contra tudo o que de bom que a outra parte possa fazer, não o é.

E como perante os factos não há muito de mau a dizer, a não ser aplaudir, inventam-se factos futuros não confirmados e com toda a probabilidade falsos. Um passo que a oposição ainda não se atreveu a dar.
Critica-se portanto aquilo que o Governo não fez e provavelmente nunca fará para diminuir, e até estar contra, o gesto inédito no nosso Estado de afastar gente responsável por perdas deste calibre.

O passo seguinte seria uma investigação para apurar a negligência ou dolo na assinatura destes contratos. Mas isso cabe agora à justiça. Estas pessoas deviam sentar-se no banco dos réus fosse por crime ou por danos patrimoniais. Até ao dia em que um destes tipos perca a sua casinha e o seu carrinho e seja condenado a um estado de miséria não haverá lições para tirar de casos como este.

Até ver, o gesto é digno de aplauso. Só não o quer ver quem consegue ser mais sectário do que as forças políticas que apoia.
Agora imaginem o que seria o poder "popular" com gente deste calibre, com intelectos de galinha a acusar e julgar os outros.